Notas iniciais
oi! esse é um capítulo mais curtinho, porém importante. eu adoro esse trecho do jogo e acho que consegui descrever de uma forma legal ♥ também é importante para entender a relação deles com as estrelas. enfim, espero que gostem

Na noite fria e silenciosa, podia-se ouvir o som de grilos e corujas ao redor. O céu sem nuvens permitia que inúmeras estrelas e constelações fossem observadas por quem quisesse, além da bela Lua, em fase crescente, capaz de fornecer uma deslumbrante iluminação em algumas áreas abertas. Bem ao longe, caso apurassem bem os ouvidos, era possível ouvir alguns uivos formosos e dedicados. A natureza nunca parava, fosse noite ou dia, haveria vida em algum lugar ― um pequeno roedor tomando coragem para sair de seu buraco, assim como uma ave bem à espreita.

Dessa forma, a mãe lince também estava acordada. Havia saído de sua toca e planejava fazer um lanche noturno caso tivesse sorte, mas não era seu objetivo. Os filhotes permaneceram dormindo calmamente, resmungando vez ou outra, exceto por Inna, que acordara e pôde ver, de relance, sua mãe fora da toca. Perguntou-se para onde estaria indo, e rapidamente se pôs de pé, decidida a segui-la. Nunca havia saído da toca num horário tão escuro assim, e embora tivesse uma boa visão noturna, era uma experiência muito nova e até mesmo assustadora. Diferentemente de quando o Sol estava no céu, agora não havia lebres comendo grama nos arredores, nem passarinhos cantarolando.

Contudo, deixou a covardia de lado e prosseguiu seguindo a mãe em silêncio. Não sabia se levaria uma bronca por sair junto, ou se sequer poderia, e não queria ser colocada de volta na toca. Pôs em sua mente que nada de ruim aconteceria, afinal, estava junto a sua mãe, mesmo que a uma leve distância. Seria socorrida caso algum predador tentasse uma gracinha.

Percebeu que se aproximavam de uma espécie de colina, bem pequena, mas que oferecia visão melhor do céu estrelado. Nora subiu e se sentou, e Inna pôde a ouvir ronronar. O que estava acontecendo? Por que se permitia não ficar em alerta? Sentou-se um pouco atrás da mãe, curiosa sobre o que estava fazendo ali.

De repente, uma espécie de estrela desceu dos céus. Era bonita e brilhante, e Nora ronronou mais forte, para, então, se fixar fortemente nela. Parecia totalmente alheia ao seu redor, o que deixava Inna agitada. Da mesma forma que veio, a estrela se foi, sem mais nem menos. A mãe lince permaneceu um tempo olhando para o vasto horizonte, até se virar e pegar Inna pelo cangote, levando-a para o sopé do morro.

― Mamãe, você me viu? ― Ela perguntou, assustada.

― Você achou que eu não iria sentir seu cheiro? ― Riu ao colocá-la no chão. ― Sabia que estava me acompanhando desde que saiu da toca. Uma mãe fareja seus filhotes de longe.

― Entendi... ― Respondeu, um pouco envergonhada. Achou que estivesse fazendo um ótimo trabalho de observação silenciosa. ― O que era aquela estrela? O que você estava fazendo?

Nora hesitou em dar a resposta para tais perguntas, mas procedeu:

― Bom, estava recebendo conselhos... de minha mãe.

― Como assim? ― Suas orelhas se levantaram completamente, a curiosidade à mil.

― Inna, alguns animais aprendem a se comunicar com as estrelas. Se olhar para o céu, pode ver constelações de inúmeras espécies: ursos, cervos, e linces, como nós. Todas as espécies podem falar com as estrelas, mas nem todos os indivíduos aprendem como. Para mim, é algo muito importante. Uma forma de buscar respostas ou ensinamentos de seus guias, ou apenas palavras de conforto. Minha mãe me ensinou, e um dia pretendo ensinar tudo isso de forma adequada a você e seus irmãos.

A filhote estava maravilhada com aquela informação. A Mãe Natureza era mesmo fantástica, permitindo que animais pudessem fazer conexões com as estrelas do céu. Mal podia esperar para ouvir tudo o que sua mãe poderia ter para contar.

― E quem vai ser meu guia?

― Só o tempo dirá. Pode ser eu, ou um de seus irmãos. Também não precisa ser somente um.

― Então só vou poder falar com as estrelas quando... você morrer? ― Seu tom de voz era tristonho e preocupado.

― Oh, não, Inna! Veja, as estrelas carregam memórias. Coisas que já aconteceram entre você e o outro, que você considera tão especial em seu coração a ponto de as estrelas o trazerem até você. Mas pode ser reconfortante escutar essas palavras já ditas, ou até mesmo importante. Algo que serviu num momento anterior também pode servir agora. E, no mais, às vezes é simplesmente agradável reviver alguma memória que você nem sabia que tinha. Então, quando um dia nos afastarmos, quem sabe eu seja seu guia. Você vai entender melhor essas coisas quando estiver mais crescida. Agora vamos logo para casa, para que você volte a dormir.

― Está certo, mamãe. ― Miou em concordância, pensando em tudo que Nora havia dito. Ver memórias. Agora entendia o porquê de sua mãe estar tão focada naquele instante: estava revivendo algo especial. Sentiu seu coração se aquecer ao perceber que ela parecia mesmo feliz. A mãe dela deve ter sido boa.

Já dentro da toca, Inna se espremia junto aos irmãos, da forma que todos eles gostavam. Recebeu algumas lambidas na testa, e um aviso de Nora:

― Não comente nada disso com seus irmãos. ― Sussurrou. ― Irei explicar tudo nos mínimos detalhes para todos vocês em breve. Agora, durma. Teremos um dia cheio amanhã.

A filhote miou carinhosamente, ganhando mais alguns pequenos afagos, e enfim adormeceu, sonhando que corria pelo céu escuro, junto de várias constelações luminosas. Muitas delas eram linces. Sentia-se bem, era veloz como nunca, e antes de dormir também, Nora pôde notar um sorriso em seu pequeno focinho sonhador.

Notas finais
espero que tenham gostado ♥ adoro narrar a nora, eu a vejo como alguém tranquila, inteligente e amorosa. é muito agradavel escrever os dialogos dela