Em busca da magia que habita em mim.
1 Aniversário de 11 anos.
O quarto estava escuro e silencioso, tivera ótima noite de sono, seu corpo estava relaxado e leve. A porta do quarto se abriu lentamente, ele preferiu continuar de olhos fechados, sem dar atenção a quem entrara, ouviu passos firmes cruzarem o quarto e abrir as cortinas, fazendo com que uma claridade abundante atingisse seu rosto. Abriu os olhos e viu sua mãe, olhando pela janela. Virou-se de barriga para cima e se esticou-se na cama.
— Bom dia!
Disse a mãe com um sorriso dócil olhando para ele. Nicolas virou-se para ela e sorriu.
— Bom dia mãe.
Sussurrou com uma voz cheia de sono. Os dois se entreolharam e a porta abriu com tudo novamente, batendo forte na parede. Seu irmão mais novo invadiu o quarto correndo e pulou em cima dele, gritando.
— Anda mano, é seu aniversário!
Nicolas fez uma breve careta com o grito, porém logo entusiasmou-se. Sentou-se na cama empurrando o irmão para o lado com força fazendo-o cair da cama. Ignorou a presença do irmão, acabara de lembrar que era seu aniversário. Olhou para sua mãe com um belo sorriso no rosto.
— Onde estão meus presentes?
Perguntou olhando em volta, mas não encontrou nada, sua mãe ainda sorria.
— Os presentes são só na hora do aniversário querido!
Continuou deitado fitando o teto, seus cabelos pretos caiam levemente sobre os olhos negros e sua pele branca fazia um contraste interessante com os lençóis azuis. Levantou-se e lentamente caminhou até seu guarda-roupa, vestiu uma roupa qualquer e desceu as escadas.
Lá várias pessoas arrumavam a casa para o aniversário. Ele tinha acordado tarde, agora reparara que que já eram quase 13 horas. O almoço estava ficando pronto, sua mãe cozinhava com a ajuda de sua tia. Seu primo jogava xadrez bruxo com seu irmão mais novo. Ele fora para a rua, aproveitar um pouco o dia, o sol. Dirigiu-se ao portão e atravessou caminhando em direção a um campo que ficava ao lado de sua casa. Caminhou por alguns minutos até que chegou a uma árvore grande que fazia uma sombra enorme em um gramado florido a beira de um lago, viu uma silhueta que despertara um sorriso em seu rosto, uma menina da sua idade estava sentada a beira do lago, ela tinha cabelos ruivos, olhos castanhos e leves sardas no rosto.
Era sua melhor amiga Florence. Aproximou-se com calma e sentou-se ao lado dela.
— Pensei que não viria aqui hoje.
Disse ela fitando-o com um olhar sereno por alguns instantes e voltou a olhar para a beira do lago.
— Acordei um pouco tarde, minha família já está preparando minha festa de aniversário.
Respondeu Nicolas, que sentado ao lado de Florence, olhava na mesma direção que a menina.
— Ainda não entendi por que eu não posso ir à sua festa.
Falou a menina deixando transparecer em seu semblante uma leve tristeza. Ele engoliu em seco, sabia o porquê não poderia convidá-la a sua festa, porém não podia lhe contar a verdade. Florence era trouxa* e a família de Nicolas era composta apenas por bruxos de puro sangue, esses muito preconceituosos e não permitiam que a menina frequentasse a sua casa, pois além de tudo, ela não poderia descobrir que eles eram bruxos. O menino respirou fundo e respondeu com uma voz desanimada.
— É uma festa apenas para algumas pessoas da minha família, meus pais não quiseram convidar quase ninguém.
Mentiu e se sentiu muito mal por isso. Porém a menina pareceu entender a situação, ela revirou-se procurando algo no bolso lateral de seu vestido e tirou duas barras de chocolate, oferecendo uma ao garoto.
— Já que é assim, feliz aniversário!
Disse abrindo um sorriso dócil. Nicolas pegou a barra de chocolate e deu um sorriso aliviado, aparentemente a menina não estava chateada com ele.
— Muito obrigado, Flor.
Agradeceu com a boca cheia após dar uma mordida na barra de chocolate, tirando um novo sorriso da menina que brigou para que ele tivesse modos, dando um leve tapa em seu braço. Os dois ficaram ali na beira do lago em silêncio por alguns minutos enquanto comiam o chocolate. O garoto estava muito pensativo, ao mesmo tempo que estava muito feliz por ser seu aniversário de 11 anos, ele sabia que aquela era a idade em que deveria ir para Hogwarts, porém ele nunca demonstrara nem um traço de magia, coisa que até mesmo seu irmão já fazia, aquilo lhe causava uma certa aflição.
— Nico, ta tudo bem?
Perguntou a menina. Ele estava com um semblante sério, olhando para o mesmo lugar por um bom tempo. Respondeu a pergunta com um simples aceno com a cabeça enquanto se levantava limpando a grama de sua roupa.
— Ta sim, só estou curioso para saber quais serão meus presentes. Eu tenho que ir, prometo que guardo alguns docinhos da festa e trago para você!
Encarou Florence por alguns segundos abrindo um sorriso antes de partir, enquanto ela respondeu apenas com um sorriso de canto de boca, ela sabia que o amigo não estava feliz, porém não sabia o porquê e não podia fazer nada para ajudá-lo.
Ao chegar na casa a preocupação era visível em seu semblante, porém sua família não percebeu. Foi para seu quarto, arrumou-se para festa e voltou para a sala, interagindo com os demais membros da sua família enquanto abria os presentes.
De sua avó ele ganhou uma coruja, na qual colocou o nome de Lily, pois suas penas brancas lembravam os lírios que nasciam a beira do lago perto da sua casa. De seus tios ganhou um novo conjunto de peças de xadrez mágico e de seus pais ganhou uma vassoura, uma Nimbus 2000, Nicolas ficou em estado de êxtase, seu sonho sempre foi ter uma, corria as suas mão pelo cabo da vassoura sentindo seus dedos deslizarem pela tinta nova até sentir o atrito das cerdas, onde deixou seus dedos entrelaçarem nas mesmas enquanto agradecia seus pais.
Todos estavam muito alegres, comeram e beberam durante toda festa. Nicolas que mais cedo estava absorto em pensamentos negativos, esbanjava completa felicidade com os presentes e todos davam risadas enquanto sua nova coruja voava dentro da casa e tentava pousar no seu ombro desajeitada.
Após se alimentarem, foram todos para fora da casa para verem o garoto inaugurar seu presente, Nicolas vinha com a vassoura em mãos estampando um sorriso radiante no rosto e seu irmão vinha ao seu encalço hipnotizado com a vassoura. Seu pai se posicionou para ensiná-lo e depositou a vassoura ao lado do garoto.
— Para começar a utilizar a vassoura, você deve esticar a mão sobre ela e gritar “suba”, ok filho?
Instruiu o pai tão entusiasmado quanto os filhos a respeito do presente que havia dado. Nicolas acenou com a cabeça e seus músculos da nuca se enrijeceram de nervosismo, estavam todos olhando para ele. Estendeu a mão sobre a vassoura e bradou.
— Suba!
E nada aconteceu.
— Suba!
Novamente a vassoura se manteve imóvel. Nesse momento o desespero tomou conta do garoto, que olhou para seu pai como um pedido de socorro, suas pernas enfraqueceram e sua garganta secou, tudo que ele mais temia podia estar acontecendo na frente dele.
— Não se preocupe, é normal algumas pessoas terem dificuldades para voar na primeira vez em que tentam alçar voo com uma vassoura.
Justificou o pai sem graça. Mas o garoto não estava ouvindo, o desespero o acometeu de tal forma que ele só conseguiu sussurrar que precisava ir ao banheiro e entrou na casa correndo. Sua mente estava um turbilhão de pensamentos, ele havia completado 11 anos e não havia realizado nenhum sinal de magia. Subiu as escadas do seu quarto correndo e trancou a porta. A aflição apertava seu peito, ele abraçou um travesseiro e começou a chorar silenciosamente, as lágrimas escorriam pelo seu rosto enquanto ele olhava para o horizonte.
Secou suas lágrimas e pegou uma pena que estava sobre sua mesa de cabeceira, colocou no lençol da cama e olhando fixamente para ela tentou fazer com que a mesma flutuasse, estava desesperado, porém após alguns minutos de concentração não obteve nenhum resultado.
— Por favor Merlin, faça de mim um bruxo!
Sussurrou caindo no choro novamente, com uma respiração ofegante, em estado de pânico. Ele era jovem, porém tinha conhecimento suficiente sobre abortos* para temer ser um deles.
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