Em algum lugar...
1 Jack
Notas iniciais

Fumava um cigarro.
Fumava o quinto cigarro.
E no décimo cigarro, me dava conta de que Jack não viria. Já se haviam passado quase duas horas e ele não havia ligado e nem mandado um sms avisando de algum atrasado...
Ele não viria.
Não estava surpresa e nem irritada com essa atitude de Jack, pois o conhecia. O conhecia tão bem, de todas as maneiras possiveis. Ele iria embora, sem aviso prévio, se se sentisse pressionado e, não que fosse por querer, havia o pressionado.
O motivo, tão irrevelante quanto minha vontade de fumar, sem importância.
Havia gostado de Jack por um ano, e o amado por quatro anos, mas Jack nunca soubera e nunca houvera uma mudança em sua atitude, até agora.
Descobri, cedo demais, que precisava de Jack para viver, mas que Jack precisava apenas de papel, tinta e seus escritos.
Jack respirava letras.
Eu respirava Jack.
Todos diziam amar Jack — acendia outro cigarro, o décimo segundo, e o colocava no canto dos lábios -, mas ninguém de fato o amava. Tinha visto aquela criança entrar em relacionamentos e sair rapidamente deles.
Jack não sentia de menos ou o que todo mundo sentia, sempre sentia em excesso e se machucava por conta disso, embora ele sempre iria esconder sua dor.
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