Em Suas Mãos
10 Capítulo 9 – Noite de Tormenta
Em Suas Mãos
Capítulo 9 – Noite de Tormenta.
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Caroline entrou na casa e sentiu seu corpo tremer de uma forma descontrolada. Olhou para a sua direita, onde antes havia uma mesa grande que costumava passar as datas festivas junto com a sua família e todas as lembranças a invadiram contra a sua vontade. Seu pesadelo de todas as noites começou a se repetir de maneira muito mais nítida, tornando o momento em sua tortura pessoal, mesmo acordada. Ela suava frio. Estava relutante em voltar àquela casa. Mas respirou fundo e teve coragem em dar um passo à frente do lugar vazio e nem precisou fechar os olhos para lembrar-se daquela noite de Natal de vinte anos atrás.
O jantar estava servido e toda a família Forbes comia animada. Bill ficava sempre ao lado da sua esposa Liz e à frente deles Caroline de oito anos e Lara, a mais nova, de dois.
O clima seguiu agradável com o casal comentando algo sobre o trabalho, as meninas sobre como seria o começo do ano letivo e sobre os amiguinhos que fizeram na escola. Desta vez, Liz e Bill resolveram se estabelecer na pequena e pacata Mystic Falls. Eles estavam felizes como nunca antes. Esta era a cidade natal das pequenas, mas determinados eventos fizeram com que eles se mudassem constantemente. Com o trabalho concluído, eles tinham tempo para se preocupar apenas com quem Caroline namoraria na adolescência e se Lara usaria algum tipo de drogas com quinze anos. Nada além de um descanso merecido onde acompanhar e apoiar as suas filhas era a coisa mais importante do mundo e Caroline finalmente se viu livre para se apegar aos seus amigos e os lugares que ela gostava de frequentar.
A loira balançou a cabeça e riu com a lembrança. Podia ver-se sorrindo enquanto ajudava a irmã a limpar o vestido rosa bebê sujo do molho da carne enquanto Bill servia-se de mais vinho, recebendo uma breve repreensão de Liz.
Enquanto Caroline esfregava um pano úmido na mancha, sua irmã ainda sentada à mesa, apontou para a janela ao lado da árvore de Natal e bateu em seu ombro para que olhasse para cima, movimentando a cabeça para a direção ao som estridente e apesar da noite tranquila, antes de Caroline conseguir olhar, outro barulho foi escutado do lado de fora da casa. Dessa vez ainda mais alto.
― O que está acontecendo, Bill? – Liz perguntou assustada ao marido na mesa de jantar e chamou as meninas para perto dela.
Lara obedeceu imediatamente, mas Caroline, destemida e curiosa, seguiu cautelosamente o barulho, que pela posição, seria na garagem aos fundos da propriedade.
― Caroline, querida, fique aqui e ajude a sua mãe. Tudo bem? – Ele fez um gesto para ela e, mesmo relutante, permaneceu na casa ao perceber que Liz e Lara estavam muito mais assustadas que ela enquanto seu pai saía pela porta lateral.
O silêncio absoluto reinou e imediatamente todo o ambiente se tornou tenso.
Alguns minutos depois, Bill voltou correndo e ofegante. Seu olhar era de aflição e desespero. Algo muito pior que da última vez que ela esqueceu de dar banho no cachorro ou que brigou com um dos meninos da escola e foi suspensa.
Caroline acordou subitamente do devaneio e se viu em uma casa grande, vazia e repleta de lembranças boas, mas que a que permaneceu, foi definitivamente a pior delas.
Ela subiu as escadas lentamente escorregando a mão pelo corrimão de madeira e os degraus pareciam eternos. O eco do seu sapato alto tomou conta do lugar e até sua respiração acelerada podia ser ouvida. Se Caroline fosse de fugir, já teria corrido. Nãos que ela não sentia-se tentada, mas era preciso continuar. Do topo, ela olhou para o extenso corredor e pode ouvir nitidamente, como se ainda estivessem ali, os passos apressados na escada abaixo de si.
Bill subia apressado carregando consigo para o segundo andar a esposa e suas duas filhas. Ele ordenou que Liz as levasse para o quarto do casal, mas somente as meninas foram e Liz, teimosamente, permaneceu ao lado do marido. Eles, pela profissão, estavam acostumados a lidar com situações de risco e proteger a família era prioridade agora.
Caroline andou lentamente até a suíte de seus pais e observou o lugar vazio. Se coração palpitou de maneira descompassada e ela sentiu uma dor tão forte que se viu obrigada a encostar na parede, arrastando as costas até sentar-se no chão, exatamente onde ficava o antigo closet.

E de lá, dessa mesma posição cujo estava há duas décadas, ela viu tudo acontecer novamente.
Homens invadiram o local armados e gritos femininos foram escutados por ela. E só havia uma mulher na casa além delas. Sua mãe.
Liz foi jogada bruscamente na cama e Bill permanecia todo tempo em frente a ela protegendo-a. Em vão. Ele tentou alcançar o criado mudo, mas foi impedido por uma sessão de espancamento que parecia não ter data limite para acabar.
Ele ainda assim lutou e conseguiu pegar o que tanto queria no criado mudo e antes de conseguir atirar, um homem se aproximou golpeando-o na cabeça com uma coronhada que o fez desmaiar. Enquanto o amarravam, outro homem que aparentava ser o líder, arrastava Liz para fora da cama, jogando-a no chão e retirando seu vestido.
Aquela cena deixou Caroline assustada e aflita. Ela pensou em reagir de mil maneiras, mas manteve a calma e lembrou-se da promessa que sempre fez aos seus pais caso algo acontecesse com eles. “Proteja sua irmã”. Então não fez o que queria, não por ela, mas por Lara que não merecia ter esse tipo de monstruosidade como lembrança para a vida. E tudo que ela pensou foi em como queria que tudo fosse um sonho muito ruim, que acabasse e que seus pais estivessem bem. Mas fechar e abrir os olhos repetidamente para acordar não adiantava. Nada adiantava. Aquilo era real. E a cada grito de pavor ela sentia uma lágrima quente descer pelo seu rosto mostrando a realidade dura e esmagadora onde a única chance de sair dali era mantendo uma calma além do seu controle. Não gritou ou lutou como gostaria, apenas pediu, em gestos, para que a pequena colocasse as mãos nos olhos e cantasse algo baixinho enquanto ela lhe tapava os ouvidos.
Sem proteção para seu próprio corpo, Caroline se viu em uma situação em que fechar os olhos não adiantava quando o som fazia com que ela não deixasse de saber o que acontecia. E cada minuto não pareciam horas, mas uma vida inteira em uma noite.
Quando finalmente ouviu a voz desesperada de seu pai ao ele acordar, ela abriu os olhos no momento do estampido. Alto, ensurdecedor. E por impulso soltou Lara, que em um rompante, abriu a porta do closet e correu em direção ao corpo de Liz ensanguentada no chão e Bill machucado em demasia, implorando pela vida.
Caroline ficou paralisada. Tudo e nada passava pela sua cabeça. Um turbilhão de sensações e emoções a invadiram e a atravessaram como uma flecha direto no coração. E antes fosse uma. Suas reações foram neutralizadas pela cena caótica a sua frente.
Um outro homem entrou no quarto e pegou Lara no colo. “Vamos, rápido”, ele dizia enquanto sacudia uma arma na outra mão. E aquilo a atormentou de uma forma arrebatadora. Caroline saiu correndo antes que o homem pudesse virar de costas para sair, e tudo o que conseguiu foi sentir uma queimação sutil que aumentava a medida que o sangue escorria do ferimento causado pela arma em seu abdômen. Mesmo assim ela resistiu, tentou se aproximar dele e lutou. Mas recebeu um golpe que a fez cair no chão ao lado de seu pai. Ela podia ouvir a respiração entrecortada dele e o quanto se esforçava para falar algo próximo de um afeto antes do seu ar esvair por completo. Não houve adeuses e nem despedidas. Apenas uma tentativa falha de se levantar e pedir ajuda. Mas no primeiro passo, ela caiu e apagou.
E desejou jamais acordar.
Mas tinha algo muito maior que si mesma em jogo.
You live your life
(Você vive a sua vida)
You go day by day
(Dia após dia)
Like nothing can go wrong
(Como se nada pudesse dar errado)
Caroline permaneceu observando a “cena” paralisada. Não se levantou como naquele dia, não houve reação, não conseguia. Depois de tanto tempo ainda era um choque. E se lembrar de cada detalhe lhe causou um súbito enjoo que a fez praticamente se arrastar para o banheiro da suíte, mas ao retostar sua cabeça no sanitário nada saía. Não havia nada, nada dentro dela. Apenas a angústia cortante e dilacerante, a dor excruciante. E uma vontade imensa em fazer tudo desaparecer. E ela sentiu tudo. E nada. Ao mesmo tempo.
Pensou que após ter feito o que fez, aquilo a deixaria facilmente, mas não. A diferença de reviver a dor depois de tanto tempo, é perceber que por mais forte que você seja, ainda machuca.
A loira se esforçou para levantar e lavou o rosto. Estava pálida, como se tudo estivesse acabado de acontecer. E aconteceu, em sua mente. Ela se olhou no espelho inexistente e pensou em como em tão pouco tempo, um único fato mudou para sempre a sua vida.
Then scars are made
(Então as cicatrizes são feitas)
They're changing the game
(Eles estão mudando o jogo)
You learn to play it hard
(Você aprende a jogar da maneira difícil)
A partir daquele dia, as coisas não foram mais como antes. Mas ela não fez disso uma queda onde você desiste e se entrega. A dor que te faz cair é a mesma que te faz levantar.
You build your walls
(Você constrói suas paredes)
You break them away
(Em seguida as quebra)
'Cause that is what it takes
(Pois é preciso)
E tão necessário quando respirar era saber que uma hora ou outra tudo acabaria quando atingisse seu objetivo e sorriu ao saber que ela não cometeria o erro que eles cometeram. Sem vestígios, sem pontas soltas. Sem vítimas vivas. O trabalho impecável. O seu sorriso aumentou maliciosamente e ela desceu as escadas, saindo imediatamente da casa. Antes de alcançar o carro, virou-se para o quintal.
Quando acordou, estava sendo carregada no colo por um homem todo de preto. Ela não conseguia enxergar direito pela visão embaçada, mas via luzes piscando por todo o lugar. Uma paleta de cores específicas. E tudo o que se recorda a partir, é de acordar novamente em uma cama de hospital e ouvir uma conversa que parecia distante, mas ocorria em frente a sua cama.
― Ela teve sorte. Pensaram que estava morta e a largaram no local. Ferimentos assim normalmente levam ao óbito. Eu sinto muito, Oficial, mas não pode interroga-la agora.
― Eu só preciso de algumas informações. Ela é testemunha chave nesse caso. Precisamos coloca-la no Programa de Proteção A Testemunha. O Forbes... Ele era meu chefe e um grande amigo meu. Preciso fazer isso por ele e a Detetive Liz.
― Eles nunca saberão quem ela é, ainda mais depois de uma semana. Não é necessária a mudança de nome, Sr. Eles pensam que ela não sobreviveu ao ocorrido na casa. E fizemos uma nota de óbito com o nome falso, como o Sr. pediu. – Um homem de branco com uma prancha na mão falava com um outro homem loiro, alto, do qual ela já conhecia desde muito pequena.
― Melhor assim. Por favor. Assim que ela acordar me comunique. Meu filho... – O homem de preto apontou para baixo. ― Ele... Ele estuda com ela e não para de me perguntar.
― Não se preocupe, Sr. Oficial Donovan. Faremos o possível. – O homem de branco saiu do quarto e ela pode ver com mais clareza aqueles olhos azuis brilhando a brindando com um sorriso sincero e acolhedor depois de tudo.
― Car! Você acordou! – Ele correu para abraça-la.
―Matt...
You saved yourself
(Você se salvou)
Caroline sacudiu a cabeça e abriu a porta do carro. Não queria pensar mais na situação. Fazia parte do seu passado. A vida permitiu que ela introjetasse isso e que desse outro rumo às sensações ao qual foi exposta muito cedo e se encarregou de mostrar-lhe como lidar com todo o resto.
E aqui estava ela, uma mulher jovem, madura, bem-sucedida na carreira, nas duas carreiras, e sem ninguém para interferir em sua vida.
You found who you are
(Você encontrou quem você é)
Ela era livre às suas próprias escolhas. Mas tinha que arcar, sozinha, com as consequências de todas elas.
That never goes away
(Isso nunca vai embora)
Caroline entrou no carro sem olhar para trás e se deslocou até o Grill, o antigo bar da cidade do qual toda vez que foi a Mystic Falls, frequentou com Matt. Infelizmente, seu amigo estava de plantão hoje, mas ela não se importava. Brindaria pelos dois.
Sentou-se ao balcão e pediu uma “dose dupla do whisky mais forte da casa” e o barman, que fazia lembrar um antigo namorado, prontamente a antedeu. Isso a fez acabar com o líquido mais rápido do que gostaria e se não fosse pelo olhar mortal da loira para o jovem atendente, ele jamais teria enchido seu copo pela nona ou décima vez aquela noite, ninguém estava contando.
Alguns homens se aproximaram dela durante o tempo em que permaneceu virando as doses, mas nenhum ao qual ousasse trocar mais que meia dúzia de palavras sem receber um fora ou até mesmo uma ameaça. Nem mesmo houve alguém que a fizesse se interessar ao ponto de querer sair dali e ir para um motel qualquer se divertir e esquecer algumas coisas da qual ainda a atormentava naquele momento.
Após algumas horas sentada bebendo, trocando algumas palavras e discretos flertes com o barman, Caroline analisou o fundo do copo vazio e percebeu que não conseguiria ir embora mesmo se quisesse muito. Sua cota de álcool havia se esgotado por um ano, mas mesmo assim, insistiu em pedir mais uma dose. Uma última. Mas o jovem rapaz se recusou educadamente, piscando para ela.
Caroline virou os olhos, entediada. Não queria a droga de um cavalheiro. Muito menos alguém ponderando as suas atitudes. Sabia se virar bem e não estava disposta a ser impedida por alguém que está ali apenas para servi-la e agradar seus olhos por ser bonitinho.
― Olha. – Ela disse firme, fazendo o jovem se virar para ela enquanto limpava alguns copos com um pano. ― Eu tive um dia bem merda. Primeiro o meu chefe me fez ir para a casa da família dele, o que não é ruim já que eu estou coletando algumas informações importantes e eu nem posso reclamar porque foi eu mesma que fiz algo muito, muito legal, só que ilegal, com um cara meio imbecil para ficar com o trabalho dele de propósito. – Caroline falava sem pausa e o bartender a olhou curioso. ― Desculpe, é que eu não sou uma pessoa tão boa. Me julgue. Eu não me importo. – Deu de ombros e prosseguiu. ― Mas ele é... Nossa! Imagina um cara que eu tenho vontade de matar todos os dias e ao mesmo tempo... uau! Já era bem difícil resistir a todos esses meses de provocações, então a gente se pegou de um jeito no atelier dele que tudo o que eu queria era não parar, mas tem um problema e o problema é que eu tenho uma missão para cumprir que pode acabar com ele literalmente, entende? Agora quer fazer a droga do favor em me dar uma última dose? – Ela praticamente gritou mesmo com um sorrisinho no rosto e o rapaz prontamente a atendeu. ― Eu preciso dissipar uma lembrança muito ruim e outra que me deixa completamente excitada. E sabe, eu até te levaria para a minha casa aqui perto... – Ela disse pensativa ― se eu ainda tivesse uma. – e riu, meio alta pelo efeito do álcool.
― Mas eu tenho. Só que teria que parar de beber. Não me aproveito de garotas alcoolizadas. – Ele disse com um sorriso no rosto e Caroline suspendeu as sobrancelhas, divertidamente surpresa.
Talvez, mesmo que ela acorde em outro lugar desconhecido e com alguém desconhecido, aquilo seja melhor que ficar ali se torturando.
― Me dê mais uma dose dupla e conversamos melhor no final do seu expediente. – Sorriu maldosa e barman virou de costas para pegar mais uma garrafa no alto da prateleira.
Caroline se pegou analisando a bunda dele e riu.
― Viva o feminismo e o mesmo direito de olhar partes alheias em bares sem ser julgada.
O sotaque. Aquele sotaque e a voz insuportavelmente sínica. Maldita a hora que esse imbecil apareceu para perturba-la. E ela faria questão de afasta-lo para não estragar seu esquema com o bartender que era uma gracinha.
― Enzo. – A loira vociferou fria e nem se deu o trabalho de virar-se para ele.
― Soube o que o Detetive Matt fez em Atlanta com a sua ajuda graças a minha ajuda. – Disse o moreno em seu sotaque naquele tom convencido que ela já conhecia bem e revirou os olhos. ― Você poderia seguir a carreira policial, já te disseram isso? – Se aproximou da loira e sentou-se ao seu lado.
Caroline só desviou os olhos da bunda do barman quando ele virou para encher novamente seu copo e deu um sorrisinho sacana de lado para ela, indo atender outro cliente em seguida.
― Não me contento em ganhar pouco. Gosto de ser rica. – E piscou para o moreno, provocando-o.
― Outch! – Ele imitou uma pancada no peito e riu. ― Mas pense pelo lado positivo, você poderia ao menos fazer o bem...
― Muito menos em fazer o bem, Enzo. – Ela o encarou, séria.
Enzo sabia que esse era o seu último interesse a achava divertido provoca-la dessa maneira, como sempre fazem um com o outro todas as vezes que se encontram, se esbarram por aí, ou ele é chamado pela loira para algum favor.
― Soube que saiu da Exxon Mobil depois daquele incidente com o CEO no dia em que resolveu visitar a filial daqui. – Continuou perturbando-a e finalmente Caroline virou-se para ele.
― Na verdade eles me demitiram por corte de gastos depois do rombo causado pelo sobrinho do Diretor Executivo Geral. – Respondeu torto e riu para a cara de decepção que ele fez por não poder mais usar isso para irritá-la. ― E o “incidente” do qual se refere seria...? – Questionou divertidamente e Enzo gargalhou.
― Qual é, Caroline! Matt me contou que atendeu uma chamada e quando ele chegou lá o cara estava praticamente chorando com você dentro da sala. – O moreno deu mais uma risada e ela sorriu contidamente.
― Digamos que o idiota do Adams mereceu. – Ela deu um gole na bebida tentando esconder a satisfação pelo ato.
De fato, Adams chorou quando ela o fez entregar todo o esquema após a morte misteriosa do antigo Diretor Administrativo e se certificar de que ele jamais abriria aquela maldita boca. Mas obviamente ela não poderia contar ao moreno sobre os seus motivos. Muito menos que foi contratada para fazer isso.
Enzo é o melhor amigo de Matt, mas não melhor o suficiente como ela e para saber de todas as coisas que Caroline faz. A única coisa do qual ele tem conhecimento é do seu passado histórico por ele ser companheiro do loiro não só de farra, mas também profissionalmente. Eles fizeram academia juntos, mas seguiram para áreas diferentes. Matt se concentrou em ser um detetive e Enzo agora chefia o departamento da Narcóticos.
― O que ele fez para você deixa-lo tão apavorado, hm? Te ameaçou, te assediou? Você poderia me chamar. Eu adoraria participar de umas coisas como essa. A Narcóticos ama trabalhar desse jeito. – E piscou para a loira.
― Eu não preciso da ajuda de ninguém para resolver as minhas coisas. Quanto mais da sua, Enzo. E a Narcóticos deve ter te ensinado que não é legal dividir as recompensas. – Disse ríspida e o moreno riu do jeito que Caroline sempre o trata.
Enzo é um moreno de olhos escuros, charmoso e sedutor e havia uma tensão divertida quando eles se esbarravam por aí, mas nunca algo aconteceu. Caroline sempre foi seu desafio por esses exatos motivos e ela sabia disso.
― Uau! Não sei como Matt te aguenta. – Brincou.
― Simples. Ele não enche meu saco desse jeito. – E Caroline sorriu debochada para ele.
O moreno realmente não era ao todo desagradável. Ela até achava divertido trocar farpas com ele de vez em quando. Mas ela parou de prestar atenção no que ele dizia no momento que viu Kol entrar no Grill seguido de Elijah, Finn e sua esposa, Rebekah, depois Esther e Mikael. Eles sentam-se perto da mesa de sinuca na parte superior e pediram duas rodadas de chopp. Pelo jeito, a noite seria longa.
Mas Klaus não estava.
E o sotaque do moreno igual ao o patrão só a fez perceber que teria acontecido algo para ele voltar para Atlanta sem avisá-la. E talvez esse não fosse o momento certo para perder o emprego.
Ela levantou-se subitamente e chamou o barman. Inclinou-se para dentro do balcão, segurou em sua gola e o puxou para perto de si, depositando uma nota alta no bolso da sua camisa polo e um beijo no rosto, deixando-o frustrado.
Enzo fechou a cara e sentiu uma enorme vontade de socar o rapaz, mas desistiu quando reparou que Caroline não estava mais lá e foi atrás dela.
Caroline andava apressada e já estava do outro lado da rua quando Enzo a alcançou.
― Onde está o seu carro? Quer uma carona? Você não está em condições de dirigir e... – Perguntou se aproximando de Caroline, que continuou ignorando-o enquanto mexia na bolsa a procura do celular.
Ele percebeu seu insucesso e a segurou pelo braço, impedindo-a de andar para fora do meio fio e eventualmente se machucar. Mas Caroline não se importava com isso. Só queria ir embora o mais rápido possível.
Ela estava muito alcoolizada para dirigir, ainda mais para outra cidade. Então decidiu que iria para um hotel e sairia pela manhã. Mas precisava constatar apenas uma coisa.
― Eu sei pegar meu próprio táxi, não se preocupe. – E andou para rua, acenando para um carro, que parou.
― Sempre durona, não é? – Bufou o moreno. ― Sabe, Forbes... Um dia você vai bater na minha porta e eu negarei qualquer coisa vinda de você. Anote isso.
― Não, Enzo, não sou. E eu ainda estou sóbria o suficiente para entender a nossa jogada. Na verdade, não. Não estou tão sóbria assim e mesmo se estivesse completamente bêbada eu não estenderia essa noite para nenhum canto com você. – Ela abriu a porta traseira e antes de entrar virou-se para ele. ― Sobre um dia bater na sua porta... Eu não duvido. Não sou o tipo de mulher que cospe para cima. Mas acredito que possa demorar mais de uma vida para isso acontecer. E eu não creio muito que você negue qualquer coisa vinda de mim, querido. – Caroline se aproximou dele e segurou seu queixo. ― Seu auto controle não é tão bom assim. Nunca foi. Ainda mais se tratando de nós dois. Você sabe... – Sussurrou próxima ao seu rosto. ― E a resposta sempre será não— Riu sarcasticamente, entrando no carro e fechando a porta.
Enzo podia contar nos dedos de uma só mão quantas vezes a loira abriu a guarda. Na verdade, ele já sabia a conta. Uma vez no aniversário de Matt, ali mesmo no Grill quando dançou com ele até o dia seguinte. E uma na república dela em uma festa de quase três dias inteiros no último período do seu curso de Economia, onde o melhor amigo dos dois os pegou na cama dormindo bêbados de roupa íntima e jurou que eles transaram quando apenas jogaram Strip Poker e adormeceram antes de conseguir tirar a roupa toda. E ele sabe bem que essa pose séria da loira é estritamente profissional. Ele só não sabia o quanto.
― Não duvide de mim, linda. Meu auto controle é maravilhoso. Ao contrário do seu que deve estar doida para se atirar nesse corpinho gostoso aqui. – Ele apontou para si e os dois riram.
― Certamente. – Debochou Caroline e o táxi partiu.
Um dia, ele conseguiria tê-la em outra circunstância. Nem se for por um breve momento.
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