Em Suas Mãos

9 Capítulo 8 – Atelier


Em Suas Mãos

Capítulo 8 – Atelier.

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― Tyler Lockwood. A que devo a honra? – Caroline pronunciou debochada, porém séria.

― Fui convidado como sou todo ano. – Deu de ombros, provocador. ― Mas a verdade é que vim aqui ver no que realmente estou investindo o meu dinheiro.

― Em coisa boa que não é, com certeza. – Caroline sorriu sínica e Tyler se irritou.

― Socializando com o inimigo, hm? – Apontou com a cabeça para onde Klaus estava conversando com algumas pessoas. Distante o suficiente para não conseguir vê-los.

― Estou socializando com você aqui, agora. Não? – Caroline deu mais um gole na bebida e suspendeu uma sobrancelha. Tyler tentou não demostrar o quanto seu coração acelerou com aquele olhar sobre si e procurou mudar de assunto.

― Sobre os papéis que me deu... o que diabos foi aquilo, Forbes? Não há nada de importante neles! – Disse com firmeza se aproximando da loira, mas tentando esconder o nervosismo por temer sua integridade.

― E queria que eu fizesse o quê com você indo até a empresa estragar tudo? Se você fosse competente no seu trabalho como eu sou no meu saberia que fraudes financeiras não aparecem do nada pulando na sua cara. Você pediu provas e eu forneci as que eu tenho até agora, ou seja, nada. – Caroline, ao contrário de Tyler, permaneceu serena à sua vontade de ensinar uma lição a intromissão em seus negócios e apenas torceu para que a sua bebida não acabasse antes da entediante conversa.

― Você me agrediu e apontou uma arma para mim! – Tyler alterou a voz, mas não o suficiente para atrair a atenção para eles. Para a sua própria sorte.

― Sinta-se satisfeito por eu não ter atirado. Você teve sorte de eu não querer perder tempo limpando os bancos do meu carro. – Ela se aproximou mais, encarou-o nos olhos e sorriu de um jeito assustador. ― Mas não se preocupe. Isso não será um problema na próxima vez. – Tyler estremeceu e deu alguns passos para trás ao perceber que eles quase encostavam um no outro. Da última vez, isso não acabou muito bem para ele.

― Algum problema? – Interrompeu Klaus, ainda um pouco distante.

― Apenas cumprimentando a Srta. Forbes. – Ponderou Tyler engolindo a saliva e ajeitando a gravata e Klaus se pôs ao lado da loira. ― Bom, novamente foi um enorme prazer. Com licença. – Pronunciou sonso e se retirou rapidamente com o olhar de Caroline fuzilando-o pelas costas. E ele sabia disso. Talvez não tivesse sido uma boa ideia vigiá-la de tão perto assim.

― Novamente... – Estranhou Klaus. ― Você o conhece? – Semicerrou os olhos.

― O Lockwood é... – Caroline passou a mão nos cabelos e suspirou. ― Bom, é um caso complicado já que saí com ele uma vez, soube do emprego e...

― Entendo... – Interrompeu Klaus, ao mesmo tempo que intrigado, não querendo saber o final dessa história. Caroline parecia inteligente o suficiente para não cair na lábia de Tyler. Mas ela era livre e poderia ser justamente o contrário.

― Não. Não desse jeito que está pensando! Foi algo estritamente profissional. Me candidatei a vaga na sua empresa e ele... eu realmente não quero falar sobre isso. – E não queria mesmo. Se o maldito Tyler fizesse o favor de estragar tudo ela faria questão de acertar isso com ele ali mesmo. E não de um jeito bom.

― Deixe-me adivinhar. O Lockwood não te aceitou para o cargo e você foi correndo até a mim. – Zombou Klaus e a loira se limitou a rir.

― Ah sim, ele aceitou sim. Aceitou tudo. Tudo mesmo em mim, Sr. Mikaelson. – Provocou Caroline deixando Klaus furioso. ― Mas digamos que ele foi tão ou mais babaca que você no dia que te conheci. Só não ganha em arrogância. Nisso você é mestre. Então preferi procurar em outro lugar e ignorar a indicação de uma amiga sobre esse imbecil. – Concluiu.

― Hm. Não posso dizer que me sinto feliz em saber que fui a sua segunda opção. Se eu soubesse, teria te dado o cargo de almoxarifado como castigo. – Disse em um tom sínico e encarou Caroline com deboche.

― Está vendo... quando eu falo que você é assim ninguém acredita. “Nossa! Mas ele parece tão compenetrado e educado” e não tem ideia do quanto você é insuportável! – Caroline se irritou e cruzou os braços.

― Você fala muito de mim para as pessoas? – Questionou Klaus e Caroline olhou para o copo lamentando a bebida ter acabado antes de respondê-lo.

― Não. Só para as minhas amigas. E nada que valha a pena mencionar, com certeza. – Alfinetou a loira.

― Mas aposto que elas falam muito sobre mim. Ou Elena só tem olhos para o Damon? – Ah, aquele ar convencido e sexy.

Caroline riu alto e colocou a mão sobre o ombro do patrão.

― Se quer saber, Vickie te acha realmente muito, muito gostoso, mas também um idiota, igual a mim. – Caroline falou sem pensar e Klaus encarou-a de um jeito que a fez engolir a saliva antes de ter coragem de prosseguir. ― Só que sem a parte do gostoso, claro. – Mentiu descaradamente. ― E sobre Elena... Você realmente acha que eu vou delatar a minha amiga para você? Além disso, ela está em outra com Matt. Mas e quanto ao Damon, hm?

Klaus riu, retirou a mão de Caroline do seu ombro e puxou-a para ainda mais perto dele. O suficiente para fazer o mesmo tipo de provocação, mas com as suas mãos próximas demais do pescoço de Caroline. E nossa, ele precisava parar de fazer isso ou ela não conseguiria evitar o arrepio que o seu toque lhe causava.

― Hm... Digo o mesmo. Não vou delatar o meu amigo para você e se quer saber mesmo sem perguntar, sua competência, além dos seus atributos físicos, gera certos comentários que eu nunca sei graças ao silêncio que instaura toda vez que eu piso em algum departamento. E eles não ousariam a falar algo pejorativo sobre você na minha frente.

― Porque todos te odeiam. – Ela tirou suas mãos e sussurrou em seu rosto fazendo Klaus fechar os olhos e respirar fundo por tentar controlar a provocação e tentar não pensar em seu hálito e perfume lembrando-o da falta de espaço entre os dois.

Caroline teria achado Klaus incrivelmente mais gostoso nesse momento se ele não fosse tão irritante e convencido.

― Não mais que o imbecil do Tyler. – Desconversou Klaus. Era melhor mudar o rumo da conversa para algo em um tom menos excitante do que tomar uma atitude não apropriada para aquele momento. ― Posso dizer que também tenho um histórico ruim com o Lockwood. Nunca tive um bom, na verdade. Apenas piorou com a morte da sua mãe e a venda de algumas ações da sua empresa para mim. – Disse com um sorriso vitorioso e arrogante e o clima voltou como estava antes.

― O acidente. Faz mais de um ano. – Klaus olhou para Caroline sério. ― Tyler me falou sobre isso quando saímos. Além disso, ele é o seu concorrente. Claro que tocaria no assunto. – Deu de ombros e Klaus relaxou. O seu acordo impossibilitava o canalha do Tyler em abrir a boca para ir além dos fatos já conhecidos.

― Sim. Uma fatalidade. Carol Lockwood foi uma mulher boa que caiu nas mãos de um marido adúltero, um filho incompetente e...

“Nas suas”, ou ela mesma não estaria ali tendo que aturar a arrogância e charme do chefe, pensou a loira.

― ...Bom, também não quero falar sobre isso. E não se preocupe. Me certificarei que ele não nos incomodará essa noite no baile. – Klaus concluiu e se retirou.

Demorou a cair a ficha para ela perceber a última palavra dita pelo Mikaelson.

― Baile? Que baile? – Caroline procurou por ele, mas já estava longe. ― Klaus? KLAUS!? – Gritou. ― Você não me falou sobre isso!

― Sinto muito por não ter te dado a oportunidade de correr primeiro que eu. – Virou-se para ela.

― Mas eu não tenho uma roupa! – Irritou-se.

― Não se preocupe, amor. Nisso Rebekah é mestre. – Sugeriu sínico e virou de costas novamente.

― Seu filho da... Vou te matar antes do tempo, Klaus! De um jeito lento e torturante. Você vai ver só! – Falou baixo até a última frase sair do controle da sua irritação com o patrão. ― Eu vou te fo...! – E se segurou para não completar agradecendo mentalmente por ele continuar andando e por não poder cumprir com a sua vontade.

― Eu ouvi isso. – Ele disse, um pouco distante.

― Qual parte? – Perguntou Caroline intrigada. Talvez não tivesse sido legal gritar o quanto gostaria de antecipar seus planos assim, tão alto.

― A que você vai me foder... – Ele virou-se para ela e sorriu maldosamente. ― Mal posso esperar, amor. – E se retirou.

― Imagine eu... – Sussurrou a loira com o mesmo sorriso.

― Caroline! Me ajude aqui, por favor. – Rebekah apareceu e olhou com curiosidade para cara que a loira fazia em direção ao Mikaelson. ― O que houve?

― Seu irmão e o seu maravilhoso dom em me provocar. – Em todos os sentidos. Pensou e bufou cruzando os braços.

― Vejo que Nik te falou sobre o baile. – Rebekah riu e Caroline olhou para ela. ― Se serve de consolo ele também não sabia ou seria o primeiro a fugir. Mamãe resolveu resgatar a tradição do baile de aniversário dos Mikaelson como todo ano em seu aniversário como fazíamos em Londres e não contar antes foi proposital. Desculpe.

― Isso não faz eu achá-lo menos idiota. – Pronunciou séria e Rebekah deu uma gargalhada.

― Imagino que não. – Riu mais uma vez e estendeu os braços para ela. ― Mas vamos. Me ajude a escolher algo. Minha mãe está ocupada demais bajulando aquele bando de abutres e único irmão que entende de moda fina não está aqui. – Caroline finalmente descruzou os braços e seguiu Rebekah até o seu quarto.

Ao chegar na porta Caroline respirou fundo. Estava um pouco preocupada com o decorrer dessa noite. Aquela cidade lhe trazia lembranças da qual gostaria de apagar definitivamente da memória e estar ali a forçava a praticamente reviver tudo novamente. E a última coisa que ela queria era cair em si naquele momento e se distrair era o mínimo que ela deveria fazer naquele momento. Pelo menos por aquela noite.

― Este ou este? – Rebekah suspendeu dois brincos diferentes na direção da orelha, tirando a loira do devaneio.

― Se eu disser que o verde esmeralda combina com seus olhos fica muito clichê?

― Muito. Mas é perfeito. – E riram juntas.

― E você... Não vai me dizer que vai com esse vestido! – Rebekah apontou para Caroline e ela deu de ombros. ― Meu Deus, Caroline você parece uma Diretora Executiva que trabalha diretamente com o pior Mikaelson da família. – Ironizou e a loira riu.

― Financeira, Diretora Financeira. E não trouxe muita coisa. Pensei que fôssemos embora ainda hoje depois do almoço. Pelo modo como Klaus falou não parecia que teria uma festa ou algo do tipo. – Caroline ainda estava receosa com o resultado do final do dia, mas um pouco menos relutante em ficar por mais algumas horas.

Não seria tão ruim assim e amanhã ela poderia voltar ao seu estado normal onde olha para Klaus apenas como alvo, não um cara gato de sotaque delicioso, completamente tirano e sexy por esses exatos motivos.

― Pela sua cara não seria só o Nik que correria se soubesse antes. – Rebekah riu, puxou Caroline pelo braço e abriu seu closet. ― Venha aqui. Tome um banho e conseguirei algo digno de você.

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­­­­­­­­­­­­­­­­­­­­Caroline tentava se manter sem foco, mas à medida que a noite se aproximava, uma sensação já conhecida a incomodava. Era como nos seus constantes pesadelos, mas acordada o bastante para ser ainda mais perturbador. A única saída seria investir em uma noite distrativa o suficiente para esquecer o que não quer se lembrar.

Ela entrou no salão e rapidamente pegou uma bebida. A noite seria longa e ela esperava por isso. E ficar no mesmo ambiente que Klaus fora das formalidades se tornou um martírio que não estava disposta a suportar de maneira controlada por muito mais tempo. Mas antes de pensar em uma forma de resistir por essa noite, teve uma agradável surpresa.

― Elena!

― Caroline! – Elas se abraçaram. ― Você não vai acreditar. – Elena puxou Caroline pelo braço e a carregou para um canto com menos gente. ― Damon... Ele está agindo estranho. Desde que eu comecei a sair com Matt ele se aproximou mais e ontem me fez o convite de vir para o aniversário de Esther. Eu sou apenas a secretária, Car. Isso é muito, muito ruim. Mas ele disse que viríamos a trabalho e me convenceu. – Sussurrou olhando para os lados para ver se alguém prestava atenção nelas.

― Gilbert, o único trabalho que o Salvatore quer com você é de estar entre as suas pernas até o final da noite. – Caroline piscou para a morena e deu uma gargalhada, fazendo algumas pessoas em volta olharam para elas.

― Caroline! Pare de valer menos que a Vickie, por favor. – Repreendeu a morena.

― Desculpe. É que não consigo ver onde isso é muito, muito ruim já que você aceitou o convite dele. – Ela riu mais uma vez. ― Mas e Matt?

― Bom, ele soube disso e nós meio que demos um tempo. – Elena ficou um pouco cabisbaixa e procurou mudar de assunto, invertendo a situação. ― E o Poderoso Chefão, hm? – Insinuou e olhou maldosamente para a loira.

― Deve estar por aí irritando mais alguém além de mim, você sabe. Klaus e seu maldito dom em ser...

― ... incrivelmente sexy quando te provoca sutilmente com aquele sotaque e barba por fazer, olhar e sorriso torto quando vocês se cruzam nos corredores e principalmente quando você o ignora. Sei bem. – Interrompeu Elena e Caroline se engasgou com a bebida.

― Não sei de onde tirou isso. Nós apenas nos tratamos relativamente bem quando ele não está tão insuportável assim. – Sorriu sonsa.

― É. Deve ser realmente insuportável... Deve ser mais insuportável ainda tentar se controlar para não gemer alto em britânico embaixo dele. – Debochou ao riso. ― Se eu não ouvisse o tempo inteiro no escritório a sua voz estridente discutindo e ele te rebatendo pensaria seriamente que vocês estariam transando. – Caroline tentou se recuperar de outro engasgo e responder algo, mas foi interrompida novamente pela morena. ― Por falar em Mikaelson...

― Por favor não me diga que Kol...

― Não Kol. Melhor. – A voz grossa dois tons mais altos denunciou realmente não ser Kol. ― Apesar de ele estar atrás de você. Sorte que te achei primeiro. – Mikael sorriu cordialmente, cumprimentou Elena com um beijo no rosto e deu espaço para Caroline passar.

Ela acompanhou Mikael até um pouco mais a frente e retornou para falar com a amiga brevemente.

― Só para constar... – Se aproximou da morena e sussurrou. ― Eu prefiro ficar por cima. – Elena gargalhou e Caroline e voltou a acompanhar Mikael até o que ela percebeu ser uma sala distante e isolada da casa.

― Aqui é onde estão as relíquias. – Disse o homem em sua expressão séria olhando para um quadro de Monet e outro ao lado daquele. ― Pelo menos o bastardo insolente teve alguma coisa boa a que puxar. – E riu pelo nariz.

― Klaus gosta de arte? – Caroline perguntou enquanto seus olhos corriam toda a sala rodeada por pinturas e esculturas que ela tinha certeza que valia mais que a casa inteira. Já lidou com ladrões e máfia de falsificadores o suficiente para saber disso.

― Mais que isso. Ele os faz. O talento do bastardo para arte é algo inegável. Gostaria que fosse assim também para os negócios. – Mikael foi ao pequeno bar, deu uma dose de whisky para Caroline e se serviu. ― Talvez possamos fazer um acordo em relação a isso. Algumas porcentagens a mais na Participação de Lucros, um bom plano de carreira e quem sabe a presidência. Sabemos bem que ser dono e presidente de uma empresa não costuma dar certo. E sendo Niklaus, então...

A sinceridade de Mikael não a assustou. Na verdade, precisa de muito mais que isso para deixa-la dessa forma. Mas sua atitude a deixou no mínimo curiosa. Falar assim do filho, mesmo não biológico para alguém ao qual mal conhece soa estranho até para ela. E Mikael não se importava nem um pouco em transparecer o quanto não gostava de Klaus.

― Sr. Mikaelson...

― Mikael.

― Mikael... – Caroline deu um largo gole e se aproximou dele, encarando-o firmemente. ― Eu trabalho para o seu filho. E o meu salário é o suficiente para manter meu alto padrão de vida. Infelizmente, para você, eu não faço duplas alianças. A minha função na empresa é fazê-la lucrar mais que o necessário para mantê-la entre as principais do ramo da construção civil. Se a sua preocupação é dinheiro, é isso que terá no fim das contas. A única coisa que precisará é confiar em mim... E em Klaus, principalmente. – Enfatizou séria com a postura firme. E seja lá que tipo de jogo maldito era aquele, ela não estava disposta a entrar. Já tinha os seus próprios para lidar e adicionar rivalidade familiar e ganância não estava em seus planos.

Trabalhar sozinha sobre seus próprios interesses e regras era o que fazia tudo não desandar. E a única parceria que ela aceitava era com pessoas que daria a sua vida e que dariam a vida por ela.

Mikael riu descontraído e Caroline, mais uma vez, estranhou seu comportamento.

― Finalmente alguém a altura. – Afirmou Mikael em tom animado. ― Vejo que Niklaus e a MC³ estão em boas mãos. Liam ou qualquer outro maldito oportunista teria aceitado sem pensar duas vezes. Só lhe desejo sorte para lidar com o temperamento do bastardo. Ele é realmente insuportável. – Ele deixou o copo sobre o balcão e sorriu para a loira antes e se retirar do local.

Caroline ainda estava intrigada com a atitude do patriarca, mas preferiu se distrair admirando as obras. E seu olhar cuidadoso denunciava que havia muito mais de Klaus naquela sala do que de qualquer outra pessoa desde os móveis até as artes escolhidas para compor a decoração. Talvez Mikael o admirasse secretamente. Ou talvez aquela sala fosse do seu “querido bastardo”.

― O que Mikael falou para você? – Klaus se aproximou da loira que não se ateve em ao menos olhar para o lado. Não queria iniciar uma conversa que não os levaria lugar algum. E falar que seu pai propôs um acordo no mínimo canalha para testá-la não parecia muito inteligente.

― Nada demais. – Enfatizou.

― Nada demais... – Klaus riu pelo nariz. ― Deixe-me adivinhar... Que eu não tenho escrúpulos e faço o que tiver que ser feito para a minha vontade ser realizada, certo? Bom, gostaria de poupá-la da verdade, mas eu sou assim. Um monstro, sem muita moral ou valores. Mas um monstro que reconhece que é um não pode ser tão ruim assim, não é? – Questionou sarcástico.

Seu tom não era sério, pelo contrário. Klaus parecia mais descontraído desde que chegaram. Mas aquilo atingia Caroline em um ponto crucial. A sua monstruosidade atrelada a uma ética cega, uma moral duvidosa e valores próprios distorcidos travestidos de justiça, deixava à mostra a sua própria face. Então ela deu o seu último gole e bateu com o copo na mesa, chamando a atenção do Mikaelson.

― Também gostaria de poupá-lo da verdade, mas assim como você, não farei. Não, não é. Empresários não são piedosos ou misericordiosos, Klaus. Eu mesma sou assim ou não estaria aqui. Talvez, no fundo, tenhamos alguma humanidade porque temos a consciência ao nosso favor e é exatamente isso que fica contra nós e nos derruba todas as noites sem chance de fuga, sem escapatória, mas também sem culpa e sem remorso. Então pare de achar que é o único monstro solto por aí, porque você não é. – Sua voz ecoou pela sala e ela sorriu para ele, em confidência.

Aquilo soou mais do que uma simples discussão. Soou como uma repreensão até para si mesma. Caroline sabia bem as coisas da qual teve que fazer para chegar até ali e Klaus também. Mas ambos não se importavam.

― Finalmente um lado seu que eu não conhecia. – Suspendeu uma sobrancelha e sorriu de lado.

― E que não há a mínima chance de você saber mais sobre. – Afirmou Caroline em um tom autoritário e o Mikaelson deu mais um passo na sua direção, se mantendo apenas um pouco distante dela.

― Isso é um convite ou um desafio? – Seu sotaque e tom de voz deixou a situação mais tensa do que necessariamente já estava.

― Por um acaso se sentiu tentado? – Provocou a loira.

― Me diga você.

― Às vezes me pergunto se você é estúpido ou apenas corajoso.

A essa altura eles não se importavam mais com a falta de espaço entre os dois a cada provocação dita.

― Por...?

― Agir. Desse. Jeito. Comigo. – Sussurrou pausadamente.

― E isso seria perigoso de que forma? – Klaus se aproximou o suficiente dela para deixá-los em um estado pouco prudente.

― De uma que você nem imagina. – Disse ela com os lábios praticamente encostado nos dele.

Se já era difícil resistir a situação, agora mais ainda. E droga! Ela estava completamente excitada e Klaus não ajudava em nada deixando isso nítido pelo seu gole contido na bebida e os olhos fixos em sua boca de um jeito convidativo.

Caroline o encarou numa tentativa falha de fazê-lo se dar conta do quanto errado era aquilo porque ela mesma já nem ligava mais. Mas Klaus, para o seu azar ou sorte, tinha as mesmas péssimas intenções que ela em mente e não ousaria frear o seu desejo.

Ele a encostou em sua mesa e a beijou de um jeito cauteloso, como se esperasse alguma reação da loira ou um impedimento. Mas a medida que eles avançavam, o ritmo se tornava cada vez mais intenso e ela desistia de tentar resistir. O toque macio e quente dos lábios de Klaus e suas mãos desesperadas a fazia querer prosseguir, ir além, mas sabia que não podia ou não conseguiria parar. E no seu atual estado o controle estava como uma bomba-relógio. E o contador era Klaus, que não estava disposto a deixa-la nem ao menos respirar. Seu único objetivo ali era outro completamente diferente que se excitar com a boca e língua impiedosa do Mikaelson imaginando-a em outros lugares. Mas sentir seu corpo pulsar a cada sensação causada por ele fazia-a ignorar todos os possíveis avisos de “não ultrapasse” mentais que montou durante esses meses na sua presença.

Klaus nem ao menos tentou se conter para ir com calma. A excitação por sentir a respiração descompassada e pesada da Forbes deixava-o fora do controle, como tudo que ela faz desde que chegou a firma, como em todas as vezes que ela o provoca e sai de cena deixando-o apenas com a sua vontade em acabar com ela em todos os sentidos. Ele desceu sua mão até a sua cintura e a colocou sentada na mesa se encaixando entre suas pernas sem contestação. O membro apertou-lhe ainda mais forte a calça quando ouviu um gemido baixo, quase inaudível da loira ao sentir sua língua deslizar para o seu lóbulo direito e voltar a sugar seu lábio em seguida. Ela gemeu um pouco mais alto e fechou os olhos tentando afastar a sensação e arrepio causado pelo seu toque delicioso alternado entre seu pescoço e boca, sem sucesso. Queria ser chupada ali, agora, assim. Queria que Klaus se ajoelhasse e a fizesse gozar até o dia seguinte. E ele queria sentir sua pele molhada e macia sob sua língua e a forma como apertava a cintura da loira e subia a mão em sua perna revelava que estava tão ou mais imerso que ela nesse desejo.

Caroline se aproximou mais, quase em seu colo, e segurou firme em sua nuca ao sentir Klaus percorrendo sua língua sobre sua pele sensível, deixando um rastro quente e apertando sua bunda pressionando seu corpo contra o dela com volúpia fazendo-a sentir seu membro pulsar imaginando como era senti-lo em sua boca e dentro de si.

Com tesão e extremamente inclinado a mandar o autocontrole para o inferno, Klaus interrompeu o beijo e a olhou de forma intensa enquanto deslizava a mão pela sua coxa, depois mais acima, arrancando um suspiro da loira.

Caroline lhe deu mais um beijo, sugando seu lábio inferior e passou a mão sobre sua calça sentindo a elevada ereção. Klaus gemeu rouco pela sensação de ter seu pau apertado e por sentir a loira completamente molhada pelo fino tecido que separava a sua intimidade dele.

Sem suportar mais um segundo daquela tortura, Caroline desceu da mesa e inverteu a posição sem separar o beijo e se preparava para tirar sua camisa quando percebeu alguém entrar na sala com Mikael.

Em um estalo da consciência, tão de repente quanto começou, sacudiu a cabeça, ajeitou os cabelos e respirou fundo.

― ... o último que Niklaus comprou foi um pós moderno em Frankfurt.

― Pelo bom gosto do seu filho, acredito ter feito uma ótima escolha.

Aquela voz...

Ela parou por um momento. Sua face embranqueceu, seu semblante ficou sério e apático e o mundo pareceu paralisar por um momento.

Aquele rosto...

― Isso porque você não viu a nova Diretora dele. Além de competente é incrivelmente boni... – Mikael parou no caminho ao perceber Klaus em frente a sua mesa irritado pela intromissão. ― desculpe filho, eu não sabia que estava aqui. Espero que não se importe de eu mostrar a sua coleção para o Sr. Evan. – O olhar de Mikael direcionado somente a ele o fez estranhar e ao olhar para o lado, Caroline não estava mais lá.

Klaus acenou positivamente com a cabeça e se retirou. Ele procurou por ela em toda a festa, sem sucesso. Seja lá o que a fez sair daquela forma pelos fundos, não foi algo bom e ele começou a desconfiar ainda mais do seu pai.

Ela já estava do lado de fora visivelmente transtornada e procurava desesperadamente por algo que certamente não estava ali.

― Caroline... – Chamou, sem que ela o respondesse. Ele se aproximou e suspendeu seu rosto, fazendo-a olhar para ele. – Eu conheço o tipo de homem que Mikael é. Ele não entrou na minha sala à toa com você.

― Não tem nada a ver com o seu pai. De verdade. Ou ele com certeza já estaria sem a cabeça. – Klaus riu e percebeu que Caroline tinha razão. Se por bem menos ela faria coisas piores com ele, imagina com alguém do qual ela claramente não simpatizou. ― Klaus, eu... – Ela respirou fundo e prosseguiu. ― Esse lugar, eu... Eu não posso. Eu não... – “Consigo”, pensou.

― Caroline... – O Mikaelson tentou dizer algo e ela o interrompeu.

― Pode descontar das minhas férias, do meu salário, me fazer trabalhar mais uma semana para compensar, não me importo, apenas preciso...

― Sair daqui. – Ele completou com a mão em seu rosto. ― Entendo.

“Não, você não entende”, pensou a loira. Mas talvez ele também tivesse noção de como é lutar com seus demônios interiores e enfrentar o que é necessário para amenizar algumas dores. Se ela busca respostas, Klaus procura conviver com as perguntas. E ele a deixou ir sem mais questionamentos. Caroline nunca ficou dessa forma, ao menos não perto dele. E vê-la assim o deixou, além de surpreso, compreensivo.

Talvez sua vontade fosse de fazer o mesmo. Fugir. Mas ele sabia que, por mais que você corra, a dor e a angústia permanecem ao seu lado. E ela iria descobrir.

Caroline entrou com pressa na casa passando direto por Rebekah e Elijah, jogou as coisas de qualquer maneira na mala, pegou a chave do carro e saiu sem direção. Queria se afastar dali para o mais longe possível. Sua mente estava alheia e distante. Era estranho para ela se sentir assim ainda. Não estava acostumada a fraquejar, a se desestabilizar, ainda mais perto de um alvo. Isso nunca aconteceu antes e era algo que ela estava determinada a não deixar repetir.

Ao contrário do que ela pensou, Klaus não foi um completo imbecil nessa situação. Mas sabia que pagaria por isso mais cedo ou mais tarde. E a única coisa que ela conseguia sentir pelo Mikaelson agora, era o gosto do seu beijo e uma vontade imensa de voltar e transar com ele até a dor desaparecer como em todas as vezes que utiliza sexo para isso. Mas ela sabia que nada adiantaria. Que Klaus não seria só mais um na sua cama do qual ela manda embora ou sai antes mesmo de amanhecer. Ele era seu patrão, seu chefe, sua presa. E pensar dessa forma só a deixava mais excitada e irritada ao mesmo tempo.

Se deparar com o companheiro de trabalho do seu pai nessa cidade que ela fez questão de esquecer mesmo estando tão próxima a fez, acima de tudo, refletir. Esse era um assunto delicado, um assunto que a fez ser como é, agir como age e são essas sensações que ela tenta abafar ou tirar do caminho da consciência toda vez que realiza um trabalho. A dor que te faz cair é a mesma que te faz levantar.

Ela teria que dar um basta. Ou isso a consumiria. Dia após dia. Pouco a pouco.

Caroline dirigiu no modo automático até um bairro um pouco distante do Centro, perto da saída da cidade e entrou em uma rua a essa hora quase vazia. Apenas alguns adolescentes davam uma festa em casa e um casal de idosos conversavam na varanda, mas isso não a impediu de prosseguir. Ela parou de frente a casa amarela e se permitiu respirar por várias vezes antes de descer do carro e finalmente ir até a entrada.

A noite seria mais longa do que ela previu que seria.

E ela ainda podia ver os resquícios daquela maldita fita de isolamento.