Em Suas Mãos
7 Capítulo 6 – Dos Amores aos Sabores
Em Suas Mãos
Capítulo 6 – Dos Amores Aos Sabores.
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Graças a Klaus e sua irritante mania de querer que todos façam a sua vontade, Caroline chegou um pouco mais tarde em casa naquela noite e ao abrir a porta se deparou com uma cena no mínimo estranha. Elena com uma camisola do Piu-piu até os joelhos, pantufas rosa e cabelos bagunçados lutando com a vida para pegar um objeto grande e preto das mãos de Vickie que, por sua vez, tratou de explicar o acontecido enquanto a loira pegava os preparativos do jantar na dispensa.
Elas haviam combinado de ir a algum lugar nessa Sexta se distrair de todo estresse causado pelo trabalho. Elena, de quebra, ainda tinha a faculdade. Mas tudo desandou quando a morena entrou como um furacão em casa e se trancou em seu quarto, saindo apenas quando Vickie ameaçou ligar para Damon e dizer “algumas verdades para aquele imbecil. Quem ele pensa que é para te tratar assim? Um idiota lindo e irresistível com um sorriso impecável e olhos azuis? Ah não, ele vai me ouvir!”. E enfim Elena decidiu reagir o mínimo possível para pelo menos correr até a sala e pegar o celular da mão dela.
Caroline terminava de cozinhar o jantar enquanto Elena era consolada por Vickie, que dizia o quanto homens se parecem com vassouras, “se tirar o pau não serve para mais nada”, arrancando risada de todas. Mas logo em seguida, como em toda piada imoral que ela fazia naturalmente, Elena voltava a chorar.
Nas últimas duas semanas Damon e Klaus saíram algumas vezes, sempre acompanhados no final da noite. É fácil conseguir mulheres quando se é bonito e rico, especialmente quando carrega Mikaelson ou Salvatore no sobrenome. O charme e lábia dos dois era apenas algo que acrescentava suas táticas de manipulação masculina. Klaus, de vantagem, ainda tinha aquele sotaque arrebatador e a barba por fazer que o tornava ainda mais sexy. Pelo menos Caroline o achava por esses exatos motivos.
Ela não se importava com quantas mulheres Klaus dormia, muito menos se ele chegava um pouco mais tarde na empresa nos dias em que saía, mas Elena se abateu de forma avassaladora quando descobriu que a última menina do cardápio nada seleto de Damon Salvatore foi sua amiga de infância, cujo o prato principal foi apenas uma rapidinha no escritório dele ao qual nem o próprio Damon fez a mínima questão de disfarçar ou esconder.
Elena podia escutar o som dos corpos ecoando na sala mesmo se estivesse longe, mas ela era a secretária dele, por Deus! Estava ali na frente.
Ela se diz forte por aguentar firme até o fim do expediente e Caroline pensa justamente o contrário. Nenhuma mulher deveria se doer por um canalha incorrigível. Ainda mais um como Damon.
Nada do que Vickie fazia parecia acalmá-la. Aquilo teria irritado profundamente Caroline se ela não sentisse empatia pela amiga mesmo nunca vivenciando a mesma experiência. E esse era um dos motivos ao qual ela nunca deixou alguém se aproximar o suficiente para quebra-la, partir sua vida em mais pedaços do que já tem espalhados por aí. Ela tinha desistido de juntar os cacos e apenas os deixou assim, jogados, machucando quem ousasse pisar em volta.
― Pelo amor, Caroline! – Vickie exclamou, atraindo a atenção da loira que acabava de tirar o assado do forno. ― Precisamos fazer algo ou essa menina vai desidratar! Dá para encher uma piscina olímpica com as lágrimas dela e olhe para mim! Eu estou quase chorando também. Isso não está certo. – Disse se levantando e pegando um guardanapo na mesa para secar seus olhos marejados.
Caroline riu. Não que fosse engraçado ver Elena daquele jeito, mas assistir Vickie participar dessa histeria soava no mínimo divertido, ainda mais para quem chegou animadíssima anunciando que beberia duas garrafas de Belvedere sozinha se necessário.
― Tudo pronto, meninas. – A loira disse após abrir o vinho e encher a última taça na mesa.
― Meu Deus, Car.! Isso deve estar ótimo. – Vickie se levantou, foi em direção a mesa e se aproximou de Caroline, sussurrando. ― Posso trocar de lugar com a Elesma ali. Eu juro que não fico assim por causa de homem babaca. – E Caroline riu alto, atraindo a atenção da morena, que agora estava menos chorosa.
― Vamos lá. – Caroline se aproximou do sofá e chamou-a.
― Sabe do que você precisa? – Vickie se aproximou delas com o prato em mãos. ― De uma boa dose de diversão. De esquecer que Damon existe por pelo menos uma noite. Enquanto você está aí se acabando por ele, ele deve estar se acabando com outra na cama. E eu ainda quero sair essa noite, entendeu bem Elena Gilbert? Então levante-se e vamos comer antes. Precisa forrar o estômago se não quiser entrar em coma depois de hoje. A não ser que o médico seja gostoso... Aí terá realmente valido a pena. – Vickie parou como se fizesse uma reflexão e riu.
― Parece tentador, mas... não estou com vontade. – Disse ainda cabisbaixa.
― Nós vamos sair nem que eu tenha que te arrastar pelos cabelos! Hoje é noite de dançar até perder os pés, a moral, a roupa e a dignidade, principalmente. – Vickie disse e finalmente Elena as acompanhou nas risadas.
― Experimente ao menos. A comida... – Ela apontou para a mesa. ― E isso que a Vickie falou. – Caroline riu e suspendeu uma sobrancelha para Elena incentivando-a. ― Nada vai adiantar ficar aí parada enquanto ele leva mais uma para a cama. Desculpe, Elena, mas é assim. Agora se quer algo interessante, faça-o ir para o mesmo lugar que vamos e mostre a mulher que ele perde toda vez que te trata mal e te ignora. – Caroline ofereceu uma mão e Elena segurou, levantando-se do sofá e indo para a mesa.
― Não posso simplesmente ligar para ele e dizer “Olá Damon, vou a uma casa noturna qualquer dançar e me esfregar em qualquer um para que você possa me notar. Gostaria que comparecesse para presenciar tal evento”. – Elena disse entre uma garfada e outra.
― Primeiro, não é qualquer casa noturna, é a Sanctuary Night Club. Vamos dançar até o chão com o Especial Volta ao Mundo, dessa vez com DJ’s brasileiros. – Vickie se empolgou.
― Segundo... – Caroline continuou. ― é exatamente isso que você fará. E ele não precisará estar lá para isso. Basta saber, principalmente por terceiros. – Sorriu maliciosa.
― Exatamente. Redes sociais são uma ótima ferramenta para esbanjar glamour, sensualidade e os boys magia que pegarmos durante a noite. Só não tire foto com mais de três, pode ser estranho. Vai que eles se conhecem, sei lá... – Vickie sorriu e abriu a bolsa retirando dois convites. Entregou um para Elena e outro para Caroline. ― Graças a insistência da loira cozinheira aí comprei os últimos. Não faça desfeita ou te mato, Gilbert!
― Não é para tanto, meninas. – Elena analisou as entradas.
― “Não é para tanto, meninas”. – Vickie a imitou de forma zombeteira. ― A quanto tempo você não transa mesmo, Elena? – A morena balbuciou algumas palavras mas sem dizer algo concreto. ― Pois é, a coitada nem se lembra! Essa é sua chance. E se não quer a presença do Salvatore lá, ao menos deixe-o saber o quanto você se divertiu essa noite. – E piscou.
Elena cedeu. Não porque gostaria de transar com qualquer um bêbada depois de uma noitada, mas pela companhia. Talvez fosse bom se distrair com pessoas que querem te ver bem. E ela não era assim, não era alguém que se deixava abalar por um canalha como Damon e não deixaria o que sente por ele acabar com uma noite de diversão entre amigas.
Enquanto as duas discutiam uma forma de Elena se vingar de Damon, Caroline foi tomar um banho e se arrumar. Ela já estava pronta quando houve enfim silêncio na cozinha. Elena entrou no banho após a discussão e Vickie resmungava alguma coisa mexendo no celular.
A loira observou a sua varanda reparando na escuridão dos prédios à frente, principalmente aquele que mais a interessava. Era assim que ela sabia quando Klaus estava ou não em casa. Um fato curioso é que sempre via o Mikaelson sozinho, acompanhado apenas de alguns arquivos, celular, notebook e um copo cheio, mas nunca de uma mulher. Por um momento chegou a se perguntar se aquelas que ligaram para o escritório realmente tinham dormido com ele, mas pela cara de Genevieve e do próprio Klaus, era mais que nítida a resposta. Talvez ele fosse discreto o suficiente para não querer levar alguém ao seu apartamento, algo que ela pretende mudar em pouco tempo, por um bom ou mal motivo e talvez... o pior deles nem seja tão ruim assim. Caroline imaginou todas as prováveis situações para isso acontecer, mordeu o lábio inferior e sorriu com maldade. Pegou seu celular em cima da cama e voltou para a varanda digitando uma mensagem de texto.
“Estarei na Sanctuary NC em meia hora. Me encontre lá
C. Forbes.”
E assim que sentiu a presença de alguém, apagou a tela e voltou a olhar para frente.
― E você, loirinha, nenhum pretendente em vista? – Vickie apareceu ao seu lado e lhe entregou uma dose de Belvedere.
― Não. – Disse olhando na direção do apartamento de Klaus e sorriu minimamente.
― Elena é apaixonada pelo chefe. E você, Car.? Nem uma quedinha pelo bonitão Mikaelson? Hm? – Ela suspendeu uma sobrancelha esperando pela resposta da loira que se ateve apenas em dar mais um gole na bebida e rir, recebendo um olhar curioso de Vickie.
Não uma queda, talvez um tombo, ela pensou, aumentando o sorriso. Um tombo um tanto quanto perigoso, ela sabia, mas que gostaria de arriscar a se machucar na queda, afinal, se recuperar de danos era o que ela fazia de melhor e se arriscar era o que mantinha o desejo pela adrenalina aceso. E Caroline gostava de adrenalina.
Vickie perguntaria algo mais íntimo ou provavelmente debocharia do sorrisinho de Caroline e toda a situação que o envolvia, mas parou no caminho do que seria um dos dois quando Elena apareceu já vestida, maquiada e perfumada no quarto.
― Nossa, Elena, se eu fosse lésbica te beijaria agora. – Se aproximou da amiga e a girou duas vezes. ― Bom, eu meio que sou, mas isso não vem ao caso agora.
Caroline riu, deu o último gole passando pelas duas e pegou sua bolsa para sair.
― Sem ciúmes, loirinha. Já você eu comeria fácil. Tem esse ar sério, toda certinha e tal... Mas deve ser uma loucura de gostosa na cama. – Vickie pressionou os lábios em provocação e riu em seguida.
― Vickie, você me fascina. – Disse a loira em meio a uma risada.
Elena saiu antes que a outra morena falasse algo mais intenso totalmente típico dela. E foi o que aconteceu.
― Sério? Então já podemos nos pegar. O que acha? Tenho chance? – Sugeriu em tom de brincadeira.
― Eu até aceitaria se não gostasse de...
― Pau. – Vickie disse com um biquinho, fingindo, ou não, estar triste.
― ... Homem. – Caroline completou rindo. ― Mas serve também. Dá no mesmo, inclusive. Agora vamos.
― Vamos... – Vickie parou na frente de Caroline e esticou as mãos para que ela lhe entregasse o que tinha em mãos. ― mas no meu. Sua Evoque é muito “macha”. Que mulher linda e diva compra um carro desse, ainda mais preto?
― Não fale isso. O interior é todo claro. – Debochou e riu.
― Bege, Car. O interior é bege! Bege estilo calcinha de vó. Daquelas que você não usa nem para dormir, nem ir a esquina! Nossa, isso é tão indigno de você... – A loira revirou os olhos e entregou a chave para a amiga que as jogou no sofá, saindo em seguida.
― Eu dirijo! – Elena se empolgou pegando a chave do Porsche Carrera da mão de Vickie no elevador.
― Só suspenda a capota, Gilbert. Não quero chegar na porta da balada linda e descabelada.
Caroline as observou ir em direção ao carro vermelho enquanto discutiam e sorriu involuntariamente. Elena é o que ela seria se os eventos tivessem permitido o curso natural da vida e Vickie era o que ela deveria ser por esses exatos motivos. E ela era o meio termo. Não ingênua como Elena e nem afobada como Vickie, mas centrada e por incrível que pudesse parecer, com uma enorme disposição para diversão.
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O lugar estava lotado e uma música agitada tocava ao fundo. As cores fortes de neon iluminavam todo o ambiente receptivo. Vickie foi direto para o bar, já Elena se mexia timidamente tentando entrar no ritmo.
― Se jogue, Elena! Vamos lá! – Caroline piscou para ela e a encorajou a seguir para o meio da multidão indo logo atrás. – Ela ficou de frente para Elena e soltou os cabelos da morena deixando-os bagunçados. ― Você precisa se soltar. Dance comigo e te mostro. – Caroline a puxou para mais perto e começou a dançar segurando em sua cintura para acompanha-la no ritmo, logo evoluindo para algo mais sensual.
― Caroline Forbes, você está me ensinando como me comportar como uma vadia? – Elena semicerrou os olhos e riu.
― Pior. – Ela apertou a cintura da amiga, a puxou para mais perto e sussurrou. ― Estou te mostrando exatamente como ser uma.
― Quer saber... – Elena se afastou um pouco dela e sacudiu os cabelos. ― Tem razão. – Riu e enfim se soltou.
Elas dançaram sem se preocupar com os olhares ao redor. Desciam, subiam, rebolavam e nada importava além de algumas histórias para contar depois. Seria uma noite reservada à diversão sem limites entre amigas.
Vickie se aproximou com uma pequena dose de algo que elas só descobriram após virarem juntas.
Tequila.
A noite realmente seria incrível.
Após a terceira ou quarta dose, Caroline deu uma desculpa qualquer e se afastou das meninas. Não queria estar bêbada o suficiente para não conseguir circular por aí e observar as pessoas, o ambiente... pelo menos não por enquanto.
Em uma cabine na parte inferior, o DJ tocava uma batida ritmada forte cheia de graves que fazia o corpo e o lugar inteiro tremer ao som. Acima dele algumas mulheres dançavam sensualmente no ritmo da música e no centro, uma escada levava para um corredor extenso do qual Caroline desconhecia. E foi assim que parou de frente para o DJ e embaixo de uma dançaria que lhe chamou atenção.
Ela estava no meio, destacada, com a roupa mais decotadas e extravagante, mas não fazia como as outras garotas, não olhava para frente, não dançava para o público, ela o fazia para a loira que observava atentamente seus movimentos, olhando fixamente para ela enquanto rebolava, mexia os cabelos e sorria em sua direção.
Sanctuary era um dos nomes que constavam no caderno do padre junto com vários outros. E fazia sentido. Nada mais óbvio que uma boate, e com esse nome, para ser usada em negociações do tipo. Caroline olhou para cima e riu. Para isso serviam os camarotes na parte superior exatamente na mesma direção das garotas que dançavam suspensas. Os homens avaliam as mulheres pelas suas performances e pagam o seu preço. Mas agora, pela forma como a morena se comportava, era ainda mais nítido que nem todas estavam ali sem saber. Era difícil acreditar que algumas mulheres se submetem a esse negócio por opção, mas era um fato. Um fato altamente lucrativo se você quiser. Querer... O problema não era com quem quis entrar na jogada, era com quem não teve a escolha, inclusive a de sair.
Apesar da distração com a performance particular, Caroline sacou o celular para discar um número. Nem um segundo depois ela olhou para cima e deu de cara com aqueles olhos azuis claros brilhando para ela, assim como o seu largo sorriso.
― Matt! – Caroline sorriu com a presença do loiro e se jogou em seus braços, recebendo um abraço apertado de volta.
Matt era o seu melhor amigo, até mesmo mais que Marcel. Eles cresceram juntos e ele a viu sofrer pelo acontecimento mais marcante da sua vida. Isso o fez permanecer ao seu lado e escolher a sua carreira por uma decisão moral e para ajudá-la no processo.
Ele viu de perto uma menina ingênua, frágil e doce se transformar em uma mulher forte, competente, madura e decidida. E ele sempre a apoiou, em todas as fases, até na adolescência na descoberta da sexualidade, onde juntos, tiveram a sua primeira vez. Foi trágico e cômico, mais cômico se não tivesse sido tão trágico, mas ainda assim, algo que eles sempre lembravam aos risos e isso os fez entender que, apesar de divertido, foi uma relação quase incestuosa. Matt a acompanhou em diversas coisas durante o tempo e apesar de andar em um caminho correto ele acreditava, assim como ela, fazer o melhor.
― Recebi sua mensagem. – Ele lhe entregou um drink e deu um gole no seu. ― Por sorte o meu plantão foi ontem. – Disse e Caroline o encarou. ― Mas você já sabia, não é? – E ela acenou positivamente, arrancando uma risada do loiro.
― Mas acredito que gostará muito disso. – Matt levantou uma sobrancelha, curioso, e a loira prosseguiu. ― Vê as duas? – Ela apontou para Vickie e Elena rebolando até o chão juntas com um copo de um drink rosa e verde neon em mãos. ― Preciso que as distraia, de preferência aquela ali. ― Apontou diretamente para Elena. Deu dois tapinhas em seu ombro e o olhou com maldade. ― Se elas perguntarem, diga que é um amigo e invente uma desculpa qualquer. Você é bom nisso.
― Mais alguma coisa? – Perguntou Matt e Caroline assentiu positivamente.
― Não seja canalha, Matt, ela não merece. Não seja esse cara ou... – Apontou com a cabeça para baixo em um tom divertido de ameaça. ―Bom, você sabe.
― Nossa Car. Não precisa tanto. – Colocou a mão no peito fingindo estar ofendido. ― Serei um príncipe. – Piscou para a loira.
― Tenho certeza disso, Oficial. – Debochou.
― Detetive. – A corrigiu rindo. ― Assim que tiver algo me comunique. – Ele beijou seu rosto e seguiu o caminho até as duas.
Caroline se aproximou mais do palco e observou atentamente. A mulher de cabelos ondulados castanhos a olhou e elas seguiram trocando sorrisos discretos até o momento em que Caroline não a viu mais. Poucos minutos depois ela estava no mesmo piso, mas distante o suficiente para Caroline mal conseguir enxerga-la. A loira suspendeu o copo, convidando-a para se aproximar e assim ela fez.
E elas ficaram frente a frente se encarando por minutos. Da mesma altura, ambas lindas, com o olhar penetrante e sorriso disfarçado nos lábios.
― Então... – A mulher de cabelos compridos chegou mais perto e sussurrou. ― Será que podemos conversar em um lugar... menos barulhento? – Sugeriu em um sotaque carregado e Caroline sorriu minimamente tentando disfarçar o quanto gostou da ideia, mas não o suficiente para a outra perceber o seu interesse. O seu outro interesse. E ela seria muito útil.
A dançarina seguiu em direção a escada e Caroline andou um pouco mais distante para ninguém perceber, principalmente as meninas. Se Matt fizesse seu trabalho, elas sequer notariam sua ausência. E ele realmente estava. Antes de alcançar o último degrau Caroline olhou para baixo e viu Elena e Vickie brincando de tentar arrancar a camisa de Matt enquanto dançava com elas. A loira riu e continuou seguindo a mulher.
Ao final do corredor, a morena parou de frente para a penúltima porta, dando passagem para Caroline passar e entrando em seguida.
― Bom... Espero que não ligue para a bagunça. Não tive tempo de arrumar antes da apresentação. – E jogou a chave do cômodo na cabeceira.
Caroline analisou o lugar. Era um camarim. A parte superior abrigava os camarins. Mas não havia vestígios de qualquer outra mulher ali se não a dançarina. E ter um camarim só para ela significava que possuía privilégios. Privilégios de um alto nível hierárquico dentro do esquema.
No fim, a noite seria realmente divertida. Em todos os sentidos.
A dançarina tirou um salto e depois o outro e se aproximou de Caroline, mas passou direto por ela, indo para uma mesa no canto direito do enorme espelho que continha uma considerável quantidade de um pó branco. Ela enrolou uma nota alta e ofereceu uma outra para a loira, que se aproximou e repetiu o gesto sem necessariamente completa-lo. Enquanto a dançarina sacudia a cabeça, entorpecendo-se, Caroline fingia fazer o mesmo, inalando uma quase insignificante quantidade para entrar no mesmo ritmo da dança. A morena virou-se para ela, suspendeu seu queixo e a beijou no pescoço.
― Onde mais vocês se apresentam? – A loira perguntou ofegante, interrompendo-a.
― Para que quer saber, hm? – A dançarina continuou beijando-a ali e Caroline respirou fundo, um pouco irritada pela situação.
― Talvez eu queira vê-la em um outro momento. – Disfarçou.
De qualquer forma ela usaria a dançarina para obter mais informações. Pela dor ou pelo prazer, tanto faz e, embora preferisse uma deliciosa mistura dos dois na sua vida pessoal, na profissional nunca precisou utilizar-se do segundo artifício até agora, o primeiro sempre bastava. E a música de batidas graves seria ótima para abafar os gritos... ou os gemidos, dependendo de como corresse a situação.
― Hm. Gosta de prostitutas. – A mulher passou a mão pelos cabelos loiros de Caroline e a encarou.
― Não. Gosto de dançarinas. – Sussurrou Caroline com o rosto próximo ao dela.
― Que bom. Porque não sou uma. – Ela se afastou e voltou-se novamente para a mesa. ― As pessoas, principalmente os homens, tem o péssimo hábito de achar que todas as brasileiras são prostitutas. – Disse enquanto inalava, mais uma vez, o pó exposto. ― Tem cerveja no frigobar se não quiser mais isso. – Falou enquanto sacudia algo que parecia uma outra nota enrolada.
Caroline sabia que ela não falaria sobre o que queria tão facilmente. As meninas que estavam ali sem opção não poderiam saber para onde iriam em seguida. Isso abriria margens para denúncias ou elas se organizariam para uma fuga e a dançarina precisava ser cautelosa. Trabalhar com Matt em alguns dos seus próprios casos lhe deu uma visão mais ampla desse tipo de esquema. E a bela jovem a sua frente parecia do tipo que não confia nas pessoas. E Caroline nem ao menos poderia julgá-la. Então desistiu de fazê-la gritar até arrancar tudo o que ela tinha e preferiu algo menos bagunçado. Sujar seu vestido de vermelho não parecia uma boa opção no momento, então foi até o frigobar e abriu duas garrafas, se aproximou da dançarina e lhe entregou uma delas.
― Por uma noite onde você me diga, em meio a um orgasmo, onde posso te encontrar mais uma vez. – Ela provocou a dançarina, recebendo um olhar maldoso seguido de um sorriso mútuo.
Elas brindaram e beberam. Caroline deu apenas um gole e observou, com um sorriso nos lábios, a mulher acabar com o líquido em segundos. A morena jogou a garrafa no chão e Caroline se aproximou ainda mais dela, encarando-a, o que não durou muito tempo, já que a dançarina puxou-a pelos cabelos e a beijou rápido, voraz, sendo correspondida. Caroline suspendeu a sua camiseta apertada, desabotoou o curto short jeans que a dançarina usava e ela se encarregou de retirar o resto. Ela, por sua vez, deslizava as mãos por debaixo do vestido da loira, que tirava o salto enquanto a encarava de roupa íntima, sorrindo minimamente de lado. Caroline nunca se importou com as coisas feitas pelo caminho para atingir seu objetivo e se tivesse que fazer pela primeira vez o que pretendia, faria rindo.
Elas voltaram a se beijar e a dançarina encostou Caroline na penteadeira, retirando seu vestido, deixando-a somente de calcinha e voltando para seu pescoço, depois ombros, apertando-lhe levemente um dos seios. Antes de os lábios da morena descerem o suficiente para alcança-los, Caroline inverteu as posições, colocando-a sentada com uma perna em cada lado do seu corpo.
― Então... – Sussurrou em seu ouvido e passou a mão pelo seu corpo enquanto segurava com força seus cabelos, arrancando arrepios da mulher. ― Me dê ao menos uma dica de onde mais você se apresenta. – E se afastou apenas o suficiente para sua mão alcançar a intimidade dela e beijou seu lóbulo, depois pescoço, fazendo a dançarina suspirar. A morena ignorou sua pergunta e Caroline pressionou os dedos por cima do fino tecido que ela vestia. ― Nem telefone...? – E fez o mesmo que antes com a peça íntima afastada para o lado.
― Oh, Deus. – Gemeu ao sentir os dedos da loira movimentar-se lentamente em seu ponto mais sensível.
― Nome...? – E aumentou a intensidade, fazendo a morena gemer mais alto em seu ouvido.
― Nomes são irrelevantes nesse momento. – Disse entre um gemido e outro.
― Tem razão. – Caroline parou subitamente o que fazia e se afastou dela, que a olhou confusa. Pensou em partir para a primeira intenção, mas sabia que não demoraria muito tempo para chegar ao seu objetivo e continuou com o jogo.
Ela ajoelhou-se e beijou o tornozelo da dançarina, passando a língua por sua perna, até chegar na coxa, onde deu uma leve mordida enquanto continuava o movimento em sua intimidade. Ao se aproximar da parte interna, sentiu as mãos da dançarina afrouxarem em seus cabelos e ao passar a boca por sua virilha, a respiração ofegante da morena ficou mais lenta, assim como seus gemidos altos ficaram baixos... até cessarem.
― Sabe aquele conselho de mãe sobre “nunca use ou misture nenhum tipo de drogas”? – Ela olhou para a mulher apagada sobre o móvel e riu. ― Então... Eu nunca tive uma para isso, mas sei bem como funciona.
O efeito do sedativo foi mais rápido do que imaginava. Felizmente não foi necessário chegar as vias de fato, embora não se importasse com isso.
Caroline a carregou até um pequeno sofá-cama no canto do cômodo e ajeitou-a de modo que parecesse apenas dormir. A única coisa da qual ela se lembraria no dia seguinte seria de ter dançado e feito sexo com uma estranha qualquer, mesmo a última parte não tendo acontecido exatamente da maneira como deveria. Um dia desses, lembraria de agradecer ao amigo de Matt da Narcóticos por conseguir algo forte assim para ela sem o efeito colateral de pagar por isso de nenhuma maneira.
Ela vasculhou todo o lugar e não encontrou algo relevante que pudesse usar. Deixou seu cartão na penteadeira e foi para o pequeno banheiro se vestir e acabar de se arrumar.
Quando desceu, eles estavam no mesmo lugar, só que agora Elena e Matt se beijavam e ao lado deles Vickie parecia estar mais bêbada que o normal por estar ali de vela.
― Car! – Vickie correu para abraça-la com um copo em mãos. ― Precisa mesmo sumir por uma hora para se pegar com alguém? Quem é? Cadê ele? Ou eles... – Sorriu com malícia e Caroline gargalhou pela ironia. ― Bom, vou pegar mais bebidas. Vamos, Elena. E pare de quase transar com esse cara na boate, por favor. Ele é gostoso, mas deixe para depois. – E puxou a amiga pelo braço.
Matt se aproximou de Caroline e a encarou.
― Cocaína. Sério? – Indagou enquanto puxava seus olhos para baixo e reparava em suas pupilas. Caroline deu um tapa para baixo em suas mãos e deu de ombros.
― E para nada ainda. Espero que ao menos o plano b dê certo. – Bufou. ― Agora me dê licença que preciso encontrar alguém para me servir de álibi.
― Alguém ele ou ela? – Zombou o amigo, recebendo um tapa no ombro.
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A noite foi longa. Caroline só descansou por meia hora antes de sair de casa novamente. Na verdade, ela não chegou a pegar no sono, já que o efeito da substância e o álcool não a deixaram dormir, então esperou o dia acabar de clarear para sair do quarto e correr pelo parque antes de ir para a empresa.
Quando voltou não havia mais uma alma viva lá, apenas a bagunça. A porta escancarada do quarto de Elena denunciava que ela saiu correndo e... droga! Ela também estava atrasada.
Entrou no prédio apressada e torceu para aquela Sexta ser mais um dia ao qual Klaus e Damon saíram e ele só chega uma hora depois dela, mas para a sua surpresa, parece que o Mikaelson não teve mais o que fazer ou a sua noite não foi tão satisfatória assim. E realmente não foi.
Ele tinha acabado de sair do pub acompanhado de uma mulher após uma noitada com Damon quando passou em frente a Sanctuary e se deparou com uma mulher de vestido púrpura colado ao corpo com um longo decote, loira, linda, com um ar fatal e muito parecida com... Não, não era ela. Logo atrás, um homem alto e loiro a impediu de cair devido a embriaguez e em seguida uma morena o beijou. Ele pegou a loira no colo e atravessou a rua. Saindo com um outro cara, uma outra morena correu atrás deles, despenteada, com o batom borrado e o salto em mãos. Ele observou aquela cena caótica por um momento e as reconheceu. Se aquela era Srta. Donovan acompanhada da assistente de Damon, Elena Gilbert, a loira era... Klaus aproximou mais o carro e constatou ser realmente quem pesava desde o início. Ele apertou o volante com tanta força que seria capaz de destruí-lo. Aquela era Caroline Forbes, com uma maquiagem forte, um olhar marcante e vestida para matar, literalmente, mal sabia ele, no colo de um homem que a levava para um carro que não era o seu enquanto ela ria com as amigas sobre ser carregada pelo “bonitão da Elena”.
Klaus olhou para a mulher ao seu lado de um jeito assustador. Descontaria toda a frustração e raiva daquele momento em um lugar mais apropriado, mas ela nem sequer parecia com... Ele sacudiu a cabeça e respirou fundo. Ela era uma fútil qualquer, uma típica mulherzinha que não sabia conversar sobre cultura, arte, música, culinária, muito menos tinha uma opinião convicta e formada sobre política, economia e esportes. Ela não o desafiava ou dava uma resposta inteligente, provocativa e maldosa quando ele falava alguma coisa da qual ela não gostasse ou não concordasse. Ela não era Caroline. E nenhuma outra conseguia ser.
Ele queria jogá-la em seu carro e leva-la para casa, mas Caroline era o tipo de mulher que podia ser muitas coisas, mas não ingênua. Ela não precisava de alguém para interferir nas suas situações. Sabia se virar. E esse era um dos muitos motivos ao qual ele a admirava. Então apenas deu meia volta e retornou ao pub para encontrar com Damon. E a mulher... Klaus a deixou pelo caminho em um táxi qualquer. Ele realmente não se importava.
― Parece cansada. – Disse recostado no balcão da sala de Caroline, assustando-a.

Ela suspirou fundo. Klaus não costumava ir em sua sala, muito menos nas primeiras horas da manhã. E ela só estava atrasada quinze minutos, não era um grande motivo para a presença dele ali, ainda mais da forma como a olhava.
― Talvez... – Ela se aproximou da sua mesa e o encarou ― e você também. – Deu de ombros e sentou-se, ignorando-o.
― Um pouco... – Klaus girou sua cadeira, deixando-a de frente para ele, que continuava recostado no balcão, sério. ― Mas ao menos eu não saí em uma coluna de fofoca no principal jornal do Estado. – E o entregou a Caroline. Ela tentou não demonstrar surpresa, afinal, a intenção era fazer Elena ser notada, mas ler seu nome na capa fez dessa tentativa a mais falha possível. ― Se fosse Liam, ou até Damon eu entenderia, mas você... e a senhorita Gilbert... – Sacudiu a cabeça negativamente.
Caroline abriu o jornal e foi direto para a sessão de fofocas.
“A socialite herdeira das imobiliárias D. Hill, Victoria Donovan esbanja simpatia e animação junto à Caroline Forbes, a nova Diretora Financeira da MC³ de Niklaus Mikaelson e Elena Gilbert, assistente pessoal de Damon Salvatore, da mesma empresa, divertindo-se no último dia do festival Volta ao Mundo na Sanctuary NC.” Dizia a coluna que continha algumas fotos de diferentes momentos da noite anterior.
Na primeira, elas sorriam para a câmera uma ao lado da outra com cabelos e maquiagem no lugar, comportadas. Em outra, Elena aparecia aos beijos com um rapaz alto e loiro que Caroline sabia ser Matt enquanto Vickie olhava desgostosa para o seu drink e a loira ria descontroladamente dela. Uma outra foto tirada de cima mostrava nitidamente as três jogadas no meio de todos dançando até o chão, sendo acompanhadas pelas pessoas em volta e outra que Caroline teve que segurar o riso perto de Klaus para não demonstrar o quanto ela não se importava, e até se divertia, com aquilo. Vickie em cima do balcão jogando uma bebida azul do alto diretamente na sua boca enquanto Elena parecia terrivelmente empolgada com o ato e as pessoas comemoravam em volta.
Mas ao passar a página Caroline engoliu seco, séria. Havia uma foto dela com alguém ao lado segurando em sua cintura, ambos suados, copos pela metade, um sorriso no rosto e a legenda “Caroline Forbes, Diretora Financeira da MC³ e um misterioso moreno desconhecido”.
― “Misterioso moreno desconhecido...” – Ela riu pelo nariz e Klaus a encarou, sério.
― E eu sei que não terminou a noite acompanhada do Sr. Mistério como as Srtas. Gilbert e Donovan com seus respectivos pares. – Ele se aproximou e pôs o dedo sobre a foto dos dois. ― Você saiu sozinha, ao contrário delas.
Caroline se levantou subitamente, atraindo a atenção de Klaus.
― Vickie... – Ela foi até o balcão ao qual ele estava recostado e serviu-se de água. ― Isso explica aquele cara pelado em frente a geladeira às seis e meia da manhã no apartamento. – Falou rindo baixo, mas não o suficiente para ele não ouvir.
― Uma noite de diversão sem freios e sem limites tem seu preço, não? Só espero que a empresa não pague pelo ato, Caroline. – Ela estava ao seu lado pegando mais um copo de água e precisou de um certo esforço para não se arrepiar com o sussurro rouco em seu ouvido.
― Digo o mesmo, Sr. Mikaelson. – Caroline sabia o quanto Klaus detestava que ela o chamasse assim e continuou. ― Mas não se preocupe, uma dose de diversão desenfreada e sem limites só dará dor de cabeça a própria responsável por ela, literalmente. – Apontou com o copo para si.
― Espero que sim. – Disse sério e Caroline ficou à sua frente, próxima o suficiente para sentir seu perfume.
― No momento minha única questão com essa história toda é a Donovan ter usado o sofá antes de mim. – E virou de costas.
― Caroline... – Ele a puxou pelo braço, impedindo-a de sair e nesse movimento, se esbarraram. ― Espero que isso nunca mais se repita. – Estava visivelmente irritado. Pelo acontecimento e pela provocação.
Eles iniciariam uma discussão quando um rapaz entrou com um pequeno carrinho em sua sala. Por um momento, eles continuaram a se olhar mortalmente quando o jovem tossiu, atraindo a atenção de ambos, fazendo-os se afastar.
― Com licença, Srta. Forbes. Tenho uma entrega para você. – Andou até ela e lhe entregou um ramalhete de rosas vermelhas com um cartão.
― Parece que o “misterioso moreno” tem identidade. – Debochou Klaus. ― Agora poderá usar o seu sofá à vontade. – Destilou sarcasmo.
― Pena que não será com quem eu quero, já que essa pessoa prefere bancar o idiota desagradável a maior parte do tempo. – Disse encarando-o brevemente e o rapaz tossiu de novo, dessa vez, sem graça por perceber a tensão instaurada entre os dois.
Caroline pôs as rosas sobre a mesa e leu o cartão. Após termina-lo, riu alto e o deixou ali, jogado. Klaus perguntaria algo a respeito, mas o mesmo rapaz voltou rápido demais e pegou mais um ramalhete, dessa vez, entregando-o para ele.
― Me disseram que estaria aqui. Não sabia que era o Senhor, me desculpe. – E se retirou tão rápido quanto voltou antes de acontecesse algo mais intenso entre os dois.
― Orquídeas. São bonitas. Parece que as ligações das suas amantes evoluíram. – Também debochou e mostrou que, assim como ele, sabia algumas coisas sobre sua vida amorosa.
― Na verdade foi eu que comprei. – Caroline olhou surpresa e cruzou os braços, instigada. ― Minha mãe. Orquídeas são as preferidas dela. Esse imbecil só errou a data de entrega. O seu aniversário é no próximo Sábado, não nesse. – Irritou-se. ― Mas resolvo isso na outra semana e peço para Elijah leva-las.
― Você não vai? – Surpreendeu-se.
― Não. Antes minha desculpa era meus pais morarem longe. Agora que voltaram, nem sequer posso usar o idiota do Liam como motivo qualquer para sair a hora que eu precisar... ou cansar deles.
― Bom... Eu sou paga para isso. Se bem que no próximo Sábado tem uma festa na antiga república da Elena e...
― Tudo bem. – Interrompeu-a. ― Você vai comigo. Mas como eu disse... – Ele encarou os orbes azuis intensos de Caroline e disse mais baixo que o necessário, evidenciando ainda mais seu sotaque. Aquele ao qual Caroline se pegava imaginando a pronúncia com outras palavras em outras situações. ― você trabalha para mim e a todo momento fará o que eu quiser, a hora que eu quiser, da forma que eu quiser. Entendeu, Caroline? – Ela acenou positivamente e ele sorriu vitorioso. Aquilo seria um desafio.
― Será um imenso prazer, Sr. Mikaelson – Sussurrou. ― conhecer a sua família. – Concluiu sínica e Klaus sorriu de lado. E ele gostava de desafios.
Eles se fitaram por um longo momento até perceberem que o faziam por tempo demais.
― Não precisa comprar outras, até lá cuido delas para você. São bonitas demais para serem descartadas. – Disse se referindo-se as flores. Precisava se afastar dele e aquilo parecia uma boa desculpa para fazê-lo.
― Entre todos os trabalhos que terá que realizar para mim, ser babá de planta não está em nenhum deles. – Provocou-a.
― Para quem administra essa empresa e lida com você todos os dias, isso é nada. – Ambos riram. ― Bom... Vou procurar um vaso. E por favor, pegue o pendrive do financeiro na primeira gaveta, coloque os arquivos atuais nele e saia logo da minha sala. Esse seu perfume novo me enjoa. – E saiu.
Klaus se dirigiu até sua mesa e abriu a gaveta para pegar o pendrive, mas ele não estava lá. Olhou então para a mesa de Caroline e contatou estar plugado em seu notebook. Enquanto copiava os arquivos para o dispositivo ele não pode deixar de notar as rosas, elas eram realmente muito bonitas. Talvez no cartão tenha a identificação do Sr. Mistério e ele estava curioso o suficiente para querer saber quem, depois de meses, conseguiu despertar o interesse da loira.
“Me diverti muito ontem no camarim. Foi ótimo conhecê-la mais a fundo. Hahahah
Se pudesse, falaria pessoalmente com você no seu trabalho, mas infelizmente tive que pegar estrada cedo, você sabe... Mas guardei seu cartão e te enviei uma mensagem sobre o que queria saber. Espero que goste.
Beijos onde mais você desejar, gata.
Vanessa.”
Ele escutou seus passos no corredor e voltou sua atenção para o notebook.
― Não vejo a hora de conhecer sua família. – Disse ela entrando com o vaso e colocando-o em sua mesa.
― Mal posso esperar. – Retirou o pendrive e se dirigiu para a porta.
― Mal posso esperar. – Repetiu.
E Klaus se pegou encarando Caroline enquanto ela permanecia observando-o com um sorriso debochado no rosto.
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