Em Perigo

8 Capítulo 8 - Cleeve Hill


Notas iniciais
Esse capítulo deu MUITO trabalho. Eu espero do fundo do meu pobre coração que vocês gostem! Leiam as notas finais!!

As árvores voavam por nós e a adrenalina atingia meu corpo aos poucos, meus braços apertavam a cintura rígida do Cullen enquanto ele continuava concentrado na estrada, seus cabelos voavam bagunçados com o vento, e seu perfume impregnava-se cada vez mais em mim, éramos praticamente um naquela moto.

Olhei para o velocímetro que já apontava 150km/h, sabendo meu coração saltaria pela boca a qualquer momento. Tentei notar algum erro do Cullen, algum desvio para que pudesse acusá-lo de mal condutor, mas ele não vacilou em nenhum momento, continuou em linha reta, o maldito era simplesmente bom em tudo, inclusive dirigindo. Os 197 cavalos de sua Suzuki mostravam sua potência e o velocímetro só aumentava, todos já haviam ficado para trás, e nós comandávamos a estrada, que brilhava vazia.

Soltei um gemido apertando-me ainda mais ao seu corpo ao ver o velocímetro aumentar, o Sol brilhava sobre nossas cabeças, porém, havia muito vento para que sentíssemos seu calor, sabia muito bem que o calor latente que estava sentido não tinha absolutamente nada a ver com o Sol acima de mim, e sim com o homem à minha frente.

Um barulho ensurdecedor aproximava-se cada vez mais de nós, mas eu não tinha coragem olhar para trás, meu rosto estava escondido em meio a jaqueta do meu inimigo, enquanto voávamos em direção a Cotswolds. Criei coragem e olhei rapidamente, onde vi um motoqueiro solitário se aproximando de nós, apesar do capacete, o identifiquei como sendo do cartel.

"Mestre" Ele gritava para ser ouvido. "Que tal uma corrida?" Um choque passou por meu rosto ao imaginar quanto mais aquela moto poderia aguentar antes de nos cuspir para o asfalto. Um sorriso de excitação brilhava no rosto do Cullen, não soltou nenhuma palavra, apenas pisou fundo no acelerador, mostrando que estava dentro do jogo.

Não achei que fosse possível, mas meu coração palpitava ainda mais do que antes, estava quase para fundir meu corpo ao do irresponsável piloto, quando vi uma pequena elevação de terra a nossa frente, o que fez com que eu soltasse um grito e fechasse meus olhos com força. A veloz motocicleta voou por cima do pequeno amontoado de terra, fazendo com que passássemos ilesos por ela, porém, o outro motoqueiro não teve a mesma sorte — ou a competência — do meu motorista, sua moto bateu de frente com o local, fazendo com que seu corpo voasse metros à frente.

O desespero me atingiu e o Cullen diminuiu a velocidade para observar o corpo jogado ao chão. O braço do motorista levantou-se fazendo um pequeno aceno, mostrando que estava bem. O choque ainda estava meu rosto, deveria saber que esse é o tipo de coisa que se passa quando se está com o pior traficante do país. Olhei para ele e o arrogante parecia tranquilo, como se ignorasse a queda, que por um milagre não havia sido fatal, de alguém do próprio cartel, mas é lógico que não se preocuparia com o homem, já que na mente de Edward Cullen só havia espaço para ele mesmo.

"Um cabeça dura que nunca morre" Uma pequena risada saiu da boca do Cullen, enquanto acelerava novamente. A raiva me atingia aos poucos, além de arrogante e extremamente egocêntrico, o maldito ainda era irresponsável, o motoqueiro ainda tinha dificuldade para se movimentar em cima da moto, e acabou pegando uma outra estrada.

"Pare" Ordenei.

"O que?" Ele virou-se confuso.

"Para essa moto" Pedi e ele foi freando aos poucos, a incompreensão ainda estava em seu rosto enquanto me assistia pular da moto. "Não vou com você"

"Não é hora para brincadeiras Swan, ainda falta muito para chegarmos" Disse impaciente, apoiando a moto em seu corpo.

"Não estou brincando, não vou mais subir nessa moto" Cruzei os braços, irritada. "Não vou morrer por sua causa" Só depois de falar percebi a ironia da frase, afinal, se havia alguém que poderia me matar naquele cartel, esse alguém era ele.

"Então quer dizer que você vai para Cotswolds andando?" Soltou uma risada irônica. "Será divertido ver você tentar" Revirei os olhos.

"Vou esperar o resto do cartel" A paciência havia se esgotado, e eu só podia pensar no quanto aquele maldito Cullen era arrogante e pretensioso, eu não aguentaria mais aquilo, não importava se ele era o mestre ou não. "E mesmo que tivesse de ir andando, preferia deixar meus pés sangrarem a subir nessa moto novamente"

"Ok" Deu de ombros. "Se é o que você quer" Voltou a sua posição inicial, firmando-se na moto. Confesso que fiquei surpresa por não protestar, desde quando deixava as pessoas fazerem o que quiserem? "Ah, esqueci de dizer que peguei um caminho diferente dos outros, eles provavelmente estão em outra estrada agora" Lançou um sorriso sacana para mim. "Mas não se preocupe, sempre tem caminhoneiros que passam por aqui nesse horário, é só esperar, vão adorar te dar carona" Deu um outro sorriso irônico e logo arrancou a moto, sumindo de vista.

Finalmente avaliei o local em que estava, assustada. Bufei, irritada, caminhando em direção a uma pequena vegetação, onde havia um banquinho de madeira, com a perna um pouco bamba. Sentei e permaneci encarando a estrada. Uma leve brisa soprava fazendo com o calor fosse amenizado. Alguns pequenos arbustos se espalhavam por toda a vegetação, e meus sapatos estavam sujos com a terra da estrada, mas não me importava com isso, só queria achar uma carona e ir para Cotswolds o mais rápido possível.

Peguei o pequeno celular que estava em um dos meus bolsos e tentei ligar para Jenny, mas não havia sinal. Levantei e andei alguns metros tentando achar alguma posição que disponibilizasse sinal, mas simplesmente não funcionava. Guardei o celular frustrada, não podia acreditar que o Cullen havia realmente me deixado sozinha naquele lugar, era um tremendo de estúpido que não se importava com ninguém, mas dane-se, não precisava dele. Eu ainda praguejava contra o Cullen quando vi um caminhão surgir no meio da estrada, juntei toda minha coragem e fui em direção a ele, que logo parou.

O vidro escuro baixou lentamente e o rosto de um homem surgiu. O homem que dirigia possuía algumas tatuagens pelo corpo e carregava uma garrafa de bebida alcoólica em uma de suas mãos, com um cigarro pendendo em seus lábios. Encarei o banco do acompanhante e me assustei ao ver que duas mulheres olhavam em minha direção, uma loira e outra morena, as duas, apesar de diferentes, eram semelhantes com roupas curtas e um pouco rasgadas, mostrando seu enorme tempo de uso, a maquiagem borrada e o rosto nada satisfeito.

"O que uma princesa tão linda faz jogada nessa estrada tão perigosa?" O cheiro de nicotina e álcool chegou ao meu olfato, fazendo com que meu estômago embrulhasse. "Pode entrar fofura, sempre tem espaço para mais uma aqui dentro" Apontou para as duas garotas e um sentimento de pena passou por mim, não devia ser fácil ter aquele tipo de vida.

"Obrigada, mas estou bem" Afastei-me um pouco da estrada, para que passasse, porém, continuou estacionado.

"Ah, não me diga que você é uma daquelas vadiazinhas que gostam de escolher com quem transam" Rapidamente mudou de feição. "Sobe logo, antes que eu tenha que pegá-la a força"

Com certeza meus antepassados jogaram pedra na cruz, como eu sempre terminava em situações como aquela? Amaldiçoei mais uma vez o Cullen por me deixar sozinha naquele lugar.

"Eu não sei se você é surdo, mas já disse que não vou" Encarei o homem sem medo, cogitando a possibilidade de sair correndo caso as coisas ficassem realmente pesadas, percebi que tirou o cinto de segurança, e em uma fração de segundos estava de pé a minha frente, tão rápido que mal pude notar, andei alguns passos para trás e ele me acompanhou.

"Você é só uma puta, e putas não escolhem com quem transam" O homem voou em minha direção e um grito agudo saiu de minha garganta, quando seus braços conseguiram me tocar, tentava a todo custo me carregar para dentro do veículo, mas me movia com força, soltando golpes onde acertasse, se fosse obrigada a entrar naquele caminhão com um homem asqueroso, pelo menos ele sairia com vários hematomas.

Porém, no meio da patética luta que travava com o homem que possuía quase duas vezes o meu tamanho, tive a visão do paraíso.

Em alguns metros uma moto surgiu.

Não era somente uma moto, era uma Suzuki Hayabusa.

Meu inimigo dirigiu veloz em nossa direção, e estava tão imponente que até o homem parou para assisti-lo. Nunca havia ficado tão feliz em ver uma Suzuki como naquele momento.

Saber que ele havia ficado ali aquele tempo todo me fez respirar tranquila.

"Não toque nela" Ele desceu lentamente de sua moto, e seu rosto estava tão fechado que um leve arrepio passou por meu corpo, nunca o tinha visto tão sério como naquele momento.

"Não se meta cara, isso não é da sua conta" O homem soltou um de meus braços e virou-se para o Cullen. "Porque não sobe na sua moto e volta para o buraco de onde saiu?" O Cullen deu um sorriso de lado.

Com certeza, aquilo não acabaria bem, quase tive pena do homem, mal sabia no que estava se metendo.

"Eu só vou falar um vez" Aproximou-se mais um passo de nós e parou novamente, seu rosto estava diferente, era como um animal selvagem, que não deixaria que sua presa fosse apanhada por outro. "Não" Mais um passo. "toque" Mais um passo. "nela".

"Acho que você vai ter que me obrigar" O moço disse visivelmente bêbado, e naquele momento eu soube que aquilo não ia prestar.

Tudo aconteceu muito rápido, e não tive tempo de assistir. No minuto seguinte o homem já estava caído no chão com um belo soco de direita no canto da boca e um dos pulsos torcido e eu já posicionada atrás do Cullen, que fazia uma muralha de proteção.

"Você tem dois minutos para subir na porra do caminhão, ou não vai sair vivo daqui" Disse tão pausadamente que pareceu ainda mais ameaçador. O homem cambaleou durante alguns segundos, mas por fim conseguiu subir em seu caminhão e saiu rapidamente, ainda assustado e com algumas gostas de sangue em sua camisa.

O Cullen ficou parado alguns segundos, enquanto o caminhão sumia pela estrada, lançou um rápido olhar para mim e logo se afastou, retirando a mão da minha cintura e caminhando de volta para sua moto. O desespero me atingiu novamente, não queria ficar sozinha naquele lugar de novo, fui em direção à moto.

"O que você pensa que está fazendo?" Virou-se arrogante.

"Vou com você para Cotswolds" Disse, um pouco constrangida. "Acho que está bem visível que não posso pegar carona com os caminhoneiros"

"Não, não, não" Deu um sorriso sacana. "Você não vai subir nessa moto" Arrancou um pouco para frente me impedindo de subir. "Odiaria que você pegasse carona com um motorista tão irresponsável como eu"

Sabia exatamente que o cínico não me deixaria subir na moto sem que eu me humilhasse antes.

"Tudo bem, acho que aguento um motorista irresponsável" Revirei os olhos e dei um sorriso sem graça, subindo na moto, mas arrancou mais uma vez, fazendo com que eu ficasse para trás.

"Como foi mesmo que você disse?" Levou uma das mãos ao queixo, como se estivesse pensando. "Ah, sim, que preferia deixar os pés sangrarem a subir nessa Suzuki" Deu um tapinha no banco da moto e virou seu sorriso cínico para mim. "Será divertido ver seus pés sangrarem, a gente se encontra em Cotswolds" Firmou-se na moto e deu a partida, mas o impedi de sair.

"Não" Toquei um de seus braços, segurando-o. "Eu não posso ficar aqui sozinha"

"Então quer dizer que você precisa de mim?" O sorriso cínico não saia de seu rosto.

"Eu preciso da moto" Encarei firme.

"Você não está ajudando, acho que vai ter que ir a pé" Virou-se para a estrada novamente.

"Eu preciso de você, preciso da sua maldita moto e preciso que deixe subir e me leve para Cotswolds" Cruzei os braços irritada. "Agora você pode parar com a brincadeira e me deixar subir?"

"Claro" Continuava com o maldito sorriso. "Só estão faltando as duas palavrinhas mágicas"

"Foda-se Cullen?" Perguntei irritada e ele não respondeu, apenas deu partida na moto. "Ok, ok, por favor" Revirei os olhos.

"Acho que não ouvi direito" Virou-se para mim.

"Por favor" Falei mais alto e levei uma das mãos para meu rosto, maldito Cullen!

"Sobe" Disse arrogante e logo subi, mas não segurei em sua cintura, prendi minhas mãos atrás do acento. "Bom saber que você é uma garota obediente" Deu partida na moto, e continuei calada. "Acho melhor você se segurar em mim, não quero ninguém acidentado no meio da estrada"

"Não preciso" Dei de ombros.

Vi um sorriso maligno surgir em seu rosto e o seu pé foi em direção ao acelerador, pisando fundo, rapidamente alcançamos uma velocidade inexplicável e minhas mãos escorregavam aos poucos.

"Se segura em mim" O Cullen gritou para mim.

"Não" Não daria mais essa vitória para ele.

Acelerou mais um pouco, meus cabelos voavam e tudo ao meu redor tornou-se apenas um borrão, a única coisa nítida era a jaqueta de couro do Cullen.

"Você vai cair" ele gritou novamente.

"Eu não me importo" Continuei firme, mas sabia que não aguentaria muito tempo, e sabia também que o Cullen não daria o braço a torcer.

"Então acho que você vai para o inferno mais cedo" Deu um sorriso e apertou ainda mais o acelerador, fazendo o motor da incrível moto rosnar alto, quando minha mão estava quase se soltando, me agarrei rapidamente à cintura do Cullen, fazendo com que um sorriso vitorioso surgisse em seu rosto. "Boa garota" Li em seus lábios e o xinguei mentalmente.

Ele não disse mais nada, também continuei o resto da viagem calada, apenas observando a paisagem que mudava constantemente e pensando em como a situação em que eu estava era contraditória, mas ao contrário do que imaginava, viajar milhares de quilômetros abraçada ao meu inimigo, não era tão constrangedor. Ele possuía um cheiro inebriante, que me acalmava, que fazia com que cada pedaço de mim relaxasse, e a velocidade fazia com que meu coração batesse mais rápido. Era como se as batidas do meu coração fosse rápidas e lentas ao mesmo tempo, e percebi que era realmente assim, quando eu estava perto do Cullen, as coisas nunca eram normais, as situações nunca eram simples.

O Cullen era uma mistura de perigo e segurança, e apesar de odiar cada centímetro daquele homem, eu amava a sensação de adrenalina que ele me trazia.

"Sei que gosta de me abraçar, mas ainda preciso respirar" Virou o rosto para mim com um meio sorriso irônico e afrouxei minhas mãos ao redor de seu corpo, sem graça.

"Vai demorar muito para chegar?" Meu corpo protestava de cansaço, estávamos a vários minutos na estrada e a nada mudava, era apenas mais estrada ainda, minha coluna doía e a vontade de descer da moto era gritante.

"Estamos quase chegando" Demoramos mais alguns minutos na veloz motocicleta, quando finalmente avistei a tão almejada placa: Welcome to Cotswolds.


A região estendia-se de Bath até o sul de Chipping Campden, era um lugar extremamente cobiçado pelos moradores do mundo inteiro, conhecido por sua tranquilidade e seu aspecto ainda rural preservado pelas décadas. Encarei extasiada para a paisagem, espaços agrícolas e colinas suaves intercalavam-se formando a típica paisagem de Cotswolds, não haviam ruas asfaltadas ou empresas com enormes chaminés, as casas eram simples e as chaminés pequenas, apenas para aquecer as famílias. O local era extremamente rural, a ponto de ter carroças e cavalos por toda parte.

Era uma cidade que havia parado no tempo, a industrialização e a tecnologia não havia alcançado a vida dos moradores. Era tão diferente, que sentia que praticamente estávamos em outro país, distante de Londres.

Porém, ao contrário do que imaginei, não paramos, o motorista nada disse, apenas continuou dirigindo em linha reta, até chegarmos à uma enorme colina.

"Vamos subir?" Perguntei surpresa devido à altura da colina, mas ele não respondeu, apenas pisou fundo no acelerador, mostrando que nós realmente iríamos subir, agradeci aos céus por não ter vindo em minha própria moto, jamais conseguiria subir uma ladeira tão alta, devido a enorme potência da Suzuki subíssemos com facilidade, vários minutos passarem-se até chegarmos ao topo onde uma outra enorme placa chamou minha atenção: Welcome to Cleeve Hill.


"Chegamos" Entramos no enorme portão de ferro, que estava revestido de uma tintura dourada, observei espantada toda a extensão de Cleeve Hill, aquele lugar era simplesmente enorme. "É tudo meu" Lançou um sorriso arrogante para mim e arrancou novamente com a moto, fazendo com que ficasse ainda mais maravilhada.

Após alguns minutos, finalmente chegamos à propriedade, onde várias motos já estavam estacionadas, devido ao nosso atraso com o caminhoneiro, eles terminaram por chegar antes de nós. Estacionamos na frente de uma linda torre, que mais parecia um castelo, porém, apesar do seu tamanho, era menor que o Cartel. O gramado verde a os arbustos davam a impressão de que estávamos no campo, e nos dava uma sensação de liberdade, andei alguns metros e admirei a vista, dali era possível ver toda a cidade de Cotswolds, as diversas colinas verdes misturavam-se com a vegetação, que variava em tons de vermelho e laranja, devido a época do ano.

"Eu quero morar aqui para sempre" A voz de Jenny chegou aos meus ouvidos e passou os braços por meus ombros. "Todo mundo só sabe falar de como você é sortuda por ter vindo com o Cullen" Soltou uma risada.

"Tenho sorte de ter chegado com vida, isso sim, ele dirige como um louco" Revirei os olhos, lembrando do velocímetro.

"Bem que eu queria um louco desses para mim" Soltou outra risadinha. "Mas tudo bem, deixo ele para você"

"Para de falar besteiras Jenny" Empurrei suas mãos de meus ombros. "Não quero Cullen nenhum" Avistei Emmet, que fazia sinal para mim com as mãos. "Emmet está chamando"

"Acho que Mabelle vai fazer um comunicado" Colocou a língua para fora, em uma careta e me puxou para onde estava os outros iniciantes, todos os iniciantes já estavam no local e dois homens estavam ao lado de Mabelle.

"Esses são Michael e Jacob Black, são os responsáveis pela a manutenção e organização de tudo o que tem aqui e vão dar as boas vindas" Disse e todas as garotas olhavam interessadas para os dois, que possuíam belos físicos. Michael era branco e possuía cabelos negros lisos que lhe davam um ar de seriedade, usava uma bota de couro e roupas despojadas. Jacob possuía uma cor bronzeada, e usava roupas um pouco mais formais, com tons um pouco fechados, os olhos cor de mel faziam uma ótima combinação com seus traços fortes.

"Bom dia, é um prazer recebê-los aqui, faremos de tudo para que a estadia de cada um seja a melhor possível" Jacob sorriu simpático e alguns cochichos surgiram entre os iniciantes. "Como vocês sabem, Cotswolds tem sido um lugar de residência muito cobiçado por moradores do mundo inteiro, várias colinas a oeste são coroadas por enormes fortes e há muitos vestígios da pré-história, incluindo cemitérios, com túmulos do Neolítico e da Idade do Bronze." Caminhava sério, mas ainda assim possuía uma feição simpática. Cullen assistia tudo com os braços cruzados e uma expressão de tédio. "Cleeve Hill é o ponto mais alto de Cotswolds, está localizado à altitude de trezentos e trinta e seis metros acima do nível do mar, o que pode gerar alguma tontura ou falta de ar, mas não se preocupem, temos um ótimo enfermeiro para cuidar de vocês" Apontou para Michael e alguns iniciantes soltaram murmúrios de excitação.

Olhei para o Cullen que estava com o rosto tão fechado, que parecia que atiraria em Jacob a qualquer momento. Ele é um gato, li os lábios de Jenny e concordei, o cara era realmente bonito.

"Mas continuando, a torre que vocês estão vendo" Apontou para o local. "É a Broadway Tower, foi projetada por James Wyatt em mil setecentos e noventa e quatro, e construída cinco anos depois para Lady Coventry, segundo a lenda, a protuberante Lady construiu essa torre como um farol, para que toda vez que o marido velejasse pudesse ver o farol e lembrar-se dela"

Terminou a história e algumas piadinhas foram feitas entre os iniciantes.

"Enfim, dizem que essa torre é um ótimo lugar para se conhecer a pessoa amada, então fiquem atentos" Deu uma risada e passou a palavra para Michael, pude ver o Cullen revirar os olhos umas três vezes.

"Atrás dessas colinas" Apontou. "Está localizado o penhasco mais alto do país, abaixo dele fica a nascente do rio Tamisa, onde nós faremos alguns treinamentos" Apontou novamente para a torre. "Sem mais demoras, Jacob irá mostrar onde será o quarto de cada um, vocês ficarão hospedados na torre, e se houver qualquer dúvida podem nos procurar"

Jacob nos levou até os aposentos, a torre era ainda mais incrível por dentro, a decoração misturava o antigo com o moderno, fazendo com que o ambiente ficasse com o toque exato das duas coisas. O quarto dos iniciantes eram formados por duplas, assim como no Cartel, e Jenny ficou comigo, as camas eram grandes e confortáveis, e o nosso quarto ficava em um dos últimos andares, o que fazia com que tivéssemos uma ótima vista da praia que era cercada por dois penhascos.

Jenny saltava de excitação por estar no lugar que tanto queria conhecer e a cada minuto contava uma nova história que encontrava na internet sobre a cidade. Emmet nos avisou que teríamos dois dias de folga antes de voltarmos para o Cartel, para conhecermos a cidade, explicou também que haviam alguns festivais de música que ocorriam aos finais de semana, e que era costume do Cartel estarem presentes.

A noite logo veio e após uma boa refeição, subimos para o quarto, meu corpo protestava dolorido pela cansativa viajem, e assim que deitei em minha cama fiquei inconsciente, pensando somente em como seria o próximo dia, e na maldita Suzuki.

*

O dia começou cedo, com várias atividades, todos os iniciantes receberam aula de montaria com Michael, que parecia ser o domador dos animais. Jenny mostrou muito conhecimento sobre cavalos, explicando que recebia aulas desde pequena. Jasper e Emmet também auxiliaram nas aulas, mas não tiveram muito tempo para gastar conosco devido a um enorme carregamento que estava sendo entregue na cidade, talvez por isso não vimos o Cullen durante toda a manhã.

Após o almoço, fomos direcionados por Mabelle para o enorme penhasco, onde seria o nosso próximo treinamento, alguns cavalos puxavam uma enorme carroça que possuía vários equipamentos.

"Como vocês estão vendo, nosso próximo treinamento terá um pouco mais de adrenalina" Sorriu segurando um dos equipamentos. "Vocês terão que pular do penhasco" Soltou e várias exclamações surgiram entre os iniciantes. "Silêncio" Ordenou impaciente. "Estou pouco me importando se alguém tem medo de altura, vocês precisam estar preparados para várias situações, e todos, repito, absolutamente todos, vão saltar" Ela sorriu para mim e mandou que fizéssemos uma fila.

Confesso que um leve frio surgiu em meu estômago, ão tinha problemas com altura, mas aquele penhasco era absurdamente alto, e pelo que percebia, os equipamentos de segurança pareciam velhos e desgastados, possuindo até mesmo alguns enferrujados, mostrando que não eram tão seguros assim.

Olhei para o lado e vi a imagem de meu inimigo vindo ao norte, usava sua famosa jaqueta de couro e andava à passos largos em direção a Mabelle, com o rosto fechado. Emmet e Jasper estavam logo atrás, o Cullen murmurou algo para Mabelle e passou a assistir o desempenho de cada iniciante, que pulava.

"Nervosa?" Uma voz desconhecida surgiu ao meu lado, e logo identifiquei como sendo de Jacob.

"Um pouco" Dei de ombros, enquanto esperava chegar a minha vez.

"Sou Jacob Black" Estendeu a mão com um sorriso no rosto, simpático. "Não se preocupe, parece mais arriscado do que realmente é, quando você vê já está no chão"

"Sou Bella" Sorri de volta.

Ele ia falar mais alguma coisa, mas uma terceira voz o interrompeu.

"Não tem nada para fazer, Black?" Cullen aproximou-se de repente, encarando meu mais novo conhecido. "Não te pago para ficar de papo furado com iniciantes" Deu uma breve olhada para mim, irritado.

"Na verdade, eu já realizei todas as minhas atividades, senhor" Black encarou de volta, sem pestanejar.

"Então arranje algo útil para fazer" O rosto do Cullen parecia tremer de raiva a qualquer momento, e após uma luta de olhares, Jacob finalmente virou-se para mim.

"Prazer conhecer você, Bella" E logo caminhou para longe de nós, lentamente. Cullen voltou a passos largos para o lugar de origem sem me dirigir nenhuma palavra, revirei os olhos e voltei para fila.

Cinco iniciantes já haviam pulado, e eu era a última da fila, a cada salto ficava mais apreensiva e animada, ao mesmo tempo que tinha receio devido ao perigo, a adrenalina me atraia, percebi o quanto a situação era estranha, nunca havia imaginado fazer parte de um cartel de drogas, e agora eu estava alí, prestes a pular de um penhasco, arriscando minha própria vida, a vida realmente dava voltas e das grandes.

Olhei apreensiva para Jasper que apenas sorriu, mostrando que tudo ficaria bem, há algumas semanas eu não conversava com Jasper, devido ao conflito de nossos horários, mas sentia uma falta absurda dele, mesmo que tivesse Jenny e Emmet, Jasper ainda assim fazia falta.

O garoto à minha frente pulou e logo chegou minha vez, olhei para o lado e o Cullen ainda estava lá, com Jasper e Mabelle em seu encalço, fazendo com que eu ficasse ainda mais nervosa. Emmet trouxe o equipamento e foi amarrando em mim com muita paciência.

"Você precisa tirar a pulseira, vou ter que amarrar o equipamento no seu braço" Apontou para a pulseira de meu pai que pendia em meu braço, levei minha mão esquerda até ela, mas algo a impediu de abri-la, estava emperrada.

"Vamos logo, porque estão demorando?" Mabelle gritou de longe, me fazendo ficar ainda mais nervosa, Emmet direcionou o olhar para mim novamente.

"Rápido Bella" Induziu.

"Não estou conseguindo" Disse com certo tom de desespero.

"Deixa eu tentar" Esticou lentamente minha mão e tentou tirá-la, sem sucesso algum.

"Mas o que é que está acontecendo aqui?" Mabelle aproximou-se de nós irritada.

"A pulseira dela está emperrada" Emmet disse, ainda tentando desatá-la.

"Arrebente e compre outra, não temos o dia inteiro" Olhou para mim como se fosse a coisa mais simples a se fazer.

"Não posso" Retirei meu pulso de perto de Emmet e tentei tirá-la novamente. "É do meu pai"

"Dane-se se é do seu pai, você tem que pular" Gritou em minha direção.

"Vá a merda Mabelle, não vou quebrar minha pulseira" Encarei seu rosto firmemente, mas antes que pudesse falar mais alguma coisa, senti algo segurando meu pulso, e no segundo seguinte, minha pulseira não estava mais lá. Encarei com com desespero e o Cullen me devolvia o olhar firmemente, com minha pulseira em suas mãos.

O desespero de ver a única lembrança que tinha do meu pai nas mãos de meu inimigo, misturou-se com a raiva de ver que o maldito a havia quebrado.

"Pronto, agora pode pular, pode terminar de vesti-la Emmet" Continuou com sua expressão impassível de sempre.

"Está louco?" Voei em direção ao Cullen. "Me devolve isso, agora!" Um nó se formava em minha garganta e o medo de perder a única lembrança que eu tinha do meu pai me fez tremer. O Cullen soltou uma risada.

"Você não dá as ordens por aqui Isabella" Voltou a me olhar sério. "Agora termine sua missão e pule dessa porra"

"Não vou pular, se você não devolver minha pulseira" Continuei encarando firmemente.

"Me diz, porque você quer tanto essa maldita pulseira?" Mabelle se meteu. "É só pular, e depois você pega de volta"

"Já disse que foi meu pai quem me deu, eu não vou pular sem ela" Disse firmemente, e uma expressão maligna surgiu no rosto do Cullen.

"Então é isso, você adora tanto essa pulseira por causa do seu pai?" Todos haviam parado para assistir a cena, Emmet me olhava apreensivo e Japer tinha uma certa preocupação no rosto, ambos sabiam que aquilo não ia acabar bem. "Depois de tanto tempo no cartel, você deveria saber que não há espaço para a família ou lembranças, se você quer ser uma grande traficante terá que se desvencilhar disso ou será mais uma perdedora"

Ele terminou a frese com arrogância e seu braço esticou-se, as pontos dos seus dedos abriram-se e minha pulseira voou penhasco a baixo.

A pulseira que meu pai havia feito.

A única lembrança que tinha do meu pai escorrendo pelos dedos do Cullen.

Não sei como tudo aconteceu, o desespero me atingiu rápido demais, não conseguia raciocinar no que estava fazendo. O único pensamento que latejava era que se aquele pequeno objeto sumisse no enorme penhasco, nunca mais estaria perto do meu pai de novo, aquilo simplesmente não podia estar acontecendo. Sem pensar duas vezes, corri em direção ao penhasco, mas duas fortes mãos me impediram de pular fazendo com que o musculoso corpo do Cullen caísse no chão, em cima do meu.

"Você está louca?" O corpo dele estava em cima do meu, prensando-me, enquanto eu me movia, tentando soltar meus braços que eram fortemente segurados pelos dos Cullen. "Vai morrer se jogar do penhasco, você não está com equipamento montado"

"Me solta" Eu gritava em seu rosto, ainda olhando para a direção que a pulseira havia caído. "Me solta, eu preciso pegá-la" Me debatia com força e lágrimas escorriam por meu rosto, o desespero agora me tomava por completo, e a idéia de não ter meu pai por perto me atingia como um soco.

"Bella, ela já caiu, você não vai conseguir pegá-la" A voz serena de Emmet, que surgiu preocupado ao nosso lado, foi como um balde de água fria.

Parei de me mexer aos poucos e paralisei em baixo do corpo do Cullen, que ainda possuía o rosto a centímetros do meu e segurava meus braços, que agora jaziam paralisados. Não conseguiria pegar minha pulseira de volta, eu não a teria mais. Imagens do meu pai surgiram em minha mente, e revivi cada pedaço dos malditos meses em que ele estava doente, vi sua cabeça raspada, seu corpo debilitado e finalmente o dia em que ele havia me dado a pulseira; meu coração apertou-se, e assim como anos atrás, novamente senti a dor de perdê-lo.

"Bella?" Emmet me chamava preocupado.

Não respondi, movi lentamente meus braços, empurrando o Cullen, que levantou-se rapidamente ao perceber que não pularia mais, e ficou de pé, esperando que eu levantasse, todos observavam a cena silenciosa. Levantei e aos poucos fui tirando o equipamento que Emmet havia colocado em mim, quando a mão do Cullen me interrompeu.

"Você vai pular, vai fazer o treinamento como todos os outros iniciantes" Empurrei sua mão, e continuei tirando o equipamento.

"Não, não vou" Disse firme, ainda de cabeça baixa.

"Não há vantagens para ninguém nesse Cartel, você vai pular" A cada sílaba que saia da boca do maldito Cullen minha raiva aumentava. "Foi só uma maldita pulseira Swan, seja mulher uma vez na vida e pule desse penhasco"

"Eu não vou pular de porra nenhuma" Levantei o rosto e o encarei, com algumas lágrimas ainda rolando pelo rosto, surpreendeu-se um pouco com minha reação. "É claro que é apenas uma maldita pulseira, já que você não tem um pingo de sentimentos e não sabe como é ficar longe de alguém que ama, aliás, eu duvido que você tenha amor nessa pedra que chama de coração" Nesse momento já não me importava se aquele homem tinha poder suficiente para matar todo o país de Londres, ninguém tinha o direito de ter feito aquilo. "Você anda por ai arrogante, mandando e desmandando nas pessoas, achando que é o dono do mundo, mas quer saber a verdade?" Gritei, movimentando meus braços. "Você é a porra de um cara solitário, esse Cartel inteiro só lhe obedece pelo o que você pode oferecer, nunca, ninguém vai te respeitar pelo que você é, porque você não é nada" Me aproximei, enquanto me encarava parado, sem expressão alguma. "Você é vazio por dentro, não tem nada a oferecer e ninguém gosta de gente vazia" Passei as mãos no rosto brutalmente, enxugando as lágrimas que insistiam em cair. "Você tem sorte de sua mãe estar morta, ela teria nojo do que você se tornou" Soltei a última frase em um sussurro e ele continuou paralisado, com o olhar distante, enquanto eu me virava.

Fui em direção à torre, agora, sem ser impedida por seus braços fortes, mais lágrimas escorriam por meu rosto e eu me sentia patética. Subi as diversas escadarias e entrei no banheiro, me trancando. Olhei-me no espelho e vislumbrei a imagem de uma fracassada. Um enorme vazio se apossou de mim enquanto lentamente minhas pernas cediam, sentando no chão frio. Frustrada, olhei novamente no espelho, pensando no quão mentirosa havia me tornado, fizera prometido a mim mesma que nunca mais choraria naquele Cartel, e ali estava eu, novamente com lágrimas aos olhos. Eu era uma fraca.

Levantei do banheiro e fui em direção a cama, deitando, desejando que aquele dia não tivesse acontecido. Não importava todas as vezes que o maldito havia me ajudado, de uma coisa tinha certeza: o Cullen não tinha nada bom dentro de si e certamente me vingaria dele.

*

Acordei sonolenta e percebi que o céu já estava escuro, havia dormido demais. Olhei para baixo e notei um enorme edredom, virei para o criado-mudo onde pendia um pequeno bilhete.

Estamos jantando.
Emmet me contou o que aconteceu, sinto muito por sua pulseira.
Descanse, logo logo estarei no quarto com seu jantar.
Um beijo, Jenny.

Levantei da cama rapidamente, observando que o céu escuro anunciava uma chuva que logo viria, mas não me importei com isso, precisava encontrar minha pulseira antes que fosse tarde demais, prendi meu cabelo em um rabo-de-cavalo e vesti um enorme moletom lilás sobre minha blusa branca, calcei um sapato confortável e fui em direção a porta com a enorme lanterna que recém encontrada em uma das antigas gavetas que a cômoda do quarto possuía.

Desci as escadas, torcendo para não ser vista, e rapidamente estava fora da torre. O frio me atingiu em cheio, me fazendo tremer, mas não havia tempo para lamentações, perdi vários minutos descendo a enorme escadaria que levava até o solo do penhasco, passei facilmente pelo enorme portão e após algum tempo, estava na praia. O vento forte batia em meu rosto, quase me machucando e a escuridão era amenizada pela frouxa luz que saia de minha lanterna, a curta praia ficava entre os dois penhascos e possuía apenas uma pequena parte de terra, a água gelada tocava os meus pés, enquanto focava a lanterna no solo, procurando por minha pulseira.

Sabia que seria extremamente difícil achá-la naquela escuridão, mas não poderia deixar para depois, precisava achá-la antes que sumisse no meio da água, torcendo para que tivesse caído na areia.

Enquanto procurava, escutei alguns galhos estalando e olhei rapidamente para trás, mas não havia ninguém, apenas o barulho das ondas invadiam minha audição, voltei novamente a buscar, enquanto sentia algumas gotas de água tocarem meu rosto.

"Ótimo, tudo que eu precisava" Revirei os olhos e bufei irritada, quando vi algo se movendo na escuridão.

Concentrei minha visão no local e percebi que era um homem.

Não qualquer homem, era Edward Cullen.

"O que você pensa que está fazendo?" As gotas de chuva molhavam o seu rosto preenchido com uma feição séria.

"Não é da sua conta" Virei de costa e voltei a apontar a lanterna para o chão, quando uma de suas mãos segurou meu braço, com força e me puxando para perto.

"Perdeu a noção do perigo?" Seu rosto estava a centímetros e seu hálito quente batia em meu rosto. "Acho que você esqueceu com quem está falando"

"Você virou o que, minha babá?" Puxei meu braço com força. "Estou pouco me lixando para quem você é" Virei novamente a costa para ele, mirando o chão. "Não tenho medo de você"

Senti o braço do Cullen me puxar de um jeito diferente, seus olhos, que costumavam ser de um azul límpido, agora estavam escuros e carregados de um sentimento que não soube identificar, em segundos me empurrou até que minha coluna tocasse o penhasco, o que fez com que nossos corpos colassem um no outro. Nesse momento, já estávamos encharcados pela chuva, que em pouco tempo se tornou torrencial e apesar do vento gelado, o frio não nos alcançara, não com nos corpos colados.

"Pois deveria, posso acabar com você em uma fração de segundos" Tocou os meus braços e os prendeu, apoiando-os no penhasco. "Se soubesse o quanto odeio você, Isabella" Sua boca foi em direção ao meu pescoço, onde depositou uma forte mordida, me fazendo sentir uma pontada de dor. "Se você soubesse o quanto quero ver você morta" Direcionou sua boca para o outro lado de meu pescoço, dando outra mordida, e logo depois sugando o local, fazendo com que soltasse um leve gemido. "Não falaria metade das coisas que fala"



"Já disse que não tenho medo de você" Disse com um pouco de dificuldade, minhas pernas tremiam e tudo que ocupava minha mente era o maldito perfume do Cullen. Fui invadida por diversos sentimentos: pavor, tensão, angústia, e o pior de todos: desejo.

"Esse é o seu maior erro" Mordiscou levemente minha orelha quando voltei ao juízo. Não podia deixar que me tocasse, era o meu inimigo ali!

O empurrei com força para longe soltando meus braços, enquanto continuava me olhando com o mesmo olhar avassalador, desviei o olhar e peguei a lanterna que havia caído no chão, ainda um pouco bamba.

"Não se aproxime de mim" Ameacei e voltei a lançar a luz para o chão. "Tenho nojo de você"

Não esperou que eu terminasse a frase e me puxou novamente ao seu encontro.

Sua boca encostou-se na minha com força, gerando choques por todo meu corpo, suas mãos pesadas abraçavam minha cintura com tanta firmeza que quase fiquei sem ar, devido a enorme pressão. A chuva escorria por nossos corpos, mas isso não me incomodava, sua boca era quente e me tomava por completo, fazendo com que minhas pernas ficassem trêmulas, mas não me importava em cair, os braços firmes estavam lá para me segurar. Sua mão foi em direção a minha nuca, fazendo com que nos aproximasse-nos ainda mais; soltei um gemido de satisfação, mas durou por pouco tempo, logo sua boca vermelha estava distante da minha.

"Você é minha subordinada Isabella, não esqueça disso" Disse tão sério, que não duvidei, não tive coragem de duvidar daquele homem.

Me soltou e virou-se, sumindo na escuridão, como rápido surgiu, rápido se foi.

Sentei-me sozinha na terra molhada, deixando que água me molhasse ainda mais, pensando na loucura que minha vida havia se tornado.

Passei a ponta dos dedos sob os lábios, com apenas um pensamento em mente:

Que merda de situação tinha acabado de acontecer?

Notas finais
Gente do céu, que dia louco que eu tive. Foi um desespero só pra eu postar o capítulo, sei que prometi postar na quarta, mas pra mim o outro dia só começa depois que eu durmo, e já que eu ainda não dormi, tecnicamente, ainda é quarta hehehe Mas falando sério, quero AGRADECER DO FUNDO DO CORAÇÃO os lindos comentários de vocês, fico até emocionada com alguns, vocês são lindas de mais e me fazem muito feliz, obrigada!! Fazer um agradecimento especial para a querida Stew Anne Laullen que fez a primeira recomendação da história, e a linda Gabriela Martins que ficou esperando pelo oitavo capítulo firme e forte no orkut, vocês são lindas! Quem ainda não segue, SIGA O @EMPERIGO E, sem mais demoras, NÃO ESQUEÇAM DE COMENTAR, vocês sabem o quanto isso é importante pra mim. Até a próxima, beijos! Bia.