Em Perigo

9 Capítulo 9 - Meu mestre


Notas iniciais
Gente, eu to morta! E confesso que não gostei muito de como esse capítulo ficou, mas espero DO FUNDO DO MEU CORAÇÃO que vocês gostem, deem opinião nos COMENTÁRIOS e leiam as notas finais!

O Sol radiante vazava entre as cortinas amareladas gerando certo desconforto, a noite anterior latejava em minha mente como um milhão de agulhas penetrando a fina camada de minha pele de uma só vez: estava estagnada. Os olhos azuis penetrantes ainda estavam em minha cabeça, e o meu pescoço ainda estava dolorido devido às intervenções nada delicadas de meu inimigo. O que fora a noite anterior, jamais conseguiria explicar e esse era o principal motivo que me levava a querer passar o resto do dia exatamente onde estava: em minha cama.

"Bella, já está tarde, levanta dessa cama" Os cutucões de Jenny vinham de todos os lados. "O mestre não ficará nada satisfeito se nos atrasarmos" Um gemido saiu de minha boca ao ouvir a palavra mestre, será que o mundo não entendia que eu queria esquecê-lo e tirá-lo da minha vida ao menos algumas horas? "Aliás, você ainda não me explicou porque chegou toda molhada na noite passada"

"Não tem nada para explicar" Disse, com a voz abafada pelo travesseiro com um repentino mal humor me atingindo. "Já disse que estava procurando minha pulseira e a chuva me pegou" Pensei em explicar que tinha encontrado uma outra pessoa , mas preferi empurrar esse fato para o mais profundo abismo de minha mente, Jenny tinha uma boca bem grande.

"Vai acabar pegando outra gripe, não pode ficar saindo de noite por aí, é perigoso Bella" Dava uma leve bronca com voz de mãe preocupada. Sim, agora sabia que era perigoso, havia criminosos por todo lugar, criminosos que inclusive gostavam de brincar com iniciantes. Sacudi a cabeça espantando os malditos pensamentos, não era momento para pensar nas ações indecifráveis de meu inimigo. "Agora levanta, você já não jantou ontem, não pode ficar sem café da manhã"

Levantei, arrastando-me lentamente até o banheiro, sem vontade alguma de voltar a ver o rosto do maldito Cullen. Encarei rapidamente meu pulso, sentindo uma leve nostalgia por ele estar vazio. Não, não havia encontrado minha pulseira, e não haviam esperanças, a esta altura do campeonato minha pulseira já deveria ter sido arrastada pela água. Engoli o nó que se formava em minha garganta, tinha que ser forte, mesmo que a pulseira não estivesse comigo, as lembranças do meu pai sempre estariam, e eu me agarraria nisso com força.

Olhei no espelho, e apesar das olheiras, parecia bem, parecia forte, talvez fosse só impressão, mas não me deixaria abater, não estragaria minha viagem por causa do traficante, tinha uma cidade inteira para conhecer e treinamentos para realizar, e os faria com sucesso. Tomei uma rápida ducha e me olhei no espelho novamente, dando um leve sorriso, o dia tinha que ser bom.

Mesmo com o Sol radiante, o dia estava frio, como de costume de Londres, descemos as escadas da torre e chegamos ao primeiro andar, onde ficava o enorme refeitório. Em Cleeve Hill não havia separação, todos comíamos juntos, o que gerava um leve frio na barriga, minha testa fincou-se ao cogitar a possibilidade de encontrar novamente com o rosto que atormentara minha noite, sabia que não poderia evitá-lo para sempre, mas procrastinaria o máximo possível.

O refeitório estava preenchido com vários rostos desconhecidos e outros nem tanto, mas para minha felicidade, o criminoso que tanto queria evitar ainda não estava lá, o que me gerou um breve alívio, sentamos em uma mesa vazia, vendo de longe Emmet que conversava alegremente com Alice.

"Você está bem?" Virei para a voz que falava comigo, encontrando com os olhos questionadores de Jen. "Parece preocupada"

"Estou bem" Dei de ombros enfiando um enorme pedaço de pão em minha boca, evitando novas perguntas.

"É impressão minha ou os seguranças do mestre estão acabados?" Observei a cena que Jen descrevia e assisti os seguranças, as enormes olheiras e a breve palidez mostrava que a opinião de Jenny realmente estava certa, eles pareciam muito mais cansados que nos dias comuns.

"Provavelmente trabalham demais, aquele maldito explora os empregados" Revirei os olhos lembrando do infeliz.

"Acho que não Bella" Jen citava ainda com os olhos vidrados na cena. "Eles trabalham demais o tempo todo, e nem por isso ficam com essa aparência de zumbi"

"Posso saber o que as damas tanto discutem?" Emmet chegou sorrindo em nossa mesa, sua polo extremamente branca fazendo uma bela combinação com seu sorriso, deixando-o ainda mais simpático, enquanto despejava uma enorme mordida em uma maçã.

"Estamos tentando descobrir que tipo de trabalho escravo os coitados estão sendo obrigados a fazer" Apontou para a mesa ao lado. "Até eu estou com pena, e olha que eu nem gosto desses caras"

"Parece que o Cullen os enviou para uma missão de madrugada" Disse com o rosto imparcial. "Não soube ao certo sobre isso, mas os vi chegando de manhã, junto com o mestre" Ignorei o leve nervosismo que passou por meu corpo ao ouvir o seu nome e me concentrei na conversa.

"Que tipo de missão?" A curiosidade saltava em meus olhos.

"Não faço a mínima ideia" Deu de ombros, com o ressentimento visível em sua voz. "O mestre costuma me chamar para todas as missões"

"Talvez você não seja mais o queridinho" Jen brincou, direcionando para mim. "Aliás, acho que sabemos quem é a queridinha agora" Soltou uma risada e continuei séria.

"Não sei do está falando" Revirei os olhos. "Não tenho nada a ver com o Cullen"

"Acho que alguém acordou de mal humor" Emmet brincou tocando uma de minhas mãos levemente e dei de ombros tomando novamente um gole do forte café preto, e logo Jenny começou a falar sobre como estava adorando a cidade, e a maravilhosa vista que nosso quarto possuía, meus pensamentos permaneciam vazios, minha mente só conseguia lembrar dos malditos olhos azuis que tanto odiava e das mãos fortes que aquele delinquente possuía.

Foi quando finalmente os vi. Os pés imponentes batiam fortemente no chão e absolutamente todos do refeitório pararam para assistir a cena, como um glorioso cavalo que relinchava, chamando a atenção de todos, o maldito criminoso adentrou o local, preenchendo-o por completo como só ele conseguia fazer. O jeans de lavagem escura fazia uma bela combinação com a já conhecida jaqueta de couro, seus cabelos voavam a cada passo largo, e ele sentou-se ao lado de Alice, com o rosto fechado.

Mas ele não foi o único a entrar pela enorme porta, outra pessoa veio logo atrás, ao contrário do imponente criminoso, era uma mulher que possuía um enorme sorriso no rosto e um olhar de satisfação, simpatia e beleza ecoaram pelas paredes da singela torre enquanto andava em direção a mesa do Cullen, os cachos pretos e longos moviam-se a cada novo passo, com uma incrível suavidade, o corpo esbelto estava coberto por uma apertada calça jeans de lavagem clara e uma blusa branca que deixava seu belo busto à mostra para quem quisesse admirar, mas o que me surpreendeu não foi isso, o que me surpreendeu foi a cena que ocorreu logo em seguida.

A jovem mulher sentou-se ao lado do criminoso e passou lentamente as mãos sobre as madeixas do Cullen, dando uma alta gargalhada e ao contrário do que imaginei, não houve nenhuma discussão, ou briga, ou reclamação da parte dele, apesar de ainda possuir o rosto fechado que estávamos acostumados a assistir, ele permitiu que a impostora continuasse a gargalhar tocando em seus cabelos.

"Quem é essa?" Jen fez a pergunta que latejava em minha mente.

"É a Stela" Emmet logo respondeu. "É apaixonada pelo Cullen desde a infância" Deu de ombros. "Todos os anos ela gruda no Cullen enquanto nos hospedamos aqui"

"Que oferecida!" Jenny deu a sentença, e não concordei ou discordei, na verdade, ainda estava estática, como alguém poderia ser apaixonada pelo Cullen desde a infância?

"Não precisa ter inveja" Emmet deu uma risada. "Apesar de ser um mulherão, o mestre nunca demonstrou nenhum interesse por ela" Jen ainda observava, curiosa. "Na verdade, a coitada leva um não todos os anos" Soltou uma risadinha. "O que é um enorme desperdício, na minha opinião"

Não entendi o motivo, mas um leve incômodo surgiu por vê-la tão perto do Cullen, apesar de não ligar a mínima para as relações pessoais do criminoso, não gostava que alguém conhecesse as fraquezas de meu inimigo antes de mim, afinal, se alguém deveria conhecê-lo, a ponto de poder destruí-lo, esse alguém era eu, e não a mulher dos cabelos negros.

Os olhos azuis encontraram-se com os meus, e os encarei de volta, uma leve faísca saiu de seus olhos e sabia que o meu também faiscava, não de amor ou qualquer sentimento positivo que pudesse existir entre duas pessoas, mas de ódio. De tudo que havia de mais negativo na face da terra, faiscávamos. Eu tinha uma vingança para realizar e a faria na primeira oportunidade que aparecesse, o Cullen pagaria por minha pulseira, pagaria por arrancar uma das únicas coisas boas que havia restado de minha antiga vida, disso eu tinha certeza.

Desviei o olhar, voltando-me para Emmet, o mau humor crescia aos poucos e uma irritação incomodava-me, o refeitório parecia quente demais, apertado demais para tantas pessoas, apertado demais para tantos criminosos.

Tomei o último gole de café e segui para o enorme jardim, que ficava na frente da torre, a brisa me alcançou, gerando um enorme alívio, era como se todo esse tempo eu estivesse prendendo a respiração e finalmente pudesse soltá-la. Fechei os olhos e respirei o ar fresco, sentido-o invadir cada pequeno pedaço de meus pulmões e depois soltando-o lentamente. O sol agora estava tímido, apesar de ainda brilhar forte e a refrescante brisa me fez relaxar.

Por um breve momento, lembrei de casa. Meu quarto, meus móveis, meus amigos da faculdade, que agora eu não tinha nenhum contato, minhas roupas, meus sonhos, algumas semanas e uma vida inteira fora esquecida, ali, observando a relva verde que cobria o chão como um tapete e sentido o oxigênio invadir cada pedaço de mim, eu decidi que estava bem, decidi que venceria. Não estava interessada em provar para o Cullen ou Mabelle que conseguiria ser a criminosa que eles tanto afirmavam que não seria, mesmo que isso fosse extremamente bom, não era meu objetivo principal. Eu precisava ir até o fim porque precisava provar para mim mesma.

Precisava provar que eu conseguiria, que independente de quem interrompesse meu caminho, iria até o fim, que me tornaria enfim uma criminosa. Era tudo tão contraditório, lutava para me transformar em algo que repudiava, lutava para provar a mim mesma que me transformaria em um monstro, assim como a maioria das pessoas daquele maldito cartel, conclui que a vida realmente dava voltas e pregava peças, talvez essa fosse a única verdade sobre a vida, que não importava quem você fosse ou que vida maravilhosa ou trágica pudesse ter levado, ela sempre te surpreenderia e era realmente isso que nos impulsionando para frente, aguardar enormes surpresas da vida era única coisa que nos motivava a seguir em frente, empurrando os dias e anos aos trancos e barrancos, esperando que algo acontecesse e finalmente tudo pudesse valer a pena.

Minha surpresa havia chegado e a vida havia finalmente me virado de cabeça para baixo, mas esperar que tudo valesse a pena era uma enorme mentira, não importava o quanto as coisas mudassem ou quantos maravilhosos eventos ocorressem em nossas vidas, ainda assim, não valeria a pena, as felicidades nunca superariam as tristezas e essa era a terrível realidade que regia a vida de todos, de qualquer forma, ainda assim, continuávamos vivendo, continuávamos insistindo em sermos felizes, mesmo com tristezas ou decepções, no fundo, a esperança que restava nos movia para frente, nos motivando a enfrentar os malditos problemas e por isso éramos vencedores, não importava quantas vezes perdemos ou quantas derrotas nos humilharam, éramos vencedores por ainda continuarmos firmes.

A voz doce do meu pai ressurgiu em minha mente, as poucas palavras que ainda dizia durante o tratamento eram sempre positivas, ele acreditava na cura, apesar do médico dar o diagnóstico final, que não era nada positivo, ainda assim, ele continuava acreditando que tudo ficaria bem no final, e eu sempre invejaria isso, a capacidade de ter fé.

As vozes misturadas dos outros iniciantes chamaram minha atenção e percebi que todos já estavam no campo esperando os treinamentos do dia, observei Jen e Emmet que conversavam de longe, a empolgação presente em cada palavra, apesar de tudo, estavam felizes em estar ali, e talvez eu também estivesse, não sabia explicar, mas algo dentro de mim já os identificavam como minha família, como um ambiente seguro.

Me movi lentamente até o local, esperando pelo treinamento ao lado de Jen, que discutia algo com Emmet. Logo Jacob apareceu com seus jeans justo e sua polo vermelha, puxando um esbelto Andaluz pelas mãos. O cavalo era simplesmente maravilhoso, e galopava levemente exibindo seu porte, uma coloração de tons castanhos com alguns detalhes pretos, as patas mergulhadas em um branco límpido que o deixava ainda mais encantador.

"Bom, como vocês podem ver, hoje a aula será sobre montaria" Alguns murmúrios de admiração surgiram, o cavalo era realmente bonito, e cintilava calmo. "Esse é um belo Andaluzde cinco anos, é um macho, e apesar de não ser muito veloz, é ágil e atlético" Ele sorriu para o cavalo e deu dois tapinhas em sua pele. "Alguns de vocês podem pensar que é inútil conhecer sobre cavalos, ou até mesmo que nunca irão precisar de um, mas posso afirmar que essa belezinha já me tirou de várias encrencas" Deu um sorriso travesso e continuou a explicar. "Há várias raças de cavalos, e é interessante sabermos diferenciá-las, para que possamos escolher o que melhor se encaixa em nossas necessidades"

Continuou falando, enquanto me distraia, olhando para o estábulo. Uma súbita curiosidade me alcançou, fazendo com que desejasse conhecer os outros cavalos. Lentamente fui até o local, enquanto os outros iniciantes ainda permaneciam atentos a aula de Jacob.

A porta estava entreaberta, empurrei fazendo com que um leve gemido fosse ouvido e observei as diversas divisórias que o ambiente possuía, em cada uma delas havia um cavalo diferente. Altos, baixos, filhotes e adultos, eram várias espécies e cores, o que fazia com que qualquer pessoa ficasse maravilhada, alguém ali deveria gostar muito de cavalos. Um em especial me chamou atenção, em um dos últimos compartimentos havia um cavalo retraído, que ao contrário de todos naquele lugar, parecia deslocado, cheguei um pouco mais perto, e com os meus passos, ele também foi para trás, tímido.

Quando finalmente consegui observá-lo de perto, tomei um leve susto ao perceber que o cavalo era completamente diferente, sua cor original era o branco límpido, mas pintas negras cobriam todo o seu corpo, fazendo com que fosse uma versão equina de um dálmatas, fitei inebriada o cavalo diferente, não possuía nenhuma beleza nítida, apesar de ter uma altura razoável, não era mais alto que os outros, nem mais elegante, mas ainda assim, me fascinava.

Cheguei um pouco mais perto, tocando a porta que o separava de mim, estiquei minha mão direita, esperando alguns segundos para que enfim tivesse confiança e se aproximasse, passei levemente minha mão, no rosto do cavalo, que agora parecia menos assustado, fazendo um breve carinho no pelo macio, aos poucos relaxava sob meus toques, fazendo com abrisse um enorme sorriso.

"Você achou minha predileta" A voz suave de Jacob alcançou meus ouvidos, fazendo com que virasse a cabeça levemente para ouvir sua voz. "Então quer dizer que estava fugindo da aula para acariciar meus cavalos" Soltou divertido.

"Desculpe" Dei uma leve risada, um pouco constrangida. "Prometo que ficarei na próxima" Deu de ombros, chegando um pouco mais perto. "Esse cavalo é incrível"

"Essa é a Donna" Ele aproximou-se do cavalo, que relinchou ao ouvir sua voz, reconhecendo o dono. "É a minha favorita" Sorriu, tocando no rosto do alazão. "Ela é uma Berebe, uma raça proveniente do Marrocos" Tocava levemente no cavalo. "Não costuma ser uma raça apreciada no mercado, não são tão elegantes quanto outras, mas possuem força e agilidade inacreditáveis, conseguindo alcançar uma velocidade exorbitante em curto período de tempo, são fantásticos" Dizia fascinado.

Olhei para Donna que estava satisfeita sob os toques do dono, e conclui que realmente era um cavalo incrível.

"A encontrei em uma fazenda aqui perto, os antigos donos a mantinham em regime de escravidão, quando a encontrei, possuía várias marcas de mal tratos e estava muito magra" Observava hipnotizado. "Talvez seja por isso que goste tanto dela, é uma guerreira" Finalmente virou-se para mim dando um breve sorriso.

Mas ao contrário do que pensei Jacob não desviou o olhar, continuou com as órbitas negras firmes nas minhas, um misto de emoções passou por elas, e não pude identificar o motivo de me encarar tão intensamente.

"Você é linda" Disse com um meio sorriso, fazendo com que seus dentes polidamente brancos ficassem um pouco a mostra, um leve nervosismo passou por mim devido a situação constrangedora, meu rosto esquentou e eu tentava formular algo para responder, mas não foi preciso.

"Black" A voz firme de meu maior inimigo interrompeu nossos olhares, fazendo com que enfim desviássemos o olhar para a entrada do local. O Cullen estava com as mesmas roupas que havia visto no refeitório anteriormente, mas havia algo diferente em seu semblante, seu olhar estava rígido sobre Jacob, um misto de desprezo e fúria derramavam-se em suas palavras, e meu coração batia violento dentro do peito. O nervosismo sentido ao lado de Jacob era uma patética onda comparada à tempestade de emoções que o Cullen gerava dentro de mim, em segundos o lugar parecia preenchido e quente demais para que eu pudesse permanecer por muito tempo. "Quantas vezes terei que repetir que quero você longe dos iniciantes?" As palavras eram cuidadosamente vomitadas, atingindo-nos ainda mais ameaçadoras. "Achei que uma vez fosse o suficiente, mas acho que terei que usar outros métodos da próxima vez, não é?"

"Claro que não Senhor" Sua voz tremia levemente, diante da autoridade do Cullen. "Estava apenas mostrando os cavalos"

"Não lhe pago para mostrar nada a ninguém" Disse arrogante. "Pago para que você cuide da propriedade, não dos iniciantes, e não pretendo explicar isso outra vez, estamos entendidos?" A ameaça estava constantemente presente em sua voz fatal, como se a qualquer momento algo ruim pudesse acontecer, como se a qualquer momento o Cullen mostrasse porque possuía tanta autoridade. Até aquele instante não havia dirigido nenhum olhar para mim, como se minha presença nem tivesse sido percebida no local.

"Com certeza senhor" Jacob sinalizou com a cabeça, parecendo levemente contrariado enquanto saía do local, lentamente, lançou um último olha para mim e seu corpo logo sumiu entre os estábulos, batendo a porta.

Enquanto eu observava a minha desgraça, percebi que o traiçoeiro havia me deixado ali, inofensiva, nas mãos de meu inimigo. O estábulo pareceu infinitamente pequeno e apertado para nossos corpos tão diferentes, como se nenhum lugar fosse grande o suficiente para que um sobrevivesse sem que o outro sufocasse. O perfume cítrico preencheu todo o local enquanto o criminoso dava pequenos passos em minha direção, o desespero e o nervosismo me alcançavam aos poucos, algo naquele maldito delinquente fazia com que as piores emoções explodissem dentro de mim. Sufocada demais para pensar, pensei em fugir, mas a ideia me pareceu ainda mais patética, afinal, eu não era o tipo de mulher que fugia de algo, não do Cullen.

"Então quer dizer que você estava conhecendo os cavalos" Sua voz estava carregada de ironia e sarcasmo, os olhos, agora fixos em mim, me avaliaram dos pés a cabeça como, como se eu fosse a única coisa que ele pudesse ver. "Engraçado o Black estar aqui para explicar tudo, muito engraçado" Apesar da ironia, seu rosto continuava fechado, como nuvens carregadas estragando um belo dia de sol, mostrando que apesar das palavras divertidas, não estava brincando.

"Os cavalos são realmente... bonitos" O nervosismo atrapalhava minhas palavras, fazendo com que saíssem desconexas e sem sentido, mas o Cullen não se importou, nem muito menos desviou o olhar. Os azuis viciantes me encaravam com arrogância e exigência, como se eu fosse a pior criminosa do mundo.

"Não gosto quando as pessoas tentam me evitar" Disse firme, a cada nova frase solta pelos lábios pecaminosos, um novo passo era dado em minha direção. "Não gosto quando tentam fugir, isso faz com que eu sinta ainda mais vontade de persegui-las" Mais dois passos em minha direção, e a cada momento estávamos mais próximos, as lembranças da noite anterior voavam rapidamente por minha mente, me alertando: não poderia deixar que aquele episódio se repetisse novamente, não podia entrar nos malditos jogos sujos do criminoso.

"Não sei do que está falando" Tentei fingir firmeza, o que provavelmente não deu certo. "Não estou te evitando"

Um meio sorriso surgiu em seu rosto, demonstrando deboche, era óbvio que não acreditara em minha mentira lavada.

"Tsc" Fez um leve ruído com a boca, mostrando fingida decepção. "Você é uma péssima mentirosa" A raiva crescia aos poucos, as emoções voavam fortes por mim, a presença daquele homem era trágica, trazia os piores sentimentos que pudessem existir.

"Se não quer acreditar, problema seu" Dei de ombros, levantando o nariz em desafio. "Não devo explicação nenhuma a você" Esquivei-me rapidamente do seu corpo, tentando sair do local, mas suas mãos foram mais rápidas, em uma fração de segundos, suas mãos possessivas estavam grudadas em minha cintura, e eu estava com a costa prensada entre uma das paredes do estábulo e seu corpo másculo, meu coração ritmado já não tinha compasso, eu pressentia que a qualquer momento teria um ataque cardíaco devido as mudanças bruscas de meu inimigo, que insistia em manter seu corpo colado ao meu.

"É ai que você se engana" Sua voz rouca soprava em meu ouvido, gerando vários arrepios em todo meu corpo. "Você me deve sim explicações" Seu hálito quente tocava em meu pescoço, fazendo com que eu desejasse senti-lo mais de perto. Era extremamente errado, era meu maior inimigo e o homem mais desprezível que já tivera o desprazer de conhecer, mas ainda assim, meu coração batia acelerado, o que fazia com que meu corpo clamasse por mais. "Quando disse que era minha subordinada, eu não estava brincando" Suas mãos fortes me viraram de frente para ele rapidamente, fazendo com que nossos corpos se chocassem, ficando ainda mais próximos. "Como você deve saber, sou um homem muito, muito egoísta" Seu olhar cobiçoso estava vidrado em meus lábios. "Não gosto de dividir nada com ninguém" Ele direcionou sua boca quente até minha orelha, mordendo e logo em seguida, sugando levemente o lóbulo. "Fique longe do Black" Sua voz soou baixa, mas ainda assim era uma ordem.

Empurrei seu corpo com força para longe do meu, assistindo o maldito sorriso zombador surgir em seu rosto.

"Não sou sua boneca" Disse tentando impor firmeza, apesar das pernas trêmulas. "Você não manda em mim" Saí a passos duros do estábulo sufocante e caminhei até a beira do declive montanhoso, respirando novamente a brisa que ressoava no ambiente, meu coração ainda acelerado, se acalmava aos poucos, o Sol já estava baixo, mas o calor possuía meu corpo por inteiro, reações ao maldito criminoso. Levei minhas mãos à cabeça, em um sinal de desespero, o que estava acontecendo comigo, afinal?

Sentei na grama verde, deixando o vento levar todo meu nervosismo, e o frio levar o calor latente que me dominava segundos atrás, a sensação estranha que sentia cada vez que chegava perto do Cullen me assustava. Era como se durante o tempo em que estava por perto, eu ficasse completamente vulnerável, emocionalmente nua diante de suas táticas sujas, volátil e instável perante seu corpo, que era fogo, derretida e submissa, diante de sua voz autoritária e suas ordens exigentes. Aquela não era eu! O desespero me atingia em sua presença justamente por isso, porque ele me fazia ser outra pessoa, o criminoso desencadeava uma séria de reações inconsequentes dentro de mim, fazendo com que o meu raciocínio lógico sumisse diante de seu perfume cítrico que me sufocava, e que meu juízo, sempre tão presente, fosse para o espaço, para o inferno, para o raio que o parta, para qualquer lugar que fosse distante de nós.

Era exatamente disso que tinha medo, não podia ficar sozinha com aquele homem, não com o maior criminoso do país, naqueles poucos dias confirmei o que sabia desde o começo: ele era insistente, não uma insistência breve, que logo passava, mas daquelas que infernizam, daquelas que não nos deixam descansar. O maldito criminoso me queria como um novo troféu em sua coleção, mas não conseguiria, não me dobraria diante do maldito criminoso, provaria para que havia sim muitas coisas na vida que ele não poderia ter e eu seria uma delas.

"Está pensando que está no hotel, querida?" A voz aguada de Mabelle alcançou meus tímpanos gerando um leve incômodo. "Levanta essa bunda daí"

"Estamos no horário de almoço Mabelle, não enche" Murmurei irritada.

"Você esqueceu que não fez o treinamento do penhasco?" Sorriu sonsa para mim. "Terá que repor fazendo outro treinamento, e esse é o único horário que tenho para fazê-lo, então, vamos logo"

Levantei contrariada, seguindo-a, enquanto ela se movia em direção aos pastos, um pequeno cutelo estava em suas mãos, e me sentia levemente apreensiva por isso, se ela me levasse para um lugar bem distante e me matasse com um cutelo, certamente ninguém conseguiria chegar a tempo para me salvar. Espantei os patéticos pensamento e me concentrei na longa caminhada, após alguns minutos, finalmente paramos.

"Pronto, é aqui" Ela esticou o cutelo para mim, e eu logo o peguei. "Pode ir" Disse firme.

"Ir para onde?" Fiz a pergunta óbvia, revirou os olhos drasticamente, apontando para o meio do mato.

"Você terá que matá-lo" Olhei para o local, e um pequeno filhote de carneiro comia grama tranquilamente. Um súbito nervosismo me atingiu ao perceber que o bicho inofensivo teria que ser morto por minhas mãos.

"Mas que raio de treinamento é esse?" Virei revoltada para ela. "É um desperdício matar um animal tão novo"

"Você não tem que questionar nada, só mate e pronto" Cruzou os braços enquanto esperava que eu o fizesse. "Você precisa se acostumar a matar coisas, Swan"

Olhei determinada para o pequeno carneiro, tentando focá-lo. O pequeno animal se movia tranquilo, como se nenhum perigo pudesse atingi-lo, como se mal nenhum estivesse naquele lugar.

Mabelle bufou irritada com minha indecisão e puxou rapidamente um revólver de sua cintura mirando no pequeno animal, mas antes que ela pudesse atirar, corri em sua direção, batendo em seu braço. O tiro não foi na direção desejada, fazendo com que pegasse no pequeno animal apenas de raspão. O susto fez com que o animal saísse correndo, sumindo entre as plantações.

"Você é louca?" Gritou em minha direção. "Podia ter se machucado"

"A louca é você, que não consegue ver algo sem querer destruir" A encarei firme.

"Você não passa de uma fraca" Cuspiu a frase, e saiu a passos largo, deixando-me sozinha no meio da solitária plantação, pensando que o destino queria me tirar do sério, ao colocar o Cullen e Mabelle na minha vida ao mesmo tempo, maldito Cartel!

*

O sol reclinou-se rapidamente naquele dia e após vários treinamentos durante a parte da tarde, finalmente fomos liberados para descansarmos. No Cartel inteiro a única notícia que rondava era a festa que teria em uma enorme fazenda próxima de Clivee Hill, segundo Emmet, essa festa ocorria todas as semanas, onde o Cartel e os iniciantes costumavam se divertir.

Apesar do cansaço me animei para ir, afinal, todos estariam lá. Jen escolhera um simples vestido floral e eu vestiria um básico vestido preto, com minha jaqueta de couro por cima, já que o frio estava acentuado aquela noite.

Estávamos atrasados, as motos já haviam partido, fazendo com que nós ficássemos por último. Jen subiu na garupa de Emmet e fui com Jasper, que insistiu em nos esperar, a festa era realmente simples e juntava quase todas as pessoas da pequena cidade fazendo com que estivesse lotada em todos os ambientes. A festa era em uma das pequenas colinas que a fazenda possuía, sobre o pasto, com mesas espalhadas e uma música animada ao fundo.

Emmet e Jen ficaram no salão inferior, conversando com alguns traficantes antigos do cartel enquanto eu olhava interessada para a parte superior, que estava vazia. Subi as escadas, indo em direção ao local, que era ainda mais ventilado. O pequeno ambiente estava um pouco escuro já que não possuía iluminação própria, mas me possibilitava assistir toda a festa, que acontecia no andar de baixo. Encostei-me levemente no corrimão, observando Emmet e Jen de longe, quando senti alguém se aproximar.

"Acho que não tenho permissão para falar com você" Jacob sorriu amarelo para mim um pouco sem graça.

"Sinto muito por hoje de manhã, o Cullen é um tremendo babaca" Revirei os olhos, evitando lembrar da cena, evitando lembrar do Cullen.

"Não me importo com ele" Deu de ombros. "Para falar a verdade, não tenho medo dele e não vou me afastar de você" Sorriu para mim, e eu me senti levemente desconfortável com a proximidade, apenas dei um sorriso, e ele logo saiu com a desculpa de buscar bebidas para nós dois.

Avaliei o salão inteiro e por fim o encontrei. Estava de costas para mim, mas ainda assim conseguia reconhece-lo, ao seu lado direito estava Alice, que sorria animada contando algo e do outro estava a impostora dos cabelos negros, que também falava animadamente. Avaliei os dois e apesar do Cullen possuir o semblante fechado de sempre, conclui com um certo pesar que ele fazia uma boa combinação com Stela.

O corpo escultural da mulher e as roupas justas mostravam que ela não estava ali para brincadeiras, mas apesar do rosto sempre bem humorado que possuía, algo nela não me passava confiança, o que fazia com que fosse ainda mais parecida com o Cullen, os dois pareciam perigosos.

"Se eu fosse você, não o desejaria" A voz de Mabelle chegou de repente me tirando dos pensamentos. "Ele não combina com você"

"Mas do é que está falando?" Virei de lado para observá-la melhor, seu corpo também estava inclinado sob o corrimão e olhava para o Cullen.

"Que eles fazem um ótimo par, você nunca teria chance" Soltou um meio sorriso irônico, soltei uma risada falsa, um pouco nervosa.

"Não tenho intenções de ser o brinquedo do Cullen" Disse firmemente.

"Conheço os olhares, Swan" Virou-se arrogante. "Não me importo se gosta dele ou não" Deu de ombros. "Mas ldigo uma coisa, você nunca teria chance" Frisou bem as palavras. "Talvez até pudesse dormir com você algumas noites, mas o coração do Cullen" Deu uma pequena pausa. "Mulher alguma jamais vai alcançar, ele é de gelo" Não sei porque, mas porque alguns momentos realmente parecia querer me alertar, como se estivesse com um breve surto de compaixão. "Se ele tivesse que escolher alguém, com certeza seria ela" Apontou com a cabeça. "Ele gosta de mulheres, Swan, não de garotinhas, então se fosse você, caia fora" Disse e simplesmente se foi, voltando ao andar inferior.

Não sei explicar, mas um enorme incômodo surgiu em meu peito. Não tinha motivos para deixar as loucuras de Mabelle me incomodar, não o queria, era óbvio que não, mas saber que talvez eu não fosse suficiente para ele me incomodava. Encarei o local mais uma vez e agora o olhar dele era concentrado em mim. Desviei, descendo as escadas. Estava com vontade enorme de ir embora.

Para a minha sorte, Emmet já estava de saída, devido ao plantão de segurança da torre naquela noite. Jen e Jasper também voltaram conosco, alegando que festas em lugares interioranos eram extremamente monótonas.

Chegamos ao quarto e logo deitei em minha cama, me sentindo exausta. O dia passava por minha mente como um filme: os cavalos, o apertado estábulo, o perfume cítrico do Cullen me intoxicando, o pequeno carneiro fugindo de Mabelle, o belo rosto de Jacob e finalmente a impostora. Lembrar que eu não era suficiente para um criminoso, que não tinha tudo que uma mulher deveria ter me deixava levemente ofendida, não sabia porque, mas queria ser suficiente.

Logo os meus olhos se fecharam e sonhos mesclados tomaram conta de minha mente, uma confusão de imagens se misturavam, juntando episódios de quando era criança, com alguns da adolescência e do dia anterior, a confusão mudava de cores e pessoas a todo instante, mas uma coisa era constante: os malditos olhos azuis.

"Bella" Jen me sacodia. "Caramba Bella, acorda, seu celular está tocando"

"O que?" Perguntei sonolenta.

"O celular" Apontou para a mesa de cabeceira, e logo peguei o objeto que tremia, tocando uma alta música. Jen voltou para a própria cama, e sai do quarto para atende-lo.



"Alô?" Perguntei, um pouco confusa com a hora; desci as escadas, indo em direção ao jardim, onde o sinal era melhor.

"Bella?" A voz maternal soou em meus ouvidos. "Filha, que saudade"

"Mãe" Uma leve surpresa passou pelo meu rosto. "Como a senhora está?"

"Estou ótima, desculpe ligar tão tarde, mas parece que esse é o único horário que você tem" A voz parecia levemente culpada.

"Relaxa mãe, não tem problema" Sorri, passando as mãos no rosto.

"Não posso falar muito, daqui a pouco estou pegando um vôo para San Franscico" Disse apressada. "Só queria ouvir sua voz mesmo" Confessou e eu soltei uma risada.

"Está tudo bem por aqui mãe, não se preocupe" Disse divertida.

"Ah, disso eu não tenho dúvidas, aliás, mande um beijo para o seu chefe e diga que o quero o mais rápido possível para jantar aqui em casa" Revirei os olhos irritada, maldito ator!

"Claro, claro" Desconversei.

"Preciso ir querida, um beijo" E logo desligou.

A lua cheia brilhava radiante no céu e eu voltava para o quarto quando ouvi um pequeno ruído. Vi algo se mover entre as folhagens e logo imaginei que fosse algum animal, caminhei até o local, procurando, mas não havia resposta. O vento gelado batia com força em meu rosto e andando por alguns minutos terminei alcançando a porta do estábulo, que ainda estava entreaberta.

Entrei lentamente na escuridão do local, quando duas fortes mãos grudaram em minha boca e me agarraram para dentro do local. Me movimentei com força, tentando espernear e gritar, mas as mãos não me deixaram escapar.

"Silêncio" Reconheci o hálito quente que batia em meu pescoço. "Sou eu, fica quieta" O Cullen sussurrou para mim e pensei que só poderia ser carma.

"Mas o que você está fazendo aqui, no escuro?" Perguntei confusa.

"Tem alguém aqui" Sussurrou com os olhos atentos a qualquer movimento que pudesse ocorrer, estava agachado, e eu estava praticamente sentada em seu colo, enquanto um de seus fortes braços circundava minha cintura, apoiando-me, e o outro, ainda repousava em minha boca. O ruído soou novamente fazendo com que o Cullen lentamente me colocasse no chão, atrás da parede, e ficasse abaixado ainda na mesma posição de ataque.

Tão rápido que não pude perceber o Cullen já estava de pé com seu revólver nas mãos, e um corpo já estava no chão, derramando sangue por todo lugar, com dois tiros exatamente na testa.

"Meu Deus!" Exclamei ainda em choque com a cena lembrando do dia em que eu mesma matara um homem para salvar o criminoso, a vertigem me atingia aos poucos enquanto o cheiro de sangue alcançava todo o ambiente.

"É o terceiro invasor só nessa semana, isso não me parece mais coincidência" O Cullen parecia mais falar consigo mesmo do que exatamente comigo.

A tontura chegava aos poucos e me encostei novamente na parede para não me desequilibrar. O Cullen virou-se para mim como se lembrasse que eu ainda estava no local.

"Tem que se acostumar com isso, não pode desmaiar toda vez que ver alguém morrer" Lançou um olhar zombador para mim, a voz da Mabelle em meu ouvido repetia que era exatamente por isso que nunca seria a mulher perfeita. Você é uma fraca.

Discou alguns números em seu telefone, provalmente comunicando o ocorrido ao setor de segurança. Em pouco tempo os homens entraram no local. Passei por eles com pressa e saí do local, ainda cambaleando, sentindo a presença do Cullen logo atrás de mim.

"Eu não sou tão fraca quanto pareço" Virei para ele gesticulando. "Sou forte, posso vencer essas coisas" Disse firmemente, talvez querendo provar para mim mesmo que realmente era forte, mas o que realmente me surpreendeu foi a frase que veio logo em seguida.

"É claro que pode" Ele afirmou sério. "Mas precisa da minha ajuda para isso" Cruzou os braços, encostando-se levemente na parede.

"O que está querendo dizer?" Perguntei confusa, ainda falando alto.

"Que posso ser seu professor" Andou alguns passos em minha direção. "Posso ensinar a você como ser uma criminosa" Seus olhos saltavam de excitação, e as idéias voavam confusas por minha mente. "Você pode ser forte Bella, pode impor respeito por onde passar" Estava vidrado em mim. "Se você quiser, posso fazer de você a pior criminosa do país"

"E o que você ganharia com isso?" Perguntei desconfiada.

"Ganharia favores" Deu de ombros.

"Que tipo de favores?" Encarei os penetrantes olhos azuis.

"Você não precisa se preocupar com isso agora, no momento certo saberá" Afirmou sincero. "É pegar ou largar Swan, você quer ou não quer ser uma grande criminosa?"

O coração acelerava aos poucos, e a adrenalina atingia minhas veias, me impedindo de raciocinar, mas em uma fração de segundos eu percebi que Mabelle estava errada, que eu poderia sim ser forte, ser a criminosa à altura do Cullen, aquela era minha chance e eu não pensaria duas vezes.

"Sim" Disse firmemente e um sorriso maligno surgiu em seu rosto.

"Acordo feito, então?" Esticou uma das mãos, que eu avaliei por alguns segundos.

Eu já havia perdido tudo, era obrigada a fazer parte de um Cartel de drogas, passara por vários problemas naquele lugar e perdera tudo o que eu tinha antes, agora não tinha mais opção: iria me jogar de cabeça no cartel.

"Feito" Apertei firmemente a mão do Cullen com a certeza de que em breve, eu seria uma verdadeira criminosa.

O Cullen se arrependeria amargamente por me ajudar a derrotá-lo.

Notas finais
Gente do céu, essa semana foi SUPER cansativa, de verdade. Pra vocês terem idéia, são três e meia da manhã, vou viajar amanhã e ainda to sem fazer a mala, SOCORRO! Mas enfim, primeiramente QUERIA AGRADECER OS LINDOS COMENTÁRIOS DE VOCÊS, sério, até me emociono com alguns, vocês me fazem muuuuito feliz, e cada comentário me estimula a ser cada vez melhor, então CONTINUEM COMENTANDO E DANDO A OPINIÃO! Queria agradecer também as três recomendações, eu fico quicando de felicidade quando leio essas coisas, sério. Vocês podem até não sabem, mas eu gravo o nome de cada uma de vocês que comentam, sério hahaahah To com muito sono e preciso dormir, MAS ANTES, VOCÊ QUE AINDA NÃO SEGUE O @EMPERIGO, SIGA!! É super importante, pra vocês ficarem sabendo das coisas. Espero do fundo do meu pobre coração que vocês tenham gostado, e obrigada a todas que gastam tempo conversando comigo, vocês são linda. Ps: pra quem ainda tem dúvida sobre o dia de postagem, normalmente é QUARTA-FEIRA de noite, ou de madrugada hehehe Um super beijo, Bia.