Em Perigo

16 Capítulo 16 - Minha fera


Notas iniciais
NÃO ME MATEM POR FAVOR, eu sei que demorei, mas tenho minhas explicações! Leiam, e a gente conversa nas notas finais!

O céu nublado típico de Londres contrapunha-se ao meu estado de espírito, de alguma forma estranha me sentia leve desde a minha volta do fim de semana, como se tudo estivesse em seu devido lugar.

A fome mundial continuava em alta escala, pessoas continuavam morrendo diariamente por causa da violência, e corruptos ainda estavam no poder, porém, por algum motivo mais forte que tudo isso, eu continuava estranhamente... satisfeita.

Não sabia ao certo o que estava acontecendo, mas as coisas pareciam fluir facilmente desde o dia em que havia voltado ao cartel e isso me deixava tranquila.

O dia extra com a minha família passou surpreendentemente lento e tedioso, costumava me divertir bastando com meus avós, mas a enorme casa parecia silenciosa demais sem os antigos visitantes, aliás, parecia extremamente silenciosa sem o autoritário par de olhos azuis para me decifrar.

Agradeci aos céus por Rosalie finalmente ter ido embora, não disse o motivo, mas saiu mais cedo com a desculpa de que Rebecca tinha provas escolares, apesar das desculpas falsas, fiquei feliz por ela possuir o mínimo de vergonha na cara. Não tinha engolido a cena da noite anterior, mas não pretendia gastar nem um por cento de meu esforço tentando ser simpática com quem não merecia.

A volta para o Cartel foi tranquila, Jamie e Marie haviam me levado até Londres e tomei o devido cuidado para que fosse deixada em casa, não no Cartel. Marie apresentou um estranho incômodo na longa viagem frisando que deveria ter cuidado com as atividades que fazia na empresa, que não deveria me arriscar e precisava de cuidado para não me machucar, pela feição retorcida de meu avô, ele assim como eu, não entendeu o porquê de tanta preocupação.

Arriscaria dizer que a preocupação de Marie estava acompanhada com um leve toque de desconfiança, como se desconfiasse que a empresa na verdade era um Cartel, como se soubesse de minha vida dupla. Um nervosismo passou por meu corpo ao cogitar essa opção, mas logo a espantei, se Marie soubesse de algo já teria se movido para impedir minha volta, a conhecia muito bem e sabia que não era o tipo de pessoa que deixava detalhes passarem despercebidos.

Lembrei da estranha conversa que encontrei na cozinha do Chalé, o rosto grave do Cullen denunciava que a conversa não era sobre a empresa como ela afirmara, sabia que algo havia se passado entre os dois, mas preferi ignorar, afinal, não poderia interrogá-la por conversar a sós com meu inimigo.

Os dias no Cartel passavam rápidos e os novatos ainda não podiam entrar em missões, fato que me deixava extremamente estressada. Nos últimos quatro meses de treinamento tínhamos aprendido sobre as mais diversas formas de matar um inimigo, como sair com vida de uma situação de perigo e até aprendemos as mais eficientes técnicas de tortura do século XXI.

Porém, apesar de todo o longo treino durante as semanas a única tarefa que recebíamos eram tarefas de cunho doméstico. Os iniciantes eram responsáveis por lavar os banheiros, capinar os jardins de todas as propriedades, arrumar as coisas após o término das missões, como lavar facas sujas de sangue e limpar os ferimentos dos mafiosos do cartel que voltavam machucados, e várias outras atividades patéticas, era como se fôssemos empregados, e isso só me irritava ainda mais.

O máximo de contato que já existente com uma missão de verdade era em um dos casos de Emmet, em que ele me pediu para fazer uma pesquisa sobre a filha do contrabandista que o Cartel queria eliminar, mas só isso, quando implorei para que me deixasse ir com ele ao local, simplesmente voltou-se para mim e afirmou que o "mestre" havia dado ordens específicas ao meu respeito e que não tinha permissão para me levar às missões.

Não posso explicar com palavras o tamanho da frustração que passou por mim, o mafioso tinha que se meter em tudo que me envolvia, simplesmente odiava a sensação de ter que me submeter ao criminoso. Sabia que todo aquele lugar era regido por suas preciosas regras. Desde o primeiro dia em que havia pisado os pés no Cartel, nada havia mudado: os funcionários, dos cargos mais baixos, até os mais altos, o admiravam e praticamente o aclamavam. Com toda sua arrogância caminhava entre os subordinados, e a atenção de todos logo acompanhavam sua caminhada, para observá-lo com respeito. Só imaginava o quanto eram tolos e alienados. O Cullen era um babaca total.

Diversos pais de famílias foram obrigados a deixar emprego para se infiltrar naquele lugar e ainda assim, o admiravam. Era algo que certamente jamais faria sentido, sabia que as condições no Cartel não eram precárias, pelo contrário, a partir do momento em que você mostrava seu valor lá dentro, ganhava muito dinheiro e prestígio, o que causava bastante satisfação, porém, todos esqueciam tudo o que tinham passado por causa do mafioso? Assim, tão rápido?



Porém, o exato problema que martelava em minha mente era este, ainda lembrava com pesar do tiro mortal que partiu de minhas mãos e do corpo caído aos meus pés e ao lembrar que o motivo de minha primeira morte foi meu inimigo, me odiava mais um pouco. Porque parecia que tudo em minha vida nos últimos tempos tinha algo relacionado ao mafioso?

Enquanto andava pelos corredores longos da ala Norte, notei um pequeno brilho pendendo em meu pulso esquerdo e observei com orgulho o novo pingente. De alguma forma o Cullen havia me presenteado com algo que realmente parecia comigo, como se me mostrasse quem eu seria daquele dia em diante, em quem estava me tornando, aquela pulseira demonstrava a combinação e o equilíbrio perfeito entre o passado e o futuro.

Como se ao olhar para a pulseira não quisesse que eu perdesse muitos minutos desejando o que tive de volta, como se tentasse me obrigar a lembrar quem era a partir de agora, de alguma forma, o pingente só mostrava o quanto pertencia ao Cartel e o quanto estava cada vez mais presa e pela primeira vez, não me incomodei com a afirmação, parecia até correto que estivesse ali.

A bota firme denunciava os passos no chão e notei surpresa a calmaria dos corredores, naquela manhã Jenny não estava no quarto, o que era estranho, já que sempre me acordava para tomar café, mas deixei de lado, afinal, não me importava muito em realizar as refeições. O castelo, estranhamente silencioso para um Cartel de drogas, parecia até mesmo carregar um pouco de harmonia, parecia me trazer um pouco mais de paz naquele dia frio.

Revirei os olhos para mim mesma, pensando no quanto estava estranha ultimamente, que pensamentos eram aqueles? Sacudi a cabeça e toquei a maçaneta da porta, dando de cara com o rosto conhecido que não estava vendo ultimamente.

"Tenho que marcar horário para falar com você, agora?" O rosto de Emmet se desprendeu do computador, no qual estava concentrado, voltando sua atenção para mim.

"Bella!" Exclamou, com o rosto iluminando aos poucos, com um sorriso no rosto. "Vem cá" Me chamou para perto e sentei ao seu lado. "Parece que faz uma eternidade que não te vejo" As palavras, apesar de sinceras, saiam com um misto de ansiedade, que não era típico de Emm.

"Cadê seus nerds da computação?" Observei a sala vazia, notando que os diversos computadores estavam desligados e as cadeiras vazias.

"Estão em uma missão especial, nada muito interessante" Concordei, estranhando. Era incomum que os subordinados de Emm estivessem fora de seus postos já que a vigilância precisava ser feita vinte e quatro horas por dia, mas percebi que para tudo tinha uma primeira vez. Observei o computador, onde Emmet rastreava os programas da CIA e tinha acesso à informações sigilosas de pessoas nos quatro cantos do mundo.

Emmet me explicou anteriormente como funcionavam os programas, o rastreamento podia ser feito em qualquer parte do mundo, precisava apenas de dados como nome ou lugar onde a pessoa se encontrava na última vez em que foi vista e o próprio sistema se responsabilizava para oferecer, em poucos minutos, todos os dados desejados.

"Pronto, aqui" Chamou minha atenção e uma enorme foto apareceu na tela. Um belo homem estava contido nela, o rosto anguloso e os cabelos curtos, mostravam sua aparência diferente, os olhos negros eram carregados de sagacidade, e apenas pela foto, pude perceber que ele era um criminoso.

"Quem é?" Perguntei para Emmet e ele deu uma risada.

"Tiziano" Delatou com respeito e divertimento. "Uma das pessoas que o mestre mais odeia" Afirmou e ao ouvir a palavra mestre passei a prestar mais atenção. "Nosso maior divertimento nas horas livres é roubar as cargas de suas rotas" Franzi o cenho, sem entender. "Ele é líder do cartel de Sinaloa, no México"

"E porquê o Cullen o odeia?" Entendia que existia toda aquela rivalidade entre líderes de cartéis, mas o Cullen devia odiá-lo por algo além disso, apesar de saber que ser alvo do ódio do mafioso não era assim tão difícil.

"Você terá que perguntar isso a ele" Emm disse como se desculpando, mas por algum motivo, entendi que tinha algo por trás e Emmet sabia. "Está vendo" Apontou para o computador, livrando-me dos pensamentos. "Todas as informações dele estão na tela" Uma lista de dados apareceram de repente, e em segundos, encontramos todas as informações necessárias para o que quer que fosse. "Esse programa não é genial?" Concordei, notando algo errado.

Emmet não costumava me mostrar informações do cartel, pelo contrário, sempre me afirmava que quanto menos soubesse, melhor, algo me afirmava que havia algo estranho acontecendo e não conseguia perceber o que era, ele notou minha indecisão com insegurança.

"Emmet, onde estão seus subordinados?" Perguntei mais uma vez, observando a enorme sala vazia.

"Já disse" Os olhos verdes fugiam dos meus. "Estão em uma missão especial"

"Que missão é essa?" Interroguei. "Emmet" Disse em tom de aviso.

"Não tenho permissão para falar, Bella" Soltou o ar, derrotado. "Você não deveria ter vindo aqui e..."

"Peraí" Raciocinei. "Jenny não estava no quarto" Os olhos verdes me analisavam esperando que eu terminasse o raciocínio. "E não ví nenhum iniciante no castelo hoje" Os olhos denunciavam que eu estava próxima da verdade. "Para onde eles foram?" Senti meu coração acelerar e levantei da cadeira. "Fala Emmet!" Ordenei.

"Eles devem estar saindo agora mesmo" Consultou o relógio, confirmando. "Estão indo para a primeira missão" Confessou derrotado e uma onda de eletricidade percorreu por todo o meu corpo. Ouvi meu nome ser chamado uma ou duas vezes, mas não parei, meus pés, no impulso de alcançar, corriam velozmente enquanto a cólera tomava de mim aos poucos.

Era por isso que não encontrei ninguém no castelo, por isso que tudo estava tão silencioso, os iniciantes estavam indo para a primeira missão e eu era a estúpida que tinha ficado. Não sabia o motivo de estar fora de uma missão que todos haviam sido convocados, mas não deixaria que aquilo me impedisse, daria um jeito de ir com os outros para a missão, nem que fosse a última coisa que eu fizesse.

*

O frio e a enorme quantidade de iniciantes eufóricos e com tendências a praticar estupidez me deixava estressado e com tédio, se a missão fosse feita por mafiosos experientes do Cartel certamente já estaria concluída, mas não, eu insistia em dar ouvidos à Alice, e decidi experimentá-los de uma vez, o que automaticamente acabava com meu dia normal e o transformava em um dia especificamente estressante.

A missão era simples e mesmo que a estupidez dos iniciantes estragasse com algo, seria fácil de concertar, precisávamos entregar um carregamento de drogas em uma área vistoriada pela polícia, pelo menos, isso foi o que contamos à eles, dando ênfase na informação que a polícia realmente matava os traficantes que insistiam em contrabandear armas e drogas no local.

Porém, o que eles não sabiam, era que toda milícia londrina era corrupta. Não tínhamos problemas com a polícia, pois não havia policiais que ousavam se intrometer em meus negócios, assegurávamos que eles saíssem satisfeitos das transações com gordas quantias em dinheiro, as vezes, eles até facilitavam e escoltavam nossas missões e auxiliavam na entrega das drogas. O país era lotado de gente podre, e eu simplesmente adorava isso, facilitava demais as coisas para mim.

Os policiais locais foram previamente consultados por nossa equipe sobre nossa entrega e a ordem era particularmente que atacassem com ímpeto os novatos, eles precisavam ter noção da realidade e a única restrição que os militares receberam era a de matar, o resto ficava por conta deles.

Os policiais não eram nosso obstáculo, e sim, os outros mafiosos. No ramo do contrabando diversos outros cartéis espalhados pelo mundo lutavam entre si, quem ganhasse, ficaria com o título e com os melhores pontos de contrabando. Claro, o título era meu e também todos os melhores pontos, era exatamente por isso que o perigo aumentava, todos os líderes de cartel desejavam tomar meu posto e livrar o mundo do meu cartel. Para exterminar o meu Cartel precisariam de muita estratégia e suor e eles sabiam disso.

Era exatamente por isso que absolutamente ninguém tentava me alcançar, os mafiosos eram ardilosos e sabiam que não poderiam chegar até mim, portanto, tentariam a todo custo alcançar os iniciantes. Em missões como aquela já tínhamos perdido a conta de quantos iniciantes promissores tinham morrido por pensarem que estavam prontos e eram bons de mais, terminaram debaixo da terra por confiarem nas próprias habilidades, quando se tratava de criminosos todo o cuidado era pouco.

Sabia que só quatorze iniciantes estavam presentes, um dos iniciantes não estava lá, um iniciante que eu conhecia muito bem. Isabella era promissora, tinha um talento extraordinário para oferecer ao Cartel, mas tinha o péssimo defeito de confiar demais em si. Sim, ela pensava que estava pronta para qualquer coisa, mas precisava treinar muitas habilidades ainda. Isabella possuía uma coisa que nenhum dos outros iniciantes possuíam: coragem. Era uma característica fantástica para o Cartel, mas também um alvo especialmente apetitoso para meus concorrentes. Era exatamente isso que me preocupava, sabia que se alguém estivesse correndo risco de vida, ela não temeria em se enfiar na frente da pessoa e sofrer o tiro por ela, sabia que ela não pensaria duas vezes em arriscar a vida pelo Cartel.

Emmet interceptou alguns outros mafiosos de Cartéis concorrentes e todos afirmaram seus alvos: Isabella Swan. O maldito rumor de alguém da confiança do mestre com esse nome havia se espalhado por todos os Cartéis. Uma suposta subordinada especial, era o que afirmavam.



Isabella possuía a mais ruim das combinações: bom coração e coragem. Criminosos não tinham ética, não tinham pena, não tinham dó, estavam prontos para conseguir o que queriam e não temiam em exterminar quem quer que fosse para alcançar seus objetivos, porém, tinha plena consciência de que a rebelde apesar de colocar suas unhas para fora com bastante frequência, não era uma criminosa. Era uma das únicas no Cartel que ainda não perdeu sua humanidade e por algum motivo que fugia de meu entendimento, queria preservar isso.

Não me importava com a vida dela e tentava afirmar essa alegação quase que diariamente para mim mesmo, justificava minhas atitudes com base no carinho que Alice desenvolvera por ela, além disso, Cida também relatou dias antes de que a garota tinha um ótimo relacionamento com Gabriel e até mesmo com Lizzie. Motivos já bem convincentes para deixar a mafiosa de fora da missão.

Odiava o papel de guardião, mas precisaria dela no futuro, sabia que somente ela teria coragem suficiente para participar de meus planos, portanto, convenci a mim mesmo que ela viveria e até seria engraçado ver sua reação quando voltasse, quando descobrisse que todos os iniciantes haviam participado de uma missão, menos ela.

As motos enfileiradas já estavam prontas para partir e todos já tinham suas coordenadas, porém, antes que eu subisse e desse partida na reluzente Suzuki notei que o espetáculo seria exatamente naquele momento. Com pés violentamente pisando no chão e rosto em chamas, Isabella vinha até mim com o ódio visivelmente pulsando em cada fibra de seu ser, certamente seria interessante, cruzei os braços e esperei tranquilamente que chegasse até mim.

"Posso saber o motivo de não ser convocada para a missão?" O tom alto mostrava que se pudesse estaria enfiando uma bala em minha testa.

"Simples" Dei de ombros, virando-me de costa e subindo na Suzuki. "Porque você não vai" A mão firme segurou em minha jaqueta e me puxou para fora da moto, quando estava com raiva a garota realmente tinha força, porém, tudo aquilo mais me divertia do que estressava.

"Todos os iniciantes estão indo, todos eles!" Apontou, quase salivando de ódio, nesse momento, todos já assistiam a cena da mulher que tinha coragem de questionar o mestre e de alguma forma aquilo não me ofendia, era um orgulho saber que existia no Cartel alguém com tal devoltura. "Eu tenho direito de ir também!"

"Você não tem direito a porra nenhuma" Afirmei, querendo terminar com a cena, o tempo estava calculado e não poderíamos ficar mais tempo no cartel, precisávamos sair dali o mais rápido possível. "Se digo que você não vai, você não vai e ponto final" Virei e subi na moto, ela não me segurou, mas fincou os pés à frente da moto para me impedir de sair.

"Porque estou fora?" Exclamou com indignação.

"Saia da frente Isabella, não tenho mais tempo para perder com você"

"Quero saber por que não estou indo como os outros iniciantes" Continuou firme.

"Saia logo da frente Isabella, estou ordenando!" Encarei seu rosto, sentindo o estresse tomando conta de mim aos poucos.

"Quero saber por quê!" Gritou e algo dentro de mim acendeu, não deixaria uma garota gritar comigo na frente de vários subordinados.

"Porque não quero" Levantei da moto me aproximando dela e puxando com força o seu pulso. "Porque isso aqui é coisa séria e não tenho tempo para perder sendo sua babá, se você quer ir às missões, treine e faça a porra de algo que preste, porquê até agora tudo o que você me deu foi prejuízo" Afirmei em seu rosto e todos se calaram ao nosso redor, esperando por uma reação, porém, ela simplesmente ficou calada, me encarando com os olhos vazios e por mais patético que pareça, algo dentro de mim se apertou por vê-la me encarando com mortificação. "Agora saia da frente e pare de gastar nosso tempo"

Sabia que estava mentindo e certamente aquela mentira ia para a lista de acusações que Deus teria contra mim no julgamento final, porém, também sabia que era o único jeito que tinha para que Isabella não fosse, a rebelde odiava ser um fardo para os outros e para impedi-la de ir, teria que fazê-la acreditar que não era capaz. Não me importava se ela ia me odiar ainda mais devido às minhas palavras, não poderia deixá-la se machucar ou até mesmo perder a vida.

Afirmava que todo meu esforço em protegê-la era por Cida e meus futuros planos aos quais ela serviria, porém, algo dentro de mim me acusava por minha mentira, fato que prontamente ignorei.

Dei a ordem e as motocicletas e carros saíram pelo portão velozmente, pisei no acelerador, ido para frente com a Suzuki, não sem antes lançar um último olhar pelo retrovisor para a garota solitária que estava na calçada, ainda me encarando com olhos de felina.

Naquele momento percebi que se olhares matassem, certamente estaria morto.

E da pior morte possível.

*

Os passos duros faziam o chão ranger e as mãos estavam tão fechadas, que chegavam a ferir a palma da minha mão, não conseguia descrever minha raiva em palavras, somente repetia o mantra em minha mente: Odeio Edward Cullen, odeio Edward Cullen, odeio Edward Cullen.

"Odeio!" Gritei, em meio aos corredores vazios de pessoas, porém, minha humilhação foi tanta que preenchia todo o castelo. Estúpido, grosso, babaca. "Maldito babaca!"

Parei no meio do correndo e levei as mãos à cabeça, tentando pensar no que faria a seguir, não poderia simplesmente deixar que o mafioso falasse o que quisesse e simplesmente fosse embora, rindo da minha cara, tinha que fazer alguma coisa. A possibilidade de ir ao local da missão, era quase extinta, Emmet jamais me informaria o endereço e sabia que ninguém além dele conhecia o local. Sacudi a cabeça tentando fazer com que uma ideia surgisse, mas não havia nada que eu pudesse fazer.

O arrogante mafioso mandava na porra do Cartel inteiro e saber disso me frustrava. Um nó formou-se em minha garganta e fiz com que saísse de lá, sabia que as lágrimas que queriam vir eram de raiva, mas ainda assim, não as deixaria cair. Não precisava de choro, precisava pensar em algo, se havia alguma dúvida de que éramos inimigos ou não, a dúvida estava finalizada e a guerra declarada, Cullen não era absolutamente nada para mim, aliás, ele até era e eu conseguia descrever nossa relação exatamente em uma única palavras: Inimigos.

Era meu inimigo e eu ia provar que era muito mais forte do que imaginava, não eram algumas palavras que me fariam desistir, também era uma criminosa e provaria a ele o quão errado estava ao não acreditar que eu podia.
Sentei no chão tentando pensar com clareza, porém, quanto mais pensava, menos ideias tinha.

Não podia aceitar que ele estivesse certo, sabia que tinha dificuldades para me moldar ao Cartel, porém, aquela época tinha passado e hoje eu fazia parte da equipe, não era justo que decidisse o que eu era capaz de fazer ou não, porra, nada naquele maldito o lugar era justo.

De repente, uma luz acendeu-se em minha mente, era exatamente por isso que eu tinha problemas de me vingar do Cullen, tentava encontrar opções leais, tentava jogar com jogos limpos, porém, o Cullen não era assim, não jogava limpo e se eu queria vencê-lo, precisava ser ainda mais suja que ele. Levantei com velocidade e não pensei muito, somente impulsionei meus pés para frente, correndo até a sala na qual estava anteriormente.

Cheguei à sala de Emmet constatando que não havia ninguém, era horário de almoço e Emm certamente estaria no refeitório. Liguei o computador e escrevi a senha já conhecida devido a pesquisas anteriores. Emm confiava em mim e não teve problemas para me dar as senhas do local e isso fazia com que eu me sentisse ainda pior, odiava perder sua confiança, porém, aquilo era necessário, eu me vingaria por todas as humilhações que o mafioso havia me feito passar, se fosse para me arrepender que fosse depois de ter feito tudo, era hora de mostrar para o mestre quem era Isabella Swan.

Entrei em um dos programas de pesquisa tentando a todo custo lembrar o nome que anteriormente fora dito por Emm e rapidamente cheguei a conclusão: Tiziano.

Escrevi o nome e o rosto conhecido apareceu com todas as informações necessárias, se queria vencer Edward Cullen precisaria mexer em suas piores feridas, eu não sabia porque meu inimigo odiava o outro mafioso, mas algo me dizia que em breve descobriria. Visualizei o telefone mais recente do criminoso que aparecia no monitor e disquei em meu celular.

Olhei para o aparelho por alguns segundos tentando decidir se faria aquilo ou não e o que me fez aperta o botão verde não meu ódio pelo maldito, e sim, por suas palavras que se repetiam em minha mente, se eu havia começado, chegaria até o final, era hora de ser criminosa.

"Sim?" Uma voz grave atendeu o telefone em apenas duas discagens.

"Tiziano?" Perguntei incerta.

"Voz de mulher, a coisa está começando a ficar boa" Deu uma risada. "Faz muito tempo que não me chamam assim docinho, já estou apaixonado" Franzi o cenho, tentando decifrar se realmente estava falando com o líder de um cartel concorrente, a voz parecia bem humorada demais para ser de algum mafioso.

"Quero encontrar com você" Afirmei sem pestanejar.

"Uma mulher de voz bonita quer encontrar comigo?" O humor continuou. "Espero que você não seja feia, não gosto de encontro às escuras" Soltou uma risada. "Posso saber com quem eu falo?"

"Não importa" Afirmei. "Faço parte do cartel de Edward Cullen e preciso me encontrar com você" Verifiquei que ao citar o nome do meu inimigo, o tal mafioso ficou sério e parecia refletir.

"Edward?" Não havia mais nenhum resquício de humor em sua voz. "Isso é algum tipo de brincadeira?"

"Não tenho tempo para suas inseguranças, não sei onde você está, mas tem duas horas para chegar até a sede do cartel, estarei esperando aqui"

"Docinho, todos no cartel me conhecem, não me deixarão entrar" Pensei por alguns segundos.

"Se vista de entregador de pizza e use um capacete, saberei que é você" Revirei os olhos com a ideia patética e ele gargalhou.

"Não sei quem você é, nem se isso é uma armadilha, mas gostei de você garota" A voz bem humorada estava de volta. "Te encontro em algumas horas" E desligou.

Só então notei o quanto minhas mãos tremiam, algo dentro de mim me acusava de traidora, que ao me vingar de meu inimigo estava traindo o Cartel, mas tinha que ir até o fim, não importa o que acontecesse comigo depois ou do que me acusassem, ia até o fim e provaria ao Cullen que estava sim à altura do cartel, se era uma criminosa que ele queria, ele teria um criminosa e uma das melhores.

*

A missão corria como o esperado: tediosa.

Os iniciantes estavam sofrendo nas mãos dos militares e os castanhos olhos raivosos insistiam em povoar minha mente, me atrapalhando, por isso odiava tanto a maldita garota, deveria estar tomando conta dos iniciantes, deveria estar preocupado com o quanto eles estavam sofrendo nas mãos dos policiais e se conseguiriam levar o carregamento mesmo assim, porém, tudo que conseguia pensar era na porra da garota que havia ficado me odiando na calçada do Cartel.

Deixá-la sozinha no Cartel me deixava preocupado, Isabella tinha uma enorme propensão para fazer merda e deixá-la sozinha me deixava com a estranha sensação de que algo ruim aconteceria, mas logo espantei os pensamentos me assegurando de que Emmet e os diversos seguranças a manteriam em segurança.

"Não gostei do que disse" Alice surgiu ao meu lado, com a voz estridente.

"Sabe que escuto essa frase o tempo todo?" Estávamos na cobertura do único prédio localizado na periferia londrina, onde assistíamos a luta que os policiais travavam com os iniciantes, alguns deles estavam jogados no chão, reclamando de dor, o que me fazia revirar os olhos diante de tanta incompetência.

"Estou falando sério, Edward" Sentou-se ao meu lado, voltando sua atenção para algum ponto fixo na luta. "Não pode afastar as pessoas de você, vai acabar sozinho"

"Gosto de estar sozinho, isso me poupa de conviver com um bando de gente idiota" Afirmei, dando uma breve risada do chute que Jenny havia dado em um dos policiais, Swan ficaria orgulhosa com o desempenho da amiga.

Esfreguei a mão no rosto, tentando me livrar dos pensamentos que pareciam dominar minha mente, maldita rebelde!

"Você sabe que ela não é assim" Afirmou, voltando-se para mim. "Não sei porque a Bella ainda está no cartel, se fosse ela, já teria ido embora há muito tempo, temos sorte dela ser tão firme nas decisões que toma"

"Quem foge do cartel, morre, Alice" Revirei os olhos. "Sou o líder do maior Cartel do país, acha mesmo que vou perder tempo me preocupando com uma garota que só me causa problemas?" Fechei o punho. "Ela tem sorte de ainda estar viva considerando o tanto que se coloca em risco."

"Não" Deu um sorriso. "Quem tem sorte dela ainda estar viva é você, Edward" Franzi o cenho, perguntando a mim mesmo que tipo de maconha minha irmã havia fumado. "Bella tem todos os motivos para ficar longe de você e ainda assim continua por perto, não acha que isso é um sinal?"

"Sinal?" Ironizei.

"Sim Edward, sinal de que talvez ela seja a pessoa certa para você" Bufou cansada. "E o que me irrita é ver que você será estúpido o suficiente para perdê-la" A raiva me atingia aos poucos, cogitar a ideia de Isabella ser meu "par ideal" era patético..

"Alice, porque você não para de falar besteiras e vai ser útil lá em baixo?" Apontei para baixo com o rosto.

"Quando você perdê-la, não diga que não avisei" Levantou-se e se foi.

Minha perna sacudia incomodada contra o chão e minha mente insistia em cogitar as palavras de Alice, não queria passar a vida com Isabella, mas de alguma forma a considerava um parceira perfeita para meus planos, não sabia o motivo, mas possuía um sentimento estranho de que a queria perto de mim.

Sabia que isso não significava absolutamente nada, a queria para mim, mas era só, a hipótese de Alice me deixava irritado. Era a porra de um criminoso, será que Alice não conseguia entender isso?

Pensei no que ela quis dizer ao afirmar que a perderia, revirando os olhos, Alice certamente não conhecia o tamanho de minha determinação, Edward Cullen não perdia. Nunca. Edward Cullen conseguia tudo que queria, e não deixaria que Isabella escorregasse de minhas mãos, disso tinha certeza.

*

Os minutos passaram arrastados e a todo instante mudava de opinião, mas agora não tinha mais volta, o Cullen teria que me pagar. O celular vibrou em meu bolso e logo o segurei em meu ouvido.

"Sim?"

"Senhorita Swan" Era um dos guardas que vigiavam a entrada do cartel. "Tem um moço com uma entrega para você aqui na portaria"

"Pode deixar entrar" Disse firme, porém, a insegurança irradiava de todos os poros de meu corpo. Desci as escadarias com pressa e cheguei ao estacionamento a tempo de ver o motoqueiro estacionar, ao tirar o capacete, os belos olhos negros e o rosto anguloso mostraram surpresa.

"Não esperava que fosse bonita, mas deveria ter imaginado por sua voz de anjo" Desceu da moto e tocou minhas mãos pousando um beijo suave. "Tiziano, ao seu dispor" Virou-se para a parte traseira da motocicleta, pegando uma enorme pizza.

"Você realmente trouxe pizza?" Perguntei surpresa, enquanto me lançava um sorriso.

"Levo meus personagens muito a sério" Deu de ombros, entrando no castelo e fazendo uma pequena pausa para me esperar. "Você não vem?"

"Para onde está indo?" Finquei meus pés no chão pronta para chamar os seguranças caso tentasse algo contra mim e me sentindo extremamente estúpida por confiar em um criminoso, onde estava com a cabeça?

"Para o escritório do Edward" Falou com familiaridade. "Gosto de lá e quero rever o castelo, faz muitos anos que não entro aqui" Me segurou pela mão e foi me levando com facilidade até o escritório, mostrando que realmente não estava blefando, ele conhecia o lugar.

"Você já esteve aqui?" A curiosidade aumentava aos poucos, a verdade é que não tinha um plano para me vingar do Cullen, desejava irritá-lo e sabia que a presença do criminoso ali o deixaria extremamente zangado, porém, não pensei em mais nada além daquilo.

"Diversas vezes" Afirmou reluzindo um enorme sorriso ao subir as escadarias. "Meu Deus, como senti falta desse lugar" Afirmou com sinceridade e algo em seus olhos me mostrava que estava falando a verdade, talvez existisse mais histórias ali do que realmente sabíamos.

Chegamos ao escritório e ele sentou-se no lugar do Cullen com ousadia, pousando os pés na mesa enquanto me avaliava.

"Ainda não sei o seu nome" Virou o rosto de lado e sentei à sua frente, já estava ferrada, que se dane o resto, ia aproveitar o pouco tempo que ainda restava para arrancar informações do mafioso.

"Isabella Swan" Disse firme e o sorriso do sujeito se alargou.

"Então você é a famosa Isabella?" Soltou uma gargalhada alta. "Não sabe a quantidade de coisas que ouvi ao seu respeito, me disseram que foi a única que conseguiu domar o mestre, é verdade?"

"Domar o Cullen?" Perguntei com raiva. "Animais selvagens não podemos domar, só servem para tarefas brutas, nunca para ser um animal de estimação" Fiz a comparação imaginando que se o Cullen fosse um animal, certamente seria um leão e desses que come tudo que vê pela frente e ruge até para a borboleta que está voando.

"Uau, você realmente está com raiva dele" Soltou uma risada. "O que fez de tão grave?"

"Nasceu, simples assim" Revirei os olhos, abrindo a caixa e pegando um pedaço da pizza.

"Então, cadê a fera?"

"Está em uma missão" Voltei meu olhar para Tiziano. "E me deixou de fora"

"Por quê?" Franziu a testa.

"Porque adora me irritar, por isso" Não quis citar que ele também me achava incapaz de realizar uma missão com sucesso, só de pensar nisso, um nó se formava em minha garganta.

"Incrível" Continuou rindo, e tentei entender o que era tão engraçado. "Então o Cullen realmente está domado"

"O quer dizer com isso?" Perguntei, sem entender a relação entre as coisas.

"A única pessoa que o Edward proibiu de ir às missões foi Catherine" Afirmou, ainda com um sorriso. "Não queria que ela se machucasse e ela simplesmente ficava uma fera com a super proteção do Cullen"

"Ainda não entendi a relação deste fato comigo" Afirmei, tentando fazer a relação, é óbvio que se importava com a irmã, mas não comigo, se havia me obrigado a permanecer no cartel, era para me irritar, não proteger, o Cullen não se importava nenhum pouco com minha segurança.

"Ele se importa com você" Afirmou sem pestanejar. "Não acredito que estou vivo para ver Edward Cullen se apaixonando, é realmente incrível" Citou com o rosto iluminado, e notei que conhecia bastante sobre todos ali.

"Besteira, ele só faz essas coisas para me irritar, sabe que odeio ficar de fora" Ainda contrariado, decidiu deixar o assunto de lado e também pegou um pedaço da enorme pizza, me sentia levemente desconcertada com a fundação patética que o criminoso fazia, era tão incabível que meu inimigo estivesse apaixonado por mim, que eu sequer cogitava a hipótese. "Ainda não sei como conhece o Cartel tão bem" Mudei de assunto.

"Sou um amigo do passado que foi expulso do convívio dos Cullen" Deu de ombros. "Já fiz muitas coisas erradas na vida Bella e estou pagando por elas"

Franzi o cenho, surpresa com a sinceridade com a qual o mafioso falava, parecia loucura que estivesse sentada no escritório do Cullen, comendo pizza com o líder do Cartel concorrente, porém, estranhamente me sentia bem conversando com Tiziano, a sinceridade dele era rara de se encontrar.

"Então quer dizer que o Cullen te odeia?" Perguntei divertida. "Acho que estamos no mesmo barco"

"Acho melhor você sair daqui quando ele chegar, a coisa vai ficar realmente feia" Disse em tom de aviso e algo em sua expressão mostrava que era realmente o que aconteceria.

"Não tenho medo do Cullen" Dei de ombros.

"Sei que não tem" Soltou uma curta risada. "Eu estar aqui é a prova disso" Apoiou os cotovelos na mesa, inclinando-se para frente. "Sabe que você é muito parecida com Catherine, ela era a única que o enfrentava" Era impossível não notar o tom nostálgico com o qual falava, não sabia a relação dele com o cartel, mas estava muito curiosa para descobrir.

"Não falam muito dela por aqui, a única coisa que sei é do acidente" Lembrava vagamente sobre o acidente de carro que Cida havia contado, porém, era somente aquilo, era como se fosse proibido que se falasse sobre a família de Edward, ninguém se atrevia a desenterrar o assunto.

"Acidente" Disse com certa acidez. "O maldito do acidente que as levou de nós"

"Você era próximo dela?" A curiosidade me tomava, e precisava descobrir o máximo sobre o passado do Cullen, precisava entender o que o fazia ser assim.

"Cath era um pessoa especial, fazia todos gostarem dela, era impossível não querer ficar por perto" Disse com o olhar distante. "Pena que o tempo passa e as coisas mudam" Voltou o olha para mim, com um sorriso miúdo. "Quando você percebe já é tarde demais"

Atrás das palavras ditas eu notava diversos significados ocultos, não sabia o que havia acontecido com o homem à minha frente, mas era visível a tristeza que carregava nos olhos, apesar do sorriso que parecia já fazer parte de sua feição, o homem bem esculpido parecia frágil demais por dentro, e por isso, pareceu ainda mais simpático.

"Sei como é isso" A lembrança da morte do meu pai voltara a tona e lembrava constantemente das diversas frases que eu deveria ter dito, mas não disse, era trágico perceber que não tinha mais tempo e nem a pessoa ao seu lado.

Um barulho de motor invadiu o silêncio até então instalado no cômodo, me fazendo levantar rapidamente, havia me perdido na conversa e acabei esquecendo da volta de meu inimigo. O nervosismo espalhou-se por todo o meu corpo e antes o que era certeza, agora era puro transtorno, não sabia como o Cullen ia reagir e por algum motivo estava gostado do criminoso recém conhecido, algo me afirmava que seríamos bons amigos, se o Cullen não cortasse sua cabeça antes.

"Não se preocupe, ele não vai me matar" Soltou uma gargalhada, achando divertida minha aflição.

"Se fosse você, não teria tanta certeza" Falei apreensiva e observei a janela, notando que após descer da moto Mabelle correu ao seu encontro e contou algo à ele, que o fez voltar o rosto imediatamente para a janela em que eu estava, fechei a cortina com rapidez, aguardando ainda mais apreensiva a hora em que ele invadiria o local.

"Obrigada por me trazer até aqui Bella, sei que você quer se vingar do Cullen por irritar você, mas estar aqui é importante para mim" Segurou uma de minhas mãos, agradecendo com sinceridade. "Não conseguiria entrar aqui de novo e resolver algumas coisas se não fosse por você, então agradeço de coração"

Não tive tempo de responder: a porta se abriu com um baque tão forte que por pouco não foi derrubada. O rosto do Cullen estava retorcido em ódio vívido e seu olhar voou para as minhas mãos ainda sobre as do criminoso. No minuto seguinte ele já segurava Tiziano pelo pescoço.

"Você tocou nela" Segurava o mafioso tão alto que a qualquer momento poderia morrer por asfixia. "Vou matar você, seu desgraçado" Segurava Tiziano pelas mãos, mas me encarava, como se procurasse por algum corte ou machucado.

"Edward pelo amor de Deus" Clamei, tentando puxar as mãos do Cullen para baixou, mas o esforço era em vão, os olhos voltaram tão fixos em Tiziano e carregados de tanto ódio que não entendi o que o criminoso havia feito de tão grave para merecer o desprezo do meu inimigo. "Para Edward" Passei a espalmar vários tapas e socos seguidos em sua costa. "Edward, ele não fez nada" Finalmente soltou Tiziano, que escorregou com um baque no chão, tossindo fortemente. "Meu Deus, você está bem?"

Me ajoelhei perto dele, mas não tive tempo de tocá-lo, pois as mãos firmes do Cullen me carregaram com brutalidade.

"O que esse cara está fazendo aqui e porque está com ele?" A raiva transbordava em suas palavras e notara que ele se segurava ao máximo para não fazer uma besteira.

"Não gostou do meu novo amigo Edward?" Lancei a ironia, com desrespeito. "Pois foi ótimo conhecê-lo, é muito mais simpático que você"

"Não brinque com a porra da minha paciência Isabella, estou a um fio de estourar uma bala no meio da sua testa!" As palavras eram tão verdadeiras, que realmente imaginei que faria o que prometera. Me puxou pelo braço, levando-me até a porta do escritório. "Tenha certeza que receberá punição pelo que fez"

Antes que pudesse fazer alguma coisa, a porta já havia sido batida em meu rosto e um enorme segurança me levava até o outro lado do castelo, sob as ordens do Cullen.

"Me solta, seu ogro!" Me sacudia, tentando me livrar do braço forte do segurança mal encarado, porém, tinha o dobro do meu tamanho e certamente venceria a guerra. "Você não está entendendo, o Cullen vai matar o cara, você precisa ir até lá para impedir" Gritava para o segurança, que continuou me ignorando o caminho inteiro, chegando ao meu quarto, abriu a porta e me jogou para dentro, trancando o quarto com a chave, por fora.

Gritei por alguns minutos xingando todos os nomes que conhecia e chutando a porta com toda a minha força, porém, tudo que havia conseguido, era um pé machucado, me joguei na cama, resolvendo esperar que o mestre aparecesse, rogando aos céus para que a vida de Tiziano não fosse tirada por minha culpa.

Só agora notava o quanto havia sido egoísta ao levar o criminoso até o local, não havia imaginado que a situação se agravaria e talvez a vida de ambos pudesse ser posta em risco por minha causa, passei a roer as unhas de ansiedade, eles não podiam se machucar!

Precisava ir até o escritório para ver o que estava acontecendo, mas o maldito segurança continuava fincado ao lado de fora da minha porta. Horas depois o céu já jazia escuro e a noite evidente já aparecia, a porta do quarto abriu num ímpeto e logo se fechou, mostrando um Cullen muito irritado.


"Então você ficou irritada por não ter ido à missão?" Afirmou, andando de um lado para o outro, com a voz transbordado de cólera.

"Cadê o Tiziano?" Me preocupei com a situação do homem, porém, não notava nenhum rasgo ou sangue presente na roupa de meu inimigo, o que me dava a esperança de não ter acontecido nenhum confronto entre os dois. "Você não o machucou, machucou?" Perguntei receosa.

"Então você deixa o desgraçado entrar no Cartel" Os passos continuavam. "Na porra do meu Cartel" Disse com incredulidade. "Para se vingar de mim, não é?" As palavras fugiam de minha boca e não entendia porque me sentia tão mal pelo o ocorrido. "Justo, muito justo"

"Cullen, eu..."

"Você quer ir à uma missão?" Me interrompeu, direcionando o olhar raivoso para mim. "Então vamos a uma missão" Franzi o cenho sem entender. "Vamos Swan, levanta a bunda da porra dessa cama, e vá se vestir"

Continuei encarando sem entender se ele falava sério ou não.

"Estarei esperando você lá em baixo, se não descer em cinco minutos, juro que arranco você do quarto" Afirmou e bateu a porta, fazendo um estrondo.

Não sabia explicar o porquê, mas a presença de Tiziano no cartel, transtornou ainda mais com o temperamento do Cullen, fazendo-o ficar extremamente impulsivo e perigoso. Uma momentânea preocupação me atingiu, mas me tranquilizei, notícias ruins chegavam rapidamente, se meu inimigo machucasse Tiziano logo saberia.

Levantei da cama e corri até o banheiro para me vesti o mais rápido que podia, não sabia para onde estava indo ou o que o Cullen faria, porém, simplesmente fui e apenas um pensamento povoava minha mente:

Que merda eu havia feito?

Notas finais
GENTE DO CÉU, eu já tava com saudade de vocês! Primeiramente: queria agradecer os LINDOS comentários que você me deram no capítulo passado, fico tão emocionada lendo que vocês nem imaginam, vocês me dão força pra continuar escrevendo e por isso sou eternamente grata! Coisa boooooas vão acontecer nos próximos capítulos, então fiquem atentas hohohoh O PRÓXIMO CAPÍTULO, eu tentarei escrever e postar até sábado, vocês merecem dois capítulos! Eu estou com essa nóia de só escrever capítulos grandes, então vocês terão que me aguentar! Meninas, eu TIVE QUE COLOCAR O TIZIANO NA HISTÓRIA, em homenagem ao LINDO E PERFEITO Tiziano Ferro. Óbvio que não criei o personagem só para colocá-lo na história, mas já que eu precisava de um nome, resolvi homenagear o Tiziano, e depois que me toquei que minha imagem do personagem era super igual ao Tiziano, então casou direitinho. Enfim, estou com tanto sono que nem consigo raciocinar, POR FAVOR COMENTEM, vocês sabem o quanto eu sou insegura em relação ao que escrevo. E não se preocupem que no próximo capítulo vai ter muita onda pra compensar a boiolagem do passado. Bia sem vocês não Bia. NÃO ESQUEÇAM DE SEGUIR O @EMPERIGO Um beijo, Bia. Ps. Quem ta gostando da história, e ainda não RECOMENDOU, faça uma escritora feliz e mexa os dedinhos, ficarei muito feliz!