Em Perigo

17 Capítulo 17 - Do outro lado


Notas iniciais
Ok, não me matem ainda! Estou tão cansada que não consigo reciocinar, então leiam as notas finais e aproveitem!

Apenas o céu negro e a leve chuva que insistia em cair eram testemunhas do humor maléfico de meu inimigo e de minha insegurança dentro da luxuosa BMW prata que corria velozmente, como se a noite fria nenhum perigo tivesse a oferecer, como se o maior perigo fosse exatamente o homem ao meu lado que apertava os dedos no volante com tanta força, que me fazia temer que a qualquer momento as partículas se rompessem e pedaços voassem por todo lado.

Não seria assim tão surpreendente, tinha plena consciência da enorme força física que meu inimigo possuía e ser o alvo de seu ódio não era nada reconfortante.

Porém não baixaria a cabeça, o estrago já havia sido feito e independente do que acontecesse não me permitiria sentir culpa, meu inimigo merecia todo o tipo de dor e humilhação, não sabia ao certo o que causava tanto ódio pela presença de Tiziano, mas precisava ir até o fim. O Cullen que suportasse todo o peso daquele ódio.

Após a culpa, o sentimento que tomava minha mente era o de curiosidade e expectativa, a BMW voava para algum lugar desconhecido e aquilo não me importava, ela me levaria para minha primeira missão e isso me bastava, poder provar para o Cullen que eu não era a inútil que ele imaginava fazia meu coração acelerar e a adrenalina correr em todas as minhas veias.

Em breve, eu seria oficialmente uma criminosa.

Meu nervosismo só aumentou ao ver o silêncio quase mortal que se instalava no carro, o mafioso se recusava a olhar para mim, me ignorando e não entendia por que aquilo me irritava tanto.

"Ok, você não precisa fazer todo esse drama, não é?" O nervosismo e irritação presentes em minha voz eram nítidos em cada palavra. "Não entendo porque está tão ofendido, pensei que criminosos não se ofendiam tão facilmente" Se estava na chuva, era para me molhar, carregava fielmente o ditado que afirmava que "pior do que tá, não fica", porém, havia me esquecido que quando é sobre Edward Cullen que estamos falando, tudo, absolutamente tudo, pode piorar.

Em segundos o freio foi acionado e meu corpo foi violentamente impulsionado para frente, fazendo com que os pneus cantassem com a freada brusca de meu inimigo.

"Ah, então estou com drama?" Os olhos em faísca me atingiram firmemente pela primeira vez desde que a viajem começou, o rosto contorcido carregado de uma cor avermelhada demonstrava que Edward Cullen sabia exatamente o conceito de ódio e como expressá-lo através de seus gestos. "Você leva a porra de um cara desconhecido para o meu Cartel, enquanto não estou lá e acha que estou com drama?" As palavras saíam a todo vapor e a voz deixava há muito de estar em um tom equilibrado. "Quem você pensa que é para deixar alguém entrar ou sair do cartel?"

Os olhos agora voltavam toda a atenção para mim, esperando por uma reação, porém, as palavras não vinham. Estava só diante do Cullen e as malditas frases prontas que eu pensara por todo o maldito dia simplesmente não estavam mais lá.

"Faço parte do cartel, também tenho direito de levar pessoas para lá" Juro que vi o olho esquerdo do meu inimigo tremer de tanta raiva e a qualquer momento esperava pela morte que certamente viria.

"Você não tem direito à porra nenhuma" As mãos voaram em direção ao volante e vários socos foram disparados no local. "Sou um estúpido"

"Tiziano é uma ótima pessoa, não entendo todo esse alvoroço" Conclui, me odiando pelo efeito que as palavras do criminoso causava em mim. "Não entendo porque você o deia tanto" Confessei.

"Você não tem que entender, Isabella" Exclamou com vivacidade, a cada palavra, seu rosto se contorcia. "Ele é meu inimigo, não é da sua conta o que fez para merecer meu desprezo" A respiração ia diminuindo aos poucos, percebia que ele tentava se acalmar, mas o efeito era justamente o contrário, conclui que um carro fechado era pequeno demais para nós dois. "Você não tinha o direito de levá-lo até lá"

"A culpa foi sua" Recobrei a consciência, não deixaria que me fizesse sentir culpada. "Você não me levou para a missão, não tinha o direito de me deixar para fora" Agora, era meu tom de voz que estava descontrolado. "Desde o dia em que cheguei no Cartel tenho que aceitar calada as merdas que você faz e não vou mais ser assim Cullen" O olhar voraz que encarava com indignação, como se minhas palavras fossem um crime. "Sou a porra de uma criminosa, e quero fazer parte disso"

O silêncio instalou-se e nossos olhares não se desviaram, não sabia ao certo porque, mas algum magnetismo oculto nos prendia um ao outro, fazendo com que, naquele momento, tudo que pudéssemos enxergar fosse um ao outro, porém, o contato visual logo foi interrompido, o criminoso, que recusava se acalmar e acelerou o carro dizendo somente uma frase.

"Pois você fará" A voz baixa parecia ainda mais perigosa. "Terá a porra da sua primeira missão já que se considera uma excelente criminosa"

O relógio mostrava onze horas da noite e o céu escuro provava que em breve cairia a pior chuva que Londres já avistara, os minutos arrastavam violentamente com a velocidade da BMW e pensava em todos os lugares possíveis, em qual deles teria que realizar minha primeira missão, talvez houvesse um carregamento de drogas no carro, e tivesse que entregá-lo em algum lugar.

As várias hipóteses voavam apressadas por minha mente e tentava codificar no rosto do mafioso ao meu lado, qual delas seria a correta, porém, o rosto frio e impassível nada declarava, tentar decifrar o Cullen era trabalho falido, o cara era uma pedra.

Um leve arrependimento viera ao pensar que Tiziano pudesse estar machucado por minha causa, mas tentava me acalmar lembrando que ele também era um mafioso à altura, mesmo que não parecesse para mim, ele sabia exatamente como se defender.

O carro aos poucos ia diminuindo de velocidade e ao contrário do que imaginei, não estávamos em uma rua escura ou em um beco sem saída, em que alguma transição pudesse ocorrer, estávamos em frente do maior parque da cidade que ficava exatamente no centro da cidade, em uma das ruas mais iluminadas. Encarei intrigada meu inimigo, enquanto tirava o cinto e se apoiava em cima de mim para levar uma das mãos até o porta-luvas.

O cheiro embriagante me tomou de repente, não lembrava como o maldito mafioso podia ser cheiroso. Estanquei a respiração, torcendo para que achasse o que queria o mais rápido possível, após alguns longos segundos, ele achou, e saiu de cima de mim sem parecer notar minha reação, olhei surpresa para suas mãos notando o revólver que portava.

"Para que isso?" Olhei surpresa avaliando o local que era lotado de prédios e condomínios de classe média alta.

"Para sua missão" Disse seco. "Pegue" Estendeu a arma para mim e a peguei, assustada demais para pensar. "Pode ir" Apontou para fora e continuei observando-o sem entender.

"Seria mais fácil se você explicasse" Bufou contrariado, pegando uma pequena pasta ao lado do banco do motorista.

"Ben Steven, é filho do traficante que roubou nosso carregamento semana passada, está fazendo cinco anos hoje" Apontou para o local e entendi porque tantas crianças corriam de um lado para o outro, estava tendo um aniversário no parque. "O pai dele é dono de vários pontos de contrabando e alugou o parque para festejar os cinco anos do filho favorito"

"Ainda não entendi o que tenho que fazer" Disse sincera, temerosa de mais para pensar no que eu teria que fazer com aquela arma.

"É óbvio, você terá que matar o garoto" Falou com a voz mais fria possível e empalideci. Simplesmente não imaginava que minha primeira missão seria aquela, tinha plena consciência que ao longo dos anos, eventualmente, teria que matar alguém e a hipótese simplesmente me aterrorizava, porém, ter como primeira missão uma morte era ainda pior.

"Está de brincadeira?" As palavras saíam em um sussurro incrédulo, queria a todo custo imaginar que aquela era uma grande brincadeira do Cullen, mas o rosto sério mostrava que não estava brincando.

"Tenho cara de quem está brincando, Swan?" Rosnou para mim com a raiva ainda presente em cada célula de seu ser. "Você tem que ir agora, falta pouco para a festa terminar e logo as pessoas estarão indo embora, tem de aproveitar enquanto pode se confundir na multidão" Disse sério, me relembrando de uma das aulas dadas por Step sobre camuflagem. "Ou você vai desistir?" Era visível o tom de desafio que ele usava, tentando a todo custo me provar que sempre estaria dois passos à frente. Mas não naquela vez.

Puxei bruscamente o relatório de suas mãos avaliando a foto do pequeno garoto que sorria, o pequeno menino possuía olhos castanhos e cabelo escuro que escorria pela testa, o enorme sorriso comprovava, até mesmo pela foto, o tamanho de seu bom humor. Engoli o nó que se formava em minha garganta, e desci do carro sem falar uma palavra, logo após encaixar a arma na cintura, resoluta demais a humilhar o Cullen e mostrar que estava errado, para pensar nas consequências.

Os passos eram firmes e duros, não deixaria que o maldito mafioso notasse minha insegurança, a mascarei com a melhor feição de criminosa que conseguia fazer e caminhei alguns metros, em direção à festa.

Não foi difícil entrar no local, logo sentia diversas crianças correndo por minhas pernas e suas babás logo atrás, certamente não deveria ser fácil cuidar de crianças mimadas, perdia a conta de quantos rostos aflitos via por causa da gritaria. Em meio aos milhares de balões e brinquedos, avistei meu alvo: o pequeno garoto sentado sozinho em um banco distante mostrava que tudo seria mais fácil do que o imaginado.

Andei até ele, com a arma pesando quinhentos quilos na cintura, as mãos trêmulas demonstravam meu nervosismo oculto pelas falsas ilusões de que era uma verdadeira criminosa que andava, a imagem era uma mentira, a consciência afirmava constantemente que ainda faltava muito para que o coração de pedra de meu inimigo substituísse meu coração mole e sensível, e sinceramente, não sabia se isso deveria me causar tristeza ou plena alegria. Me dividia entre os dois, pois ao mesmo tempo em que almejava crescer no cartel, não queria que nada daquilo me transformasse em um monstro, o que parecia ser cada vez mais impossível.

O banco logo estava diante de meus pés juntamente com a pequena criança que mantinha a cabeça direcionada para baixo, sentei ao seu lado com o nó cada vez mais apertado em minha garganta, mas resoluta a fazer o que deveria, era agora ou nunca. Porém, não deixaria de proporcionar a última conversa ao menino.

"Oi" A voz, antes confiante, agora era trêmula e cheia de interrogações. "O que um menino tão lindo faz sozinho aqui?" Os pequenos olhos castanhos me encararam com certa insegurança, que logo se dissipou, algo nas profundas órbitas me lembrou de Jaz quando éramos pequenos fazendo com que o nó ficasse ainda mais apertado dentro de mim. "É sua festa, não é?" Interroguei, tentando direcionar meus pensamentos para outra direção, que não fosse a eminente tragédia que eu traria àquela família. "Porque não está aproveitando com as outras crianças?"

"Não conheço nenhuma delas" Confessou, com os olhos mortos, dando de ombros. "São os convidados dos meus pais, não os meus"

"E quem você queria que estivesse aqui?" O rosto contorcido e os olhos marejados do garoto faziam meu coração apertar e a arma pesar ainda mais em minha cintura.

"Naná" Afirmou sem pestanejar. "Era minha antiga babá, mas minha mãe a demitiu" Os pequenos lábios tremeram em uma tentativa forçada de prender o choro. "Disse que estava grande demais para ter babás, que todas as outras crianças da minha idade não tinham mais" Virou-se para mim, com os pequenos olhos castanhos carregados de indignação. "Mas não sou como as outros crianças, porque tenho que ser?"

Os olhos me encararam clamando por uma resposta que não tinha, me senti tentada a contar que a vida era exatamente assim, as pessoas costumavam nos dizer o que fazer e fazíamos, assim, sem questionar, contentados pela lei de que a sociedade assim era, que a necessidade de seguir a ordem natural das situações acabava por excluir nossos próprios desejos e verdades, tornando-nos assim, robôs, regidos por alguém ou por alguma coisa. Porém, resisti, não poderia estragar os sonhos ainda intactos do pequeno garoto, ainda que a vontade de puxá-lo para realidade fosse quase maior do que eu mesma, o deixaria lá, o deixaria aproveitar os anos que ainda restavam para que ele sonhasse até quando fosse possível.

"Não tem que ser" Afirmei simplesmente, sabendo que se possível, me agradeceria pelo favor de deixá-lo na ignorância. "Você é diferente Ben, não perca isso" Meu simples pedido era quase um clamor, sabia que ele, criança como era, nada poderia compreender de minha prece mal feita, mas ainda assim a fazia, pedindo à ele, mesmo que por palavras tortas, que não deixasse de ser o que era, não deixasse de ser ingênuo e puro, como todos deveriam, que ainda que multidões se juntassem para corrompê-lo, ele poderia livrar-se disso apegando-se a si mesmo com todas as forças que tinha.

O garoto me fitou quase cúmplice, como se pudesse entender minhas súplicas doloridas disfarçadas com sabedoria de adulto, como se pudesse pegar no ar que o que minha garganta expunha através das cordas vocais em nada tinha relação com ele e sim comigo. Apenas com os olhos castanhos me fitando com tamanha compreensão percebi que se tratava sobre mim, com meu pequeno clamor ao garoto que nada podia entender, eu clamava à mim, tentava me salvar. Estar conversando com Ben provava que eu era exatamente o que implorava para que ele não fosse: um monstro. Não, não o havia matado ainda, porém, estava ali ao seu lado com esse objetivo. Como um leão ao redor de sua presa, eu tentava convencê-lo a confiar em mim, para que então pudesse dar o golpe falta. No que havia me tornado, afinal?

Virei o rosto para a BMW estacionada à alguns metros me sentindo a pior pessoa da face da terra, percebendo que não tinha motivos para odiar o motorista do automóvel pois eu era exatamente como ele ou pelo menos estava me tornando. Descer do carro com pés — que embora trêmulos e inseguros — eram resolutos, não provavam ao meu inimigo do que eu era capaz, e sim, do que ele era capaz, tocar os pés na rua gélida, um de cada vez, mostrava o monstro que estava prestes a nascer dentro de mim e o que mais me enojava era que meus motivos eram completamente egoístas.

Sim, realmente cogitava matar um garoto de cinco anos de idade apenas para provar a um homem estúpido que era boa o suficiente, as palavras firmes que tentavam a todo custo convencer o menino que deveria salvar a si mesmo saíam do mesmo corpo que em breve acabaria com sua curta vida de uma vez por todas, conversar com vítimas, incentivando a preservar o que tinham de melhor era a maior hipocrisia de todas, pois nada teriam a preservar ou transformar de baixo da terra.

"Você é muito bonita" A voz infantil me puxou do abismo que eram meus pensamentos. "Tem namorado?" Deu um curto sorriso esperto.

"Não, não tenho ninguém" Talvez fosse a mais verdadeira das frases que já havia dito naquele dia. Estava ali, quase matando um lindo garoto desconhecido, me sacrificando e sacrificando a criança de alguém para provar ao maior criminoso da atualidade que poderia me tornar igual a ele, porém, a verdadeira pergunta era: eu realmente queria me tornar igual a ele? A resposta era verdadeira, eu não pertencia a ninguém, então porque queria provar com tanta intensidade que podia estar a altura do maldito mafioso?

"Quer ser minha namorada?" As palavras foram deferidas sem nenhum tipo de constrangimento desnecessário, afinal, aquele menino à poucos centímetros de mim ainda carregava o verdadeiro significado de amor, o verdadeiro significado de namorado, não havia necessidade para constrangimento, afinal, ele nada mais pedia que uma aproximação suplicada de alguém que o havia visto como ele era, uma súplica para que eu, por ter enxergado quem realmente era, ficasse ao seu lado e percebi chocada que apenas um garoto, em uma noite qualquer, que era prevista para ser a sua última, poderia me ensinar o que eu realmente estava precisando aprender.

Minha fissuração em completar a missão e fazer parte do cartel não era para provar a mim mesma que podia, isso era o que minha mente viciada tentava garantir a mim mesma, mas não era a verdade, eu tinha plena consciência do que era capaz, na verdade, tudo aquilo era para provar aos malditos olhos azuis que não era fraca como ele imaginava, que podia ir muito além e tudo isso somente foi feito por meu desejo insano de ser aceita pelo criminoso, porém, havia esquecido que pessoas se agradavam umas das outras pelo que realmente eram não pelo que eram capazes de fazer.

Em nenhum momento tentei mudar o que o Cullen era, desde o princípio aceitei que era um criminoso e que seu histórico policial, se não fosse apagado pelos corruptos policiais, teria os piores crimes da atualidade, desde o princípio aceitei quem era. Não sabia o que tudo aquilo significava, mas não poderia conviver comigo mesma se ele visse em mim o que eu não era, ou pior, gostasse do que visse. Não podia deixar que gostasse de uma Isabella corrupta e cruel, essa não era eu.

A revolta aos poucos crescia dentro de mim e a festa esvaziava quase imperceptivelmente, tinha plena consciência de que se fosse realmente completar o que tinha vindo fazer ali, teria que ser rápida, porém, os braços eram falhos demais para puxar a arma e os olhos castanhos sinceros demais para se fecharem, sem sua vivacidade natural, maior do que a decepção de ter cogitado a ideia de matar o pequeno garoto, era a decepção por quase ter me perdido para agradar um mafioso.

Sabia que precisaria realizar crimes conforme os eventuais cargos fossem aumentando dentro do Cartel, porém, não os realizaria para provar algo ao Cullen, os realizaria por mim mesma apenas quando tivesse a plena certeza de que estava pronta, não aos trancos e barrancos, não para realizar o desejo doentio de meu inimigo, se ele queria algo assim de mim, a única coisa que receberia seria a frustração de ter seus planos deslizando por água a baixo.

"Quero" Respondi agora mais certa do que nunca, recebendo o amor do garoto em forma de gratidão, os olhos claros me agradeciam pela morte delegada às mãos do destino, a quem pertencia desde o princípio e de onde eu não tinha o direito de tirar. "Agora, você tem que me escutar" Levantei e ajoelhei aos pés do inocente. "Você vai sair daqui e ficar perto de seus pais, entendeu?" Uma carranca se formou em seu rosto, como desaprovação. "Estou falando sério Ben, tem pessoas malvadas aqui e você precisa tomar cuidado" Engoli o nó que se formou em minha garganta ao imaginar que uma dessas pessoas era eu. "Vá para perto dos seus pais e não saia de lá, entendido?"

O garoto, apesar de contrariado logo se foi, dando um último olhar para mim, olhar esse que entendi como sendo uma despedida e o coração apertado finalmente relaxou diante da salvação do menino, só naquele momento, em que pude soltar o ar com toda a força que tinha, percebi que estava tensa, com os ombros doloridos de tanta espera, mas apesar do alívio eminente, eu sabia que ainda precisava vencer uma fera que me aguardava com olhos vorazes e mãos fechadas em torno do volante do carro.

Os pés preguiçosos se esticaram com uma lentidão assustadora até o carro, tentando a todo custo retardar o inevitável contato, a raiva transbordava não só de dentro do carro, mas também de mim, não me tornaria um monstro, poderia me tornar uma criminosa, mas não um monstro, não perderia minha humanidade, nem que para isso eu tivesse que dar a própria vida, eu não mudaria quem realmente era.

Entrei no carro e a escuridão que ele trazia era quase palpável, todos os outros seres humanos tinham sorte de não estarem no meu lugar, disso tinha absoluta certeza. Sentei no banco e mal fechei a porta, quando o carro arrancou, o silêncio predominante demonstrava que nada tínhamos a falar que olhares raivosos não pudessem dizer, porém, meu inimigo não se contentou com apenas olhares.

"Está satisfeita?" Exclamou com os olhos quase saltando de fúria. "Acho que já percebeu que não é capaz de ser uma criminosa"

"Você não é ninguém para dizer do que sou capaz ou não" Minha voz saia controlada devido ao meu eterno esforço de tentar chegar o mais rápido possível ao cartel e terminar de uma vez por todas com os torturantes momentos ao lado do mafioso, porém, ele não parecia tão disposto a terminar nossa conversa.

"Na verdade sou sim" A tonalidade grave e alta fazia com que a raiva aos poucos tomasse proporções gigantescas dentro de mim, porque ele não entendia que eu estava cansada demais para discutir? "Não estou vendo nenhum garoto morto, o que comprova que estou certo, você não tem capacidade para ser uma criminosa!"

"Se não tem um garoto morto no seu porta malas isso só comprova que eu não sou um monstro como você!" A ofensa havia sido lançada e não entendia o porquê, mas as palavras do Cullen tinham um enorme poder de me ferir. "Para esse carro" Minhas mãos tentavam a todo custo abrir a porta, mas a mão firme de meu inimigo me impediu.

"Não comece com suas criancices, Swan" O rosto vermelho estava próximo do meu, e graças à enorme habilidade do motorista ainda estávamos vivos, a alta velocidade mostrava que uma queda certamente seria fatal.

"Quero descer, para esse carro agora" Tapas violentos eram dispensados em seu braço, para que me soltasse, porém, ele continuava intacto, dividindo a atenção entre a estrada e meus ataques de estresse, ainda não havia percebido, mas estávamos em uma rua desconhecida com várias árvores ao redor e apenas depois de ler a placa notei que estávamos muito longe do centro da cidade, a rua deserta e a enorme praia em nossa frente mostrava que devido a súbita raiva, meu inimigo havia ido pelo caminho errado, estávamos quase no interior de Londres.

"Você é estúpido ou o quê?" Exclamei, apontando para frente. "Nós estamos quase saindo da cidade, o que deu em você?"

O Cullen virou o automóvel com velocidade fazendo com que nossos corpos se impulsionassem para frente e logo em seguida deu uma freada forçada, quando percebi que o carro estava completamente imóvel, desci e passei a andar rapidamente para longe ignorando as lufadas de vento frio que faziam com que meu corpo tremesse a cada novo passo. Não sabia onde estava, nem conhecia o fim da cidade, mas estava com o celular na jaqueta e nada me obrigaria a ficar mais tempo junto do Cullen.

Porém, o demônio jamais desistia de seus objetivos. Não foram necessários nem dois passos e a mão firme já me alcançava me puxando para perto.

"Não vire as costas para mim" A voz grave demonstrava toda a raiva acumulada. "Essa conversa ainda não acabou Swan, quero que você admita que estou certo, que você precisa da minha ajuda"

"Não vou admitir porra nenhuma" Puxei o braço com força. "Estou cansada de você" Tentou puxar meu braço mais uma vez, porém meu reflexo fora mais rápido. "Me deixa em paz!"

Gritei em seu rosto em uma tentativa frustrada de afastá-lo, porém, quanto mais eu o rejeitava, mais ele se sentia instigado a me procurar, o maldito não desistia tão fácil.

"Nunca" Alcançou-me com sagacidade, colando seu corpo ao meu com força. "Você não merecem paz" A mão firme passeava na lateral do meu corpo, fazendo com que todos os pelos do meu corpo se arrepiassem. "Você merece ser atormentada"

Então os lábios vorazes encontraram-se com os meus, fazendo com que uma corrente elétrica percorresse todo meu corpo, em todo o tempo que tinha ficado sem tocá-lo somente naquele instante notei o quanto senti falta das mãos firmes e do corpo viril de meu inimigo, alguns gemidos saíam sem permissão de minha boca, mostrando o quanto meu corpo clamava pelo dele. No ponto em que havíamos chegado não havia mais como negar a atração evidente que sentíamos um pelo outro, eu sabia que os lábios colados aos meus e as mãos firmes que passeavam sem pudor algum por meu corpo eram do pior criminoso que Londres e isso só fazia meu corpo clamar ainda mais pelo dele.

Minhas mãos agarraram os cabelos macios do criminoso, enquanto ele me puxava para seu colo fixando ainda mais meu corpo ao dele, o coração batia acelerado e as mãos trêmulas continuavam firmes em seus cabelos, não conseguia entender como passava tanto tempo sem ter o corpo quente do criminoso colado ao meu, sem sentir as mãos fortes prensando meu corpo ao dele. Alguns passos foram dados por ele, enquanto nossas línguas travam uma guerra sem fim e notei que uma superfície dura encostava-se atrás de mim: eu estava sentada em cima da BMW.

Os pingos de chuva que até então eram imperceptíveis tornaram-se grossos e fortes, fazendo com que a água invadisse nossos corpos aos poucos, porém, nada daquilo importava, tudo que eu conhecia naquele momento era a boca úmida e corpo quente de Edward Cullen e mais nada. As mãos firmes impulsionaram meu corpo para traz e logo minha jaqueta estava no chão, um protesto ensandecido saiu de mim ao notar que nossas bocas estavam distantes, porém, o Cullen não se importou com minha reclamação, talvez em um outro momento eu passasse horas discutindo sobre como ele estava errado, mas não ali. Meu corpo lançado no capô do carro, de baixo da chuva, com as mãos quentes do Cullen me despindo demonstravam exatamente isso, que ele estava no controle e eu não questionaria dessa vez.

A blusa fina que escondia meu busto logo foi ao chão e as mãos rápidas de meu inimigo percorreram toda a extensão de meu busto, por cima do sutiã, gerando diversos arrepios em todo meu corpo, algo dentro de mim gritava que o homem em minha frente era perigoso e que jamais deveria estar ali, mas parecia tão distante que a ignorei. A boca sedenta logo foi em direção ao meu pescoço, descendo os beijos até minha barriga onde demorou um pouco mais, os olhos que costumavam ser carregados de um azul límpido, agora estavam escuros, resultado de todos desejo acumulado, arqueei a cabeça, sentido a boca quente depositar rápidas mordidas por toda a minha barriga.

Eu não sabia porque estava ali, nem como tudo aquilo teve começo, mas não podia negar que o corpo quente do Cullen me enfeitiçava de uma maneira absoluta, que não sabia se poderia resistir, as mãos frias me trouxeram mais para perto e eu pude sentir em suas pernas o quanto me queria, o quanto seu corpo respondia ao meu. Suas mãos foram até o cós da minha calça tendo um pouco de dificuldade para abrir, mas logo estava no chão, com as outras peças, estávamos juntos, completamente, mostrando quem eu era diante de meu maior inimigo, com todas as fraquezas expostas diante do único que tinha poder para me destruir, porém, nada disso importava, não naquele momento.

A respiração pesada de Edward se confundia com a minha, porém, quando sua mão se direcionou para minha costa, algo dentro de mim despertou: quem merda era aquela que estava fazendo?

Empurrei com força o peito do Cullen fazendo com que ele tombasse com surpresa, não podia deixar aquilo acontecer, finalmente percebi o tamanho da situação, eu estava no capô de um carro luxuoso, apenas de lingerie, quase transando com o cara mais imbecil da face da terra, que porra que eu estava fazendo?

"Não posso fazer isso" O sussurro quase não saiu, mas sabia que ele tinha ouvido, a feição de surpresa misturava-se com a raiva de ser rejeitado.

Soltou alguns murmúrios incompreensíveis com a surpresa e quase tive vontade de rir do estado de meu inimigo: os cabelos desgrenhados, com a jaqueta de couro lançada no chão e uma excitação bem evidente no meio das pernas, engoli seco ao notar o último detalhe, retirando o olhar o mais rápido possível para que não houvesse relances de insanidade.

"Não posso ficar com você, não posso" A voz esganiçada demonstrava minha indignação por minhas próprias palavras, meu corpo clamava pelo dele e eu sabia disso, mas não podia deixar que tudo aquilo acontecesse, me conhecia suficiente para saber que certamente quem sairia machucada dali era eu, e não ele.

"Mas que..." O vi andar de um lado para o outro, enquanto eu continuava sentada no capô do carro observando minimamente encolhida sua reação. "É isso que você quer, não é Isabella?" Virou o rosto para mim e eu vi tudo que jamais esperei encontrar no rosto do criminoso: eu vi derrota. "Você quer me deixar louco, não quer?" Gesticulou com força, e ouvimos um trovão ecoar um estrondo soasse em todo o local. "Está fazendo isso, está me deixando louco!" Me acusou firmemente e todas as palavras sumiram de minha mente, ele se encontrava no meio das minhas pernas, com o rosto tão próximo que podia engolir seu hálito que misturava hortelã.

"O que quer que eu faça então?" Devolvi seu questionamento com cólera, negando que me culpasse por qualquer coisa, se estávamos ali a culpa era dele e não minha, desde o princípio quem me procurou foi ele e não eu. Não deixaria que me culpasse. "O que quer de mim, Cullen?"

"Eu quero que você suma, que vá para o raio que o parta, que pegue o primeiro avião e vá para o mais longe possível de mim" Declarou com força, quase sem fôlego, o rosto a centímetros de mim era raivoso, porém, o que me paralisou completamente foi sua última declaração. "Porque não consigo mais fazer isso Swan, não consigo mais ter que te ver por todo o lugar e não poder te tocar... não poder ficar perto, não consigo mais" Suas palavras saíram em um tom derrotado, como se não pudessem mais ficar guardadas nem mais um dia, e apesar do tom ridiculamente alto, eu vi sinceridade nas órbitas azuis, o maldito do meu inimigo falava a verdade e nunca achei que isso fosse me tocar tanto.

Não foram precisos nem cinco segundos e minhas mãos já voavam para seus cabelos, trazendo-o novamente para perto de mim, meu coração dava saltos triplos dentro de mim e eu não sabia que porra era aquela, mas de uma coisa eu sabia: precisava daquele homem para mim.

Logo se livrou da roupas que insistiam em atrapalhar nossos corpos e após analisar enquanto retirava sua calça jeans, percebi o quanto fui estúpida para não observar o corpo perfeitamente esculpido do mafioso, inconformada, tentava imaginar como ele arranjava tempo para malhar com tantos afazeres no Cartel, mas não pensei por muito tempo, porque logo os lábios voltaram para os meus ainda mais sedentos e ansiosos.

Suas mãos me levantaram de cima do carro, levando-me até a areia e deitando-me no chão frio, a chuva naquele instante já era torrencial e os choques elétricos que suas mãos quentes depositavam em meu corpo só me fazia delirar ainda mais e naquele momento eu não pensava nos problemas, ou nos malditos entraves que tinha com o homem que me beijava causando arrepios, tudo que invadia minha mente era o quanto precisava dele, e o queria dentro de mim.

Sem pedir permissão, ele arrancou minha última peça de roupa e invadiu-me, me fazendo gemer de surpresa, uma enorme sensação de prazer me atingiu, fazendo-me arquear a cabeça para traz e segurar um grito que insistia em sair de minha boca, meus olhos se fecharam e minhas unhas se fincaram em sua costa como punição por ser tão dominador, um grunhido de prazer saia do fundo da sua garganta me fazendo delirar, os movimentos eram intensos, de uma forma que eu nunca havia experimentado nada vida. Nunca fui uma mulher de muitos homens, porém, a sensação que o Cullen fazia meu corpo sentir era completamente nova para mim.

"Abra os olhos" Ordenou, com a voz grave, aumentando a intensidade consideravelmente enquanto rosnava pequenos ruídos que me embriagavam. "Olhe para mim" Abri os olhos com dificuldade quase não me segurando de prazer e quando meus olhos se encontraram com as órbitas azuis, encontrei uma sinceridade que jamais esperaria ver ali. "Você... é... incrível..." Era o ápice e chegamos até ele juntos.

O corpo pesado estava em cima de mim e uma onda de vergonha me atingiu quando senti seus olhos me avaliarem, sabia que ia me arrepender do que tinha feito, mas era inevitável, eu sabia que era, tentei virar o rosto, mas as mãos firmes me seguraram.

"Agora não pode mais fugir" Declarou com soberba e apesar das palavras saírem da boca do mafioso mais orgulhoso do mundo, uma leve vontade de sorrir me atingiu, apesar de todos os problemas que havia entre nós, parecia certo estar ali. Parecia o lugar certo para estar: os braços do Cullen.

"É melhor a gente ir, devem estar nos procurando" Minha voz saiu incerta e cheia de vergonha e apesar de fazer de tudo para que ele não me visse vestindo as roupas, simplesmente encostou-se no capô do carro e me analisou sem nenhuma vergonha, apesar da chuva torrencial, continuava estagnado no mesmo lugar, com os olhos orgulhosos focados em mim enquanto a vergonha me consumia. Não consegui terminar de me vestir e entrei no carro só de lingerie, enquanto ele se vestia do lado de fora.

Lentamente entrou no carro, ligou o aquecedor e abaixou o banco, relaxando, virei para ele esperando inutilmente uma reação, mas nada vinha, o mafioso possuía os olhos fechados e os braços atrás da cabeça.

"Vai me olhar a noite inteira?" Perguntou ainda de olhos fechados, me dando um susto.

"Estou esperando você se mexer para voltarmos ao Cartel" Declarei revirando os olhos diante da prepotência do mafioso.

"Não vamos voltar" Soltou simplesmente, com o rosto mais limpo do mundo. "Tenho uma missão aqui perto daqui a algumas horas, vamos ficar aqui" O nervosismo me atingia aos poucos ao imaginar que teria de ficar presa em um carro com o Cullen, segundos atrás eu não tinha pensado sobre como nos comportaríamos depois de tudo, claro que eu não esperava nenhum sentimentalismo ou apego de meu inimigo, nem queria, porém, não sabia como agir diante dele, nem o que esperar. "Pode dormir se quiser" Afirmou com tranquilidade, quase sonolento e cruzei os braços, deitando meu banco logo em seguida, o Cullen era mesmo um babaca.

Fechei os meus olhos com força, resoluta a dormir de qualquer jeito, nem que tivesse de bater com minha cabeça diversas vezes no volante até entrar em coma, mas não daria ao Cullen o gostinho de me ver encabulada ou envergonhada, não precisava do seu apego ou nada disso, eu era a porra de uma criminosa e não precisava de nada que tivesse a ver com Edward Cullen.

Porém, logo em seguida, senti meu corpo ser puxado por duas mãos fortes e firmes, o que me fez abrir os olhos espantada. O Cullen me levou até o seu banco, quase me sufocando com seu aperto forte, prendi a respiração em surpresa, não entendendo o que o mafioso queria com aquilo.

"Não quero você perto do Tiziano" A voz saiu em um sussurro suave, quase como fosse um pedido, mas eu não me enganaria, sabia que Edward jamais fazia pedidos, ele definitivamente dava ordens."Não confio nele"

"Gosto dele" Impliquei, resoluta a não me submeter as suas vontades, ele bufou irritado e uma lufada de vento me alcançou.

"Foda-se" E o mafioso que conhecia finalmente estava de volta. Um pequeno sorriso surgir em meus lábios.

A verdade é que eu não sabia porque estava ali e nem como as coisas seriam depois de tudo, mas notei com desespero que uma coisa eu finalmente sabia: Eu sentia uma enorme atração por Edward Cullen, e não podia mais negar.

O que aconteceria daqui para frente? Só o futuro poderia dizer e para falar a verdade, não sei se realmente gostaria de descobrir.

Eu realmente estava ferrada.

Notas finais
Ok, EU TO COM MEDO DESSE CAPÍTULO! É a primeira cena de balacobaco que eu faço e sinto que está uma porcaria, então, se realmente estiver, podem me xingar nos comentário hehehe brincadeira, não xinguem... sério! Pra quem pensa que Ed e Bella vão ser super amorzinhos e felizes para sempre depois de hoje... NÃO SE ENGANEM! Esses dois não se bicam, apesar de obviamente se sentirem atraídos um pelo outro! Um dica: VEM MUITA COISA POR AÍ, AGUARDEM. Essa semana foi beeeeem tensa pra mim, por diversos motivos, me desculpem por estar demorando de postar os capítulos, mas é que as vezes dá bloqueio =( Então sorry. Pra quem não sabe: EU PASSEI NO VESTIBULAR uuhuuu Então estou happy! Obrigada a todas que torceram por mim, vocês são lindas! SEGUNDA-FEIRA FOI ANIVERSÁRIO DA LUIZA, ENTÃO TODO MUNDO POSTANDO "PARABÉNS LUIZA" NOS COMENTÁRIOS TÁ? Afinal, o PRÓXIMO CAPÍTULO terá 20.000 palavras por causa dela (Como eu vou fazer isso, ainda não sei, mas vou na fé) Por último: Estou extremamente INSEGURA com relação à esse capítulo, então,POR FAVOR comentem e sejam SINCERAS ok? Bia sem vocês não é Bia. Agora chega que amanhã eu tenho prova, beijo! (SIGAM O @EMPERIGO)