Em Perigo

1 Capítulo 1 - Segredos


Notas iniciais
Sejam bem-vindas, vos apresento: Em Perigo!


Desliguei, novamente frustrada, o celular, há algumas semanas eu tentava me comunicar com Jasper, mas o celular estava sempre fora de área, não me ligava, não estava indo à minha casa, não estava em sua própria casa, porque sua mãe me informou que tinha ido dormir na casa de John, um amigo nosso.



Não estava na casa de John porque havia falado com ele e o garoto mal sabia do que se tratava e é exatamente agora que minhas suspeitas estão se confirmando: Jasper está estranho.


Já vinha percebendo isso há algum tempo, Jasper era meu amigo desde a infância e éramos acostumados a fazer tudo juntos, quando crescemos, isso não mudou em nada, Jasper continuava sendo meu protetor e companheiro e eu sua parceira em várias atividades, nossas famílias possuíam um enorme grau de proximidade, o que só nos tornava ainda mais unidos.



Porém, algumas semanas atrás, tudo aquilo havia mudado, ele simplesmente desapareceu. Não conseguia encontrá-lo em lugar algum e quando finalmente conseguia algum contato, estava sempre com pressa ou atrasado.

Na última vez que nos vimos tinha recebido um contato frio e distante, afirmando que tinha coisas para fazer e que não poderia perder tempo comigo. Todos que conheciam Jasper tão bem quanto eu, sabiam que não era assim, Jaz era um dos homens mais gentis que já conheci na vida, estava sempre preocupado com as pessoas ao seu redor, sempre tentando encontrar soluções para os problemas alheios. Pensar que algo estava acontecendo e que ele estava se transformando em homem rude e comum, me assustava.



Havia algo extremamente errado acontecendo e eu estava prestes a descobrir.

Estava me escondendo algo e era grande, nunca havia visto Jasper ficar daquele jeito, estava muito preocupada e só ficaria tranquila quando descobrisse o que estava acontecendo.



Vesti meu casaco e desci rapidamente as escadas, pegando a chave do carro de minha mãe e fui até ele, entrando.



Andei poucas ruas e estacionei na esquina da casa de Jasper, uma hora ou outra ele teria que sair, esperaria até anoitecer se necessário, mas após alguns minutos notei que estava com sorte. Assisti o belo homem vestindo um casaco de couro saindo pela porta da frente da linda casa amarela e indo até uma moto que estava estacionada na frente.


Desde quando Jasper tinha um moto?



Aquilo não era nada a cara dele. O casaco preto de couro contrastava com sua pele branca fazendo uma bela combinação. Jasper não gostava de motos e muito menos de casacos de couro, porque diabos estaria usando aquilo?



Abaixei o rosto enquanto passava pela esquina com pressa e liguei o carro rapidamente. Ele entrou em algumas ruas desconhecidas por mim até então.



Acelerou e eu precisei pisar com força no acelerador para acompanha-lo. Ele, aos poucos, foi diminuindo a velocidade e entrou em um beco.



Era uma estreita rua que não tinha casas, não tinha lojas, não tinha pessoas. Só havia um velho e grande portão. Um enorme murro cercava o espaço que chegava a alcançar a rua inteira.



Os muros tinham mais ou menos três metros e meio de altura e na sua frente havia um portão maior ainda, enferrujado, devido o passar dos anos, através do portão era possível ver um enorme jardim e somente isso. O que seria aquilo?



Jasper desceu e apresentou algum tipo de documento, então o enorme segurança, que também vestia um casaco preto de couro, falou algo em seu rádio, se comunicando com alguém e logo depois os longos portões se abriram fazendo um barulho ensurdecedor.



Passou velozmente pelo portão, que logo se fechou. Desci do carro, fui na mesma direção e parei em frente ao tal segurança.



"Preciso entrar" Falei somente, o mal-encarado me olhou de cima a baixo, analisando-me.



"Posso saber quem é você?" Olhava desconfiado. "Nunca a vi por aqui"



"É, sou nova aqui" sorri amarelo. "Na verdade eu sou amiga do Jasper"

"Jasper?" ele me olhou confuso.



"É, Jasper Whotfod, o cara que acabou de entrar aqui, em uma moto"



"Não conheço nenhum Jasper Whotfod" Deu um risinho debochado, então resolvi tentar outra técnica.



"Sabe o quê que é?" Sorri confiante e cheguei um pouco mais próximo dele. "Vim fazer uma pequena visitinha para ele e uns amigos, sabe como é"



Pisquei e me lançou um sorriso tarado. Falou algumas palavras em seu rádio e em poucos segundos o portão estava abrindo. Como é fácil enganar um homem. Pisquei novamente e entrei pelo o grande portão enquanto fechava. Olhei ao meu redor e tudo o que continuei vendo foi o enorme jardim.

Não era um típico jardim inglês. Havia árvores e flores ali que não reconheci de nenhum outro lugar e o mais estranho era que mesmo sendo uma bela vegetação era completamente assustador encarar durante muito tempo, como se segredos ocultos atravessassem as vegetações e os bosques existentes.



Senti um arrepio percorrer minha espinha e me obriguei a continuar andando. Após algum tempo andando era possível ver que o tipo de vegetação havia mudado, não tinham mais árvores nem bosques ou flores. Era algum tipo de folhagem bem verde plantado ali. As plantações eram baixas e pareciam hortas, estranhei, mas continuei andando.



Após mais alguns passos pude ver algo inesperado: uma incrível mansão se encontrava à minha frente, era tão grande que chegava a ser quase um castelo, devido ao desgaste do tempo as paredes tinham uma coloração meio desbotada, dando assim, uma incrível tonalidade ao monumento histórico.



Mal podia acreditar que havia um castelo em um lugar tão retraído como aquele. Observei um pouco mais e notei que diversas motos iguais às de Jasper estavam estacionadas em frente ao castelo com alguns homens de grande estatura conversando e encostados na parede.


Vi uma enorme porta e deduzi que seria a entrada, passei sem ser vista e entrei. Por dentro, era ainda mais incrível, me sentia em pleno século XIX, com móveis antigos para todos os lados, paredes com pinturas renascentistas e cópias quase idênticas de grandes pintores renascentistas estavam penduradas nas paredes.



Alguém ali deveria ter um ótimo gosto para decoração, porém, o que mais me intrigou era o que Jasper teria a ver com tudo aquilo.


Passei por um enorme corredor e mais alguns calafrios surgiram, não sabia ao certo, mas uma sensação de angústia tomava conta de mim. Os corredores, estreitos demais, davam a estranha sensação de que a qualquer instante ficaria presa. Acelerei o passo, andando um pouco mais rápido, procurando ansiosamente por Jasper e passei a sentir passos atrás de mim.



Fiquei completamente assustada, minhas mãos tremiam e meus pés pareciam não obedecer aos meus comandos e quando dei por mim estava quase correndo, para meu maior temor, os passos que me seguiam também passaram a ser mais rápidos, minutos depois senti uma mão tocar o meu braço, segurando com força.



"Onde você pensa que vai, garota?" Uma bela mulher alta com incríveis olhos verdes me encarava, também usando uma jaqueta preta de couro e botas de cano longo, seu corpo extremamente elegante dentro da calça justa.



"Estou procurando um amigo" Falei apreensiva.



"Um amigo?" Colocou uma de suas mãos na barriga rindo e não era uma risada exatamente normal para uma garota, era uma risada sombria, como tudo ali. "E quem seria seu amiguinho?" Falou em tom de deboche.



“Jasper” Falei firme. "Jasper Whotfod" Após falar o nome dele, algo brilhou nos olhos verdes, que pareciam repletos de pura sagacidade. Pude ver uma faísca de ódio no meio deles e um pequeno sorriso surgindo lentamente em seus lábios.



"Ah, então você é amiga do Jasper?" Alargou ainda mais o sorriso cheio de perversidade. Segurou um pequeno rádio que também carregava e começou a falar algo rapidamente. Aproveitando que estava distraída tentei correr, porém, as mão foram mais rápidas e me segurou pelo braço.



"Você não vai a lugar nenhum" E a última coisa que vi foi novamente aquele sorriso assustador e sentindo logo após uma outra mão surgindo por trás de mim e tampando meus olhos e nariz, me obrigando a cheirar algo extremamente forte. Tentei debater e espernear por alguns segundos, mas era tarde demais, eu já tinha apagado.




*




Não sabia há quanto tempo estava ali, algo amarrava minhas mãos, pés e boca, abri os olhos e dei de cara com uma sala sem nenhum tipo de iluminação, tentei gritar, porém, tudo o que saia eram apenas gemidos abafados. Segundos depois a mesma mulher que falou comigo anteriormente entrou na sala acompanhada por mais cinco homens, todos de preto.



“Podem pegar, vamos levá-la ao mestre" Não sabia quem era o mestre, mas tinha certeza absoluta que não queria conhecê-lo. Só queria tirar Jasper daquele lugar horrível e ir embora.



“Não podemos nos divertir um pouco com ela?" Um dos grandalhões falou decepcionado e outro arrepio passou pelo meu corpo ao pensar em que tipo de diversão estava pensando.


"Claro que não, você conhece as regras" Revirou os olhos e começou a andar. "Mas é claro que se continuar viva depois de hoje, vocês poderão se divertir" Sorriu para mim e meu corpo inteiro ficou tenso enquanto os homens me carregavam e olhavam como se eu fosse alguma coisa comestível.



Ok, já tinha algumas suspeitas, mas conhecendo Jasper como conhecia elas eram completamente impossíveis, Jasper por acaso entraria em uma Seita ou algo do tipo?



Não o Jasper que eu conhecia.


Eles me levaram até uma grande porta que parecia ser tão antiga quanto aquele lugar, entramos e diversos homens de preto iguais aos que me carregavam para dentro dessa sala se encontravam no local, todos se vestiam estranhamente iguais, o que me deixava ainda mais confusa, o que era aquele maldito lugar?



A sala era praticamente do tamanho da minha casa, de tão grande, e minha visão focalizou apenas no centro onde havia uma enorme cadeira antiga de madeira bruta e nessa cadeira havia um homem, que parecia ter mais ou menos a idade de Jasper. Os olhos incrivelmente azuis e focalizaram em mim por alguns segundos. A expressão zangada denunciava que não estava nada satisfeito, e a jaqueta de couro, mostrava que fazia parte daquele ambiente tanto quanto os outros.



De costa para mim, ajoelhado à sua frente, estava Jasper, falava algo e parecia tentar explicar alguma coisa quando os olhos dele procuraram o que o homem à sua frente olhava e quando os seus olhos castanhos encontraram os meus Jasper ficou completamente pálido. Levantou-se e correu até minha direção.



"O que está fazendo?" Olhou para um dos homens que me seguravam. "Soltem-na agora!"


"Não é você que dá as ordens por aqui Jasper" A mulher sorriu perversa, a expressão mortificada de Jaz mostrava que seu autocontrole só duraria mais alguns segundos, antes de voar no pescoço da mulher desconhecida. "Senhor, encontramos essa garota vagando pelos corredores, disse que estava procurando por Jasper”



"Jasper, você será castigado" O homem pálido decretou com tanta autoridade e frieza que algo em seu tom de voz acendeu a ira dentro de mim, o modo ofensivo como se dirigia a Jasper me ofendia e meu extinto não deixaria que o tratasse daquela maneira. Passei a disparar golpes e chutes com toda minha força contra os enormes seguranças que me carregavam.



"Fica quieta garota!" A mulher disparou a mão contra meu rosto e um enorme estalo ecoou no local, porém, concentrava meu ódio somente no homem de olhos azuis sentado à minha frente, não sabia o motivo, mas algo nele acendia o pior em mim. Não sabia que lugar era aquele, nem o que Jaz estava fazendo ali, mas algo me dizia que a culpa de tudo aquilo era dos malditos olhos azuis que insistiam em me encarar com desprezo.



"Vou matar você!" Jasper levantou um dos braços e me assustei por vê-lo quase batendo em uma mulher, outro homem surgiu por trás de Jasper e o segurou impedindo que chegasse até a garota.

"O que foi Jasper?" Sorriu, provocando-o. "Sua amiguinha não é forte o suficiente para lutar sem precisar de sua ajuda?" Revirei os olhos com a patética afirmação, se não estivesse sendo segurada por cinco homens, com pés e mãos amarrados e com a boca tampada, ela veria quem não era forte suficiente.


"Tirem a fita da boca dela" O dono dos olhos azuis prontamente falou e logo foi obedecido, um dos homens foi até mim e arrancou com força a fita de minha boca, porém, mal tinha sido liberta, já gritava com todo fôlego.



"Vou te matar, seu merda!" Gritei vorazmente em direção daquele garoto. Pelo o que havia visto, ele era o líder de todos ali e também o culpado de ter transformado Jasper, culpado de ter tirado o meu melhor amigo de mim.



O efeito que minha frase fez no salão me surpreendeu. Nenhum som foi ouvido e todos os corações, mentes e respirações pararam e voltaram-se para mim como se o maior pecado do mundo inteiro acabasse de ser cometido, até Jaz ficara um pouco mais pálido depois de minha fala, porém, não tinha medo, não sabia que maldito lugar era aquele ou como sairia dali, mas não tinha medo, os malditos olhos azuis não me confrontariam sem receber uma resposta de volta.



Os olhos chocados à minha volta observavam atentos a cenas que se desenvolveriam a seguir e ao olhar para o lado, notei que a garota se voltou revoltada em minha direção, carregando em uma das mãos uma adaga, sempre achei que fosse mentira que cenas passavam na mente de quem estava prestes a morrer, mas não era. Naquele exato momento, em um lugar desconhecido e com diversas dúvidas não respondidas, soube que morreria, porém, antes que chegasse até mim, algo impediu que finalizasse seu objetivo.



"Pare" Falou o tal mestre.



"Mas mestre..." Tentou retrucar, inconformada por não terminar com minha vida.



"Pretende me desobedecer?" A voz irritada terminou com a indecisão da mulher, deixando-a submissa perante a autoridade do homem.



"Jamais, de modo algum senhor" Se ajoelhou em sua direção a ele e guardou sua arma ainda contrariada, os olhos azuis continuavam me olhando intrigados e cheguei a notar certo divertimento do neles.


“Pois não, o que havia dito mesmo?” Esbanjou um sorriso de deboche e senti vontade de esmurrar o maldito rosto até a morte ali mesmo.



"Que você é um merda" Citei, determinada.



"Cale a boca Bella!" Jasper falou desesperado para mim. "Senhor, por favor, desconsidere o que ela está dizendo" O tom agressivo não era típico de Jasper, mas estava presente em seus lábios, olhei para o corpo à minha frente, sem reconhecer quem era ali, o que teriam feito com meu amigo?



Estava diferente e isso só me fazia sentir ainda mais raiva daquele maldito homem, só podia ter feito uma lavagem cerebral em Jasper, sabia que jamais agiria assim com ninguém se não fosse por causa daquele lugar, a culpa era do maldito mestre.



"Deixe a garota falar Jasper" Continuava me encarando com deboche e divertimento.



"Seu idiota, o que fez com o Jasper?" Olhava ferozmente para o tal homem, ainda estava sendo segurada por um de seus capangas, se não teria voado até ele e acabado com aquele sorrisinho ridículo.



"O que eu fiz?" Arqueou as sobrancelhas em desaprovação. "Não fiz nada, Jasper está aí, inteirinho" Riu debochado e todos os presentes na sala riram em acompanhamento, como forma de demonstrar que todos obedeciam e o idolatravam.



"Você é um idiota mesmo" Continuei mirando com o pior olhar que possuía



"Pare com isso Isabella, agora!" Jasper gritou e olhei espantada para ele, suas mãos tremiam e seu rosto pálido e quase sem vida, eram provas de seu desespero, tentava a todo custo achar algo do antigo Jasper ali, mas era quase impossível. Daquele momento em diante sabia que não o reconheceria mais, não sabia quem era o Jasper à minha frente e não sabia se realmente queria descobrir quem era.



"Porque está gritando comigo?" Meu olhar fixo era acusador e demonstrava minha decepção. "Você nunca falou desse jeito comigo Jasper, o que está acontecendo?"

"Olha Bella..." Ele começou falando e foi interrompido.

"Ele nunca gritou com você?" O garoto falou atônito, com as sobrancelhas arqueadas em cínica surpresa. "Acho que não estamos falando do mesmo Jasper"

"Do que você está falando?" Encarei confusa e permaneceu calado. "Responda, do que está falando?" Gritei em sua direção.


"Que Jasper Whothfod não é mais o bom moço há muito tempo fofa" A garota falou debochada, quase salivando de satisfação. A cada nova decepção que meu rosto e feições demonstravam, mais feliz a garota ficava, aliás, naquele lugar, tudo parecia assim, as paredes daquele maldito castelo pareciam sugar a vida e a esperança de quem entrava pela porta. Em poucos minutos notara que todos que estavam ali, também estavam assim: mortos.

Diante da sala lotada e dos corpos amontoados, notei a mais assustadora verdade do dia: Jasper era exatamente como eles. Se não era, estava se tornando aos poucos e não saberia como recuperá-lo, como tirá-lo dali, não sabia nem o que era aquele maldito lugar. O desespero que sentia não era por estar em um lugar desconhecido, com pessoas estranhas que inspiravam medo em quem quer que fosse, ainda sob as ordens de um mestre que não sabia porque era chamado assim. O meu maior medo, naquele lugar, era a perda de Jasper para eles. Desde o primeiro momento havia percebido que Jaz não era mais o mesmo e meu medo era que isso fosse irreversível, torcia para estar terminantemente equivocada.



"Do que está falando?" Repeti a frase novamente, com a voz fina e quase morrendo, sem muita certeza de que queria realmente queria ouvir a reposta.



"Estou falando que..." Foi interrompida.



"Cale a boca!" Jasper foi em sua direção tentando cala-la, mas ela foi mais rápida.

"... que Jasper é nosso melhor atirador." Falou finalmente e ele parou derrotado com a cabeça baixa. Paralisei completamente.


Jasper.


O meu Jasper.


O meu Jasper era um atirador?



"V-vocês matam o que-e?" Gaguejei "Animais?" E após falar ouvi a risada geral e estrondosa. Escutei por último a voz daquele maldito homem de olhos azuis.



"Nós matamos pessoas."

Notas finais
Espero que tenham gostado, ainda vem muita onda pela frente! Beijos, Bia.