Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XII: Provada

– Onde está Madara-sama?

Ela perguntou a um guarda que estava no corredor.

– Está resolvendo uns problemas.

Pela expressão dele pode perceber que Madara não estava no castelo.

– Oh! Eu precisava tanto falar com ele.

Mentiu e saiu em direção à cozinha até que o guarda a perdesse de vista.

Na cozinha não havia ninguém, então ela andou depressa até o quarto em que as serviçais dormiam, achando Kimy varrendo o chão.

– Kimy? – Ela sussurrou, olhando ao lado – Sabe onde é o quarto do ninja que chegou ontem?

A senhora olhou-a com uma careta, e pôs-se a pensar em seguida.

– Levei chá para ele uma vez – Ela disse, — Quando ele estava aqui logo no inicio do castelo. Seu quarto era no segundo andar, três corredores retos com as escadas, e dois à direita.

Ela não esperou mais, agradeceu e saiu correndo.

Ela chegou correndo na cozinha vazia, pegou um bule de chá e uma xícara de chá colocando-os na bandeja. E disfarçadamente subiu as escadas, quando chegou lá em cima um guarda a parou.

– Você não é mais serviçal.

Ele disse.

– Kimy está muito ocupada e um pouco doente, pediu-me para que eu trouxesse chá para o convidado.

Ele acenou positivamente com a cabeça, deixando-a passar.

Seguindo as instruções da senhora ela finalmente chegou ao corredor certo e pode sentir o chakra de Gaara quando chegou perto da porta.

Ela bateu uma vez, e ouviu um ‘entre’.

Olhando para os lados ela entrou sem delongas. Gaara estava sentado na cama com as mãos nos cabelos ruivos. Ela observou o quarto e deixou o jogo de porcelana sobre a mesa, puxando o ruivo pelo colarinho para o banheiro e fechando a porta dele.

– Sakura! O que você está fazendo aqui?

Ele perguntou, assim que ela o soltou.

– Você realmente está do lado dele? Do lado de Madara?

– Claro que não. – Ele respondeu, e ela suspirou de alivio.

Sabia que ele poderia estar mentindo, mas sabia que Gaara não era o tipo de homem que mentia. Se ele estivesse do lado de Madara teria lhe acertado e a matado, ou teria chamado os guardas.

– Sakura, porque está aqui? Porque ele a olha daquele jeito?

– Naruto e Sasuke estão vivos.

Viu Gaara arregalar os olhos.

– Nós nos encontramos, há algum tempo atrás, nós vamos destruir esse lugar, destruir Madara. – Sussurrou.

– Eu tenho um grupo de ninjas.

Ele disse como se estivesse avaliando o céu.

– O que?

– Tenho um grupo de ninjas, há anos estou planejando destruir isso.

– Mas... Como?

Eles falavam tão depressa e tão baixo que era difícil processar as informações.

– Quando eu vi que não havia mais saída, que todos nós ficaríamos a mercê de Madara eu me rendi, com o meu histórico ele duvidou pouco e me trouxe para cá, eu o ajudei a montar esse castelo e a recrutar pessoas, isso me enjoa, mas era o único modo dele confiar em mim.

Acenou com a cabeça, incentivando-o a continuar.

– No começo eu era mandado em missões com outros capangas, mas quando ele pegou confiança em mim deixou que eu fosse sozinho. Meu trabalho era capturar ninjas para trabalhar para ele. Quando comecei a ir sozinho achei pessoas que eu conhecia, e pessoas que eu não conhecia, mas que me pediam ajuda, então começamos a montar um pseudo-exército, para acabar com isso. Há poucas pessoas, mas a cada vez que saio consigo recrutar mais. Elas ficam escondidas, em um lugar a quem ninguém tem acesso e eu volto para cá, fingindo que estou do lado dele e saio em seguida recrutando mais pessoas. Há pessoas minhas aqui dentro, ninjas que estão do meu lado, que assim como eu querem acabar com isso.

Ela não pode evitar seu olhar espantado.

– Essa é minha ultima vinda aqui – Gaara a disse – Não posso mais ficar voltando, tenho que treinar os ninjas e armar um plano, dessa vez ele encomendou dois ninjas de irem comigo, ele provavelmente desconfiou da minha demora em voltar dessa vez. Eu precisarei matar os ninjas para fugir e não poderei mais voltar.

– Você precisa achar Naruto e Sasuke.

Disse rapidamente e sentiu um chakra perto. Ela abriu a porta do banheiro, indo até a mesa em que havia colocado a porcelana e jogou a xícara branca no chão.

– Céus! Por favor, por favor, me perdoe senhor Gaara-sama. Limparei isso imediatamente, onde é o banheiro?

Falou alto, parada e em segundos pode sentir o chakra do guarda se distanciar. Voltou correndo para o banheiro.

– Eu vim aqui para descobrir coisas, para eles terem uma chance maior de atacar, de entrar aqui dentro. Combinamos dois anos. Preciso que os encontre e diga a eles que o tempo continua o mesmo.

– Mas-

– Diga a eles que darei um jeito de imobilizar ninjas aqui dentro. E no dia combinado, abrirei os portões para que vocês entrem.

– Sak-

– Shii, não temos tempo. Apenas os ache e preparem tudo. Preciso também que avise os seus subordinados que estão aqui dentro sobre mim, peça a eles que me avisem de algum modo que estão ao seu lado, para que eu não os prejudique no dia. Não tenho noção de espaço, mas quando me trouxeram sei que estamos ao norte, a ultima vez que os vi estávamos ao leste em referencia ao castelo, perto de uma das pousadas de Madara, você já deve ter passado por lá, eles não devem ter ido muito longe.

Viu o ruivo acenar positivamente com a cabeça.

Correu até o quarto, pegando os cacos da xícara e colocando-os na bandeja.

– Sakura-

– Diga a eles que estou bem.

– Você não está.

– Mas diga que estou.

Disse, pegando a bandeja nas mãos e saindo dali. Havia dois guardas perto das escadas, mas ela sabia que eles não ouviram sua conversa, estavam longe demais. Eles não a perguntaram nada, e ela desceu as escadas.

Deixou a bandeja sobre a mesa, e olhou para o relógio. Embora tivesse conversado muito, pareceram horas, não havia se passado nem dez minutos.

Por favor, por favor, que ninguém desconfie.

Pensou.

• • •

Enquanto arrumava os poucos instrumentos médicos que ela tinha na bandeja de metal, a porta se abriu. Ela não precisou se virar para saber que era Madara.

Deveriam ser sete horas da noite. Ele não parecia feliz.

– Algo errado?

Ela perguntou, tentando parecer preocupada, mas logo em seguida lembrou-se que não podia dirigir a palavra a ele.

Mas ele não a repeliu.

– Alguns problemas.

Ele respondeu encostado na porta.

Virou-se, com uma cara falsa de preocupação, como uma mulher trata o marido.

– Está machucado?

– Não.

Ele respondeu.

– Apenas uns ninjas engraçadinhos há alguns metros daqui.

Acenou positivamente com a cabeça como se entendesse e como se aquele assunto não a interessasse. Típico de mulheres fúteis.

– Um dos meus guardas disse que você foi ao quarto de Gaara.

Por dentro ela gelou, mas sabia que por fora sua face estava tão serena quanto antes.

– Sim. Kimy estava limpando o meu quarto, achei justo levar chá no lugar dela, mas me arrependi.

– Por quê? Ele a tocou?

– Não! Ele é mal-humorado e tão grosso quanto diziam.

Madara acenou positivamente com a cabeça.

– Tentei perguntar como ele estava, mas ele me mandou saiu, acabei esbarrando na xícara e derrubando-a e levei uma bronca.

Disse, e ele acenou novamente, sorrindo levemente.

Caiu feito um patinho.

Pensou, quando ele se aproximou, enlaçando sua cintura e aproximando seus corpos. Ele lhe tomou novamente, ali mesmo, no quarto escuro e feio, mas ela não ligou, estava novamente afogada em dor e pavor, embora sua face demonstrasse prazer.

– Quem?

Ele perguntou, ainda dentro dela.

– Hã? – Sua voz parecia um gemido – verdadeiramente de dor -, mas que ela sabia que ele havia interpretado como prazer, porque pode senti-lo duro dentro dela.

– Você não era virgem quando a tomei para mim, quem?

Ela olhou-o, deixando algumas lágrimas caírem pelo seu rosto – aquelas lágrimas de dor que estava se recusando a deixar cair. Lágrimas verdadeiras, mas com um sentido falso.

– Sasuke.

Ela se segurou nele, fungando em seu ombro e chorando.

– Logo que nos encontramos, foi horrível. – Falou, como uma menina frágil e desprotegida – Ele sempre me odiou, mas nunca pensei que fosse a esse nível.

Viu Madara endurecer os ombros.

– Eu não conseguia tirar isso da minha cabeça, a dor, o terror... Pensei que nunca mais fosse querer homem algum perto de mim.

Mentiu, ele estava acreditando, estava o convencendo, sabia disso.

– Até que...

O Uchiha esperou, impacientemente.

– Até que?

Enlaçou as pernas na cintura dele, e aproximou os lábios do ouvido dele, sussurrando:

– Até que eu conheci você.

Ele endureceu ainda mais dentro de si e voltou a estoca-la com uma força absurda.

Ela nunca havia se sentido tão suja e tão mentirosa.

Notas finais
Espero que estejam gostando, obrigada por todo o apoio