Em Meio Ao Fogo
14 Descobertas
Notas iniciais
Em Meio Ao Fogo
Escrita por Coffee
Capítulo XIII: Descobertas
– O que há de errado?
Sasuke perguntou, quando ele voltou para onde o moreno estava.
– Hinata.
– Está doente?
– Não se lembra de mim.
– Como?
– Entrou em estado de choque após a guerra, não se lembra de praticamente nada.
– E o que vai fazer?
– Fazer ela se lembrar.
– Naruto... Temos que achar pessoas...
– Quer que eu a deixe aqui?
– Você pode voltar para pegá-la depois.
– Está louco? Você não sabe o que é gostar de alguém? Mesmo em guerra, não posso deixá-la aqui, mesmo que isso estrague nossos planos.
– Eu deixei Sakura para Madara.
Sasuke disse, e saiu em seguida.
Ele sabia o que o amigo quis dizer.
Ele sabia que Hinata estava bem, ficaria bem e ainda sim era egoísta o suficiente para se recusar a deixá-la. Sasuke havia deixado Sakura ir para o covil de Madara e ele não tinha ideia de como ela estava, nem sabia ao menos se ela estava viva.
• • •
Ela estava em seu quarto de trabalho, olhando desanimada para os instrumentos médicos quando a porta foi aberta em um baque. Era uma mulher, loira, pequena e suja carregando um garotinho no colo.
– VOCÊ! POR FAVOR, POR FAVOR, POR FAVOR!
Ela gritava chorando. Viu guardas aparecerem na porta, a entrada da mulher ali não era permitida.
– SALVE-O, POR FAVOR, SALVE-O!
E o garoto estava no colo da mulher, já desacordado e gelado. Como ninja e médica era como se ela pudesse ouvir o coração dele batendo lá dentro, lento, devagar, com esforço.
Seu instinto era correr até ele, colocá-lo na maca, e fazer uma massagem cardíaca eficiente e desgastante até que o coração dele voltasse. Ela sabia, confiava que podia salvar aquela criança.
Mas ela não fez nada que sua mente planejou. Madara apareceu na porta, no mesmo instante em que ela deu o primeiro passo em direção à criança.
– Afaste-se.
Ele disse, diretamente para ela. E ela olhou-o chocada.
Ela precisava salvar aquela criança.
NÃO! NÃO! Deixe-me salvá-lo, deixe-me ajudá-lo.
Sua mente gritava, mas ela viu, em silencio, os guardas pegarem a mãe, com o filho já gelado no colo, e arrastarem-na para longe do seu poder de cura.
Com o tempo que estava naquele castelo, sabia que logo a mãe estaria tão gelada quanto à criança.
Ela não conseguiu se segurar, e mandou um olhar irritado para Madara, que mal se incomodou . Ela só queria matá-lo, o mais rápido possível.
Estúpido.
..
Do que adiantava tem o poder da cura se ela não podia usá-lo?
• • •
Eles haviam passado cerca de três ou quatro horas explicando para cerca de vinte Hyuugas seu plano de ação. Os olhos perolados permaneceram em silencio, enquanto ele falava, ouvindo-o.
Sasuke estava do seu lado. Completava quando ele se esquecia de algo, mas parecia estar mais distante que o normal.
Quando ele parou de falar, Hiashi foi o primeiro a se pronunciar.
– Vocês não são os únicos a querer destruir aquilo.
– É claro que não-
– Tem uma pessoa lá de dentro que está planejando isso. E nós estamos ajudando.
E ele não acabou de falar, apenas se levantou, fazendo sinal para que os seguissem. Eles andaram entre a floresta, ainda perto das casas enlameadas do clã, até um lugar afastado. O mato estava seco, o sol forte, e tudo que ele queria era água, mas permaneceu em silencio.
Viu o Hyuuga puxar um galho e uma casa, muito maior que as outras estava bem ali, na sua frente. Tinha um teto muito baixo, provavelmente para não chamar atenção, e era simples e velha.
A porta foi aberta, e o que havia lá dentro o deixou boquiaberto.
Não havia olhos perolados lá.
Havia vários olhos, azuis, castanhos, roxos, verdes...
Uma variedade de rostos em silencio, batendo em bonecos improvisados, jogando armas e lutando.
Uma rebelião.
Um exército.
Bem ali, no meio do nada.
• • •
Hiashi os explicou depois que um ninja trazia recrutas para lá, nunca a força, mas somente se as pessoas quisessem. Porém o Hyuuga não havia os dito quem era essa pessoa.
Eles permaneceram lá, Sasuke tão abobado quanto ele.
Por cinco dias depois de descobrirem eles permaneceram ali, ajudando e treinando junto, ensinando técnicas para ninjas mais novos, bolando planos com os Hyuugas no fim da tarde, e visitando Hinata a noite.
Foi em uma dessas noites, em que visitava Hinata, que ouviu um barulho lá fora. Ele saiu correndo, imaginando ser uma invasão, quando viu um grupo de recém chegados, e ao lado deles... Gaara.
Com os cabelos feito fogo. Tão sujo e tão cansado quem nem parecia o Kazegake.
Ele correu até ele, o abraçando. E depois entendeu tudo. Era ele, ele o jovem que mudara de lado na batalha, que ajudara Madara com o castelo, e recrutava ninjas para destruir o soberano.
Era Gaara o homem que Hiashi tanto falava.
Eles mal conversaram, quando tiraram o ruivo de frente a ele, levando-o para tomar banho e comer.
Era tarde da noite. Ele e Sasuke estavam sentados sobre os colchões velhos, em uma sala de uma casa que haviam doado temporariamente para os dois. Havia somente um cômodo, com um pequeno banheiro precário no fundo, colchões e uma cesta com quatro frutas, duas já estavam podres.
A porta foi aberta, e o ex Kazegake passou por ela, agora com roupas limpas, e um olhar menos exausto.
– Você estava no castelo.
Sasuke disse, antes que o ruivo se quer entrasse. Não havia sido uma pergunta.
Viu-o acenar positivamente com a cabeça.
– Encontrei Sakura, ela esta viva.
Suspirou de alivio, embora Sasuke continuasse com os ombros tensos e a mandíbula trincada. Ele tinha impressão que o moreno estava em um impasse, não sabia se era melhor ficar sem noticias, ou com elas.
– Ela mandou os dizer que o tempo continua o mesmo. Dois anos, e ela vai dar um jeito de entrarmos lá dentro, de imobilizar guardas e abrir os portões.
Acenou positivamente com a cabeça.
– E mandou dizer que ela está bem.
– E como ela realmente está? – Sasuke perguntou, com a voz tão fria que um arrepio percorreu a sua espinha.
– Não está machucada. Já foi serviçal, mas agora está curando ninjas no castelo, não tem lá muito trabalho.
E ele sorriu feliz pela amiga estar bem.
– Nossa! Que bom! Estou t-
– E o que mais?
Sasuke o cortou.
Mais? Para que mais? Sakura estava bem, e-
– Madara está amigável demais com ela.
E ai ele entendeu a linha de raciocínio de Sasuke.
Viu o moreno acenar positivamente com a cabeça, sua mandíbula ficou ainda mais travada, seus ombros tensos e ele socou o colchão com tanta força que ele podia jurar que o chão de terra pisada havia se rachado.
Sasuke se levantou, rapidamente, abrindo a porta e saindo por ela.
Ele olhou solidariamente para a porta em que o amigo havia passado segundos antes e suspirou.
E eu reclamando que Hinata não se lembra de mim.
Sasuke não voltou dormir aquela noite.
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