Em Meio Ao Fogo

19 Preparação


Notas iniciais
Olááá para quem ainda lê! Boa Leitura!

Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XVIII: Preparação

Madara havia saído novamente.

Isso a dava um tempo extra para resolver problemas. O Uchiha havia levado muitos ninjas consigo, visto que agora seu numero era reduzido, aproveitando o numero pequeno de pessoas dentro do castelo ela andou até cozinha.

– Kimy?

Chamou-a, e a senhora começou a lhe fazer uma reverencia.

– Hey, hey, hey, pare com isso.

Disse, levantando-a do chão. Pegou-a pelas mãos, arrastando-a para fora da cozinha, parando na área externa do castelo. Inicialmente seus olhos doeram, e quando se acostumaram com a luz era olhou em volta, achando alguns ninjas, mas que estavam distantes e não poderiam ouvi-la.

– Preciso de ajuda.

A senhora olhou-a em duvida.

– Vou lhe contar uma coisa, mas a senhora não pode contar para ninguém, sim?

– Você não está aqui porque o ama.

Foi uma afirmação.

– Você não ama Madara.

Sorriu triste.

– Como poderia? Como alguém poderia amá-lo... Você gosta dele? – Perguntou para a senhora.

– Como você disse... Como poderia... Por causa dele perdi meu filho e meu neto...

– Eu sou Haruno Sakura, de Konoha, pupila de Senju Tsunade, já ouviu falar dela?

– Muito.

– Eu fazia parte da ANBU, era sub-chefe do hospital, líder do esquadrão C de guerra dos ninjas médicos e fazia parte do instituto de estratégia e inteligência.

– Parece complicado.

– Sim, mas eu amava, amava fazer tudo ali... E aí veio a guerra. Eu perdi tudo, minha casa, minha família, meus amigos, minha mentora, todas as coisas e pessoas que eu amava. Eu vivi sozinha durante dois anos, sem nada nem ninguém, andando feito uma nômade por esse país. Até que eu reencontrei dois velhos amigos meus. Uzumaki Naruto, cabeça-oca, já deve ter ouvido falar nele, todos já ouviram, e Uchiha Sasuke, sabe quem são?

– Já ouvi falarem muito, meu neto era ninja, um homem meio avoado, mas com um enorme coração... Ele tinha muita admiração pelos poderes ninja de seus amigos.

Sorriu.

– Eu vim aqui com a intuição de vivenciar isso, de ver como são as coisas aqui dentro, aproximar-me de Madara, e nós marcamos um dia.

– Um dia?

– Sim. Nós vamos destruir Madara, destruir isso, libertar todos vocês desse inferno.

– Mas... Ele é muito poderoso e-

– Estamos bem montados. Há muitos ninjas que virão nos ajudar, estou confiante em uma provável vitoria nossa, e mesmo que perdermos, tem como alguma coisa ser pior do que isso? Viver aqui... Nesse inferno...

A senhora ficou em silencio, olhando para baixo durante o que pareceu ser uns cinco minutos.

– O que posso fazer para ajudar?

– Gostaria de saber para onde vão as roupas de cama velhas de Madara. Preciso de muito pano vermelho.

– Nós fazemos lençóis para nós, sem que ele saiba, é claro.

– Tem algum guardado ou-

– Eu posso arranjar isso para você.

– Sério? No dia, os que estão com nós, devem usar vermelho, pensei em fazer alguns quadrados vermelhos, não muito grandes, para que todos possam usar, seja como lenço ou amarrado na calça ou na blusa... Não podemos usar muito pano, porque são muitas pessoas.

– Darei um jeito. Para quando precisa?

– Para daqui seis dias. Posso te procurar de manhã.

– Estará tudo pronto.

– Muito obrigada – disse, e não resistiu em abraçar a senhora – eu prometo que vamos sobreviver e você vai ter uma vida muito melhor do que isso aqui.

Pela primeira vez ela lhe abraçou de volta.

– Acredito em você.

[...]

Ela precisava de um jeito para arrancar aquela tornozeleira, mas todas as vezes que tentava retirá-la um choque percorria o seu corpo.

Não podia pedir para Madara retirá-la, sabia que ele desconfiaria, e tudo que ela menos precisava era de desconfiança em um momento daqueles.

Três dias. Faltava três dias.

Uma nova revolta havia estourado. Bem próxima dessas vez, e o Uchiha havia ido até lá pessoalmente após mandar oito ninjas e apenas um voltar.

– Sakura?

Ela pulou de susto olhando para trás e encontrando Tomiro.

– Desculpe assustá-la.

– Oh! Tudo bem!

– O homem que você mandou que eu cuidasse. Melhorou bastante, meu pessoal está lá em baixo, ninguém vai falar nada para Madara, quer ir vê-lo?

– Oh! Claro!

Largou as ervas com que mexia, e seguiu-o escadas abaixo.

O lugar fedia, e não importava quanto tempo passasse ela jamais se acostumaria com aquilo.

Algumas pessoas gritaram quando ela passou.

Suplicando ajuda.

E por mais que quisesse, ela apenas ignorou, continuou andando, firme, mesmo com a vontade de chorar.

Encostados nas paredes havia os homens de Gaara, silenciosos, cerca de cinco. Eles lhe cumprimentaram com o aceno de cabeça e uma mesura como se ela fosse o ex-Kazegake.

– Passei esses dias trabalhando nas ervas. Vou lhe entregar no dia de manhã, preciso que me procure assim que o sol nascer.

Viu-o acenar com a cabeça.

– Também preciso que deixe o pessoal de Gaara de guarda aqui dentro, sei que eles são importantes na guerra, mas eu quero que eles ajudem essas pessoas a saírem daqui. Eu darei o sinal de quando sair, só preciso que eles os acompanhe e os levem para um lugar seguro.

– Sim senhora.

– Não precisa me chamar assim, nem daquela coisa... Da mesura.

– A senhora está se sacrificando muito para que todos possam ter uma vida melhor.

Ela sorriu.

– Todos estão se sacrificando.

Chegou na cela de Kakashi. Tomiro abriu a porta para que ela entrasse. Seu sensei ainda estava amarrado, e magro, mas não tão debilitado como na sua ultima visita.

– Sakura?

Ele perguntou, embora olhasse para ela. Teve a sensação que ele próprio queria acreditar que aquilo não era um delírio de sua mente.

– Sim Kakashi-sensei.

Ajoelhou-se em frente a ele.

– Daqui há três dias estaremos todos livres disso.

– Chegou o dia?

– Sim.

Uma pergunta passou em sua cabeça.

– Kakashi-sensei? Por que ele o manteve vivo?

– Queria me trocar por Naruto e Sasuke, provavelmente prometeria que eu ficaria livre, e em troca, eles ficariam aqui, ele sabe que são dois cabeças ocas e aceitariam.

Ela se manteve em silencio.

– Sakura?

– Sim?

– Cuidado. Ele pode estar fazendo o mesmo com você.

– Não, ele caiu no meu teatro.

– Obrigada pela comida, sei que você deu um jeito de me alimentarem.

– Kakashi-sensei, preciso que você nos ajude a tirar essas pessoas daqui. Eu vou vir o soltar, os ninjas de Gaara irão ajudar todos a saírem daqui e irem a um lugar seguro. Você será o líder.

O Hatake arregalou os olhos.

– Obrigada pela confiança, Sakura.

Ela sorriu.

– Preciso ir. Alimente-se bem, precisa estar forte!

– Eu vou.

Estava prestes a sair quando ele a chamou de novo.

– Vai valer a pena – Ele disse – Todo esse tempo, e todos os nossos sacrifícios. Tudo isso vai valer a pena.

– Sei que sim.

Sorriu uma ultima vez, saindo.

Na volta, perguntou a Tomiro.

– Você sabe como destruir essas malditas tornozeleiras?

– Não. Parece que Madara tem uma chave, mas nunca soubemos como é, nem onde ela fica.

Acenou positivamente com a cabeça, voltando para suas ervas.

Antes que Madara voltasse, ela ainda fuçou no escritório e no quarto, tentando – inutilmente – encontrar uma chave, ou qualquer coisa que a livrasse daquela tornozeleira.

Não obteve sucesso. Ela sabia que não teria nem de perto sua força total com aquela tornozeleira, precisa muito se livrar dela, mas não parecia haver solução, ela não podia revirar as gavetas nem a prateleiras, pois tinha medo que ele percebesse quando voltasse.

Então, naquela noite, ela se contentou em achar uma garrafa de vinho na cozinha, duas taças, encher a banheira e o esperar chegar.

São as ultimas vezes.

Ultimas vezes.

E estará livre disso.

Era o que ela pensava.

Eu vou aguentar firme.

Não vou fraquejar.

[...]

Estavam todos prontos, marchando como soldados.

Ele, Gaara e Naruto andavam no meio, como haviam planejado. Os Hyuugas se dividiam entre a frente, e as costas, com exceção de uma, Hinata andava ao lado de Naruto, segurando as mãos dele tão forte que ambas – as deles e as delas – estavam vermelhas.

Ele apenas observou, mas não disse nada.

Sentia a ansiedade. Eles caminhavam seguindo o mapa. Haviam parado apenas cinco vezes desde quando começaram. A ansiedade era tanta que ninguém pedia para parar, ninguém parecia nem ao menos perto de estar cansado.

Afinal, todos eles buscavam uma coisa.

Vingança e liberdade.

Mais um dia de caminhada e chegariam bem cedo ao castelo de seu tio.

E ainda sim, com aquele sangue nos olhos, aquela raiva e aquela necessidade de vingança somente uma coisa o preocupava.

Não era se sairiam vivos.

Nem se o plano daria certo.

Sua preocupação tinha lábios carnudos e cabelos róseos.

[...]

As ervas estavam prontas.

Seu coração batia desesperado o dia todo.

Mais catorze homens de Madara haviam morrido.

Amanhã.

Sua mente repetia.

Amanhã.

Tudo acaba amanhã.

Foi com essa sensação que ela foi dormir ao lado de Madara após ele saciar seu próprio desejo. Ele estava irritado, e deixara isso claro no sexo que fizera com ela. Sabia que ele estava preocupado, revoltas explodiam cada vez com mais frequência, seus ninjas eram mortos...

Você mal pode esperar...

Não tem noção do tamanho dos seus problemas.

Ela pensou, e dormiu.

[...]

Seus olhos se abriram.

A claridade começava a aparecer, na janela. Mas ela sabia que ainda era muito, muito cedo.

E o que ela pensou, foi:

É hoje.

É hoje.

É hoje.

Notas finais
É hojeee minha geeeente! Heeeeey você que ainda lê, deixe sua opinião na caixinha aqui em baixo! Beeeeeijos!