Notas iniciais
Fiquei muito chateada com o número de reviews do capítulo passado, sei que fiquei muito tempo sem atualizar e provavelmente muitos desistiram da história, por isso obrigada a todos que comentaram. Boa Leitura!

Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XVI: Iniciativa

A carta não tinha destinatário, remetente ou data. Era o mais impessoal possível.

Já temos cerca de cem pessoas em um único acampamento, fora os demais. A maioria são ninjas muito bem treinados, e os que não são, estamos treinando. Nessa semana começaram várias rebeliões em vários lugares do país, algumas foram iniciadas por pessoas que estão ao nosso lado, outras não, mas que de um modo geral tem nos ajudado. Tivemos a noticia que elas se estenderão pelo mês inteiro, e esse é o momento.

Mesmo tendo passado apenas um ano e alguns meses, não podemos esperar mais. Ele terá que dividir seu pessoal para proteger e conter todas as rebeliões, dentro de poucas semanas estará vulnerável para um ataque.

Soubemos sobre o casamento, e muitas pessoas estão em duvida se podem ou não confiar em S., mas você que está ai dentro sabe se pode ou não confiar nela, nós pedimos para que TODOS que estão do nosso lado usem vermelho nesse dia, pode ser uma única peça, um pedaço de pano, qualquer coisa, apenas para identificarmos quem devemos ou não atacar.

Todos os demais, tirando os prisioneiros serão mortos, por esse motivo, caso ajam pessoas que precisam proteger, tirem-nas da superfície do castelo.

Uma semana, dentro de sete dias estaremos executando nosso plano, esperamos contar com o máximo de pessoas que pudermos ai de dentro.

Queime isso imediatamente.

•••

Hinata estava sentada no chão de terra batida.

Ele vinha se encontrar com ela todas as tardes depois do treino, conversava sobre Konoha, sobre os dois, tentando – pelo que parecia inutilmente – fazer com que ela se lembrasse de algo.

– Um casal.

Ele repetia pela trigésima vez.

– Sou Naruto. Você é Hinata, lutou na guerra e entrou em estado de choque.

E ela apenas olhava para ele, com aqueles olhos perolados gigantes em duvida. Ele já não sabia mais o que tentar, estava em desespero, eles partiriam em breve e queria tanto ter Hinata ao seu lado, lutando com ele, podendo defender a si própria...

– Eu nunca tive a oportunidade nem a coragem de te dizer isso antes.

Ele disse, e sentiu as lágrimas descerem pelas suas bochechas.

– E agora eu vejo o quanto eu errei, eu deveria ter dito quando você sabia quem eu era, quando ainda gostava de mim...

Pegou as mãos dela, e pela primeira vez ela não recuou.

– Eu te amo Hinata, eu te amo muito.

E antes que pensasse que ela poderia ficar assustada, abraçou-a, forte.

Suas lágrimas desciam sem sua permissão, e seu coração batia descompassado.

– Naruto...

A voz veio. Hinata nunca falava.

Seu coração disparou ainda mais quando ela o apertou em seus braços.

•••

– Sasuke?

Ele se virou, por puro instinto e encontrou Gaara.

– Posso entrar?

Ele não respondeu e como esperava o ruivo entrou e sentou-se ao seu lado.

– Como sabe... Tenho alguns subordinados no castelo. Mandei uma carta para ele falando sobre a mudança de planos. Mandei que deixasse Sakura ler.

– Ler sobre o plano? Os Hyuugas não confiam mais nela, grande parte das pessoas aqui não confiam mais.

– Mas eu não — O ruivo o respondeu, e ele sabia que sua sobrancelha havia se elevado por conta própria – Eu a vi Sasuke, e naquele momento eu apenas disse que ela estava bem porque você e Naruto não podiam perder o controle. Mas eu a vi, tão desolada, machucada e opaca. Sasuke... Ela nem ao menos parecia à mesma, estava marcada, encolhida feito um animal. Ela tentou esconder, mas eu vi, estava apavorada.

– Gaa-

– Sakura estava aterrorizada Sasuke.

Ele queria se levantar e vomitar.

– É por isso que eu confio nela com os olhos fechados, do mesmo modo que ela confiou em mim quando eu estava lá dentro. Sakura estava perdida, feito uma criança assustada, e é por isso que eu deixei com que ela lesse, porque sei que ela está no nosso lado. Eu confio nela. E você, Sasuke?

Ele nem ao menos pensou para responder.

– Com a minha vida.

Era assim que ele confiava nela, com a sua vida.

•••

Era isso? Ela cambaleou e a carta foi puxada de sua mão pelo homem que ela ainda não sabia o nome. Ele a queimou diante dos seus olhos, e ela ficou lá, paralisada, vendo o papel virar pó.

É isso?

Ela vivia ali... Naquele inferno...

Soubemos sobre o casamento, e muitas pessoas estão em duvida se podem ou não confiar em S”.

E eles estavam em duvida se podiam ou não confiar nela?

Madara havia a batido, a feito de escrava, a deflorado, e eles não sabiam se podiam confiar nela?

– Fique tranquila.

O homem disse.

– Gaara confia em você, se não confiasse não deixaria que lesse.

Mas e Naruto? E Sasuke?

Ela queria gritar, como eles estavam? O que eles pensavam dela?

Naquele momento, ali, naquela cozinha, com um homem desconhecido e após ler aquela carta tudo que ela quis foi jogar tudo para cima, desistir de tudo aquilo... Do plano, das pessoas, de si própria.

Mas não.

Ela iria continuar.

Já que está no inferno... Abrace o capeta...

Tinha sofrido muito para jogar tudo pelo ar em uma hora daquelas.

Faria aquilo independente do que os outros achassem, faria aquilo por Konoha, pela sua shishou, por todos os ninjas e civis que foram mortos nessa guerra, por Kakashi que precisava sair daquela cela, por Gaara que confiava nela, por Naruto seu melhor amigo e por Sasuke o amor de sua vida.

Faria por ela, por tudo que passara, ela precisava daquilo, precisava fazer com que Madara pagasse pelo que havia feito com ela, e com todas as pessoas que amava.

Era a hora de assisti-lo cair.

– Vou arrumar peças de roupas vermelhas. Quantos de vocês há aqui dentro?

– Nove.

Acenou positivamente com a cabeça. Precisava dar um jeito de salvar e proteger os civis da masmorra e soltar os ninjas para que eles lhe ajudassem.

– Mande seus homens me procurarem para eu saber quem são. Vou apagar todos os outros aqui dentro.

Ele acenou com a cabeça, e ela andou pela cozinha rumo ao quarto que dividia com Madara.

– Vamos acabar com isso.

Ela disse, olhando para o ninja ainda parado na cozinha.

Ela pensou ter o visto sorrir antes de sumir na sua visão.

Subiu as escadas, entrando no quarto e sentando-se na beirada da cama.

Não tenho sido uma boa esposa... Você quer uma imperatriz Madara? É uma imperatriz que você terá.

•••

Gaara desenrolou o mapa em frente aos seus olhos.

Era um mapa antigo, de quando as grandes vilas ainda estavam de pé, mas todo riscado e cheio de rotas de como estavam as coisas agora.

Em volta daquela pedra estavam ele, o ruivo, Naruto e os Hyuugas.

– Aqui é o castelo de Madara, creio que antes disso encontremos alguma armadilha ou resistência, como eu sempre entrava pelo portão principal não sei ao certo como são os arredores.

– Entrar não vai ser difícil – Naruto se pronunciou pela primeira vez – Sakura-chan vai dar um jeito de deixar os portões abertos, ou pelo menos sem proteção e também apagar alguns guardas lá de dentro.

– Se é que ela ainda está do nosso lado.

Um Hyuuga comentou com aquela voz cínica, e ele quis socá-lo.

– Sim, podemos confiar em Sakura-chan, ela está lá dentro, se sacrificando para que tenhamos uma chance de entrar lá, por isso você deveria agradecer ao invés de reclamar e julgar as atitudes que ela teve que tomar para que você possa ganhar sua liberdade.

Ele nunca havia visto Naruto falar algo tão sério e com tanto rancor na voz.

Eu nunca concordei tanto com você.

Naquela noite, quando foram dormir após discutir pela décima vez o plano, checando detalhes e possíveis erros, ele sonhou.

Com Sakura, com um longo vestido branco, com Madara a beijando, com espadas, armas e sangue. Muito sangue.

Notas finais
Espero que tenham gostado, beijos!