Em Meio Ao Fogo

2 Estabilizada


Notas iniciais
Peço desculpas pela demora, mas o enredo ainda não está completamente construído, por isso estou escrevendo aos poucos para que tudo saia como eu quero. Agradeço pelos comentários no capítulo anterior. Boa Leitura!

Em meio ao fogo

Escrita por Coffee

Capítulo I: Estabilizada

Pisou em algumas folhas secas fazendo um crack. A lebre pareceu perceber e saiu correndo, pulando em alta velocidade, claro que se quisesse conseguiria pegá-la, porém desistiu, não gostava da ideia de matar animais daquele tipo, mesmo que seu estomago estivesse reclamando de fome a horas, dias.

Era difícil achar o que comer. Sem vilas, sem os cuidados dos agricultores, dos senhores feudais, as terras não produziam mais alimentos, não havia mais criação de gado nem nada comestível.

Alguns civis construíram pequenas vilelas, com casas fracas e com um cômodo, para que pudessem abrigar seus filhos pequenos. Ela não havia feito uma casa, nem nada do tipo, vivia em uma barraca provisória que ela havia achado – roubado – dos capangas de Madara, há algum tempo atrás.

Já fazia dois anos que ele havia assumido o poder. Muitas pessoas morriam de fome, as mulheres já não tinham mais filhos, pois sabiam que não tinham como cria-los, somente algumas mulheres mais descuidadas acabavam trazendo crianças para esse mundo de sofrimento.

Ninguém ousava ir contra as ordens de Madara, todos sabiam que com a guarda enorme, com todos seus poderes era impossível derrota-los. Os ninjas estavam escassos, vivendo escondidos, as guardas de Madara procuravam por ninjas e transformavam os ninjas em capangas deles, escravizando-os.

Nunca mais havia visto Sasuke, Naruto nem ninguém que conhecia antes quando morava em Konoha. Havia os procurado por muito tempo, mas nada. Não desistiu, continuava os procurando, mas nem sabia se eles ainda estavam vivos.

Olhou para sua roupa, a calça preta e larga estava suja, a blusa também preta estava um pouco rasgada na cintura, de uma luta que tivera há algumas semanas atrás, mas a ultima coisa que ela podia nesse momento era pensar em moda.

Seus sapatos, que ainda eram os mesmos que usava no dia da queda de Konoha estavam gastos, sujos e machucavam seus dedos, mas era melhor do que andar descalça na lama, na terra.

Procurou em volta por um lago, um rio ou qualquer coisa de onde pudesse tirar água, mas não achou por nada, seu estomago roncou novamente. A água assim como a comida estava ficando escassa.

Continuou andando, até que viu uma fumaça de longe, apressou o passo, e pode ver as casas construídas de um material nada resistente que não pode identificar.

Quando chegou ao vilarejo, alguns moradores civis olharam para ela com medo nos olhos. Fez um sinal negativo com a cabeça quando lhe perguntaram se era inimiga.

Uma senhora de meia-idade veio até si.

– Você... É ninja não é? Pude perceber pelas suas vestes.

Acenou positivamente com a cabeça.

– Você tem água aí?

– Não.

– Oh! Meus filhos, minha mãe que já é idosa estão morrendo de sede, os homens da aldeia foram em busca de água, mas não conseguem chegar muito longe.

– É... Vocês tem algo para comer?

Viu a senhora assentir.

– Arrumem um reservatório para que eu possa colocar água, se eu arrumar água, você me arruma algo para comer?

– Sim moça, sim!

“Quando eu disse um reservatório, quis dizer um, não quatro.”

Pensou enquanto tentava equilibrar dois baldes de barro e dois de um material que você não entendia, agradeceu por dois terem alças, de cordas, pelo menos podia coloca-los no antebraço.

Depois de cerca de cinco horas, quando já estava escurecendo, e a fadiga estava lhe alcançando achou água. Conseguira chegar até ali por sua resistência ninja, porém seu estomago reclamava assim como seu corpo.

Voltou o caminho, usando sua memória para tentar relembrar o caminho, não que ela ainda pudesse usar memória fotográfica, já que te todo modo havia lama, terra e árvores secas.

Quando chegou ao vilarejo, com o chão de lama e casas feias, já estava escurecendo. Algumas crianças e a mulher que havia lhe pedido correram ao seu encontro. Depois de saciarem sua sede a mulher lhe puxou até dentro de uma casa.

Haviam alguns colchões feitos de palha no chão, e uma mesa pequena, em cima da mesa tinha carne em uma tigela de barro, a mulher lhe acenou com a cabeça, pegou o prato, não se preocupou em sentar no banco feito do toco de uma arvore.

Não se preocupou com bons modos, e nem do que era aquela carne, devorou os pedaços tentando saciar sua fome. Havia alguns vegetais, duas rodelas pequenas de cenoura e alguma verdura que ela não conhecia.

– Plantamos isso atrás das casas.

A mulher comentou quando ela devorou os vegetais. Depois de comer, a pouca comida não havia saciado totalmente sua fome, mas era melhor do que ficar com a sensação de fome que estava sentindo antes.

– Você... Você ajudou a aldeia, se quiser podemos arrumar um lugar para você dormir.

– Não precisa, agradeço pela comida, eu posso lhe perguntar algo?

– Sim.

– Você não viu dois homens passarem por aqui em algum momento? Um loiro e um moreno, altos. O loiro tem marquinhas nas bochechas e fala alto... O moreno tem um cabelo arrepiado e é muito sério...

– Hum... Você é de onde?

– Eu era de Konoha.

– Ah! Você está falando de um loiro bem alto, um ninja também? Com olhos... Hum...

– Azuis?

– Isso! Ele disse que era de lá, de Konoha.

– Ele... Disse para onde ia?

– Ele apareceu há alguns meses estavam em busca, assim como você de comida, disse que um amigo dele estava doente, e ele ia encontra-lo, não sei para onde foi, mas ele seguia para lá. – E apontou para a direção que ele havia seguido.

– Oh!

– Isso ajuda?

– Acho que sim, não tenho pista nenhuma mesmo. Obrigada pela comida.

– Agradeço pela água.

Pegou a mochila que tinha deixado na casa da mulher, e colocou nas costas, se despediu e saiu. Foi andando no rumo que a mulher lhe indicou, sabia que ele já deveria estar em outro lugar, visto que fazia muito tempo, mas não tinha pista nenhuma.

A mulher havia dito que ele passara em busca de comida porque um amigo dele estava doente, algo dentro de si se remexeu com a lembrança, talvez pudesse ser Sasuke, apesar de não gostar da ideia do moreno doente, talvez se achasse um o outro estivesse junto, o que facilitaria para si.

Andou, andou, andou, e nada. O sol já tinha sumido há tempos no horizonte. Quando tudo se tornou realmente escuro, era difícil ver sem luz, antigamente havia postes, mas isso era algo que não existia mais.

Jogou a mochila no chão cansada. Não teve tempo de montar sua barraca, acabou adormecendo ali mesmo, no meio do nada.

Quando acordou, um ou dois passarinhos cantavam nas copas das arvores secas. Há muito tempo não ouvia um passarinho cantar, nem nada do tipo. Levantou procurando por algum rio ali perto, mas não encontrou nenhum.

Colocou o capuz do seu sobretudo, o sobretudo estava rasgado, ela o usava no dia da guerra, e fora uma das poucas coisas – assim como a mochila – que conseguiu guardar. A sua roupa fedia. Mas não é como se ela tivesse outra para colocar para lavar aquilo, muito menos tempo. Começou a andar novamente.

O sol já marcava meio-dia quando parou de andar. Seu estomago reclamou de fome, e sua boca de sede. Murmurou um muxoxo, obrigando seus pés a andarem mais.

Estava dentro de uma mata fechada. Embora pudesse ver tudo devido às arvores secas. Sentiu cheiro de algo que não pode identificar comida talvez. Seu estomago roncou com o cheiro.

Ficou em alerta, se aquele cheiro estava ali, com certeza também tinham pessoas ali.

Foi tudo rápido demais, rapidamente seu supercílio estava sangrando, ela havia revidado com um soco e agora a pessoa estava em cima dela, lhe deixando imobilizada no chão.

Fez o possível para sair dali, e quando seus olhos se encontraram com o do homem – percebeu pelo peso enorme – em cima de si, seus olhos se arregalaram e sua boca ficou ainda mais seca.

– Sak-saku-sakura-ch-chan?

Ele saiu de cima de si, lhe ajudando a levantar.

– Naruto! Ah! Naruto!

Ele lhe abraçou e lhe rodopiou pelo ar. Quando ele lhe colocou no chão, pode ver um moreno mal-humorado logo atrás.

Respirou fundo, depois de dois anos, dois longos anos, havia os encontrado, e aí seu coração pode finalmente descansar, ao constatar que os dois estavam bem.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Qualquer dúvida pode deixar nos comentários que respondo no próximo, beijos!