Em Meio Ao Fogo
3 Achada
Notas iniciais
Em meio ao fogo
Escrita por Coffee
Capítulo II: Achada
Sorriu para Naruto, e para Sasuke. O moreno não lhe respondeu.
– Te procuramos tanto!
– E eu a vocês, eu passei em uma vila ontem, e a mulher tinha visto você.
– Ah! Acho que sei qual é, uma vila não muito longe daqui né?
Acenou positivamente com a cabeça. Quando olhou para o lado, viu uma fogueira baixa e discreta, com dois peixes já assados, e alguns pedaços de carne. O loiro pareceu perceber seu olhar. Seu estomago roncou.
– Está com fome não está?
Novamente maneou afirmativamente com a cabeça.
– Eu deveria ter imaginado. Passar esse tempo sozinha deve ter sido horrív...
– Pare de falar e dê logo algo para ela comer, Naruto.
A voz rouca invadiu seus ouvidos. Algo voou em sua direção, pegou o cantil de água jogado por Sasuke, abriu e sorveu o liquido com avidez, o liquido molhou sua garganta seca.
Não tinha um recipiente para guardar água, havia roubado um há algum tempo atrás, mas ela o perdera. Agora só bebia água quando achava um rio por perto.
Depois de beber toda a água, sentiu-se culpada. Não sabia se eles tinham mais água, ou se ela havia bebido toda a água de Sasuke com sua sede absurda.
– Pode pegar para você, tenho outro aqui.
Disse o moreno quando ela estava prestes a jogar o recipiente de volta para ele. Agradeceu. Sasuke não disse mais nada. Continuou silencioso encostado no tronco seco de uma arvore grande.
Quando olhou para Naruto ele voltava com carne nas mãos. Ele lhe entregou. Mais uma vez não teve bons modos. Estava com tanta fome, que comer de uma forma delicada estava fora de cogitação.
Enquanto comia observou Naruto. Ele, assim como Sasuke, usavam calças pretas largas, parecidas com a dela, e blusas de manga também pretas. Era estranho não ver Naruto em roupas laranja, e ver Sasuke sem roupas com o símbolo do seu clã.
Provavelmente eles haviam roubado – assim como ela – de alguns dos capangas de Madara. Alguns passavam muito tempo fora da base, procurando por ninjas, escravos ou prostitutas, por isso sempre tinham mudas de roupas a mais.
– Tem um rio há alguns metros daqui. Caso queira tomar banho. – Naruto disse.
Fez que sim com a cabeça, enquanto acabava de devorar o ultimo peixe.
– Temos uma blusa aqui, acho que vai ficar um pouco grande para você... Mas é melhor do que essa sua rasgada.
O loiro lhe dirigiu a palavra novamente, tirando a blusa preta de manga de dentro da mochila.
– Obrigada.
Ele acenou. Seguiu o barulho da água, até que achou o rio que Naruto havia lhe dito. Primeiro se agachou e encheu o cantil de água.
Procurou na mochila por algo como sabonete, mas havia gastado o que ainda estava na sua mochila desde a guerra há tempos. Olhou dentro da bolsa, procurando alguma lamina, achou.
Depois de olhar ao redor, tirou as peças de roupa, deslizando-as pelo seu corpo. Assim que tirou a ultima peça entrou rapidamente na água, certificando-se que ninguém estava por perto.
Finalmente relaxou nas águas geladas. Primeiramente tremeu com o contado da água muito fria em sua pele, mas depois acabou relaxando.
– Sakura-chan?
Quando viu que Naruto estava ali, se enfiou mais embaixo das águas, agradeceu mentalmente por essas serem escuras o suficiente para que o loiro não lhe visse.
– Desculpa er. – Ele parecia tão embaraçado quanto ela, à medida que se aproximava mais do rio. – Eu e o teme lutamos com alguns capangas de Madara, e ficamos com a mochila deles, nossa, enquanto vivemos nessa pindaíba, eles vivem no conforto. Eles têm até sabonete! Vim te trazer um, pode pegar esse para você, mas use pouco, é um dos últimos.
Ele lhe jogou o sabonete ainda da margem, pegou nas mãos pequenas.
– Obrigada!
– Bem... Vou indo... Qualquer coisa grite.
– Certo, obrigada!
Pegou o sabonete nas mãos observando a barra redonda e branca, levou-o até o nariz e cheirou sentindo o cheiro agradável.
Ensaboou a perna usando uma pedra perto da margem como apoio, pegou a lamina que ainda estava em suas mãos, uma kunai, uma das poucas armas que ainda tinha. Tomando cuidado para não se cortar, passou na superfície das pernas cortando os pelos.
Há muito tempo não se dava o luxo disso, mas agora que estava perto dos meninos... Seria estranho ficar cheia de pelos. Em um momento de distração acabou fazendo pequeno corte na lateral da perna, passou o sabonete no corte pequeno que ardeu.
Depois de sua pele da perna estar livre da maioria dos pelos irritantes, passou a lamina na axila. Sua virilha não estava em um estado muito melhor do que sua perna ou sua axila, mas apenas tirou o excesso, não ousou ficar passando a lamina em lugares tão delicados.
Depois ensaboou as mãos com o sabonete e passou pelo corpo esquio, estava magra, devido as suas corridas, as lutas e a falta de comida. Quando acabou, secou-se na sua blusa rasgada, visto que não tinha uma toalha para que o fizesse.
Colocou a roupa rapidamente, era desconfortável ficar sem calcinha, mas a sua estava velha, surrada, e provavelmente cairia os pedaços se ela a lavasse, jogou-a na bolsa, e vestiu somente a calça preta.
Também não tinha um sutiã, então colocou apenas a blusa preta doada por Naruto, que graças aos céus era grande o suficiente para que não mostrasse seus peitos sem sutiã ou ataduras.
Há muito tempo não tinha faixas para fazer ataduras nem nada do tipo. Há muito tempo não tinha mais muita coisa.
Depois que acabou de se vestir, passou as mãos ainda úmidas pelo cabelo molhado e crespo por tê-los lavado com sabonete, e tentou arruma-los da melhor maneira que pode, embora eles ainda estivessem embaraçados.
Quando voltou, com a mochila pendendo no ombro esquerdo, Naruto estava sentado no chão, e Sasuke continuava na mesma posição de antes.
Os traços de ambos estavam diferentes, Naruto estava com algumas marcas de cortes, sua roupa estava suja e ele tinha o rosto mais amadurecido, mas os olhos azuis estavam tão tristes que nem pareciam ser do loiro hiperativo.
Sasuke estava com a barra da calça preta rasgada, e suja assim como a do loiro e a dela própria. Ele havia abandonado os traços infantis, para dar passagem a traços amadurecidos, adultos. Seus olhos profundos e misteriosos continuavam os mesmos, como sempre ela não conseguiu desvendar o que estava ali.
Sentou ao lado do loiro, ele lhe deu um sorriso triste.
– Você está muito magra.
– Estou bem.
– Eu deveria ter feito mais para te achar. Se ficar em dupla como eu e o teme já é difícil, não consigo nem imaginar para você.
– Está tudo bem, Naruto.
– Não tivemos muito tempo para te procurar, estamos fugindo, Madara tem mandado todo o tipo de ninja atrás de nós, ele quer a Kyuubi e o teme, acho que ele não gostou muito de ter sido traído por ele.
– Imagino que não.
– O que faremos agora? – A voz de Sasuke ecoou em seus ouvidos.
Como sentiu falta daquela voz, daquele rosto. Olhou para ele discretamente, depois voltou a olhar para Naruto.
– Destruir Madara ora! – Naruto disse como se parecesse obvio.
– Não é como se pudéssemos chegar os três até a base dele e mata-lo Naruto, com o numero de serviçais que ele tem não chegaríamos nem perto da base, sem falar que se conseguíssemos passar por eles, já chegaríamos até ele sem chakra algum.
– Sakura está certa. Temos que pensar antes dobe.
– Então o que vamos fazer? – Naruto perguntou.
– Temos que juntar mais ninjas. Vocês tem alguma noticia de alguém de Konoha? Sai? Kakashi? Algum Hyuuga? Yamato talvez?
– Kakashi... Faleceu ainda em Konoha.
– COMO?
– Ele estava por perto, vimos quando ele caiu.
– Oh!
– Não vimos nenhum Hyuuga também, pensamos ter visto Sai sendo capturado por um dos capangas de Madara, mas não tivemos tempo de verificar, porque fomos atacados na mesma hora.
– Entendo...
– Então... Qual é o plano?
– Nós nem sabemos onde fica a base dele.
– Precisamos de alguém lá dentro. – Olharam para a rosada não entendendo onde ela queria chegar. — Como vão entrar lá dentro, se não estiver ninguém?
– Sakura-chan tem razão.
– É mais quem?
– Se Naruto for, vão mata-lo pelo bijuu.
– Sim.
– E se você for vão te matar, ou dar um jeito para que você fique do lado deles.
– Hum.
– Então...? – O loiro perguntou olhando para ela.
– Então eu vou.
– Ficou louca Sakura? – Sasuke lhe perguntou como se não acreditasse no que ela dizia.
– Sem chance, Sakura-chan.
– Eu sou a única que tenho a chance de permanecer viva lá dentro.
– Você vai virar uma concubina.
– Eu sei. Mas eu vou.
– E qual será o plano?
Suspirou, pensando em um plano, aquilo era loucura. Mas era o único jeito.
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