Em Meio Ao Fogo
8 Encontro
Notas iniciais
Em Meio Ao Fogo
Escrita por Coffee
Capítulo VII: Encontro
Seu estomago vazio, pareceu receber um pedra de gelo.
Teve vontade de correr pelo castelo, até a cozinha, sair pela porta, até o banheiro que utilizavam e vomitar.
Ou talvez vomitar ali mesmo, em cima dele.
Quando o viu, seu sangue ferver, sua vontade era dar um soco nele, e fazer seu corpo voar por várias e várias paredes seguidas.
Fazê-lo pagar por toda a desgraça que ela, e que todas aquelas pessoas, dentro e fora do castelo estavam vivendo. Fazê-lo pagar pela morte de todos aqueles queridos, de todas as pessoas, de toda aquela miséria.
– É você mesmo!
Ele disse, e riu.
– Olha só o que meus subordinados pescaram!
Ele riu novamente, a voz o enjoou.
Ele se aproximou lentamente e levou as mãos até seus cabelos róseos. Sem pensar, esquivou-se.
Lembrando-se do plano, xingou-se mentalmente pela falha, e quando ele levou novamente as mãos, e pegou uma mecha do seu cabelo, não fez nada.
– Haruno Sakura... – Ele disse.
Era obvio que ele a conhecia.
– A pupila da princesa Tsunade... Interessante.
Ouvir a boca suja dele pronunciando o nome de Tsunade, a fazia querer soca-lo.
– Mas então... O que faz aqui? É claro que você veio porque quis.
Seus olhos se arregalaram.
– Ou você acha que eu penso que eles te capturaram? Sei que você não seria capturada com tanta facilidade...
Sua boca secou.
– Então, — Ele colocou a boca perto do lóbulo da sua orelha. Fechou os olhos tentando controlar seu estomago, sua boca, e suas mãos. – O que te trás aqui?
– Naruto. E Sasuke.
– E por quê?
Sua mente tentava – inutilmente -, raciocinar rápido, mas tudo ali parecia lento demais.
– Deixaram-me sozinha todos esses anos. Nem ao menos se deram o trabalho de me procurar. E quando eu os encontrei... Rejeitaram-me.
– Mas meus subordinados viram você sair com eles de uma casa de repouso...
– Eu fui atrás. Mas eles me expulsaram, disseram que não precisavam de mim.
– E por isso veio até mim? O seu inimigo?
– Eles... Não foram fortes o suficiente para te parar, a culpa é deles que todas aquelas pessoas morreram. Eles são dois egoístas...
– E o que você quer?
– Que você os mate.
Disse olhando nos olhos dele, com a maior convicção que conseguiu juntar. Repetindo tudo o que havia montado e ensaiado antes com Naruto e Sasuke.
– E você sabe onde eles estão?
– Não exatamente... Eles não são idiotas de falarem para mim depois de me enxotarem, mas...
– Então você não serve para nada?
– Eu sei algumas coisas sobre eles.
– Como, por exemplo?
– Que eles querem te matar. Que estão planejando isso.
– Isso é impossível.
– Eu sei.
– Então você não me serve de nada.
Seu coração gelou. Ela realmente não servia de nada. Que plano mais falho... Ele lhe mataria agora. Ou lhe jogaria no subterrâneo.
– Volte para a cozinha.
Ele disse.
– Para a... Cozinha?
– Sim.
Ele repetiu, saindo de perto de si. Respirou fundo.
– Por que está tão surpresa em voltar para a cozinha?
– Não estou.
– Ótimo.
E então, alguém abriu a porta, e a puxou pelo braço.
Madara lhe acenou, com um sorriso cínico, antes de ser arrastadas salas, e corredores de volta até a cozinha.
E quando chegou lá, e todas aquelas mulheres olharam para ela, apenas se preocupou em sair correndo feito louca, até o banheiro.
E vomitou o resto do seu almoço e bile.
Seu estomago reclamou de fome, mas apenas escorregou pela parede do banheiro, sentando no chão sujo e chorando sozinha.
(...)
– Prepare a bandeja de chá e bolachas.
Uma senhora disse pra si.
E como sempre, ela obedeceu.
Passara quatro dias que havia conversado com Madara, e ela ainda tinha vontade de chorar toda noite devido a sua impotência.
– Ele está terrível hoje.
Uma mulher comentou, entrando na cozinha, com uma bandeja vazia.
– Quer que ela suba. – Continuou, apontando para si.
Seus olhos se arregalaram, ela?
– Eu?
– Sim, vá longo com isso garota!
– Mas... Onde?
– Suba as escadas, vire dois corredores a esquerda, e um a direita. A terceira porta. Provavelmente terão guardas em frente.
Acenou positivamente, e pegou a bandeja nas mãos tremulas.
Subiu as escadas, seguindo as instruções das mulheres. Os corredores eram vazios, e gelados. As únicas decorações eram os lustres exagerados.
Em frente à terceira porta havia dois guardas mal encarados. Eles abriram a porta ao ver que ela segurava a bandeja, e a deixaram passar sem dizer uma palavra e fecharam a porta em seguida.
Assustada olhou para o cômodo. Era luxuoso, uma cama enorme, com colchas grossas, e travesseiros fofos, criados-mudos com abajures, e um enorme guarda-roupas. E havia uma cadeira, feito o trono de um rei, e sentado nela estava ele.
Incerta, olhou-o tentando controlar sua vontade de mata-lo. Ele apontou para uma mesa de centro, com almofadas ao lado.
Deixou a bandeja sobre ela, e virou-se para sair em seguida.
Quando tocou a porta, ela estava trancada.
Ao se virar, sentiu seu pescoço seu apertado. Bateu a cabeça na porta, sentindo seu corpo reclamar de dor ao ser prensado.
Logo a dor não existia mais, tudo estava turvo.
Ele estava lhe matando?
– Mantém contato com Naruto e Sasuke?
Ouviu-o perguntar rapidamente. Com um esforço absurdo balançou a cabeça negativamente. O aperto em seu pescoço diminuiu. Tentou aplicar sua força no braço dele, tentando se soltar, mas não parecia surtir efeito.
A coleira, sua mente turva gritou.
Aos poucos, seus sentidos voltaram, embora ele ainda segurasse seu pescoço.
– Eu tenho vontade de lhe matar.
Ele disse.
– Mas... Esses seus olhos verdes... Gosto deles.
E ele a soltou totalmente, caiu no chão escorregando o corpo pela porta.
– Vá. Saia.
Ele disse, lhe dando as costas. E andando, ele pegou uma bolacha da mesa de centro, e sentou-se na cadeira novamente.
– Ande!
Ele gritou novamente.
E ainda confusa, levantou com esforço, escorando-se nas paredes. A porta foi aberta, passou por ela.
Como queria mata-lo...
Ao chegar à cozinha Mikka veio ao seu encontro.
– Por que está com o pescoço roxo?
Ela perguntou.
– O que aconteceu?
Ela parecia preocupada.
Mas não conseguiu responder. Seu estomago roncou de fome, suas pernas reclamaram do esforço de descer as escadas, e sua mente ficou turva.
A voz de Mikka foi sumindo aos poucos.
Seus joelhos dobraram lentamente, procurou em volta algo em que puder segurar, mas não havia nada.
Em seguida, tudo ficou preto.
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