Em Meio Ao Fogo
9 Chances
Notas iniciais
Em Meio Ao Fogo
Escrita por Coffee
Capítulo VIII: Chances
Após o seu desmaio ela não viu mais Madara. Ela estava mais magra, pela falta de comida, e ainda mais descuidada do que quando vivia fora do castelo.
Duas garotas chegaram depois dela, seus nomes ela não sabia, as garotas choravam dia e noite, faziam o que lhe era mandado, mas sem parar de chorar. Ela gostaria de poder ajuda-las, mas não podia.
Ela arrumara um pedaço de papel, alguns dias atrás, e uma caneta quando lhe foi mandado limpar uma escrivaninha de um dos cômodos. Ela não sabia a quem pertencia aquele cômodo, mas não havia nada interessante nele, apenas papeis e canetas.
Ela os escondeu em baixo do seu colchão improvisado, e a cada dia que passava, a noite, escondida ela adicionava um risco no papel, como forma de contar os dias que passavam.
Em uma noite, seu estomago roncava de fome, enquanto lhe foi mandado servir a mesa principal. Havia um banquete. Ela pegou uma travessa na mão, sentindo o cheiro de comida recém-feita, e seu estomago roncou. Ignorando, ela pôs-se a andar até a sala de jantar. A mesa era enorme, com muitas cadeiras, e sentados nelas havia os mais diferentes homens. Eles certamente serviam a Madara.
Na ponta da mesa, estava ele, tão imponente como sempre. Ele lhe lançou um sorriso maldoso quando ela entrou na sala, e colocando o prato na mesa, ela tratou de sair o mais rápido possível. Ela queria distancia dele.
Queria, mas não podia. Ela tinha que se aproximar, cada vez mais. Só não sabia de que maneira.
Voltou para a cozinha, com fome e cansaço. Elas lavaram a louça após eles jantarem, organizaram a cozinha e em seguida foram dormir.
Foi acordada com um chute em suas costas. Doeu. Assustada observou ao redor, achando longas pernas masculinas a sua frente. Era um dos serventes de Madara, grande e assustador.
Ela se levantou, rapidamente, tremendo de medo e sem noção das horas. O único relógio que usava para observar as horas era um pequeno e velho da cozinha, que fica exposto para que tivessem noção do horário das refeições.
O homem a pegou pelo braço, marcando-o e a arrastou para fora do dormitório, passando pela cozinha e pela sala de jantar. Eles passaram por corredores e mais corredores, até uma sala.
A porta estava guardada por dois brutamontes cheios de cicatrizes, a porta foi aberta e ela foi empurrada lá pra dentro.
Tremendo de medo.
(...)
O ar cheirava a podridão. As arvores estavam secas, com galhos retorcidos e sem folhas. Ele e Sasuke andavam há dois dias seguidos sem água.
A desidratação começava a pesar em seu corpo, e ele percebia que no de Sasuke também, embora ele não reclamasse. Estava preocupado, pensando em Sakura desde os dias em que se separaram.
Ele sabia que o moreno estava tão aflito quanto ele, principalmente quando a noite passada ele havia sussurrado o nome da parceira de equipe enquanto dormia. Ele estava ciente sobre o que havia acontecido entre os dois amigos enquanto esteve fora, sabia que eles se gostavam, e lhe dava um aperto no peito ver Sasuke tão desgastado e não saber noticias de Sakura.
Resolveram parar de andar. Com sede e fome, eles não tinham mais animo para andar, muito menos a noite. Então jogaram as mochilas no chão, no meio do nada, e deitaram-se sobre elas.
Ali no chão duro, ele imaginava como Sakura poderia estar. E torcia para que estivesse melhor que eles, embora duvidasse disso.
(...)
A porta foi fechada atrás de si. Na sala, bem iluminada – o suficiente para seus olhos doerem – estava Madara e um homem muito ferido. Tinha o braço cortado seriamente, e ela imaginou que teria que ser amputado.
Sua camisa também estava cheia de sangue, provavelmente resultado de um corte no abdômen, e o resto do corpo estava aos farrapos.
Com os olhos arregalados ela olhou para Madara, feito um cachorrinho assustado.
– Cure ele.
Foi o que ele lhe disse.
Olhou-o ainda parada.
– Não tenho chakra.
– Reno? Solte uma das tornozeleiras.
Um homem, magrelo e ossudo que ela não havia reparado saiu detrás de uma das estantes da sala, vindo até si. Ele não a olhou, apenas abaixou-se, e retirou sua tornozeleira.
Ela observou, ele a fazendo, tentando memorizar para tirar depois, mas não entendeu o segredo, ele a tirou como se fosse uma simples pulseira, embora ela já tivesse tentado fazer o mesmo. A agulha soltou-se de sua perna, fazendo um filete de sangue escorrer até seu pé.
No mesmo segundo pode sentir o chakra voltando a fluir no seu corpo, tão forte, e revitalizante quanto se lembrava.
– Não tente nada. Tem quatro homens do lado de fora. Fora os que estão nos portões. – Madara lhe disse, enquanto ela estava maravilhada com a sensação de ter um pouco do seu chakra de volta. – Cure-o logo.
Ela andou, incerta, até o cara que estava sentado em uma cadeira. Estava tão fraco e parecia tão tonto que provavelmente cairia da cadeira em alguns minutos.
– Pode coloca-lo no chão? – Perguntou ao homem magrelo.
Mesmo magro ele pegou o homem com facilidade, empurrando a cadeira com o pé e o colando no chão, deitado. O homem ajudou com o pouco de forças que o restava.
Aquela era a sua oportunidade, precisava curar aquele homem a qualquer custo, precisava curar o braço dele sem amputá-lo, mostrar seu potencial, e quem sabe assim, ganhar a confiança de Madara.
Para que ele a mandasse fazer aquele serviço significava que ele não tinha uma medica nin na equipe. Essa era sua chance.
Se conseguisse sair da cozinha, conviver mais com aqueles homens que o rodeavam, ficaria mais próxima dele e mesmo que aquilo a enjoasse, era a sua missão.
(...)
O sol estava quente, como se já não fosse o suficiente estarem sem água. Agora andando, naquele sol e suando fazia seu corpo sentir ainda mais a falta de água.
Eles andaram, andaram e andaram, e o loiro sentia seu corpo pesar e pesar cada vez mais.
– Naruto...? Está bem?
Ele não teve coragem de responder.
Não estava bem, estava péssimo, tinha sede, fome e cansaço.
– Naruto? Naruto não vá desmaiar agora. Estou ouvindo água próxima, ouça.
Esforçando seus ouvidos, diminuindo o ritmo da sua caminhada, pode ouvir a água, ele podia visualizar rochas, rochedos e a água descendo, límpida pelas pedras.
Tomando fôlego, tentando driblar o cansaço, retornou a caminhada rapidamente, seguindo o som do riacho. Rápido, com presa de saciar sua sede.
Viu Sasuke fazer o mesmo. E em questão de segundos, estavam lá, no riacho como imaginara, com rochas e rochedos, e antes de observar mais coisas, agachou-se perto da margem, pegando água entre as mãos em concha, e bebendo rapidamente, saciando sua sede.
– Até que enfim!
Comentou com Sasuke, depois de satisfazer sua sede, agora mais animado.
O moreno não respondeu, olhou-o.
Sasuke estava paralisado, com os olhos vidrados, em algo do outro lado do rio. Seguiu o olhar do amigo, e assim como ele paralisou.
Ali, parado na margem, do outro lado, os cabelos compridos, a bandana gasta de Konoha, e os olhos opacos.
Um Hyuuga.
Ali tão perto, tão vidrado quanto eles.
Com um balde na mão, velho e gasto.
Ele não sabia qual Hyuuga era aquele, ele não conhecia todos do clã, mas sabia que se ele estava com um balde, provavelmente havia mais pessoas com ele.
Mais Hyuugas.
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