Em Meio Ao Fogo

16 Desconfiança


Notas iniciais
Wow! Olha o milagre, temos um novo capítulo :o Boa Leitura.

Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo XV: Desconfiança

Sasuke estava há dois dias trancado dentro do cômodo que eles chamavam de casa. Não comia, nem conversava, apenas ficava lá, sentado olhando para o nada.

Ele sabia o quanto ele estava sofrendo.

Há dois dias souberam que Sakura havia – pelo que parece – se casado com Madara. Eles estavam em estado de choque e algumas pessoas que participavam da execução do plano já não sabiam se podiam mais confiar em Sakura.

Exceto ele, ele sabia muito bem que podia confiar em sua amiga.

Mas ele não sabia o que Sasuke pensava. Se ele estava sofrendo em silencio, por dor, por amor, ou por desconfiança.

Sasuke sempre fora difícil de ler.

•••

Ela correu entre as dezenas de celas que havia ali. Todas sujas e empoeiradas.

Tudo era fétido.

Dois dias depois do incidente, Madara tivera que sair, rebeliões em pequenas vilas começavam a surgir – antes tarde do que nunca – foi o que pensara quando ouviu o servo contando o problema para o Uchiha.

Eles pouco haviam se falado, quando ela acordara, um tempo depois, marcada e dolorida deitada na cama, encontrou-o do seu lado, com o olhar culpado e dolorido, e tudo que ela pensava era em estraçalhá-lo.

Ele a pediu desculpas, com aquela voz que beirava a culpa e o cinismo, e no fim ela não identificará qual era mais intenso. Depois, sem que ela respondesse seu pedido de desculpas, ele a tomou para si, e ela apenas ficou lá, jogada, deixando com que ele fizesse o que quisesse com o seu corpo.

Ela já não se importava, ela nem ao menos fingiu prazer, apenas ficou lá, encarando o teto deixando com que ele se satisfizesse.

Assim que ele saiu aquela tarde ela começou a armar tudo. Pegou plantas na sua horta, juntando as necessárias para fazer o chá, e depois o preparou quando todos os servos já estavam dormindo.

Deixou-o sobre a mesa.

Ela sabia muito bem que a noite os guardas vinham buscar coisas para comer escondidos. Eles não resistiriam aquele aroma do seu chá sonífero.

Ela espiara sobre o batente da porta, usando os poucos recursos ninjas que ainda lhe restavam, escondendo o pouco da assinatura de chakra, e sendo silenciosa feito um gato ela observou-o pegando o bule e as xícaras e levando para os demais.

Quinze minutos depois ela desceu, em direção as celas, e como esperado eles estavam todos cochilando em seus postos.

Ela agradeceu a kami por ter dado certo, em seguida pediu sua proteção, e foi.

Tentava não prestar atenção nas pessoas famintas, jogadas ali, aos montes, com seus excrementos. Ela queria soltar cada um deles, queria alimentá-los, mas ela apenas fez uma pose digna de primeira dama, e continuou andando ali, tentando achar algum rosto conhecido, ou um motivo qualquer para que Madara não a quisesse ali.

Ela virou umas três vezes, tudo ali lhe parecia um labirinto, e ela já não tinha certeza de onde era a entrada.

Até que seus pés frearam. Aproximou-se da cela.

Preciso entrar, preciso entrar.

Bem ali, de costas para ela. Tão perto. Tão miserável. Tão magro e tão sujo.

– Kakashi-sensei?

Ela viu os ombros endurecerem, tensos, e em seguida ele se virou tão lentamente que era como se achasse que sua voz fosse coisa de sua cabeça.

Kakashi estava deplorável. Magro demais, velho demais... Amarrado por correntes estava em uma situação tão ruim que ela sabia que se ele não fosse ninja já teria morrido há muito tempo.

– Vou arrumar comida e água.

Disse, antes que ele dissesse qualquer coisa, saiu correndo.

Os guardas permaneciam dormindo, e ela não sabia por quanto tempo teria essa sorte. Então apenas correu até a cozinha, desesperada pegando as primeiras coisas que via na frente.

Depois correu até um dos guardas, pegando as chaves do seu bolso e após testar inúmeras chaves finalmente conseguiu abrir a cela de seu ex-sensei.

Ele permaneceu sentado, feito um animal encurralado. Então se aproximou, pegando o copo de água e o servindo na boca. Ele bebeu tudo tão rapidamente que na hora ela pensou que ele fosse engasgar.

Então colocou a colher em sua boca, para que ele comesse o resto do jantar, servindo-o. Quando acabou ele finalmente falou.

– Sakura.

Sorriu triste. Ela teve vontade de quebrar as correntes e colocá-lo para fora dali, mas Madara desconfiaria. Então pensou em curar as feridas que as correntes causavam, mas assim que aplicou chakra sobre elas um choque forte a atingiu, e ela cambaleou para trás até bater na parede imunda.

– O que está fazendo aqui?

Ele perguntou, ignorando totalmente seu estado.

– Falaram que você estava morto. Naruto e Sasuke ele-

– Eles estão vivos?

Acenou positivamente com a cabeça.

– Estão bolando um plano.

– E você é a espiã.

Ele afirmou, não perguntou. Sorriu triste novamente e assentiu embora Kakashi já tivesse certeza.

– Você é um imã de Uchihas, criança.

– Como está vivo?

Ele deu os ombros.

Sua boca se abriu.

– Forjou sua morte? Deixou que Naruto e Sasuke acha-

– Foi necessário Sakura, eu vivi durante um tempo, correndo para lá e para cá. Achei pessoas, achei Gaara quando ele ainda estava ajudando a construir isso, achei Hyuugas... Mas em um dia, enquanto eu procurava mais pessoas para ajudarem no plano... Fui capturado. No fim, me fingir de morto não adiantou muito, estou aqui de qualquer jeito, não?

Um guarda se remexeu.

– Madara está fora. Dei um remédio para os guardas dormirem, o efeito está acabando. Tenho que ir.

– Sakura?

– Não deixe que ele te machuque ainda mais.

Ela não soube se ele falava do seu rosto inchado, da sua pele cheia de hematomas, ou do seu interior que sangrava.

– Vou te tirar daqui.

Disse, olhando para ele uma ultima vez enquanto fechava a cela.

– É uma promessa.

Deixou a chave no bolso do mesmo modo que encontrara e saiu dali às pressas enquanto os guardas se remexiam. Subiu as escadas com o máximo de agilidade que lhe era permitido.

Quando finalmente chegou ao térreo respirou aliviada, com o coração batendo forte.

Uma mão segurou seu ombro.

Uma mão masculina e pesada.

É o fim.

Ela pensou.

Fui pega.

E seu coração bateu desenfreado, querendo sair pela boca.

– Eu... Fui... Eu...

Ela quis começar a explicar, ou falar qualquer coisa.

– Shiii.

Ele disse, e a virou de frente pra ele.

Era alto demais, tinha tantas cicatrizes no rosto e no braço que parecia impossível contar. O cabelo era entre o loiro e castanho, desgrenhado e os olhos beiravam ao cinza.

Muito grande, grande demais para que ela com tão pouco chakra pudesse dar conta.

– Olha, se não contar eu-

– Sou amigo de Gaara.

Ele disse, finalmente soltando seu ombro e ela suspirou aliviada cambaleando para trás.

– Ele pediu para que nós entrássemos em contato com você, mas íamos fazer isso só perto da execução do plano.

Afirmou positivamente com a cabeça.

– Mas recebi uma mensagem dele, e pediram que eu deixasse você ler também.

Suas pernas tremeram.

– Mas deve ler o mais rápido possível e queimar logo em seguida, em hipótese alguma pode guardar isso.

Balançou a cabeça em afirmação, com o corpo tremendo.

Depois de algum tempo em silêncio, a pergunta veio:

– Quer ler?

Ele perguntou, vasculhando o bolso em busca da provável carta.

Sua cabeça parecia perto de explodir, pensando em como eles trocaram uma carta, qual seria o conteúdo, e o porquê dessa necessidade de se comunicar.

Ela respirou fundo.

Engoliu seco.

E finalmente respondeu.

– Sim.

Notas finais
Quero agradecer pela paciência de todas vocês, pelos maravilhosos comentários e pelo carinho e consideração que vocês têm comigo. Obrigada MESMO.