Em Meio Ao Fogo

11 Benevolência


Em Meio Ao Fogo

Escrita por Coffee

Capítulo X: Benevolência

Há duas semanas ela estava trabalhando de médica no covil de Madara. Ela não tinha lá muito trabalho, uma vez ou outra chegava algum ninja machucado, mas todos eles tinham machucados tão simples que ela não gastava mais de cinco minutos para curá-los.

Ela continuava comendo pouco, e junto com as mulheres da cozinha, provavelmente isso era feito com intuito de deixá-la fraca. Com uma tornozeleira ainda ela agradecia que não ter muito trabalho, afinal se tivesse ela dificilmente conseguiria curá-los.

Agora ela tinha um quarto melhor, o colchão ainda era no chão, mas não era entulhado de pessoas, apenas ela e outras duas mulheres silenciosas e misteriosas que ela não fazia a mínima ideia do que faziam no castelo, ela também não perguntou.

Curava um homem de meia idade, ele não era um ninja, mas ainda sim o trouxeram para que ela o curasse. Isso a intrigava — a presença do senhor ali — porque curar civis ou ninjas sem autorização era estritamente proibido, logo que começou em seu novo trabalho, ela foi avisada que se cuidasse de pessoas sem autorização, receberia um castigo.

Doía-lhe ver as pessoas sofrendo naquele castelo, ela tinha vontade de pegar comida e levar para as pessoas que ficavam na masmorra, tinha vontade de dar mais comida aos trabalhadores e colchões para as mulheres da cozinha. Ela queria que elas pudessem comer mais, tivessem um lugar melhor para tomar banho e mais descanso.

Porém ela sabia que não podia se rebelar, não agora, quando ela finalmente havia conquistado ao menos um pouco a confiança de Madara. Ela dependia de sua confiança para a execução de seu plano.

Desesperada ela pensava como estariam Naruto e Sasuke, e todas as noites, antes de dormir ela rezava para que eles estivessem bem e em seguida adicionava um risquinho na folha que roubara quando chegou ao castelo, marcando os dias que se passavam.

Estejam bem, – ela rezava -, não ousem estar machucados. Estejam bem, venham logo me tirar daqui.

• • •

– Impressionante.

Ela virou-se assustada. Tinha acabado de curar um ninja que voltara de uma missão dada por Madara. O ninja nem sequer olhou para ela, ou agradeceu, apenas levantou-se e saiu porta a fora, deixando-a sozinha com Madara.

Ela não ousou dizer nada.

– Realmente, pupila de Tsunade.

Não fale o nome dela com essa sua boca suja.

Ela queria gritar. Mas não podia fazê-lo.

Ele se aproximou, lentamente. Ela quis dar passos para trás, se afastar dele, mas ela sabia que tinha que mostrar confiança, tinha que mostrar que estava ali para atendê-lo, a seu dispor.

Se afaste de mim, desgraçado.

Ela queria dizer, queria gritar, queria dar-lhe um soco e fazê-lo quebrar paredes e mais paredes.

Madara se aproximou e ela tentou disfarçar seu terror, sua repugnância, seu nojo.

– Vejo que tem medo quando me aproximo.

Ele disse, segurando seu queixo com as mãos geladas.

– Não vou lhe machucar – O hálito dele atingiu seu rosto, cada vez mais próximo, e ela segurava a ânsia de vomitar – Por mais que eu devesse fazê-lo, não consigo.

E antes que ela pudesse responder inventar alguma mentira para dizer, ele colou seus lábios.

Nojento.

Repugnante.

Largue-me, ela queria gritar.

Tire suas mãos sujas de mim.

Mas a única coisa que ela pode fazer foi abrir seus lábios, como se gostasse daquilo, deixando-o aprofundar o beijo.

Alguém bateu na porta e ela nunca esteve mais feliz por uma interrupção.

Vá, vá, vá, ela rezava.

E ele separou-se dela, olhando em seus olhos, dando um sorriso discreto e deixando-a ali, sozinha.

Eu vou vomitar, eu vou vomitar.

Sasuke... Naruto... Onde estão vocês?

Tirem-me daqui, por favor, me tirem daqui...

• • •

Enquanto Naruto ia visitar Hinata ele ficou lá, cercado de Hyuugas, mas ele não sentia a presença de nenhum deles, era como se estivesse sozinho. A única coisa que passava dela sua cabeça era Sakura, como estaria Sakura?

Ele sabia que se arrependeria de ter concordado com aquele plano maluco e realmente ele se arrependera, no momento em que teve que sair com Naruto deixando-a nas mãos dos capangas de Madara.

Nunca fizera algo tão doloroso.

Ela estaria bem? Estaria sendo usada como escrava? Como concubina? Ele torcia para que não.

Sabia que sendo a ninja que era Madara provavelmente se aproveitaria de suas técnicas e de seu conhecimento, mas rezava para que ele fizesse isso ficando bem longe dela.

Mas ele sabia que não.

Sakura pequena e vulnerável, em meio aquele ninho de cobras... Ele sabia – e sentia – que ela estava em apuros, sabia muito bem que Madara ou algum de seus capangas não resistiriam a ela por muito tempo.

• • •

Duas garotas haviam morrido naquela manhã. As duas garotas que apareceram depois dela, as garotas que só choravam e pouco faziam.

Ela sabia muito bem que elas não tinham morrido sem motivo.

Andando da sua sala – um cubículo escuro e feio – que ela usava para curar os ninjas, com apenas uma cadeira e alguns adereços médicos, ela foi até a cozinha.

Kimy, a senhora que conhecera desde o primeiro dia em que estava ali, estava debruçada sobre a pia.

Inicialmente ela pensou que ela estivesse descansando, mas depois viu que ela estava passando mal.

Correndo até ela, apoiando seu peso ela colocou-a sentada na cadeira.

– A senhora está bem?

Ela procurou pelo seu corpo o motivo de seu mal estar.

– Estou bem.

Mas ela sentiu que ela estava com febre. Deixando seus olhos varrerem o corpo rechonchudo, ela chegou até as pernas e lá viu uma ferida, um corte, profundo e infeccionado.

– Está infeccionado.

Comentou, erguendo a calça e agachando-se colocando a perna dela sobre as suas.

– Vou fechar com chakra, não tenho remédios aqui, mas isso será o suficiente para parar.

– Não criança, você não pode curar sem permissão.

– Foda-se a permissão.

Ela disse, dando os ombros, e curando a ferida. Ela gastou uma boa quantidade de chakra e um bom tempo, mas finalmente fechara o machucado e a única coisa que podia fazer agora era rezar que os anticorpos da senhora conseguissem parar a infecção.

Ela desdobrou a barra da calça velha da senhora, tapando a pele recuperada para que os demais não dessem falta do machucado.

– Obrigada.

Sorriu, satisfeita. Ela era a única pessoa que havia agradecido seu trabalho. Ela se remexeu na cadeira, querendo levantar-se.

– Aonde vai?

– Está na hora de servir o jantar.

Distraída, ela olhou, só naquele momento reparando as panelas sobre o fogão. As outras mulheres entravam para ajudar a servir.

– Eu as ajudo. Vá para o quarto e descanse.

– Não posso, ele ficará furioso.

– Eu me resolvo com ele, vá.

E mesmo contrariada, viu ela se levantar, andando para o quarto com que dividia com as outras mulheres.

Algumas serviçais saíram rumo à sala de jantar, levando a comida. Ela pegou uma bandeja também, andando até lá.

Assim que entrou pode ver Madara sentado na ponta da mesa. Ele tinha convidados hoje. Meia dúzia de senhores gordos e repugnantes. Um deles olhou-a assim que entrou.

– Serviçais bonitas você tem por aqui, não?

Ele comentou com Madara. O Uchiha olhou-a furioso, deixando claro que aquele não era o trabalho dela. Ela deixou a bandeja sobre a mesa e quando estava prestes a sair alguém segurou a sua mão.

Era o velho, gordo e com um bigode enorme, que dissera anteriormente.

– Essa é maravilhosa, não gostaria de vendê-la para mim?

– Ela não está à venda. – A voz de Madara era tão fria que ela se arrepiou de medo.

– Tem certeza? Dou todo o meu ouro por ela.

– Largue-a.

– Mas-

– Largue-a.

Madara se levantou e antes que ele se aproximasse o venho a largou.

– Saia.

Ele disse.

Não precisa pedir duas vezes.

Ela pensou, enquanto saia. Ela ainda ouviu o velho falando alguma coisa sobre ela e cama e a ultima coisa que ouviu foi um grito de dor, e em seguida pelo o que pode entender um corpo caindo ao chão.

Ela não se virou para conferir.

Notas finais
Fiquei tão contente com os maravilhosos reviews que consegui escrever mais capítulos. Estarei postado-os o mais rápido possível. Muito obrigada por cada review, infelizmente eu não tenho tido tempo de respondê-los, mas li cada um com muito carinho. Obrigada.