Em Busca de Teu Perdão
3 Capítulo 3 - O Preço (+18)
Notas iniciais
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Esteban se levantou derrotado. Sentiu algo que jamais havia experimentado na vida: o amargo gosto da humilhação. Ele podia ver nos olhos de Maria toda a altivez e soberba que a caracterizavam agora. Suas palavras ainda ecoavam em sua mente: como ela disse que daria o dobro ou triplo somente pela satisfação de vê-lo tão humilhado. De repente, seus pensamentos foram tomados por tudo o que aquilo devia significar para Maria. Queria devolver-lhe um ultraje que ele lhe havia feito. A dúvida que passou por sua mente na noite anterior era mais que real: Maria havia sido mortalmente ferida por seu agravo de deixar-lhe depois de ter lhe feito promessas de amor e de haver arrebatado-lhe a honra. Ainda assim se sentia ultrajado no seu mais íntimo orgulho. Ela não tinha o direito de humilhá-lo daquela maneira. Entrar naquele quarto como uma esposa submissa aflita para pertencer ao seu senhor para depois referir-se a ele como um traste, um adorno qualquer que uma mulher honesta necessita e quer exibir para suas amigas e para a sociedade, um capricho que ela obteve graças à milionária e surpreendente herança que recebeu.
Esteban não acreditava em como havia sido ingênuo. Deixou-se levar pela paixão. Acreditou demais na sorte, sua alma de apostador o fez crer, um dia antes, que ele havia sido contemplado com o prêmio mais valioso do mundo: o amor de uma mulher que ele adorava como uma deusa e que as circunstâncias o haviam obrigado a abandonar. Agora, com aquela afronta lançada diante dele, percebeu como havia sido tolo. Como havia sido ingênuo de acreditar que a sorte não lhe falharia. O coração de uma mulher é um território muito mais complexo que um jogo de cartas. Havia apostado alto, sentia que havia jogado as cartas certas. Não amava Ana Rosa, seu casamento com ela se tratava de uma conveniência social, então porque não acertar um casamento por conveniência com outra que oferecia um dote quase quatro vezes maior?
Mas essa outra não era uma mulher qualquer. Era Maria, uma mulher ferida e modificada por sentimentos de amargura em grande parte provocados por ele. Ainda assim ele se sentia ofendido, mesmo reconhecendo suas culpas com relação à ela. E agora ela o olhava vitoriosa, triunfante desfrutando da humilhação dele como um prêmio pelo qual lutou arduamente. Maria arrastou uma cadeira e sentou-se frente ao lugar que havia indicado a Esteban.
***
Flashback On
Rio de Janeiro — 1868
_ O que aconteceu, Esteban, porque tanto desânimo? – indagou Maria quando ele retornou da entrada do teatro.
_ Não me preveni para um contratempo. A obra teve muita procura, chegamos em cima da hora, não há mais entradas.
_ Ah, não, que lamentável. – queixou-se Maria.
_ Bom, agora só nos resta irmos até a casa de meu amigo Antenor. Nas noites de quarta-feira ele sempre realiza saraus e eu sei como te encanta a poesia. – disse Esteban brincando com o queixo de Maria.
Voltaram para a carruagem lamentosos de haver perdido a obra de teatro, mas não tristes. Pelo contrário. A satisfação de estar juntos era evidente na presença dos dois e a alegria nos olhos de Maria revelou a Esteban algo que ela não fazia questão de ocultar: estaria feliz com ele em qualquer lugar, em qualquer circunstância só por estar com ele. Maria era uma mulher jovem, encantada pela literatura e consciente dos próprios sentimentos, sabia que um amor como aquele não era simples de encontrar, era daqueles que valiam por toda a vida só pela satisfação de havê-los vivido.
_ Antenor é o dono da carruagem. – contou Esteban. – Você conhece alguns amigos que estarão lá essa noite. Vai gostar do sarau.
_ Tenho certeza que sim. – exclamou Maria feliz recostando-se sobre o ombro de Esteban.
A vergonha que ela sentiu no momento de intimidade que tiveram, desapareceu naquela conversa tranquila no interior da carruagem. Alegrou-se de estar com Esteban, voltou a se deixar envolver pelo romantismo e sedução daquele homem. Ele não demorou a tomá-la em seus braços e voltar a beijá-la com intensidade. Ela correspondia com a mesma paixão, não podia resistir à paixão que sentia por ele. Assim seguiram por todo o caminho dentro da carruagem. Quando chegaram à casa de Antenor, uma forte e súbita chuva se formou sobre aquela parte do Rio de Janeiro. Qualquer um lamentaria ter que descer da carruagem na chuva, mas Esteban e Maria se divertiram de ter que correr pela calçada e entrar na casa um pouco molhados.
_ Eu nunca entendi porque Antenor tinha uma carruagem do modelo inglês. – disse Esteban sorrindo. – Agora está claro. Se fosse como as outras do Rio teríamos nos molhado muito mais. – Ele abriu a porta para que ela entrasse. Tinha muita intimidade com Antenor e se movia por sua casa como se fosse a dele.
_ E o cocheiro? – Maria se preocupou pelo homem que os conduzira.
_ Vai esperar naquela parte – Esteban apontou uma área separada da casa. – Ele vive ali. Estará à nossa disposição para que eu te leve para casa, só vamos esperar que o sarau termine e a chuva diminua.
_ Mamãe vai ficar preocupada. – Maria lembrou-se de Sofia.
_ Ela vai entender, minha querida, devíamos estar assistindo uma obra de teatro, recordes.
Quando fizeram ruídos na sala foram surpreendidos por Fátima, a negra que cuidava do serviço.
_ Senhor Esteban, por um minuto o senhor quase não me encontra aqui.
_ Onde está o Antenor, Fátima? – indagou Esteban.
_ O senhor não recebeu sua mensagem? – ela se surpreendeu. Esteban negou com a cabeça. – Ele teve que viajar de urgência para Petrópolis essa tarde, enviou uma mensagem para todos os convidados do sarau e até para os que costumam aparecer sem convite.
_ Eu não estava na minha casa pela tarde, por isso não devo ter recebido o comunicado de Antenor.
_ E eu não posso ficar, senhor Esteban. Meu filho está me esperando aí fora, veio me acompanhar até em casa por causa da chuva. Mas o senhor já sabe: a casa é sua. Sabe onde fica tudo e sinta-se totalmente à vontade. – ela disse saindo rapidamente.
Maria sentiu um arrepio ao ver Fátima se retirando sem dar muita atenção à ela e à Esteban. Foi imediatamente atingida pela impressão do que aquilo significava: estava sozinha com Esteban numa noite chuvosa depois de ter experimentado com ele sensações que a arrebatavam de seus sentidos.
_ Parece que estamos sozinhos. – Esteban disse sorrindo virando-se para ela.
_ Nós não podemos ir? – Maria disse olhando para os lados aflita.
_ A chuva está forte, pode ser perigoso conduzir a carruagem, vamos esperar um pouco. A não ser que não te agrade minha companhia. – ele disse manhoso indicando o sofá para que ela se sentasse.
_ Não há nada que eu aprecie mais nesse mundo e creio que você sabe disso. – Maria se declarou tímida.
Ele se sentou ao lado dela e a olhou terno:
_ É claro que eu sei porque eu compartilho do mesmo sentimento. – disse acariciando levemente suas bochechas.
Maria estremeceu. Era incrível como o mais leve contato de Esteban parecia fazer com que o mundo se movesse debaixo de seus pés e tudo, absolutamente tudo desaparecesse de seu campo de apreensão. Só existia ele. Esteban também não resistia à proximidade com ela. Cerceou-a e disse baixinho em seu ouvido.
_ Quando estou perto de você, você é o mundo, Maria.
Maria fechou os olhos e ele começou a beijá-la docemente. Seguiu por seu rosto cálido e ao chegar aos seus ouvidos disse o que havia tido puder de dizer olhando-lhe aos olhos:
_ Eu não posso imaginar outra coisa desde que trocamos carinhos dentro da carruagem. Só imagino seu corpo, seu calor, seu gosto... Te desejo... – disse suplicante.
Maria não respondia. Não respondia porque estava envolta nas sensações que aquelas carícias e sua voz tão perto de seu ouvido produziam nela. Sabia que não poderia negar-se, que se entregaria caso ele seguisse tocando-lhe, mas foi invadida pelo medo enquanto ele lhe beijava a afastou-o com um temor nos olhos.
_ Esteban nós dois não...
_ Você sabe que eu te amo, não sabe, Maria? – Esteban não permitiu que ela terminasse a frase, estava louco de desejo por ela. – Sabe que é a única mulher para qual eu entregaria a minha vida? – ele a interrompeu, tomado pelo desejo e disposto a ter em seus braços a mulher que amava.
_ E eu te amo com adoração, Esteban, você, tem todo o meu coração, meu mundo nas tuas mãos. Eu tenho medo de me entregar a você e que depois você me considere uma qualquer. Eu não me importo com o que dirão outras pessoas, mas você...
_ Meu amor, você acha que eu te julgaria? – Esteban rebateu-a acariciando seu rosto.
Maria baixou os olhos culpada.
_ Eu te amo, Maria! E seria a maior prova de amor que eu poderia receber de você. Quero que você seja minha mulher. Porque eu já te sinto minha por completa em espírito, mas quero te sentir em meus braços, preciso do seu calor.
_ Esteban! – ela exclamou com os olhos úmidos emocionada com uma ternura inconfundível na voz – Eu já sou tua, meu amor, quero ser tua!
Estevão a beijou dessa vez vorazmente depois dessa súplica tão apaixonada. Como a desejava, como desejava a sensação de ter seu corpo em seus braços. Tomou-a e conduziu-a até o quarto de hóspedes que às vezes costumava usar na casa de Antenor. Não era de seu feitio levar mulheres até lá, jamais poderia possuir Maria, colher a flor de sua inocência, que sua primeira vez fosse em um lugar onde havia estado com outras mulheres e que não fosse único. Não fosse sublime como o amor que sentia por ela.
Enquanto a conduzia em seus braços a beijava pelo caminho, lutando para equilibrar-se no meio de tão maravilhosa sensação sem poder deixar de beijar sua boca, sentir seu gosto, não acreditava que teria em seus braços a mulher mais maravilhosa do mundo. Quando colocou-a no chão, sentiu o tremor da inexperiência de Maria. Provavelmente ela sente medo, pensou Esteban.
_ Meu amor, eu vou te dar todo carinho e você vai perceber que se entregar por amor é maravilhoso. Você não sabe como eu te desejo.
_ Eu nunca me senti como me senti quando você me tocou na carruagem, Esteban. Quero ser tua, eu já sou tua.
Esteban a girou e delicadamente começou a desfazer os nós que prendiam o corpete seu vestido atrás. Maria respirava agitadamente não só pela peça de roupa da qual ela era levemente despida, mas por entender bem o significado daquele momento. Logo o corpete estava na cômoda atrás de Maria e seu vestido dançava sedutoramente sobre a delicada pele de Maria evidenciando seu corpo tão ao alcance, deixando Esteban fascinado com a visão de seus seios sob o tecido. Aproximou-se de Maria e a envolveu em seus braços em beijos quentes. Olhando em seus olhos, afastou o vestido por seus ombros que caiu no chão diante dele. Maria estava despida da cintura para cima, apenas tinha sua intimidade e parte de suas pernas cobertas pelos pantalettes. Ela ameaçou levar os braços aos seios para cobri-los, cheia de vergonha, mas Esteban a deteve.
_ Você é linda. A mais linda de todas as mulheres do mundo. Permita-me te contemplar. Permita-me admirar sua beleza.
Ele a segurou pela mão e a conduziu vagarosamente até a cama. Olhava-a como uma aparição, como se aquele momento fosse uma fantasia, tão maravilhoso que era para ser real. Tirou suas roupas e a deitou sobre a cama. Começou a beijá-la e a acariciar seus seios fazendo com que Maria sentisse que o equilíbrio lhe escapava. Que sensação era aquela? Não sabia, mas sabia bem que não queria que ele parasse. Com o dedo ele circundava a auréola de seus seios e Maria comprimia os gemidos que aquele contato lhe provocava. Esteban desceu suas mãos e com seus dedos começou a estimular sua feminilidade como havia feito na carruagem por sob os pantalettes que ainda a cobriam. Maria soltou seus primeiros gemidos de prazer assim que ele a tocou com o dedo. Esteban percebeu que sua intimidade estava úmida e, em seus gemidos, que lhe proporcionava prazer, algo que o excitou. Ele então não pôde mais deter-se e tirou seus pantalettes e começou a beijar-lhe em todo o corpo fazendo com que Maria se arqueasse e tivesse a sensação de desvairamento que, ao mesmo tempo que a maravilhava, a desesperava por não entender o que acontecia com seu corpo.
Esteban circundou seu mamilo rosado com seus lábios e com sua língua fazia movimentos que roubavam a razão de Maria. A cada sugada que ele dava em sua auréola rígida pelo estímulo, Maria soltava um gemido desvairado. Aquele som deixava deslumbrado a Esteban e ele sentia que sua boca havia sido feita para dar prazer à Maria. Desceu com sua boca beijando sua barriga, seu umbigo, atiçando e provocando arrepios em seu corpo com sua língua até alcançar sua intimidade encharcada de desejo. Sua língua expandiu-se por suas paredes que se contraíam e Maria perdeu o controle de suas pernas que às vezes envolviam involuntariamente o torso de Esteban que tratava de fazer com que ela encontrasse o auge do prazer. Maria se arqueava e não se dava conta que gemia muito alto, perdeu totalmente a noção de seu corpo pelas sensações deleitosas e desesperantes que experimentava. Mordia instintivamente seus lábios, gemia e respirava descompassadamente revirando a cabeça para trás e levando as mãos à seus cabelos esvoaçados. Esteban entrava e saía de sua intimidade com a língua e se movimentava contraindo-a assim como ela fazia com quase todos seus músculos levada pelo prazer que sentia. Não demorou para que ela sentisse que se perdia em queda livre em um penhasco com o descontrole que experimentou com seu primeiro orgasmo. Ela gritava e se segurava na cabeceira da cama que estava detrás de si como que procurando um refúgio para aquela sensação ao mesmo tempo maravilhosa e assombrosa.
Esteban olhava maravilhado como Maria conhecia os encantos do amor. Ela respirava com dificuldades e repetia palavras incompreensíveis até que as sensações foram diminuindo e ela perguntou ainda ofegante:
_ O que é isso, Esteban, ahhhhh?
Esteban tirou seus calções e se deitou do lado dela beijando seu rosto, seu pescoço, acariciando seus seios que o atraíam como fruta fresca em um dia de calor. Sentia um instinto de voltar a provar deles.
_ Isso, minha pequena, é a maravilha do amor. E agora eu vou te mostrar como ele pode representar a união de duas pessoas em uma só.
Ele a puxou para a ponta da cama e afastou levemente suas coxas posicionando-se entre elas. Maria pensou se podia haver, no sexo, uma sensação mais magnifica do que aquela que acabava de experimentar e da qual ainda não se tinha recuperado por completo.
_ Vai doer um pouquinho, meu amor, mas eu prometo que não vou te machucar. Você confia em mim?
_ Eu já disse que confio meu tudo à você, Esteban. Sou tua. Estou nas suas mãos. – repetiu Maria apaixonada.
Esteban começou a acariciar a entrada de sua intimidade com delicadeza fazendo com que Maria voltasse a sentir que seu corpo lhe dava sensações como de se jogar de um penhasco. Mas não era seu corpo que lhe dava essas sensações, era Esteban, o homem que ela amava com adoração e com quem estava conhecendo as mais belas e ardilosas sensações que o mundo lhe podia oferecer. Ela gemia com a forma como ele movia seu membro na entra de sua feminilidade. Ele hesitou antes de fazer a primeira incursão mais forte que fez Maria gritar com um misto de prazer e de dor. Ele voltou a empurrar forte para que o momento de dor terminasse de uma vez e ela pudesse novamente conhecer o sabor do prazer. E lhe maravilhava que fosse com ele. Que ele fosse o homem escolhido por ela para entregar seu bem mais precioso. Empurrou forte e dessa vez ela gritou de dor pela incômoda maneira como seu membro abscindiu pela estreiteza das paredes de sua feminilidade intacta.
Esteban investiu seus quadris novamente contra os dela, dessa vez com mais força, conseguindo finalmente romper a barreira que os separava e fazendo com que Maria se esquecesse da dor e voltasse a gemer e a gritar de prazer. Era a primeira vez que ela sentia um homem preenchendo-a por completo e, naquele instante, teve a certeza que não voltaria a ter aquela sensação com homem nenhum, a não ser com ele. Só com ele sentia aquela conexão que deixava, naquele instante, de ser só espiritual para ser também física. Sentia-se incômoda por alguma dor que ainda experimentava, mas maravilhosa por ver o homem que amava entrar e sair dela enquanto seu corpo respondia nas sensações de prazer de quanto o amava. Como sentia que necessitava e precisava ser dele, ser dele por completo.
Logo Maria se habituou a ter seu membro pulsante escorregando dentro de si e gemia descontroladamente de prazer e queria mais, queria que ele fizesse amor com ela toda a noite, toda a vida. Mais uma vez chegou ao orgasmo quase que simultaneamente com o momento em que Esteban gritou enquanto derramava sua semente quente dentro dela. Deitou-se ao lado dela cansado e acariciou seu rosto enquanto ela ainda gemia e tinha a respiração ofegante e a expressão alterada pelas sensações do orgasmo, reações que exerciam um místico encantamento sobre o apaixonado Esteban.
_ Doeu muito, meu amor?
_ Não muito. – Ela disse inutilmente tentando conciliar o ritmo de sua respiração. – Foi... Foi esplêndido, me senti... – a respiração ainda lhe falhava. – Me senti completa.
_ Eu vou preparar um banho para você, vai te ajudar a se sentir melhor. – disse Esteban saindo da cama, mas Maria o deteve pela mão.
_ Estar com você é o que me faz sentir bem. Amo-te, Esteban.
Ele se sentou na cama e olhou-a terno. Também respirava ofegante, se sentia cansado, mas muito feliz por ter feito amor com a mulher que amava. Por ter sentido a explosão de sua paixão e que tenha sido com ele. Maria nunca será de homem algum! Ela é minha! Me pertence! Afirmou Esteban para si.
_ Te amo, Maria! Te amo e, a partir desse momento você é minha. Minha Maria! – disse apaixonado beijando-a.
_ Tua, Esteban! Tua, inteiramente tua! – ela concordou com a voz cheia de ternura correspondendo ao seu beijo.
_ Vou preparar seu banho. Disse Esteban saindo da cama.
Flashback Off
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Rio de Janeiro 1870 – Câmara Nupcial de Esteban e Maria
_ Você nunca conheceu a magnitude do meu amor, Esteban, tenho absoluta certeza disso.
Esteban ameaçou contestar-lhe, mas se lembrou da advertência que ela lhe havia feito antes de começar a falar de que não a interrompesse. Desistiu.
_ Era um amor entregado, envolto numa adoração, o maior amor que uma mulher pode dedicar a um homem. Se não sabia de sua magnitude, agora já sabe ao perceber que eu sacrifiquei todo o meu futuro, toda a felicidade que a vida podia me brindar com qualquer outro homem por este momento, este em que estivesse frente a frente contigo e pudesse te demonstrar o quanto esse amor era intenso.
Ela não pôde evitar se emocionar, a alma parecia saltar-lhe ao peito e as lágrimas correram por seu rosto.
_ Para mim você não foi só o pretendente que eu elegi entre outros que eu possuía e você sabe, era um homem no qual eu via algo que jamais pude ver em nenhum outro homem. Você sabe o que eu te entreguei. Entreguei-te a maior preciosidade que uma mulher possui. Você sabe que depois de deixar de ser virgem uma mulher jamais volta a ser respeitada. Sabe disso não é?
Ele assentiu com a cabeça, mas evitou fitá-la e voltou a baixar os olhos.
_ Eu entreguei-te tudo, o mais devotado dos amores e o que você fez? Você me deixou, me deixou por outra mulher com quem comprometeu a casar-se. Doeu-me, sabe, Esteban. Doeu não, feriu, mas eu não te odiei. Pensei que talvez eu não merecesse teu amor. Talvez essa outra mulher te amasse e te fizesse feliz como eu não pude fazer. Mas então eu descobri. Descobri que você não tinha me trocado por Ana Rosa por ser uma mulher que amava e sim por seu dote! Você pode entender quão humilhada eu me senti? Eu estava na pobreza, praticamente sozinha no mundo cuidando de minha mãe doente e o meu noivo que eu venerava me trocou por um dote, por um dote de 30 contos de réis! Isso eu não perdoo Esteban! Não posso jamais perdoar essa traição, jamais.
_ Não pode me perdoar? – Esteban indagou descrente, pela primeira vez desobedecendo à orientação dela de não interrompê-la.
_ Não eu não posso! Jamais vou perdoá-lo por isso! – ela exclamou enraivecida.
_ Então para que você quer esse casamento? O que vai ser de nossas vidas a partir de hoje Maria?
Maria sentiu-se encurralada e traída por si mesma. Como responder àquela pergunta de Esteban? Como?
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