Em Busca de Teu Perdão

4 Capítulo 4 - Prelúdio


***

Maria voltou-se para Esteban e, tomada pela sensação de não saber o que falar, reclamou-lhe:

_ Pedi que não me interrompesse. Ainda não lhe expus todas as minhas razões para te haver escolhido para casar-se comigo quando podia ser qualquer outro.

_ Perdão minha senhora. – Disse Esteban irônico – Não voltarei a falar a não ser que me autorize.

Maria se sentiu atingida por seu sarcasmo. Mas tampouco se intimidou, não o faria agora, esse momento era decisivo para ela. Encarou-o altiva e voltou a explanar suas razões.

_ Você, Esteban, tão somente você é culpado de assassinato. Eu era uma menina. Uma menina que sonhava e acreditava que, havendo conhecido você, havia conhecido o mais sublime dos amores. Você jamais poderá entender o que aconteceu dentro de mim quando Alfredo insinuou que sua namorada e você nos haviam feito uma traição muito maior do que ser traídos por amor?

Esteban baixou a cabeça, sabia que ela estava com a razão.

_ A parte de todos os golpes que eu sofri na vida, esse de verdade me derrubou. Eu não pude suportar ver que o homem que eu adorava, que eu venerava incondicionalmente era um interesseiro. Alguém movido a dinheiro, que despreza os sentimentos e um sentimento como o meu. Incondicional, você conhece esse tipo de sentimento, Esteban?

Ela mal podia falar pelo efeito da emoção sobre si.

_ Sim, incondicionalmente! Entreguei-te minha pureza e jamais te reclamei por isso. Não lhe reclamei porque o fiz por amor, porque não me envergonhava de havê-lo feito. Não disse à minha família, não te exigi casamento, não queria que você estivesse comigo por obrigação, mas porque me amava! E você deve estar se perguntando por que agora me uni a você em matrimônio e naquele momento não disse nada a ninguém.

Esteban a olhou. De fato se perguntava. Se ela era neta de um homem tão influente quanto o barão de Paracambi e lhe contasse que havia sido deflorada por ele, certamente estaria obrigado a casar-se com ela se ela pedisse. Sem que fosse necessário oferecer um único centavo de dote.

_ Eu queria comprovar se você realmente merecia meu amor. Porque segui te amando com a mesma intensidade e a mesma incondicionalidade apesar das coisas que descobri sobre você, apesar de haver descoberto que você tinha um fraco caráter. Não sabe quanto no meu coração desejei que quando meu padrinho te procurou você tivesse recusado a proposta de casamento. Se você tivesse feito isso, Esteban, te entregaria toda minha fortuna e me lançaria a teus pés declarando-te meu amor como sempre fiz. Não me envergonho de dizer que te amava com a alma. Mas você demonstrou que era mesmo tão vil quanto várias pessoas diziam na corte e eu me recusava a acreditar. Que trata o dinheiro como tudo o que importa, algo que vale mais que tudo. Entendi que nunca possuí teu amor e que o homem que eu amava não existia. O Esteban San Roman que eu idealizei só existiu em minha imaginação e estou tranquila por finalmente haver entendido e aceitado isso.

Caminhou até a cômoda com o soluço preso na garganta. Abriu a gaveta e tirou de lá um cheque de oitenta contos de réis. Não entregou a Esteban, jogou-o no chão para mais uma vez humilhá-lo.

_ Aí está seu pagamento. Os vinte contos já recebeu adiantado há alguns meses. O restante da quantia, te entrego neste momento.

Esteban não disse nada. Levantou-se, mas não pegou o cheque, virou-se coberto de vergonha. Se a intenção de Maria era humilhá-lo, havia conseguido com primazia incalculável. Esteban se sentia o pior dos vermes, o mais indigno dos homens daquela sociedade que ele fazia tanto esforço por pertencer.

_ Agora concluímos nosso negócio e eu posso chamá-lo de meu. De ‘meu marido’ como exige a convenção. E acredito que eu, mas que nenhuma senhora da sociedade, tenha o direito de chamar assim a você, não é mesmo? – Disse Maria com escárnio, tripudiando de Esteban – Afinal paguei para tê-lo, mereço ostentar minha compra.

Esteban caminhou até o cheque e o recolheu colocando-o no bolso do robe. Maria o havia humilhado irrecuperavelmente. Ela se afastou dele, sentou-se em frente à cômoda e com o rosto banhado em lágrimas começou a pentear seus delicados cachos. Por que Esteban não reagia? Por que não a contestava ferozmente, não a tomava de salta e dizia que não podia aceitar aquilo, por quê? Será que era tão indigno quanto ela queria acreditar?

_ Vamos, meu senhor. Estou te esperando para que comecemos a encenar nosso número. O senhor me ama, obsequie-me o primeiro beijo de amor do meu marido. Não o havia guardado para mim? Não estava com a alma envolta no grande amor que me devotava? Consumemos nosso matrimônio e façamos a mais espetaculosa farsa que essa corte já assistiu.

_ Não! – Esteban finalmente reagiu – Você destroçou e esmagou esse amor até sua última gota. Não te posso mais devotar esse sentimento. Como posso atrever-me a amar aquela que é minha senhora? De quem eu sou um escravo branco e devo seguir fielmente todas as ordens? Não posso marcar-te com tanta vergonha, estaria impingindo-te uma humilhação insuprível.

Esteban lançou essas palavras com tamanho sarcasmo que Maria se sentiu ofendida no íntimo. Mas não se queixou. Sentia-se merecedora de seu ultraje, pois o havia tratado como o mais desprezível dos homens. Até alegrava-se um pouco de vê-lo reagindo de alguma maneira. Mas era isso que ele era: o mais vil de todos! Maria sorriu de maneira triste:

_ Então você não se casou comigo por um dote de cem contos de réis? Realmente me ama e tem em estima o que me aconteça?

_ Não, senhora, não enganou-se, não creio que isso lhe aconteça – disse com o mesmo tom frio e inflexível. Vendi-me; pertenço-lhe. A senhora teve o mau gosto de comprar um marido sem honra; aqui o tem como o desejou. Podia ter feito de um cheio de virtudes, com invejável educação, um homem de bem, que se enobrecesse com sua afeição; preferiu um escravo branco; estava em seu direito, pagava com seu dinheiro, e pagava generosamente. Esse escravo aqui o tem; é seu marido, porém nada mais do que seu marido!

Maria se sentia confundida pelo acesso de honra que sentia nas palavras de Esteban. Teria ido longe de mais? Não, não lhe parecia! Ele merecia aquela humilhação e merecia muito.

_ Quer que eu te passe um recibo? – atacou-lhe Esteban

_ Não é necessário. – disse Maria tomada por uma dor imensurável. Sobre si lhe vinham todos os sentimentos que aquele enfrentamento significava – Está vendo aquela porta? – apontou para uma porta que ele não tinha se dado conta na extremidade do quarto.

_ Sim.

_ É a porta de seus aposentos. Este é o meu. Você não deve vir aqui ao menos que eu o convide.

_ Jamais contrariaria uma ordem de minha senhora. – Esteban voltou a usar o sarcasmo.

_ Para todos os demais, somos um casal feliz em lua-de-mel. São dois quartos, mas com um acesso entre eles que, para quem não nos conheça, é livre entre nós.

_ Devo me retirar? – ele indagou frio

_ Por favor. Neste momento sua presença me causa horror. Deixe-me!

_ Lamento muito. Um objeto que a senhora acaba de comprar lhe causando sentimentos desagradáveis? Se tivesse observado bem, isso não aconteceria.

Esteban disse essas palavras e entrando no quarto indicado por ela. Estava ferido na alma. Irremediavelmente ferido, queria recuperar sua honra ao custo que fosse. Ela não vai me deixar sentindo-me menos que um verme, não vai! Jurou para si enquanto as lágrimas escorriam por seu rosto. Quem era aquela? O que havia feito a Maria? Por que se havia transformado tanto? Maria correu até a porta e a trancou. Repudiava o contato com ele queria fugir. Se ao menos pudesse estar com Isabel agora. Ela lhe devolveria um pouco da calma que perdera naquele enfrentamento tão devastador.

Esteban sentou-se na poltrona e observou o quarto em volta. Era magnífico. Notava-se que havia sido preparado com o maior esmero possível pelas mãos de uma mulher que espera receber seu marido em alguns dias. Aqueles detalhes o sufocavam. Ele sentia sobre si todo o tempo que Maria devia haver gasto preparando aqueles detalhes, aquele quarto. Era uma adoração doentia.

Por que então adorar a alguém que se planeja humilhar com tamanha crueldade? Por que ela não podia ter ficado no meio do caminho e lhe dedicado aquele amor que tão ternamente lhe havia entregado dois anos antes? Será que a mágoa os havia separado para sempre? A admiro, a admiro por sua incrível capacidade de amar, mas jamais poderei amá-la outra vez, sentenciou Esteban. Eu a perdi, a perdi para sempre, a perdi da mesma maneira que ela enterrou minha honra e minha dignidade essa noite. Jamais poderei amá-la e tampouco amar a outra depois de ter conhecido um amor tão abnegado e sublime. Esse amor tão sublime...

***

Flashback On

Rio de Janeiro 1868

Era quase meia noite quando a carruagem parou na porta da casa de Maria. Ela se sentia estranha, como se fosse outra. Depois do que havia acontecido aquela noite. Olhava constrangida para Esteban, ainda não acreditava no que havia acontecido entre eles. Ao mesmo tempo, se sentia feliz, completa, apaixonada. Não se culpava por haver sido do homem que amava, a quem mais dedicar sua virgindade senão à ele? Esteban merecia. Merecia não só porque o amava, mas porque ele a amava. E não se arrependia, não se arrependia, estava feliz.

_ Logo venho falar com tua mãe sobre a data do casamento. – Disse Esteban olhando-a enternecido e acariciando suas mãos.

_ Esteban! Não quero que você se sinta obrigado a casar comigo.

_ Maria, eu tenho a minha honra!

_ É claro que eu quero me casar com você, mas quero que isso aconteça no momento e pelas razões certas. Eu seria a mulher mais feliz do mundo se fosse tua esposa, tua... – deteve-se na significação dessa palavra. – Tua! – repetiu quase sussurrando.

_ E eu homem mais feliz do mundo se pudesse ser feliz ao lado da única mulher que eu amo, Maria. Porque você é única. – disse acariciando seu rosto. – Única e minha!

_ O que aconteceu esta noite foi escolha, opção minha. Eu queria que fosse você, só podia ser você e, a partir de hoje, eu sou tua por toda a vida.

_ Por toda a vida. – ele repetiu lisonjeado e apaixonado antes de beijá-la inebriantemente e arrebatar-lhe mais uma vez os sentidos ao emaranhar sua língua na boca dela deixando Maria vulnerável nos braços do homem que amava com adoração.

Maria entrou em casa e se dirigiu ao quarto que dividia com a mãe que dormia profundamente. Sofia não andava bem de saúde e dormia muito nos últimos tempos. Deu-lhe um beijo doce e se jogou em sua cama tomada pelas sensações de arrebatamento depois de haver sido do homem que amava. Tinha que ser com ele, só podia ser com ele, como foi maravilhoso. Estava convencida que na vida não experimentaria nada mais maravilhoso do que aquele amor, queria que se prolongasse, que fosse eterno. Toda minha vida valeu por estar com ele, com o mais maravilhoso dos homens, Esteban. Não podia ser só uma vez, faria tudo de novo, faria todas as vezes, se entregar a ele foi incrível.

Esteban se dirigiu à sua casa naquela noite com um misto de felicidade e culpa. Não tinha segurança de casar-se com Maria, tão pobre quanto ele, mas como podia resistir ao arrebatamento da paixão ao estar junto dela, ao tocá-la? Como era fascinante vê-la dizer que o amava, que o adorava. Como era incrível sentir seu gosto, quando começava a beijá-la, não podia deixar de fazê-lo, era mais forte do que ele. Era como se tivesse nascido para aquele amor, possuí-la foi a coisa mais divina que lhe aconteceu na vida, queria voltar a tê-la em seus braços, fazê-la sua todas as noites, mas, se se casava com Maria jamais alcançaria o futuro que ele ambicionava junto à sociedade.

Era bonito, bem apessoado, muitas moças desejavam um marido como ele. Mas não era justo ter uma relação naquela profundidade com Maria se não poderia se casar com ela. Não podia ser, tinha que fazer uma escolha. Ou escolhia o grandioso e sublime amor de Maria, ou escolhia uma vida de luxos e pompa que um casamento por interesse significava. O melhor é encerrar essa relação antes que eu lhe faça mais mal do que já lhe fiz. Decidiu Esteban abatido. Se volto a tê-la em meus braços, não poderei me afastar, deixa-la ir. Seria desonroso demais permanecer com ela alimentando-lhe os sonhos e não casar-se com ela.

Agora, a mesma alegria que o havia tomado horas antes pela incrível sensação de fazer amor com a mulher que amava, se transformou em uma terrível culpa e sensação de vazio. Sentia-se imensamente dividido: amava desesperadamente a uma mulher que também o amava, mas, se optava pelo amor, perderia todas as oportunidades de viver uma vida de luxos e festas que um casamento por conveniência lhe proporcionaria. Lamentou profundamente ter chegado tão longe com Maria. Era curiosa a ironia: a mulher que mais havia lhe feito feliz no amor, era a única que ele não poderia amar.

Flashback Off

***

Na manhã seguinte, Esteban despertou visualizando o quarto em que dormira agora mais a fundo pela luz do dia. Acordar era modo de dizer, ele não havia dormido. Havia praticamente passado toda a noite pensando no que havia acontecido na noite anterior. Ainda não acreditava que aquela humilhação fosse real, que sua vida, antes tão organizada e planejada estava agora sob a tutela da mulher que escolhera como esposa. Na verdade não a havia escolhido, ela havia escolhido a ele e não necessariamente como uma prova de amor. De alguma maneira teria que escapar daquela condição, mas precisava de uma oportunidade, precisava ter em suas mãos o controle de alguma forma ou, ao menos, ter em que apostar. O criado tocou a porta com o café da manhã e ele atendeu enquanto terminava de se arrumar.

_ Bom dia senhor Esteban. Sou Kalebe e estou aqui especialmente para servi-lo. Aqui está seu café da manhã.

_ Obrigada.

_ O senhor está precisando de alguma coisa? Posso ser útil em algo?

_ Não, estou muito bem, obrigada.

_ Caso o senhor queira sair, sei que não é comum nos primeiros dias de casamento, mas os carros da chácara da senhora Maria estão todas à disposição e se preferir ir à cavalo, a senhora deu ordem para qualquer coisa se faça como o senhor queira.

_ Agradeço Kalebe, mas realmente estou bem.

_ Sim, me retiro. Quer almoçar a que horas?

_ Eu decido isso? – surpreendeu-se Esteban

_ O senhor agora é o patrão e tudo será como o senhor dispuser.

_ Quem deu esta ordem?

_ A senhora Maria.

_ Não façamos mudanças na rotina da casa. A que horas era costume almoçar antes?

_ Às 11.

_ Às 11 está perfeito. – dispôs-se Esteban.

_ Quer que eu lhe traga o jornal no quarto ou que permaneça na sala como antes?

_ Que tudo seja feito absolutamente como antes, por favor.

_ Está bem! – encerrou a conversa o criado. – Eu lhe aviso quando estiver servido o almoço.

_ Obrigada. – agradeceu Esteban enquanto Kalebe se retirava.

Com a saída do criado, ficou refletindo sobre o que significavam todos aqueles detalhes. Primeiro a decoração do toucador que dava a impressão de ser preparado para alguém da realeza. Não só nos grandes detalhes, mas também nos pequenos. Objetos de ouro, de prata, até mesmo as gavetas da cômoda eram decoradas com os mais finos materiais. Agora, o criado lhe dizia que Maria havia dado ordens para que ele fosse tratado como o dono e senhor da casa, que tivesse que cumprir ordens precisas como se todo aquele dinheiro, que antes lhe parecia tão atrativo, mas agora o sufocava, também fosse dele.

Talvez Maria pretendesse, depois de demonstrar que possuía sua vida também pretendesse aprisionar-lhe a alma. Com todos aqueles detalhes ele sentia ainda mais forte o controle e a posse que ela havia evidenciado na noite anterior. Que sim, ele a pertencia e não era nada. Ela havia tirado tudo o que ele havia sido um dia. Pensou no martírio que seria aquele casamento. Aquele, que um dia ele sonho que podia ser o único que valeria de fato a pena agora era a maior das prisões. Como ocuparia a tarde de convivência que seria obrigado a varar com Maria? Seria a mais longa de toda sua vida. Ela era uma estranha, uma total estranha para ele e, além do mais, havia colocado bem claro a distância que existia entre eles e que ela era, desde a noite anterior, inalcançável e inatingível para ele. E ele tampouco desejava humilhar-se mais do que havia sido humilhado por ela.

Perdeu-se em seus pensamentos e se dedicou à leitura de um livro até a chegada de Kalebe avisando que o almoço estava servido. Calmamente olhou-se no espelho, ajeitou os cabelos negros e caminhou lentamente até a sala. Surpreendeu-se ao se deparar com Maria e dona Úrsula entrando em casa pela porta da frente, com chapéu e trajes de rua, evidenciando que elas haviam saído. Sabia que sua situação não era a de um marido comum, mas era um detalhe demasiado eminente para que ele ignorasse. Os dois haviam se casado há apenas um dia, como o próprio criado que o serviu observou, não era comum que os noivos se ausentassem de casa nos primeiros dias de casamento porque, supostamente, estariam desfrutando do momento mais alegre e florido de um amor. Onde haveria estado Maria? Que lugar tão importante seria esse que a faria sair de casa, sem importar-se com a farsa que ela defendera que os dois encenassem frente à sociedade? Obviamente comentariam se a houvessem visto, ainda mais porque ela não estava acompanhada dele. Teve o ímpeto de perguntar, mas não o fez.

O almoço transcorreu em um constrangedor silêncio, mas Esteban observava aflitivamente Maria admirando sua beleza e tentando, da maneira que fosse, decifrar os muitos mistérios que aquela mulher possuía. Dona Úrsula tentava fazer com que houvesse assunto à mesa, mas os dois estavam muito distraídos. Por isso, ocorreu-lhe falar a respeito do clima.

_ Vocês repararam como já está claro que é primavera? As flores da cidade estão quase todas floridas em um espetáculo maravilhoso de cores.

_ Interessante que toque nesse assunto, dona Úrsula. – Esteban aproveitou a deixa da acompanhante de Maria. – Tenho curiosidade em saber onde a senhora e – voltando-se para Maria – minha mulher foram esta manhã. Eu posso, minha senhora?

Dirigiu essa pergunta de maneira artificiosa à Maria esperando receber dela a resposta que queria e conhecer o que havia feito sua esposa sair de casa no primeiro dia de núpcias recém contraídas do casal.

***