Em Busca Do Escolhido
1 Capítulo 1 - O começo de uma Amizade
Notas iniciais
Antes de lerem, tenham conhecimento disso. Estarei sempre colocando legendas nas notas do capítulo para informar cada tipo de fala, por exemplo, uma fala normal, telepatia ou linguagem Pokémon. Então, fiquem de olho nessas informações.
Legendas:
- Ei! - -> Fala normal
'Ei!' -> Telepatia
Por enquanto, só esses tipos serão usados. Espero que vocês gostem do que lerão!
Capítulo 1 – O começo de uma Amizade
Dois anos após a batalha contra a Equipe Rocket em Alto Mare
O inverno chegou mais cedo; a ferocidade tinha trazido uma chuva de granizo para a cidade de Alto Mare. O frio inflexível era tão duro como o cinzel de um construtor de ferro. O granizo cobriu todos os cantos da cidade, não deixando nenhum lugar vago. Tráfego era pequeno nestes dias, além do distrito do mercado. A maioria das pessoas preferia ficar dentro de casa, onde o frio congelante não teria grande efeito.
A situação melhorava para aqueles que precisavam de privacidade. Os barcos eram leves. Nesta época do ano, era a melhor para consertar as redes, em vez de fundir as linhas. Não era, muitas vezes, mas, ocasionalmente, uma gôndola passaria pelas hidrovias. A maioria dos pescadores nunca deixou a ilha isolada durante o inverno. O tempo desafiava a lógica nos mares, o que significava que uma brisa calma poderia se transformar em uma rajada enorme, implacável em apenas um piscar de olhos. As pessoas nativas da ilhas preferiam ficar em casa, envoltas em seus cobertores quentes ao invés de se preparar para os ventos frios de fora. Turistas eram raros, o que não era muito estranho, considerando a falta de atrações. A ilha ganhou renda por meio de eventos e de beleza natural, a quem só o mais paciente dos aventureiros notaria.
O sorteio para turistas foi o recente Tour de Alto Mare, o evento anual que todos poderiam entrar. A corrida de bigas foi acompanhada por treinadores de todo o mundo. A quantidade de espectadores rivalizava com a das Conferências da Liga Pokémon. Foi, de fato, divertido, no melhor sentido. Cada treinador que possuísse um Pokémon do tipo aquático podia entrar, independentemente do sexo, idade ou qualificação. O objetivo principal era simples: o participante que cruzasse a linha de chegada em primeiro lugar seria o vencedor. O mesmo seria premiado com uma medalha, uma que mostrava os lendários da cidade Latios e Latias, que protegiam-na.
A cidade de Alto Mare consistia principalmente de passagens apertadas. Com prédios construídos tão perto um do outro que cada abertura teve que ser preenchida. Mesmo se houvesse espaços que eram demasiadamente compactos para casas, haveria uma tenda ou um stand de vendas de souvenirs. A confusão era realmente caótica, mas tinha um esplendor nisso. Os caminhos eram limitados às margens de muitos rios, onde aqueles que não estavam familiarizados com a geografia da cidade permaneciam. Uma viagem através das ruas traseiras que adornavam a maioria da cidade resultaria em desorientação, algo que devia ser evitado por turistas que simplesmente queriam conhecer o lugar.
No entanto, foi nos becos onde se poderia experimentar a verdadeira beleza de Alto Mare. Em um dos muitos que percorria Alto Mare, havia uma quantidade fina de pessoas errantes. Ao contrário da maioria das cidades, Alto Mare não tinha um sistema de transporte terrestre avançado. Bicicletas eram freqüentes, ou se tivessem sorte, uma moto era o máximo que vocês iriam ver. Era ou pelos canais, ou pelas calçadas e becos. Barcos eram uma necessidade para cada família. Caso contrário, as calçadas eram suas únicas opções.
As muitas trilhas foram ligadas por pontes. O trabalho de construção resistente significava que elas foram bem construídas, e nunca iriam desmoronar sobre o peso dos passantes. Em um certo viaduto, lá estava um garoto de 15 anos, vestindo um casaco branco com capuz preto. Ele observava fluxo dos canais, a água que fluía rapidamente. Ele quase parecia estar encantado com a rebentação das ondas, balançando a cabeça sincronizadamente a cada som emitido pela água. Um barqueiro estava passando por ali, ele acenou quando viu o garoto. O gesto não foi recíproco. O menino parecia estar absorvido no ritmo da vida para responder. Para o barqueiro, parecia que ele foi enfeitiçado, desconhecendo todo desdobramento em torno dele. A cadência da vida em Alto Mare era realmente cativante. Era tão lenta e livre, o caos organizado de edifícios sublinhava ainda mais a capacidade de adaptação dos habitantes.
O olhar do garoto nunca saiu do fluxo d’água do canal abaixo dele. Ele estava vestindo um casaco branco com capuz preto o qual cobria a cabeça do garoto. Suas calças era jeans e seu par de tênis era também branco. O cabelo dele era fora do normal, sendo da mesma cor do casaco. Era de tamanho médio, mas bagunçado e espetado. Seus olhos eram vermelhos e penetrantes, que davam a impressão de ele estar olhando para dentro da sua alma.
Todos que passavam por trás dele para ver o que ele estava olhando encontraram-se freqüentemente olhando o canal abaixo. Não sabiam o porquê disso e nem se importavam. Portanto, prosseguiam em seus caminhos.
Com o passar do dia, o anoitecer era inevitável. O garoto acabaria por deixar a ponte que assombrava para voltar para casa. No entanto, a verdade era que ele não tinha onde morar e sempre vagava sem rumo pela cidade. Seu lugar favorito era o pavilhão do museu da cidade, onde possuí uma visão cativante do continente de Johto. Lá, ele sempre admirava o luar sobre aquela terra distante. Mas, hoje ele estava indo por um motivo diferente. Ele sabia que ela também estaria lá, fazendo o mesmo que ele. Desde que ele tinha escolhido aquele lugar como um de seus favoritos, ela sempre estava lá. E hoje, ele iria resolver o mistério sobre essa pessoa.
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Ryan caminhou pelo pavilhão do enorme museu da cidade até chegar ao ponto onde ele costumava ficar. Era um pequena ponte para pescadores que tentavam fisgar os melhores peixes sem ter que se arriscar na água. No entanto, à noite, ela se tornava um ponto de observação para aqueles almejavam conhecer o famoso luar acima do continente de Johto. Também era um local ideal para um casal romântico.
Enquanto ele se aproximava, ele notou a garota que o tanto pertubava. Ela estava lá observando o luar sem dar a mínima ao seu redor. Ela estava vestindo uma camisa verde, o colar de que era branco, a cor correspondente à saia. Seus sapatos foram rosa, contrastando a cultura que parecia ficar nos tempos antigos. Seu cabelo estava puxado para baixo, cobrindo seu rosto. No entanto, a característica mais marcante eram as 'asas' em seu cabelo.
Ele se apoiou ao corrimão alguns metros dela e, discretamente, ele ficou observando. Já ela, virou a cabeça na direção dele e sorriu. Parecia que ela estava feliz ao vê-lo. Percebendo isso, ele se aproximou e começou a falar:
– Boa noite. – Ela não respondeu, mas abaixou a cabeça igual a forma tradicional de cumprimento(1).
– Me desculpe por ser curioso, mas, se não se importa, posso perguntar por que você sempre fica aqui essa hora da noite? – Ele perguntou timidamente. Apesar de Ryan ter uma aparência intimidante aos olhos de muitos, ele não era uma pessoa má.
Ela também não respondeu e ele achou isso estranho. Mas, o mais estranho ainda era o fato de ele sentir uma aura psíquica ao redor dela. Não estava muito notável, no entanto, ele conseguiu. Ryan não era um humano qualquer. Na verdade, ele possuía poderes psíquicos, os quais ele sempre teve desde criança. Ele não sabia a origem deles, já que ele nunca tinha visto seus pais na vida e nem sabia se eles ainda continuavam vivos onde estivessem. Por isso, ele era órfão e cresceu sozinho em um orfanato localizado na área mais interna da cidade. Por ser diferente de todos os outros órfãos, ele sofria preconceito constantemente e era sempre deixado só. A situação piorou quando algumas crianças usaram violência contra ele. No final, Ryan usou, primeira vez mas inconscientemente, seus poderes o que as assustou. Depois disso, ele fugiu do orfanato para nunca mais reencontrar aqueles rostos e até hoje, sobrevivendo sozinho.
– Você é muda? – Ele perguntou, resultando em uma resposta positiva dela. – Mas você é psíquica não é? – Ele perguntou de novo.
A garota abriu boca como se tivesse sido pega em flagrante. Na verdade, ela nem era humana. Era um Pokémon por trás do disfarce, principalmente quando ela era a guardiã de Alto Mare Latias. Ela instantaneamente ficou com medo do menino na frente dela, temendo pela própria vida. Mas, de repente:
– Calma, não vim aqui para machucar alguém. – Ele disse, segurando o braço dela para ela não fugir.
‘E o que você quer então?’ Ele ouviu uma voz bem meiga dentro da cabeça dele. Era uma mensagem psíquica por meio de telepatia, uma habilidade que somente seres psíquicos eram capazes, e logo assumiu que pertencia à garota.
– Só quero conversar. Realmente, não sabia que existia pessoas como eu nessa cidade.
Latias não respondeu imediamente. O garoto não sabia sobre a identidade dela, mas impressionantemente conseguiu seus níveis psíquicos enquanto estava no disfarce. Ela sempre se assegurava de mantê-los no menor grau possível de detecção para não ser percebida por Pokémon do tipo Psíquico. Apesar disso, esse menino conseguiu notar a diferença. Será que ela tinha feito algo de errado? Pensou.
Por ser um Pokémon que conseguia ler as emoções dos outros, Latias se adentrou na mente da pessoa em sua frente e vasculhou por sinais de intenções malignas. Muito para sua surpresa, ela não achou nada, apenas uma sede por curiosidade. Mas será ela poderia confiar nesse humano? Ela já confiou em um antes, mas ele nunca retornou para vê-la novamente.
No final das contas, ela resolvou fazer uma aposta bem perigosa. ‘Na verdade, não sou humana. Sou a guardiã de Alto Mare, Latias.’ Ela disse telepaticamente. O garoto ficou surpreso imediamente.
– Sério? — Ele perguntou boquiaberto.
‘Sim, estou na minha forma humana agora para não atrair atenção indesejada, mas parece que não funcionou com você.’ Ela sorriu.
– Então, eu sou uma pessoa ‘indesejada’? — Ele brincou.
‘Não, não!’ – Ela falou desesperadamente, abanando a cabeça para confirmar. ‘Na verdade, eu sempre quis ter amigos, mas, como você pode ver, é uma coisa bem difícil para mim.’ – Ela se virou para esconder o rosto corado de vermelho.
– Calma, eu só estava brincando. – Ele coçou a traseira da cabeça um pouco envergonhado pelo mal-entendimento e tentou mudar de assunto. – Então, se você é Latias, então quer dizer que Latios... – Latias interrompeu antes que terminasse.
‘Meu irmão se sacrificou para salvar a cidade há dois anos. Uma onda enorme estava prestes a destruir Alto Mare até que ele usou todo o poder dele para impedí-la.’ – Sem contar que aconteceu depois da batalha contra os agentes da Equipe Rocket dentro do museu perto deles, quando Latios tinha sofrido muito ao ser forçado a ativar o Mecanismo de Defesa de Alto Mare. Junto com Ash Ketchum e Pikachu, ela foi capaz de resgatar seu irmão e como também seus amigos humanos, Bianca e Lorenzo. Mas, no final, ela não conseguiu fazer o mesmo com seu irmão que se tornou a nova Jóia da Alma. Ele não precisava saber por agora.
Por um momento, ela lembrou que ainda não sabia o nome do garoto. ‘Erm... ainda não sei seu nome, senhor..?’
– Desculpa, esquece desse detalhe. – Ele tirou o capuz e levantou a mão. – Sou Ryan Stone, mas pode me chamar só de Ryan mesmo. – Ele sorriu.
Ela relutantemente aceitou e fizeram um aperto de mão. Ela notou os olhos vermelhos cintilantes e o cabelo espetado e bagunçado dele, o que destacava sua aparência intimidadora. Mas o que mais surpreendia ela, era as atitudes do rapaz. Mesmo depois que ele soube de sua identidade, ela não conseguiu sentir nenhuma intenção maligna na mente dele. E isso lembrava um pouco Ash, a pessoa que tinha amado no passado.
‘Prazer, Ryan.’ – Ela queria continuar conversando, mas já estava começando a ficar tarde. Bianca iria ficar preocupada se ela não voltasse para casa. ‘Queria conversar mais, mas tenho que ir.’
– Entendo. Bem, nos encontramos aqui amanhã? — Ele perguntou um pouco triste. Quando ele estava realmente gostando dessa conversa...
Ela sorriu. ‘Claro, estarei aqui como sempre.’ — Ela se transformou na forma Pokémon. ‘Boa noite!’ Ela disse antes de desaparecer no ar.
– Boa noite! – Ele gritou alegremente antes de seguir em seu caminho, agora a procurar um lugar ideal para dormir nessa noite fria.
Notas finais
Me ajudaria muito se vocês apresentassem críticas construtivas para escrever capítulos melhores futuramente.
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