Em Busca Do Escolhido
2 Capítulo 2 - Uma Visita ao Jardim Secreto
Notas iniciais
- Ei! -> Fala Normal
'Ei!' -> Telepatia
Ei!(Itálico) -> Pensamentos
No dia seguinte de manhã cedo, Ryan se dirigiu ao ponto onde ele se encontrou. Com uma vara de pesca velha e um balde em mãos, ele estava pronto para fisgar sua primeira refeição do dia. Ao contrário de ontem, o tempo estava nais calmo, sem nevascas ou chuva de granizos. O céu estava mais radiante, com poucas nuvens que impediam a entrada dos raios solares. Parecia até final de inverno. No entanto, ainda sentia-se o frio congelante nas brisas que destacava a temporada de inverno. Pelo menos, já era uma mudança boa.
Chegando ao local, Ryan sentou-se na beira da ponte e rapidamente lançou o cordão com o anzol no mar. Observando silenciosamente, ele percebeu que muitos Magikarps emergiam energicamente fora da água a poucos metros de onde tinha colocado seu anzol. Imediatamente, ele agarrou com força sua vara e pacientemente se preparou. Ele colocou seu olhar predatório em prática.
- Nada melhor do que Magikarps assados no café da manhã! – Ele suspirou já com água na boca enquanto imaginava um prato suculento com o peixe fritado.
Ele olhou para o céu e pensou se Latias realmente iria aparecer hoje de noite. Como guardiã de Alto Mare, ele entederia se ela não quisesse por ter medo dele. Era o que todos diziam às costas dele.
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Enquanto isso, Latias estava invisivelmente fazendo sua patrulha matinal sobre Alto Mare. Como guardiã da cidade, ela tinha o dever de ser a segurança dentro da mesma para não repetir o incidente que fez com que perdesse seu irmão. Prometeu honrar a promessa que tinha feito quando foi consagrada com o título, o que ela tinha deixado de lado anos atrás quando ainda tinha seu irmão por perto. Mas agora, havia ficado mais madura e percebido que não havia mais sentido em usar o tempo dela para pura diversão. Por mais que Alto Mare fosse uma cidade pacífica, o perigo sempre era constante, principalmente quando se tratava de organizações como a Equipe Rocket.
Nesses dois anos que passaram, tinha sofrido muito. Estava sozinha, sem a companhia de Latios ou a de Ash. Ela ainda sentia muita saudades desses dois indivíduos incríveis. Por mais que ela tivesse Bianca e Lorenzo ao lado dela, não seria o mesmo como os dois. No caso de Ash, ela sempre quis deixar Alto Mare para encontrá-lo em algum lugar durante suas jornadas, apesar de Lorenzo não concordar com a ideia. Queria mostrar o que realmente sentia pelo jovem treinador, mas sabia que não era possível por dois motivos. Primeiro, ela não podia deixar a Jóia da Alma desprotegida e segundo, a sociedade humana abolia um relacionamento entre espécies e era totalmente visto com bastante desgosto. Também, leis foram criadas com o intuito de punir os que violassem o limite estabelecido. E como Ash tinha o sonho de ser o melhor Mestre Pokémon, ela não queria causar problemas para ele por causa de seu egoísmo. Mas, mesmo assim, tinha que pelo menos dizer a ele, de algum modo.
Sobrevoando o museu, ela reconheceu um vulto ao olhar para o ponto de observação. Era Ryan, o garoto que ela tinha conhecido no dia passado. Ela sorriu.
Parece que alguém ficou impaciente. Pensou ao mesmo tempo brincando. Mas, com uma olhada mais perto, percebeu que não era isso. Na verdade, ele estava só pescando. Vendo assim, ela lembrava dos momentos em que gostava de surpreender seu irmão Latios quando estava distraído. Gostava muito dessas brincadeiras e sempre que tinha uma oportunidade de fazê-la, não recuaria. E agora, a chance de se divertir estava ali, pronta pra ser usada.
Ela sorriu de novo e, devagar, diminui a altitude até que estivesse atrás de Ryan. O plano era simples: Ficar cutucando ele até deixá-lo louco. Dessa vez, se assegurou de camuflar completamente seu poder psíquico para que Ryan não notasse sua aproximação.
Ela estava chegando perto de cutucar o ombro direito, mas, de repente, uma mão segurou sua garra.
- Bela tentativa. – Ele se virou. – Invisível, hein? O que queria fazer comigo?
‘Como você soube que tava aqui?’ Ela perguntou curiosa. Apesar de seus esforços, ele ainda conseguia achá-la. Esse garoto certamente não era normal.
-Senti sua presença desde que você chegou ao museu. – Ele simplesmente disse enquanto observa a guardiã baixar sua invisibilidade. — Você é mais bonita do que eu pensava, vendo de perto. – Ele sorriu.
Latias corou um pouco. Ninguém, fora Latios, Bianca ou Lorenzo, tinha dito isso a ela antes. Nem mesmo Ash tinha. Isso sempre deixava ela um pouco nervosa. ‘Obrigada...’ Conseguiu responder.
Foi aí que ele sentiu sua vara tremer.
- Opa! Magikarp chegando! – Ele gritou triunfante, girando rapidamente o molinete.
Latias flutuou e ficou ao lado dele. Viu que a vara estava mesmo tremendo, sinal de que um peixe estava prestes a ser fisgado.
- Você é meu, porra! – Ele sorrindo determinado. Ela se assustou um pouco com a vulgaridade do rapaz. Nunca tinha se acostumado a isso, mesmo estando a maior parte do tempo se escondendo entre os humanos.
O barulho de um salto de peixe a tirou de seu transe. A poucos metros, ela podia ver um Magikarp lutando desesperadamente para se livrar da iminente morte. No entanto, Ryan não estava mostrando sinal de desistência também e puxou a vara com mais força. Em consequência, o peixe foi forçado a pular até a ponte, batendo no chão duro de pedra. Finalmente, Ryan enfiou uma faca de pesca no corpo do Magikarp para que não fugisse, assim matando o Pokémon.
A cena não mexeu muito com Latias. Ela mesma já caçava Magikarps desde que seu irmão a tinha ensinado a fazer tal proesa. De tudo, admirou o sucesso do garoto.
‘Nada mal, Pescador Branco.’ Ela brincou.
- Pescador Branco? Você gosta de apelidar seus amigos, é? – Ele perguntou enquanto colocava o peixe no balde.
‘Só quando eles são “indesejáveis”.’ Ela disse ainda no tom de brincadeira, fazendo o garoto rir.
Ele desviou a atenção de volta para o Magikarp. – Bem, parece que hoje peguei um grande. Normalmente, não como um desses todo, então dou os restos para os Pokémon que vivem por aí. Mas já que você está aqui, não quer ficar para comer um pedaço? – Ele convidou.
Ela educadamente recusou. ‘Ah não, é sua caça e não tenho direito de interfe-‘ Ela parou quando seu estômago roncou, ficando envergonhada logo depois.
Ryan riu quando ouviu. – Seu estômago diz o contrário. Ora vamos, não me importo se você quiser um pedaço. Eu mesmo não consigo comer isso tudo, então não seja tímida.
Ela sorriu aliviada. Pelo menos, teria uma guloseima grátis para começar o dia. Notando isso, Ryan falou:
- Certo, agora só achar um lugar para fazer uma fogueira. – Aparentemente para ele mesmo, enquanto observava ao redor. Latias achou isso estranho. Normalmente quando os humanos terminam de pescar, eles sempre levam a coleta para casa ou para vender em uma peixaria. E comer na calçada não era algo comum entre eles. Foi então que ela descobriu o significado. Mas, ela precisava ter certeza.
‘Erm... Ryan?’ Ela timidamente chamou.
- Hmm? – Ele se virou.
‘Você não tem onde morar, não é verdade?’ Ela perguntou, esperando uma certa indignação dele. Mas, foi totalmente ao contrário.
- Sim. Por que a pergunta? – Ele perguntou, cruzando os braços.
‘Por nada, só me deu a impressão...’ Ela abaixou a cabeça, envergonhada. Ela ficou surpresa ao perceber que ele estava levantando a cabeça dela com a mão. Depois, seus olhares se encontraram.
- Não se sinta mal por ter perguntado. Assim que acharmos um lugar pra comer, vou contar minha história, certo? – Ele disse.
Ela assentiu. ‘Okay.’ Foi aí que ela percebeu uma falha no plano dele. Para que pudesse comer junto com ele, ela teria que continuar na forma Pokémon já que seu disfarçe humano era apenas uma ilusão produzida por seus poderes psíquicos. E como o tempo hoje estava mais calmo, as ruas estarão mais cheias de atividade e não queria ser descoberta por outros humanos. Só tinha um lugar em toda a cidade onde poderia se sentir segura.
‘Pode ser na minha casa, se quiser.’ Ela respondeu tímida. Lorenzo iria surtar se soubesse, mas ela sabia sabia que Ryan não representava ameaça. Ao contrário do que muitos diziam sobre as crianças de rua, ele não se encaixava nessas qualidades. No entanto, quando se tratava da Jóia da Alma, ela tinha que tomar cuidado, mesmo com ele.
- Espera, na...sua...casa? – Ele gaguejou, surpresa evidente nos olhos dele.
‘É, ela fica no interior da cidade. Eu diria que nem é uma casa, mas um jardim bem bonito.’ Ela comentou.
- Bem... pode ser se não for um incômodo... – Ele coçou a cabeça, aparentemente ainda um pouco desconfortável com a ideia.
Latias se transformou na sua humana e checou os arredores. Ficou aliviada ao ver que ninguém estava por perto para notar o ato. Ela se virou para Ryan. ‘Bem, espero que suas pernas sejam boas, porque demora 20 minutos para chegar lá a pé.’ Ela disse sorrindo. ‘Acha que consegue me acompanhar?’
- Isso é um desafio? – Ele sorriu, percebendo o que ela realmente quis dizer.
Latias revirou os olhos. ‘Quem sabe...’ Ela alegremente provocou. Depois, saiu correndo.
-Ei! Isso é injusto! – Ela o ouviu gritando logo atrás, correndo para alcançá-la.
‘Segura esse balde! Ainda quero um pedaço desse peixe!’ Gritou telepaticamente.
- Se preocupa em correr! – Ele gritou, já alcaçando aos poucos.
Latias sorriu. A última vez que tinha feito isso foi quando Ash tinha chegado pela primeira vez na cidade. Ela gostava de correr quando estava na forma humana, e como era boa nisso. Já dentro dos becos da cidade, sabia exatamente quais caminhos ela tinha que tomar para chegar em casa. Qualquer pessoa normal se perderia facilmente por ali. Ela olhou para trás. Ryan estava bem atrás dela, não mostrando sinal de suor ou cansaço.
‘Até que você corre bem para um humano.’ Ela elogiou.
- A vida me ensinou que é melhor correr atrás das coisas do que ficar esperando acontecerem! – Ele gritou, fazendo ela rir.
Na verdade, aquela mensagem tinha batido nela como um soco. Era exatamente o que quis tanto fazer nesses anos. Ela sempre quis se aventurar pelo mundo e correr atrás do amado dela, mas as obrigações sempre a faziam discordar de apenas fugir de Alto Mare. Ela tinha prometido proteger a Jóia da Alma para seu irmão. Apesar de ser um trabalho silenciosamente torturante, não podia deixar de fazê-lo.
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Finalmente, chegaram à praça onde ligava Alto Mare ao Jardim Secreto. Os dois estavam suando freneticamente e um pouco cansados.
Ryan observou o lugar. Era uma praça pequena com apenas uma árvore, uma fonte para Pokémon do tipo Voador e dois bancos de pedra. Latias guiou ele até a parede de um muro.
‘Bem, é aqui.’ Ela simplesmente disse.
- Atrás do muro? – Ele perguntou confuso.
‘Não, seu bobo. Me siga.’ Ela andou até a parede.
- Espera, você vai bater na... – Mas antes que terminasse, Latias tinha incrivelmente atravessado a parede. – Mas o quê...!? – Ele exclamou estupefato.
O muro era apenas uma ilusão? Ryan se concentrou e procurou algum sinal que mostrasse a existência de poder psíquico. E lá estava. Era tão imenso que poderia esconder um castelo.
Interrompendo seu curto transe, ele relutantemente colocou a mão no muro. E notou que estava atravessando. Ganhou coragem e se adentrou no estranho portal. Conforme prosseguia, ele notou que estava num corredor escuro que só mostrava luz no final. Quando chegou, ficou boquiaberto. Como Latias havia lhe dito, o lugar era um jardim imenso. Cercado por muros de pedra, parecia ter uma forma circular. Enquanto caminhava mais adentro, ele notou várias fontes de pedra como também vários campos gramados onde gigantescas árvores se proliferavam, lagos naturais e muitos tipos de flores. Havia também Pokémon circundando pelo local. A maioria pertenciam as espécies Butterfree, Oddish, Poliwag, Yanma e Wooper.
No centro, ele notou outra fonte, mas se destacava diferentemente das demais. Ela tinha grades, uma escadaria e contornada por duas bordas: uma circular e outra quadrática. A água que saia dela enchia os recipientes formados pelas bordas, que também tinha espaços para jorrá-la até um lago abaixo. Chegando até ela, ele subiu a escadaria para ver o que tinha dentro. Notou que havia uma jóia dentro, que estranhamente era a fonte de toda a água. Ela tinha uma tonalidade azul, igual ao líquido, o que a tornava em uma visão cativante.
- É realmente linda. – Ele comentou enquanto a admirava.
- Ei! O que está fazendo!?
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