Em Busca Do Amor Da Lua
7 Quem Foi Que Inventou a Paixão?
Notas iniciais
Isa acordou e olhou o rosto ao seu lado. O dourado parecia um anjo tranquilamente dormindo.
Se assustou ao ver que estava abraçada ao tronco de Mú. Estava tão confortável que continuou na mesma posição por alguns minutos.
Com muito cuidado, levantou-se caminhando para o banheiro. Após tomar um banho refrescante, Isa trocou-se rapidamente pensando na noite anterior.
Na cozinha, começou a preparar um desjejum misturado com almoço. Afinal, já era meio-dia.
Na porta do quarto surgiu um Mú sonolento e com roupas amarrotadas. Seu sorriso no entanto, exibia muito entusiasmo.
__ Bom dia cozinheira!
__ Bom dia dorminhoco! – Isa sorriu. – Com fome?
__ Muito! Sabe, tem tempo que não durmo tanto. – Mú falava com sua habitual tranquilidade.
__ Isso é bom! Também dormir divinamente. Que bebida sonífera! – Isa corou ao lembrar-se do momento em que despertou. – Estou fazendo omeletes com legumes. – Ela desconversou.
__ Ótimo para curar uma ressaca. No meu caso, para acabar com a fome mesmo. – Mú sentou-se a mesa.
Isa havia arrumado a mesa de forma simples. Os dois comeram em silêncio que era quebrado por alguns gemidos pela apreciação da comida.
Assim que terminaram o almoço, passaram a arrumar a cozinha. Enquanto Mú lavava as louças, Isa secava e guardava.
Fã de doces que era, Isa sentou-se ao lado de Mú estendendo uma taça de sorvete de chocolate, seu preferido.
__ Obrigada por cuidar de mim. Fico muito vulnerável por causa da bebida. Me sinto abandonada. – Isa falava mantendo o olhar no sorvete de sua taça.
__ Não deveria sentir-se assim. Estarei sempre aqui ao seu lado. Mú se aproximou do rosto da lunar.
__ Por favor Mú. Não quero te magoar, mas sabe como meu trauma me limita. – Isa parecia assustada.
__ Não estou exigindo nada. Estou preocupado com uma amiga. – Mú fitou o rosto da lunar. – Diga-me uma coisa. Você nunca se apaixonou?
__ Nunca! Desde aquele maldito incidente, nunca mais consegui confiar em nenhum homem. E ninguém resistiria ao meus surtos por causa do trauma. São barreiras demais para superar. – Isa tentava conter as lágrimas que teimavam em cair.
__ Eu entendo! Não estou esperando que me corresponda em nada. Quero só te fazer companhia. Sinto que precisa disso. – Mú afagou o rosto de Isa. – Quero seu bem, incondicionalmente. Amar alguém é espontâneo e real, seja fraternal ou passional.
Lágrimas esparsas ainda caiam da face da lunar. Aos poucos, Mú trouxe a emocionada guerreira para um abraço. Sentindo-se segura, Isa deitou a cabeça no colo do amigo dourado, adormecendo pela tempestade de sentimentos.
Depois de um tempo, Mú carregou a pequena adormecida para o quarto. Posicionou a lunar na cama descansando a cabeça no travesseiro. Sentou-se na poltrona do quarto enquanto velava o sono inquieto de Isa.
Ao final da tarde, Mú verificou se Isa estava bem. Logo depois, lembrando-se de suas tarefas escreveu um curto recado para lunar. Deu um beijo suave no rosto da adormecida e partiu para a Casa de Áries.
Isa só despertou na madrugada posterior. Sem entender momentaneamente, Isa avistou o bilhete em cima da mesa. Logo as cenas do dia anterior voltaram a mente da lunar que sorriu como uma adolescente. Algo estava mudando em si.
Como de costume, saiu mais cedo para treinar com Shina que já estava na arena. Dessa vez estavam apenas as guerreiras.
__ Bom dia Shina! – Isa deu um tapinha nas costas da amiga que estava se alongando.
__ Bom dia Isa! Estás com uma aparência ótima. Dormir com o carneiro te fez bem! – Shina falava gracejando da amiga
__ Como você sabe que eu... ei não é o que está pensando. Só dormimos mesmo. – Isa estava corada e desconfortável.
__ Vocês são adultos! Você fica tão fofa corada, amiga. Hahahahaha. Eu vi o Mú saindo da sua casa ontem quando passava para a vila. Eu perguntei por você e ele também agiu como você, todo desconfortável, como culpado de um crime. – Shina fitava a amiga.
__ Você não vai parar né?! – Isa já havia desistido de esconder os fatos.
__ Não!
__ Tudo bem! Ele dormiu na minha casa. Mas não pense besteira. Eu estava bêbada demais. E não vou negar. Me sinto bem com ele por perto. Mas não comente, não quero criar expectativas alguma.
__ Eu sabia!!! Mas me diga Isa. Onde foi que ele dormiu mesmo? – Shina fitava a lunar. Deu um cutucão no ombro da mesma.
Isa corou imediatamente. Entregou toda a história sem nem abrir a boca.
__ Isa, nem precisa me responder. No seu caso, ler sua expressão é mais produtivo do que seria ler sua mente. Fico imaginando que se sem fazer nada vocês já estão com essa expressão maravilhosa, imagina quando acontecer algo de fato... – Shina bateu no ombro da amiga.
__ Psiuuu Shina. Ele está se aproximando. Vamos começar a treinar, se não você vai entregar o ouro. – Isa falava tensa olhando em direção das casas zodiacais.
__ Certo!
__ Ah, Shina! Vamos treinar golpes físicos. Tenho sentido um cosmo estranho nos últimos dias, por isso estou ocultando o meu.
__ Também senti. – Shina estava pensativa.
As duas passaram a correr na arena. Logo depois de se aquecerem passaram a fazer exercícios de resistência. Quando iniciaram os golpes, dois dourados surgiram na arena simultaneamente.
Tentando não se desconcentrar, Isa ignorou as presenças ilustres e continuou o treino. O sol já estava alto quando as duas guerreiras deram por encerrado aquele treinamento. Os primeiros aprendizes surgiam na arena. As duas guerreiras sentaram-se a sombra enquanto tomavam alguns goles de água.
__ É, seu ‘amigo’ é muito leal, Isa. – Shina gracejava.
__ Fica falando demais. Eu já notei os olhares do escorpião para cima da senhorita.
__ Ei, pode parar. Tem nada disso, não.
__ E lá vem os dois. Ai, como eu queria ter uma máscara agora. – Isa suspirava desconcertada.
__ Bom dia meninas. – Milo estava animado.
__ Bom dia garotos! – Isa retribuiu sem desviar o olhar do copo de água.
__ Não usaram o cosmo? – Mú olhava intrigado.
__ Só treinamento físico. Por quê? – Isa olhou séria.
__ Ocultou bem o seu cosmo, só senti fracamente o da Shina. – Mú não estava convencido. Para Isa, o importante era descobrir o que vinha acontecendo em torno do santuário.
__ Como foi o final de semana, escorpião? – Isa sorriu maliciosa.
__ Foi animado. Estou tentando me recuperar. – A malícia imperou na expressão do dourado.
Um leve bufar ecoou de Shina, chamando a atenção de todos.
__ É verdade. Como foi o seu final de semana, amiga? Você voltou com o Shura, né. Quero saber já que sabe do meu. – Isa fitou a amiga incomodada.
__ Podem contar. Quero saber das duas. – Milo fitava as duas. – Mú, você estava com a Isa até onde me lembro. Ah seu sacana, vocês estão juntos?
__ Não, Milo! Para de tirar conclusões. – Isa gritou corada.
__ Calma, lunar. Pela sua reação, suspeito que tem algo. – Milo fazia pose de investigador. – Fale amigo, quero saber, sem os detalhes, é claro.
__ Não aconteceu nada. Não foi por falta do meu interesse. – Mú falava tranquilamente.
__ Mú! Você fica com essa expressão de pedra e me deixa passando vergonha com esses dois me olhando como a próxima vítima. – Isa gritava. – Não conto nada! Se quiserem, tirem essa informação dele. – Isa apontou para Mú.
Isa saiu pisando forte. Quando se acalmou, num segundo se teleportou para sua casa.
__ Ela se irritou de verdade. _ Milo ponderou. – Isso significa que há paixão aqui.
__ Eu vou falar com ela. – Shina encaminhou-se para a trilha da vila das amazonas.
__ Não! Deixa que eu vou Shina! – Mú segurou a guerreira pelo braço.
Um segundo depois Mú já não estava mais ali, deixando a dupla de amigos para trás.
__ Eu aposto minha agulha escarlate de que esses dois vão ficar juntos. – Milo fitava a trilha.
__ E o que você entende disso? – Shina falou desdenhosa.
__ Tudo! O Escorpião aqui é o maior conquistador da região. – Milo e seu olhar pretensioso eram impagáveis.
__ Pois é. Uma mulher não dura mais que uma noite com você. – Shina deu as costas para o dourado. – O que está acontecendo com esses dois é bem mais sério.
__ Como assim? – O Sorriso de Milo continuou mesmo com a alfinetada de Shina.
__ Intuição de mulher e amiga. – Shina falava automaticamente.
Preocupada, Shina pensava nas palavras da lunar sobre o cosmo estranho.
__ Mulheres! Sempre sensitivas! – Milo balançou a cabeça. – Quer ajuda no treino? Hoje estou disposto.
__ Sei! Se não ficar fazendo charminho para as aprendizes, pode! – Shina estava um pouco irritada.
__ Credo, vocês mulheres parecem sempre estar de TPM. – Ai não, ele tinha que falar isso???
__ Infelizmente, sempre estamos sim. Tensão Pós Milo. Vai chatear outra pessoa. – Shina falou irritada para logo depois gargalhar da expressão de Milo.
__ Ai, essa doeu, viu! – Milo fez cara de quem havia levado um golpe. – Vamos treinar esse bando de molengas?
__ Vamos! Fazer o que, né? – Shina bufou.
Fale com o autor