Em Busca Do Amor Da Lua
19 Doce Veneno!!!
Notas iniciais
Shina caminhava de volta para sua casa depois de se despedir dos amigos. Preocupada, pensava na amiga e as vezes que passou mal. Mesmo que daquela vez tivesse sido uma boa surpresa, os desmaios anteriores ainda não haviam sido explicados. Outra notícia no entanto, a deixou chateada e não preocupada.
As pestes mor – segundo sua opinião – estariam de volta pela manhã. Nesse mundo nada era perfeito, pensou consigo. Isa estava feliz pela volta do carneiro, mas Kiki e Milo logo chegariam. Suspirou alto e se resignou, ao menos essa noite seria de paz.
Levantou-se cedo como de costume. Só se lembrou que a amiga não viria treinar quando já estava na arena. Shina procurou um lugar bem distante na arena e sentou-se, pondo a lembrar de como havia conhecido a lunar há tempos atrás. As lembranças suscitaram um sentimento de nostalgia que fizeram lágrimas descerem inconscientemente. Sorriu consigo, imaginando que tivesse sido transportada para aquela época e a doce época pudesse ser revivida.
Um pensamento sombrio fez uma careta de raiva desenhar sua expressão. De fato, se voltassem àquele tempo, teriam que enfrentar todas as difíceis batalhas novamente, e nada valeria toda tristeza vivida – pensou consigo. O passado devia ficar no seu lugar, e de vez em quando trazer um pouco de nostalgia, nada mais – sorriu consigo.
Quando enxugava o rosto com as mãos, Shina sentiu um toque leve, mas firme em seu ombro. Sem tempo de reconhecer o autor do toque, Shina viu o escorpião sentando ao seu lado.
__ Bom dia Shina!!! – Miro sorriu solidário. – Por que está chorando? Pensei que estivesse tudo bem com a Isa.
__ Que susto escorpião. Avisa da próxima vez. _ Shina falava com a mão sobre o peito que se movia descompassado. – A Isa está bem sim. Estava só... que te importa o que estava fazendo... você não ia chegar mais tarde? – Shina fitou o escorpião sorrindo travesso.
__ Foi mal, Shina. Mas eu te chamei umas vinte vezes e você não respondeu. – Miro olhou sério para a amazona. – Tivemos mais ajuda, por isso cheguei de madrugada. Vem dizer que estava com saudade? – sorriu maliciosamente.
__ Ora, cale a boca seu artrópode. É claro que não. Pensei que ia ter mais tempo sem a sua indesejada presença. – Shina fechou a cara.
__ Sei! Um dia você vai admitir que é louca por mim. – Escorpião murmurou. – Hein, por que você estava triste e chorando?
__ Estou preocupada com esses desmaios de Isa. Queria saber o que está acontecendo com ela, mas já me disse que só vai contar tudo depois que o Mú souber. A Isa anda muito misteriosa e muito nervosa. Parece carregar um fardo de problemas. – Novas lágrimas começaram a surgir por baixo da máscara. – Quantos amigos mais vamos perder nessas batalhas?
Miro puxou a amazona aconchegando-a em seus braços ternamente. Nada falou. Apenas afagou os cabelos sedosos da amazona. Apesar da marra e da personalidade marcante, Shina ainda mantinha características femininas determinantes como o cuidado com os cabelos e a pele, e esse fato surpreendeu muito o dourado.
__ Não sei, mas farei o máximo para que isso não aconteça mais, Shina! – Miro falou ainda acariciando os cabelos da amazona.
Shina fitou o dourado, assustada com a atenção e carinho. Será que era uma alucinação? Quando menos esperava, Miro retirou suavemente a máscara da amazona que estremeceu em seus braços. O que esse doido estava fazendo? – pensou Shina que não reagia.
Miro fitou intensamente os olhos assustados da amazona que não se mexia, somente respirava descompassada. Finalmente posso ver os que estes olhos me escondem – pensou Miro.
Como se mais nada existisse ao seu redor, Miro apenas tocou com seus lábios levemente os lábios trêmulos da amazona que ainda mantinha a cabeça erguida, paralisada pela ação do dourado.
Aos poucos, a adrenalina que havia tomado conta do escorpião comandou toda a ação. Ele já não sabia como a beijava, apenas o fazia com toda necessidade que surgira tão instantaneamente.
Enquanto estavam entregues a aquele carinho, seus corpos respondiam aquilo que suas mentes negavam. Por fim, corpo e mente se entregaram àquela paixão adormecida e negada por muito tempo.
Miro sentiu que o ar se esvaia, e desceu dos lábios para o pescoço, dando tempo e ar para que a mulher entregue em seus braços pudesse respirar. Só não deu tempo de ela revidar seus ataques sensuais, pois sabia que assim que pensasse no que estavam fazendo, Shina poderia voltar atrás. O dourado não estava nem um pouco disposto a ceder o espaço conquistado no coração da guerreira.
O que menos esperava foi então ouvido pelo dourado. Gemidos baixos e muito sensuais escapavam da boca da guerreira que afagava o cabelo do dourado de forma atrevida. Satisfeito pelo resultado inesperado, o escorpião começou a correr a mãos pelo corpo da guerreira que se rendia mais às carícias.
Sentindo o corpo reagir cada vez mais violentamente, Shina percebeu o que ocorria e tentou se afastar suavemente.
__ O que eu estou fazendo? – Shina colocava a máscara de volta. – Devo estar ficando louca para reagir assim.
__ Pode parar Shina. Eu sei o que senti e como você me respondeu. Não precisa negar. Não vou contar para ninguém se esse é seu medo. – Miro encarou a amazona. – Não negue, até nossos amigos já perceberam.
__ Pare você Miro. Eu sabia que minha paz tinha acabado com sua volta. Sempre quero provar que é o conquistador, que é o pegador. Eu só estou um pouco abalada. – A amazona deu de ombros virando-se de costas para o dourado.
Miro a abraçou pelas costas sentindo o estremecimento da guerreira.
__ Sabe por que sua paz acabou Shina? Porque você sabe o quanto mexo com sua cabeça, com seu corpo e seu coração. – Miro corria o dedo do rosto para o corpo, depois para o peito da amazona. – Escute meu coração. Você acha normal esse batimento acelerado?
A amazona cedeu encostando a cabeça no peito do dourado que batia descompassado. Suspirou derrotada e ciente de que não adiantava negar o óbvio.
__ Você não entende! Você não sabe como é difícil ser mulher nesse santuário e ser respeitada. Eu consegui isso a duras penas. Pensa quando souberem o que ocorreu. O que pode acontecer? Jamais serei respeitada como mestra e amazona.
__ Calma! Eu sei de tudo isso, mas não vou abrir mão do que consegui conquistar hoje. – Miro depositou um beijo nos lábios da guerreira. – Nos veremos as escondidas, quando tivermos um tempinho. O que acha?
__ Vamos parecer adolescentes. – Shina estava séria.
__ Mas é assim que me sinto: como um adolescente apaixonado. E não quero te deixar ir jamais. – Miro abraçou mais forte a amazona e iniciou um beijo mais sensual que antes.
__ Miro!!! Os aprendizes vão chegar daqui a pouco para o treino. – Shina sorriu dando um tapinha no braço do dourado.
__ Certo! Então me promete que ao meio dia vai até a casa de escorpião. Não aceitou recusas. – Miro falava malicioso. – Ou eu vou atrás de você onde quer que esteja, e nada vai me segurar, sabe disso!
__ Tudo bem seu doido. Mas alguém pode achar estranha minha passagem pelas casas. – Shina falava pensativa maquinando sua travessura.
__ Sei lá. Dá uma desculpa se perguntarem. Te espero ao meio dia. Agora vou descansar bem, e você na me escapa, guerreira. – Milo deu um selinho se despedindo. – Até mais, de-li-ci-o-sa... – saiu correndo sorrindo.
Shina sorriu da travessura do dourado. Nada a deixaria brava hoje. Finalmente se livrara de um fardo de anos que a machucava como um espinho.
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