Em Busca Do Amor Da Lua
12 A Última a Saber!!!
Notas iniciais
No caminho, Mú enviou uma mensagem telepática para Saori que ficou aguardando no seu templo.
Ao entrar no salão, Mú deitou a lunar num divã que havia sido preparado por Saori. Havia muita preocupação estampada nos rostos de todos com exceção da própria lunar.
Surgindo da porta, Shaka assustou o dourado e a lunar que não aguardavam sua presença. A interrogação que surgiu no rosto dos dois mobilizou Saori para se explicar.
__ Chamei o cavaleiro para nós ajudar. Ninguém consegue descobrir seus pensamentos Isa. Talvez Shaka possa faze-lo.
Isa assentiu ainda intimidada pela presença inesperada. Se ela era uma charada para eles, o dourado de virgem não deixava barato nesse quesito.
__ Conte o que ocorreu, Isa? – Saori estava sentada próxima a lunar.
__ Depois que sai daqui ontem, tive uma visão, como se fosse um dejavu e desmaiei. Nunca tinha acontecido algo assim. E agora estava indo treinar e mesmo ocorreu. – Isa falava mirando as mãos.
__ E o que você viu? – Shaka se pronunciou pela primeira vez.
__ Ontem as imagens estavam embaçadas, mas vi que era um homem com roupas douradas. Ele falava algo e depois atacou uma mulher que estava toda prateada. Ela caiu sangrando. Depois o homem correu até ela chorando. Foi tão real, apesar da imagem distorcida. Cheguei a sentir a dor que os dois sentiam. Hoje foi a mesma visão, só que mais nítida e eu entendi o que falavam. Ele gritava que ia mata-la e tinha os olhos vermelhos, e ela pedia para ele se libertar do domínio de Artémis! Ela estava grávida e ele golpeou sua barriga. Depois tudo some novamente. – Isa ofegava relatando a visão.
__ Isso poderia ter envolvimento com a Artémis? – Mú falava diretamente com Athena.
__ Sim, poderia. – Shaka estava concentrado. – Lunar, tente ficar quieta e relaxar. Concentre-se em minha voz apenas.
O dourado sentou-se em posição de lótus e começou a entoar um mantra calmo e rítmico. Isa conseguiu finalmente compassar sua respiração e se levar pela tranquilidade. Alguns minutos e ela havia entrando numa espécie de sono. Quase como um desmaio, mas tranquilo. Mú e Saori ficaram apenas observando. Alguns minutos se passaram e nada acontecia. Já envolvidos pela tranquilidade, eles se sobressaltaram quando Isa deu um grito e levantou a cabeça com olhos estalados.
__ Ele a matou, eu vi, ele a matou. O corpo dela se desintegrou. Foi Artémis, foi Artémis. – Isa chorava e ofegava enquanto falava.
Todos ficaram assustados com a reação da lunar. De quem seriam aquelas lembranças, aquelas cenas?
__ O que você descobriu Shaka? – Saori estava alarmada.
__ As memórias são dela, mas não dá para saber de que época. O estranho é essa mulher se desintegrando. Isso acontece com deuses. Os bloqueios que existem não permitem nada além disso. Ela vai se lembrar, parece ter começado o processo. – Shaka foi incisivo e novamente ficou quieto.
__ Certo!!! – Mú assentiu fitando a lunar. – Vou leva-la para descansar. Obrigada Athena! Obrigada, Shaka! – Ele parecia atordoado.
Shina havia chegado e aguardava o casal nas escadarias. Sem muito perguntar, ajudou a conduzir a lunar de volta.
__ Por que não contou tudo a ela, Athena? – Shaka ainda fitava a escadaria.
__ Você viu mais do falou?
__ Não!!! Apenas percebi o que obvio. Ela é quem você tanto procurou. Pelo que percebi, se deixar a história caminhar sozinha, a tragédia vai se repetir.
__ Dessa vez não! Logo ela vai despertar! Você sabe que quem está despertando-a é justamente quem poderá fazer a maldição se cumprir. – Saori olhava fixamente a sua frente.
__ E se não despertar? – Shaka parecia duvidar do rumo dessa história.
__ Então irei intervir. Obrigada por ser discreto.
__ Não por isso! Só acho que o Mú não merece carregar essa culpa. Vou observar a lunar até tudo ser revelado. – Shaka fez reverência para Athena, saindo em seguida.
Já na casa de Áries, Mú colocou a lunar confortavelmente em sua cama, se aninhando ao seu lado. Shina que havia ficado a par da situação, voltou para treinar alguns aprendizes.
__ Athena deve pensar que sou um peso. Só atrapalho. Tirei você das suas responsabilidades, tirei o dourado de virgem também. Até a Shina está perdendo tempo comigo. Não consigo entender o porquê disso.
__ Ei, pode parar com isso. Antes de tudo você é minha namorada, e vou deixar tudo para ficar cuidando de você. E Athena sabe de algo, percebi pela sua expressão, e Shaka também não me enganou. Mas vamos descobrir depois, quero apenas que descanse. – Mú calou a lunar com um beijo tímido. – Vou velar seu sono.
Isa ficou aconchegada nos braços de Mú até que se viu vencida pelo cansaço que as visões haviam causado e cochilou tranquilamente. Enquanto mantinha a amada nos braços, Mú fitava o rosto sereno da mulher que o havia encantado como nunca havia pensado ser possível.
Sem perceber, o dourado também adormeceu. Quem observava aquela cena linda era Shina que havia voltado do treino. Comovida com a cena, encostou a porta do quarto que estava aberta e passou a preparar uma sopa para o casal que não acordaria tão rápido.
De fato, era início da tarde quando o casal despertou. Isa levantou-se saindo dos braços do dourado e sentou-se na cama tentando organizar seus pensamentos confusos. Quando menos esperava foi envolvida novamente pelos braços protetores do dourado que a trouxe para a cama, e passou a distribuir beijos pelo rosto da lunar. Essa tomada pela alegria e felicidade do momento começou a gargalhar. Uma batida na porta os alertou da presença desconhecida.
__ Casal alegre!!! Preparei alimento para vocês, se quiserem! – Era Shina que falava completamente envergonhada.
Os dois caíram na risada por causa do tom desconfortável da voz da Shina.
__ Certo Shina! Já vamos!!! – Isa gritou para a amiga. – Vamos meu dourado? – Fazia a carinha mais manhosa que podia.
__ Claro! Tenho que cuidar da minha Isa. – Mú sorriu para sua amada.
Quando entraram na cozinha, havia dois pratos servidos na mesa com a sopa e um bilhete para Isa. Era de Shina, avisando que havia voltado aos treinos e que viria ver a lunar mais tarde. Os dois aproveitaram que a comida estava quentinha e apreciaram o gesto tão carinhoso da amazona.
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