Em Busca Da Sobrevivência
11 O Traidor
Notas iniciais
Já era dia e Nayara permaneceu o tempo que pode trancada em seu quarto. Estava deitada em sua cama pensando no beijo e também em sua mãe. Sendo assim várias outras perguntas surgiam e vagavam por sua mente, entre elas a que mais a deixava intrigada era: “Porque Morgana a matou?”.
Bruna tirou-a de seus pensamentos quando começou a chama- lá.
— Nayara! — resmungou Bruna.
— O que? — perguntou ela rapidamente.
— Nós estamos indo procurar a Bia... Você quer ir? — Bruna sentou na cama de sua amiga, enquanto colocava uma bota de couro marrom.
— Posso ficar fora desta vez? Não estou me sentido muito bem. — falou Nayara levantando-se devagar.
— Claro, pode ficar cuidando da minha irmã? — Bruna finalmente conseguiu colocar as duas botas e se levantou também.
— Tudo bem.
Todos já haviam ido, quando Nayara resolveu sair um pouco de seu quarto. Ao passar pela sala viu Ana dormindo no sofá, aparentemente a menina estava desconfortável. Depois de ficar um bom tempo observando Ana — que não parava quieta em apenas uma posição —, Nayara foi até a cozinha pegar algo pra comer, foi lá que ela viu quem menos queria ver.
— Sério isso? Não me diz que você ficou aqui só pra me incomodar. Fala sério. — Nayara falou tentando não gritar para não acordar Ana.
— Não, porque eu faria isso? Só não estava me sentindo muito bem. — comentou Gabriel ao olhar para cara de espantada que Nayara fez.
— É a mesma desculpa que eu dei... Tudo bem, vim só pegar algo pra comer. — Nayara foi direto a geladeira pegar algo.
— Temos que ir ao mercado, pegar mais algumas comidas, nosso estoque já está quase acabando. — Gabriel olhou pelo ombro de Nayara, podendo assim ver que a geladeira estava praticamente vazia.
— É tem sim... Você e outra pessoa, porque eu não irei com você. — a garota falou fechando a geladeira e indo até um armário marrom; nele, continha uns pacotes de biscoitos. — Biscoitos! Sempre biscoitos, porque nunca tem nada diferente pra comer?
— Sinceramente, não sei. — Gabriel deu uma leve risada e parou. — A propósito, eu estava pensando se você meio que gostaria de saber o porquê da Morgana sempre estar envolvida em tudo de ruim que acontece ao grupo. Eu faria total questão de te ajudar.
— Bom, talvez sim... Talvez não, não estou a fim de correr o risco de ser agarrada por você. — Nayara pegou um pacote de biscoito e fechou o armário. — Quer um?
— Não quero, e alias porque eu agarraria você? — Gabriel chegou perto dela.
— Epa! Parado ai, cinco metros de distância. — resmungou ela se afastando dele.
— Tudo bem, quer ou não minha ajuda? — Gabriel se sentou em uma cadeira que havia perto da mesa.
— Vou pensar, depois digo a resposta. — Nayara virou de costas e seguiu até a sala.
[...]
— Pessoal vamos nos dividir em grupos. — falou Julio usando um tom de voz superior. — Eu e Bruna vamos para aquela direção. — Julio apontou para uma pequena floresta que havia entre um supermercado e uma farmácia.
— Tudo bem. — falou Thalia rapidamente. — Eu e Pedro vamos pra lá. — ela apontou para a direção oposta onde havia a escola deles, que antes de todo o caos estava completamente perfeita agora estava praticamente destruída, faltando pouco pra desmoronar.
Ao entrarem na floresta, Bruna começou a falar.
— Nossa, ela deixou tão facilmente que até me espantei. — ela sorriu.
— Tá querendo insinuar o que? — indagou Julio.
— Sei lá, ela é tão melosa com você. — Bruna se ajoelhou.
— Eu tinha falado pra ela, porque a gente ia se separar, e pedi para ela não espalhar nem todos podem saber. — Julio encostou suas costas em uma árvore que havia ali.
— Eu nem tinha te explicado direito, então o que você falou pra ela? — Bruna apoiou suas mãos no chão.
— Disse que precisava te ajudar. — Julio comentou.
— Agora eu posso explicar, eu preciso disso pra salvar o Gabriel. — Bruna parecia forçar cada vez mais suas mãos no chão.
— Pera ai, o que você ta pensando em fazer exatamente? — Julio começou a se preocupar.
— Vou canalizar todo o poder que conseguir da terra e, antes que você pergunte, todos os bruxos quando adquirem seu poder tem um elemento que é mais fácil de ser canalizado, se eu canalizar bastante posso fazer um feitiço para salvá-lo ou ressuscitar ele. — Bruna continuava na mesma posição tentando canalizar o máximo que podia da terra.
— Espera, mas você pode morrer se fizer isso. — Julio chegou mais perto dela.
— Não importa, sacrifícios são necessários. Ele será mas útil do que eu, além do mais, ele é mas forte. — ela se levantou e foi em direção a saída da floresta. — Pronto, amanhã acharei outro local para canalizar poder.
— Tudo bem, mas você sabe que não precisa fazer isso. — Julio a seguiu rapidamente ainda nervoso.
— Sei, mas eu quero fazer e não tem nada que você possa me dizer que me fará mudar de opinião. — Bruna virou as costas para ele e seguiu em frente.
[…]
— Vamos terminar de procurar aqui. — Thalia abriu a porta da sala de química.
— Okay. Procurarei nas últimas salas enquanto você procura ai. — Pedro se retirou da visão dela.
A sala de química era uma sala escura, nela tinha somente uma pequena janela, várias mesas grandes separadas pela sala e uma mesa a frente que deveria ser a do professor.
— Nada aqui. — falou Thalia baixinho para si mesmo.
De repente um barulho de batida de porta toma a sala.
— O que foi isso? — gritou ela correndo até a porta.
Um frio estranho tomou conta de sua barriga, pois a sala estava trancada.
— Socorro Pedro, me ajuda. — gritou com toda sua força.
— Não posso te ajudar, e mesmo se pudesse não te ajudaria. — Pedro deu uma risada. — Fui eu que tranquei.
— Por quê? — ela indagou nervosa.
— Quanto menor o número de pessoas no grupo, maior a chances de sobreviver. — Pedro saiu deixando Thalia trancada ali.
[...]
— Eu aceito. — falou Nayara aparecendo na vista de Gabriel.
— Aceita o quê? — Gabriel chegou perto dela.
— A sua ajuda para descobrir mais coisas sobre Morgana. — Nayara comentou o mais rápido que pode. — Mas mesmo assim quero distância.
— Pessoal cheguei! — Exclamou Julio ao passar pela porta de entrada. — O que é isso? — Disse ele baixinho ao notar que havia pisado em um pedaço de papel, ele pegou e leu em voz baixa:
“Melhor olhar as pessoas de seu grupo com outros olhos, nem todos parecem o que são, há um traidor entre vocês.
Assinado: Lucas”
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