Em Busca Da Sobrevivência
4 A Descoberta
Notas iniciais
Ainda com a estaca improvisada em mãos, Julio olhou seriamente para a vampira, entretanto ela nem se importou com a sua presença, seu foco era as duas garotas que estavam desesperadas. Ele estava pronto para agir, mas ouvi-se um rangido vindo do andar de cima. De repente aparece descendo as escadas, uma garota baixinha, e uma mecha preta no seu cabelo.
— SOPHIA. — Gritou Thalia enquanto arregalava os olhos e apontava freneticamente para a garota baixinha.
— Espera... Você não tinha dito que ela estava morta? — Indagou Julio abaixando a estaca.
Gabriel, Nayara, Pedro e Bruna entraram na casa e se colocaram atrás do garoto que aparentava estar confuso
— Eu... Eu a vi sendo mordida! Eu achei que... — Thalia estava chocada, a descoberta a abalou, o que fez ela chorar ainda mais.
— Ela é sua irmã? — Perguntou a vampira mais alta, enquanto analisava Thalia.
— Sim. — Respondeu Sophia. — Está é Morgana— falou apontando para a vampira.
— O que eu faço? — Cochichou Julio para Gabriel.
— Espera, vamos ver o que elas vão fazer. — Respondeu o bruxo.
— Bem, vamos ver qual vai primeiro... — Morgana andava de um lado para o outro. — Você. — Disse a mesma apontando para Bia.
— Não Morgana, dessa vez não. — Sophia disse indo para frente de Bia. — Vamos achar outros.
— Tudo bem, vamos. — Morgana revirou os olhos e foi até a porta de entrada, mas antes de sair, se virou e completou. — Vocês tiveram sorte, mas saibam que um dia essa sorte irá acabar e num piscar de olhos vocês morrerão. — As duas vampiras foram embora, Thalia ficou despedaçada, Sophia nem ao menos olhou para ela.
— Acho que vou dormir, não estou me sentindo bem. — Falou Pedro com cara de enjoo, subiu as escadas e se trancou em seu quarto.
Julio apresentou Nayara e Bruna aos demais, elas foram muito bem recebidas. Logo após as apresentações, todos foram dormir, o único que continuou de pé foi Gabriel. O bruxo notou que havia uma pequena lareira na sala da casa, então usou sua magia para acende-lá, ele esperou que algumas horas se passassem para que ele pusesse subir. Passou por todos os quartos do andar de cima, apenas para ver quem estava em qual. Julio havia oferecido um quarto de empregada que estava vazio para Bruna e Nayara; após verificar se todos estavam dormindo, Gabriel foi até o tal quarto e acordou Nayara.
— Acorda, preciso falar com você. — Sussurrou Gabriel no ouvido de Nayara.
— Ah dá licença! Eu já estou num quarto de empregada e você vem esse horário me chamar? — Gritou Nayara.
— Silêncio, sua amiga não pode acordar. — Disse Gabriel fazendo Nayara olhar para Bruna dormindo num colchão velho.
Gabriel puxou a garota pelo braço antes que ela fizesse mais um escândalo, os dois foram juntos até a habitação de Julio chamá-lo também. Os três reuniram-se na sala e sentaram em um sofá velho que ficava ao lado da lareira.
— Ta, fala de uma vez o que você quer. Estou morrendo de sono. — Resmungou Nayara.
— Deixa ele falar e para de reclamar. — Julio a repreendeu olhando para Nayara.
— Para Você. — Gritou Nayara.
— Para Você. — Berrou Julio.
— Calem a boca os dois. — Falou Gabriel.
— Tudo bem, fala. —O garoto abaixou o tom de voz.
— Eu vim aqui com um propósito, que é completar duas missões... — Começou Gabriel.
— Missão? Que historia é essa. — Julio o encarou.
— Sim, a primeira missão é deixar vocês a salvo, a segunda é achar alguém que possa me substituir. — Concluiu Gabriel.
— Alguém que possa te substituir? Como assim? — Nayara estava muito confusa, então encheu Gabriel de perguntas.
— Sim, por isso chamei vocês dois, eu sinto que um de vocês irá me substituir. — Gabriel explicou.
— Mas porque Julio ou eu? — Continuou Nayara fazendo perguntas.
— Porque vocês dois são os mais corajosos daqui, vocês fariam de tudo para proteger seus amigos, eu sei disso. — Gabriel parecia estar pálido.
— Entendo. — Comentou Julio.
— Agora podem voltar a dormir. — Gabriel ficou mais calmo por ter desabafado.
Nayara e Julio voltaram para seus quartos, já Gabriel dormiu ali no sofá mesmo.
[...]
Gabriel estava em um pasto muito verde, o local era cercado por enormes árvores, não havia nenhuma pessoa a não ser o próprio.
Uma forte luz brilhou, obrigando Gabriel a fechar os olhos.
— Gabriel já pensou na minha proposta? — Ao ouvir a melodiosa e sedutora voz, o bruxo abriu os olhos imediatamente. Uma mulher — de olhos verdes, pele morena e longos cabelos escuros e cacheados— se aproximava dele.
— Sim, Luiza. Manterei sua filha a salvo, seja lá quem esteja com ela. — Respondeu Gabriel.
— Ótimo. — Luiza exibiu seus dentes brancos em um enorme, lindo e doce sorriso. — Até nosso próximo contato.
[...]
Já era dia e Gabriel acordava aos poucos. O homem estava em contato com uma mulher que já havia morrido, ele resmungava repetidamente a mesma frase:
— Tenho que proteger Nayara.
Ele parecia preocupado e estava soando frio. Todos da casa já haviam acordado, Nayara aos poucos se aproximou dele com uma bandeja com uns biscoitos e café preto. Sem querer, a garota bateu seu pé na mesinha de centro, tentou conter o grito, mas o barulho do baque com o sofá foi alto, e fez com que Gabriel acordasse completamente.
— Coma. Não pode ficar tanto tempo sem comer. — A dor passou e Nayara entregou a bandeja nas mãos de Gabriel.
— Obrigado. — Falou Gabriel pegando a bandeja.
— Eu tive uma ideia. Nós não precisamos fugir daqui para achar um lugar melhor para viver, nós podemos fazer perímetros e muros ao redor de uma parte da cidade. — Começou Nayara.
— Claro, e seria muito prático também, se tivessem mais pessoas que soubessem atirar. — Ironizou Gabriel.
— Nós podemos ensinar, a gente consegue. — Nayara estava com essa ideia fixa na cabeça.
A conversa cessou no exato momento em que todos na casa ouviram gritos vindos da rua.
Fale com o autor