Em Busca Da Felicidade.
7 Essa é a minha Susana!
Notas iniciais
POV. Susana.
Recostei-me novamente na cadeira da penteadeira sem o menor animo de descer para o jantar daquele sábado. O que eu ouvi na sala do trono me deixara muito abalada. Foi uma mudança brusca de comportamento, eu percebi e muito essa mudança. Num minuto eu estava feliz pela aceitação de meu pai e no momento seguinte lá estava eu, quase sufocando com as lagrimas e os soluços pela possibilidade do casamento arranjado. Desde aquele momento eu estava depressiva, sem animo e os olhos vermelhos. Uma batida na porta fez-me levantar.
— Você está pronta? – perguntou Pedro.
— Só falta uma coisa...
Voltei à penteadeira e pus na cabeça a tiara de brilhantes da princesa. Pedro usava sua cora de príncipe, ela era prateada também, mas era menor e menos adornada que a do rei.
— Vamos? – chamou. Assenti e fomos juntos até o salão onde iria acontecer o jantar. – Você está bem, Su? – perguntou meu irmão. Dei um sorriso amarelo e assenti sem sequer me preocupar se estava sendo convincente. Pedro não insistiu e eu agradeci silenciosamente por isso. As portas do salão preparado para aquele jantar foram abertas e nós adentramos juntos.
Caspian já estava lá assim como Miraz, Rabadash, seu general e meu pai. Meu olhar se encontrou com o de Caspian por breves segundos enquanto nos aproximávamos.
— Boa noite – cumprimentei tentando ao máximo não encarar o príncipe que não tirava os olhos de mim.
Após todos os cumprimentos, nos sentamos à mesa. Papai no topo, Pedro de seu lado direito, eu do esquerdo, Miraz ao lado de Pedro e Caspian sentou ao meu lado antes que o príncipe fizesse isso, obrigando-o a sentar do lado de Miraz, o general calormano sentou ao lado do príncipe.
Logo algumas empregadas, incluindo Lucia, vieram servir o jantar. Ela me lançou um olhar preocupado e eu soube que ela já notara algo de errado. Mal toquei na comida.
— Então, qual é sua proposta, Rei Franco? Sou todo ouvido. – começou o príncipe.
— Bom – falou meu pai. – Eu pensei em ouvir suas sugestões, alteza, e então ver o que posso fazer.
— Sendo assim... Meu pai, o Tisroc, que ele viva para sempre – rolei os olhos dando uma garfada de má vontade. – Está cansado de tantas batalhas inúteis contra Narnia. – falou ele. – Há algum tempo venho ajudando-o a formular um tratado de paz, mas as coisas se complicaram desde os acontecimentos que provocaram a ultima batalha entre nossos países. – Pedro virou a taça de vinho.
— E de que formas esse tratado se consolidaria? – perguntou meu pai com uma das mãos no queixo, prestando atenção.
— Bom, nós ainda não chegamos a nenhuma conclusão... E eu esperava que sua majestade nos ajudasse nesse ponto. – falou calmamente.
— Talvez possamos entrar em um acordo. – meu pai se ajeitou na cadeira. – Quais são as exigências calormanas?
— Estamos dispostos a esquecer dos saques às nossas colheitas caso Narnia compense nossas perdas. – falou calmamente.
— De que forma poderíamos fazer isso? – perguntou meu pai. Caspian se mexeu na cadeira ao meu lado, inquieto.
— Achei que o senhor pudesse me propor, majestade. – Rabadash deu de ombros.
— Com a licença de Vossa Majestade – começou Miraz em toda a sua segurança orgulhosa. Meu pai deu a permissão e ele continuou. – Se o estimado príncipe concordar, poderíamos reservar uma parcela de nossas colheitas e compensar as perdas calormanas.
Vi Pedro unir as sobrancelhas de um jeito do tipo “que raio de ideia é essa?”, mas eu fui mais rápida, encarando Miraz. Meu humor está por um fio hoje, mais frágil que um fio de cabelo.
— Não somos responsáveis pelas perdas calormanas. – falei séria, firme e sem emoção. – Não podemos desfalcar nossas plantações se sequer temos provas de que realmente foram narnianos que furtaram as colheitas.
— Narnianos foram vistos fazendo isso, alteza. – repetiu Rabadash, calmamente. Olhei-o.
— Isso é o que você diz. – pude sentir todos os olhares sobre mim, inclusive o de Lucia que viera servir vinho novamente. – Como eu disse, não há provas. – cruzei os braços, encarando Rabadash. – Além disso, alteza, muito me estranha o fato narnianos se darem ao trabalho de atravessar um deserto para roubar alimento das colheitas calormanas quando nossos campos, bosques e rios estão fartos. – de relance vi Pedro esconder o riso atrás de um gole de vinho. Lucia mordeu o lábio inferior e saiu com um olhar risonho. Miraz me encarava com os olhos prestes a saltar das órbitas enquanto meu pai estava boquiaberto. Não olhei para Caspian, sabia que se o fizesse não resistiria em tocá-lo. Rabadash riu.
— Está dizendo que minto, princesa? – desafiou.
— Não. Como eu acabei de dizer: não há provas, então não podemos saber se mente ou se diz a verdade. Estou apenas dando minha opinião. – dei de ombros, indiferente, bebendo um gole.
— Com todo respeito, alteza. – começou Miraz. – Receio que, em questões como estas, cada palavra deve ser medida e avaliada.
— Isso foi um conselho? – perguntei. Sim eu estava bancando a rebelde, mas na verdade eu só estava defendendo minhas opiniões.
— Sim.
— Então o guarde para você e para meu pai, afinal, você é conselheiro dele e não meu. – pousei a taça vazia sobre a mesa.
— Mas você deve seguir ordens dele. – arrematou o conselheiro.
— Até agora ele me deixou falar, conselheiro. – olhei para o rei. – Meu pai, peço permissão para me retirar.
— Seus argumentos acabaram, princesa? – provocou Rabadash.
— Não, caro príncipe, apenas todas as sugestões inconsequentes, os motivos sem prova e os argumentos fracos me deixaram... Indisposta.
— Argumentos fracos? – ele ergueu as sobrancelhas, sorrindo. – Com todo respeito, alteza, o único argumento apresentado aqui foi os seu.
— Então meu argumento é fraco? Bom, eu tenho provas, você não.
— Eu tenho testemunhas! – ele se pôs de pé, irritado.
— Testemunhas que podem muito bem estar sendo corrompidas! – pus-me de pé também e a única coisa que nos separava era a mesa. Os outros se puseram de pé também para impedir qualquer besteira que os ânimos elevados podiam causar. – Meu pai – virei para ele. – Diga se tenho razão ou não.
Ele ficou em silêncio por alguns segundos. Eu sabia que ele não gostava de Rabadash e concordava comigo, mas ele tinha que ser diplomático.
— Digo que seu comportamento está inadequado, Susana, mas devo concordar que o príncipe calormano não apresentou nenhuma prova e realmente, também não vejo porque narnianos atravessariam o deserto para furtar colheitas quando tem ao seu dispor toda a fartura de Narnia.
Lancei um sorriso vitorioso para Rabadash.
— Posso me retirar, meu pai? – eu ainda tinha um leve sorriso. Ele concedeu, pedi licença aos presentes e saí.
POV. Caspian.
Susana, elegantemente, deixou a sala onde acontecia o jantar. Ela deixara Pedro à beira de um ataque de riso, Rabadash e Miraz completamente sem jeito e o pai com certo desconforto por sua atitude, mas à mim deu orgulho pelo jeito com que enfrentou o imbecil calormano. Tomei um gole de vinho.
“Essa é a minha Susana...”.
- Peço desculpas pelo comportamento de minha filha, príncipe Rabadash. – começou o rei.
— Sua filha precisa ser domada, majestade, com todo respeito, já pensou em casá-la? Aposto como um marido saberia domá-la. – disse ele sentando-se novamente. Ele está pedindo um soco...
— Não se trata de um animal selvagem para que precise ser domada, príncipe. – de meia tigela, acrescentei mentalmente, encarando-o. Pude sentir o olhar do rei sobre mim, mas não pude decifrá-lo e ignorei o olhar repreensivo de Miraz. Rabadash me olhou indiferente.
— Está querendo dizer que a atitude dela agora há pouco foi correta? – testou.
— Não foi correta aos seus olhos, mas não foi errada aos meus, afina, ela tem razão. – dei de ombros.
— Senhores, senhores! – chamou o rei, calmamente. – Não estamos aqui para discutir o comportamento de minha filha, sendo ele inadequado ou não. Devo lembrar que devemos resolver a situação entre Narnia e Calormânia o mais depressa possível. – lembrou.
— Pois bem – o príncipe recostou-se em sua cadeira. – Não creio que meu pai vai concordar com nenhum reembolso por nossas perdas, então se o senhor não quiser que meu pai me mande de volta, dessa vez com um exercito, sugiro que eu deixe Narnia com algo de valor suficiente para uma aliança de paz por longos anos. – falou calmamente.
O rei pensou e eu pude ver a dor em seu rosto. Não estou gostando nada do rumo dessa conversa, nem Pedro pelo que pude perceber.
— Bem – o rei suspirou. – Não possuo em ouro ou prata, no momento, a quantia para pagar uma aliança de paz...
— ... Sendo assim, acho que meu pai vai declarar guerra contra seu reino... Não que eu seja a favor disto... Mas ele é o Tisroc e eu apenas um príncipe.
— Que ele viva para sempre! – sussurrou o general calormano.
— Não há muito que eu possa fazer para persuadi-lo... – seu tom de bom moço não me convenceu.
— Então, não me resta outra saída... – falou o rei. Meu coração acelerou. – Eu sei que você não é a favor disso, Miraz – o tom do rei era de lamento. Ele suspirou. – Mas não nos resta alternativa para a paz... – pude ver dor nos olhos do rei Franco.
— Pode ser mais claro, majestade? – pediu Rabadash, calmamente.
— Príncipe Rabadash – o rei se pôs em pé de forma solene. Meu coração acelerou ainda mais. – Aceite a mão de minha filha Susana em troca da promessa de paz entre nossos reinos.
— Pai, não! – Pedro se pronunciou pela primeira vez, pondo-se de pé também com o olhar aflito direcionado para o pai, o meu também estava aflito, assim como de Miraz. Mas o rei nos ignorou.
— É a única alternativa que me resta para conseguir a paz.
— Confesso que após esse comportamento dela aqui... Eu não sei... Mas vou pensar em sua proposta, majestade, darei minha resposta amanhã. Com licença. – então ele se retirou e o jantar chegou ao fim.
Senti meu coração sendo esmagado no peito, se desfazendo em pedacinhos afiados.
Notas finais
Beijokas!!
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