Eles não precisam saber, certo?
2 ...Eu acho que...
Notas iniciais
Câmera ligada – Quarto de Kuroko Tetsuya – 17/04/20XX– 21h03min
● GRAVANDO ●
Após estralar os músculos, Kuroko bebeu um gole em sua garrafa com água e tornou a olhar para a câmera.
– Com o passar do tempo, crescemos. E, por incrível que pareça, nossos caminhos nunca mudaram. Passamos a frequentar a mesma escola. Como eu sou adiantado, aos treze anos já estava no nono ano, já Kagami e Aomine estavam no primeiro do ensino médio aos seus quinze anos. Como ficamos em anos diferentes, me tornei muito próximo há dois garotos de minha sala. Takao e Kasamatsu. Eles são legais, apesar de que Takao é muito escandaloso e Kasamatsu muito violento às vezes.
Bebeu mais um gole de agua antes de prosseguir.
– Ele vive no pé de outro amigo meu, o Kise, esse estudava no oitavo ano, mas nem parecia. Ele até hoje é mais alto e tem o corpo bem mais desenvolvido do que o meu ou o de Kasamatsu. Com exceção do Takao, esse aí cresceu até demais, inclusive, atualmente está namorando um cara que já é universitário, se não me engano ele se chama Midorima... Mas enfim. Foi mais ou menos no meio do ano que eu descobri que era homossexual.
“E acreditem, foi muito estranho”.
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CINCO ANOS ATRÁS
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Quarto de Kuroko Tetsuya – 24/06/20XX — 16h04min
– Calma Kuroko, você vai superar. – disse Kagami fazendo um carinho suave no braço do azulado.
– Não vou não... – falou Kuroko com a voz falha pelo choro. – eu nunca mais vou namorar ninguém! Ninguém gosta de mim! Eu sou estranho, feio, burro e...
– OYE TETSU! Não diga isso! – Aomine alterou-se e apertou a mão do menor. – ela que é uma idiota por terminar com você, aquela vadia não merece todas essas lágrimas!
Esticou o braço e limpou as pequenas gotas salgadas que corriam sem parar pelo rosto do pequeno. Kagami mordeu o lábio inferior, frustrado, e abraçou o menor de lado, fazendo um cafuné atrás de sua orelha e murmurando que tudo ficaria bem.
Aomine ergueu uma sobrancelha e abraçou o azulado pelo outro lado, sem em nenhum momento soltar a mão do mesmo e afundou o rosto na curva de seu pescoço.
– Bakagami tem razão, vai ficar tudo bem. – sussurrou.
O corpo de Kuroko tremia pelos soluços, aos poucos ele se acalmou, deixando-se envolver pelo abraço que recebia dos dois melhores amigos e respirou fundo.
– Obrigado... – sussurrou. – eu amo muito vocês.
Segurou também uma das mãos de Kagami e aconchegou-se entre os dois, tentando controlar aquela dor que dilacerava seu coração.
Tudo isso... Por que sua primeira namorada havia acabado de terminar consigo.
Aomine e Kagami estavam inconformados. Aquela vadia que Kuroko chamava de namorada havia tirando-lhe a pureza.
Sim, ele havia perdido a virgindade com ela.
E sim, ela havia o usado para fazer ciúmes ao ex-namorado e depois o descartado. A garota era possuía quinze anos, e Kuroko doze. Ela, literalmente, havia o manipulado.
Kuroko sentia-se sujo. Como pode perder a virgindade tão cedo? Queria morrer.
– “Eu nunca fiz questão de esta aqui, muito menos participar..." – ouviram o ruivo cantar baixinho¹.
– “E ainda acho que o meu cotidiano” – completou o moreno. – “vai me largar...”.
Kuroko segurou um soluço e tentou cantar de maneira afinada apesar da voz embargada.
– “Um dia eu vou morrer, um dia eu chego lá, eu sei que o piloto automático vai me levar...”.
Kagami e Aomine se puseram de pé, puxando o menor para cima e o forçando a ficar de pé também. Por serem mais altos puderam erguer o menor pelas mãos, o balançando para frente e para trás.
– “EU DEVIA SORRIR MAIS, ABRAÇAR OS PAIS, VIAJAR O MUNDO, ME SOCIALIZAR!” – cantaram ruivo e moreno ao mesmo tempo em que balançavam o menor que começava a sorri. – “NUNCA RECLAMAR, SÓ AGRADECER, TUDO QUE VIER EU FIZ POR MERECER”!
O azulado riu em meio ao choro e cantou sozinho, tentando cicatrizar as feridas abertas em seu coração, ele adorava essa música, e mesmo que Kagami e Aomine detestassem essa banda, aprenderam-na de tanto Kuroko canta-la.
– “EU DEVIA SORRIR MAIS, ABRAÇAR OS PAIS, VIAJAR O MUNDO, ME SOCIALIZAR, NUNCA RECLAMAR, SÓ AGRADECER! FACIL DE FALAR, DIFÍCIL FAZER”!
Balançaram o menor mais rápido, arrancando deliciosas risadas do mesmo. Logo todos cantavam juntos.
– “Quase toda vez que eu vou dormir, não consigo relaxar, até parece que meus travesseiros pesam uma tonelada”!
E logo repetiam animadamente o refrão, toda a casa de Kuroko era preenchida pelas vozes animadas dos três rapazes, eles subiram a escadaria pendurando Kuroko pelos braços e pernas e depois o jogaram na cama, rindo feitos loucos.
Moreno e ruivo se puseram ao redor do menor, fazendo-lhe cócegas enquanto ainda cantavam. O azulado só fazia gargalhar e se contorcer na cama. Depois de minutos sem folego, finalmente deram sossego a Kuroko que tentou respirar fundo sem rir.
– Eu realmente amo vocês! – disse o menor escondendo os olhos com as mãos.
– Sabemos disso. – sorriu Aomine.
– Nos também te amamos Kuroko. – Kagami acariciou lhe a bochecha e apertou seu nariz.
Conversaram por mais alguns minutos, até que o celular de Aomine tocasse e ele se levantasse irritado, alegando que seus tios estavam visitando sua casa e teria que cuidar das pestes que eram seus primos mais novos. Kuroko despediu-se dele com um beijo na bochecha, deixando o moreno completamente vermelho.
Assim que Aomine foi embora, Kagami e Kuroko continuaram a conversar.
– Onde está sua mãe? – perguntou Kagami num determinado ponto da conversa.
– Acho que tá viajando. – o pequenino pôs uma mão sobre o queixo. – ou tá dormindo num apartamento que ela tem perto da empresa, não sei... Acho que ela não vem em casa faz... – ele parou para contar nos dedos. – uns oito dias.
Kagami engasgou com a própria saliva.
– OITO DIAS?!
– Sim. – respondeu normalmente. – algo de errado com isso?
– Tudo está errado! – disse Kagami um tanto alterado.
– Por quê?
O ruivo acertou uma tapa na própria testa, se bem que, Kuroko via tão pouco à mãe que ela nem lhe fazia falta.
Afinal, ele nem sabia direito o que era ter uma família.
Kagami franziu a testa, com pena do azulado e aproximou-se um pouco mais dele. Ambos estavam deitados de lado na cama enquanto conversavam, atreveu-se a por uma mão na cintura do menor que corou um pouco com o gesto, mas o permitiu.
– Kuroko, já ficou com muitas garotas? – perguntou.
– Não diria muitas, só umas duas antes de namorar a Sayaka. Mas por que quer saber?
– Bem... É que... – um leve rubor coloriu as bochechas do mais velho. – v-você j-já ficou com algum g-garoto?
– Garoto? – Kuroko franziu a testa. – Não.
– Você ficaria com um?
– Não sei. – respondeu desconcertado. – quero dizer... Dois garotos são... Estranho, mas não acho que seja errado. Não tenho nada contra.
– Então ficaria? – insistiu.
Kuroko corou um pouco e desviou o olhar.
– P-Por que quer saber isso? – perguntou com a voz um tanto fraquejada.
– É que eu... Eu queria experimentar ficar com um garoto uma vez. – mentiu o maior. – então eu estava pensando... Você não tá namorando, nem eu... Então... A gente podia ficar uma vez... Né?
O azulado ficou tão vermelho que quase tingiu os próprios cabelos, encolheu-se e se afastou do toque de Kagami, sentando num movimento rápido.
– N-Não sei... – falou afastando-se até a beirada da cama. – i-isso... Você é meu amigo então...
– Justamente por isso, somos amigos, então não faz mal não é? Assim, nenhum dos lados sai machucado. – sentou-se. – por isso eu... Vamos lá. Que tal ao menos um beijo?
Kuroko mordeu o lábio inferior e olhou para baixo.
Um beijo não fazia mal algum, não é? Além de que Kagami só era dois anos mais velhos que si, não era lá um crime.
O maior se aproximou cautelosamente, tocando com cuidado no queixo do menor que estremeceu com o mínimo contato. O vermelho tornou a colorir suas bochechas e seus olhos encontraram os de Kagami, para logo desviarem-se para a boca cheia e carnuda do outro. Kagami fizera o mesmo, apreciando os pequenos e macios lábios rosados de Kuroko.
Só um beijo.
Era o que ele precisava.
Escorregou a mão do queixo á nuca do azulado, afundando os dedos em seus cabelos macios e puxando-o para si enquanto que com a outra mão colocava uma perna do outro ao redor de sua cintura.
O beijo foi cálido.
Kuroko abria timidamente os lábios, dando passagem á Kagami que aproveitou cada pedacinho do outro por todos os segundos possíveis. Era muito melhor do que imaginava. A respiração um pouco quente do outro roçava seu rosto e com carinho entrelaçava a língua um pouco para do azulado.
E, por Kami-sama, Kuroko possuía um gosto inigualável. Não havia como comparar há algo. Era doce, mas ao mesmo tempo não. A temperatura e os movimentos numa sincronia perfeita para ambos os lados. O azulado agarrava-se a blusa do maior enquanto o mesmo aprofundava o contato, arrancando baixos gemidos do pequeno.
Desceu ambas as mãos as coxas fartas do mais novo, puxando-o mais para si, o beijo se tornou mais urgente e necessitado, como se precisassem mapear completamente um ao outro.
Naquela tarde, não passaram de caricias leves e beijos calorosos.
Mas foi o suficiente para o conceito de prazer e sexualidade de Kuroko mudar.
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ATUALMENTE
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Câmera ligada – Quarto de Kuroko Tetsuya – 17/04/20XX– 21h10min
● GRAVANDO ●
– Bem, como deve ter percebido, eu havia acabado de levar um pé da minha namorada e estava meio carente, deve ser por isso que topei ficar com o Kagami naquele dia. Foi ótimo, maravilhoso, prazeroso, admito. Era daquela... Hm... “Pegada” que eu sentia falta com as garotas, elas não me completavam da maneira que eu precisava.
Pegou a garrafa com água e bebeu um gole.
– Kagami foi realmente o primeiro garoto com o qual eu fiquei e... – suspirou sonhador. – foi mágico. Ele sabe como me pegar de jeito, se é que me entende – riu nasalmente. – só que... – tornou a ficar sério. – não parou nessa ficada.
“Por que logo depois, veio o Aomine”.
● PAUSA ●
TEMPO DE GRAVAÇÃO ATUAL: 00h23min
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