Eles não precisam saber, certo?
4 Independência ou Amor
Notas iniciais
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DEZ ANOS ATRÁS
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Cinema – Sala 5 – 01/09/20XX — 18h33min*
Os personagens desenhados moviam-se de um lado para o outro, faziam piadas sem graça e salvavam mocinhas. Um simples desenho como todos os outros, mas que era divertido para o pequeno Kuroko Tetsuya.
O azulado ria das piadas sem graça e se alegrava com o resgate das mocinhas. O filme já rodava há mais de uma hora e meia, seu fim era próximo.
Kuroko continuava a rir sozinho, várias famílias estavam espalhadas pelo local. Pais com seus dois, três, ou únicos filhos, sentavam lado-a-lado e disfrutavam da exibição cinematográfica.
Mas o pequeno Tetsuya de seis anos continuavam ali.
Sua mãe, nos primeiros quinze minutos do filme, havia saído para atender uma ligação e falara:
– Filho, eu já volto, se algo acontecer me espere no banco em frente há livraria. – e saiu.
Quase duas horas depois, não voltara.
O filme terminou. Kuroko recolhia o copo e a sacola de pipoca com o passar dos créditos finais. Sobrara cuidadosamente a sacola e a guardara no bolso do moletom largo que usava.
– Está perdido? – disse uma funcionária do cinema que via o menor sair do local sozinho.
– Não. – disse o azulado terminando de bebericar o refrigerante, para depois jogar o copo descartável no lixo. – mamãe me pediu para espera-la.
Saiu com suas passadas pequenas do local, mais ninguém pareceu repara-lo. Sentou-se no banco em que sua mãe mandara e esperou.
Esperou, esperou, esperou...
E esperou.
Naquele dia, o shopping fechara com uma denuncia de criança perdida, dois seguranças cuidando dela e uma empresaria desesperada por ter esquecido do filho.
Foi um dia em que Kuroko aprendeu a não esperar nada dos outros.
Ninguém nunca faria nada para alegra-lo, nem para ajuda-lo.
Agora, e sempre, se tornaria independente do resto mundo.
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ATUALMENTE
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Câmera ligada – Quarto de Kuroko Tetsuya – 17/04/20XX– 21h30min
● GRAVANDO ●
– Já perceberam que minha família não muito normal, certo? Se bem que... Eu nunca soube direito o que é uma família. O meu pai morreu quando eu tinha três anos e minha mãe sempre esteve trabalhando muito na empresa dela, então... – riu tristemente enquanto abaixava o olhar. – acho que essa coisa que eles chamam de “amor” eu nunca havia sentido até o Kagami e o Aomine entrarem na minha vida. Eu acho que...
Fechou os olhos, deixando uma lagrima escorrer pela lateral do rosto.
– E-Eu... – soluçou. – eu sinto tanta falta deles. Fui um idiota! Devia ter falado a verdade! Devia ter feito o que era certo, mas eu... – afundou o rosto entre as mãos, respirando fundo. – enfim, continuando. Mantive uma amizade colorida com Aomine e Kagami por um bom tempo, até que um deles quisesse avançar o sinal.
“E não é nenhuma surpresa que tenha sido Aomine”.
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QUATRO ANOS ATRÁS
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Ginásio – Piscina Olímpica – Colégio K.N.S. – 19/05/20XX — 20h04min
– Ai, droga! – murmurou Kuroko para si mesmo. – droga, droga...!
Tudo de errado estava acontecendo consigo naquele dia. Prometera a Aomine que iria assistir sua competição de 100 metros livres, mas houve um acidente no transito e o ônibus o qual pegara simplesmente quebrou no meio do caminho e o motor quase explodiu. Tivera uma discursão horrível com Kagami pelo telefone, o ruivo alegava que o azulado já não o queria mais, mas Kuroko apenas estava de cabeça quente e ao invés de desculpar-se atiçou a raiva do maior.
Definitivamente, não era um bom dia.
– ME PERDOE! – curvou a coluna num ângulo de noventa graus.
Aomine olhava inexpressivamente para o canto da quadra, estava sentado na arquibancada. A bolsa esportiva jogada ao seu lado exibia uma medalha de primeiro lugar por cima da mesma. Trajava uma simples calça jeans junto há uma regata preta. Os cabelos ainda estavam molhados por causa da natação e estava descalço.
– Só te pedi para vir nesse dia, hoje. – disse Aomine ainda sem encarar o menor. – só para a final.
– M-Me perdoe e-eu...
– Tetsu. O que eu sou para você?
– V-Você? – o azulado se surpreendeu com a pergunta. – b-bem... É...
O moreno levantou-se do banco, finalmente encarando o rosto desesperado do azulado.
– Por que não quer assumir o que temos em público?
Aquilo foi um baque para Kuroko.
AOMINE ESTAVA QUERENDO ASSUMIR TUDO?!
– I-Isso é muito precipitado. – dizia o azulado recuando.
– Por quê? Estamos “ficando” há quase um ano, já não está na hora de todos ficarem sabendo?
Kuroko mordeu o lábio inferior. Se assumissem, Kagami descobriria.
Ou pior, Aomine descobriria.
Estaria ainda mais encrencado. Apesar de ter conseguido mantes as “amizades coloridas” durante quase um ano, por algumas vezes ruivo e moreno estiveram perto de descobrir que estavam sendo, hm, “enganados” pelo azulado.
“Não é como se eu os estivesse enganando”, pensou Kuroko consigo mesmo, “não tenho nada sério com nenhum dos dois, então acho que não faz mal”.
– Tetsu? – chamou o maior.
Kuroko despertou de seus pensamentos e tornou a olhar para Aomine, o maior estava cada vez mais perto, ao ponto de Kuroko já está com os pés na borda revestida com mármore da piscina.
– Se não quer assumir, o que acha de ao menos darmos, digamos – cortou o misero espaço que havia entres os dois com uma passada larga. – um passo há frente na nossa relação? – agilmente segurou com firmeza a cintura fina do menor, o puxando para si e colando ambos os corpos.
Kuroko estava nervoso, e como estava! Seu coração parecia estar brincando numa montanha-russa enferrujada sem trilhos. As mãos suavam, o rosto ruborizara tão fortemente que conseguia ver a coloração refletindo nos olhos repletos de desejo de Aomine.
O moreno passara a deslizar a outra mão pelas costas do azulado, numa caricia um tanto erótica por marcar a camisa fina e branca do outro com as unhas. Chegou à farta e macia bunda do mais novo, apertando a carne com vontade.
Tetsuya gemeu baixinho com os toques do maior. Aomine transbordava testosterona, seu corpo delineado e definido exalava um aroma sexual que hipnotizava o “ficante”. Mas Kuroko não ficava atrás. Parecia provocar o moreno sem perceber. Com os olhos marejados, a boca vermelha de tanto morder salivando um pouco, os pequenos mamilos que marcavam a blusa branca e a calça que parecia propositalmente justa ao corpo, tornando-o ainda mais...
Digamos assim, violável.
Afinal, venhamos e convenhamos, Kuroko não podia andar com UM CORPO DAQUELES sem ser assediado ao menos um pouco, não é?
Nem sabia como nem quando, mas sua camisa já se encontrava no chão, e por pouco não caria por cima de uma poça de água. Certamente que não trocaria “carinhos mais profundos” com Kagami por semanas devido às marcas que Aomine adorava deixar em seu corpo exageradamente claro.
O moreno usava e abusava dos pequenos e róseos mamilos do azulado, chupando-os com força e mordendo-os. Um tanto sádico, mas de uma forma que entorpecia completamente o menor.
Puxou Kuroko até a arquibancada e jogou-o sobre ela, logo se ponto sobre o menor com um joelho entre suas pernas e retirando a regata sensualmente, exibindo o abdômen definido e sem um único pelinho, créditos há natação por isso!
Tratou de seu apossar dos lábios de “seu” ficante, tirando-lhe quaisquer míseros resquícios de ar que poderiam ser armazenados em seus pulmões. Tocava-o com tanta vontade, tanto desejo e excitação que Kuroko simplesmente não conseguia dizer “não”.
Não se pode dizer não a Aomine Daiki.
Da mesma maneira, não há como resistir a Kuroko Tetsuya.
Aliais, Kuroko só percebeu o que estava fazendo quando sentiu sua calça começar a ser retirada.
– E-Espere! Aqui n-não! – apartou o beijo enquanto empurrava os ombros do moreno.
Aomine o ignorou e tratou de deixar algumas marcas bem feitas de mordidas nos ombros delicados de Kuroko. Após alguns minutos de negação, finalmente parou o que fazia e olhou irritado para Kuroko.
– O que foi? – perguntou na maior cara-de-pau possível, mas não acreditava que Kuroko fosse mesmo fazer “cu doce”.
– Não podemos fazer esse tipo de coisa aqui! – disse Kuroko completamente vermelho.
Aomine suspirou irritado e saiu de cima do azulado, não havia mais ninguém no local, não havia com o que se preocupar. E, se tivesse, a pessoa já teria tido o bom senso de sair dali, ao menos.
– Eu... – Aomine mexia nervosamente nos cabelos. – desculpe-me por isso, estou de cabeça cheia. – agachou-se e pegou a regata que estava no chão, vestindo-a. – nos vemos segunda-feira.
Jogou a bolsa esportiva sobre o ombro e saiu do local.
“Frio” era o que pensava Kuroko.
Tratou de se arrumar, deixando o colarinho da camisa alto para que pudesse esconder as pequenas marcas arroxeadas na clavícula. Por sorte, Aomine não marcara seu pescoço, apenas dos ombros para baixo.
Ao terminar, olhou para o lado, Aomine havia deixado cair, ou melhor, deixado propositalmente a medalha dourada de primeiro lugar que ganhará.
Ele esperava que um dia Kuroko percebesse o quanto valia para si.
E o quanto era mais importante do que qualquer medalha.
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ATUALMENTE
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Câmera ligada – Quarto de Kuroko Tetsuya – 17/04/20XX– 21h34min
● GRAVANDO ●
– Sinceramente, não sei como não cedi naquele dia. – Kuroko olhou para o teto pensativo. – Aomine é um pedaço de mau caminho brutal. – riu baixinho. – principalmente na cama... – abanou-se rindo. – uau! Que homem! Ok... Estou agindo muito gay! Mas eu sou gay mesmo então foda-se. An, o Kagami e eu nos resolvemos sabe? Ele foi o primeiro há pedir desculpas, confesso que foi muito fofo quanto ele me deu aquelas flores e pediu desculpas, sempre foi romântico desse jeito! Acho que essa é a maior diferença entre ele e Aomine, apesar de serem tão parecidos, ao mesmo tempo são completamente diferentes. Eles têm maneiras diferentes de demonstrarem que se importam, que tem ciúmes, que amam, que cuidam. Mas ambas são perfeitas, para mim. Demoramos umas duas semanas para nos acertarmos, até ele querer avançar o sinal também, só que um pouco diferente de Aomine.
“E, admito, eu deixei”.
● PAUSA ●
TEMPO DE GRAVAÇÃO ATUAL: 00h47min
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Bolinho de Limão– Talk Show (+16) — Yaoi — Categorias diversas — casais diversos.
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