Elements : Apocalypse battles
34 Capítulo 34 : A verdade por trás de tudo: (parte 1)
Notas iniciais

Koji, após chegar no campo de batalha, revelando ser o verdadeiro vilão, revelou também várias informações, como o fato de ser avô de Keima e Kaito, e Kouma, furioso com isso, tentou de tudo para parar Koji com o resto de poder que tinha, mas o máximo que conseguiu foi atrasa-lo e deixa-lo ainda mais furioso. Conseguindo fugir com um portal para outro local no último segundo com seus filhos, contou a eles mais profundamente sobre as três espadas sagradas, e após isso, tomou a decisão de se sacrificar para avisar a Kizuro, que está lutando com Servant, portador da terceira espada, para trazê-la inteira depois de derrotar seu adversário. Com essa etapa concluída, Kouma, em seu leito de morte, usou uma última magia que transferiu todas as suas memórias à Kaito, para ele enfim entender todos os mistérios que rondam Koji e seu pai.
Keima — O que você vê, Kaito? — olhava para Kaito que estava paralisado, enquanto estava com Kouma morto em seus braços. — Pai... — Abaixou a cabeça, voltando a chorar.
Kaito estava paralisado, e dentro de sua cabeça, estava tudo em branco, mas de repente tudo clareou e ele percebeu que estava observando de cima duas pessoas conversando dentro de uma sala de gabinete. Ele não conseguia falar, nem mesmo se mexer, apenas assistir. Um dos dois que conversava era Kouma ainda jovem, com seus 19 anos, e outro era um homem velho de cerca de 50 anos, que vestia uma farda de exército da cor verde, cheia de medalhas douradas e prateadas e também usava um quepe de General na cabeça, com um símbolo de estrela dourada que era atravessada por um X vermelho.
[
General — Ryuuma Kouma, certo?
Kouma — Sim, isso mesmo, senhor. — Bateu continência ao seu superior.
General — Primeiramente, deixe eu me apresentar adequadamente, mesmo você já sabendo quem sou. Eu me chamo Yurimichi...Takata... — olhou para o lado por um momento. — E sou o General da segunda divisão de tropas desse QG. Bem, como já sabe, nosso tempo é curto, então vou direto ao assunto, certo?
Kouma — Sem problemas. Qual assunto você tem para tratar comigo, general Yurimichi?
General Yurimichi — Desde que você entrou aqui, você tem se mostrado um soldado excelente. Faz tempo desde que um homem tão energético como você deu as caras por aqui. Em primeiro lugar, quero te agradecer pessoalmente por ser um soldado tão bom para nosso exército. — Levantou-se e estendeu sua mão para o jovem Kouma, que sorriu e apertou a mão do general de bom grado.
Kouma — De nada, general. Estou sempre disposto à ajudar meus companheiros e superiores.
General Yurimichi — Sim, eu e todos no QG sabemos de seus atos de altruísmo ajudando seus colegas, de suas ótimas performances em treinamentos e notas exemplares nos testes físicos e psicológicos. Com base em tudo isso, o pessoal do alto escalão decidiu que quer que você seja promovido.
Kouma — P-promovido? Eu? Mas eu sou muito inexperiente ainda, um reles soldado. Não sou nada comparado aos capitães, tenentes e generais como você. – Falou, assustado.
General Yurimichi — Sim, eu também acho muito precipitado da parte deles, mas de acordo com eles "Um talento único desses não pode ser desperdiçado. Promova-o o quanto antes".
Kouma — Entendo...
General Yurimichi — Sim, basicamente eles dizem que você é bom demais para ficar no mesmo patamar que os outros soldados, e precisa estar acima deles. Ei, falando nisso, você saberia dar ordens à um pelotão?
Kouma — Ordens? N-não. Eu sou ótimo em segui-las, mas não sou muito bom em cria-las.
General Yurimichi — Entendi... Bem, mas não pense que a sua promoção será assim tão fácil, mocinho. O comandante geral do exército, Ginzou, concordou com a sua promoção, mas assim como eu, ele também acha que você é muito jovem, já que geralmente soldados novos só ganham promoções depois dos 25 anos, então ele decidiu te dar uma provação.
Kouma — Provação? Que tipo de provação?
General Yurimichi — Você vai ter que sobreviver em uma área montanhosa e de florestas por duas semanas, sozinho. Lidando com a natureza e seus predadores de frente, quase voltando à idade da pedra. Entende o que eu digo?
Kouma — Então... Meu único dever é sobreviver, não é?
General Yurimichi — Exato. Para não virar um selvagem completo, você poderá levar uma mochila com suprimentos, pois sobreviver sozinho sem uma ferramenta sequer é praticamente impossível.
Kouma — Entendido. E quando eu devo iniciar essa provação? Pode ser agora mesmo?
General Yurimichi — Não se afobe. Tire o dia de amanhã para descansar, e vá na segunda. Arrume sua mochila o quanto antes, pois as 6 da manhã em ponto um carro do exército vai aparecer em frente à sua casa, e você sabe como o General Ginzou ama pontualidade, então... NÃO OUSE SE ATRASAR.
Kouma — Entendido, Senhor. Não irei me atrasar. Estarei na frente de casa na hora designada. — Bateu continência novamente, mostrando que havia entendido tudo.
General Yurimichi — Ok, se entendeu tudo, está dispensado por hoje. Vá pra casa. .
Kouma — Ir para casa? Agora? Mas o país de Thorg está aumentando constantemente a ameaça, talvez eu não esteja exagerando ao dizer que há uma chance muito alta de realmente haver guerra. Eu não posso simplesmente ir embora.
General Yurimichi — Ah, sim, você pode. — Levantou de sua mesa e virou-se para a janela que havia logo atrás. — É justamente por eles estarem agindo cada vez mais estranhamente que você precisa descansar. Prefiro ter um novo general descansado e vivo daqui duas semanas do que um soldado exausto e inútil amanhã. Portanto, vá embora, isso é uma ordem. E como você mesmo disse, você é ótimo em seguir ordens, não é? – Olhou para o jovem, de canto.
Kouma — Droga, tudo bem. Eu irei. Até breve, general. — Falou, despedindo-se e saindo da sala, fechando a porta vagarosamente, para não fazer barulho. Ao sair, viu um amigo olhando para alguns folhetos na parede. — Ei, Rouf? O Lorc não era pra estar com você?
Rouf — Ah, Olá Kouma. Bom te ver. O Lorc está treinando a mira dele, você sabe que ele é um horror com armas de fogo. Aliás, o que estava fazendo na sala do Takata?
Kouma — Ssssshhhh. — Tapou a boca de Rouf com a mão. — Cale a boca, desgraçado, não fale o nome do general em voz alta, ele odeia o próprio nome, esqueceu?
Rouf — Mmm... — Mordeu a mão de Kouma.
Kouma — WAAAH. DESGRAÇADO. POR QUE ME MORDEU? — Tirou a mão da boca de Rouf, começando a balança-la.
Rouf — Desculpe, mas você estava me sufocando. E todos os superiores o chamam pelo nome para irrita-lo, acabei aderindo.
Kouma — Bom, você não é um superior, então esqueça isso. Mais importante, o que é esse mural que você tanto olha? — Perguntou, curioso, vendo que se tratavam de 12 cartazes de desaparecido, de 6 homens e 6 mulheres. — Cartazes?
Rouf — Sim, essas pessoas estão desaparecidas já tem 8 meses, e nenhum corpo foi encontrado, e não houve nenhum sinal de sequestro, homicídio ou algum tipo de assassinato maluco.
Kouma — Entendo. Que estranho, todos jovens...
Rouf — Todas as vítimas tem entre 17 e 27 anos.
Kouma — É um padrão curioso. O que um assassino buscaria com isso?
Rouf — É o que eu estava me perguntando.
Kouma — Vejamos... Olhos pretos, cabelos pretos, olhos azuis, cabelo prateado... — Começou a analisar dois cartazes.
Rouf — Nem perca seu tempo com isso, Kouma. Não vale a pena. Aliás, você ouviu o Yurimichi, vá descansar.
Kouma — Droga, tudo bem... Ei, espera, como você sabe que ele mandou eu descansar?
Rouf – Hehe... – olhou para o lado, disfarçando.
Kouma – Seu desgraçado, você estava ouvindo atrás da porta?
Rouf – Desculpe, não pude evitar.
Kouma – Bom, não importa... Espero que todos esses jovens dos cartazes estejam bem.
Rouf — Eu duvido disso... Pessoas tão jovens não sabem se cuidar por muito tempo estando sozinhas. Mas vamos torcer.
Kouma — Sim, até mais. Ei, espera aí... Nós também somos jovens.
Rouf — Mas nós temos treinamento, é diferente.
Kouma — É, tem razão. Bom, eu preciso ir. — Falou, se despedindo de seu amigo e indo para um corredor na direita, onde pegou sua mochila e saiu do QG.
Assim que chegou em sua casa, um apartamento no 6° andar de um prédio simples, Kouma logo arrumou sua mochila de acordo com o que tinha sido ensinado em suas aulas, colocando comida, água, peças de barraca e cordas, sem contar na faca que guardou dentro da bota.
Kouma — Pronto, agora, eu preciso descansar... Mas eu estou ansioso demais com essa minha promoção... O que eu deveria fazer? — Perguntou-se, enquanto andava por sua casa, estando só de cueca e regata. — Hmmm... Acho que umas abdominais não seriam má ideia. — Pensou em voz alta, e quando deitou-se no chão, antes de conseguir fazer a primeira abdominal, simplesmente apagou, dormindo ali mesmo.
12 Horas depois, o soldado acordou um pouco perdido, no meio da madrugada, e ao sentar-se, coçando a cabeça, olhou para a janela para se situar se era noite ou dia, e ao olhar, viu que havia uma mulher de cabelos prateados e olhos azuis o observando.
Kouma — O QUE? — Levou um susto, indo para trás rapidamente, e com isso bateu a cabeça na sua prateleira de livros, fazendo-a cair em sua cabeça. — WAAAAH. — Gritou de dor, mas ainda assim conseguiu sair de baixo da prateleira, e quando olhou pra janela novamente, não havia mais nada.
Kouma — Mas que porra...? — Perguntou-se, abrindo a janela, e com isso, lembrou que ele estava no 6° andar, e aquela janela tinha vista pro nada, não tendo nenhum método de alguém ter subido ali pra o observar. — O que caralhos foi isso? — Colocou uma parte do corpo para fora, para averiguar a área, mas não avistou ninguém. — Eu devo estar alucinando por causa do sono... Aquela história das pessoas desaparecidas realmente mexeu comigo... Essa alucinação da janela era idêntica à uma das desaparecidas. — Começou a rir de si mesmo. — Droga, o susto foi tão grande que eu derrubei a merda da estante. Que horas são, aliás? — Olhou pro relógio, que marcava 3:30 da manhã. — Meus vizinhos não vão gostar nada disso... — Continuou monologando e arrumando a estante, e enquanto isso, no topo do prédio, a mulher que estava na janela, agora observava a lua cheia, estando com uma mão sobre o cabo de uma espada embainhada, e a outra segurando um colar um tanto estranho que tinha em seu pescoço, até o momento em que criou asas brancas, parecidas com as de um anjo, e saiu voando pelos ares, silenciosamente.
Já de manhã, por volta das 7 horas, o soldado, que já havia arrumado a estante e guardado os livros, encontrava-se agora fazendo uma série de abdominais enquanto esquentava água para tomar seu café da manhã. Tudo parecia normal, no entanto, assim que terminou seu exercício matinal, ouviu batidas na porta.
Kouma — 98..., 99..., 100. Hã? Quem será tão cedo? — Perguntou-se, levantando para ir atender à porta. — Olá?
??? — Oh, Olá meu bom rapaz, como vai? — Perguntou uma velhinha simpática, de 1,50 de altura, fisionomia um tanto gordinha, cabelos curtos, crespos e grisalhos, com olhos meio fechados, mas com cores violetas, e vestia um terno feminino roxo com direito à uma mini cartola na cabeça.
Kouma — Ah, Sra. Fonders, venha, entre. — Falou, simpaticamente, convidando a idosa à entrar. — O que à traz aqui tão cedo? — Perguntou, desligando a chaleira de água que estava em seu fogão.
Sra. Fonders — Ah, por favor, sem essa de Senhora, sabe que pode me chamar de Emily. Deixando isso de lado, eu preciso falar com você, mocinho.
Kouma — Ai, droga, é referente ao aluguel do apartamento, né? — Colocou a mão no rosto. — Desculpa mesmo, eu tenho estado tão ocupado com o Quartel General ultimamente que eu até esqueço de voltar pra casa. Eu sei que meu aluguel está 2 meses atrasado, mas o meu pagamento como soldado deve sair semana que vem, se puder esper-
Emily — Cale a boca, garoto, são 7 da manhã de um domingo, seus vizinhos estão dormindo ainda. — Encarou o jovem Kouma, com uma feição brava. — Não estou aqui para falar do seu aluguel, mesmo que esse seja um assunto bastante importante mesmo.
Kouma — Hã? E está aqui por que?
Emily — Seus vizinhos me ligaram, perto das 3:40 da manhã de hoje, reclamando que "aquele vizinho soldado idiota que quase nunca aparece por aqui está fazendo barulho à essa hora da madrugada de novo, eu não aguento mais esse moleque." – Fez aspas com os dedos. — O que tem a dizer sobre isso, Ryuuma Kouma?
Kouma — Ah, não... Droga, eu sabia que não ia sair ileso dessa... Peço desculpas pelo incômodo que causei a você, Sra. Fonders. Eu acidentalmente esbarrei na estante e ela caiu por cima de mim enquanto eu perambulava pela casa. — Olhou para o lado, evitando de falar a verdade.
Emily — Esbarrou na estante? O quão sonolento você estava? E por que você foi até ela, se a cozinha e o banheiro ficam em direções opostas? Não me diga que estava dormindo no chão novamente.
Kouma — Hã? Como sabia disso?
Emily — Ah, então admite. Bem típico de vocês soldados mesmo, dormir em qualquer canto quando bate a exaustão.
Kouma — Desculpe, mas é que o chão é bem confortável, por incrível que pareça.
Emily — Sim, o Rendy dá a mesma desculpa que você, parece que estou conversando com uma versão mais nova dele.
Kouma — O Sr. Fonders já foi do exército também, né?
Emily — Sim, da aeronáutica mais precisamente. Antes de nos aposentarmos e criarmos nossa linha de apartamentos, a vida do Rendy se baseava nisso, e seus olhos brilhavam ao contar as histórias de seus voos, mas agora, depois do sumiço da nossa neta, ele tem estado bem desanimado, não quer sair nem falar com pessoas que não sejam eu ou meu filho. Até por isso que eu tenho vindo cobrar os aluguéis nos últimos meses.
Kouma — Sim... Eu fiquei sabendo que sua neta desapareceu. Faz quanto tempo mesmo?
Emily — Se não me engano, uns 8 meses.
Kouma — Entendo, é mesmo basta- espera, aí, 8 meses? Qual o nome dela?
Emily — Hã? Shizumi Fonders, por que?
Kouma — Nada demais... Tive uma epifania aqui. — Falou, pegando uma caneta que havia em cima de sua mesa e anotando o nome em um guardanapo.
Emily — O que pretende fazer, Ryuuma Kouma?
Kouma — Não foi só a sua neta que desapareceu, Sra. Fonders. Outros 11 jovens além dela foram sequestrados misteriosamente 8 meses atrás.
Emily — O que? O que você quer dizer?
Kouma — Nenhum dos 12 corpos foi encontrado, então...
Emily — Você está me dizendo, que mesmo depois de 8 meses...
Kouma — Eu não quero te dar falsas esperanças, Sra. Fonders, mas talvez, a Shizumi ainda esteja viva, com quem quer que tenha sequestrado ela.
Emily — Meu Deus... — a idosa começou a chorar. — Ouvir isso... Ter uma fagulha de esperança sobre minha neta estar viva depois de tanto tempo... Isso era tudo o que eu precisava ouvir. Eu só queria poder ver aqueles cabelos prateados voando ao vento novamente... — Ao ouvir a fala de Emily, Kouma caiu para trás. — Hã? O que foi, garoto?
Kouma — C-cabelos prateados? Não me diga que os olhos dela eram azuis.
Emily — Como uma safira. Por que?
Kouma — Meu Deus... — Colocou a mão na boca, lembrando da figura da pessoa que esteve em sua janela durante a madrugada.
Emily — O que foi, Kouma? Fale o que está te deixando desse jeito. Você está mais pálido que um palmito.
Kouma — Não é nada, esqueça, é que eu acho que lembro de ter visto ela em um dos cartazes de desaparecidos que tem lá no QG, mas não sabia que ela era sua neta.
Emily — Entendo. Bom, Kouma, desculpe chorar assim, mas eu não esperava ouvir essas coisas.
Kouma — Tudo bem, Sra. Fonders, eu também agi estranho.
Emily — Deixando isso de lado, vamos voltar ao assunto. Eu acho que é a Quarta vez que você faz barulho depois das 22:00, que é o tempo limite. Anteriormente foram pratos quebrados, gritaria por causa de câimbra devido ao treinamento e tombos devido à mania estranha que você tinha de ficar plantando bananeira, mas derrubar uma estante cheia de livros, isso é demais.
Kouma — Desculpe, Senhora.
Emily — Eu sei que você ainda é jovem e tem energia para dar e vender, e mesmo assim vai sobrar, mas praticamente todos os seus vizinhos trabalham de segunda a sábado, e tiram o domingo para descansar. Olhe o lado deles.
Kouma — Entendo desculpe.
Emily — Espero que essa seja a última vez que eu precise avisá-lo sobre isso, pois do mesmo jeito que está ficando chato pra você, está ficando cansativo para mim. Quando estiver aqui, tente dormir na hora correta, e não no meio da tarde, para acordar pela madrugada quebrando tudo.
Kouma — Entendido, capitã. — Bateu continência à velhinha, que sorriu da palhaçada.
Emily — Bom, o aviso foi dado, espero que não se repita. E quanto ao aluguel, dentro de duas semanas eu volto para buscar o dinheiro, ok? Esteja com os 2 meses atrasados em mãos. — Falou, se dirigindo até a porta
Kouma — Entendi. Pode ter certeza que eu vou pagar. — Acompanhou-a.
Emily — Então, era isso. Até mais, Ryuuma Kouma. — Falou, e quando ia fechar a porta, Kouma a segurou. — Hã? O que foi?
Kouma — Quanto à Shizumi... Eu vou investigar mais um pouco, ok? Vou fazer o que puder pra conseguir mais informações sobre o caso. — Ouvindo isso, Emily sorriu de forma triste.
Emily – Obrigada mesmo, Kouma. — Fechou a porta, e assim, Kouma voltou para a cozinha, onde Sentou-se e começou a pensar, cruzando os dedos.
Kouma — (Eu não podia falar a verdade para ela... Ela nunca acreditaria que a neta dela estava de pé no 6° andar me observando enquanto eu dormia. Além de pegar mal, na visão dela eu estaria fazendo piada com a situação do desaparecimento. Fonders Shizumi... Como e por que você estava na minha janela? — começou a se perguntar e pensar sobre o assunto por alguns minutos, mas como não achou resposta, apenas fez uma xícara de café e saiu de seu apartamento para correr.
Depois de voltar, todo suado e grudento, tomou um banho e ligou sua televisão, deitando no chão, assistindo lá mesmo, pelo resto do dia, descansando seu corpo apropriadamente. Assim, passou o dia e a noite, e a manhã seguinte chegou, e às 5:58 da manhã, Kouma apareceu na entrada do prédio, com seu uniforme e sua mochila de suprimentos, sem contar com um cinto com pequenos bolsos onde havia espaço para balas de diversas armas e um coldre para um facão de sobrevivência, que também se encontrava lá.
??? — HEY, HEY, SE NÃO É O PROMOVIDO. — Gritou um homem de cabelos pretos e olhos marrons, que vestia uma farda e dirigia um caminhão de exército, estacionando na frente do prédio. — Sabia que já estaria pronto, vamos entrando.
Kouma — E aí, Kanjirou. — Cumprimentou o motorista, ao qual parecia ser seu amigo, assim entrando no caminhão. — E então? Onde é essa região montanhosa que nós vamos?
Kanjirou — É na região leste.
Kouma — Aquela região em que vários soldados são mandados em missão de exploração mas todos são encontrados mortos na entrada das florestas?
Kanjirou — Isso mesmo. Bateu a preocupação agora?
Kouma — De jeito nenhum, o que quer que seja essa coisa que mata os soldados, eu a farei pagar com a lâmina da minha faca.
Kanjirou — Bem dito, Kouma. Aposto que mandaram você pra lá justamente pra ver se você, que é o melhor entre os novatos, é capaz de lidar com isso.
Kouma — Também acho. E bom, se eu não conseguir lidar com isso, é muito justo não conseguir subir de cargo.
Kanjirou — O que? Você acha que os generais e tenentes poderiam lidar com o problema?
Kouma — Facilmente. Eles não tem esses cargos à toa, meu amigo Watanabe.
Kanjirou — Já te falei para não me chamar pelo sobrenome, desgraçado.
Kouma — É legal ver sua reação.
Kanjirou — Que seja. Se você quiser dormir um pouco, não vou te impedir, afinal, temos mais umas 4 horas de viagem.
Kouma — Entendido, boa noite. — Recostou-se no banco do caminhão e adormeceu.
Kanjirou — EI, COMO ISSO É POSSÍVEL? Bom, pelo menos assim o caminho é tranquilo. — Falou, acelerando, seguindo rumo ao leste.
4 horas depois, Kanjirou parou o caminhão em frente à uma floresta, e deu um soco no ombro de Kouma, fazendo-o acordar.
Kouma — Hã? O que?
Kanjirou — Bem-vindo ao seu novo lar.
Kouma — É aqui? — Perguntou, olhando para a floresta, que era um tanto assustadora, e ainda havia as montanhas atrás.
Kanjirou — Sim, desça.
Kouma — Pra já. — Falou, pegando sua mochila. — Te vejo em duas semanas.
Kanjirou — Espero mesmo. Não vá morrer. — Brincou, dando partida no caminhão.
Kouma — Deixa comigo.
Kanjirou — Bom, até mais, parceiro. — Deu a volta e acelerou, voltando ao QG.
Kouma — Bom, finalmente aqui. É hora de conseguir uma promoção. — Monologou, animado, correndo em direção à floresta.
E assim, passaram-se 3 dias, e Kouma estava quase completamente habituado à vida na floresta.
Kouma — Uaaaah. Bom dia floresta. — Bocejou, saindo de uma cabana feita de folhas, cipós e troncos de madeira, estando com parte de seu uniforme rasgado, e seu rosto todo sujo de lama. — Nossa, essa missão tá se mostrando menos difícil do que eu imaginei... Já explorei quase toda essa área, já cacei bastante comida, e não achei nenhum predador que possa matar um soldado. Tem algo errado aqui... Pensou, enquanto pegava duas pedras e riscava-as, acendendo uma fogueira.
Tudo corria bem naquela manhã, Kouma estava comendo um pedaço de carne de javali selvagem perto do fogo, até que de repente, um urro extremamente alto ecoou pela floresta, fazendo o soldado rapidamente pegar seu facão que estava na cintura.
Kouma — O que foi isso? Esse barulho... Parece um animal de grande porte.
Enquanto o soldado permanecia em alerta, o barulho ia ficando cada vez mais alto, e uma grande massa de destruição se aproximava, quebrando várias árvores.
[Insira essa OST: One-punch man OST: Tense ]
Kouma — Lá vem... — Tirou seu facão do coldre, e nisso, um enorme gorila de mais de 3m de altura apareceu em sua frente, ficando de pé e tentando atacá-lo com um soco, mas Kouma foi mais rápido e desviou, pegando sua mochila e jogando um pedaço de carne na boca do gorila, que ficou mastigando por alguns segundos, tempo suficiente para ele sair correndo.
Kouma — (Então esse é o desgraçado que mata soldados? Ele é duas vezes maior que um gorila comum, o que demônios ele é? Uma cópia do King Kong?) — Pensou, enquanto corria desesperado.
Enquanto Kouma corria, o primata, que parecia furioso, farejou o cheiro de Kouma e voltou a persegui-lo, dessa vez ainda mais rápido, fazendo tudo naquela floresta tremer.
Kouma — Ah, droga, droga, ele é muito persistente. — Falou, correndo ainda mais, mas, no momento em que olhou para trás para tentar descobrir a localização do gorila, bateu a cabeça em um galho, fazendo-o cair de costas no chão. — AAGHH.
O primata continuava atrás de Kouma, e ao ouvir o grito, ele simplesmente aumentou seu ritmo, ficando frente à frente com o soldado novamente, exibindo seus braços e pernas extremamente musculosos.
Kouma — (Eu sou forte, mas enfrentar esse bicho é loucura... Mas eu não posso morrer aqui, preciso completar minha missão). – Levantou-se com um pulo.
O gorila urrou de novo, como se estivesse chamando Kouma para lutar, mas ele, sabendo que não poderia vencer, começou a se afastar lentamente, e do nada, voltou a correr, sendo perseguido novamente. Ele continuou correndo por alguns minutos, até dar de cara com uma parede de terra que dava fim ao seu percurso. Olhando para cima, viu que se tratava de uma montanha.
Kouma — Droga... Parece que você sabe me acompanhar, não é? — Perguntou, olhando para trás e vendo o primata atrás dele, com seus olhos vermelhos de fúria. — Bom, parece que eu não tenho escolha. — Colocou seu facão em guarda. — Já faz um tempo desde o último treinamento com lâminas, mas minha memória muscular é boa o bastante para lembrar o básico.
Então, sem esperar muito, o gorila bateu em seu peito com as mãos e avançou contra o soldado, tentando esmagá-lo com um soco vindo de cima, mas Kouma deu um pulo e desviou, mas antes que conseguisse planejar um movimento, foi atingido por outro soco vindo do lado contrário, que o jogou contra uma árvore.
Kouma — HWAHH. Desgraçado... — Sentindo dor pelo corpo todo, devido à pancada extremamente forte, Kouma levantou-se com dificuldades, com uma listra de sangue em sua cabeça. — Droga, eu sou só um ser humano normal... Por que tenho que enfrentar um monstro desse? — Perguntou-se, cambaleando, e olhando ao redor. — (Árvores, árvores e mais árvores... E atrás de mim uma parede. Droga, o que eu posso fazer?)
Enquanto monologava e pensava, o primata voltou a atacar, tentando desferir um murro, mas dessa vez, Kouma desviou indo para a esquerda, abrindo a guarda do gorila e desferindo um corte diagonal em seu peito, que o fez cair, jorrando sangue, mas ainda assim levantou.
Kouma — Você não vai mais levantar. — Ao falar isso, foi de encontro com a montanha e começou a correr, pegando impulso e correndo um pouco para cima, pegando impulso para dar um grande pulo, mas nisso, o gorila o pegou pela mão, e quando ia o jogar com tudo no chão, o soldado cortou um dos dedos do animal fora, desestabilizando o arremesso, possibilitando a ele dar uma cambalhota e cair de pé.
O animal continuou urrando de dor por causa de seu dedo decepado, e com isso, Kouma aproveitou a chance para começar a escalar a parede, rapidamente, mas enquanto subia, estando quase no topo, o primata voltou a atrapalha-lo, escalando e puxando-o pela alça da mochila, tentando levá-lo de volta para baixo.
Kouma — Gaaah... ME SOLTA. — Debateu-se o que pôde, mas o gorila não soltou. — Ah, então é isso que você quer? PODE LEVAR. — Falando isso, abriu a trava da mochila e desprendeu as alças com sua faca, fazendo o gorila se desprender e cair montanha à baixo com a mochila na mão, enquanto ele finalmente chegava ao topo, com uma feição cansada.
Kouma — Maldito... Levou minha mochila, mas não minha vida. Aposto que é esse o desgraçado que mata soldados. Mas, tem uma coisa muito estranha nisso... Desde quando gorilas vivem nesse tipo de floresta? Ele parecia ser o único aqui... — Sentou-se no chão, pensando e olhando para a copa das árvores, quando de repente, o gorila colocou as mãos na beirada da parede, fazendo Kouma se assustar, e quando ele colocou a cabeça à vista, rapidamente Kouma puxou a faca que havia em sua bota e cravou no crânio do animal, finalmente o matando, fazendo-o cair novamente de toda aquela altura.
Kouma — Agora você não me enche mais o saco, desgraçado... — Jogou-se no chão de braços abertos. — Droga, pra escalar essa montanha foi fácil, mas pra descer pra floresta de novo vai ser complicado... Droga, vou ter que abandonar meus equipamentos e mantimentos. Bom, acho que vou seguir apenas com você, amigão. — olhou para seu facão e recolocou-o no coldre, levantando e começando a andar pela montanha.
E assim, passaram mais 5 dias, mas dessa vez, Kouma estava diferente. Desde o incidente com o gorila, ele não achou mais comida, e a única água que bebeu foi a da chuva, em um único dia de tempo ruim que deu naquele local. Ele andava completamente desnutrido, focando suas últimas forças em caminhar.
Kouma — Droga... Já fazem... 5 dias... que eu só vejo pedras e mais pedras... Não consigo comer nada... Eu não acredito... Que vou... Morrer... Num lugar assim. — Continuava reclamando, andando apoiado em seu facão, quando em um momento, olhou para o sol, que ardia e queimava sua pele, e caiu no chão de bruços, estando finalmente sem forças para continuar andando, mas antes de desmaiar por completo, viu a silhueta de um homem o olhando de cima. — Quem... É voc — desmaiou.
Algum tempo depois, Kouma acordou em uma cama, dentro de um quarto, sem camisa, coberto por um lençol, e ao seu lado havia um criado mudo com um cantil cheio de água, ao qual ele bebeu inteiro de uma só vez, sem pensar duas vezes.
??? — Ei, vá com calma meu jovem. — Falou uma voz, e assim entrou no quarto um homem de meia idade, 46 anos, sendo exato, de cabelos pretos, barba média e vestindo um quimono branco, ninguém mais que Koji, 22 anos mais novo. — Não tome tudo de uma só vez, ou pode acabar se afogando.
Kouma — Hã? Quem é você? Onde eu estou? Espera... Eu lembro... Eu vi você antes de desmaiar.
Koji — Sim, exatamente. Enquanto você esteve vagando sem rumo pelas montanhas, eu estive observando você. Quando você desmaiou, senti a obrigação de acolhê-lo.
Kouma — Esteve me observando? O que você é? Um tipo de stalker?
Koji — Hahahaha. Você é engraçado, garoto. Não, não sou nenhum stalker, eu só estava curioso com o por que alguém desconhecido estava andando pelo meu território.
Kouma — "Seu" território? O que quer dizer?
Koji — Simples, toda essa área de montanhas é minha.
Kouma — Wow, sério? Que incrível. Você deve ser muito rico.
Koji — Bem... Não foi através de dinheiro que eu denominei esse território meu... Mas enfim.
Kouma — De qualquer forma, você não me disse seu nome, velhote.
Koji — Que falta de modos, rapaz. Antes de perguntar o nome de alguém, deve falar o seu, isso é ensinado na escolinha.
Kouma — Ah, desculpe, estava ansioso. Eu me chamo Ryuuma Kouma, eu sou um soldado do exército.
Koji — Você é um soldado do exército? O que veio fazer nessas montanhas? Mandaram você atrás de mim? Um reles restolho igual você?
Kouma — Não, na verdade eu nem sei quem você é, afinal, você ainda não disse seu nome. Meu general mandou eu vir treinar em campo aberto, mas aconteceu um acidente enquanto eu escalava uma das montanhas, e minha mochila de mantimentos acabou caindo, por isso eu fiquei vagando e desmaiei.
Koji — Espera, seu sobrenome é Ryuuma? Interessante... Entendo... Bom, De qualquer modo, você está aqui pra treinar, não? Então que tal você ser treinado por mim?
Kouma — Ser treinado por você? Quem é você afinal?
Koji — Eu? Você pode me chamar de mestre, ou apenas de Koji.
Kouma — Koji? Certo. E qual é o tipo de treinamento que você ensina aqui, Koji?
Koji — Eu não planejava treinar mais ninguém, mas eu vejo que você tem potencial, garoto. Eu vou treinar você para virar um monge.
Kouma — Um monge? Do que você está falando? Mas monges não foram extintos? Pelo menos é isso que as lendas dizem. E o que você quer dizer com "mais ninguém"? Tem mais alguém aqui?
Koji — Logo você entenderá, mas por agora, a única coisa que posso lhe dizer é que algumas lendas mentem, Kouma. Deveria saber disso. Eu sou um dos únicos monges que ainda vivem.
Kouma — Pelo que eu lembre, a história diz que todos os monges existentes foram mortos numa batalha sanguinária contra monstros gigantes, e usaram todo o seu poder para sela-los, mas com isso morreram.
Koji — Bem, você está certo sobre a batalha, realmente, muitos monges morreram, mas depois do final, ainda sobrou eu e meu irmão Droy vivos para contar a história.
Kouma — Droy? E onde ele está?
Koji — Ele não vive aqui. Ele tem uma casa na floresta onde mora sozinho, por escolha própria.
Kouma — Entendo. — Enquanto os dois dialogavam, uma jovem mulher que aparentava ter 18 anos entrou no quarto, carregando uma bandeja de alimentos. Ela tinha cabelos vermelhos como sangue, pele branca um pouco queimada de sol, lábios rosados, algumas sardas pelo rosto e olhos verdes como esmeraldas, realmente uma jovem linda. Ela vestia um quimono branco com algumas linhas vermelhas, e chinelos caseiros, junto à meias longas que sumiam perante o quimono. Ao olhar para Kouma, ela envergonhou-se e olhou para o outro lado, devido ao fato do soldado estar despido embaixo do lençol. Ela deixou a bandeja próxima a uma pequena mesa, e saiu em passos rápidos, para não olhar para o soldado novamente.
Kouma — Hã? Quem era aquela?
Koji — Aquela garota? Ela é minha filha. O nome dela é Kaya. Aposto que vocês vão se dar bem.
Kouma — Espero que sim. — Falou, em tom um tanto baixo, porém suspirando.
Koji — Hã? Disse algo?
Kouma — Ah, nada. (Ela é linda... Acho que nunca vi alguém assim). — Respondeu à Koji e pensou logo em seguida.
Koji — Eu sei o que você está pensando, garoto, e não te culpo, afinal, você está no auge da adolescência. Mas não fique encarando tanto, é constrangedor. Ainda mais quando você está sem roupas.
Kouma — Ah, desculpa... ESPERA É VERDADE, EU ESTOU NU. ONDE ESTÁ MINHA ROUPA, KOJI?
Koji — Aquele trapo camuflado? Joguei num canto, aquilo está imundo. Quanto tempo você ficou vagando no total?
Kouma — Se não me engano, foram 3 dias na floresta, e mais 5 nas montanhas.
Koji — Minha nossa, mais de uma semana nesse estado precário. Você disse que tinha que ficar por aqui por duas semanas, não?
Kouma — Exatamente. E uma já passou. Contando hoje, faltam 5 dias para eu ter que voltar ao QG.
Koji — Hmm, isso não é bom.
Kouma — O que não é bom?
Koji — Só mais 5 dias... Que tal você ficar aqui por mais tempo treinando de verdade? Te garanto que quando voltar praquele lugar, será o soldado mais forte que já existiu.
Kouma — Wow, o mais forte? Isso é bastante. E como fará isso? Me ensinando magias? — começou a rir.
Koji — Ah, então ainda dúvida que eu seja um monge legítimo?
Kouma — É óbvio, cara. Como eu disse, monges foram extintos.
Koji — Bom, e se eu fizer... Isso? — materializou uma espada em suas mãos.
Kouma — O QUE? COMO FEZ ISSO? QUE TRUQUE VOCÊ USOU?
Koji — Hahahaha, seu senso comum faz achar que isso foi um truque? Mas não há truques, Kouma, apenas magia.
Kouma — Incrível. E eu posso aprender essa magia?
Koji — É lógico. Mas eu te garanto, meu treinamento não é pra qualquer um não. Você está preparado pra isso?
Kouma — Eu nasci pronto, Koji. Se você não está brincando, eu quero sim aprender a usar magia.
Koji — Então está decidido. Você fica aqui pelo tempo que for necessário para treinar e desenvolver suas habilidades, certo?
Kouma — Certo. Aliás, eu estou com uma dúvida.
Koji — Pois pergunte, dúvidas são reações de interesse, e isso significa que você estava prestando atenção no que eu falava, e isso me deixa feliz.
Kouma — Bom, lá atrás você perguntou se eu estava te perseguindo. Por que eu estaria? Qual a sua relação com o exército?
Koji — Você é mesmo perspicaz, garoto. Pegou detalhes minuciosos do que eu falei para transformar em pergunta. Gosto disso. Mas bem, eu sou considerado o Monge elementar, e tenho um vasto conhecimento mágico e sabedorias que você jamais imaginaria. E isso me torna uma ameaça ao seu exército, pois tendo alguém mais poderoso que eles, eles claramente ficam hesitantes ao meu respeito, e esporadicamente mandam algum soldado para tentar me visitar, mas meu gorila evita que eles cheguem até aqui.
Kouma — Espera, aquela droga daquele gorila é SEU? EU QUASE MORRI POR CAUSA DAQUELE DESGRAÇADO. RESPONSABILIZE-SE.
Koji — Desde filhote ele foi treinado para detectar e eliminar intrusos, e ao entrar na floresta, você automaticamente vira um intruso. A culpa é inteiramente sua.
Kouma — O QUE? COMO A CULPA É MINHA SE EU NÃO SABIA? — Gritou, furioso, e em resposta, Koji acertou a bainha de sua espada, que era feita de bambu, na cabeça de Kouma, criando um galo. — GAAH. POR QUE ME BATEU?
Koji — Em primeiro lugar, não levante a voz comigo, pois eu ainda não estou na idade de estar surdo. Em segundo, ele só impede que fracotes cheguem até mim e eu perca tempo, mas como você conseguiu derrota-lo, acredito que seja forte o suficiente para encarar o treinamento, Kouma.
Kouma — A galera do QG diz que eu sou o novato mais forte que eles já tiveram, mas não sei se é verdade.
Koji — Aposto que é, afinal, você foi um dos primeiros a derrotar o gorila, então eu acredito em sua força.
Kouma — Entendo.
Koji — Mas chega de conversa por agora, certo? Você deve estar faminto, garoto. Tome cuidado ao sair dos lençóis, vista a roupa que está na terceira gaveta daquela cômoda e coma a comida que a Kaya gentilmente fez para você.
[Insira essa OST: Naruto OST: Fooling mode ]
Kouma — É CLARO. — O soldado saiu de debaixo dos lençóis animado, querendo correr, mas quando percebeu que estava até mesmo sem cueca, ele botou as mãos em suas partes íntimas, envergonhado e furioso. — EI, O QUE SIGNIFICA ISSO, SEU VELHO IDIOTA?
Koji — Hahaha, eu falei para tomar cuidado quando saísse. Você esqueceu que estava nu?
Kouma — Eu achei que estava pelo menos com minha cueca, não olhei para conferir. Por que você fez isso? Que tipo de velho estranho você é?
Koji — Ei, ei, se acalma, soldado. Não me confunda com esses velhos tarados. Você estava completamente sujo, indo do seu dedão do pé ao mais longo fio do seu cabelo. Eu ia pedir para a Kaya banhá-lo, mas ela nunca viu um homem nu que não fosse eu, ela ia ficar envergonhada.
Kouma — O QUE? COMO ASSIM "Que não fosse eu?" O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ELA, VELHOTE?
Koji — Ai, Meu Deus... Como você é burro, Kouma. — Koji jogou sua mão contra o próprio rosto, balançando a cabeça em tom negativo. — Eu cuidei da Kaya desde que ela nasceu, seu idiota. Minha esposa, chamada Himeko era uma moça linda, mas infelizmente seu corpo era muito fraco, e ela não resistiu ao parto. Desde bebê, quem cuidou dela fui eu, e quando ela era pequena, tomávamos banho juntos. Foi isso que eu quis dizer, seu acéfalo. Nunca mais repita algo desse tipo na minha frente, ou eu te parto em dois.
Kouma — Tá bem, tá bem, desculpa... E eu sinto muito pela sua esposa.
Koji — Está tudo bem. Tendo a Kaya comigo, não me sinto sozinho.
Kouma — A Kaya parece ser uma boa garota, realmente...
Koji — É claro que ela é, afinal, eu a criei com educação de primeira classe. E mais uma coisa, não fale dela enquanto está nu, por favor. — Abriu a gaveta que havia mencionado anteriormente e jogou as roupas em Kouma. — Aqui está, trate de vestir-se logo.
Kouma — Desculpe, não consegui evitar. — Falou, e de repente, sua mão, que tapava sua parte íntima, veio um pouco para frente instintivamente — Err... Minha mão faz isso, é um toc.
Koji — Você é ridículo, vou fingir que não vi essa cena. Jovens... por que sempre tão problemáticos? Enfim, vista-se. Conversar com um homem nu em qualquer contexto é estranho. Eu vou sair por hora, te deixar descansando mais um pouco. Até mais. — Assim, Koji se retirou do quarto, e deixou Kouma sozinho no cômodo.
Kouma — Ah, amigão, você tinha que me envergonhar justo agora? — Tirou as mãos do local onde estavam e olhou para baixo, falando em tom decepcionado. — Bom, que seja, eu vou vestir essas roupas e comer a comida da Kaya, que parece ser divina. Se bem que eu não posso pedir muito, eu não tenho uma refeição decente à dias, qualquer coisa vai ficar ótimo. — Depois de monologar pelado por um tempo, com a mão no queixo, Kouma finalmente pegou sua roupa e a vestiu, vendo que se tratava de um quimono acinzentado, que lhe caiu como uma luva. — Nossa, perfeito. Me sinto muito confortável. Agora... — Virou-se para a mesa onde estava a comida feita por Kaya. — COMIDA. — Gritou, correndo e começando a comer com gosto, chegando a se engasgar algumas vezes. — Fazia tempo que eu não provava uma comida tão boa assim.
Passada meia hora, Kouma já estava devidamente alimentado, e estava jogado no chão do quarto, olhando pro teto, digerindo sua refeição e descansando seu corpo, que ainda estava exausto.
Kouma — (Esse lugar onde estou agora é realmente incrível. Esse chão é muito macio, poderia dormir aqui sem problemas. O Koji é como um anjo que apareceu no momento certo, mas fico pensando como está a situação no QG... Será que a nação inimiga está se armando? Será que aquela maldita guerra realmente vai acontecer? Droga... Não consigo não pensar nisso... Rouf... Lorc, por favor, fiquem bem.) — Pensava, olhando pro teto. Enquanto estava perdido em seus pensamentos, Koji retornou ao quarto e bateu a bainha de sua espada, que agora ele estava usando como apoio, no chão, assustando o jovem, que assustou-se e sentou-se no chão.
Koji — Desculpe te assustar, mas você parecia tão imerso em seu próprio mundo que você não me ouviria chamar.
Kouma — Não, tudo bem. Eu estava pensando no que está acontecendo no QG.
Koji — Entendo, você deve estar com saudades. Mas aguente, pois o treinamento será longo, e esse é só o primeiro dia.
Kouma — Certo, entendido, Koji. — Concordou, levantando-se.
Koji — Vejo que as roupas te serviram perfeitamente. E a comida estava muito saborosa, pelo visto. — Olhou para Kouma e para a bandeja de comida, que só tinha pratos vazios.
Kouma — Sim, tudo foi ótimo. Obrigado pela comida e pelas roupas. — Curvou-se, em agradecimento.
Koji — Não precisa ser tão formal. De qualquer forma, venha comigo, tenho algo pra mostrar à você. — Saiu do quarto, chamando o garoto, que parou de se curvar e correu até Koji, para acompanhá-lo.
Kouma — Você vai me mostrar algo? O que? Estou curioso.
Koji — Não se preocupe, estamos chegando. Falou, dobrando à esquerda em um corredor e entrando em uma sala que tinha vários tipos de armas brancas, indo de facas e espadas à lanças e clavas.
Kouma — Uau... Que arsenal... Incrível. Koji, Tudo isso é seu?
Koji — Sim, e quase todas feitas à mão. Acho que posso dizer que sou um bom ferreiro.
Kouma — Você testou todas elas pra ficar se vangloriando assim?
Koji — É óbvio. Eu não sei lutar apenas usando minha espada principal, eu luto com qualquer tipo de arma branca.
Kouma — Sério? Que incrível. Mas e quanto à armas de fogo?
Koji — Eu particularmente às odeio. Prefiro uma luta honrada com lâminas do que uma disputa feita com esse tipo de arma.
Kouma — É algum motivo pessoal?
Koji — Sim. Quando eu era criança, e tinha cerca de 13 anos eu e meus irmãos estávamos junto de nossos pais no carro da família, quando de repente, dois homens armados tentaram render o meu pai. Ele, obviamente, deu ré no carro e tentou fugir, mas aqueles desgraçados... Atiraram nos 4 pneus do carro, e ele capotou e explodiu. Meus pais morreram, mas para salvar a gente, em uma tentativa desesperada, minha mãe abriu a porta de trás do carro e nos jogou para fora antes de explodir... Droga... Saber que aqueles malditos fugiram... E que o caso foi dado como acidente de trânsito... Isso ainda me irrita.
Kouma — Eu... Sinto muito.
Koji — Hahaha, a típica frase dita quando se arrepende de ter perguntado algo e tenta se desculpar e sensibilizar ao mesmo tempo. Está tudo bem, Kouma. Já fazem 33 anos. Mesmo ainda odiando armas de fogo, aqueles malditos devem estar queimando no inferno hoje em dia.
Kouma — Você tem razão... (Ele disse... Irmãos? Pensei que tivesse só um. Bom, já estou me metendo demais na vida de alguém que acabei de conhecer. Vou deixar assim). — Pensou, olhando para o monge, que olhava uma de suas lâminas. — Mas como você virou um monge, Koji?
Koji — Ah, Kouma. As vezes a vida te leva à locais inimagináveis.
Kouma — Não foi por acaso, eu posso sentir isso.
Koji — Não, não foi, mas vamos parar de falar de mim, certo? Vamos ao que importa. — Andou alguns passos pela sala, pegou uma espada embainhada com bainha e empunhadura preta com azul, e jogou para Kouma. — Pegue.
Kouma — H-hã? O que? — Pegou a espada no ar, de um jeito atrapalhado, que quase fez ele a derrubar. — Por que você me jogou essa espada?
Koji — Ora, ela é sua agora, Kouma. Você vai ficar aqui treinando comigo por um tempo, então nada mais justo do que você ter a sua própria espada, para treinar adequadamente.
Kouma — Espera, é sério? NOSSA, VALEU MESMO, KOJI. — Se animou, comemorando com um grande sorriso no rosto e balançando a espada.
Koji — Se acalme, hahaha. Você parece uma criança que recebeu um brinquedo novo. — Comentou vendo a felicidade do jovem. — Bom, agora que você está devidamente armado, ajuste ela na sua cintura e me acompanhe. Vou mostrar todas as instalações do dojô e também as outras áreas.
Kouma — Entendido. — Respondeu, colocando sua espada na cintura e seguindo seu mestre. Assim, eles viram todos os andares e salas do dojô, e ficaram andando por cerca de uma hora, devido à instalação ser muito grande.
Koji — Bem, mostrei todo o dojô pra você. Ainda falta a sala de treinamentos, e o caminho para as montanhas.
Kouma — Arf... Arf... — Como você... Tem tanta energia ainda? Eu... Estou exausto. – Falou, sentado com as mãos sobre seus joelhos, que estavam dobrados, e sua cabeça estava recostada neles.
Koji — Eu ando por esse dojô e por esses andares fazem mais de 30 anos, Kouma, é normal eu estar acostumado. Mas eu não esperava que você fosse ficar tão cansado. Não me diga que isso é tudo o que você tem.
Kouma — É claro... Que não... Eu estou apenas... começando. — Levantou-se. — Isso agora foi só um deslize devido às exaustão do meu corpo. Ainda preciso dormir por mais um dia pra me recuperar adequadamente.
Koji — Eu entendo. Quando mais jovem, também já fiz um treinamento ao ar livre, e sei que não é fácil.
Kouma — Você realmente já fez muitas coisas, Koji. Estou impressionado.
Koji — Sim... Nem me fale... Realmente muitas coisas. — Pareceu um pouco distante.
Kouma — Koji? Você... Está bem?
Koji — Ah, sim, não se preocupe. Só estava pensando em quantas coisas eu já não posso mais fazer devido à idade. — Desviou o olhar um pouco.
Kouma — Ah, que isso. Você tem uns 45 anos, não? Você está bem conservado, ainda pode fazer o que quiser.
Koji — Obrigado, Kouma, mas meu objetivo principal se encontra aqui, então, vou ficar.
Kouma — Entendo você.
Koji — Enfim. Vamos à sala de treinamento logo, antes que eu perca minha vontade.
Kouma — Estou com você. Avante, Koji.
Koji — Avante. — Saiu andando, com o seu jovem aprendiz o seguindo com uma feição feliz. Em alguns minutos, depois de dobrarem em vários corredores, finalmente saíram do dojô em si, e Kouma pôde ver o local todo, que era lindo, e tinha vista para as montanhas de um lado e para a floresta do outro.
Kouma — Uau... Incrível. Esse lugar é lindo.
Koji — Sim, a beleza e ar fresco dessas montanhas me revigoram diariamente.
Kouma — Hmm, temos o dojô principal, e mais três instalações então? — Olhou em volta, vendo mais três construções próximas ao local. Uma era pequena, outra media, e a terceira era enorme, parecendo um celeiro de fazenda.
Koji — Sim, mas eu tenho um pedido para te fazer.
Kouma — Pois diga.
Koji — Não entre no celeiro sem a minha permissão, está ouvindo? Fique apenas nas fontes termais e na sala de treinamento, que são as instalações pequena e média, respectivamente.
Kouma — Hã? Por que eu não posso entrar?
Koji — Digamos que você pode se machucar, existem perigos no mundo da magia também.
Kouma — Se é tão importante assim, não vou entrar lá, juro.
Koji — Obrigado. Agora, vamos aos outros locais. — Sugeriu, e assim ocorreu. Os dois visitaram as fontes termais, onde Kouma quis entrar no banho, mas como já estava limpo, pelo menos o suficiente, Kouma deu um golpe com sua espada na cabeça do jovem para pará-lo. Depois foram à sala de treinamento, onde o monge mostrou a grande área de luta que havia lá, sem contar os equipamentos para fortalecer o corpo e a alma, como halteres e tapetes para meditação.
Kouma — Uau, incrível. Essa sala de treinamento é realmente sensacional. Tem até uma arena específica pra lutar.
Koji — Eu costumava treinar com meu mestre nesse local quando novo, haha.
Kouma — Espero que eu possa falar essa frase no futuro, mestre Koji. — Sorriu.
Koji — Você falará, não tenha dúvidas. Mas que tal já termos nosso primeiro combate aqui e agora?
Kouma — Assim, do nada? Por que?
Koji — Suas palavras me deram essa ideia. Assim eu também já aproveito e avalio seu estilo de luta e como podemos melhora-lo.
Kouma — Mas e se eu vencer?
Koji — Vai por mim... Isso não vai acontecer. — Sorriu, confiante, retirando sua espada da bainha. — O que me diz?
Kouma — Bom, que seja. Eu nunca recusaria um desafio desses. — Retirou sua espada da bainha, mas quando a empunhou, ela foi direto para o chão. — O QUEEE? O QUE... ISSO SIGNIFICA? Por que... A espada tá tão pesada? Aaaaagh. — Perguntou, tentando com todas as suas forças levantar a espada, que nem se mexia.
Koji — Nossa, Kouma, você não consegue nem erguer sua espada? Que ridículo.
Kouma — Agh... não é culpa minha que ela pesa tanto.
Koji — Mas ela não pesa. Até agora, você estava andando com ela na sua cintura normalmente, não? O que mudaria pra ela ficar pesada?
Kouma — Eu sei lá, talvez você tenha usado uma de suas magias estúpidas pra fazer ela ficar pesada.
Koji — Realmente, eu faria muito isso, mas não foi o caso. Deixe-me te explicar o que está havendo.
Kouma — Pois vá em frente.
Koji — É simples. Essa espada foi feita utilizando magia, então para um novato como você, que nunca nem sequer soube da existência da magia, ela é exatamente desse jeito. Para um leigo, ela se torna uma lâmina de 200kg.
Kouma — Magia de novo? Droga...
Koji — Mas não se culpe. Você está aqui para aprender, não? Então, eu vou te ensinar. Primeiramente... — Formou uma esfera em sua mão, e a mandou flutuando na direção de Kouma, e quando ela encostou nele, explodiu como se fosse uma bolha de sabão, e nisso, o soldado começou a sentir uma grande corrente elétrica passando por seu corpo, o dando uma carga muito forte de adrenalina.
Kouma — UOOOOOO, O QUE É ISSO? EU ME SINTO INCRÍVEL. — Gritou, envolvido pela adrenalina.
Koji — PUXE A ESPADA. — Gritou, e assim o soldado fez, retirando a espada do chão facilmente, como se não fosse nada.
Kouma — O que foi isso? E por que eu estou conseguindo segurar a espada?
Koji — Normalmente, pessoas que querem entrar em contato com a magia precisam ter um treinamento muito extenso para suas capacidades mágicas se mostrarem naturalmente, mas no seu caso, como você não tem todo esse tempo disponível, eu apenas extraí todo o seu poder mágico latente, e agora, você está muito mais forte que um humano normal.
Kouma — Então quer dizer que... Pra um humano alcançar o ápice de sua força, ele precisa obrigatoriamente ter envolvimento com magia?
Koji — Não necessariamente, mas quando humanos tentam ficar fortes por conta própria, usando apenas seus conhecimentos e sua ciência, eles geralmente acabam virando várias pilhas de músculos ambulantes, enquanto você, que tem o corpo mais padrão, com a ajuda da magia, pode derrubar um desses caras com um só soco agora.
Kouma — O que? Que incrível.
Koji — Aquela carga de energia que você sentiu, foi a magia se espalhando pelo seu corpo e se adaptando à ele. Agora, seus sentidos estão completamente aguçados, você tem força sobre-humana e você consegue sentir a energia das coisas.
Kouma — A energia? O que quer dizer?
Koji — Vou fazer você mesmo ver. Feche os olhos.
Kouma — Hã? por que?
Koji — Só feche.
Kouma — Ok. — Fez o que Koji sugeriu.
Koji — Agora concentre-se nas coisas ao seu redor.
Kouma — Certo. — De olhos fechados, ele começou a sentir uma energia calma e serena vinda de Koji, sem contar na energia do chão e das árvores da floresta abaixo, que emanavam pureza. — Uau... Isso... É incrível. — abriu os olhos, sorrindo.
Koji — Sim, é realmente ótimo. Ainda mais pra meditar, sentir a energia da natureza ajuda a acalmar.
Kouma — Agora, eu sinto que estou pronto para começar, mas Koji, o plano original era eu voltar em duas semanas, certo? Eu tenho uma coisa para fazer lá, será que você consegue me ajudar?
Koji — Depende. O que você precisa, garoto?
Kouma — Bom, é o seguinte... — Foi até a orelha de Koji. — Bzzz... Bzzz... bzz... E é isso. — Falou, coçando a cabeça, estando um pouco envergonhado.
Koji — Ah, era só isso? Eu resolvo sim, sem problemas. Espere apenas um minuto. — Falou, e assim, um portal apareceu atrás de Koji e o teletransportou, e em seguida, ele voltou com um envelope lacrado.
Kouma — O-O que foi isso?
Koji — Se chama "portal contact". Mais à frente eu explico pra você. Agora, bem, eu vou precisar que você vá junto, afinal, eu nunca fui nesse lugar, então não tenho como me teletransportar para lá.
Kouma — Sem problemas. — Segurou no ombro de Koji. — Assim?
Koji — Ótimo. Agora pense o local que você quer ir, e deixe o portal fazer o resto.
Kouma — Certo. — Pensou, e assim, os dois sumiram, voltando alguns minutos depois, porém sem o envelope.
Koji — Era só isso que você precisava resolver, Kouma?
Kouma — Sim. Não tenho mais nenhum assunto pendente. Posso enfim focar no meu treinamento. Vamos lá Koji.
Koji — Prepare-se, pois agora começa o treinamento mais difícil que você já enfrentou em toda a sua vida.
Kouma — Manda ver, estou preparado. — Deu dois tapas em sua própria face, sorrindo em seguida. — Que comece... O treinamento. – Assim que falou isso, Koji já avançou rapidamente contra o jovem, desferindo vários golpes extremamente rápidos contra ele, o jogando contra uma rocha. – GWAAAAH.
Koji – Já desistiu? Que rápido... – Sorriu, balançando a espada.
Kouma – D-droga... eu ainda não estava pronto. – Levantou, segurando seu ombro direito.
Koji – Se não estava pronto, não diga que é para começar, seu idiota. Você se machucou?
Kouma – Não, eu estou bem... Só fui pego de surpresa.
Koji – Eu acho que fui um pouco duro te atacando primeiro. Venha, vamos fazer isso direito. Me ataque você, vou ver qual é seu nível de habilidade e o quanto posso fazer você melhorar.
Kouma – Prepare-se... VAMOS LÁ. – Assim que gritou, Kouma partiu pra cima de Koji sem hesitar, começando a desferir vários golpes seguidos com sua espada, mas Koji não precisava mover mais que o braço ao qual segurava sua espada para defender todos os golpes. – AH, É ASSIM? ENTÃO, VAMOS VER. – Continuou atacando, agora com muito mais intensidade, mas ainda assim, o monge defendia facilmente os golpes, chegando a bocejar enquanto fazia isso. Em um momento que Kouma atacava, Koji mexeu-se um pouco, e com isso, o soldado sentiu uma aura assassina, que o obrigou a recuar. – Droga.
Koji – Nossa... Como você conseguiu vencer meu gorila?
Kouma – O que? Eu sou tão ruim assim?
Koji – Pelo amor de Deus Kouma, uma criança de 7 anos defenderia esses seus ataques completamente desorientados.
Kouma – O que? Tá bem que eu sou melhor com armas de fogo do que com lâminas, mas dizer que eu sou pior que uma criança de 7 anos doeu.
Koji – Oh, te ofendi? Se isso que falei te ofendeu, é porque o chapéu serviu, e lá no fundo, você sabia que sua habilidade era nula.
Kouma – Ei, por que você começou a ficar grosso do nada, velho?
Koji – Grosso? Só por que eu estou jogando a verdade na sua cara eu estou sendo grosso? Pelo amor de Deus, cresça, bebê chorão.
Kouma – O QUE? REPITA. – Gritou, furioso.
Koji – Por acaso eu gaguejei?
Kouma – DESGRAÇADO. – Kouma correu até o monge, tentando acerta-lo com um golpe de sua espada, mas o monge simplesmente fez um movimento simples com dois dedos de sua mão, que fez a espada desviar, e com isso, aproveitou para derrubar o soldado no chão, puxando seu braço para trás. – WAAAAAAHH.
Koji – Você entende agora por que você está sendo repreendido? Eu não precisei nem usar minha espada para te parar, Kouma. – Largou o garoto, que sentou no chão.
Kouma – Droga... Por que eu não consigo te acertar? POR QUE? – Perguntou, furioso.
Koji – Sua postura de luta é ridícula, você e todos os seus movimentos são previsíveis... Essa técnica de luta que ensinam no exército é podre...
Kouma – Se ela é tão ruim, por que eles a ensinam então?
Koji – Bom, não me pergunte, mas acredito que essa técnica medíocre deve funcionar contra grandes massas de humanos imbecis que lutam entre si.
Kouma – Você está falando do treinamento de guerra?
Koji – Exato. Bons soldados sempre estão lutando com vários oponentes de uma vez só... e ainda saem com a vitória.
Kouma – Entendo... Mas e como eu posso melhorar?
Koji – Eu não sei se você vai entender, mas você só está atacando sem rumo, mesmo que seu alvo seja eu, você ataca como se fosse um bebê batendo um chocalho no chão. Você precisa focar no oponente que está à sua frente, e não ficar sempre com uma visão geral para lutar com 10 pessoas de uma só vez.
Kouma – Tá, mas e se eu for atacado por 10 pessoas?
Koji – Lide com a situação, é simples. Quando eles virem para cima, você foca todos como se fossem um só, e assim fica mais fácil de lutar. O que falta em você é foco e rumo. Quando você conseguir essas duas coisas, você com certeza se tornará um guerreiro excepcional.
Kouma – Foco e rumo... Rumo para focar meu oponente e não prestar atenção em mais nada... mas ei... e se eu for atacado pelas costas? E também sobre o cenário da luta... tem vários fatores.
Koji – Você pensa demais, garoto, meu Deus. Bom, vamos lá. Quanto ao ataque pelas costas, você aprendeu a sentir energia, não? E é óbvio que se você focar demais no oponente, você pode acabar se ferrando, mas o ideal pra um bom guerreiro, é saber lutar em qualquer tipo de local, e se for algum lugar público, tentar evitar o máximo de mortes que você puder.
Kouma – Ah... Acho que estou entendendo...
Koji – Venha, foque mais seus ataques, não ataque como se fosse um primata que aprendeu a usar um graveto. Tenha foco em mim, e me ataque sempre para matar.
Kouma – O segredo é sempre ir com a intenção de matar?
Koji – Se você está em uma guerra, você tem outra escolha? Se não for eles, é você.
Kouma – Entendo. Pois bem, aí vou eu. – Kouma segurou sua espada com as duas mãos e correu até Koji, tentando acertar alguns golpes, e dessa vez, Koji mexeu o corpo todo para se defender, sorrindo.
Koji – Isso aí, garoto... você é bom... MAS AINDA TEM MUITO CAMINHO PELA FRENTE. – Ao falar isso, Koji revidou o ataque de Kouma, tirando a lâmina de suas mãos facilmente, pegando-a com a sua outra mão e derrubando o garoto, colocando sua própria lâmina em seu pescoço.
Kouma – Aghhh... Maldito... Droga... Eu queria ser forte assim como você... Melhor soldado em tempos... que piada. – Começou a lacrimejar.
Koji – Você não vai chorar, né? Olha, me desculpa, mas tudo isso faz parte do seu treinamento. Isso é só o começo, garoto. Você ainda vai cair muito antes de conseguir encostar em mim.
Kouma – Maldição... eu queria ficar mais forte logo...
Koji – Poder não se adquire assim com um estalar de dedos, Kouma. É preciso tempo e disposição para alcançar a perfeição. Eu, por exemplo, demorei cerca de 5 anos para dominar todas as artes da espada. Eu sou mais experiente que você, por isso é tão fácil pra mim derruba-lo.
Kouma – Droga... Você tem razão... Não tem sentido ficar aqui chorando... eu preciso me esforçar, e se eu treinar com tudo o que tenho, tenho certeza que vou melhorar.
Koji – Esse é o espírito. Agora, vá lavar esse rosto no banheiro, e volte aqui para continuarmos o treinamento.
Kouma – Certo. – Limpou um pouco de suas lágrimas na manga de seu quimono, e saiu correndo, em direção ao banheiro. Enquanto corria, passou por um momento por trás da sala de treinamento, mas voltou, pois para sua surpresa, viu que Kaya, a filha de Kouma, estava treinando arco e flecha, atirando em vários alvos seguidos. Ela estava com a mesma roupa de antes, mas agora estava com seu cabelo amarrado. Vendo toda a habilidade e beleza da garota, Kouma mudou seu rumo e tentou puxar conversa.
Kouma — Ei, você que é a Kaya, não? – Perguntou, aproximando-se enquanto acenava.
Kaya — ... — Ignorou-o, atirando uma flecha diretamente no alvo marcado.
Kouma — Uau... Você é incrível. Bem que podia me ensinar a usar, não?
Kaya — ... — A garota deu uma breve olhada para Kouma, e voltou a se concentrar no arco.
Kouma — Vejo que você não é muito do tipo falante, não é? Bom, desculpe se atrapalhei seu treinamento. — Falou, virando as costas, cabisbaixo. — A gente se vê. – Desistiu, se dirigindo ao caminho original, que era pro banheiro.
Kaya — ... — Quando viu o jovem de vestes cinzas se afastando, sua face ruborizou. — E-espera. — Falou, com uma voz doce e angelical, usando um tom tímido.
Kouma — Ah, então você fala. O que foi? – Virou-se, sorrindo.
[Insira essa OST: Naruto OST: It's the training]
Kaya — Você...
Kouma — Eu?
Kaya — É UM MALDITO PERVERTIDO. — Gritou, furiosa, colocando 3 flechas em seu arco e atirando contra Kouma, acertando todas em seu quimono e o prendendo na parede. Duas acertaram sua manga direita e outra acertou no pano ao lado do baço.
Kouma — HÃ? O QUE? POR QUE FEZ ISSO? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO?
Kaya — Não se faça de imbecil. Depois que você saiu de sua cama, você continuou falando com meu pai por quase 5 minutos estando completamente despido. Como você consegue ser tão degenerado?
Kouma — Ei, a culpa não é minha que seu pai jogou todas as minhas roupas fora e me colocou pelado numa cama. E aliás, como sabe que eu fiquei pelado? O Koji contou?
Kaya — Não, muito pior. Eu ouvi vocês dois conversando sobre mim, e resolvi averiguar se a situação estava controlada, mas quando resolvi espiar, a única coisa que eu vi foi... SEU DESGRAÇADO. — Ruborizou ainda mais sua face, ficando com ela da mesma cor de seus cabelos, e se agachando no chão, tapando o rosto.
Não quer ver anúncios?
Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no +Fiction durante 1 ano, além de outros benefícios.
Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Kouma — Dá pra parar de me culpar? Até parece que você nunca tinha visto, seu pai mesmo falou que antigamente vocês tomavam banho juntos.
Kaya — É-é diferente. Você não é meu pai, você é um completo desconhecido sem vergonha nenhuma de mostrar suas coisas pro mundo. E infelizmente, eu também tive que ver.
Kouma — Ai, para de drama, meu Deus, você é tão idiota quanto seu pai.
Kaya — O que? Como ousa? Meu pai foi piedoso e te acolheu aqui, como tem coragem te insultá-lo?
Kouma — Sim, ele fez isso, e eu sou muito grato à ele. Ele realmente foi um anjo que me salvou, mas isso não tira o fato dos dois serem idiotas.
Kaya — E por que nós que somos os idiotas, e não você que é o degenerado?
Kouma — Simples. No exército, eu sempre estive rodeado por pessoas nuas enquanto eu tomava banho, e com o tempo, você se acostuma. Eu não tenho problemas com nudez.
Kaya — MAS EU TENHO. EU SOU TÍMIDA, E NÃO QUERIA TER VISTO ISSO. — Enfureceu-se e atirou outra flecha, que acertou logo abaixo da parte da virilha de sua calça.
Kouma — WAAAAAH. Desgraçada, não me assuste desse jeito.
Kaya — Kouma, entenda isso de uma vez por todas. Não é porque você está acostumado a ficar nu, que outras pessoas vão se habituar com isso.
Kouma — CARALHO, MAS QUE PARTE DE "A CULPA NÃO FOI MINHA" VOCÊ NÃO ENTENDEU?
Kaya — Como assim não foi sua? Não fui eu que fiquei nua.
Kouma — ... — Kouma sorriu.
Kaya — Seu maldito, eu nem vou perguntar o que você estava pensando agora.
Kouma — Olha, é o seguinte, desculpa por ser tão descuidado, tá bom? Mesmo a culpa não sendo minha por acordar pelado em uma cama desconhecida, o que é bem estranho, vale dizer, eu realmente fui bem imaturo conversando com seu pai naquele estado como se nada tivesse acontecido. Eu poderia ter me enrolado no lençol... — Colocou a mão que estava livre no rosto.
Kaya — E SÓ AGORA VOCÊ LEMBRA DISSO?
Kouma — Mas e como eu ia saber que você ia espionar? Eu não tenho como colocar uma tarja preta nos seus olhos.
Kaya — Eu fui espionar porque ouvi vocês falando de mim, simples.
Kouma — Então, aí está. Você está errada em bisbilhotar e eu em ficar pelado. Nós dois estamos errados aqui, está bem?
Kaya — Espera aí, você está jogando a culpa pra cima de mim?
Kouma — Parte dela.
Kaya — Olha, pra início de conversa, nada disso teria acontecido se você estivesse ao menos de cueca.
Kouma — Fala isso pro seu pai. Você acha que eu não estranhei estar daquele jeito? Se eu não fosse treinado, eu com certeza teria voltado pra baixo do lençol, mas como estava habituado, só continuei conversando com ele.
Kaya — Você é terrível.
Kouma — Obrigado. Olha, essa conversa tá muito estranha, você não acha?
Kaya — Óbvio que acho, mas eu estou continuando pois quero que você admita que está errado, seu pervertido.
Kouma — Ai, tá bom, tá bom. Se isso vai acabar com essa discussão inútil, eu admito, tá legal? Eu estou errado. Satisfeita?
Kaya — Satisfeita, não. Mas é o suficiente. — Foi até Kouma e retirou as flechas de seu corpo. — Pronto, está livre.
Kouma — Obrigado. Eu hein, você é maluca. Fez todo um show por causa de uma coisa tão simples. — Começou a rir.
Kaya — Isso não é algo simples, seu depravado.
Kouma — Ei... Espera um minuto... Pensando melhor agora... Eu me lembrei de uma coisa.
Kaya — E o que seria?
Kouma — Enquanto seu pai estava no quarto, eu tapei aquele local 100% do tempo, eu fiquei com a mão em cima, para ninguém ver... Eu só tirei a mão quando o Koji saiu... Você ficou me espionando depois que seu pai saiu?
Kaya — O-o-o que? DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO? ISSO NÃO ACONTECEU. — Ficou completamente envergonhada, se afastando alguns passos.
Kouma — Mas olha só... Parece que eu não sou o verdadeiro pervertido aqui.
Kaya — N-N-NÃO, VOCÊ ESTÁ ERRADO. — Tentou justificar-se, já com seus olhos girando devido à vergonha.
Kouma — Vamos, admita. Por que estava me espionando? E mais, quando o Koji saiu do quarto, ele deveria ter te visto, não?
Kaya — E-E-EU JÁ DISSE QUE NÃO ESTAVA TE ESPIONANDO. — Gritou, nervosa.
Kouma — Gaguejou, perdeu o argumento. Quanto mais você trava, mais sua cara de culpada se forma. — Continuou firme em sua acusação, cruzando os braços.
[pare a OST]
Kaya — AAAAAAAAAAHHHH, QUE SEJA. VOCÊ QUER TANTO SABER? ENTÃO EU DIGO. — Gritou mais, mas ficou tonta e caiu sentada, ofegante.
Kouma — Meu Deus, o que houve? — Deixou sua pose de lado e correu até a garota, para ajudá-la. — Você está bem? — Perguntou, ajoelhando-se ao lado da ruiva, colocando uma mão em suas costas e segurando delicadamente seu pulso com a outra.
Kaya — Desculpe por isso. Eu não sou acostumada a discutir com alguém gritando desse jeito por tanto tempo. Meu coração acelerou, e eu fiquei tão pressionada, que perdi a noção e meus olhos ficaram pretos por um momento. — Colocou a mão em sua cabeça, como se ela estivesse doendo.
Kouma — Você teve um princípio de desmaio por minha causa. Me desculpe ter te pressionado tanto. Você consegue se levantar? — Perguntou, preocupado.
Kaya — Acho... Que sim. — Tentou ficar de pé, sendo apoiada pelo jovem soldado, mas falhou, quase caindo de novo, sendo segurada pelo mesmo. — Obrigada.
Kouma — De nada.
Kaya — Depois nós terminamos essa conversa, ok? Deixe eu me recuperar aqui.
Kouma — De jeito nenhum. Eu não posso te deixar aqui desse jeito, ainda mais fraca desse jeito. Eu vou levá-la ao seu quarto, para que possa descansar.
Kaya — O que? Não, não precisa se preocupar tanto comigo. Daqui alguns minutos eu já vou estar bem.
Kouma — Nada disso. Eu estou me sentindo culpado por ter feito você ficar tão exausta mentalmente, então, pelo menos, deixe que eu faça isso por você.
Kaya — M-mas... — quando ia tentar negar novamente, Kouma a pegou no colo facilmente. — HÃ?
Kouma — Vamos, aceite minha ajuda. — Sorriu para a garota, que corou.
Kaya — D-droga. Tudo bem... Se você insiste...
Kouma — Vá me guiando, certo?
Kaya — S-sim... — Falou, se aconchegando nos braços do rapaz, e fechando os olhos vagarosamente.
Kouma — Haha. Você realmente estava exausta. Desculpe novamente por isso. Bom, não se preocupe. Eu acho seu quarto por conta própria. — Sorriu ao olhar para a jovem dormindo e seguindo rumo ao Dojô.
Após andar por cerca de 5 minutos para chegar ao dojô e mais 5 para achar o quarto de Kaya, que não foi muito difícil, pois havia "Kaya" entalhado na porta, Kouma chegou ao seu destino, e deitou a garota ruiva em sua devida cama, tendo todo o cuidado de cobri-la e ajustar seu travesseiro à sua cabeça. Quando estava saindo do quarto, vagarosamente, para não fazer barulho, ouviu um chamado.
Kaya — E-ei... Aonde... Você vai? — Perguntou, acordando ainda um pouco tonta.
Kouma — Eu acordei você? Desculpa. Onde vou? Eu estava saindo do seu quarto para deixar você dormir sossegada.
Kaya — Nada... Disso. Aquela nossa conversa ainda não acabou.
Kouma — Você quer mesmo continuar aquela discussão depois do que aconteceu?
Kaya — Não... Eu não quero mais discutir. Eu já vi que estou errada, e peço que me desculpe por te causar tantos problemas, mas eu só quero esclarecer as coisas. Por favor, sente-se aqui. — Deu um tapa na borda de sua cama.
Kouma — Tudo bem. Sem discussões. Vou ouvir o que tem a dizer. Vá em frente.
Kaya — Assim que saí da sala depois de levar sua comida, eu fiquei ouvindo a conversa de vocês, ficando em um ponto estratégico na qual não podia ser vista nem por você nem pelo meu pai. Geralmente não aparecem pessoas novas aqui no dojô, então eu estava muito curiosa sobre quem você era. Quando ele disse que ia te deixar sozinho, eu aproveitei para me esconder num quarto ao lado, para ele não me perceber, e quando ele passou, eu voltei a espioná-lo, mas não pensei que a primeira coisa que veria seria... Aquilo.
Kouma — Ah, entendo. Você só estava curiosa e acabou vendo demais.
Kaya — Sim... Como não estava preparada praquilo, eu saí andando em passos silenciosos, mas eu estava sinceramente traumatizada. Foi por isso que eu surtei quando vi você se aproximando. Desculpe novamente. Pelas flechadas e pelos buracos no seu quimono.
Kouma — Ah, quanto à isso, não se preocupe. Você não me acertou, e é isso que importa, certo?
Kaya — Acho que sim.
Kouma — Ok, já que está tudo esclarecido, eu não vejo motivos para continuar aqui atrapalhando seu descanso. Eu vou indo. — Falou, levantando-se, mas quando fez isso, a garota segurou seu pulso.
Kaya — Você... Precisa ir mesmo?
Kouma — Kaya, eu ainda tenho que treinar muito. Se pudesse, te faria companhia mais um pouco, mas você deve descansar por hora, ok?
Kaya — Sim... Você tem razão. Mas você vai continuar conversando comigo, não é? Por favor, não me julgue de forma errônea apenas pela sua primeira impressão que causei.
Kouma — Relaxa, nem se preocupa. Eu simpatizei com você no momento em que você mostrou aquele seu outro lado. Com certeza vamos conversar mais. — Sorriu para a garota, que sorriu de volta.
Kaya — É uma promessa, certo?
Kouma — Eu não sei porque precisaríamos de um juramento pra algo tão simples, mas sim, é uma promessa. — Ajoelhou-se e pegou a mão de Kaya que segurava seu pulso, entrelaçou seus dedos com os dela, e beijou a mão da garota. — Vê se descansa.
Kaya — Farei isso. Obrigada por tudo. — Falou, sorrindo.
Kouma — Bom, até logo então. — Sorriu de volta e levantou-se, desentrelaçando seus dedos dos da garota, saindo do quarto, enquanto ela deitava para descansar, com um sorriso no rosto.
Após sair do quarto, começou a andar pelo dojô, com os braços atrás da cabeça e olhando pro teto.
Kouma — Quem diria que minha primeira aproximação com uma mulher seria tão estranha. Começamos discutindo e terminamos amigos. Que interessante. — Pensava em voz alta, quando de repente, bateu em algo, recuando dois passos. — Agh, mas o que?
Koji — Ida longa ao banheiro, não é, Kouma? O que estava fazendo no quarto da Kaya? — Perguntou, com uma feição furiosa.
Kouma — K-K-Koji, não é isso que você está pensando, parece estranho, eu sei, mas tem explicação.
Koji — Eu sei que tem, não se preocupe. — Sorriu, colocando a mão no ombro de Kouma. — Como a Kaya está?
Kouma — Hã? Como sabe o que aconteceu se eu ainda não falei nada?
Koji — Sinceramente? Dava pra ouvir vocês dois gritando de dentro da sala de treinamentos. E eu conheço a Kaya melhor que ninguém, eu sei que ela não pode se esforçar muito nesse aspecto, então é bem normal ela ter passado mal. Mas e então, responda, como ela está?
Kouma — Entendo. Ah sim, sim. Ela quase teve um desmaio devido à exaustão e pressão psicológica da discussão, e quando eu a trouxe, ela dormiu nos meus braços até eu achar o quarto dela. Agora, deve estar dormindo ainda.
Koji — Que bom que ela está bem. Obrigado por ajudá-la.
Kouma — De nada, Koji. Estou aqui para ajudar.
Koji — Sim, você ajudou ela... Mas isso não significa... QUE SEU TREINAMENTO ACABOU. VAMOS LOGO. — Desferiu um soco em Koji que o afundou deitado no chão e fez ele criar um galo enorme em sua cabeça, e logo após isso, começou a puxa-lo pelo pé. — VAMOS QUE O DIA AINDA NÃO ACABOU.
Kouma — WAAAAAAHH. VELHOTE MALDITO. — Gritava de desespero, chorando de forma cômica, enquanto suas unhas iam deixando marcas no chão.
E assim, passaram-se os 5 dias restantes para completar duas semanas, e então, uma campainha tocou em outra parte do mapa, e não era ninguém menos que Emily, batendo à porta de Kouma, sendo em vão.
Emily — Esse garoto... Será que ele ainda não voltou da missão dele? Não, ele disse que voltaria em duas semanas. Será que aconteceu alguma coisa? Bom, eu não tenho escolha. — monologou, pegando um molho de chaves e abrindo a porta do apartamento, entrando normalmente e começando a olhar ao redor, para ver se achava Kouma, o que não aconteceu. — Estranho... Estou começando a me preocupar.
Ela continuou olhando pela casa, mas não havia nenhum sinal de que Kouma havia estado ali. Quando ela estava quase desistindo e indo embora, ela resolveu ir até a cozinha beber um copo de água, para compensar o cansaço, e quando passou ao lado da mesa da cozinha, viu uma coisa estranha.
Emily — Um envelope? O que será? — Perguntou-se, e quando olhou as escritas que haviam no envelope, ficou desconfiada. — "Para Emily Fonders"? O que isso significa? — Pegou o envelope, e quando abriu-o, ficou em choque, quase caindo para trás.
Emily — Esse garoto... Me pagou dois anos de aluguel adiantados...
Enquanto isso, longe dali, em uma estrada, Kanjirou ficou esperando Kouma a manhã toda com seu caminhão, mas quando seu relógio marcou 12:00, ele apenas abaixou o chapéu e deu partida no veículo, soltando uma lágrima.
Kanjirou — Vou sentir sua falta, Kouma.
Kouma — TOMA ESSA, VELHOTE. — Gritou, desferindo um golpe em seu mestres mas, já havia um diferencial. Fazia 6 meses desde que Kouma havia chegado no dojô, e no momento, encontrava-se treinando como de costume. Ele estava com seu cabelo maior, com um pouco de barba no rosto, e aparentava estar mais confiante em suas próprias habilidades, sem contar seu salto de força absurdo.
Koji — Opa. — Parou o golpe de Kouma, sendo arrastado por alguns centímetros.
Kouma — E aí, o que achou?
Koji — Em seis meses, o seu desempenho tem sido espetacular. Sua técnica de luta, seus movimentos, tudo está melhor do que era quando você chegou aqui. Isso me deixa feliz.
Kouma — Eu não tinha como não melhorar tendo um mestre tão incrível. Toda a minha melhora é graças à você. — Curvou-se.
Koji — Um mestre não é nada sem seu aluno. Se um professor, por mais capacitado que seja, tentar ensinar uma turma que não o ouve, ele só tente a fracassar. Os dois lados devem estar em harmonia, e vejo que é exatamente isso que acontece com você. Levante a cabeça, rapaz. — Falou, bagunçando o cabelo de seu aprendiz.
Kouma — Obrigado pelas palavras, mestre.
Koji — O treinamento por hoje já terminou, mas você pode me acompanhar?
Kouma — Claro. Onde vamos?
Koji — Para um lugar secreto.
Kouma — Secreto? Parece interessante.
Koji — Venha, me siga.
Kouma — Entendido.
Os dois andaram por alguns minutos até chegarem na sala frontal do dojô, local que era usado para meditação e conversa, e ao qual Kouma tinha ido poucas vezes, pois passava seus dias treinando.
Koji — Chegamos.
Kouma — A sala frontal? Por que viemos aqui? Vamos meditar? Já disse que trabalho melhor com o corpo do que com a mente.
Koji — Acalme-se, acalme-se, não tire conclusões precipitadas. Veja isso. — Foi até uma estátua de raposa e a moveu alguns centímetros para a esquerda, e assim, uma grande porta secreta se abriu na parede ao lado.
Kouma — UMA PASSAGEM SECRETA, QUE INCRÍVEL. IGUAL AOS FILMES.
Koji — Sim, é bem isso mesmo, Hahahaha. Venha, siga-me. — Entrou no corredor ao qual a porta secreta levava.
Kouma — Pra já.
Após seguirem por um caminho um tanto velho e sujo, os dois chagaram a algo que parecia um laboratório, onde haviam vários computadores, mesas com ferramentas, fios desencapados jogados em cantos e uma mesa central, feita de metal, que tinha um altar especificamente feito para se colocar uma espada.
Koji — Chegamos. Esse é meu laboratório.
Kouma — Laboratório? Por que você tem um laboratório?
Koji — Pode não parecer, meu jovem, mas a magia é algo ainda muito desconhecido, até pra mim. Nesses 6 meses, eu só falei para você sobre a magia normal, não falei nada sobre a parte mais poderosa dela...
Kouma — A parte mais poderosa? Do que está falando?
Koji — Você lembra o que eu falei quando te conheci? A alcunha que eu possuo?
Kouma — Alcunha? Espera... Era algo como... Monge estelar... Não...
Koji — Chegou perto. Eles me chamam de monge elementar. E para isso, você acha que eu possuo o poder do que?
Kouma — Espera, você tem o poder dos 4 elementos?
Koji — Hahahaha, garoto tolo. Minha vida seria muito mais fácil se fossem apenas 4.
Kouma — Não são 4? E quantos são então?
Koji — 15. E todos com um poder absurdo.
Kouma — Uau. E onde eles estão?
Koji — O poder deles foi armazenado na minha espada. Pelo menos 14 deles.
Kouma — E o último?
Koji — O último está em posse de outra pessoa... Não vem ao caso agora.
Kouma — Entendi. É pra não dar uma sobrecarga de poder?
Koji — É... Digamos que sim. — Disfarçou.
Kouma — Incrível. Mas e então, o que você quer me mostrar? — Perguntou, curioso.
Koji — Veja, eu estava estudando minha espada principal e acabei descobrindo que eu posso dividi-la em várias partes, como se fossem armazenadores de energia. Pensando nisso, eu acabei testando isso com os elementos armazenados, e para minha surpresa, funcionou. Com isso, eu consegui injetar um elemento em um ser humano.
Kouma — Espada principal? Do que está falando?
Koji — A que eu uso para treinar com você é minha espada justamente para combates não sérios.
Kouma — Entendo. E experimentos em um ser humano? Que estranho. E qual foi o resultado?
Koji — O resultado foi assustador. Minha cobaia, além de conseguir controlar o elemento que lhe foi dado depois de algumas horas de adaptação, também conseguiu uma força e resistência sobre-humana, e isso é essencial em batalhas. Basicamente, o que um monge demora anos para atingir em quesito força usufruindo de um treinamento exaustivo, com os elementos, esse mesmo resultado é alcançado em poucas horas. Eles com certeza são dádivas poderosas da natureza.
Kouma — É tipo a força sobre-humana que eu ganhei quando você fez a magia fluir pelo meu corpo?
Koji — Não, Kouma. Os elementos são muito mais poderosos que a magia normal. A força sobre-humana que você ganha é 10x maior.
Kouma — O que? Nossa. E onde está essa cobaia?
Koji — Não importa por enquanto, ok? Eu quero te fazer uma proposta.
Kouma — O que seria? Quer que eu seja uma de suas cobaias? — Começou a rir.
Koji — Não entendo o porquê da graça, era exatamente isso que eu ia pedir.
Kouma — Hahahahaha- Hã? Por que? — Parou de rir.
Koji — Vamos, Kouma, colabore com os experimentos.
Kouma — Ah, que seja. Vamos lá. Ficar mais forte é sempre bom.
Koji — Então, vamos começar.
Kouma — O que eu preciso fazer?
Koji — Deite-se Ali. — Falou, apontando para uma cama.
Kouma — Certo. — Assim que fez o que lhe foi pedido, Koji pegou algemas que tinha em uma gaveta e prendeu os braços e pernas do garoto. — Hã? Por que fez isso?
Koji — Medidas de segurança. Agora... — Conjurou sua espada, que estava apenas com uma parte de sua lâmina.
Kouma — Que espada é essa? E por que sua lâmina é tão pequena?
Koji — Essa é minha espada principal. Ela que armazena os elementos.
Kouma — Espera, então, se eram 14 elementos, e aí tem menos da metade da lâmina, posso deduzir que cada parte correspondia à um elemento?
Koji — Exatamente, Kouma. Muito perspicaz. Aqui ainda tem 2 elementos
Kouma — Então você já realizou esse teste 12 vezes?
Koji — Sim. Mas chega de perguntas. Vamos ao teste?
Kouma — Sim. Estou pronto.
Koji — Pois aqui vai. — Quando o monge espetou seu pupilo com sua espada e transferiu o elemento, fazendo a lâmina diminuir ainda mais, ele começou a se contorcer, e quebrou completamente as algemas que estavam o segurando, deitando no chão e debatendo-se, e assim, seus olhos verdes ficaram pontiagudos, suas unhas cresceram, ficando afiadas e seu cabelo cresceu de uma forma anormal, ficando parecido com uma juba de leão.
Koji — Entendo... Você teve menos efeitos colaterais.
Kouma — Gah... Efeitos... colaterais? – perguntou, ainda deitado no chão.
Koji — Sim, Eu venho fazendo esses testes para ver como os elementos se adaptam ao corpo dos seres humanos, mas sempre acabam acontecendo algumas coisas como isso que aconteceu com você.
Kouma — Agh... — Levantou-se, com a mão na barriga. — E por que você não me falou?
Koji — Porque você se negaria a fazer o teste.
Kouma — É lógico que sim... Droga. E onde está o poder do meu elemento? Não vejo ele.
Koji — Espere um pouco. — Koji materializou sua outra espada e fez vários cortes contra Kouma, fazendo seu cabelo e unhas voltarem ao normal. — Agora sim, posso voltar a falar com você sem temer sua aparência
Kouma — Obrigado, eu acho.
Koji — Venha comigo, Kouma. Vamos conhecer outro lugar, dessa vez, um lugar proibido.
Kouma — Proibido? Você não quer dizer...
Koji — Lá mesmo. — abriu um portal. — vamos — Os dois adentraram o portal, e saíram na frente da grande construção que Koji chamava de "Celeiro". — Agora que você tem um elemento, podemos entrar aqui.
Kouma — Então era por isso que eu não podia antes.
Koji — Exato. — Falou, abrindo a porta e adentrando o local, que era sujo e escuro, sendo iluminado apenas por tochas e lâmpadas desgastadas. O lugar havia muita comida e bebida em uma mesa lateral gigante, e era cheio de feno e galhos pelo chão.
Kouma — Que lugar... É esse? Por que é tão estranho? – Perguntou, desconfiado.
??? — Então finalmente conseguiu enganar outro trouxa, Koji? — Perguntou uma voz rouca, que vinha de um homem que estava escorado em um dos pilares do celeiro, apoiando suas costas e um de seus pés nele. Ele tinha pele clara, olhos castanhos, cabelos cor de amêndoa, vestia uma camiseta marrom velha, uma calça jeans toda rasgada, e tinha um dispositivo parecido com um colar em seu pescoço. Uma característica de todas as suas roupas e até sua própria pele, é que elas estavam completamente sujas de poeira. Enquanto falava, também fumava um cigarro. — Até que você demorou.
Kouma — Koji... Quem é esse cara?
Koji — Takuya. O que eu falei para você sobre aparecer antes da hora?
Takuya — Ah, cale a boca. Eu não sigo mais suas ordens. Apenas o fato de eu ficar aqui dentro e não destruir tudo já devia ser comemorado por você.
Koji — Você sabe o que acontece se fugir, não?
Takuya — É obvio que eu sei. — Mexeu em seu colar, tentando afrouxa-lo.
Koji — Muito bem.
Kouma — (Que clima estranho... É esse?) — pensou, suando frio.
Takuya — Ei, garoto. Quantos anos você tem?
Kouma — Hã? Eu? Eu tenho 19.
Takuya — Você... — Olhou para Koji, que se enfureceu.
Koji — CALE A BOCA, DESGRAÇADO. CHAME OS OUTROS, IMEDIATAMENTE.
Takuya — Que seja. GALERA, TEM GENTE NOVA NA ÁREA. — Gritou, e assim, além de Takuya, mais 10 vultos apareceram em um instante.
??? — Quem é o novato, Takuya? — Perguntou um dos vultos.
Kouma — O QUE? QUEM SÃO TODOS ESSES? — Assustado, deu 2 passos para trás e engoliu seco.
Koji — Kouma, esses 12 aqui são os primeiros que receberam os elementos, eles são seus "veteranos", por assim dizer.
???² — O que? Esse cara é um novo hospedeiro elementar? Ele parece um covarde sem escrúpulos.
???³ — Não fale isso, ele só está assustado pois nossas presenças eram desconhecidas para ele até hoje, certo?
Kouma — Sim, é isso mesmo. Eu pensei que os únicos que moravam aqui nas montanhas eram eu, o Koji e a Kaya.
???⁴ — Kaya? Faz tempo que não a vejo. Como ela está, Koji?
Koji — Ela está muito bem, obrigado por perguntar. Enfim, minha parte está concluída, não vou ficar aqui. Kouma, aprenda mais sobre seu elemento com seus veteranos. Trabalhe e treine-o bem. Pelo período da noite eu venho buscá-lo.
???² — Vai vir buscá-lo por que? Desde quando você se importa?
??? — Quer dizer que finalmente você pegou apreço por um de seus pupilos, velho? Que interessante.
Takuya — Quem diria que você afrouxaria tanto.
Koji — CALEM-SE TODOS. Kouma está em período de treinamento ainda, e é isso que ele vai fazer. — Gritou, olhando furioso para os vultos. — Que seja. Até breve, Kouma. — Se despediu, trancando o celeiro por fora.
Kouma — Koji? — Vendo que seu mestre o havia deixado sozinho com uma dezena de desconhecidos, ele só conseguiu começar a tremer, mas então cerrou o punho e curvou-se a todos. — P-prazer em conhecê-los, eu me chamo Ryuuma Kouma.
Takuya — Quanta formalidade. Pois bem, o Koji ja me apresentou anteriormente, mas eu me chamo Takuya. É um prazer conhecê-lo, novato.
??? — Takuya, nos apresente também. — Ordenou um dos vultos.
Takuya — Ah, vocês são um saco. Tudo bem. Vamos começar por ordem. — Olhou, vendo que os 10 ali presentes estavam um ao lado do outro. — Primeiramente, essa é a Winra. — Falou, indo até a garota, que saiu das sombras e revelou ser uma jovem de aparentemente 23 anos, longos cabelos pretos no estilo blackpower, com uma mecha azul em seu lado direito, olhos amarelos amêndoa e pele negra. Ela vestia uma blusa de lã azul, junto à uma saia listrada nas cores vermelho e branco, que combinavam com suas meias altas, da mesma cor. Além disso, usava sapatilhas marrons, e em seu pescoço se encontrava um fone de ouvido, ao qual o fio passava por dentro de sua blusa e ia até uma bolsa presa à sua cintura.
Winra — E aí, novato. — Cumprimentou, mexendo a mão, com cara de desinteresse, enquanto mascava um chiclete.
Kouma — O-olá. (Ela parece uma universitária.) — Respondeu e pensou consigo mesmo.
Takuya — Seguindo a ordem, esse cara aqui é o Aikawa. — Deu um tapa nas costas do garoto mencionado, que foi empurrado para frente. — Assim que se colocou na luz, foi possível ver que tratava-se de um jovem de cabelo verde-claro, olhos negros e pele mais bronzeada. Ele vestia uma camisa branca, que era acompanhada por uma gravata vermelha e uma calça cinza, também usava um brinco preto e pequeno na orelha esquerda e terminando, usava um sapato preto comum e estranhamente lustrado.
Aikawa — Prazer em conhecê-lo, Kouma. Espero que possamos nos dar bem.
Kouma — Certo, vou me esforçar para atingir suas expectativas, Aikawa.
Aikawa — Bom garoto. — Sorriu.
Takuya — Chega de papo, o terceiro é... O Shun. — apresentou o próximo hospedeiro, que deu um passo à frente. Ele era um jovem de cabelos rosas, curtos e lisos e com olhos azuis. Ele vestia um casaco preto feito de couro, uma camiseta branca estampada com uma caveira, calças jeans com cinto à mostra, e vestia tênis esportivos. Outro detalhe sobre ele, era seu brinco pequeno e preto na orelha direita, e suas unhas pintadas de preto.
Shun — Olá, Kouma. — Acenou, um pouco hesitante. — Tenho uma coisa para dizer a você, não vacile... Ou você pode cair. – sorriu.
Kouma — Olá Shun. Vou me lembrar disso, obrigado.
Takuya – Adiante, temos nossa amiga super enérgica. Apresente-se, Hotaru. – Gritou, e então, das sombras, uma jovem de cabelos brancos e olhos vermelhos, que eram cobertos por olheiras, se revelou. Ela vestia uma camisa que ia até seu joelho, e estava apenas com uma calcinha por baixo e como sapatos, usava uma pantufa rosa. Enquanto andava, ela segurava uma xícara de café, e então, soltou um bocejo.
Hotaru – Uaaaah... bom dia... – Esfregou os olhos. – Prazer... em... – Antes de terminar a frase, adormeceu em pé.
Kouma – O-o que?
Takuya – Muito enérgica, como pode ver. – Tirou a xícara de café da mão da garota, colocou em cima de uma mesinha, e depois, pegou-a no colo e colocou-a delicadamente sobre um fardo de feno que havia ali do lado. – Assim ela dorme mais tranquila.
Kouma – Eu sou tão tedioso assim?
Takuya – Não, ela é assim mesmo, relaxa. Seguindo as apresentações, nós temos nossa amiga estranha. Apresente-se, Momo. — Falou, estendendo o braço para apresentar a próxima da fila, e das sombras saiu uma mulher de cabelos roxos e curtos, olhos verdes que se escondiam atrás de um óculos de grau, e tinha vários piercings na orelha e um no nariz. Vestia um Casaco jeans por cima de uma blusa cropped e uma calça rasgada, com tênis all-star.
Momo — Obrigado por me introduzir normalmente, idiota. — Olhou para Takuya, revirando os olhos. — Não liga pra ele, eu sou gente boa. Minha aparência pode não ser das melhores, mas eu me sinto bem assim, então, que mal tem?
Kouma — Você tem toda razão em querer ficar bem consigo mesma, Momo. E diferente deles, eu achei você bem bonita. — Falou, de um modo inocente, enquanto sorria.
Momo — Hã? O-obrigada... Eu acho... — corou e olhou para o chão.
Takuya — Chega de falar, Momo. O próximo é... BALAT, TÁ COM VOCÊ. — Gritou, e assim, um homem alto, extremamente musculoso, careca e com olhos negros, que vestia apenas um colete e uma bermuda saltou da escuridão, pulando na frente de Kouma e o abraçando forte, quase o sufocando.
Kouma — GWAAAAAAH. — Gritou de dor.
Balat — SEJA BEM-VINDO, KOUMA. ESPERO QUE VOCÊ SEJA FORTE, PARA PODERMOS LUTAR BASTANTE, ENTENDEU? — Jogou Kouma contra uma pilha de feno. — WAAAAAH. — Fez uma onda de energia se expandir pelo celeiro.
Kouma — Agh... — Falou, saindo de dentro do feno. — Maldito, por que fez isso?
Takuya — O Balat é o típico grandão bundão, sabe? Ele é forte pra cacete, ama lutar, e ainda assim é carinhoso. Não combina, mas se a gente fala isso pra ele, ele acha que estamos brincando e quase quebra nossas costelas com abraços. — Chegou perto do ouvido de Kouma e sussurrou.
Kouma — Entendi... O que eu acabei de sofrer foi um desses ataques de carinho, certo?
Takuya — Exato. — Deu a mão para Kouma, que se levantou. — Mas vamos lá, ainda temos mais pessoas para você conhecer. Os próximos são...
Kouma — (Próximos? Ele vai apresentar 2 de uma vez?)
Takuya — São os gêmeos, Tyler e Nancy. — Bateu palmas, e então os dois saíram das sombras realizando uma cambalhota, e em seguida, a garota correu até seu irmão e apoiou suas mãos em seus ombros, ficando no ar por um momento, e ficando de cabeça para baixo. Ela soltou os braços, e ao mesmo tempo, o garoto flexionou suas pernas, e com isso, a garota caiu em seu colo como se estivesse flutuando no ar. Após essa performance completamente rápida, foi possível ver que os gêmeos tinham suas diferenças, como por exemplo, Tyler tinha cabelos amarelos e curtos, enquanto Nancy tinha cabelos vermelhos e compridos, mas os dois tinham os olhos laranjas. Tyler vestia um abrigo preto formado por um moletom e uma calça de malha com tênis, enquanto sua irmã vestia praticamente o mesmo, só trocando a calça por uma saia com meia-calça preta e sapatilhas.
Tyler e Nancy — PRAZER EM TE CONHECER, NOVATO. — Falaram simultâneos.
Kouma — Prazer... — Fez um sorrisinho meio desconfortável, por não ter entendido o porquê da performance que havia sido mostrada.
Tyler — Aposto que está se perguntando porque nós fizemos isso.
Kouma — Hã? Bem...
Nancy — Ah, para com isso, quem não estaria? Você está curioso né?
Kouma — Curioso? Não posso dizer com certe-
Tyler — Nós não somos daqui. Somos estrangeiros.
Nancy — E antes daqui, trabalhávamos como apresentadores e éramos atração principal em um circo muito famoso.
Kouma — Vocês eram de um circo? Que incrível. Não lembro a última vez que fui em um...
Tyler e Nancy — Pois deveria, circos são incri-
Takuya — CALEM A BOCA, GÊMEOS MATRACA. — Gritou, dando um soco na cabeça de cada um da dupla, fazendo sair fumaça de sua mão, enquanto galos cresciam na cabeça dos dois. — Kouma, não dê corda pra eles, se não eles vão falar a vida toda deles sem você conseguir fugir.
Kouma — Ahn... Vocês estão bem?
Tyler e Nancy — Estamos. Desculpe, nos empolgamos.
Kouma — Tudo bem, não se preocupem. — (Como gêmeos conseguem falar frases longas assim simultaneamente? Isso é de certa forma incrível.) — Confortou os dois e pensou consigo mesmo.
Takuya — Bom, então, que chegue a princesa. Hikari, sua vez. — anunciou o próximo na fila das apresentações, e, das sombras, saiu uma linda moça, com cabelos dourados, olhos azuis e uma beleza estonteante. Ela vestia um longo vestido rosa prendado, segurava um guarda-chuva da mesma cor, e em seus pés, tinha lindas sapatilhas pretas, que brilhavam.
Hikari — Saudações, novato. Sinto-me honrada em poder conhecê-lo. — Fechou o guarda-chuva, colocou-o no braço, e fez uma saudação real, pegando duas pontas de seu vestido e levantando até a canela, enquanto se curvava. — Eu sinto uma energia selvagem vinda de você, sei que é um guerreiro poderoso.
Kouma — Obrigado... Sinto uma energia vinda de você também. (Ela é extremamente formal...). — Respondeu, pensando na maneira como Hikari se portava.
Takuya — E, estamos chegando ao fim. O último, mas não menos importante... Foster. — Saltou e caiu nos ombros de Balat, fazendo o som de rufar tambores em sua careca, e assim, das sombras, um jovem em torno dos 20 anos, que possuía olhos e cabelos pretos, com várias olheiras e feição de cansado saiu andando lentamente, aumentando a tensão na área, mas isso perdeu-se rapidamente, quando suas roupas foram expostas. Ele vestia uma camisa laranja floral aberta, uma bermuda velha, um cachecol preto feito de penas, e chinelos desgastados.
Takuya — HAHAHAHAHAHA, Eu sempre me divirto olhando o visual dele. — Gargalhou, mas seu riso foi imediatamente cortado quando Foster sumiu e apareceu em frente à Takuya, o olhando seriamente com seu olhar morto.
Foster — Você acha legal rir dos outros? — Perguntou de uma forma fria, fazendo olhar maligno, que arrepiou todo o corpo de Takuya, e o fez cair para trás, o que fez os outros apresentados anteriormente caírem na risada momentaneamente.
Kouma — (O que? Quando ele foi parar lá? Eu nem consegui ver). — pensou, dando um passo para trás.
Takuya — Maldito...
Foster — Desculpe por fazer você ver isso, Kouma. Geralmente não mostro meu lado mais sombrio para novatos, mas odeio quando riem de mim. — Virou-se para Kouma, apareceu em sua frente em um piscar de olhos e apertou sua mão, olhando torto para Takuya, que se levantava após cair das costas de Balat.
Kouma — N-não se preocupe. Se estivesse na sua situação, provavelmente faria o mesmo. — Ao ouvir isso, Foster sorriu.
Foster — É bom saber que existem pessoas que me entendem por aqui. — Ao Falar, fazendo aquela feição, Kouma teve um pequeno déjà-vu, lembrando de seu rosto por algum motivo.
Kouma — Ei... Você disse que se chama Foster? Nós já nos conhecemos antes? Sinto que já te vi em algum lugar... E não só você, como também seu nome... Me é familiar.
Foster — Se nos conhecemos? Eu tenho absoluta certeza que não. Em vidas passadas, talvez, mas nessa não. Bem, eu estou a tanto tempo aqui... Não duvidaria se tivesse te visto de passagem em algum momento.
Kouma — Sim, isso explicaria seu rosto... Mas e como eu saberia seu nome?
Foster — Isso já é algo que está além de minha inteligência.
Takuya — Agh... Maldito Foster. — Esfregou a mão na cabeça. — Mas enfim, todos foram devidamente apresentados.
Kouma — O que? Tem certeza?
Takuya — Hã...? P-por que está duvidando de mim? Você acha que eu não sei quem são meus companheiros por aqui? — Tentou mudar de assunto.
Kouma — Sim, eu sei que você os conhece, afinal convive com eles há muito mais tempo, e não estou duvidando de você, mas antes do Koji sair, ele disse que todos os 11, além de você, estavam aqui. E contando agora, com você incluso, o total dá 11. Isso não significa que está faltando alguém?
Takuya — Tsc... Droga... Você é muito atento a detalhes. Como conseguiu perceber isso?
Kouma — Eu também juntei o fato de que sinto 12 presenças nessa sala, e só vejo 11 pessoas.
??? — HAHAHAHAHAHA. Então mesmo eu escondendo minha presença o máximo que pude, você ainda notou. — Uma voz vinda do teto ecoou, e então, um vulto chegou ao chão em um piscar de olhos.
Takuya — E chegou a problemática... — Deu um tapa no próprio rosto.
??? — Cale a boca, seu imbecil. Eu não tenho culpa que vocês todos são uns conformados de merda que aceitaram ficar presos nessa droga de celeiro. — Lançou uma rajada de pressão contra Takuya, que colocou os braços em frente ao rosto para defender-se. — Eu acho que eu dispenso apresentações, não é, Kouma? — Perguntou, andando até um ponto que havia luz, e assim que Kouma viu o rosto da pessoa que falava com ele, ele Ajoelhou-se no chão.
Kouma — N-n-não pode ser... Cabelos... Prateados... Olhos azuis... — Desacreditado, ele esfregou os olhos. — V-você é... S-S-SHIZUMI? – Ao perguntar isso, espantado, a garota simplesmente parou em sua frente e abriu um par de asas, fazendo-a se parecer com um anjo.
Shizumi — Isso mesmo, imbecil. Shizumi Fonders. Eu sabia que o Koji te traria pra cá. – Olhou para o jovem soldado, com um sorrisinho maligno no rosto. – Seja bem-vindo... ao inferno.
Fale com o autor