Notas iniciais
Cassie não foi inspirada em ninguém, e ninguém interviu na criação dela, mas ela ainda está mais perfeita do que eu imaginei.

O quarto estava uma bagunça, como sempre. A escrivaninha estava uma bagunça, o guarda-roupa tinha as portas abertas e as roupas bagunçadas, nem a cama estava no mesmo lugar. Cassie sempre fazia isso. Tinha o poder de se perder em pensamentos, e em meio à seus devaneios, pensou no vento. O vento batendo na janela, o vento que batia nas roupas pré-estendidas que sua mãe colocava nos varais quando Cassie era criança, o vento que a lembrava de sua vida de antes. Quando saia da ilusão de sua própria mente, o quarto estava assim.

Ela observou o quarto e decidiu que não arrumaria aquilo. Não por causa de preguiça, mas por que ela ia tentar colocar tudo no lugar de novo. Sabia que era bobagem e infantilidade – e que o quarto provavelmente foi bagunçado por seu irmão, não por sua mente — , mas ela só saberia se tentasse.

Fechou os olhos, e pensou no vento. Mas não no modo como ele levava as roupas molhadas do varal. Pensou que, se com determinada força, o vento poderia voltar a roupa para o varal, da forma como ela estava antes do vento a ter corrompido.

Abriu os olhos, e nada. O quarto continuava uma zona. Estava até pior do que antes. Suspirou, sabendo que tinha caído em mais uma brincadeira sem gosto do irmão. Depois, o mesmo abriu a porta.

– Está na hora do café. – Falou, entrando no quarto. Depois que viu a situação, fez careta. – Achei que seu parceiro de transa tinha saído a meia hora atrás.

Ele só tinha 12 anos, mas sabia de tudo que ocorria na casa. Tudo mesmo.

Mas, em resposta só recebeu uma travesseirada na cara.

– Já estou indo. – Disse Cassie, em seguda dando a língua pro irmão.

Cassie saiu do quarto, que dava em um corredor que ia – de um lado – para a sala de estar e – do outro – para a cozinha. No corredor havia mais duas portas, uma para o quarto dos pais, e outra para o do irmão. Só havia um banheiro na casa, que também ficava depois de uma porta, nesse mesmo corredor. A casa foi dada pelo chefe do Sr. Karter – pai de Cassie -, não tinha como se grande.

Mas próximo ano eu serei emancipada e sairei daqui, pensou Cassie, sairei desse inferno e viverei minha própria vida.

Ao chegar na cozinha sentiu o proeminente cheiro de torradas e café fresco. Pegou um dinheiro que estava em cima do balcão, deu bom dia, e saiu.

Ao chegar na escola, o sinal já tinha tocado. Cassie jogou seu café – que ele havia comprado na maquina de um restaurante, antes de chegar na escola – e foi para o banheiro. Chegando lá, foi direto para o espelho. Lá ela não viu sua própria cara pálida, mas sim uma cara musculosa e masculina, não viu seus longos cabelos negros, mas viu cabelos loiro-escuros, curtos e bem acentuados – masculinos — , não viu seus olhos castanho-claro, mas viu olhos azuis lindos. Não sabia quem era aquele menino, nem o por que dele ter entrado no lugar do reflexo dela, mas ela iria descobrir quem era ele.

Quando saiu do banheiro, foi abordada por um corpo musculoso, que logo a beijou, fazendo fechar os olhos e não ver quem era aquele. Mas ela não precisava enxergar para saber. Aquele era o Finn, seu namorado forte e sarado do time de Basquete da escola principal do Texas – que ela era obrigada a participar, para que a emancipação aconteça.

– Estou atrasada para a aula. – Falou Cassie, sem fôlego.

– Não prefere se atrasar mais um pouco? – Finn tirou uma camisinha do bolso e pegou a mão dela, já a levando por banheiro de deficientes, que não era usado pois não haviam deficientes na escola.

Em resposta, Cassie tirou sua blusa, ficando só de sutiã, com parte dos seios amostra.

– Você tem 15 minutos. – Foi só o que disse.

Notas finais
A imagem é meramente ilustrativa de quem eu imagino para Cassie, vocês podem imaginar uma Cassie mais perfeita que Lily, ou associá-la à alguém. A imaginação é sua.