Notas iniciais
Esse capítulo ficou mais voltado a história geral da fic; não tem nada de "emocionante", já que não tem batalhas. Apenas um drama básico e um "final feliz"! ^^

Matiloa e Sybria estavam verificando as portas temporais naquele momento, para saber se Soul havia alterado alguma realidade história. Enquanto Matiloa trabalhava e Sybria ajudava, sentiram alguns tremores no templo. A princípio, ficaram ociosas e tentaram adiantar o serviço até aonde podiam, até que elas ouviram um grito:

– Matiloa!

Foi daí para frente que a maga parou tudo e disse:

– Não dá mais para ficarmos aqui! Tem realmente alguma coisa acontecendo no templo! – Havendo ênfase no “Realmente”.

Ambas largaram o trabalho de lado e correram para o centro do templo, mas Sybria segura Matiloa antes de caírem no chão grudento. Quando as duas prestaram atenção e viram o monstro criando a densa bola de fogo negra e Matiloa se dá conta da situação, imediatamente pausa o tempo, bem no melhor momento, pois Kiara e Vy agora poderia sair ilesos. Quando Kiara nota o tempo parado, ela olha para os lados e vê Matiloa, perto do corredor do passado. Matiloa, com um olhar irritado e de braços cruzados, pergunta:

–... Sabem me explicar o motivo da bagunça?

–... Primeiro... Precisamos sair dessa melecada. – Ela respondeu envergonhada.

Após Kiara ter dito isso, Vinícius (com um pequeno esforço) levantou o braço biônico, que entrou em chamas, evaporando boa parte da lama (?) local e absorveu a bola de fogo.

***

Depois de terem eliminado o monstro e limpado a sujeira deixado por ele, Matiloa voltou para acabar o serviço que havia deixado no tempo. Depois de tudo feito, já era noite, e ela voltou para o quarto dela. Sybria, que tinha visto toda a situação com os olhos, resolveu conversar com ela.

–... Matiloa?

–... Ah, oi Sybria... O que foi?

Longas pausas tomavam conta da conversa, até que Sybria continuou:

–... Como você percebeu que a Kiara estava em apuros... Tão rapidamente?

Matiloa pausou: Para ela, era difícil responder aquela pergunta. Não queria que eles soubessem a verdade sobre ela. Ela pensou bastante e disse, devagar:

– Acho que foi... Algo muito... Instintivo...

Aparentemente, Sybria havia compreendido o que a maga havia falado, mas sentia que havia algo a mais naquela frase. Que ela estava escondendo algo. Ela chegou mais perto de Matiloa, pôs a mão no ombro dela e disse séria:

– Fale a verdade, Mati: Não importa qual seja.

Matiloa parou, com os ombros cruzados e apoiados na laje da janela do quarto dela. Ela abaixou a cabeça, pensando na situação e engoliu seco, falando:

– A... A verdade?

– Sim... A mais pura dela!

Matiloa olhava o horizonte pela janela do quarto, pensando em como explicar a situação a Sybria; Ela até agora não sabia como explicar a Kiara, quem dera a ela, que mal suspeitava daquilo.

–... A verdade... É que...

–... Sim?

Matiloa sentia-se envergonhada em dizer aquilo: Por não ter dito primeiramente a quem deveria, mas finalmente, as palavras saíram da boca dela:

-... É que... Eu sou... Digamos... A mãe da Kiara!

Sybria olhou para a maga, um tanto pasma por alguns segundos, mas logo em seguida, ela começou a falar, desacreditando no que ouviu:

– Ah... Sim: Você. A “mamãe” da Kiara. A mãe dela só pode ter morrido nas guerras ou então de velhice. Acorda: 500 anos presa em um selo, e a mãe dela ainda estar viva?

Matiloa apenas olhou profundamente Sybria, com uma cara séria, enquanto ela falava. Vendo que ela não levava fé no que ela dizia, suspirou:

– Sabia... Sabia que você não ia acreditar em mim! Mas se bem que nem sou a mãe de verdade...

- Oras, se você é a mãe dela, nem que fosse de consideração ou madrasta, por que você não a criou? – Retrucou a dançarina.

- Por que meu mestre não deixou eu criar ela: Eu só havia criado Kiara até ela completar 1 ano de idade!

A maga para, respira fundo, relaxa e continua a história:

-... Eu havia encontrado ela ainda recém-nascida, com poucas semanas de vida, toda enrolada em um pano branco que já estava machado de terra, chorando, perto de um buraco de uma antiga árvore em Xaia, presa por um selo temporal. E isso foi antes mesmo de eu receber a herança protetora deste templo: Naquela época, eu era aprendiz do antigo protetor. Eu cuidei dela até ficar maior, mas ele havia predito que ela seria um problema se ficasse no templo...

Ela pausou, enxugando as lágrimas do rosto. Sybria pensou em até dizer que ela não era mãe dela, mas logo pensou como ela e sentiu como é se sentir responsável por um bebê: A mulher sente que tem o dever de ser mãe dele. Por um instante, ela olhou Matiloa e logo em seguida, perguntou:

- Então... Você a abandonou... Realmente?

- Não, mas... – Ela pausou por um instante, se lembrando de como tudo ocorreu. -... Eu havia pedido ao meu mestre que me dissesse qual seria o melhor lugar para eu deixar ela... Queria que ela fosse uma boa pessoa e que fosse criada em um local em que educassem isso a ela...

- E o melhor lugar foi um orfanato? – Sybria elevou a voz no final da frase, estranhando a situação completamente.

- Às vezes, as pessoas só dão valor às coisas quando antes não tem; Não queria que ela desse valor as devidas coisas antes que ela as perdesse... Eu sei que é doloroso, mas... Só assim a pessoa é modesta, às vezes...

Sybria era sempre mimada, pois era famosa e rica: Nunca tinha pensado por aquele lado, pois sempre era bem tratada pelos pais e fãs, já que havia conseguido muito com os shows e seu talento. Ela via a maga falando e conseguiu compreender que não a deixou com uma família, para não ficar (exatamente) como ela, mas perguntou:

- Mas como você sabia que deixando Kiara lá, ela se tornaria uma boa pessoa?

- Eu havia pedido para meu mestre, como último pedido por ela, que pudesse prever o melhor lugar para eu deixar ela. Eu queria um lugar que a tornasse uma boa pessoa e que isso desse a ela forças para viver... E ele me disse que o melhor lugar seria no próprio orfanato principal da cidade... Mas enquanto ela estava lá, ele me deu permissão para olhar ela durante as viagens temporais de treino, para eu pudesse cuidar bem dela... Partia-me o coração ter de abandoná-la, mas...

Sybria havia compreendido e ficou até feliz, em ver que Matiloa cuidava bem da Kiara, mesmo que não fosse filha legítima dela. Ela, segurando o choro de emoção arrependida de ter sido tão mal-educada com Matiloa, segura-a pela mão e fala:

-... Para mim, você merece... Ser chamada de “Mãe” por ela!

Matiloa olhou para ela, emocionada: Sempre sentia receio em contar aquilo para alguém, mas não aguentou: A maga se jogou nos braços na dançarina, chorando de emoção.

- Você não sabe a dor que eu passei e vê-la... Abandonada... – Dizia Matiloa, sendo interrompida por soluços.

- Mas... Por que nunca disse isso a Kiara? – Perguntou Sybria. Matiloa pausou, enxugou as lágrimas e respondeu:

- Eu não sei... Qual seria a reação dela...

Sybria a olha por um tempo, mas logo levantou um sorriso e disse:

- Tenho certeza que ela te aceitaria... Afinal, você não a olhava, mesmo que fosse de longe?

Matiloa enxugou as últimas lágrimas e encarou Sybria, pensando no que ela falou: O medo dela ser rejeitada por Kiara parecia desaparecer à medida que ela pensava. Sempre cuidou dela, seja de longe ou de perto. Ela logo abriu um pequeno e leve sorriso, como o costumeiro, só que mais autoconfiante.

***

Dias e noites se passaram, mas nenhum sinal de Matiloa falar sobre a verdade com Kiara; Ela apenas zelava por ela (em algumas batalhas, Kiara ainda voltava machucada e ela tratava de cuidar dos ferimentos dela). Quanto mais o tempo passava, ambas se aproximavam mais. Sybria suspeitava que houvesse um plano todo por trás: Talvez para fazer Kiara se familiarizar melhor com a imagem dela, só que mais próxima. Já tinha chegado ao ponto que ela já confiava com a maga em quase todas as missões. Um dia, quando Kiara saía para mais uma missão, Matiloa a olhava distantemente cruzar a porta do templo. Mas antes dela fazer isso, ela correu ao encontro dela e, de surpresa, abraçou Kiara com força, dizendo:

- Tome cuidado... Filha...

Kiara havia ficado surpresa naquele momento: Nem acreditava no que ela acabara de dizer. Ela chegou a gaguejar, virando-se para Matiloa, achando que tinha escutado algo errado:

- O... O que... Você... Disse... ?

-... Tome cuidado, filha... – Disse a maga, chorando de alegria.

Kiara nem podia acreditar: Matiloa, sua mãe. A maga correu de encontro a menina, abraçando-a com todas as forças. Mesmo desacreditando, agora, Kiara sentia que fazia parte de uma verdadeira família. Ela chorou de emoção naquele momento: Nunca havia sido chamada de filha antes. Nunca teve uma mãe. Nunca conheceu o prazer de fazer parte de uma família, mesmo que pequena. Aquele foi um momento muito lindo e emocionante para qualquer um que olhasse.

- Como assim? – Kiara soluçou, levantando o olhar choroso para a maga.

- Não se preocupe... – Matiloa respondeu, no mesmo tom emocionado, abraçando-a ainda mais forte. – Está tudo bem... Está... Tudo bem...

Vinícius e Sybria observavam tudo de longe (Sendo que Sybria chorava de emoção), até que Vy disse, em um tom de alegria e satisfação (apenas escondendo os verdadeiros sentimentos atrás do rosto masculino):

-... Vamos terminar logo o trabalho?

- Mas... Vamos deixar as duas a sós, tá?

Foi a última coisa que disseram por ali, naquele momento: Apenas concordaram com a cabeça e saíram dali, sem dar rastros às duas... Que afinal, sentiam-se completas agora.