Notas iniciais
Resolvi tentar colocar o capítulo à noite, para ver consigo um resultado de maior leitura do que botar pela manhã, mas acabei atrasando no horário e colocado às 22:30.

Mas enfim: Capítulo curto e título auto-explicativo. Não tenho muito o que falar. O próximo será melhor!

Ruth sentia-se dolorida na maior parte do corpo. Levantou-se com esforço, com os ossos estralando e a cabeça pesando. Não fazia a menor ideia de onde estava, mas tinha certeza do que havia acontecido: Mesmo sob o controle daquele terrível monstro, tinha plena consciência do que estava acontecendo, mas infelizmente não tinha controle sobre a mente e o corpo: Eles estavam sendo controlados por “outra alma”, pelo o que ela sentiu. Ela não sabia nem se ao menos alguém da frota dela sobreviveu. Enquanto tentava refletir a situação, ouviu passos à distância: Eram Kiara e Matiloa, e traziam algumas coisas em um par de bandejas. Ela quis se deitar de novo, mas o corpo dolorido demorou a reagir aos impulsos. Quando as duas entraram, viram Ruth sentada parcialmente na cama, com a mão na cabeça. Quando ela viu Kiara, abaixou a cabeça de vergonha, murmurando:

- Kiara... Me... Me desculpe...

- Huh? Como assim? – A menina estranhou, balançando as orelhas.

- Me desculpe... Fiz-te coisas tão terríveis... E aos outros também...

-... Mas aquela não era você: Eu tenho certeza. Eu senti!

Ruth ainda tentou responder, mas uma repentina tontura lhe fez cair na cama, zonza. Kiara e Matiloa se aproximaram dela às pressas com os objetos: As pancadas das últimas batalhas haviam deixado ela muito enfraquecidas (Kiara só se recuperou mais rápido do que ela porque já era de costume ela ser uma das primeiras a se recuperar de uma luta no grupo: A magia era um excelente apoio nesses momentos). Enquanto as duas tratavam dela, Ruth não aguentou e acabou desmaiando.

***

Quando ela conseguiu finalmente acordar, ouvia Kiara falando com Matiloa, na varanda do quarto ao lado:

- Eu e Ruth nos conhecemos ainda jovens: Ela era uma órfã e de nacionalidade desconhecida. Havia chegado ao mesmo orfanato que eu vivi de um jeito um tanto misterioso. Fui uma das primeiras a me aproximar dela, sendo que eu sempre quis ficar isolada dos outros, mas ela foi tão sociável comigo... Ela me contava que sempre sentiu paixão pelo mar e os sonhos dela era ser dona de um navio e ser uma grande exploradora... Quem sabe até conhecer um novo mundo...

- E afinal, ela descobriu um lugar novo: A ilha dela, mas... A frota dela sumiu, não?

- Sumiu. Sumiu logo depois dela ter sido derrotada por Soul... – Kiara ficou pensativa.

- Para onde será que eles foram? – Matiloa pensou junto.

Ruth ouvia tudo silenciosamente, até que finalmente se levantou da cama, sentindo ainda boa parte dos ossos estalarem com os movimentos. Quando ela finalmente se levantou, a cama deu um estranho rangido, que chamou a atenção de Matiloa e Kiara.

-... Ruth? – Perguntou Kiara.

- Sim. – Ela respondeu, meio zonza.

A maga chegou até o quarto e colocou a amiga de volta sentada na cama, dizendo:

- Por que está de pé? Você está enfraquecida; É melhor descansar.

Ruth ainda tentava insistir em se levantar, mas no final, acabou ficando na cama.

- Por que tanto quer se levantar?

- Quem sabe, ela queira nos dizer algo... – Matiloa sugeriu.

- Na verdade... Só queria me desculpar mesmo... – Ruth comentou, respondendo as duas.

-... Mas você não precisa se desculpar: Aquela não era você. – Respondeu Kiara.

- Não! – Ela insistiu. – Era eu sim. Eu vi! Fiz coisas tão terríveis...

-... Não... Não era você lá... Era alguma outra alma controlando seu corpo...

-... Então... Por que tinha plena consciência do que fazia? – Interrogou-se Ruth.

- Como assim? – Kiara balançou a cabeça e as orelhas, estranhando a situação.

- Não sei quanto a vocês, mas caso não tenham percebido, o inimigo de vocês é muito mais perigoso do que pensam: Ele é capaz de transformar as pessoas em seus soldados, se o mesmo expor para ele sentimentos negativos; Raiva, ciúmes, ira...

- Foi o que houve com a Ruth... – Pausou Kiara. – Me lembro de que ela havia ficado enraivecida com Soul e vi uma estranha energia rodeando ela...

- Ah! Lembrei! Minha tripulação! – Gritou Ruth, quase forçada. – Vocês sabem onde eles estão?

-... Sinto muito, amiga... Não sabemos... – Respondeu Kiara, em um tom pessimista.

Ruth, por um instante, havia abaixado à cabeça, pensando nos seus colegas mortos pelo próprio amigo. Kiara notou a tristeza da amiga: Queria consolá-la, mas não sabia como. Mas depois de um instante, a pirata deu uns tapas no próprio rosto, dizendo:

- Não, não, Não! Não posso desanimar agora! – Ela pausou e tomou ar para continuar a conversa. -... Mas... Quando estava possuída... Ouvi-os falando coisas terríveis... Planos, magias... Uragi nos quer por causa de nossos poderes... Somos muito poderosos... Seriamos como os “Peões” dele!

- Uragi? Quem é? E por que ele nos quer? E o que ele quer de Ossíria? – Kiara foi interrogando, querendo respostas à situação.

- Ruth, você sabe nos dizer... Alguma coisa? – Perguntou Matiloa.

- Sim... Mas não o necessário...

- Mesmo assim. Pode nos adiantar de algo.

- Bem... – Ela pausou um pouco zonza. -... Sei que aquelas joias... Aqueles Croniclers... São para restaurar a antiga forma do corpo dele... Ele era, aquele, espírito maligno de outrora... Do resto, eu não sei o que ele fará... Mas suspeito de grandes problemas...

- Todos nós suspeitamos disso... – Disse Kiara, apontando com o braço em Matiloa. – Isso também incluí o Vy.

-... Também lembro que, para eles, as pequenas minas não são o suficiente... Eles querem outras minas... Mais ricas. Principalmente as de Kiru... E irão fazer sabotagens nelas, para deixar a impressão de que são perigosas... Terremotos, deslizamentos, acidentes...

- Mas a única pessoa capaz de controlar a terra no nosso grupo-- — Kiara pausa, pasma refletindo a situação com o que houve dentro da dimensão destruída. -... Foi uma emboscada!

Ruth abaixou a cabeça, envergonhada: Como teve plena consciência do que fazia se sentia culpada pela captura de Sybria. Agora, o grupo inimigo poderia utiliza-la para fazer os planos deles. Foi naquele momento que chegou Vy dentro da sala, de surpresa:

- Vejo que terei que ficar de olho na minha cidade.

As meninas se assustaram com o rapaz falando pelas costas, mas Ruth no final, riu. Já estava acostumada a ver o rapaz vindo de surpresa.

- Clássico de você, Vy; Vir de surpresa! – Ruth comentou, ainda rindo.

- Então porque você se assustou? – Ele sorriu.

- Como não se assustar? Você vem de surpresa...

Vinícius olhou para as garotas e desfez o sorriso devagar, volta a ficar sério e continuando a conversa:

- Mas se eles querem as minas de Kiru, sabem que os locais são muito bem vigiados: Somente mineiros ou pessoas autorizadas podem entrar lá.

- Sim. Mas eles podem abrir portais e se teleportar para dentro das minas. – Respondeu Kiara. – E, além disso, Pepper pode usar uma camuflagem natural... E agora com Sybria... Piorou: Eles têm a terra a favor deles!

- Sim, Eu sei! – Grita Vy, já nervoso. Ele respira fundo e continua: — Se as pessoas pudessem nos ver, ainda poderíamos dar um jeito de falar com o atual governante da cidade, mas somos que nem fantasmas...

- Ah! Sobre isso, descobri como quebrar a magia, com a ajuda do conselho... Só que tem um pequenino detalhe... – Fala Matiloa, envergonhada, fazendo um gesto com os dedos.

-... Ok... E o que seria esse “pequenino” problema? – Perguntou Ruth, desconfiada.

- É que... A magia envolve uma série de selos, que só serão quebrados quando uma pessoa normal, alguém que foi “escolhido” pela magia, decifrar os enigmas do selo.

- Então quer dizer que... Uma pessoa que nem conhecemos e nem pode nos ver tem de nos libertar? – Indignou-se Ruth.

- Não é o que parece: Essa pessoa pode ver vocês... Eles não podem saber qual pessoa é. Pelo visto, teremos que procurar quem é, mas pode ser qualquer pessoa em Ossíria...

- Qualquer um... ? – Disse Kiara, se lembrando de Pho-Seyk, em Xiao-Mei.

-... Sim.

-... De repente, pensei na possibilidade Pho-Seyk ser essa pessoa.

Matiloa também pensou logo no que Kiara disse e lembrou-se do que a garota vem feito ultimamente. Assim que raciocinou a situação à Pho-Seyk, a maga falou:

- Mas é claro! Pho-Seyk disse para mim há alguns meses que havia encontrado um estranho livro e tido várias situações incomuns: O livro só tinha o prólogo, de acordo com ela, assim como o livro descrito pelos magos... E, além disso, ela pode ver vocês, sendo uma mortal!

- Então é isso! – Disse Vy, determinado. – Devemos ir atrás dela e ajuda-la a quebrar logo o nosso encanto!

- Mas nós não temos certeza se o livro—

Kiara foi interrompida por uma tosse do lutador: Ela era um tanto pessimista em momentos como este.

- Vamos arriscar ajudar a Pho-Seyk! – Ele continuou. – Se ela é ou não a pessoa escolhida para quebrar o feitiço, prefiro arriscar ajudar ela a esperar de braços cruzados que esse “Uragi” recupere sua forma original!

-... É... Você está certo... Devemos ir ajudar ela! – Animou-se Kiara.

- Irei com vocês! – Disse Ruth, tentado se levantar novamente.

- Ei, ei, ei! O que você pensa que vai fazer? Está enfraquecida! Precisa descansar! – Disse Matiloa, colocando Ruth sentada de volta na cama.

- Mas eu... – Ela pausou, sentindo outra tontura, só que mais forte que a anterior. –... E-Está bem...

Kiara e Vy se entreolharam e, antes de saírem do quarto, Kiara chegou perto de Ruth e disse:

- Não se preocupe: Vamos quebrar o feitiço antes mesmo que você melhore... Afinal, nós não vamos lutar.

Ela pisca o olho para a amiga e sai do quarto, ao lado de Vinícius, atrás de Pho-Seyk: A garota que havia os ajudado antes. O tempo estava cada vez mais se encurtando e arriscar era a única alternativa naquele momento.