Notas iniciais
Eu tentei corrigir esse capítulo outras vezes, mas não fiquei exatamente satisfeita com o resultado, mas foi o melhor que obtive.

Só espero que vocês gostem! ^^

Pho-Seyk estava dentro de uma caverna anciã, cercada por estranhas inscrições que brilhavam a um azul claro e vivo. O local era de iluminação fraca, apesar de tudo, sendo mais iluminada pela joia que ela encontrou dias atrás em outro lugar, cujo brilho branco iluminava as páginas do livro que ela lia. Em sua frente, estava uma porta feita de madeira e joias, trancada por um poderoso selo, e atrás, a saída da caverna. Ela lia as palavras baixinhas, tentando entender como quebrar o selo e abrir a porta, até que chegaram lá Kiara e Vy. A menina teve um leve espanto ao ver os dois, mas depois sorriu dizendo:

- Ah, são os meninos que eu ajudei em Xiao-Mei! O que fazem aqui?

- Ouvimos dizer que você achou um livro mágico. Só queríamos confirmar--

- Ah, vocês também? – Resmungou Pho-Seyk, interrompendo Kiara e aumentando o tom de voz a cada frase: – Primeiro, os ladrões das cidades, depois os magos, agora vocês atrás dele? Eu já disse e não vou cansar de repetir: Eu-não-dou-esse-livro-para-ninguém!

- Calma! – Gritou Vinícius. – Nós não queremos comprar, nem pegar, roubar, nada do tipo com seu livro!

- É sim; Só queremos confirmar se este é um livro que cumpre a quebra de um feitiço que nós precisamos. Mas ela só pode ser desfeita pelo portador que o livro escolheu. – Finalizou Kiara.

Pho-Seyk não aguentou o riso ao ouvir a explicação e acabou rindo a parte. Vy estranhou, dizendo:

- Qual é a graça?

- É que... Um livro me escolheu? – Pho-Seyk respondeu com outra pergunta.

- Bem, pesando agora, acho que não foi exatamente o livro... – Kiara pausou rapidamente, rindo junta. – É que... Essa é a típica magia que exige “um escolhido” para quebrar ela. E o escolhido é o portador do livro.

- Mas, como vocês sabem que eu sou essa tal “Escolhida”? – Perguntou Pho-Seyk.

- É por isso que viemos aqui: Para confirmar se você é realmente a pessoa que estamos procurando. – Vinícius finalizou.

Pho-Seyk olhou os dois de cima a baixo e logo em seguida, olhou para umas ilustrações do livro, dizendo:

- Ué... Vocês parecem realmente os guerreiros ilustrados aqui no livro... E só agora que eu vim a perceber...

- Sério? Podemos ver? – Perguntou Kiara.

Pho-Seyk balançou a cabeça que “sim” e deu o livro para eles verem. Logo na capa, estava desenhado em detalhes símbolo do grupo (O “Círculo dos Elementos”). Kiara vira o rosto imediatamente para Pho-Seyk e fala:

- É, é esse o livro!

- A capa já disse tudo, né? – Ela falou sem graça.

Os dois concordaram com a cabeça. Eles fizeram uma série de perguntas depois daquilo: Como o livro funcionava, quais capítulos ela descobriu, quais capítulos faltavam... Pho-Seyk, por sua vez, detalhou tudo na medida do possível: Ela havia descoberto o livro abandonado em uma prateleira antiga de uma biblioteca de Xaia, em uma de suas viagens. Ela havia se intrigado mais porque o livro só continha o prólogo e pediu para que comprasse o livro da mão da biblioteca (mas no caso, resolveram doar o livro a ela, já que nunca tinham visto o livro por ali). Investigando o livro, logo vieram inusitados convites a viagens, descobertas arqueológicas e várias outras situações na vida dela; E à medida que acontecia, os capítulos iam se desenvolvendo e contando sobre a história de cada membro do grupo. Mas até aquele momento, ela só havia decifrado os capítulos de Sybria, Vy e Ruth; Pho-seyk também havia dito que, o capítulo que ela estava resolvendo naquele exato momento, era o capítulo da Kiara. Para abrir aquele enorme portão, ela deveria descobrir o que a aguardava lá dentro. No livro, havia algumas dicas: “Luz e Trevas”, “A Perfeição” e “Raridade mágica”. Kiara, no mesmo instante, ao ouvir aquilo, disse quase como se tivesse tomado um susto:

- Ei, espera, eu sei! Ainda me lembro da resposta!

- Sério? Então... Você é quem deu as dicas e pôs o selo dessa porta? – Disse Pho-Seyk, um tanto curiosa.

- Na verdade... Foi eu e... Soul... – Ela disse em um tom de timidez e tristeza.

- Então... Diga qual é a resposta da charada!

- É uma joia que criamos... Simbolizando a... – Ela pausou por um instante, voltando tentando desviar-se do que ia começar a falar: — Bem... Ela é raríssima... E quase perfeita... Batizamos a joia de “Teleitos”.

No mesmo instante em que ela havia dito o nome da joia, as portas da entrada se abriram lentamente, com um rangido lento e instigante, levantando muita poeira devido ao pouco uso. Quando finalmente puderam ver o que estava dentro da caverna, se surpreenderam com a incrível visão: O local era um imenso salão, mas o centro tinha uma imensa joia que horas brilhava azul claro e calmo e horas brilhava a um roxo frio, porém vivo. A joia era tão grande que já havia atravessado o teto e passava pelas paredes; Uma cena realmente exuberante.

-... Teleitos... – Kiara Sussurrou, fascinada.

Os olhos da maga cintilavam ao ver tão bela cena: A joia que representava o amor que ela julgava ser pequeno havia se desenvolvido e crescido ao ponto de que apenas aquele salão já era pequeno para ela. Aos passos lentos, Kiara se aproximava da joia, nem acreditando no que via. Com a mão tremula, ela tocou a joia, que sofreu uma leve rachadura e soltou um pedaço dela. Assustada, ela olhou ao redor, mas nada parecia ter mudado: A joia parecia normal. Vy notou a cena e estranhou: Como uma joia tão grande e bem desenvolvida se rachou em um mero toque? Ele entrou na caverna para analisar as pontas da joia que saiam pelas paredes. Vinícius se focou em uma que aparentava estar parcialmente rachada. Olhando-a de perto, a joia por si mesma caiu um pedaço, sem interferência física nela. Ele estranhou e olhou ao redor também, analisando todas as outras joias. Em algumas dava um toque ou um peteleco; Nessas, todas racharam com grande facilidade. Após olhar todas, finalmente perguntou:

- Pho-Seyk... Tem algo no livro que explique porque as joias estão rachando com essa facilidade?

Pho-Seyk folheou as páginas do livro procurando uma resposta e parou em no capítulo que interceptava a história de Soul e Kiara e, lendo rapidamente, ela disse:

- Ao que eu li, a joia é sustentada pela confiança entre os dois: Se algo acontecesse com a joia, é porque algo houve com eles.

Kiara pausou ao ouvir aquilo e olhou ao redor: Algo houve entre os dois, então. Será que ela havia perdido a esperança no rapaz? Ou ele já haverá se esquecido dela, desiludido pelos poderes de Uragi? A pressão que ela fazia em si mesma na mente era tanta que algumas lágrimas começaram a escorrer pelo rosto dela enquanto olhava ao redor, a enorme joia fragilizada. Vy não havia prestado atenção em Kiara, mas havia prestado atenção em outro portão, também com aparência antiga, do outro lado do salão, mas esta já emanava uma energia das trevas, familiar a energia de Soul.

-... Ei, Pho-Seyk: Viu esse portão aqui também? – Ele disse, apontando para tal.

Pho-Seyk virou o rosto para o portão e balançou a cabeça negativamente: Na verdade, ela nem havia prestado atenção nela, lendo o livro em busca de mais pistas e respostas para os próximos capítulos encantados. Os dois haviam chegado até perto dos portões púrpuros para ver melhor porque elas estavam ali, até que se surpreenderam ao verem os portões se abrindo sozinhos. Novamente, poeira foi levantada e com um som atordoante, provando-a que não era usada há muito tempo. O som não os incomodava, o que incomodava era a poeira que os faziam tossirem. Kiara havia prestado atenção no barulho e virou-se para ver o que era. Quando finalmente a porta se abriu e a poeira abaixou, os três se deparam com uma visão que não desejavam ter: Soul, Pepper e Sybria. O cavaleiro colocou a espada no chão e disse aos dois aliados:

- Fiquem por fora e evitem que eles fujam!

- OK! – Eles responderam.

Pepper correu até o outro portão (que já estava aberto) e, junto com Sybria, fechou-a para que ninguém saísse dali. Soul ficou preso junto com os três heróis naquele imenso salão. Vy e Kiara manteram a retaguarda, caso ele resolvesse atacar, enquanto Pho-Seyk ficou atrás dos dois. Soul parecia não demonstrar agressividade: Apenas rodeava a base do cristal, passando a mão e admirando-a maliciosamente. Enquanto ele passava a mão nela, mais pedaços de tal rachavam e caíam no chão. Ele olhou para as partes rachadas e simplesmente disse:

- Pobrezinha... Está fragilizada...

Soul pegou uma das partes caídas do chão observando-a. Em poucos segundos, a parte rachada foi corrompida e havia se tornado uma joia das trevas. Ao ver isso, ele sorriu e disse:

- Mas posso ajudá-la...

Kiara imediatamente cerrou a mão no cajado e gritou:

- Esta ajuda eu tenho certeza que ela não quer!

Naquela mesma hora, foi sentido um rápido tremor no chão, que assustou o grupo por um instante. Vinícius apoiou-se contra a parede e disse:

- Olhe lá, Kiara: Essa joia é a única coisa que sustenta este local!

- E ele está querendo usá-la para ressuscitar um antigo mal, e eu jamais deixarei ele fazer isso! – Ela berrava, já chorando, respondendo ao menino.

A cada grito que Kiara dava, mais o chão da sala tremia, ao ponto que a maioria ali se assustava, já que parecia que tinha um terremoto no local. Soul parecia não estar muito intimidado naquele momento; pelo menos, até Kiara pegar um pedaço do cristal Teleitos que estava no chão e com ele nas mãos, começou a falar:

- Esta vendo isso? Você prometeu que ia cuidar bem dela, comigo! Mas parece que você quebrou a promessa. Eu ainda a mantive: Vinha aqui sempre que podia para tratá-la e cuidá-la... Mas agora que eu vi... Eu vi que ela... Não vale mais nada para você!

Quando Kiara finalmente disse aquilo, o tremor se instalou e a joia começou a se partir. Os pedaços dela começaram a flutuar ao redor dela e de Soul, cujas auras de ambos começaram a aumentar e ameaçar quem estava ao redor; a raiva dela pelo cavaleiro era tanta que já estava causando um estado de caos no local, mas ele parecia “revidar mentalmente”, já que sua aura estava forte como a dela naquele exato momento. Vy e Pho-Seyk só puderam ficar do lado, vendo a cena, intimidados. Soul, vendo aquilo, agarrou uma das joias, infectando-a com seu poder e, consequentemente, infectando as outras, que foram se expalhando até chegar na região aonde a energia da Kiara estava mais ativa e infectando-a, lentamente. Ele se baixou rindo, dizendo:

- Isso... Sua raiva... Eu sinto ela...

Kiara, ao ouvir aquilo, sentiu-se confusa e o tremor ficou mais forte, ao mesmo tempo em que a aura da maga começou a abaixar. Ela botou a mão na cabeça, atordoada, dizendo:

- N-não... Isso é uma...

Vinícius, sem pensar duas vezes e quase agindo involuntariamente ao ver aquela cena, se jogou para cima da garota, gritando pelo nome dela e tendo a ousadia de enfrentar os raios da aura da Kiara. No momento em que ele fez aquilo, a aura dela desapareceu e a joia definitivamente caiu completamente partida no chão. Tudo naquele momento ficou ainda mais agitado, inclusive o tremor. Kiara, ainda zonza, perguntou:

- O... O que eu fiz... ?

Vy não falou nada, apenas colocou a maga apoiada nos ombros de Pho-seyk e saiu correndo, junto a ela. Usando uma magia de fogo, ele deu um “Soco Flamejante” no primeiro dos portões que viu (O portão da luz), quebrando-a completamente e correu para fora da caverna junto a Pho-Seyk. Assim que saíram, Vy notou que eles estavam esse tempo todo dentro de uma caverna, que dava direto acesso a uma pequena floresta, na qual fazia a divisão entre os territórios de Xaia e Xiao-Mei. Segundos após terem saído, foi possível ouvir a parte interna de a caverna desabar e a poeira chegou até a parte externa dela (que era onde eles estavam). Os dois ainda olharam para lá por um tempo, até que Pho-Seyk ouviu um choro baixo; era Kiara, encolhida, mas ajoelhada no chão.

-... O que foi? Está ferida? – Ela perguntou, se agachando na altura da maga.

A maga apenas se afastou da aliada, ainda chorando. Kiara segurava firmemente contra o peito uma lasca da joia Teleitos, que conseguiu agarrar na sua última oportunidade. Ela chorava porque se sentia culpada por tê-la destruído, induzida por Soul.

-... Teleitos... – Ela chorava baixinho. -... Eu... Eu... Perdoe-me...

***

Ao que Pepper, Sybria e Soul retornam para o fadado universo destruído, são rapidamente recebidos pelo maligno mestre deles. Ele vem como um vulto pelo céu e pousa na frente deles, que se reverenciam.

- Senhor, nos desculpe, mas não conseguimos nenhum resultado. – Explicou Soul, de olhos fechados, esperando alguma punição.

Mas ao invés de qualquer reação de Uragi, ele apenas estendeu a pata, pegando a joia que Soul havia infectado dizendo:

- Não... Isso não é um resultado? – Ele pausou, rindo sadicamente. -... Pelo visto, o maior poder para eu voltar a minha antiga forma é de quando a luz é ofuscada pelas trevas!