Elemental 6 - A Luz Contra As Trevas

19 O confronto final - Parte 2


Notas iniciais
OBS: caso você não saiba, eu acabei reformando esse capítulo (e o anterior) depois de um tempo; achei que o antigo enredo estava muito "floodado" de um game que gosto muito, além do enredo confuso para as próximas temporadas. Então, caso você tenha lido o antigo final, sugiro que reveja a fanfic desde o capítulo 16. Se você for novo, não se preocupe; o resto das atualizações foram apenas correções ortográficas ou diminuindo os parágrafos desnecessários (sério; "meio quilo" de descrição até eu acho um saco...) ^^

Estava tudo acabado até então: todas as cidades destruídas; todos os seres vivos, mortos; e os “Elemental 6”, derrotados. Já não era mais de haver esperanças para Ossíria, mas algo ainda estava diferente; assim que Uragi virou as costas, aconteceu o impossível: Kiara, mesmo gravemente ferida, mesmo enfraquecida e até mesmo sem metade do que deveria ter de energia para ao menos sobreviver, levantou-se devegar. Algo dentro dela começava a lhe dar forças, a mesma na qual trouxe a sua fúria outrora, em outros momentos: era um espírito, muito poderoso, mas que não se revelara até aquele momento (e mesmo ali não dizia quem era), que a guiava a luta, mesmo estando tão fragilizada. Uragi mal dava atenção a ela: estando tão frágil, não adiantaria persistir... Pelo menos, era o que ele pensava; assim que já estava longe o bastante, esse espírito, que vivia adormecido no corpo da maga, despertou, regenerando seu corpo e lhe dando energias para a próxima luta, lembrando a energia de quando ela encontrou-se com Teleitos, a joia selada: um poder de força compatível a de seu inimigo. Voando para perto dele, Kiara estava de olhar fixado contra ele, enquanto Uragi acumulava seus poderes na forma de uma esfera negra.

– Tarde demais, mortal! – Ele riu, contando vitória. – Bem-vinda ao Fim do Mundo!

Assim que ele terminou de dizer aquilo, tentou avançar na garota, que rapidamente virou-se de lado e, aproveitando que ele estava lento, acertou um raio nas costas da besta, fazendo-o gritar e urrar de raiva. Ela estava mais poderosa e devido ao gasto energético de Uragi, estavam quase empatados. A luta parecia ser em vão, já que Ossíria já estava completamente destruída e o que restava, estava sendo rapidamente consumida pela energia sombria. Uragi virou-se para Kiara já soltando esferas pela boca. Ela tentava se desviar, mas quando achava que estava a salvo, as bolas viraram, indo atrás dela. Ela tentou se esquivar novamente: de boa parte ela escapou, mas a última conseguiu acertar ela, jogando-a para longe (enquanto o resto foi reabsorvido por Uragi), chegando perto dele, que a agarrou bufando, dizendo:

– Você e seus amigos foram sempre uma pedra no meu caminho; detesto desperdiçar almas tão jovens que ainda me podem ser úteis! Por que ainda persiste em lutar contra mim? Por que ainda luta por coisas que já foram destruídas? Por pessoas que já morreram?

Os dois, por um instante, fizeram uma troca incessante de olhares raivosos, convencidos de suas opiniões. Nenhum dos dois parecia esboçar alguma reação ou sentimento diferente, até que Uragi sorriu enquanto ela cerrava os dentes, dizendo:

– Ainda tens uma chance de sobreviver... Kiara!

E quando ele disse isso, ela pôde sentir sua energia rondando-a, e pôde ver que ele sentia seus verdadeiros sentimentos: Raiva, naquele momento. Porém, aproveitando-se disso, ela sorriu dizendo devagar:

–... É verdade... Eu ainda tenho uma chance... E enquanto ainda houver uma chance... Eu lutarei... Por todos! – Kiara gritou no final, afastando as garras de Uragi de seu corpo com sua energia, que funcionava como um veneno contra ele.

O corpo elétrico dela demonstrava que ela tinha muito mais do que aparentava e tomava uma silhueta familiar. “mas porque os outros não demonstraram esse poder?” era o que Uragi pensava, mas pouco importava naquele momento: o que importava é que queria livrar-se logo dela ou tomá-la para si; os outros estavam mortos de qualquer forma. A batalha permaneceu por horas, incessante, instável, mas constante, até que, em um momento, quando Kiara tentou agarrar ele com as correntes, fez com que fosse puxada paro o chão junto a ele, que, estando ele preso as mesmas, aproveitou-se disso parar chicoteá-la na terra, usando as próprias correntes: mesmo que fossem do mesmo elemento que o dela, doíam tanto quanto correntes normais e na primeira oportunidade, ela os desfez e tentou voar para longe, sendo seguida por Uragi. O sangue escorria pela pele pálida da maga, somado ao suor da intensa luta que faziam suas feridas arder profundamente. Assim que havia deixado de lado a briga, a fim de tentar de alguma forma curar-se, Uragi conseguiu pará-la, agarrando-a com força e jogando-a contra o chão, freando-a e, em mais uma tentativa, tentou infectá-la com sua energia. Lutando para se libertar dele, antes que fosse dominada, Kiara tentava empurrá-lo para longe e até usar sua energia como um “repelente” para não ser infectada, só que quanto mais ela tentava, mais força ele botava contra ela. A energia era tamanha que já sentia como se neblinas tomassem seus pensamentos, os fazerem mudarem de rumo... Assim que estava desistindo, o espírito dentro dela disse, com uma voz suave: “Ainda posso ajudá-la: não desista.”. Assim que ele disse isso, em pouco tempo, mas com muito esforço, Kiara finalmente conseguiu se libertar, com um impulso de que aproveitou-se para voar para longe de Uragi, que por um instante, ficou levemente atordoado.

– Você é realmente forte, mas não vai se livrar de mim tão fácil! – Ele disse, ainda perseguindo-a.

Kiara continuou voando para longe, mas logo em seguida, perdeu ele de vista em meio ao cenário obscuro e devastado. Sentido que a energia dele aumentava a distância, ela começou a aumentar a sua também; chegava a ser demais para seu corpo, mas ela precisava arriscar. Tudo estava por um fio, entre a vida e a morte de tudo e toda a esperança; e ela não desistiria até que um deles saísse derrotado daquela luta. Sua fúria se tornou mais poderosa à medida que ambos se aproximavam, até que finalmente se chocaram: energia Sombria com Energia Pura, em uma luta pelo poder. Tanto foi a força do impacto que as energias espalharam-se pelo continente, como um vulcão em erupção, com um forte som de explosão podendo deixar qualquer um surdo; isso se ao menos tivesse alguém lá para ouvir e ver aquela cena caótica. Ambos ficaram tentando empurrar um contra o outro por um longo tempo, até que aquele espírito que acompanhava Kiara começou a forçar junto a ela, que havia invocando as correntes ao redor de sua energia contra ele, até que, em longos, mas ao mesmo tempo, curtos minutos, ela finalmente venceu Uragi, jogando-o para longe e fazendo-o capotar por um curto tempo. Enquanto ela tentava recuperar-se com a ajuda de seu aliado, Uragi gritou:

– Você não pode me deter, mortal! Eu sou mais poderoso que você! – Logo em seguida, ele lançou sua energia contra a menina, que com seus sentidos aguçados, só teve tempo de virar-se e contra-atacar, lançando sua energia contra a dele de volta.

Novamente, as duas energias se chocaram, com uma enorme explosão e ficaram se relutando para ver quem era o vencedor. Quando mais tentavam, mais cansados ficavam: seus corpos já estavam se machucando de tanto forçarem a luta: Uragi podia ser poderoso, mas focando toda sua energia na batalha e não na cura, era inútil; ele recorreu à energia que lhe rodeava para equilibrar-se, mas que em contrapartida, o sobrecarregava. “Sempre... Em frente!” Kiara pensava consigo mesma e ouvia a voz no seu interior repetindo a mesma frase, para não desistir, mesmo jogando até a energia daquela “força interior” ao máximo que ela podia sentir. Novamente, após um longo e tortuoso tempo, Kiara foi vagarosamente ganhando forças contra ele, que por mais que tentasse, foi aos poucos sentido seu corpo cedendo fazendo-o ser atingido na boca pela energia da maga e ser jogado longe e caindo no chão, atordoado. Quando ele levantou-se, Kiara sentiu novamente um pico energético dentro de si: seu corpo já estava além de esgotado quando aquilo aconteceu, mas sentiu ao menos parte de suas forças se recobrando, o suficiente para ela se manter em pé. Os Anciãos Ossírianos foram invocados através do espírito que a rodeava. Eles apareceram nas suas formas espirituais, das mais variadas: humanos, drakes, elfos e até dragões e outras criaturas a mais. “O que significa isso?” Uragi pensou, rosnando. Mas assim que ele pensou em atacar, eles começaram a evocar sua energia contra ele: sendo os mais poderosos no passado, todos se uniram contra ele, girando ao seu redor, tornando seu corpo em pedra e sua alma (se é que assim podemos dizer), penada. Ele tentou relutar, usando sua energia como defesa, mas já estava com o corpo enfraquecido demais para ao menos defender-se. Assim que estava finalmente petrificado, a alma, que até outrora estava adormecida dentro do corpo de Kiara, libertou-se e por um instante, findou o destino de Uragi, destruindo-o de dentro para fora. Enquanto os pedregulhos do seu corpo recaíam sobre o corpo da menina, que pousou no chão, cansada e enfraquecida novamente, ela tentou se recobrar da situação tão intensa, olhando ao seu redor, tentando ver o que houve. Poucas palavras saíam de sua boca naquele momento, mas as primeiras foram de uma pergunta:

– Eu consegui?

Ela olhou ao seu redor, sentindo o corpo fraco; tudo não passava de uma devastação e morte. A única sobrevivente do terrível incidente: Kiara, vendo aquela terrível cena: de Ossíria ter sido reduzida às trevas. De que adiantaria; mesmo tendo vencido, ela ao mesmo tempo, havia perdido. A maga agora chorava encolhida na terra, frustrada com a luta em vão, deixando sua energia aos poucos se acalmar em meio à escuridão, até que a mesma alma que vivia nela, apoiando-a e ajudando-a naquele momento, apareceu em cima de sua cabeça, na sua verdadeira forma: para seu susto, era um dragão branco, com uma aparência familiarmente pura. Era Julius, o dragão que haverá derrotado Burns há eras atrás. Era ela o selo esse tempo todo... E esse tempo todo, ele havia permanecido adormecido em seu corpo, esperando o momento certo para despertar a luta.

– Kiara... Por que choras? Ainda tens uma chance... Como você disse! – Ele começou a conversar, com sua voz suave.

– E qual seria, agora? Tudo foi destruído! Mesmo tendo ganhado, eu... Eu falhei! – Kiara respondeu, ainda chorando, descrente de uma chance naquele momento.

– Não, você não falhou... Ninguém falhou... Quando um herói morre, ele descansa sim... Mas quando se é uma lenda, ele sempre retornará... – Julius respondeu, pairando tranquilamente no ar.

Kiara pausou ao ouvir aquilo, olhou ao seu redor devastado e notou o que podia fazer. Todos haviam dado uma chance ao grupo de sobreviverem. Até outras pessoas deram uma chance para ela viver. Agora, era a vez de ela retribuir estes favores ao mesmo tamanho. “Julius... Ajude-me nesse momento... Se você vive em meu corpo... Desperte agora!” Ela dizia dentro de seus pensamentos, enquanto levantava-se com muito esforço devido à fraqueza. “Isso exigirá mais de suas forças, mas se for o que você deseja...” Ele respondeu, mas o mesmo sentia que aquela era mesmo a decisão dela. Assim, os anciãos retornaram em seu corpo e, libertando-se para fora, eles foram amenizando a energia que Uragi usou para destruir aquele mundo, recompondo o equilibro entre a Paz e o Caos; o Bem e o Mal; a Luz... E as Trevas. Reconstruíam o continente aos poucos, formando uma nova atmosfera, que aos poucos foi retornando a antiga imagem da pacífica Ossíria; porém, quando mais eles faziam isso, mais Kiara sentia a morte chegando, com seu corpo enfraquecendo-se junto a Julius. “Julius... Eu preciso sobreviver... Eu sou uma lenda ossíriana...” Kiara tentou falar com ele entre pausas, mas sua resposta pedia paciência por sua parte: “Apenas espere”, era o que Julius dizia. Quanto mais os anciãos acabavam, mais Kiara sentia-se leve; vozes pareciam chamá-la, mas ela não podia ouvi-las, caso contrário, o pior aconteceria. Quando já estavam perto de acabar, nos últimos segundos daquele eterno momento, as almas anciãs desceram até ela e tiraram do seu bolso, a última lasca de Teleitos, na qual Kiara havia guardado com tanto cuidado, que levitou para fora da frente deles, agora com seus poderes dentro, até a sua frente.

– Teleitos? – Ela gaguejou enquanto tentava enxergar a joia a sua frente, mas seus olhos mal abriam devido a sua força atual.

Com a energia dos anciãos agora ao seu redor, ela começou a se reconstruir ao redor de Kiara, conservando seu corpo dentro dela e assim também, sua alma. Só que a joia ainda não havia parado: como ainda continha energia, ela começou a aumentar cada vez mais, quase voltando ao seu estado anterior antes do desastre que a destruiu; só que agora, Teleitos era puramente do elemento Luz. Mas a sua verdadeira salvação fora o sacrifício de Julius; assim como os outros espíritos anciãos, que habitavam nos corpos dos elementais, eles se sacrificaram para poderem salvá-los... O que também incluiu a Julius e Kiara. “Foi um prazer ter te conhecido” ele despediu-se da maga “Espero te acompanhar com seus pais... E com os outros anciãos.”. Assim que tudo fora feito, Ossíria parecia estar dormindo, como se tudo anterior a aquele terrível acidente, fora apenas um pesadelo. Tudo havia ficado tranquilo. O continente estava a salvo novamente: as milhares de vidas perdidas, deste o começo do confronto, foram recuperadas, assim como todos os locais destruídos pelas batalhas foram reconstruídos pelos anciãos... Mas onde estariam seus heróis, que mais uma vez sacrificaram suas vidas por todos?