Elemental 6 - A Luz Contra As Trevas
18 O confronto final - Parte 1
Notas iniciais
Para a sorte de Soul sua cidade estava a salvo; para o governante de sua cidade, foi lhe dada uma visão para que recuasse seu povo o mais rápido possível para Mein, a “Cidade-Refúgio Ossíriana” (ela fora muito utilizada em épocas de caos como aquela, mas com o passar do tempo e a paz se instalando no continente, as famílias começaram a se dispersar e formarem as famosas seis cidades que agora imperam sobre todos aqueles locais já conhecidos. Mein ficou quase deserta deste então, com algumas famílias fixas). A princípio, muitos duvidaram do que ele dizia e chegavam até a cismar contra a decisão, dizendo que não passava apenas de um sonho (se não, um delírio dele), mas no final, ele conseguiu levar todos até Mein, onde, pelo seu povoado, todos descobriram por conta própria o que houve: parecia que, em várias cidades, os guerreiros tentavam avisar aos governantes, reis ou imperadores a migrarem para Mein, devido a um grande perigo que poderia estar ameaçando as cidades. A princípio, não era de se acreditar de primeira, mas quem acreditava, às vezes não podia fazer nada a respeito, mas os poucos que podiam, tinham chances de sobreviver. Rumores vindos de moradores das cidades vizinhas disseram ter visto um demônio negro se erguendo contra Acquarium, e que mesmo com a repentina fúria explosiva da Ruth, ele a conseguiu derrotar e destruir a ela e sua cidade. Em quase todas as cidades, os relatos foram quase os mesmos. A aquela altura, todas as cidades haviam sido avisadas: poucos deram ouvidos aos heróis e houve até cidadãos que não escutaram a eles, mas era claro que quem escutava, fugia da besta obscura que aflingia àquele mundo: muito mais poderoso e furioso, com todo o poder consumido dos outros povos destruídos e dos Elementais que ele conseguiu derrotar, partiu para Mein, aonde sentia mais vida humana; e vida humana para ele significava mais sentimentos negativos de onde ele pudesse se alimentar, além da morte dos mesmo.
O que ele não esperava é que, ao longe, estavam Kiara e Soul: os dois últimos sobreviventes do antigo grupo dos “Elemental 6”. Eles esperavam, ardentemente para a batalha final: era agora ou nunca, o final do grupo. Ao ver os dois juntos na porta norte da cidade, com suas auras ativas e fortes, Uragi sorriu irônicamente e começou a concentrar seu poder enquanto sobrevoava baixo, perto ao chão, até que finalmente freou, soltando uma rajada de chama negra, que foi se expandido, até formar o que parecia ser uma imensa onda, que estaria prestes a engolir a cidade, só que Kiara e Soul, juntos, uniram suas forças: sozinhos, eles poderiam ser facilmente consumidos pelas chamas, mas ainda que em dupla, era mais fácil e eficaz para sobrevivência naquela luta. Assim que as chamas se aproximaram, os dois pularam para cima dela: enquanto metade do poder Soul conseguiu reabsorver (sendo uma magia do mesmo elemento que o dele), a outra Kiara conseguiu anular com uma rajada de raios. Uma forte explosão pôde ser vista e ouvida pela cidade e a poeira havia tomado conta do local onde ocorrera o fato, até quem após tortuosos segundos de espera, os dois saíram entre a fumaça para frente de Uragi, levemente abatidos, mas ainda mantendo as feições sérias de outrora, deste o começo do confronto.
– Desista, sua besta demoníaca: está em desvantagem! – Gritou Soul, furioso.
– É o que veremos. Ainda não usei meu poder total! – Uragi rosnou de volta, cerrando olhar tão enraivecido quanto eles. Sentindo e se alimentando do sentimento do medo da cidade, era chegada a hora de decidir o destino final daquele mundo e só o último de pé no campo daria lugar a isso.
Novamente, uma onda de energia pôde ser sentida em meio ao caos que estava nas fronteiras da cidade de Mein: os dois tentavam acumular o máximo de poder para atacar, até que finalmente se cedeu; como em um “jato de fogo”, Uragi lançou toda sua energia negra contra a dupla, que uniu os elementos em outro raio, fazendo um poder de força equivalente ao dele. Assim que os dois se chocaram, um forte som foi ouvido, como de milhares de raios juntos, que não paravam de se desestabilizar. Ambos ficaram parados, equilibrados, até que, aos poucos, a energia de Uragi começou a dar lugar a energia dos sobreviventes do grupo “Elemental 6”. Mesmo persistindo, algo estava errado: Soul havia se esquecido completamente (e nem Kiara para isso, para poder alertar) que seu elemento dava vantagem para aquele demônio. Minutos depois, a energia dele conseguiu finalmente vencer ao da dupla, arremessando-os longe, em seguida do poderoso choque da energia negra no chão, que se acumulava aos poucos, até finalmente explodir, destruindo tudo que havia na frente e todo o continente. Ao que as chamas finalmente começam a diminuir, o que sobra ao redor, era uma cena terrível: tudo que havia sido engolido pelas chamas fora queimado até se tornar pó; os dois ainda tentaram persistir com escudos mágicos, mas nos últimos segundos, a magia fora quebrada e eles foram engolidos pelas chamas. Estavam estirados no chão, com várias queimaduras e até regiões sangrando. A aura fora vagarosamente baixando, até não dar mais sinal de vida, fazendo Uragi sorrir vitorioso. Ele virou as costas, continuando seu tenebroso legado.
***
Para tudo, existe um “porém” nesse mundo. Em Ossíria, não era exceção àquele grupo: assim que Kiara fora tomada pelas chamas e caiu no chão, enfraquecida, ela havia sentido a morte de perto, mas ao mesmo tempo, ainda sentia a dor de estar viva. A maga encontrava-se em um local desolado e escuro, onde apenas um feixe de luz iluminava onde ela estava. Ao ver-se sem esperanças à Ossíria, aos povos e aos seus amigos, joelhou-se e chorou cabisbaixa. Minutos de solidão se passaram naquele desolado local, até que ela ouviu passos em sua frente. Assim que ela levantou a cabeça para ver quem era, um susto tomou conta dela: Matiloa. Desta vez, a maga estava envolta de uma aura pura, um tanto transparente; um espírito da luz que veio acolher a ela? Talvez. Kiara ficou dividida entre a tristeza e a esperança e, chorando, lamentou-se:
– Eu falhei... Todos nós falhamos...
–... Não, querida, ninguém falhou... – Ela disse, ajoelhando-se na altura da menina e ponto a mão em seu ombro. — Eles contam com você agora... O seu poder esteve até agora bem guardado... Você só tem de despertar...
– Como... ?
A maga não respondeu a ela, mas a levantou do chão e a abraçou calmamente. Um pequeno, e ao mesmo tempo, longo momento se passou, até Kiara abraçá-la também.
– Apenas espere por seu guardião... E seu poder virá... – Matiloa pausou por um instante. -... Promete?
–... Prometo... – Kiara respondeu quase sem pensar, abraçando a mãe ainda mais forte e chorando, como se nunca mais fosse vê-la.
–... Pois bem, então... – Disse Matiloa, com sua aura aos poucos aumentando e tomando o local, iluminando-a por completo, até Kiara não poder mais o que havia por lá, apenas ecoando sua última frase:
– É hora de retornar à batalha, minha jovem... Contamos com você...
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