Notas iniciais
Finalmente, postando o novo capítulo na nova data semanal: Agora, será toda quarta-feira atualizando! ^^

Mesmo que despercebidos, os monstros ainda continuavam a surgir em Ossíria, invocados não só por Soul, mas agora, também por Ruth e Pepper, mas somente quando Kiara, Sybria ou Vy os seguiam (afinal, a movimentação deles poderia ser motivo de suspeita). Só que agora, os ataques eram distantes das cidades, chegando a serem quase imperceptíveis aos moradores locais (Como Ossíria é um imenso continente). Matiloa, à medida que via os movimentos dos guerreiros e começava a alinha-los em um mapa, suspeitava que procurassem por algo ou alguém. Ela comentou sobre isso com Kiara e a isso ela respondeu:

– Também suspeito disso, mas por algum motivo, sei e ao mesmo tempo não sei do que eles estão atrás.

– Huh? Como assim?

– É como se eu soubesse o que era, mas minha mente não quisesse lembrar-se dela...

Matiloa cruzou os braços, com uma sobrancelha levantada e perguntou, tentando ajudar:

- O que você lembra? ... Mais ou menos?

- Lembro que era sobre alguém... Que mantínhamos muito contato...

A maga suspirou; sabia como era aquilo... E não era nada agradável. Somente o tempo diria quando Kiara iria se lembrar. A fim de tentar ajudar, disse isso a Sybria: Ela disse que a única ideia que teve de quem seria era sem sentido e insistiu que era bobagem e era melhor ela esquecer. Matiloa resolveu não persistir, já que a dançarina não iria falar de qualquer forma e, como já era alta noite naquele momento, recolheu-se com as outras em seus devidos quartos nos aposentos do templo.

***

Naquela noite, enquanto Kiara dormia, ela teve mais outra visão com Poon-chan, mas agora, estava um pouco diferente: Ambas pareciam caminhar tranquilamente de mãos dadas, em uma floresta no meio de uma chuva, simplesmente desprotegidas das águas torrenciais. Quanto mais caminhavam, mais se aproximava de um local com que se parecia um templo... Um estranho templo. Kiara, sem entender muito bem a situação, perguntou a Poon-chan (algo estranho, pois ninguém perguntaria algo a uma criança):

– Err... Por que estamos indo para lá?

– Você não quer se lembrar do que quer se lembrar? – Ela respondeu com um sorriso ingênuo.

– Sim, mas... Não acho que um templo seria o que eu queria lembrar.

A garotinha dá um riso simpático e responde a ela:

– Não é o templo... Você só vai achar a resposta dentro do templo.

Kiara receou por um momento, pois era de se estranhar que uma garota mais nova que ela conhecesse mais do que ela. Ambas entram no templo: Ele tinha um tom azulado, com parades e janelas antigas, cobertas por vinhas e musgos; o chão era composto em mosaico; a luz da lua rebatia sobre o local, que continha o teto de vidro límpido e várias estátuas de dragões de aparência anciã ao redor do corredor, iluminando-a por completo. Kiara andava curiosa, olhando para cada lado do templo à medida que andava por ali. Mas Poon-chan continuava andando sorridente e inocente, mas andava mais focada do que a maga. Ao que as duas chegam ao centro do templo, elas encontram um poço raso, decorado ao seu redor com runas em uma língua desconhecida, cujo uma energia emergia do fundo dela. Poon-chan se ajoelha apoiada no poço e diz para Kiara:

– Dizem que este poço é mágico; Ele é capaz de lhe conceder visões! Dizem que é só você pensar o seu problema que ele lhe concederá a resposta.

Kiara ficou surpresa: Um poço que concedia visões. Obviamente, poderia ser apenas um sonho e aquilo ser uma história completamente inventada, mas também poderia ser mais uma visão dela. Kiara, mesmo desconfiada, se abaixou até conseguir alcançar os braços no poço ralo. Ao que ela olhava o poço, duvidosa da situação, sentiu um tremor rachar parte do templo. Poon-chan, ociosa, avisa Kiara:

– Kiki... Ande logo: Nós teremos que sair daqui em breve!

Não era para menos: O templo parecia frágil, pois rachou com um dos menores tremores. Aquilo, com certeza, não era um mero sonho: Era real demais para ser. Kiara olhou para o poço, respirou fundo tentando relaxar e sintetizou sua dúvida em mente: “Eu quero saber do que Soul e outros guerreiros estão atrás”. Assim que ela fechou os olhos, viu uma série de flashbacks passarem em sua mente: Uma delas lembrava um guerreiro familiar: Era Makeuy. Mas antes que ela pudesse se concentrar para raciocinar aquilo, foi surpreendida mais um tremor, mas aquele foi mais intenso, chegando a abalar completamente o templo e fazendo-o desabar em sua cabeça.

***

Kiara levantou assustada, com um grito de susto. Ela acabou acordando Sybria e Poon-chan, que levantaram assustadas.

– Kiara! O que houve? – Gritou Sybria, pasma, olhando para ela, como se algo estivesse acontecendo naquele exato momento.

Kiara pausou, tomando ar. Ela suspirou profundamente e disse, tentando disfarçar:

–... Nada... Apenas um pesadelo...

Sybria olhou Kiara, estranhando, mas como se era de esperar, suspirou e voltou-se a deitar: Como ela disse que era um pesadelo, não viu nada demais naquilo. Poon-Chan, porém, chegou até Kiara e falou:

– Kiara... Você sonhou com o que?

A maga sacudiu a cabeça, estranhando: Não esperava que a própria pessoa que estava em seu sonho não soubesse dele, mas parou para pensar logo em seguida: Seria um tanto ilógico duas pessoas terem, coincidentemente, o mesmo sonho. E aquela história da Poon-Chan saber de um templo praticamente inóspito era ilógico. Kiara levou Poon-chan até a varanda do quarto e lhe explicou o sonho. Ela escutou a tudo atentamente e pensou. Logo, a menininha começou a falar:

– Sabe... A mamãe sempre me falava que, quando os espíritos bons queriam falar com a gente, sem que levássemos sustos, usavam uma pessoa no lugar, para falar conosco...

–... É sim... A mamãe...

Kiara abaixou a cabeça, olhando o mundo lá embaixo, se lembrando do seu passado: Fora abandonada em um orfanato ainda bebê. Ela havia realmente começado suas primeiras batalhas quase solitária, junto a Ruth, que fora criada no mesmo local que ela. Hora ou outra, a falta desse amor materno apertava-lhe, fazendo-a desejar ter a chance de ter visto seus pais; pessoas que ela nunca viu, nunca conheceu e nunca descobriu; pessoas desconhecidas, com que ela queria o afago e o carinho; um pai para educar; uma mãe para amar; uma família para com que se alegrar. Kiara chorava ao lembrar-se daquilo. Pensando em nunca ter conhecido seus pais. De ter perdido eles nas guerras contra Kuroi, outrora sangrentas. De ser órfã. Era naquelas horas que ela queria realmente se esquecer daquele desejo e voltar a ser feliz apenas com seus amigos, que tanto lhe apoiaram e cuidaram. Poon-chan, em uma tentativa de fazê-la sentir-se melhor, começou a chorar junto a ela. Kiara enxugou as lágrimas e perguntou para ela:

– Por que está chorando?

– Se você está triste... Eu também estou!

Ela olha Poon-chan, com o nariz já avermelhado, e tenta levantar um sorriso. Ambas, sentiam que aquele talvez não fosse o melhor momento para esconder seus sentimentos e se desataram em um choro baixo.

***

Na manhã seguinte, todos levantaram cedo. Kiara e Poon-chan ainda estavam com sinais de que choraram. Kiara foi ao encontro de Matiloa, para falar que havia conseguido se lembrar do que os guerreiros estavam atrás.

– Matiloa.

– Hm?

–... Tenho uma coisa para te falar: Era sobre o que eu queria lembrar.

Matiloa não pareceu ter notado o que Kiara dizia e perguntou logo em seguida:

–... Estava chorando a noite?

Kiara receou-se um pouco, virando a cara para o lado, esfregando os olhos.

– Ah... Desculpe-me se toquei em um assunto muito pessoal. – Tentou-se desculpar com a jovem maga.

– Não foi nada não.

Kiara virou o rosto de novo e continuou falando:

– Eu consegui me lembrar do que Soul e os outros guerreiros estão atrás: Eles estão procurando por Makeuy, o sétimo guerreiro... Mas até aonde lembro, ele desapareceu a muito tempo, antes mesmo de sermos selados...

Matiloa levou a mão ao queixo, pensando. A teoria dela é que eles poderiam estar atrás dele, usando alguma série de pistas; Mas como Kiara disse que ele havia desaparecido antes mesmo do grupo ser selado, poderia ter acontecido qualquer coisa ao rapaz: Até ele ter morrido. A fim de saber mais da situação, ela perguntou:

– Você sabe a última coisa que houve com Makeuy?

– Ele apenas veio até nós, falando animadamente sobre o tesouro da Alma Pura, dizendo que concedia a imortalidade a quem descobrisse onde ele está... Mas depois disso, quase que da noite para o dia, ele havia simplesmente desaparecido. – “E depois disso, estranha e aparentemente, ninguém mais do grupo se lembra direito do que houve” Kiara completou, em mente.

– Desapareceu?... Assim? Da noite para o dia?

– Aham: Ninguém sabe até hoje o paradeiro dele ou alguma pista que prove que ele esteja vivo.

Ambas estavam intrigadas: Pelas suas conclusões, ele estaria morto a aquela altura. Kiara então pensou melhor e havia perguntado a matiloa:

– Posso ver o mapa que você traçou o caminho deles?

– Claro.

Matiloa levou Kiara até o Salão de Encontros (na qual Matiloa chama de QG) e abriu o mapa no computador central: Nele, havia vários pontos azuis destacados no mapa de Ossíria, grande parte próxima de Mein. Sybria (que havia seguido Kiara, a fim de tentar ajudar), perguntou:

– Cadê o tracejado? Pensei que você tinha tracejado o caminho.

– E tracejei... – Disse Matiloa, quase sem perceber.

Após ter ajeitado as coordenadas, o tracejado foi pouco a pouco aparecendo no mapa, formando um caminho que parecia formar uma imagem ao redor de Mein. Kiara e Sybria foram olhando o tracejado tomar forma, até que a dançarina comentou:

– Parece que o tracejado parece que tá formando a cabeça de um monstro...

– E ele não me é desconhecido... – Respondeu Kiara.

Primeiro, havia formado a parte de cima, que parecia ser um par de chifres e depois parte do focinho, mas o tracejado acabou com uma parte do rosto incompleta. Kiara era a que mais observava a imagem, encarando, tentando lembrar a imagem familiar: Ela sabia que se lembrava daquilo e forçava a memória.

– Mas... Isso é um... É o-- Matiloa! Diga-me que você tem algum livro sobre Lendas Draconianas!

–... Tenho um na minha biblioteca pessoal: Sempre leio quando estou com tempo livre.

***

Ambas as três seguiram até a biblioteca que Matiloa falou. Kiara seguia rapidamente por cada fileira de livros, até achar o livro que queria (que afinal, não foi tão difícil). Ela sentou-se na mesa onde Sybria e Matiloa haviam se sentado e colocou o livro em cima dela, folheando e dizendo:

– Eu sei o que significa aquele tracejado!

Ela parou na folha aonde tinha a descrição do que parecia ser um enorme dragão negro, com o peitoral roxo-escuro: Uma besta obscura, melhor dizendo. Ela leu rapidamente as páginas e começou a falar:

– Este Dragão Sombrio se chamava Burns: Dizem as antigas escrituras Ossírianas que ele, quando nasceu, descobriram que era um antigo dragão de uma profecia e por isso, foi o primeiro dragão a viver no nosso continente, sendo prometido como o dragão mais poderoso do mundo. Mas ele deixou que maus conselhos lhe enchessem os ouvidos e sua mente, e isso acabaram o transformando em um terrível monstro que sonhava em destruir o nosso mundo, e ele ficou conhecido até hoje como “Mestre das Trevas”.

– Que nome tosco para um vilão!

Kiara dá uma rápida tosse discreta, encarando Sybria por ter sido interrompida por tal.

–... Continue. – Disse a dançarina, envergonhada.

–... Estava escrito também que, ele atormentou cinquenta gerações humanas e dez gerações draconianas, até que outro dragão, um Dragão de Diamantes, nasceu. Este novo dragão, chamado Julius, derrotou Burns, mas isso acabou custando também sua vida e para aprisionar seu inimigo e ao mesmo tempo sobreviver, ele sacrificou seus últimos poderes para que suas almas reencanassem em outra forma de vida, mais fraca e frágil, para que ele nunca mais voltasse a atormentar Ossíria...

Ela virou a folha seguinte e mostrou um desenho, mais ou menos parecido com o tracejado do mapa que Matiloa mostrou, e continuou:

–... Mas houve vários que tentaram descobrir seu selo mortal e tirá-lo de lá: Magos, guerreiros, ditadores... Todos imaginando que, uma vez ele solto, ele deveria sua honra a eles ou que eles que deviam a honra deles a Burns. Mas todos foram parados pelo espírito do dragão Julius, e eles foram selados de várias maneiras. E essa é a marca do selo.

– Ok, mas por curiosidade, o que é um Dragão de Diamantes? Pelo nome, ele me soa bonito... – Perguntou Sybria, já nervosa com a dúvida.

– O Dragão de Diamantes é um dragão muito especial: Dizem os livros que ele tem o pelo branco e macio como veludo, penas longas e brilhantes nas asas, como as de uma Fênix, sendo algumas feitas de esmeraldas. O peitoral parece ser feito também de Esmeralda, só que lapidada e, ao redor do peitoral, tem Pérolas incrustadas, que mudam de cor. Ele tem uma longa crina, que vem da cabeça até a ponta do rabo, que dizem variar a cor assim como todas as cores existentes em Osssíria, a depender do dragão; Julius tinha a crina acinzentada. Também tem os chifres de Diamantes, mas são coloridos assim como a crina e os olhos também são coloridos como se as joias existentes no mundo fossem os seus olhos. As patas são longas, flexíveis assim como o corpo e as garras são feitas de Diamante transparentes, bem afiados. Dizem que eles mesmos lapidam as garras para lutas.

Kiara faz uma breve pausa, suspirando e diz:

–... Só é uma pena que eles foram extintos: Julius foi o primeiro e último da raça.

– Mas, mas, mas... Ele nem teve filhotinhos? – Desanimou-se Sybria.

Kiara balançou a cabeça negativamente. Ao ver o sinal dela, todas na sala fizeram um breve silêncio, como se estivessem de luto pela história, mas não estavam: Elas apenas pensavam na história. Mas Matiloa acaba escapando certas palavras de sua boca:

–... Mas eu não sabia que você conhecia tanto sobre dragões, Kiara!

– Ah... É que eu... Sempre fui apaixonada por dragões... Meu sonho sempre foi criar um só para mim! – Ela respondeu, um tanto tímida pelo assunto.

Sybria, já querendo ver o fim da conversa e descobrir o porquê do Makeuy selado, fala:

–... Mas o que esses tais Burns e Julius têm haver com o Makeuy?

Kiara retoma a concentração e continua a explicação:

– Acontece que, quando Julius morreu, dizem que os dragões retornaram ao local na qual ele nasceu e prestaram uma espécie de “homenagem” ele: Todos os anciãos juntos, uniram seus poderes naquele local e ele se materializou na forma de uma joia que, de acordo com a lenda, quem conseguir desvendar os segredos e evitar as armadilhas do local, que foi construído um templo por eles também, será recompensado com a imortalidade pela coragem, inteligência e agilidade com os poderes do cristal. Dizem que até a localização do templo é um mistério, porque ninguém sabe onde ela está. Era esse o tesouro da Alma Pura, esqueceu Sybria?

–... Não... E você ainda não respondeu minha pergunta! – Ela bufou cruzando os braços, com uma careta que deveria ser de raiva.

– Não sei o que Makeuy, Burns e o tesouro teriam haver com a situação e como ele acabou sendo selado, mas é melhor investigarmos; afinal, ele era nosso amigo, não?

–... Kiara... Não tenho toda essa certeza... Às vezes desconfio que ele não seja quem vocês pensem... – Matiloa disse com um olhar ocioso.

– Mas o que tem ele? Até aonde lembro, ele era tão legal com a gente...

– Acreditem em mim: Sejam cuidadosas...

Ambas trocaram olhares naquele momento, principalmente Matiloa, que as olhava preocupada. Kiara e Sybria não entendiam a preocupação, pois Makeuy, até aonde elas sabiam, era um rapaz honesto, corajoso e bem-humorado. Antes que elas pudessem retomar a conversa, o alarme do mapa soou novamente, e ambas seguiram para lá. Matiloa ia seguindo as coordenadas, até que se surpreendeu: Eles estavam fazendo um novo pico energético em um local não muito distante de Mein (podendo até ser visível a uma certa altura), que completava coincidentemente o tracejado. Vy (que mais uma vez, pareceu ter vindo do nada) comentou com um sorriso sarcástico:

– Agora a porra ficou séria!

Todas as meninas no local se assustaram com ele, e no final, ele foi mais recebido por reclamações da irmã mais nova do que com elogios e agradecimentos. Depois de acalmá-la, ambos colocaram todas as conversas em dia e Matiloa começou a falar:

– Parece que agora, os três estão juntos nesse pico energético. E parece que o nosso “tracejado” não foi somente imaginário: Parece que ele tomou uma espécie de realidade, pois a energia que eles estão impondo, estão seguindo exatamente essa linha do tracejado.

– Como se a energia fosse à água e o tracejado, um enorme rio ou fossa? – Kiara tentou comparar, imaginando a cena.

–... Boa comparação, Kiara. – Matiloa respondeu.

Mas Matiloa foi pega de surpresa por mais um alarme inesperado na tela. Quando ela checou o alarme, ela ficou ainda mais preocupada e falou negativamente para o grupo, apertando um botão:

– Tenho péssimas notícias...

Quando ela apertou o botão, a tela tomou uma imagem aérea de Mein, mostrando a energia formar uma linha roxa e se aproximar cada vez mais da cidade que a encurralava, exatamente no formato do selo. Kiara, ao ver a cena, fala preocupada:

– Isso não é nada bom: Se eles abrirem o selo e pegarem Makeuy, ele já era!

– Kiara, será que você pode regenerar uma grande quantidade de energia assim? – Perguntou Sybria.

– Não: É muita para uma maga só! – Ela respondeu, olhando a cena e imaginando quanto poder teria de gastar: Com certeza, regenerar tudo aquilo poderia até ser mortal, já que seu corpo era frágil.

– E se você tentasse “infectar” a energia deles com a sua no meio do selo? – Vy tentou ajudar.

–... É arriscado, mas inteligente: Faria o selo deles falharem, pois ele só pode ser aberto com energia sombria, mas eles logo sentiriam meu poder no meio dele e tentariam me rastrear com esses “restos” mágicos.

– precisamos arriscar, então! – Vy cerrou os dentes, determinado.

***

Quando chegaram as fronteiras de Mein, Kiara e Vy notaram (pelos céus) que o povo da cidade já sabia do tal pico energético e os moradores estavam todos em suas casas e os soltados, de prontidão, espalhados pelo local. Kiara parou um tempo no ar, olhando a cidade, mas Vy voltou e disse a ela:

– Eu sei que você está preocupada com a cidade, mas precisamos salvá-la se quisermos o melhor!

Kiara pausou e depois de uns segundos, concordou com o rapaz e voltou a voar. Sybria, por terra, corria (e ela era bem rápida em terra, já que era uma pessoa atlética, não usava nenhum tipo de armadura e estava mais ligada ao seu elemento, chegando ao mesmo ritmo de um Leopardo) e olhava qual seria o melhor lugar para Kiara e Vy se instalarem. Ela viu que todos os três guerreiros estavam juntos em um só local (na frente dos portões norte de Mein) e voltou até Kiara e Vy e disse:

– Eles estão todos juntos no portão norte da cidade: Vamos tentar infectar o selo perto dos portões do Sul!

Ambos seguiram Sybria e foram até os portões sul da cidade, tentar a arriscada estratégia. Kiara viu a linha de energia (que formava os chifres em visão aérea) e concentrou sua energia para lançar na linha do selo, mas quando se preparava para lançá-la, o grupo foi surpreendido por tiros de flechas: Pepper estava atrás deles e parecia ter ficado de tocaia no grupo. Mas não estava só ele: Ruth e Soul estavam atrás dele e a pirata começou a falar:

– Achou mesmo que não íamos descobrir a sabotagem de vocês? Podemos sentir a energia de vocês a quilômetros de distância... E ela fede!

– O que? — Vy berrou de raiva: Era um rapaz de paciência muito curta e se irritava com facilidade, mesmo nas situações mais fáceis.

Mas antes que ambos os grupos começassem uma discussão, o chão começou a tremer e a linha energética começou a brilhar mais intensamente, cegando todos de ambos os grupos. Dentro do selo, começaram a se formar rachaduras, com profundidades grandes e começaram a se unir, até chegar ao meio da cidade de Mein e formar um enorme buraco. Todos da cidade ficaram apavorados, mas parecia que as rachaduras não engoliam nenhuma casa ou pessoa, como se fossem simplesmente “falsas”. Dentro do buraco que essas rachaduras formaram, saia uma espessa névoa negra, que tomou toda a cidade. De lá de dentro, saiu Makeuy em uma absuda velocidade e parando nos céus da cidade, coberto por uma aura maligna; Algo parecido com a aura do Soul, mas muito diferente. Sua expressão facial era de impaciência e ódio, como se estivesse louco para se vingar de alguém e suas roupas, estavam sujas e rasgadas. Seus olhos estavam roxos e dava para ver a tamanha raiva que ele sentia só de olha-los de longe. Kiara, Sybria e Ruth olharam para o rapaz, assustadas: Mesmo de grupos diferentes, elas sabiam que ele sempre foi bom e paciente e nunca esperariam Makeuy com aquela aparência. Vy, Pepper e Soul se manteram em posição de contra-ataque em seus respectivos grupos; Vy, com medo de que ele atacasse a alguém do grupo; Soul e Pepper, temendo que ele os atacasse. Makeuy, com a voz grossa, berrou:

– Quem me soltou?

Soul desfez a posição de contra-ataque e, sem medo algum, ele levantou voo até chegar à frente de Makeuy e disse:

– Eu, é claro... Você deveria me agradecer!

Makeuy pausou e sorriu devagar, dizendo:

– Obrigado... Pela sua estupidez em me soltar!

Soul cerrou o olhar para o rapaz e perguntou:

– O que você quis dizer com isso, seu lutador ousado?

– Por que você acha que eu estava preso nesse selo? Eu sou um servente de Burns, o Mestre das Trevas! O mapa que dei a vocês foi apenas um truque para me livrar de vocês e libertar Burns do seu selo; Um mapa falso! Amaldiçoado! Mas parece que as lendas estavam certas: O espírito de Julius despertou e me prendeu neste selo maldito por quase meio milênio... Até que um guerreiro idiota ousou me soltar!

Sybria, ao ouvir aquele discurso, se irritou com a tamanha falsidade que o ex-amigo passou ao grupo e começou a reclamar, e voz alta e clara, segurando as lágrimas:

– Então era isso?... Todos nós éramos apenas fachada de você?... Ou você realmente queria proteger sua cidade? Todas aquelas boas maneiras conosco eram apenas um disfarce do seu verdadeiro eu? Você é realmente um homem bom?

O menino pareceu não demonstrar nenhum tipo de reação às perguntas da Sybria, continuando no céu, na frente de Soul, sorrindo sarcasticamente como ele sorria ao ver Kiara. Sybria, irritada por ter sido ignorada, arranca uma pedra do chão e joga para cima de Makeuy, gritando:

– Estou falando com você!

Mas Makeuy defendeu-se da pedra de Sybria, com uma espécie de “Escudo Mágico”: Um escudo energético, feito com energia arcana. Ninguém sabia de onde ele havia tirado poderes para aquilo, mas naquele momento, a energia que ele usava para canalizar as magias era mais próxima da energia do Soul. A pedra, ao se chocar com o escudo, se quebrou como se fosse apenas uma bola de neve e Makeuy respondeu:

– Não me venha com essas brincadeiras, Sybria!

Soul olhou Makeuy e, sem a mínima vergonha ou temor, voltou a falar com ele:

– Eu apenas quero que você venha comigo: Há um novo mestre nesse mundo, e quem não o segue... É morto! E isto incluirá Burns!

A isso, Makeuy disse:

– Você, realmente, não sabe quem é, não é?

Ele pausou, cerrando o olhar, e continou:

– Por que você acha que tentei me livrar de vocês? Você e Kiara nem sabe de onde vieram: Dois órfãos! E se soubessem, eu não teria a menor chance contra vocês. Por isso, fiz um plano para matá-la, Kiara... E um plano também para enroscá-lo, Soul... Mas vejo que as milícias por aqui são inúteis! Selaram vocês! Ainda tentei repor o plano, mas foi quando Julius despertou, assim que fui atrás do selo da Kiara...

“o que ele está querendo dizer com isso?” Ambos Soul e Kiara pensaram. Mas o guerreiro, cansado do diálogo com Makeuy, levantou sua espada e passou a lâmina em cima dele, dizendo:

– Chega de conversa, traidor!

Makeuy, que foi atingido pela espada no tórax, formando um profundo ferimento, segurou pelos braços do rapaz e se jogou para longe dele e o empurrou para longe. O local que estava cortado pela lâmina, se regenerou com o poder da energia dele. Kiara surpresa, falou consigo mesmo:

– Deste quando ele tem o poder de se regenerar?

Makeuy, a tudo, respondeu, gritando no final:

– E já que as milícias não cuidaram de vocês... Eu irei!

– Kiara, não importa se ele pode se curar sozinho ou não: Precisamos prendê-lo de novo no selo! – Disse Vinícius, em um tom sério, focado no inimigo.

– Se é que isso é possível! – Sybria se intrometeu.

– É possível, mas devemos ser rápidos; Senão o selo se fechará! – Kiara finalizou.

Quando terminaram de falar, Makeuy lançou uma espécie de “chicote energético” em cima de Kiara, que se esquivou no último segundo. O rapaz, com uma velocidade impressionante, levantava o chicote e continuava a tentar atingir Kiara, que se esquivava e defendia com as asas. A força mágica do chicote era tão forte, que chegava a causar queimaduras nas asas. Soul permanecia voando, inexpressivo observando a luta desenrolar-se: Por um lado, aquilo seria útil para se livrar da atual rival. Vy, a fim de tentar defender a amiga, voou tentando avançar em Makeuy com o braço mecânico, mas foi parado por Soul, que estando “livre”, o viu aproximar-se e o jogou no chão com os próprios punhos, sem chance do inimigo saber de onde veio o golpe. Sybria ainda tentou defender a amiga junto a Vinícius, mas Ruth começou a atirar contra ela, deixando-a atordoada no meio do caminho. Quando Sybria voltou a si, teve que se preocupar mais com Ruth e começou a atirar pedras contra os tiros dela. “Isso não está adiantando... Se continuar assim... O portal do selo vai fechar!” Pensava Kiara, já impaciente e um tanto cansada. Ela aproveitou-se de um contratempo e fez com que seu cajado fosse coberto de eletricidade o suficiente para forar uma “rede”, para defender-se melhor de Makeuy. Agora, ambas as brigas estava empatava; ninguém acertava ninguém, mas makeuy não estava gostando daquilo e resolveu agir. Ele pareceu criar domínio sobre os movimentos do chicote e enrrolou ele no cajado da Kiara, através das frestas da “rede” que fora criada, puxando a arma e fazendo-a ficar desarmada.

– Agora você já era! – Ele sorriu.

Makeuy aumentou ainda mais a energia do seu chicote, fazendo-o ficar luminoso e elétrico a olho nu. Kiara, vendo a situação, tentou montar um campo ao redor dela (pois aquela era uma das poucas magias que ela conseguia fazer sem o cajado), mas Makeuy estava mais forte que ela e começou uma série de golpes contra o escudo dela. A jovem maga, por algum motivo, se sentia cada vez mais enfraquecida e sentia que, a cada golpe (por algum motivo), Makeuy ficava cada vez mais forte. Ela desconfiou que ele estivesse sugando sua energia com os golpes contra o escudo e logo o desfez devido a falta de poderes, mas acabou sendo atingida pelo chicote de Makeuy, sendo brutalmente eletrocutada, gritando de dor. Quando Soul viu aquela cena, pareceu sentir o tempo parar: Aquela cena, aquele grito, pareciam ter despertado algum tipo de sentimento de compaixão com ela. Kiara caiu totalmente abatida no chão. Makeuy riu ao ver aquela cena: A antiga aliada, agora totalmente enfraquecida no chão, o fazia ter ainda mais chances contra ela. Makeuy foi até Kiara, ainda para ver se ela estava viva, e podia ver que sim.

–... Ainda respira, huh?

Com sua energia, Ele criou uma adaga, e colocou no pescoço da Kiara, pronto para mata-la. Quanto mais Soul via aquilo, mais se sentia divido entre os sentimentos de compaixão e rivalidade, chegando a por a mão na cabeça, tentando se conter e focar-se na atual situação, rangendo os dentes e rosnando; mas o verdadeiro sentimento que pareceu possuí-lo foi a de compaixão. Quando Makeuy se preparava para mata-la, Soul o parou, dando um bruto soco no rosto do rapaz, que caiu no chão com a boca sangrando. Makeuy ainda se levantou e cuspiu o sangue dizendo:

-... Fraco! E ainda se deixa ser dominado por “velhos sentimentos” criados por ela?

Soul cerrou os dentes, tirando a espada das costas, dizendo:

– Eu não a protegi; Eu apenas continuei o que comecei!

– Se é briga que você quer, é briga que você terá! – Makeuy gritou, no final.

Quando ele disse isso, ele fechou o punho, que brilhava incandescentemente. Soul avançou com a espada contra o oponente, que defendeu com o braço, como se nem sentisse a dor da lâmina. Makeuy logo pôs força contra a lâmina, fazendo Soul ser empurrado para longe e, com sua energia, fez se regenerar a ferida da mão. Soul caiu de quatro e se levantou rapidamente, apoiando-se na espada, sedento por sangue inimigo. Ambos continuavam com as mesmas estratégias, como se não ligassem: Atacavam sempre de frente. Sempre com Soul avançando com a espada e Makeuy regenerando os ferimentos (em alguns casos, ele chegava a cortar metade do braço de Makeuy, que miraculosamente, se regenerava com sua energia, que vinha em grandes quantidades de dentro do selo, mas somente ele tinha poder para absorvê-la). Enquanto isso, Sybria lutava contra Ruth (que a aquela altura, Sybria já havia derrubado a arma dela, forçando-a a lutar corpo-a-corpo) e Vy lutava contra Pepper (que como Vy lutava corpo-a-corpo, ele resolveu usar suas adagas para lutar contra ele). Kiara, ainda continuava no chão, mas já se recuperava do choque de Makeuy. Quando ela viu Soul lutando contra Makeuy, teve a esperança de que ele ainda gostava dela no fundo. Ela sorriu, otimista. Uma lágrima escorreu do rosto dela, de felicidade. Essa esperança dela se transformou em uma força rejuvenescedora e em um poder que permitiu a ela, descobrir poderes que nem ela mesma conhecia. Esses poderes pertenciam a uma antiga classe de magos: Os Magos de Batalhas (NDA: Isso será melhor explicado no próximo capítulo). Kiara se levantou devagar, com sua aura brilhando cada vez mais forte. Todos pararam suas lutas, estranhando esse súbito poder da Kiara. Ela levantou-se olhando para Makeuy e começou a falar:

– Você fez uma má escolha em nos trair... E agora, vai voltar para onde veio!

Ela levantou suas mãos, invocando duas grossas correntes de ferro que flutuavam atrás dela, com as pontas nas mãos. Com uma dessas correntes, ela agarrou seu cajado que estava jogado no chão e puxou de volta para sua mão. Makeuy interrompeu a luta com Soul e disse:

– Gah, eu não tenho medo de você; Eu já te derrubei neste instante e posso fazer isso de novo!

Soul olhou Kiara, como se dissesse que queria derrotar Makeuy junto a ela. Ela sorriu para ele, como se concordasse. Ambos viraram o rosto para o lutador, focando-se nele. Os outros guerreiros pararam suas lutas para verem a de Kiara e Soul contra Makeuy. Soul pressionou a mão na espada, já querendo avançar nele, mas Kiara é quem deu o primeiro passo, lançando as grossas correntes contra o peitoral dele, fazendo-o ser empurrado e ficar zonzo. Ele caiu capotando nas províncias de Mein, sem atingir nenhum local da cidade, mas levantou muita poeira. Soul é quem o próximo movimento: Avançando com a espada – e sem dar tempo a ele de se regenerar -, o atacou com voracidade, quase que o esquartejando (ainda não se sabe o motivo que ele não quis esquartejar o inimigo). Kiara finalizou, acorrentando Makeuy no ar, que gritava de ira e dor pelos ferimentos. Ela o levitou até o portal e disse:

– Daí você não sairá mais!

E no mesmo momento, jogou o inimigo no portal do selo obscuro, que se fecharam segundos após a entrada dele, com um forte eco do grito dele. Quando o portal se fechou, a névoa foi se dissipando e as rachaduras, se desfazendo, assim como a energia foi desaparecendo, sem deixar rastros. A cidade voltou a um inexplicável e perturbador silêncio mas, pouco a pouco, os cidadãos saiam de suas casas e os guardas apareciam, todos agora contentes e aliviados porque “O Corrompido” (agora assim conhecido) voltou para seu devido selo. Porém, Kiara, que estava em pleno ar com Soul, sentiu sua energia começar a abaixar e aumentar subitamente: As suas novas magias ainda não haviam sido completamente “reconhecidas” pelo corpo dela, forçando-a a pousar. Vy e Sybria correram para acudir a amiga necessitada. Kiara arfava e gemia com os surtos. Vy, sem saber o que fazer, disse:

– Melhor levarmos ela para Matiloa: Ela é uma maga! Deve saber o que está acontecendo com Kiara!

– Mas espere... Cadê a-- Ruth? ... Ué? Para aonde foi o pessoal??? – Sybria argumentou, olhando ao redor atrás dos guerreiros corrompidos.

– Esse não é o momento para procurarmos inimigos, Sybria; Lembre-se da frase “O inimigo do meu inimigo é meu amigo”. Eles apenas seguiram esta regra conosco!

– Mas...

Vy olhou para Sybria, encarando-a apressado. Sybria apenas balançou a cabeça positivamente e o seguiu para o Templo do Tempo, com Vy carregando Kiara nos braços.

***

O que ninguém havia pensado naquele momento, é para aonde Pepper, Soul e Ruth haviam ido. O local parecia-se muito com uma dimensão destruída, com ruínas Greco românicas, cujo o céu sempre era nebuloso e púrpuro. Soul, Pepper e Ruth estavam andando naquele caminho aparente desolado, até que uma sombra negra emergiu do chão, com uma imagem distorcida, sendo apenas visíveis os olhos: Sem pupilas, roxos e brilhantes. Ambos os três guerreiros se ajoelharam a ele, mas a sombra olhou com frieza a Soul e começou a falar com ele, com uma voz também distorcida:

– Você ajudou a garota... Não ajudou?

Soul permaneceu calado, apenas de cabeça baixa, demonstrando submissão. A sombra esperou mais alguns segundos e continuou:

– Você foi desobediente a mim... E agora...

A sombra estendeu o que parecia ser uma garra no rapaz e, ao primeiro toque, fez com ele fosse fortemente eletrocutado, fazendo-o gritar de dor e cair de quatro, derrubando a própria arma. Ele arfou tentando se levantar. Havia compreendido perfeitamente o ato, mas permaneceu calado.

–... Lembre-se que ela ainda não é uma aliada nossa...

A enorme figura pausou por um instante e disse para os outros:

– E que isso sirva de lição para vocês, sobre quem me desobedece!

Notas finais
OBS: Para quem está reclamando que eu deixo muitos "furos" por dentro da história, eu deixo esses "furos" na história PROPOSITALMENTE! Seja porque eu vou responder em outro capítulo (ou até em outra temporada) e as vezes deixo até a resposta "disfarçada", para fazer o povo pensar um pouco no que está havendo na história.