Elementais
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Depois da minha noite perfeita, que á propósito, estava perfeita demais, voltei para casa e meu pai estava na janela do meu quarto. Lá se foi o ‘perfeito’ da história.
- Anne, pensei que você fosse encontrar Aghata no CP – ele já estava roxo de raiva de novo, mas afinal, o que tem esse homem?!
- Eu fui pai, mas depois eu saí para comer alguma coisa, fora de casa – enfatizei bem as três ultimas palavras.
- Por que você não pode mais ficar aqui conosco? Tudo bem que eu trabalho parte do dia, mas sua mãe sente sua falta.
- Não pai, ela não sente a minha falta. – eu não gostava de tratar deste assunto, então falei duramente, fechando o assunto – Vou indo para a cama.
- Anne?
- Sim, pai?
- Boa noite filha, e sua mãe te ama. – desta vez quem fechou o assunto foi ele.
Liguei para Aghata e felizmente desta vez ela atendeu.
- Anne, me conta o que aconteceu!
- Ahh Aghata... – eu lhe contei tudo desde as gravações.
- Nossa isso é muito legal, mesmo. Que bom para você.
- Obrigada.
- Bom, vamos dormir que amanhã tem aula. Conta-me com mais detalhes no colégio, certo?
- Claro amiga, te adoro. Boa noite.
- Eu também. Beijos!
Desliguei o telefone e fui dormir, mas tinha algo estranho... Dei-me conta que meu pai havia acendido uma vela vermelha, aromática. O aroma era agradabilíssimo, então fui brincar com o fogo. O que era estranho, algumas pessoas se queimavam ao passar o dedo vagarosamente na vela, eu adorava, me revigorava.
Mas eu sabia que era comum. Então fui dormir e sentir aquele aroma tão gostoso e com intenções de que entrasse em meus sonhos...
Meu sonho naquela noite foi muito estranho, acho que foi a vela. Ao vestir meu uniforme (algo antigo e comum para meu gosto) vi a vela se apagar, e de repente tudo ficou tão... Triste.
Ao chegar ao colégio encontrei Aghata e fui lhe contar meu sonho.
- Anne, bom dia
- Aghata, bom dia. Eu tive um sonho muito estranho
- Estranho como? – Aghata era muito interessada neste tipo de assunto.
- Bem, eu estava em uma cidade muito antiga parecia ser da Itália e eu usava um vestido azul forte, detalhado. Havia fogo para todo lado e homens armados com arco e flecha, mas dos modernos, meus olhos foram substituídos por chamas e em um só movimento com a mão removi cinqüenta dos duzentos homens que desejavam me atacar...
O sinal tocou e não pude terminar de contar.
- Depois você termina ok?
- Claro.
- Certo.
A primeira aula era de inglês e eu até gostava se não fosse pela megera da professora, Aghata se dava bem nesta matéria então aproveitei para dormir um pouco.
- Anne Adamns, será que terei de chamar seu pai novamente?
- Não Sra. Spencer.
- Pois então trate de acordar e prestar atenção na aula!
- Sim senhora.
- Humph!
Pelo jeito minha resposta sarcástica não agradou muito a velha. Aghata me mandou um bilhete:
"Pare de agir feito criança Anne! Você sabe que ela já não vai com a sua cara, não a provoque ainda mais."
Eu respondi o bilhete com certo sarcasmo:
"Aghata, ela já deve ter uns oitenta anos nem precisa se preocupar. Ela não vai com a minha cara você sabe por que, não por causa da matéria ou dormir na aula."
E era verdade, a surucucu não gostava de mim por que na oitava série eu derrubei água sem querer na neta dela, na época minha colega, a garota partiu pra cima de mim e lhe dei um soco em defesa própria, mas acabei quebrando seu nariz, desde então ela faz de tudo pra me rodar e nenhum dos Spencer vai com a minha cara.
Aghata não respondeu o bilhete, creio que concluindo que eu estava certa. Copiei os deveres da lousa, depois pegaria as respostas com Aghata.
Quando tocou para o final do período fui ao banheiro, meu telefone estava tocando, quem era o idiota pra me ligar em plena aula?
- Anne? Preciso da sua ajuda! – estava certa, um idiota.
- Chrystofer, o que você quer? Tô no meio de uma aula imbecil.
- Morgh, seu pai descobriu de mim e da Shaiene e agora quer minha cabeça!
- Ah, mas que droga! Como foi que ele soube?
- Ela me mandou um sms e ele estava passando e me cumprimentou e deixei o celular cair, daí ele pegou e leu o sms.
- Ah idiota! – e agora? Eu que tinha ajudado os dois a ficarem!
- Preciso de você Anne!
- Ta bem, eu vou falar com você depois, vem aqui na saída do colégio.
- Ta bem.
E agora? O que eu ia fazer? Shaiene já me salvou de muitas encrencas, vou fazer alguma coisa eu agora.
Chegando a aula pedi permissão para entrar, para minha sorte era Ed. Física e eu já tinha pegado o professor algumas vezes.
- Sr Ackles, posso entrar?
- Sim Srta. Adamns, mas onde estava?
- No banheiro.
- Certo.
Fui me sentar no meu lugar, pelo menos hoje era escrita e não pratica. Aghata me olhou como se soubesse que eu não estava apenas no banheiro e fiz sinal pra falarmos depois.
Depois de 45min torturantes fomos ver uma palestra combatente ao alcoolismo, drogas e violência. É claro que meus fiéis fones de ouvido me acompanharam nesta empreitada. Aghata adorava essas palestras, uma vez disse que ela era perfeitinha demais, mas mais tarde descobri que ela era tão irônica que chagava a irritar.
“Whenever you war starts crashing down “ ♪
Enquanto ouvia minha musica preferida, all fall down do one republic senti alguém me cutucar. Era Aghata, que milagre, geralmente agora ela estaria dando opinião sobre alguma coisa que um dos especialistas falou. E estaria certa.
- O que foi?
- O que houve quem era no celular?
- Como você sabe que eu estava no celular?
- Estava passando, mas não parei para ouvir como você teria feito.
- Te conto depois da palestra, se não vão ver que você esta falando comigo e não aumentando seu conhecimento e blá.
Ela só rolou os olhos e voltou a ver a palestra. O que eu poderia fazer? Dizer o que para meu pai?
“Pai a Shai gosta mesmo do Chris e ele dela, não fique bravo, pobre do meu priminho...”
Não ia dar certo... Papai sabe que odeio o Chrystofer mais do que á professora Rokins. Vamos tentar de novo:
“Papai, o meu primo já é grande e pode tomar suas decisões sozinho, e principalmente decidir com quem vai namorar. Só por que o senhor cuida dele desde o acidente com os tios não significa que tenha que agir como pai dele! E além de tudo, a Shai gosta dele...”
Isso ia dar certo! Vou gravar e depois dizer a ele. Eu ia magoar meu pai, sabia disso, afinal ele se sentia pai daquele idiota, e eu era a única da família que o odiava. Eu ainda me pergunto por que permiti que ele e a Shai ficassem!
Após o termino da palestra fomos para o intervalo de aulas, Aghata veio á mesa que eu estava sentada e começou com as perguntas.
- Ok, você tem que terminar de me contar seu sonho e me dizer quem era ao telefone.
Ela falava com naturalidade, como se eu lhe devesse respostas, garota maniatica, amo ela.
- Bem... No meu sonho eu parei na parte que removi os homens, certo. Depois apareceu uma garota, na verdade era eu também, mas agora, hoje, moderna e me olhei chocada e comecei a chorar levei uma flechada no peito e olhei para mim sorrindo, tentando me acalmar, mas levei outra no coração e não resisti, só vi a mim mesma chorando descontroladamente.
- NOSSA! E no celular?
- Era o imbecil do meu primo, meu pai soube de umas coisas e quer que eu ajude-o a se livrar.
- Que coisas?
- Aghata... não quero falar, mas.., ai droga!
- Anne, conta logo.
- Meu pai soube dele e da Shai e agora quer decapitá-lo.
- Ah.
- Eu sabia que não devia falar sobre ela perto de você, mas...
- Olá meninas, Aghata, quero falar com você. – falou Shai se aproximando.
- Não estou, tente mais tarde. – disse Aghata se retirando da mesa.
- Shai, deixe a poeira abaixar, Aghata ainda esta muito chateada com o que você disse e eu também, então vá se sentar com sua turminha e nos deixe em paz.
Saí dali e fui atrás de Aghata, eu sabia que ela estava certa, mas não quis ser rude com a Shaiene, afinal, por mais que ela tenha ficado com o Chris sabendo que a Aghata gostava dele, não podia negar algo que queria por causa da amiga.
- Aghata, vamos falar de coisas boas, ok? Nada de choro ou cara de bunda.
- Anne, só você! O que quer falar?
- Sobre seu aniversario, é claro! Já tem tudo preparado? Ah, você vai me chamar pra escolher o vestido né?!
- Aiii, tantas perguntas! Bem, sobre as preparações só falta montar, por que já tenho tudo escolhido, o vestido vai ser surpresa, já te chamei para o de quinze anos, agora se contente em fazer apenas a playlist.
- Ah, como você é má! Tudo bem faço só a playlist.
Rimos juntas e falamos da decoração, estávamos intrigadas de alguns por quês, nossos pais insistiram que nossa festa tinha que ser um dia antes da data certa e algumas outras coisas. Comentamos principalmente das musicas que fariam a noite bombar:
1.Pan-americano
2.All the small things (remix)
3.Me hipnotizas
4.Piece of me
5.Not myself to night
6.Me odeie
7.Move your body come on now
8.Sweet dreams
Dentre outras que teríamos que provavelmente remixar, gostamos de metal e rock (sim ela curte rock) e não dava pra colocar por que muita gente gostava de outros estilos.
Os outros dois períodos foram de uma prova de redação que eu desconhecia, pelo menos eu era a melhor em redação, eu falava que pelo menos em alguma coisa eu era melhor que Aghata.
- ANNE ADAMNS!
Ouvi o grito vir de fora da sala de aula, meu pai adentrou o recinto com nenhum pouco de sutileza assustando a todos que estavam presentes.
- Você vai ir comigo para casa agora!
- Mas pai eu...
- Mas pai nada! Levanta daí guria.
- Olha, eu to no meio de uma prova e o senhor ta parecendo um desmiolado que fugiu do Paquistão!
- Você vai ver quem é o desmiolado!
Não é que o coroa tirou seu sapato italiano preferido e deu um grito de guerra!
- Iaaaaaaaah – gritava o doido enquanto eu corria em volta da sala de aula, ele me pagava por esse king-kong! – volta aqui sua mal educada!
- Eu hein, tu que pira geral e fica aí se achando o Tarzan e eu sou mal educada?
Ata!
Podia piorar? Ahh! Por que fui pensar! O retardado do meu primo chegou e deu um sorriso babaca ao me ver.
- Anne, ainda bem que te encontrei! Eu tive que contar pro seu pai que você...
- Iaaaaah! – droga o Tarzan voltou!
- Sai da minha frente! – falei ao correr para fora do colégio empurrando meu primo com meu pai logo atrás e o retardado do meu primo começou a correr comigo e a fúria do meu pai só aumentou.
- Seu... Doido... Sai... De... Perto... DE MIM! – falei ofegante sem parar de correr.
Quando vi já estava no CP e minha escola ficava a 10 quarteirões dali, credo eu não sabia que tinha tanto fôlego, mas esportes nunca foi minha praia mesmo.
- AHHH! – gritei ao ver o Tarzan, quer dizer, meu pai na minha frente.
- Vamos para casa conversar mocinha e seu primo também – gritou mais alto para o retardado escondido atrás de uma estatua.
Chegando á casa fomos para o escritório do papai, isso não é bom sinal.
- Onde você estava com a cabeça quando permitiu que este elemento beijasse a filha do meu melhor amigo Anne?!
- Papai, vou ser sincera com senhor, me da à palavra?
- Claro, quero ver que explicação irá dar!
- Papai, o meu primo já é grande e pode tomar suas decisões sozinho, e principalmente decidir com quem vai namorar. Só por que o senhor cuida dele desde o acidente com os tios não significa que tenha que agir como pai dele! E além de tudo, a Shai gosta dele...
- Já basta! Nessa idade vocês acham que só por que beijaram alguém gostam deste de verdade, não é assim que funciona. Quer ver? Chrystofer, você pelo menos sabe que dia a Shaiene faz aniversario?
- 25 de dezembro tio.
Rá! Bem feito, pelo menos ele sabia disso.
- Você não pode gostar dela de verdade, é um raparigo!
- Tio, eu gosto dela e já sou bem grande para decidir isso sozinho.
Meu pai nos lançou um olhar mortal e subiu para seu quarto.
Christopher saiu para dar uma volta e esfriar a cabeça, eu não sabia o que ia fazer, com que cara eu ia aparecer na escola amanhã? Olhei para o relógio e já era 20h00min, eu tinha que ir para o centro wicca.
Coloquei a roupa que mais gostava de ir ao centro : . E mandei uma mensagem para Aghata me esperar na porta. Ao chegar parei na soleira da porta, eu e Aghata estávamos vestindo a mesma roupa, a não ser pela dela ser azul-forte e o meu vinho.
- Quando você comprou essa roupa? – perguntei
- Ontem, não sabia que você tinha igual.
- Idem.
Entramos e todos ficaram nos olhando, uma garota loira e sorridente chegou e abraçou Aghata eu a conhecia, era a garota parecida com Johnny.
- Anne, esta é Kelly, Kelly, esta é Anne. – Aghata nos apresentou
- Olá Anne – falou educadamente.
- Olá.
Fomos nos sentar e esperar começar o ritual. Hoje seria para escolhermos nossos novos nomes, nomes Wiccas, se desejássemos um, é claro.
O altar já estava pronto, repleto de objetos aparentemente desconexos, mas impregnados de significados secretos. Afinal, papel, caneta, um espelho, velas, água, sal, incensos, nada tinham a ver um com o outro. Foi estranho como tudo aconteceu. Parecia que nós sabíamos exatamente o que fazer, fomos as únicas a não precisar de ajuda. Entoamos naturalmente, uma completando o que a outra dizia, no nosso próprio círculo.
“Eu, Anne Morgana Adamns, uso este nome pela última vez. Eu cresci, eu mudei.”
“Eu evolui para a pessoa que se apresenta perante vocês neste momento. Já não sou mais Aghata Sophia Llyr, e já não tenho mais laços com esse antigo nome que morreu na hora em que eu renasci.”
Segurei o papel em que havíamos escrito nossos novos nomes sobre a vela, cuidando para não queimá-lo e disse:
“Que Anala seja consagrado pelos poderes do Fogo. Que o FOGO me dê determinação, força e a energia existente em suas faíscas, durante toda a minha nova vida.”
Aghata borrifou a água no papel e entoou, no mesmo tom sombrio e aéreo que eu estava usando
“Que Athena seja consagrado pelos poderes da Água. Que a ÁGUA me dê a suave intuição, a profunda e a consciência dos mais profundos mistérios durante toda esta nova vida que nasce.”
Juntas, queimamos o papel e falamos em uníssono:
Abra seu círculo, chame os quadrantes convide as Deidades e diga o seguinte:
Eu ........... (diga o antigo nome) uso este nome pela última vez. Eu cresci, eu mudei.
Eu evolui para a pessoa que se apresenta perante vocês neste momento. Já não sou mais ................ e já não tenho mais laços com este antigo nome que morreu na hora em que eu renasci.
Vá até o altar e escreva seu novo nome no papel. Passe o papel pela fumaça do INCENSO dizendo:
Que.......................... (seu novo nome) seja consagrado pelos poderes do AR. Que o AR me dê a força do intelecto, a claridade da visão a pureza do amanhecer no primeiro instante em que eu tiver da nova vida.
Segure o papel sobre a VELA (cuidado para não pegar fogo)
Que.......................... (seu novo nome) seja consagrado pelos poderes do Fogo. Que o FOGO me dê determinação, força e a energia existente em suas faíscas, durante toda a minha nova vida.
Borrife sobre o papel a ÁGUA e diga:
Que.......................... (seu novo nome) seja consagrado pelos poderes da Água. Que a ÁGUA me dê a suave intuição, a profunda compreensão e a consciência dos mais profundos mistérios durante toda esta nova vida que nasce.
Enterre o papel no sal marinho dizendo:
Que.......................... (seu novo nome) seja consagrado pelos poderes da Terra. Que a TERRA me dê força e solidez, que me conecte com as energias da Mãe. Que me presenteie com uma consciência nova livre do temor das noites escuras.
No caldeirão, queime o papel dizendo em voz bem firme:
Eu sou ............... (nome novo)! Ar, Fogo, ÁGUA e Terra, confirmo meu nome com orgulho. Eu sou .............! Eu sou ....................! Eu sou ...................!
Dirija-se para cada ponto cardeal e diga:
Norte Eu sou ................... que o senhor me conheça a partir de agora!
Sul, eu sou ................... que o senhor me conheça a partir de agora!
Leste, Eu sou ................... que o senhor me conheça a partir de agora!
Oeste, eu sou ................... que o senhor me conheça a partir de agora!
Fique diante do altar e invoque pela Deusa e invoque o Deus.
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