Ele Me Visita Quando Durmo
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“O medo do desconhecido! É o medo do desconhecido que impele todo mundo para os sonhos, paras as ilusões, para as guerras, para a paz, para o amor, para o ódio. Tudo isto é ilusão. É isto o desconhecido. Aceite o desconhecido e será uma viagem tranquila.” (John Lennon)
Dezessete de agosto de 2010, Terça-feira.
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Oi querido Diário.
O dia de hoje não choveu apesar de ser inverno. As ruas poderiam estar repletas de neves, mas por aqui não neva. Nunca senti o suave toque gelado daquele floco batendo em meu rosto e a verdade é que eu sonho em transformar esse desejo em realidade. A paisagem se torna tão bela quando as ruas estão brancas e as árvores repletas de flocos, mas isso eu sei porque vejo bastante na internet.
Falando em internet, por esses dias andei pesquisando bastante sobre relatos de pessoas que tiveram paralisia do sono e acho que isso está afetando meu psicológico de uma forma bem louca porque acabei tendo isso novamente. A experiência desta vez foi a seguinte:
Abri os olhos e tudo estava claro por causa da luz do sol que vinha da janela. Meu corpo estava deitado de lado, uma das posições com qual eu me sinto mais confortável dormindo. Tudo estava calmo, mas notei que tinha alguém deitado atrás de mim. Senti meu corpo completamente imóvel e me recordei da paralisia do sono. Tomei ciência que estava passando por isso novamente e me esforcei a acalmar para fazer dessa situação uma experiência agradável. Minha respiração começou a ficar tranquila e tentei tomar controle da situação, mas algo não deu certo porque eu ainda continuava sentindo a respiração desse ser atrás de mim e uma de suas mãos atreveu a subir por meu corpo e apertar um de meus seios. O desespero começou a tomar conta de mim e algo comprido encostou-se a minhas nádegas enquanto senti lábios suaves beijarem minha nuca. Eu não consegui compreender essa situação, mas tentei me mover a todo custo e foi assim que consegui acordar.
Essa paralisia foi mais erótica que a anterior e me perguntei por um longo tempo se andei pensando em sexo ou coisas do tipo. A verdade é que não. Nunca desejei isso, nem cheguei a ver filmes pornográficos na minha vida. O máximo de contato íntimo que tive foi um beijo sem graça com um garoto nerd que era bem tímido. Por um instante acreditei na existência de Íncubos, ao mesmo instante neguei esse tipo de pensamento. Mas aquilo foi bastante estranho e isso eu tenho que admitir. Tão estranho quanto a aquela sombra e o desaparecimento do garoto de cabelos negros.
Por falar nele, aquele dia na biblioteca, quando corri a fora procurando por sua incrível beleza, não o encontrei. Eu não sei se imaginei sua presença ou se ele correu, mas sumir daquela forma me deixou com uma sensação esquisita. Parecia até que ele podia se tele transportar, mas isso não é possível.
Hoje foi mais um dia tedioso de aula e para minha infelicidade os garotos resolveram ficar o tempo todo me irritando. Eu tentava me concentrar nas aulas, mas os idiotas insistiam em jogar papeis em minha cabeça, muitas vezes até babados. Desta vez eu não aguentei e quando chegou o horário de ir, peguei um deles na saída socando aquela face que ele considera linda. Pouco me importa deixa-lo roxo e tive de correr, fugindo, quando os amigos dele se aproximaram, sou forte mais não mulher maravilha. O mais esquisito de tudo foi ter me esbarrado em alguém e fiquei tão surpresa ao ver aquele garoto de cabelos tão escuros a minha frente, quase caí ao chão, mas ele me segurou e para meu alívio àqueles imbecis já haviam desaparecido de minha vista há algum tempo. Felizmente sou boa em despistar.
Agradeci, um tanto sem jeito e ele abriu um sorriso, revelando seus belos dentes brancos. Minha bochecha neste momento se aqueceu, talvez pela beleza de seu sorriso. Pude notar que ele era bastante alto e que seus olhos eram os mais lindos que já avistei, possuindo uma tonalidade cinza. Fiquei completamente encantada e forcei meus lábios para ao menos descobrir seu nome. “Sou Hellen, como você se chama?”. A atitude dele me deixou espantada. Ele poderia simplesmente ter dito seu nome, mas ao invés disso franziu o cenho e virou o corpo em direção contrária, correndo. Eu poderia muito bem tê-lo seguido, mas fiquei de cara com sua falta de educação. Parece que ele só tem beleza porque no fundo é mais um idiota.
Voltei para casa com os nervos a flor da pele, Florence não havia chegado ainda e foi melhor assim. Encontrá-la do jeito que eu estava iria dar em encrenca e já basta de confusão por hoje. A melhor solução para a minha irritação no momento era me trancar no quarto e ler alguma coisa. Peguei meu notebook e comecei a procurar sobre íncubos. A verdade era que nada do que lia me acalmava e o mais estranho de tudo foi minha janela se fechar de uma vez, sozinha.
Sabe quando seu coração está para saltar pela boca? Foi isso que senti e no exato momento sai deste quarto e me encontrei com Florence, que segurava umas sacolas nas mãos e franziu o cenho a me ver. “Está tudo bem contigo?”, perguntou-me. Acredito que minha cara estava pálida e ela acabou por deixar as sacolas acima da mesa e veio em minha direção. “Ellie, está tudo bem?”, falou novamente, mas eu não tinha forças para responder principalmente quando uma sombra em forma de homem ficou logo atrás dela. Comecei a gritar, apontando na direção, mas ao se virar, ela nada encontrou porque a coisa simplesmente desapareceu.
Eu não sei se aquilo foi imaginação, mas minha janela continua fechada e não fui eu a responsável por isso. Florence me deu um copo de água, falando que talvez eu estivesse estressada e por isso vi coisas. Eu sei que tudo não se passou de algo psicológico, mas foi tão aterrorizante e não quero passar por isso novamente. O problema é que tenho uma leve impressão de que tudo está sendo apenas um começo.
Quer saber, Diário, até agora estou com medo e acho que esta noite eu durmo de luz acesa, prefiro não arriscar em ver minha janela se mover sozinha ou uma sombra aparecer sem explicação alguma. Agora vou encerrar minha escrita, até outro dia e espero que você consiga dormi bem, porque acho que essa noite será longa para mim.
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