“Os inimigos que não perdoamos dormirão em nossa cama e perturbarão nosso sono.” (Augusto Cury)

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Dezenove de agosto de 2010, Quinta-feira.

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Querido Diário.

Estou tremendo. Acabei de ter uma experiência mais assustadora que uma simples paralisia do sono. Talvez tenha até sido, mas parece que cada vez estão piores. Ainda é madrugada e eu tenho medo de olhar para os lados e acabar encontrando alguma sombra. O que aconteceu comigo foi o seguinte, abri os olhos e mais uma vez senti meu corpo paralisado. Irritei-me, quase não acreditando que novamente estava passando por isso. Um peso depositou em meu corpo, que estava virado para o teto, e isso me assustou. Meus olhos estavam abertos, mas nada era visível por causa da escuridão, só senti um corpo acima ao meu. Tentei me mover a todo custo e só consegui quando senti algo tocar minhas bochechas. Suspirei aliviada, mesmo com a queda provocada pelo movimento brusco.

Eu estava sentada ao chão, com a coluna apoiada na cama, respirando ofegante, mas um par de pernas entrou em minha visão. Levantei meu olhar, observando aquele homem parado a minha frente; não consegui ver seu rosto, estava escuro demais para isso. O meu coração acelerou tanto que chegou a doer. Levantei-me para correr, tentando driblar esse estranho, mas um de seus braços agarrou minha cintura e me jogou na cama, depositando o peso de seu corpo acima de mim. Eu senti seus lábios se movendo em vários beijos por meu rosto e o seu cheiro penetrava minhas narinas. Debati-me, tentando afastá-lo, inclusive resolvi gritar para que Florence me ajudasse, mas no exato momento ele selou seus lábios com os meus e pude sentir seus olhos me encarando, eu não os via, mas sabia que me olhava. Afastei meus lábios e implorei em um sussurro para que ele fosse embora. O mais esquisito foi que no exato momento ele desapareceu como se tivesse se tele transportado ou simplesmente virado um pó misturado com o ar.

Corri até o interruptor e acendi a luz. Nunca me senti tão assustada como estou agora! Tentei acreditar que foi obra de minha mente, mas desta vez tenho dúvidas. O que seria aquele homem?! Eu não tenho ideia alguma. Talvez fantasmas realmente existam e um resolveu me importunar. Acho melhor esquecer isso, no momento, e tentar dormir. Se eu conseguir.

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Oi, voltei!

Eu dormi com bastante dificuldade, mas para isso precisei me embrulhar da cabeça aos pés o que foi sufocante, literalmente. Para meu alívio não fui interrompida por uma criatura sinistra durante a noite.

Acordei com o horário um pouco tarde e só tive tempo para fazer minha tarefa escolar de Biologia. Não tomei café da manhã, não almocei e tive de ir para o colégio com o estômago implorando por comida, isso sem falar o psicológico que estava na pior das condições. A qualquer lugar que eu andava, olhava para os lados com medo de ver aquele ser novamente, até mesmo na escola. Eu não consegui prestar atenção nas aulas e fui liberada mais cedo porque o professor de física disse que a temperatura de meu corpo estava alta demais. Eu não acredito que estou doente, aquele frio irritante e tremedeira eram só consequências do medo e não de uma febre.

Quem me trouxe aqui em casa foi uma senhora que trabalha no colégio, já que Florence estava trabalhando e, segundo eles, seria irresponsabilidade demais deixar uma aluna queimando de febre ir sozinha para a casa. No meio do caminho, dentro do carro, eu olhava a paisagem e acabei por ver aquele garoto de olhos cinza. Ele estava com o dorso apoiado em uma árvore e seu olhar estava no carro, em minha direção. Quando pisquei os olhos, o rapaz não estava mais lá e foi nesse momento que realmente tive dúvidas se eu estava doente ou não, porque acho que alucinei.

Chegar a casa poderia ter me sido um alívio, mas não foi. Eu não queria ficar sozinha e por um momento pensei em vagar pela praça ou na biblioteca, mas meu corpo estava esquisito, fraco e cansado. Parecia que por questão de poucos minutos atingi uma idade avançada. Caminhei até o quarto e deitei-me em minha confortável cama Box solteira. Rapidamente peguei em um sono e esse era para ser meu momento de paz. Mas não foi.

Sonhei com coisas totalmente esquisitas. Na beirada de minha cama havia muitas mãos que tentavam me segurar e muitas até conseguiam. Umas prendiam meus pés, outras minhas mãos, algumas até puxavam os fios de meus cabelos. Eu gritava, gritava até não possuir mais voz, mas nada adiantva. Ninguém vinha me salvar. A porta de meu quarto se abriu e vi aquele rapaz lindo de pele tão clara e olhos tão sinistros que fizeram meu coração pular. Gritei, pedindo por socorro e ele veio até mim, observei seus passos rápidos e seu cabelo negro balançar de acordo com sua movimentação. E de repente todas aquelas mãos sumiram, mas eu ainda estava presa. As mãos dele prendiam meu pulso e seus lábios estavam em um sorriso malévolo que me aterrorizou bastante. Tentei me soltar, mas ele era mais forte. Tentei gritar, minha voz não saia. O que mais me apavorou foi perceber meu corpo nu e aquele rapaz tão belo metamorfosear-se tão rapidamente. Os cabelos que eram negros agora estavam bem alvos, sua pele branca e cremosa agora parecia ressecada e rachada. Seus lindos olhos cinza agora estavam vermelhos e sua boca abriu-se, revelando dentes pontiagudos. Eu queria chorar, eu queria fugir e comecei a gritar desesperadamente no momento que ele abaixava aqueles lábios para me morder.

Abri os olhos com Florence me sacudindo. Seus olhos verdes estavam arregalados e sua mão magra media minha temperatura tocando a testa molhada pelo suor. Eu estava tão assustada que meu corpo tremia de frio. “Pesadelos? Você gritava tanto.”, disse Florence, mas nada respondi. Não tinha forças para falar algo e acho que ela compreendeu porque somente pegou meu edredom e cobriu meu corpo. “Descanse, vou preparar um chá”, falou enquanto saía de meu quarto, deixando-me inerte em pensamentos conturbados.

Às vezes eu acredito estou enlouquecendo. A cada dia que passa as coisas ficam mais malucas e me pergunto se isso tudo vai piorar. Deitada nesta cama, sentindo o cheiro de chá, escrevo tudo isso e tenho certeza que se alguém lesse essas palavras, me chamaria de louca.

Encerro por hoje e até outro dia.

Notas finais
Então, o que acharem meus amores? Obrigada a todos que comentaram e/ou leram até agora minha fic. Beijos