Eldrwin E O Medalhão Real

2 A reunião de emergencia


O dia raiou com um sol bem forte e brilhante pelos céus naquele dia. A noite anterior porém, demorou bastante á passar para todos que estavam no castelo. Todos andavam agitados de um lado para o outro e praticamente nenhuma unica pessoa dormiu. A família real havia sido atacada e não havia sequer nenhuma evidencia que levasse á algum inimigo sequer.

Eldrwin ainda não havia saído do castelo e justamente neste dia, diferente do inicio da primavera passada em que era um simples membro da pequena guarda, o jovem sentava-se pela primeira vez á mesa de uma grande sala prestes á ter uma reunião de ultima hora com Villian e Jedah.

Agora com 17 anos de idade, o jovem guerreiro era notado no reino por ser um treinador juvenil no qual todos se admiravam. Seus olhos bem azuis corriam pelas paredes rochosas. Seus cabelos castanhos escuros longos e rebeldes cresciam até um pouco abaixo das orelhas. Ele estava pensativo, é claro, foi um lance de grande sorte ter se oferecido justamente aquela noite para servir de guardas costas do rei, fato que era muito difícil de acontecer.

O silencio perturbador da sala então se interrompeu com a porta de carvalho que se abriu. Um sujeito alto e magro adentrou na sala. Tinha cabelos castanhos bem claros e olhos verdes bem vivos. Trazia consigo uma expressão de confiança tremenda pelo rosto e trajava, assim como seu companheiro uma especie de armadura na cor marrom. Ele caminhou até a mesa onde Eldrwin estava sentado e disse em seguida.

–Praticamente um ano depois de termos ido aquela caverna e quase sermos mortos as coisas voltam á acontecer assim desse jeito?!

–Bom Kairou. Era um guerreiro negro, mas o que mais me chama atenção é outra coisa ainda mais intrigante!

Kairou estudou seu amigo por alguns segundos em silencio e tornou á falar insatisfeito.

–Ah sim! Vai querer dizer que gostaria muito de ser atacado em algum beco escuro no inicio da noite no lugar do rei estou certo? Pelos céus!

–É claro que não! — Protestou Eldrwin falando alto — Não ouviu o que o guerreiro falou antes de nós o destruirmos?

–Amigo. Nem me passava pela cabeça que estes guerreiros negros ainda soubessem falar!

–Ora Kairou deixe de ser tolo! O guerreiro falou sobre um tal medalhão! O medalhão re...

A porta novamente se abriu e desta vez adentrou uma bela jovem de cabelos bem loiros amarrados para trás com uma pequena trança. Anya expressava um rosto no qual era difícil saber se era de furia ou de medo. Se aproximou caminhando rápido em direção á Eldrwin e á Kairou e soltou uma nervosa declaração.

–UMA ÚNICA NOITE QUE VOCÊS PASSAM NO CASTELO E MEU PAI JÁ É ATACADO POR GUERREIROS NEGROS?! ISTO É UM ABSURDO! — E sentou-se em seguida do outro lado da mesa frente á Kairou com o rosto vermelho e os olhos faiscando.

–Ora a culpa não foi nossa! Até então desde a ultima busca na caverna nada aconteceu! Como que nós iriamos adivinhar que o rei seria atacado? — Respondeu Eldrwin descontente e gesticulando sem parar.

Eis que á frente da porta aberta pelo corredor que se seguia, Gallic vinha andando nervoso e pisando fundo. A coroa em sua cabeça tremia e sua capa se arrastava pelo chão.

Logo atrás dele, um senhor de cabelos longos bem brancos e barbas longas também brancas seguia segurando um cajado prateado na mão direita e logo atrás , um guerreiro alto com o porte reto e expressão fechada caminhava. Tinha um cabelo negro longo e uma cicatriz do lado direito do rosto que se iniciava na testa e seguia até a altura do queixo.

Os três entraram na sala e o rei seguiu para a ponta da mesa e se sentou. Logo atrás estava um lareira apagada.

Jedah, o velho, também sentou-se mais precisamente, ao lado direito do rei e Villian ao lado esquerdo.

Eldrwin, Kairou e Anya estavam quase na extremidade oposta bem tensos e em silencio. A porta então foi fechada por dois guerreiros armados de lanças e que estavam do lado de fora. Jedah olhou para Eldrwin e Kairou e disse com sua voz rouca e calma em seguida.

–Vocês dois desempenharam um papel de grande importância durante á noite rapazes. Não saberíamos o que poderia acontecer se caso os dois não estivessem de guarda coincidentemente no andar do quarto do rei.

–Acredito que qualquer outro guerreiro também faria o mesmo Jedah — Disse Eldrwin ainda tenso por estar ali sentado naquela mesa como se fosse algum chefe de tropa.

–Pois pode acreditar que não meu jovem! — Começou á dizer Villian com sua voz grave e estridente — Ninguém no reino foi atacado por guerreiros negros além de você, Kairou e Anya. Possuem certa experiencia para lidar com isso.

–Foi algo digno de todas as honras possíveis, guerreiros! Disse o rei com a voz ainda trêmula — Isso me pareceu muito com o que aconteceu anos atrás para dizer a verdade.

Todos ficaram em silencio olhando para o rei que prosseguiu dizendo.

–Uma certa ocasião. Um certo guerreiro também protegeu a família real de um ataque familiar ao que aconteceu ontem á noite. Ele conseguiu deter o assassino. Devo a minha vida á ele, mas a grande questão é como guerreiros negros invadiram o castelo?

–Papai — Disse Anya se colocando de pé e falando descompassada — Hasef e Amis, aqueles traidores com certeza tentaram de alguma forma matar o senhor enviando um guerreiro negro por vingança pelo que aconteceu na primavera passada. Se eu os encontrar...

–Anya! — Gritou o rei com vigor e em voz alta — Apesar de ser uma guerreira do exército, não se esqueça que ainda é a minha filha. Não quero que você saia por ai procurando pelos inimigos, quaisquer que sejam sozinha está bem? Isto além de ser um pedido de seu pai é uma ordem!

A princesa do reino sentou-se rabugenta e com os braços cruzados. Eldrwin se colocou á dizer então

–O guerreiro negro... Ele estava atrás de algo. Ele disse o nome antes de ser destruído por nós.

todos fitaram Eldrwin com toda atenção possível ainda em silencio.

–E que ele disse que procurava? -Perguntou Jedah.

–O medalhão real... O que é o medalhão real? Outro talismã mistico como o pergaminho de Orion?

Os olhos cansados e penetrantes de Jedah correram de Eldrwin para Gallic e depois para Villian e voltaram novamente para Eldrwin que ainda estava em silencio.

–É algo que está um pouco além do nosso conhecimento majestade! Talvez devêssemos...

–AINDA NÃO! — Novamente disse o rei falando bem sério — Faremos o possível para que isto seja algo visto como última opção! Seria uma ação totalmente precipitada.

Eldrwin, Kairou e Anya se entreolharam confusos com os olhos completamente imersos em um mar de dúvidas. O rei então colocou-se em pé e ordenou aos jovens.

–Muito bem. Vocês nos forneceram informações valiosas. Agora peço que se retirem. É algo que somente nós três temos que discutir. Estão dispensados.

–DISPENSADOS? Mas ocorreu um ataque! — Novamente começou á dizer Anya em um tom alto de voz — Nós três somos os guerreiros que mais temos experiencia em lidar com este tipo de situação e além do mais...

–DISPENSADOS ANYA! — A voz do rei bradou como um trovão. Os jovens foram se levantando em direção á porta completamente constrangidos. Abriram-na e seguiram pelo corredor deixando o rei, o guardião do reino e o chefe da guarda real sozinhos enquanto ouviam a porta novamente bater forte atrás deles.

–Não acham que está igualzinho á antes? — Perguntou Kairou á Eldrwin que estava confuso e á Anya que parecia que estava prestes á explodir. — Quer dizer, houve um ataque, e agora o nome de algo que está sendo procurado. Será que é um misticismo de repetição de tempo?

–Seja lá o que for, com certeza tem o dedo de Dmitri nesta história! Disse Eldrwin.

–É injusto eles não deixarem nós sabermos o que vai acontecer! — Rosnou Anya.

–Bom da ultima vez conseguimos descobrir tudo por conta própria então... Disse Eldrwin com os olhos mais brilhantes como se estivesse prestes á dizer algo intensamente maravilhoso.

–O templo de pergaminhos não é? — Replicou Kairou.

–Alguém tem algo para fazer hoje á tarde? Não? Então é para lá que nós vamos! — Respondeu Eldrwin sorrindo largamente.