—Em primeiro lugar! vocês precisam saber que o verão se aproxima! e quando isto acontecer, vocês se apresentarão á novos treinadores. É exatamente por isto que é muito importante que todos se dediquem o máximo neste restante de ano até trocarem de classe. ENTENDIDO?!

Todos responderam em uníssono

—SIM SENHOR!

Eldrwin estava em um bosque agradável com a luz do sol quase do inicio da tarde lhe ardendo a cabeça. Era o final de mais uma manhã de treinamento e seu pelotão era o pelotão dos novos guerreiros que foram integrados á pequena guarda no inicio do verão logo após ele, Kairou e Anya terem sido promovidos á treinadores juvenis. Um grupamento de cinquenta jovens, distribuídos entre garotos e garotas de dez anos de idade. Todos de olhar bem esperto e astuto portando algum tipo de arma. Espadas, Machados, Arcos e flechas, Tacapes, Escudos ,porém todos os equipamentos ainda eram de madeira. Armas de verdade só eram entregues quando os jovens completavam doze anos de idade.

Em meio á conversas, risadas e alguns gritos, Kairou saiu do meio do pelotão sorrindo. Ele era o parceiro de treino de Eldrwin que ensinava aos jovens alguns ataques simples e algumas defesas que poderiam ser úteis em batalhas enquanto ele, tendo mais experiencia desde que invocara fogo, ajudava os jovens que porventura haviam despertado a força mística a como envolverem suas armas com o misticismo que despertaram.

Os garotos e garotas, agora dispensados, iam seguindo para fora do bosque ainda conversando uns com os outros e Kairou ia andando em direção á Eldrwin que ainda falava com um dos jovens.

—Não se esqueça de praticar quando estiver sozinho está bem?

—Ora este tem sangue do irmão correndo nas veias Eldrwin! — Disse Kairou pomposo enquanto colocava a mão sobre a cabeça do irmão mais novo Kamã, que havia ingressado na pequena guarda.

—Mas eu vou ser um guerreiro muito mais forte que você! — Protestou Kamã enquanto seguia para fora do bosque mostrando uma careta feia para o irmão mais velho.

—Deve estar passando mal este garoto! — Disse Kairou constrangido enquanto olhava para cima como se quisesse disfarçar o constrangimento devido a provocação do irmão.

—Ou está mais saudável do que nunca — Disse Eldrwin soltando um riso tímido enquanto começava á caminhar para fora do bosque com Kairou logo atrás.

—E quanto ao templo de pergaminhos? Anya disse que nos encontraria lá logo pelo começo da tarde. Temos que nos apressar para o almoço.

—Ainda estou tentando entender como foi que aquele guerreiro entrou no castelo Kairou. Não acha que foi muita coincidência? Justamente na noite em que nós ficamos de guarda um ataque desses acontece. — Dizia Eldrwin enquanto franzia a testa agoniado e insatisfeito.

—Mas procuramos pela caverna. Pelo menos pelo que sobrou dela. Não havia sinal de Dmitri e pelo visto, o que ele queria era apenas o pergaminho de Orion.

—E quanto ao tal medalhão? Um guerreiro negro dizer com todas as letras o que procura? Não é obvio? Com certeza Dmitri ordenou o ataque.

Os dois agora estavam saindo do bosque e já começavam á seguir para uma área um pouco mais movimentada do reino, se misturando com as pessoas que passavam de um lado para o outro sem parar.

—Só iremos descobrir alguma coisa quando sabermos o que é este tal medalhão Eldrwin.

—E o que Jedah quis dizer com isto estar além do nosso conhecimento?

Os dois agora se aproximavam de uma praça circular bem grande com várias barracas de madeira onde continham variados tipos de itens, desde frutas e verduras á equipamentos de batalha. Muitas e muitas pessoas paravam por lá conversando alto e gesticulando freneticamente.

—Da ultima vez foi fácil por que aquele velho Amis nos ajudou á descobrir o que era o pergaminho, mas desta vez não há ninguém! — Disse Kairou coçando a cabeça sem parar.

—É! E ele no fim acabou se revelando como um traidor que quase nos levou para a morte não é? — Respondeu Eldrwin firme querendo a concordância do amigo ao seu lado — É mais seguro descobrirmos por nós mesmos e nem preciso dizer que Jedah não quer que o que aconteceu se alastre pelo reino então nós temos que ter descrição em tudo que formos fazer está bem?

Caminharam mais um pouco e agora estavam na rua da casa de Kairou. Uma rua longa cheia de pequenas curvas e casas de cores diferentes.

A casa de Kairou era feita de tijolos brancos. Possuía dois pavimentos e janelas na cor marrom bem largas, distribuídas ao lado de uma porta também marrom. Á frente da casa, servindo de acesso á porta, seguia um lance de escadas com três degraus. Fumaça saia da chaminé atrás da casa e denunciava que o almoço estaria quase pronto.

—Finalmente chegamos! — Soltou uma pesada declaração Kairou dirigindo-se para a porta de sua casa. Até que ouviu gritos altos vindos de dentro da residencia.

—Mas o que está acontecendo?! Kairou! Gritos! Alguma coisa está acontecendo dentro de sua casa!

Mais do que rapidamente, Kairou abriu a porta com violência a fazendo bater na parede e por pouco voltar no rosto de Eldrwin. Ele seguiu para a cozinha desesperado de onde se vinha os gritos e quando chegou ao recinto teve uma grata surpresa. Parou por ali mesmo e ficou mudo com a cena que presenciava.

Eldrwin chegou logo atrás assim como Kairou parou de súbito olhando a cena.

Kamã estava com sua espada de madeira envolta em chamas. Os olhos verdes estáticos olhando para o fogo. O senhor Kaiou, pai de Kairou e a senhora Ethna estavam emocionadíssimos. O filho mais novo havia conseguido despertar seu poder místico após colocar a pequena arma nas chamas da fornalha e agora o fogo se mantinha tremulante.

—Com dez anos? DEZ ANOS? — Disse Kairou boquiaberto observando seu irmão mais novo com a espada erguida.

—Realmente seu irmão não brincou quando disse que iria ser melhor que você Kairou! — Disse Eldrwin sorrindo baixinho contemplando a expressão estupefata do melhor amigo ao seu lado.