Ei, esse Seme é meu!
1 Águas passadas - Aliados
Notas iniciais
Para ler a primeira temporada clique aqui.
"Deixa rolar
Deixa fluir
Só não deixe de aprender
Pode voltar, pode te confundir
Só depende de você”
On. Pov Kuroko
– Aaah... Usagi-san... Ore mo...
– Misaki, omae wa kawaii...
– Uhn… U-Usagi-san… Lie… Aaaah….
– Misaki…
A tela do computador apagou.
– QUE PORRA...! – berrou Momoi.
– KURO-CHAN! COMO OUSOU FAZER ISSO NA MELHOR PARTE?! – Riku quase arrancava os poucos cabelos que tinha.
– QUE PORRA DIGO EU! – reclamei largando a tomada do computador no chão. – POR QUE VOCÊS TÊM QUE ASSISTIR ISSO NA MINHA CASA, NO MEU QUARTO?! NÃO TÊM MAIS TETO NÃO, É?
Momoi encolheu-se feito um feto e fiz um bico.
– A net lá de casa tem limite de donwload... – choramingou a rosada.
– Entendo sua dor amiga! – Riku a abraçou e elas começaram a chorar juntas. – OH! MUNDO CRUEL! POR QUE EXISTE INTERNET COM LIMITE DE DONWLOAD?
Eu mereço...
– Tá bem! – cedi. – só mais dois episódios e pronto! – conectei o computador a tomada.
– EU TE AMO KURO-CHAN! – Riko lançou-se em cima de mim.
– VOCÊ É PERFEITO TETSU-CHAN! VAMOS CASAR! – Momoi jogou-se também.
As lerdas não deviam ter nenhum conhecimento sobre as leis da gravidade, pois eram pesadas demais e me derrubaram no chão numa posição completamente ecchi.
Aqueles melões que Momoi chamava de peitos estava me sufocando, ela cairá de quatro em cima de mim. Já Riku cairá entre minhas pernas, enroscando as dela as minhas.
E, obviamente, alguém TINHA que abrir a porta naquele momento.
– Uou! – disse a pessoa que entrou rindo. – desculpa! Interrompi algo Tetsuya? Achei que o pervertido fosse eu.
Eh...? Só havia uma pessoa que falava assim e invadia o meu quarto quando bem intendesse.
– OGIWARA! – empurrei as duas de meu colo e me joguei em cima dele, abraçando-o a ponto de esgana-lo. – MEU DEUS, HÁ QUANTO TEMPO!
Ele riu e afagou meus cabelos.
– Senti sua falta... Tetsuya.
Ogiwara Shigehiro era meu amigo de fraldas (WTF?), enquanto havia conhecido Kise e Aomine lá pros meus seis anos, conhecia Ogiwara desde que estávamos nas barrigas de nossas mães (isso é possível?), fomos criados quase como irmãos, até fazermos doze anos e ele ter que viajar para o exterior junto a família depois da morte de seu pai, no mantivemos contato por esses últimos quatro anos, mas era mínimo, cerca de uma vez por mês nos falávamos por telefonemas ou Skype.
– Eu senti tanto a sua falta também! – choraminguei.
Shigehiro apenas riu e me abraçou apertado.
– Você... Não cresceu nada. – disse ele.
Acertei uma tapa em sua cabeça com a expressão emburrada, mas logo tornei a sorrir.
– Você ficou mais alto! – surpreendi-me por vê-lo uns quinze centímetros mais alto que eu. – ficou tão diferente! Tão bonito!
– Muitas coisas mudaram nesses últimos anos Tetsuya. Mas... Não encontrei nenhum amigo como você.
Meu sorriso amplificou-se ainda mais, eu só me sentia feliz assim perto dele... Apenas por um tempo consegui sorrir daquele jeito com o Taiga...
Lembrar-me dele fez meu sorriso morrer e meu rosto corar.
Aquele... Idiota...
– Tetsuya, tudo bem? – perguntou o moreno franzindo a testa.
– S-Sim! – menti. – estou bem!
– Mentira. Eu te conheço. – segurou meu queixo com sua mão larga. – o que aconteceu?
– Nada...
– Não minta pra mim Tetsuya. – repreendeu-me deixando os dedos deslizarem até meus cabelos, colocando uma mecha atrás de minha orelha. – estou preocupado, me diga o que aconteceu.
– Já disse que não aconteceu nada! – saí de seu abraço. – vocês duas morreram aí, ou o que? – olhei para as duas Fujoshis que continuavam largadas no chão.
– É que... – disse Riku segurando as mãos de Momoi.
–... Vocês dois são tão... – disse a Rosada com os olhos brilhando.
–... SHIPPAVEIS! – completaram.
Engasguei com minha própria saliva e comecei a tossir, sentindo meu rosto aquecer.
– COMO É QUE É?! — eu quase berrei.
– Isso é perfeito Kuro-chan! – disse Riku sonhadora. – depois de um fim de relacionamento e sentimentos conturbados sobre com quem deve ficar, eis que surge seu melhor amigo de infância...
–... Os dois sempre unidos – agora Momoi era quem voava. – ele irá te consolar, e aí vai perceber que te ama e vocês perceberão que seu amor é reciproco, se unirão e ficarão juntos!
– Tão...
– Tão...
– LIME! – elas gritaram e desmaiaram no chão ao tempo que um jato de sangue explodia de seus narizes.
QUAL O PROBLEMA DESSAS DUAS?!
– JÁ CHEGA DESSA PALHAÇADA! – agarrei-as pelos pés e as arrastei para fora do quarto. – VÃO PRA CASA DE VOCÊS! ESQUEÇAM OS EPISODIOS!
– M-Mas Kuro-chan...
– Tetsu-chan...
– FORÁ! – dei uma voadora (???) e elas saíram correndo.
Suspirei pesadamente e tranquei a porta do quarto, voltando-me para Shigehiro.
– Desculpe por isso... – suspirei.
Me surpreendi ao olhar para seu rosto. Havia um misto de surpresa, vergonha, irritação, parecia estar com...
Ciúmes?
“Águas passadas só irão afogar alguém
Que desistiu de lutar
Seja forte e não se deixe levar
Pois a fraqueza é o mal querendo entrar”
– Que história é essa de “fim de relacionamento”? – perguntou erguendo uma sobrancelha.
Puta que pariu...
Deixei de informar a vocês uma coisa: Eu nunca havia contado para Shigehiro que era gay.
– Ah, bem... É... Eu...
– Tetsuya você é gay?
– Etto... Olha eu... Bem eu...
– Você é gay. – era uma afirmação, não uma pergunta.
Meu rosto ruborizou violentamente e encarei o chão.
– S-Sim... Eu sou gay. – admiti.
Ouvi Shigehiro soltar um suspiro... Ele me parecia aliviado... ESPERA! “ALIVIADO?”.
– Não está com nojo de mim? – franzi a testa.
– Por que teria nojo de você Tetsuya? – Shigehiro sorriu e me abraçou. – só estou aliviado.
– Hein? Por quê?
– Eu também sou gay.
– EEEEEEEEEEH?!!! – fiquei chocado.
Ok. Se fosse outra pessoa eu entenderia. MAS SHIGEHIRO ERA O RAPAZ MAIS HÉTERO QUE EU CONHECIA. Desde quando éramos pivetes ele vivia se pegando com as meninas que adoravam seu jeito romântico.
– COMO ASSIM?! – eu quase tive um infarto.
– Qual o problema? – ele se afastou um pouco e se sentou em minha cama. – é tão difícil assim acreditar?
– É!
O moreno apenas riu e segurou meu pulso, puxando-me para seu colo.
– Achei que não fosse me aceitar... – disse ele.
– Deu sorte. – eu poderia rir se não estivesse tão chocado. – mas acho que jogaram uma praga para mim... Noventa e nove por cento dos homens que conheço são gays...
– Hm... – enroscou os dedos em meus cabelos e olhou para um ponto qualquer do quarto. – o que elas quiseram dizer com “fim de relacionamento”? – insistiu.
Suspirei, até eu falar, ele continuaria a perguntar.
– Eu... Namorei com um cara por um tempo... Quatro meses.
– E...?
– Hm... Ele... Me traiu. Aí nós terminamos.
– O QUE? – Shigehiro quase gritou.
– Aí, meus ouvidos... – reclamei.
– Ele te traiu?! Quem esse cara pensa que é?!
– Se acalme Shigehiro...
– ME ACALMAR PORRA NENHUMA! VOU MATAR ESSE DESGRAÇADO! – tentou levantar-se da cama, mas abracei sua cintura com força, impedindo-o de se mover.
– Acalme-se Ogiwara... – suspirei deitando minha cabeça em seu peito. – está tudo bem.
– Mas...
– Shh. – olhei para ele. – eu estou bem. – mentira. – só... Preciso descansar, ok?
– Está bem. – ele respirou fundo e sorriu gentilmente. – mas estou preocupado Tetsuya, você é puro demais...
– Não. Não sou.
– Hein?
– Eu e ele já... – minhas bochechas esquentaram. – é... Já fizemos algumas vezes.
– AN?! – ele tentou levantar-se de novo, mas segurei-o com ainda mais força.
– Fique quieto. – reclamei. – eu já não disse que estou bem? Agora relaxe.
Aconcheguei-me em seu colo e senti uma de suas mãos acariciar minhas costas, num gesto carinhoso.
– Senti muito a sua falta Ogiwara... – disse novamente.
– Eu também Tetsuya... Eu também...
“Quem foi que disse que seria fácil?
A dificuldade engrandece a conquista
Debaixo da ponte espero a tempestade
Mas quando ela passar eu dou a volta por cima”

Off. Pov Kuroko
“Águas passadas só irão afogar alguém
Que desistiu de lutar
Seja forte e não se deixe levar
Pois a fraqueza é o mal querendo entrar
Não deixe ele entrar”
On. Pov Kagami
Mudei de posição na cama pela milésima vez e olhei para meu celular, observando o papel de parede que era uma foto de Kuroko tentado comer um de meus hambúrgueres, seu rosto sujo de Ketchup e segurando a comida com ambas as mãos. Uma cena uma tanto quanto fofa.
– Você sempre foi tão fofo Tetsuya... – murmurei.
Lembrava-me muito bem do dia em que havíamos nos conhecido...
Início do Flash Back
“Vivo o momento antes que o tempo possa acabar!”
Estava andando pelos corredores, quando alguém segurou timidamente a manga de meu uniforme.
– Hm? – virei-me.
Um garoto realmente bonito, com olhos e cabelos num azul intenso olhava para mim com um tanto de desespero no olhar, as bochechas levemente coradas e as mãos tremulas.
– Hm... É... Com licença... Você é um veterano, né? – apontou para o meu uniforme.
– Sou – observei seu moletom. – você é um primeiranista certo?
– S-Sim... P-Poderia me dizer onde fica o dormitório?
Sorri de lado.
– Estamos no dormitório.
O garoto corou até a raiz dos cabelos e largou meu uniforme.
– D-Desculpe incomodar.
– Tudo bem. – sorri abertamente. – está realmente perdido aqui, não é? Esse colégio é bem grande.
– S-Sim! Obrigada...- afastou-se de mim.
Virei de costas, preparando para ir em bora, quando senti novamente alguém segurar meu uniforme.
– É... D-Desculpe... – era o azulado novamente. – mas como eu chego nesse quarto aqui? – mostrou-me um papel.
Não resisti, dei uma risada, aquele garoto era realmente fofo.
– Eu te levo lá. – falei. – venha. – segurei sua mão e o guiei pelo corredor.
O menor ruborizou e me seguiu mantendo a cabeça baixa.
– Ah, antes que eu me esqueça... Me chamo Kagami Taiga. – falei. – você é...?
– K-Kuroko Tetsuya. Éum p-prazer conhece-lo.
Fim do Flash Back.
“Águas passadas só irão afogar alguém
Que desistiu de lutar
Seja forte e não se deixe levar”
Olhei para a foto durante mais alguns segundos, até a tela apagar-se e o aparelho bloquear.
Larguei-o em cima do lençol e pus um braço sobre o rosto, cobrindo meus olhos.
– Tetsuya...
“Pois, a fraqueza é o mal querendo
Mas eu não deixo ele entrar!”
Off. Pov Kagami
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