Efêmero

5 Capítulo IV: O Sonho


Notas iniciais
Em primeiríssimo lugar milhões de desculpas pelo atraso, vou deixar aqui o link do meu novo vídeo dramione e ver se consigo me redimir com vocês: https://www.youtube.com/watch?v=tvXbaODRMXA espero que gostem do vídeo e do capítulo ♡

Capítulo IV: O Sonho

Escrito por: Wenky (Andréia)

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Hermione franziu o cenho quando Draco terminou de explica-la o que tinha em mente para obter as informações de Yaxley, tinha uma expressão de incredulidade que deixava clara o quão absurda a ideia soava aos seus ouvidos.

— Não podemos fazer isso — interveio logo que ele acabou de falar de forma que Draco imediatamente assumiu uma expressão de aborrecimento.

— E como você espera que ele nos passe as informações, Granger? Talvez se dessa vez você mesma for pedi-lo gentilmente? — o rapaz retorquiu com zombaria — Precisamos planejar como vamos atraí-lo até nós, e precisamos fazer isso rápido — completou.

— Não, mas não podemos usar tortura, Draco. A maldição Cruciatus é uma das três maldições imperdoáveis, se lembra disso? E, depois, ainda vamos correr o risco de sermos descobertos...

— Isso é uma guerra, caso tenha se esquecido. Nós estamos correndo riscos o tempo inteiro. Você está sendo procurada viva ou morta e eu agora sou um traidor de sangue — ele a interrompeu impaciente, torcendo o nariz ao proferir as últimas palavras que, quando ditas em voz alta, soavam mais verdadeiras e, por consequência, também mais absurdas. Ainda parecia surreal que ele se encontrasse naquela posição.

Pessoalmente, Draco estava começando a achar que Hermione era uma pessoa relativamente sensata, mas pelo rumo daquela conversa, ele percebia que ela ainda estava apegada às regras do mundo mágico, cujas ele desprezava profundamente no momento. Às vezes simplesmente não havia espaço para fazer as coisas do jeito certo.

— Estando em guerra ou não, eu não vou torturar ninguém — ela recomeçou — Você deveria saber melhor do que qualquer um os efeitos dessa maldição e, caso não saiba, pode perguntar a sua querida tia o que aconteceu com os pais do Neville quando ela os torturou ou então pode você mesmo ir até o ao St. Mungus e ver por conta própria — completou enfurecida, a lembrança de quando esteve no St. Mungus e descobrira o que havia acontecido com a família de Neville ainda lhe embrulhava o estômago.

Ela estava naquela guerra havia praticamente três anos e, contudo, ainda era inconcebível aceitar tamanho grau de crueldade, simplesmente não fazia parte de sua natureza.

— Nós precisamos das informações e precisamos decidir como vamos atrai-lo até nós, não temos tempo para sentimentalismos em relação à família do Longbottom — disse, e enquanto o escutava, Hermione continuava a encará-lo com a mesma expressão de incredulidade em função da forma que ele se referia à família de seu amigo — Precisamos formular o plano o mais breve possível antes que o Lorde das Trevas finalmente encontre o que está procurando. E você sabe que ele, mais cedo ou mais tarde, sempre consegue o que quer.

— Eu sei, mas...

— Granger, e se por acaso eles a encontrassem? O que você acha que aconteceria? Acha que eles não usariam a maldição que fosse preciso em você para conseguir informações? — argumentou numa tentativa de trazê-la à sua razão, embora ela fosse provavelmente a pessoa mais teimosa que ele já havia lidado na vida.

— Não somos como eles! — Hermione disse num tom firme.

— Caso você tenha se esquecido, eu ainda sou um Comensal da Morte!

— Eu sei que é, mas você está nos ajudando, você também não é como eles! — ela pausou e, como se percebesse o que havia acabado de dizer, completou: — Ou... ou pelo menos, você não quer ser, eu acho que não quer.

Ao ouvi-la falar daquela forma, Draco parou e a encarou por alguns instantes, estudando o rosto da garota parada à sua frente que falava sobre ele como se conhecesse suas intenções. Parecia estranho que aquela era a mesma Hermione Granger que há algumas semanas atrás estava tão relutante em confiar a ele o cargo de espião.

Parecia um tanto quanto surreal que ela tivesse passado a depositar confiança nele, de maneira que Draco assumiu que se tratava de desespero, uma última tentativa da parte dela de ter razão naquela discussão. Afinal, Hermione sempre gostava de ter razão em tudo.

— Eu sei como eles agem, eles não têm piedade, eu vi durante esses últimos anos enquanto tudo o que você fazia era se esconder por aí — Draco retrucou engolindo algo em seco e fazendo o possível para afastar de sua mente a imagem do que restara de seu pai, a imagem do que ele havia sido reduzido naqueles últimos anos — E, se você ainda não percebeu, nós estamos no lado em desvantagem. E caso não tenha percebido, eu não gosto de estar em desvantagem em nada do que faço.

— Agora não venha falar comigo sobre desvantagem! Já tem praticamente três anos que Harry e eu — Hermione recomeçou também interrompendo a fala dele, mas, ao se dar conta do que havia acabado de falar, parou rapidamente.

Draco se calou e a encarou com um sorriso enviesado que se formava pelo canto de seus lábios. Ela havia acabado de confirmar suas suspeitas de que Harry estava vivo. Aparentemente, seu blefe inicial de fato funcionara, sentiu então uma incrível sensação de triunfo que rapidamente se sobrepôs à onda de irritação que começava a lhe acometer de novo.

Era revigorante para o seu ego descobrir uma das coisas que Hermione escondia sobre sua vida, tal como ela havia feito com ele naquele mesmo dia, falando abertamente sobre seu cargo no Ministério e sobre a falta de credibilidade que o acometia no momento. Agora, sentia que finalmente estavam quites.

— Potter, huh? E você costumava dizer que ele estava morto — zombou.

Hermione bufou, claramente contrariada, não havia como voltar atrás nas palavras agora. Então, se limitou a desferi-lo um olhar feroz quando, num tom lento e debochado, Draco declarou, repetindo as mesmas palavras que ela própria o dissera anteriormente:

— Você é uma péssima mentirosa, Granger.

Rapidamente a garota abriu a boca para rebater a provocação, mas logo desistiu, se calando de novo. Era incrível o efeito que ter que lidar com Draco Malfoy por mais de cinco minutos a causava, agora ela até mesmo havia o contemplado com informações que não deveriam ser mencionadas durante os encontros. E poderia apostar que ele faria uso daquilo, mais cedo ou mais tarde, da forma que mais lhe fosse conveniente, o que não poderia ser de longe um bom sinal.

— Draco, se você realmente planeja torturar Yaxley até conseguir as informações, então não podemos continuar o nosso acordo — Hermione se recompôs, retomando o assunto e dando a ele um ultimato, para o qual ele revirou os olhos antes de responder.

— E o que você acha melhor? Usar a mesma estratégia de antes, tentar recolher míseras informações? — agora assumia um tom entediado.

— Os outros comensais — sugeriu — Você certamente tem acesso a eles.

— Eles não confiam em mim, você mesma disse, se lembra?

— Faça-os confiar, eles precisam confiar em você. Snape só era um espião útil para a Ordem porque confiavam nele — Draco estreitou os olhos ao ouvir a comparação com seu antigo professor — E eu vou tentar pensar em alguma forma de conseguirmos maior acesso a outras informações.

— Como você tem feito nesses últimos dois anos, Granger? Aparentemente, os resultados não foram dos mais satisfatórios... — deu de ombros — Como desejar. Fale com Potter sobre a minha proposta, já que ele pelo visto está com medo de vir até aqui por conta própria, e espero que ele seja mais sensato do que você — completou fazendo menção de finalizar a conversa e sair do local. E se Hermione suspeitara anteriormente que ele usaria sua confirmação sobre Harry estar vivo ou não contra ela, certamente não havia imaginado que ele o faria tão depressa.

— Draco, espera! — interveio — Precisamos escolher uma senha, para a próxima vez que nos encontrarmos — disse num tom mais sem emoção que conseguiu obter no momento, mascarando sua frustração em relação ao fim que teve a pequena reunião entre os dois.

— Você sempre pode me acusar de alguma outra coisa que eu fiz nos tempos de Hogwarts — ele disse com um tom sarcástico e um sorriso sem emoção nos lábios antes de fechar a porta atrás de si. E, Hermione, por sua vez, deixou-se cair novamente na velha cadeira da cozinha da antiga casa dos Black, exausta.

Se antes ela havia considerado aquela parceria com Malfoy uma péssima ideia, agora ela tinha certeza. E a pior parte daquilo era que parecia praticamente impossível que os dois não iniciassem uma discussão ou que trocassem provocações na primeira oportunidade sempre que conversavam por mais de cinco minutos, por mais que tentassem, eles não concordavam em absolutamente nada.

Hermione havia dito para si mesma diversas vezes que deveria agir da forma mais madura possível, que deveria tentar até mesmo ser amigável com ele, mas, mais uma vez, falhara miseravelmente. Draco tinha uma capacidade incrível de tirá-la do sério.

Talvez, pensou, numa próxima oportunidade, se é que de fato houvesse outra oportunidade, pois a parceria entre os dois havia começado tão frágil e instável que agora ela duvidava ainda mais que continuasse, pudesse tentar uma aproximação mais satisfatória. Até lá, estavam de volta à estaca zero.

— Feliz Natal, Hermione — disse para si mesma num suspiro cansado enquanto encarava sua única companhia no momento, um velho relógio que tiquetaqueava na parede. Era exatamente meia noite.

*****

Draco sentia medo, havia um misto de ansiedade e apreensão que lhe embrulhavam o estômago, deixando-o levemente enjoado. Encontrava-se em um pequeno cômodo, apertado e tão escuro que ele achou dificuldades em se acostumar e ser capaz de enxergar qualquer coisa ao seu redor.

Tinha sua varinha em punho, segurava-a com tanta força que sentiu sua mão adormecer, no entanto, levou algum tempo até que ele decidisse fazer algum uso dela.

— Lumos!— disse por fim numa tentativa de conjurar o feitiço que o possibilitava conseguir alguma iluminação. Sua voz, porém, saiu rouca e trêmula. E nada aconteceu.

“Não vai adiantar” uma voz conhecida o chamou a atenção, fazendo-o olhar atento por todos os lados, procurando pelo dono. Sentiu um desespero tomar conta de si, a princípio, achou que estivesse sozinho ali, mas aparentemente, havia se enganado.

— Professor? — começou numa tentativa de iniciar contato – Professor Snape? — repetiu assumindo um tom mais alto e claro.

“Feitiços não funcionam aqui, Draco” a voz continuou a falar, assumindo um tom etéreo, distante. E Draco finalmente compreendeu que, embora ele pudesse escutá-lo com clareza, seu dono não estava ali.

— O que eu faço? — perguntou numa tentativa previamente frustrada de obter alguma resposta sobre como achar uma saída daquele maldito cômodo apertado e escuro onde sua magia não funcionava por mais que se esforçasse.

“Você vai ter que descobrir por conta própria” Snape continuou “Vai ter que escolher”

Draco revirou os olhos, seu desespero agora era substituído por certo grau de irritação.

— Apenas me diga o que fazer! — gritou impaciente.

“Não posso, a escolha é sua” o professor disse por fim, e então o cômodo caiu novamente em um completo silêncio.

— Professor? — Draco tentou novamente o contato — Professor? Professor? Professor! — então, gritou repetidamente, como se sua vida dependesse disso, de que Snape retornasse, mas ele não retornou.

Ele simplesmente não podia deixa-lo ali sem respostas, Snape havia sido responsável por ele uma vez. Não podia simplesmente partir. Contudo, ele se fora e mais uma vez o deixara sozinho e sem respostas.

Merda!

“Covarde” outra voz, tão etérea quanto a de Snape havia sido chamou-lhe a atenção novamente, esta, porém, tinha um tom zombeteiro que o fez borbulhar de raiva por dentro. Era Yaxley. “Ainda mais covarde do que o seu pai” continuou e uma risada preencheu o cômodo.

Draco cerrou os dentes, agora já não sentia mais medo, ou desespero. Sentia ódio. Tudo que ele mais desejava era que fosse capaz de lançar alguma maldição imperdoável no homem, se ele ao menos estivesse ali de fato e se sua varinha funcionasse, ele teria o feito sem pensar duas vezes. E que se dane o que Hermione Granger pensava ou deixava de pensar.

— Eu não sou o meu pai! — rebateu nervoso — Não vou ser com o meu pai!

A risada, porém, continuou ficando mais alta e clara e ecoando por todo o cômodo, como se viesse de todos os lados, confundindo-lhe os sentidos.

— Sai daqui! — gritou, já que não podia feri-lo, queria que o homem desaparecesse, que parasse de atormentá-lo. Queria ficar sozinho – Sai! – repetiu impaciente.

E, então, a risada foi rapidamente substituída por outra voz ainda mais familiar. Agora a nova voz assumia um tom baixo, o que dificultou que ele conseguisse compreender as palavras que ditas pelo seu dono, de maneira que teve que aguçar sua audição ao máximo até que os gemidos começassem a fazer algum sentido. Era Lucius, seu pai.

“P-pi-piedade, meu Lorde. Pi-piedade, por favor”

— Pai? — chamou — PAI? – tentou mais uma vez — Cadê você?

“Draco, me ajude, por favor” o homem implorava “Me ajude”

Agora ele começava a correr pelo cômodo, suas mãos tateavam as paredes em busca de uma porta, uma maçaneta, uma saída, mas não havia nada. O cômodo era composto somente por paredes úmidas de pedra. Não havia uma porta que desse para saída, ele estava literalmente preso e perdido. Em meio ao seu desespero, sentiu finalmente gotas de suor grossas e espessas escorrerem pelo seu rosto, e então se deu conta de que provavelmente suava por cada poro de seu corpo, estava encharcado.

“Draco?” uma voz feminina o chamou, desta vez, tinha um tom suave mas também havia nela uma pontada de preocupação. E agora parecia bem perto dele, diferente das outras vozes que eram etéreas e distantes.

— Granger, nós temos que fazer alguma coisa — ele murmurou mais para si mesmo do que para a pessoa que o chamava — Precisamos fazer alguma coisa o mais rápido possível, o plano — continuou agora falando mais alto, embora estivesse ofegante e as palavras saíssem embaralhadas — Precisamos do plano, precisamos...

— Draco? — repetiu — Por que você me chamou de Granger? — a voz feminina agora estava mais clara, ele abriu os olhos e então sua visão entrou em foco novamente.

Dessa vez, a dona da voz era real, era Pansy Parkinson. Ela o segurava firme pelos dois ombros e o sacudia numa tentativa de acordá-lo e retirá-lo de seu transe. Foi quando Draco enfim compreendeu, se tratava de um sonho.

Suspirou aliviado com sua mais recente constatação e então retirou as mãos dela de si e se pôs sentado na cama, a coberta que o cobria tal como as roupas de cama estavam ambas úmidas, em sua testa ainda haviam gotículas de suor cujas ele fez questão de secar com uma das mãos antes de se virar para Pansy, também sentada ao seu lado da cama, que agora o encarava com receio.

— Você estava falando enquanto dormia, parecia estar tendo um pesadelo, achei que estivesse delirando — ela começou explicando — E então, disse que que precisava de um plano... Você me chamou de Granger, você achou que eu fosse ela. Draco, desde quando você fala com Hermione Granger? — completou num tom claramente enciumado.

Draco franziu o cenho numa tentativa de parecer confuso, o que se mostrou uma tarefa complicada levando em consideração as coisas que ele ouvira e vivenciara em seu pesadelo minutos atrás.

— Do que você está falando, Pansy? — começou, sua voz agora assumindo o tom mais próximo possível do habitual — A sangue-ruim provavelmente está morta a essa altura, já faz dois anos desde que ela foi vista pela última vez, como eu poderia ter falado com ela? — completou assumindo, enfim, um tom de irritação convincente.

Embora os questionamentos de Pansy de fato o irritassem, naquele momento, ele não conseguia canalizar suas emoções para ela. Sua mente continuava o levando de volta para o maldito sonho, tudo que ouvira e vivera ali ainda estava tão vívido que o embrulho em seu estômago havia permanecido e um gosto amargo havia sido deixado em sua boca também.

Pansy então recuou, puxou o cobertor contra o corpo cobrindo de vez sua nudez e se colocou em silêncio novamente, mas seu olhar inquisidor continuou pairando sobre ele. Porém, no momento seguinte, ela simplesmente se virou e com sua varinha apagou o pequeno abajur que se encontrava aceso no criado mudo ao seu lado da cama, deixando-o confuso e ao mesmo tempo aliviado.

O resto da noite seguiu um tanto quanto conturbada para Draco, depois do pesadelo, ele encontrou sérias dificuldades em obter um sono profundo e satisfatório. Em partes, ele não poderia dizer que se tratava de um acontecimento inédito, aquela não era a primeira vez que ele tinha sonhos perturbadores, contudo, incomodava-o que o evento estivesse ocorrendo com maior frequência agora.

Além disso, falar enquanto dormia aparentemente era algo inédito, mas o mais revoltante era falar com Hermione enquanto dormia. Curiosamente, desde que os dois firmaram sua parceria, ela passara a visita-lo esporadicamente durante o sono, junto com seus outros demônios, o que a fazia uma visita quase agradável, mas por razões óbvias, aquilo não era algo que outro alguém além dele devesse saber. Especialmente se esse outro alguém fosse Pansy.

Naquela noite em especial, logo após a pequena reunião malsucedida com Hermione, ele finalmente foi encontrar Pansy depois de algum tempo desde a última vez que a vira e ela estava claramente aborrecida por ter sido deixada de lado por tanto tempo. Agora, com o mais recente ocorrido, ele tinha dúvidas que as coisas melhorassem entre eles.

A manhã do dia seguinte estava fria, tal como normalmente se apresentavam as manhãs de Natal. Pansy havia sido a primeira a se levantar e ele foi encontrá-la na cozinha sendo servida pelo elfo doméstico de sua família, tinha um olhar inexpressivo e pela sua aparência ele podia julgar que ela também não havia dormido bem.

Aproximou-se para se acomodar em seu devido lugar e, como Pansy ainda se demonstrava irredutível para começar qualquer conversa com ele, o que era muito diferente de seu estado habitual, Draco decidiu tomar a iniciativa, sentia o assunto ainda entalado na garganta.

— Você não acredita em mim — disse num suspiro e a garota levantou a cabeça para olhá-lo, deixou a xícara que segurava sobre a mesa e pensou por alguns instantes antes de responder.

— Não é sobre não acreditar em você — Pansy começou, falava lentamente, como se estivesse escolhendo as palavras a dedo antes de pronunciá-las — Você mudou.

Draco considerou a fala dela durante alguns instantes, sentiu alguma coisa revirando em seu estômago ao constatar o que realmente havia por trás daquelas palavras e logo percebeu que seu apetite diminuíra.

— Você quer dizer, meu nome não tem mais influência no mundo mágico — retorquiu carrancudo — Você costumava gostar mais de mim em Hogwarts, Pansy.

Ela o encarou por algum tempo ainda inexpressiva, como se fosse incapaz de negar a acusação que recebia e então Draco já não tinha mais tanta certeza se realmente não queria iniciar uma discussão.

— Não, Draco, não é sobre isso — recomeçou, e então, foi quando ela o presenteou com uma série de desculpas que embora tivessem um fundo de verdade, ainda eram desculpas — Nós mal nos vemos ultimamente. Nós mal nos falamos quando você vem aqui, eu não sei nada sobre a sua vida, você nunca me diz nada... E eu costumava achar que nosso maior problema fosse a falta de compromisso, mas pelo menos antes nós conversávamos — ele percebeu que Pansy tinha os olhos levemente marejados enquanto falava — E agora você me chama de Granger enquanto dorme! — e ao terminar de proferir a frase, era como se ela tivesse assumido a dianteira da conversa e, de repente, se coberto de razão.

— Pansy, foi um pesadelo...

— Não! Não é só isso, eu... eu também costumava sentir sua falta — continuou — Mas você nunca pareceu sentir a minha e, agora, eu acho que por causa disso, eu não sinto mais sua falta também.

Draco finalmente se pôs a refletir sobre o que ela dizia, finalmente absorveu o sentido das palavras e foi quando tudo começou a se encaixar para ele. Não era como se ele simplesmente pudesse conta-la que agora era um traidor de sangue, que estava ajudando a Ordem, não poderia desabafar com ela sobre as punições que seu pai recebia.

Além disso, ela nunca entenderia. Uma vez que os dois estivessem do mesmo lado, ambos privilegiados no mundo mágico, era possível conversar com ela. Mas agora, tudo estava diferente, eles já não encaravam as coisas sob a mesma perspectiva. Para Pansy, tudo era mais fácil, ela vivia a vida que Draco deveria estar vivendo caso sua família não tivesse sido arruinada. O mundo dela estava em sua mais perfeita ordem, ao passo que o dele desmoronava.

— Você está... terminando comigo? — ele indagou, as sobrancelhas franzidas em confusão. E então, desejou não ter que estender aquela conversa por mais tempo.

— De certa forma, sim — ela disse enfim — O que quer que tenha acontecido entre nós, acabou.

Draco a lançou um último olhar ressentido antes de terminar sua refeição e não se deu mais o trabalho de responde-la e os dois se mantiveram em silêncio até o momento em que ele decidiu deixar a mansão dos Parkinson, minutos depois. Não havia mais o que ser dito, e aquela provavelmente seria a última vez que ele estaria ali, Pansy havia sido clara o suficiente sobre suas intenções. Embora ele não conseguisse ver um futuro para o seu relacionamento com ela, teve a terrível impressão de que acabara de perder a última amiga que um dia já teve.

Depois da morte de Crabbe, dois anos atrás, ele e Goyle haviam se afastado, tal como seus demais antigos colegas de casa em Hogwarts que já não viam nele alguém com quem valesse a pena se enturmar, não havia mais status que o mantivessem. Pansy, até então, era a única que havia restado.

A ideia o fez se sentir extremamente solitário, foi quando, numa conclusão que o fez revirar o estômago, percebeu: Hermione Granger dali para frente provavelmente se tornaria a única pessoa com quem ele teria contato por mais de cinco minutos, ainda que conversassem apenas o essencial. Estava mesmo em decadência.

Notas finais
Oi, gente!!! Como de costume, vou dar as boas vindas aos novos leitores, fiquei muito feliz quando vi que 50+ pessoas marcaram a fanfic nos acompanhamentos! Agora, sobre o capítulo, ele deveria ter sido postado há algum tempo, eu até mesmo comecei a escrevê-lo bem antes só que não conseguia finalizá-lo, mas finalmente aqui está, ufa!! Assim como eu prometi a vocês, eu vou investir no slowburn dramione e estou fazendo o possível para não deixar os personagens OOC, então, agora nos capítulos iniciais, eu vou trabalhar bastante eles como personagens individuais para que fique justificável o envolvimento entre eles. Eu espero que as discussões deles não tenham ficado maçantes, é porque eu realmente não consigo ver eles se dando tão bem a princípio, acho eles são diferentes demais, e eu gosto de trabalhar isso, estou tentando ao máximo explorar as diferenças entre os pontos de vista dos personagens e espero que vocês gostem do resultado e que me digam onde eu poderia melhorar e o que não deve ser mexido. Sobre a Pansy, ela foi meu maior desafio aqui, eu sei que em muitas fanfics dramione ela é colocada como a namorada do Draco que ele não gosta. Bem, aqui ele também não é apaixonado por ela, mas não consegui colocar ele sendo escroto nível 1000+ porque eu simplesmente não sei escrever esse tipo de coisa e não acho que conseguiria ver a Hermione com um Draco abusivo, não me desce. Então decidi optar por uma Pansy que não sente mais nenhuma adoração por ele em função do seu mais novo status no mundo mágico. Enfim, estou super ansiosa para saber suas opiniões e aguardo vocês nos reviews. Um beijo ♡ P.S.: Avisem-me caso encontrem algum errinho, quando eu revisei o capítulo já estava um pouco cansada.