Efêmero
6 Capítulo V: O Retorno de Monstro
Notas iniciais
Capítulo V: O Retorno de Monstro
Escrito por: Wenky (Andréia)
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Harry foi a primeira pessoa que Hermione encontrou naquela noite após, sozinha, deixar o Largo Grimmauld. A casa estava vazia quando ela retornou e o garoto a encarava com um misto de ansiedade e apreensão, o que não era surpresa alguma levando em conta que sua aparência naquele momento deveria estar denunciando que ela definitivamente não havia retornado com notícias boas, muito pelo contrário.
Hermione caminhou até a janela mais próxima, os olhos fixados na paisagem lá fora, onde flocos de neve caíam incessantes e, assumindo um tom deveras melancólico, começou a falar:
— Quando foi a última vez que realmente comemoramos o Natal, Harry?
Harry se manteve em silêncio diante da pergunta durante alguns segundos e se deteve somente a observar a amiga que permaneceu de costas para ele, ainda olhando para ainda o lado de fora.
— Já faz algum tempo — o rapaz pigarreou, antes de continuar sua fala: — Por que essa pergunta agora?
— Nós mudamos desde então, perdemos pessoas... — ela começou, seus olhos estavam levemente marejados — Quantos outros danos você ainda acha que essa guerra que estamos prestes a travar novamente pode causar? Quando tudo isso acabar... você acha que ainda seremos os mesmos?
— Eu... não sei — ele começou a formular sua resposta confuso, sem entender aonde exatamente ela desejava chegar com aquele assunto — Espero que tenhamos mais sorte dessa vez — completou — Estamos trabalhando nisso.
— Estou com medo — Hermione confessou — Tem algo que eu preciso discutir com você, Harry, nós temos que tomar uma decisão e não temos muito tempo.
— Malfoy? — Harry indagou apreensivo, àquela altura se tornara evidente que algo havia acontecido durante o encontro com o mais recente espião da Ordem e Hermione — O que ele queria?
Ela suspirou antes de responder, tinha a sensação de que estariam dando um passo longo demais se acatassem as ideias de Draco e aquilo fazia seu estômago revirar, não somente pela proposta, que era terrível por si só e os tiraria de vez da retaguarda, os colocando definitivamente em guerra caso algo desse errado, o que tinha grande chance de acontecer. Mas também porque ela temia o que atitudes como aquela significariam, uma vez que fizessem uso dos mesmos métodos do inimigo, até quando poderiam se considerar diferentes dele?
Tal como havia questionado a Harry, se assumissem uma posição mais radical, no fim das contas, quem seriam eles afinal? E se havia uma coisa que Hermione não acreditava, era que os fins justificavam os meios. Não conseguia imaginar um final feliz por meios perversos, mas também não poderia negar que a famigerada luz no fim do túnel estava a cada dia se tornando mais escassa, até que apagasse de vez e os deixasse sem saída.
Por pior que fosse admitir, parte dela estava começando a dar razão a Draco.
— Draco me disse que Yaxley tem algumas informações, ao que parece aquele-que-não-deve-ser-nomeado está em busca de alguma coisa — Hermione explicou.
— De mim? — Harry indagou — Você acha que ele finalmente sabe a verdade... que eu sobrevivi? — o garoto imediatamente ficou agitado com a perspectiva de Voldemort descobrir o único trunfo que eles ainda tinham em mãos, sua morte forjada. Se eles fossem descobertos antes do tempo, suas chances seriam ainda menores. Voldemort os aniquilaria sem pensar duas vezes.
— Draco não soube informar, Yaxley não revelou — ela disse cabisbaixa — E ao que tudo indica, não pretende revelar também. Mas não acho que seja isso...
Harry a presenteou com um olhar de esguelha, desconfiado.
— Você acha que fomos enganados por Malfoy?
— Eu não sei, não tenho certeza — ela pausou — Eu espero que não, estou tentando descobrir o máximo que consigo pelas nossas conversas, mas...
— Vocês não se dão bem — Harry completou e a amiga assentiu com a cabeça. — Eu não a culpo, Hermione.
— Nós discutimos na maior parte do tempo — ela disse claramente frustrada com seu desempenho — Ele não mudou muito desde Hogwarts, o que não é surpresa alguma.
Havia uma nostalgia um tanto quanto incômoda que pairava entre eles agora pela segunda vez naquela mesma noite quando Hogwarts era posta em pauta. Depois de tantos acontecimentos terríveis, a escola de magia parecia ter ficado num passado muito distante.
— Eu ainda me pergunto por que ele nos procurou.
— Ele está com problemas, eu tenho certeza — Hermione começou — Só não sei do que se trata ainda, mas provavelmente Malfoy tem boas razões para ter nos procurado. Além disso, ao que parece, os comensais não o consideram um membro muito confiável, mas essa não é a pior parte...
— E que poderia ser pior além de termos nos revelado para um espião inútil? — Harry agora assumia um tom sarcástico em sua voz.
— O plano dele — Hermione disse ao passo que o amigo levantou uma das sobrancelhas, descrente — Ele quer atrair Yaxley até nós para obtermos informações à força.
— O que você disse a ele?
— Disse que nós não vamos fazer isso! — a garota respondeu exasperada — E que se for para ser desse jeito, não podemos trabalhar mais juntos. Sugeri que ele investigasse mais os outros comensais, mas não tenho certeza se ele vai fazer isso. Eu não vou compactuar com pessoas sendo torturadas, Harry, nós não somos assim! — ela pausou — Mesmo que isso signifique desfazer nosso acordo com Malfoy, não é como se tivéssemos progredido muito até agora.
Harry, porém, diferentemente do que Hermione esperava, se calou e assumiu uma expressão vazia, o que fez com que um calafrio subisse por sua espinha e seu estômago embrulhasse apenas com a ideia de que ele estivesse realmente considerando o plano de Draco como uma possibilidade.
— Harry... você não... — ela recomeçou, sua fala entrecortada.
— Que escolha nós temos, Hermione? Esperar? Esperamos por anos. Eu não posso ficar aqui nessa casa esperando, ou me escondendo em qualquer outro país como fizemos durante esses dois anos. Precisamos agir, eu preciso agir!
Instantaneamente a garota se sentiu tonta, desnorteada. Era surreal que estivesse ouvindo de Harry, seu melhor amigo, o mesmo discurso que ouvira de Draco Malfoy horas atrás.
— Nós não somos como eles — repetiu com a voz mais baixa, parecia a única frase que conseguiria formular no momento e muito provavelmente uma das poucas certezas que guardava para si, mas que também estava prestes a se desmanchar e se perder de vista na imensidão de dúvidas e contradições em que ela se afogava cada vez mais.
— Não somos — Harry a assegurou e se aproximou da amiga, encarando-a diretamente nos olhos — Mas estamos em uma guerra que não podemos vencer se não jogarmos como eles. E nós demoramos tempo demais para perceber isso... Hermione, não podemos esperar mais — agora ele posicionava uma das mãos em seu ombro, numa tentativa de confortá-la.
— Eu não posso acreditar — Hermione disse, os olhos levemente marejados e um sorriso um tanto quanto deformado desenhado no rosto que representava qualquer emoção menos alegria — Você está falando exatamente como ele.
— Ele quem?
— Malfoy — respondeu sem emoção — Ele ainda me disse que esperava que você fosse mais sensato do que eu — completou num riso seco — Se isso é ser sensato...
Harry se calou diante da conclusão da amiga, mas ainda a olhava com uma expressão de determinação. E pelo tempo que Hermione o conhecia, ela sabia perfeitamente quando ele falava sério sobre alguma coisa, ou pior, quando estava determinado a fazer algo. E sabia também que seria difícil fazê-lo mudar de ideia, nesse quesito Harry era tão teimoso quanto ela de forma que os dois se encontravam num impasse.
— Nós deveríamos discutir o assunto com os outros antes de decidirmos. Podemos falar sobre isso amanhã? — ela sugeriu se esforçando para assumir novamente o tom habitual, não desejava prolongar mais o assunto naquele dia, não conseguia mais disfarçar o cansaço. Além do desapontamento evidente em seus olhos, cujo era incapaz de esconder.
Harry, por sua vez, assentiu em resposta e no momento seguinte Hermione logo se direcionou para os seus aposentos, se preparando para um sono, de preferência, sem sonhos.
*****
Percy Weasley era, provavelmente, uma das pessoas que Draco mais detestara em seus tempos de Hogwarts, em primeiro lugar porque ele era um Weasley e além de Potter e dos sangue-ruim, especialmente Hermione Granger, eles eram a maior escória que poderia pisar numa escola de magia conceituada. E em segundo lugar porque ele realmente se achava importante por ser monitor, o que para Draco era uma verdadeira afronta, haja vista que aquilo rendia certo grau de autoridade do rapaz sobre os demais alunos.
Agora, porém, Percy também havia se tornado uma das pessoas para quem ele teria que se prestar a pedir ajuda mais uma vez, e tudo isso porque Hermione simplesmente decidira que colocar sua ética em primeiro lugar era mais importante do que obter uma vantagem, por menor que fosse, sobre o inimigo na guerra que estavam prestes a travar.
Havia se passado pouco mais de uma semana desde o último encontro dos dois e, consequentemente, o ano novo já havia se instaurado e trazido consigo o novo milênio também. Uma atmosfera detestável pairava sobre o Ministério e Draco tinha a impressão de que todos faziam planos sobre como seriam suas vidas no novo ano que se iniciava, ao passo que ele fora obrigado a voltar a frequentar sua própria casa, o que esperava que durasse pouco tempo.
Se ele pudesse definir a si mesmo no momento, provavelmente a palavra que melhor se encaixaria era solidão. Pansy agora não fazia mais parte da sua vida e tampouco demonstrava que desejava voltar a fazer, ele a encontrava pelos corredores do Ministério em momentos raros e os dois se cumprimentavam rapidamente. Ela ocupava um cargo superior ao dele e, portanto, trabalhava em outro departamento.
Dessa forma, Percy Weasley havia se tornado alguém mais acessível do que ele gostaria, uma vez que o rapaz agora também tinha que se contentar com uma posição que não fazia jus ao aluno exemplar que havia sido em Hogwarts. Percy após declarar publicamente repúdio às atitudes da própria família, passou a atuar no Departamento de Reversão de Feitiços Acidentais, ou seja, ele nada mais fazia do que justificar aos trouxas qualquer manifestação mágica que lhes chamasse atenção.
Uma ocupação um tanto quanto medíocre, Draco admitia, e se sentia amargurado pois não poderia dizer muito diferente de si mesmo. Quando procurou Percy pela primeira vez, sabia tão pouco quanto em seu primeiro encontro com Hermione, mas seu blefe havia funcionado melhor do que ele havia planejado.
Era fato que praticamente todos os funcionários do Ministério tinham suspeitas em relação ao Weasley, não somente em função de sua família, mas porque alguns magos haviam presenciado sua mudança de lado durante a Batalha de Hogwarts e juravam que ele era um agente duplo. Draco, por sua vez, não pensava diferente, mas levando em consideração suas atuais intenções, só poderia esperar que estivessem certos sobre a dupla identidade do rapaz. E teve sua confirmação quando, ao solicitar um encontro com Harry Potter, se deparou com Hermione Granger em um sujo e decadente bar de trouxas.
Agora, porém, o que o impulsionava e entrar em contato com Percy novamente era a ansiedade que vinha o acometendo durante toda a semana. Por mais que detestasse admitir, ele de fato tentara seguir a sugestão de Hermione e buscar por brechas entre os outros comensais, mas havia sido completamente em vão, pois alguns ele sequer encontrara e outros não desejavam falar com ele por mais do que cinco minutos. Além disso, Yaxley estava ausente do Ministério, por motivos também desconhecidos.
Mas se tinha uma coisa que Draco Malfoy não possuía no momento era muito tempo à sua disposição, embora tivesse agido como se para ele não fizesse diferença o fim do acordo com a Ordem, ele bem sabia que aquela parceria era sua última esperança, sua família precisava dele.
Foi necessária certa cautela para que entrasse em contato com o Weasley sem chamar atenção e a conversa havia sido tudo menos agradável, já que assim como Hermione, ele também não o considerava digno de confiança e muito menos alguém que deveria estar na Ordem. Porém, Percy o assegurara de que o assunto estava sendo discutido e que em breve o daria uma posição.
E se passaram mais quatro tortuosos dias até que Hermione finalmente marcasse um novo encontro.
*****
A antiga casa no endereço que Hermione conhecia tão bem tinha uma aparência completamente diferente na segunda vez que ela esteve ali. Estava completamente limpa e parecia que estava de fato sendo habitada novamente, a princípio, ela mesma havia considerado fazer a limpeza com a ajuda de alguns feitiços, mas em meio aos recentes acontecimentos, acabara não dando a devida importância ao fato.
Porém, antes que pudesse questionar o que havia acontecido ali, uma criatura pequena e incrivelmente familiar entrou em seu campo de visão, juntamente de Draco Malfoy, que ignorando completamente o fato de que ela deveria lhe fazer uma pergunta para se certificar de que não se tratava de um impostor, se sentava em uma das cadeiras ao redor da mesa de jantar que havia sido posta para os dois.
Monstro estava mais velho do que ela se lembrava e desde a última vez que vira o elfo doméstico, ele havia adquirido mais rugas e ficado mais corcunda também. Evidentemente o elfo ainda não havia desenvolvido grande afeto por Hermione, de forma que mesmo que se esforçasse, a encarava com certo receio, assim como Draco, ele a considerava nada mais do que uma sangue-ruim. E aquilo dificilmente mudaria algum dia, mas os três estavam do mesmo lado agora e antes de marcar aquele novo encontro, ela havia decidido agir de maneira que a parceria funcionasse da melhor forma possível e de preferência sem discussões.
O pequeno elfo a cumprimentou rapidamente com um aceno de cabeça e logo saiu de vista. Era inegável, porém, que revê-lo havia lhe proporcionado um alívio, deixando-a quase feliz, uma vez que Hermione acreditava que ele estava morto. Muito embora Monstro pertencesse a Harry Potter agora, ela sabia o quão apegado ele era àquela casa e aos Black, de maneira que foi fácil associar seu reaparecimento a Draco Malfoy, que era aparentado à família cuja ele sempre serviu.
Hermione puxou uma cadeira e se sentou também, Draco a olhava em silêncio, e ela se esforçou para cumprimenta-lo com um rápido sorriso que ele logo ignorou. A mesa que havia sido posta recentemente permanecia intocada, mas exalava um aroma que a fazia lembrar que estava realmente faminta, e ela se sentiu internamente grata pelo reaparecimento do elfo.
— Então, finalmente decidiu conversar, Granger? — Draco foi o primeiro a quebrar o silêncio assumindo um tom claramente provocativo.
— Quando ele apareceu aqui? — Hermione indagou, mudando de assunto repentinamente, o que Draco recebeu franzindo o cenho, claramente confuso por ela não ter correspondido a provocação como faria usualmente.
— Ele... o elfo?
Ela assentiu com a cabeça, tinha uma expressão de curiosidade genuína em seu rosto.
— Ele já estava aqui quando eu cheguei, provavelmente percebeu que tinha que voltar a trabalhar depois de tanto tempo — Draco deu de ombros — Por quê?
— Eu achei que ele estivesse morto — Hermione explicou, havia um tom de alívio em sua voz que estava tornando aquela conversa ainda mais estranha.
— Granger, isso não é importante — ele retrucou sem emoção — Ele é só um elfo doméstico.
Ao ouvir a constatação de Draco, ela logo largou o talher no prato que acabara de se servir, mas antes que pudesse retorquir como normalmente faria, Hermione decidiu que era hora de mudar de tática com ele.
— Você realmente acha isso? Que ele não é importante?
— Acho que esse é o problema com sangue-ruins como você — Draco começou com a mesma entonação habitual que ela tanto detestava — Vocês não entendem o mundo mágico, toda família de sangue puro possui um elfo doméstico, exceto os Weasley, talvez. Sempre foi assim — completou com um ar de desdém — E quando eles morrem, são substituídos, é simples. Por que eu deveria me importar?
— Ele voltou para nos ajudar — ela começou — Monstro pertence a Harry agora.
— Tanto faz – ele disse desinteressado, dando continuidade à sua refeição.
— Draco, por que vamos recomeçar essa guerra? — continuou.
— Eu tenho meus motivos, nenhum deles da sua conta.
Hermione suspirou, ao menos eles não estavam discutindo, mas também não estavam numa conversa exatamente agradável.
— Do que se trata essa guerra, afinal? — ela tentou novamente.
— Provavelmente não se trata da mesma coisa para eu e você, Granger. Mas ambos precisamos vencer, é só isso.
— Não — ela interveio — Essa guerra é sobre sangue, sempre foi. É sobre os preconceitos que vocês insistem em cultivar sobre os nascidos trouxas ou com qualquer um que seja de alguma forma diferente de vocês... e é sobre o Monstro também. As coisas não precisam ser como sempre foram.
Draco de repente perdeu a fome, as palavras de Hermione geraram um efeito um tanto quanto estranho, agora ele relembrava com clareza as cenas dos bruxos nascidos trouxas implorando para que não tivessem seus bens confiscados e que fossem levados para Azkaban.
Ele certamente tinha motivos pessoais para ter se juntado à Ordem, caso contrário teria preferido ficar em sua zona de conforto, mas não poderia negar que ela tinha razão no que falava. Ele nunca concordaria que os sangue-ruins estivessem no mesmo patamar que os bruxos de sangue puro, mas não poderia dizer que apoiava o tratamento que eles estavam recebendo.
— Talvez no seu mundo, Granger. O mundo mágico sempre foi assim, você não pode muda-lo — disse por fim na expectativa de que ela se desse por vencida — E você acha que sabe tudo sobre mim, mas não sabe.
A garota se calou por alguns segundos e se dedicou a finalizar sua refeição, ao passo que Draco agora encarava qualquer ponto que não fosse ela e Monstro havia reaparecido para retirar a mesa. Como era característico do elfo, não demorou para chama-lo de “meu senhor”.
— Eu sei o que você pensa de mim — ela deu de ombros.
— Provavelmente — respondeu entediado — Podemos finalmente discutir sobre algo que realmente interessa?
— Nós debatemos sobre a sua proposta, Harry e os outros, em sua maioria, acharam que deveríamos tentar... seguir sua ideia — ela continuou a falar relutante e logo um sorriso triunfante se formou pelo canto dos lábios de Draco — Eu ainda acho que deveríamos usar outros meios, mas parece que não temos muito tempo disponível.
— Então eles são mais sensatos que você — ele concluiu e Hermione o presenteou com uma expressão de desagrado.
— Você vai ser responsável por atrai-lo até aqui — disse — Nós começamos a formular um plano, mas vamos precisar repassá-lo para que tudo funcione bem — completou e Draco assentiu com a cabeça enquanto ela falava — E vamos precisar de algum tempo, para não levantar suspeitas.
— Quando, graças a mim, nós vencermos essa guerra — ele interveio — Você finalmente vai poder começar um fundo de apoio para lutar pelos direitos dos elfos domésticos — completou num tom zombeteiro.
— Eu já comecei — Hermione disse com seriedade — Chama-se FALE — pausou — E não vai se achando, Malfoy, nós vamos trabalhar juntos nisso.
Draco, porém, se calou e passou alguns segundos, que provavelmente demoraram mais do que era sensato, a observando. Hermione definitivamente não era alguém com quem ele teria contato caso tivesse escolha e muito menos teria se tornado sua única companhia restante caso a vida tivesse sido menos ingrata. Mas agora ele começava a crer que, sem dúvidas, ela era a pessoa mais diferente que ele conhecera até então, e provavelmente a mais estúpida também.
Defender os direitos de elfos domésticos era uma ideia absurda assim como impensável que alguém fosse de fato considera-la. Contudo, antes mesmo que pudesse evitar, um sorriso involuntário se formou em seu rosto, o qual ele logo fez questão de esconder. De alguma forma os dois conseguiram chegar num diálogo breve e descontraído, o que caracterizou o momento mais estranho daquela noite.
Hermione, por sua vez, não havia se dado conta de que ele sorria para ela, haja vista que estava concentrada rascunhando as diretrizes do plano em um pedaço de papel e não estava exatamente prestando atenção em seu recente aliado. Mas se sentia quase satisfeita. Eles estavam finalmente conversando, afinal.
— Conte-me mais sobre o plano de vocês, Granger.
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