Efeito Dominó

24 Warning shot


Frank focou sua atenção no percurso feito pela água na pequena fonte enquanto ouvia Monterrey tagarelando sobre a batida policial em um dos cassinos da Costa Oeste. Perguntou-se porque ainda não tinha se livrado do mexicano; ele sempre perdia as estribeiras quando algo saía do planejado.

“Monty, me escuta. Você está me dizendo que esses palermas foram passados para trás por Alice Vaughan? Uma merda de uma investigadora particular? Ela não é policial, seu imbecil.”

Mas era óbvio que ele não estava escutando. O medo de perder o ganha pão para sua família de quinze filhos lhe tirava a objetividade. “Pelo amor de Deus, Monterrey. Cale essa merda de boca. Eu já entendi e não se preocupe, eu conheço uma pessoa que pode lidar com Vaughan. Ofereça a esses policiais o que eles quiserem e despache. Eu cuido do resto.”

Frank ouviu passos e segundos depois Laurel apareceu na porta. Ela sorriu, os lábios curvando-se em um sorriso tímido; usava apenas uma das camisas sociais dele e a ideia de ela não estar usando absolutamente nada por baixo dela o fez sorrir. “Eu retorno depois.” Concluiu, jogando o celular sobre o sofá e concentrando-se nela. Ela veio caminhando em sua direção de maneira lenta e presunçosa, a luz da janela adornando a cena e criando um espectro ainda mais sedutor. As mãos dele viajaram para sua cintura e ela sentou-se sobre seu colo.

“O que vamos fazer hoje?” Sussurrou ela antes de levar seus lábios ao encontro dos lábios dele, encaixando-os e se deixando levar pelo beijo quente e sedento. Quando suas bocas se afastaram, ele subiu a mão direita até a nuca dela e acariciou seus cabelos. “Eu vou para casa e você precisa voltar. Annalise está perguntando.”

“Está com saudades da sua esposinha?” Sibilou ela, levantando-se imediatamente e se posicionando na frente dele.

Frank encarou-a com um semblante irritado, os olhos frios e o maxilar enrijecido. “Eu já pedi para não falar dela dessa maneira.”

“Eu não entendo por que você não se divorcia logo.”

Ele sorriu. “Porque eu não quero. Porquê da última vez que tivemos uma briga você saiu correndo para enfiar sua língua na boca daquele moleque imbecil. Regina é uma mulher, Laurel. Ela é independente, ela é decidida, tem uma carreira profissional e não depende de mim o tempo todo. Eu não vou me divorciar dela.”

“O que?”

“O que o que?” Ele a encarou com o olhar duro, mas um sorriso maldoso alargou-se em seus lábios. Laurel segurou o ar, recebendo o ódio inesperado por parte dele. “Você achou o que? Que eu ia largar tudo e ficar correndo atrás de você como um universitário apaixonado? Que passar alguns dias aqui com você é alguma garantia? Que vou abandonar minha estabilidade por uma aventura? Pelo amor de Deus, garota. Cresça.”

“Frank…” Ela estava pálida e boquiaberta, os olhos acuados. “Por que está me dizendo essas coisas? O que eu te fiz?” Os olhos dela estavam marejados e ela segurou-se firme ao seu sistema nervoso para não começar a chorar na frente dele.

“Nós estávamos tendo um dia ótimo até você agir como uma criança mimada com inveja de Regina. Isto me cansa, Laurel. Todo esse drama, essa indecisão, essa insegurança. Você só fica se arrastando pelos cantos, e quer que eu troque minha esposa por isso? Se imponha. Mostre alguma consistência. Mostre uma razão na qual você se sobressaia. Você acha que ela se importa com você? Ela não te considera uma ameaça, ela vê você apenas como uma distração e, honestamente, eu estou começando a concordar com ela.”

Laurel permaneceu parada, fitando o estofado do sofá enquanto ele se levantava e caminhava de volta para o quarto, onde começou a se vestir.

***

Regina não fazia ideia do que estava fazendo, mas ao encontrá-lo no corredor, seus instintos falaram mais alto. Robin não teve tempo de reagir quando ela agarrou a parte da frente da sua camiseta verde, fechando o punho e o puxou para dentro do armário. Um armário repleto de vassouras e produtos de limpeza.

Ele apenas se deixou ser guiado; Regina fechou a porta com violência e manteve a palma da mão sobre a madeira, fitando o chão. Ela não conseguia manter suas mãos longe dele; ela não conseguia deixar de desejá-lo e a atenção de Margot só havia intensificado sua necessidade. “Regina, o que você está fazendo?” Questionou ele, atônito.

Ela ergueu a cabeça e o encarou, a atmosfera tornando-se ainda mais densa com o contato visual entre os dois. Depois de um longo tempo, ele continuou, o rosto coberto por uma máscara de completa sobriedade. “Você pretende me manter aqui dentro por quanto?”

“Por que está fazendo isso?”

“Você que me arrastou para dentro de um armário, Regina.”

Ela deu um passo à frente. “Estou falando desse jogo com a Bishop. De deixa-la usar você para me atingir. Eu quero que pare, Robin.”

Seus olhos azuis ganharam um brilho escuro e denso, e ele abandonou o sorriso. Caminhou na direção dela, fazendo-a recuar até que a mesma sentiu a porta atrás de si. Ela manteve os olhos sobre ele, observando cada milimétrico movimento; Robin colocou a mão sobre o seu pescoço e deslizou as pontas dos dedos na direção da clavícula, pressionando-a contra a porta com o peso de seu corpo. Os lábios dele alcançaram a base do ouvido dela, por onde uma voz sussurrada e lenta adentrou como uma brisa quente numa noite de neve. “Por que eu deveria escutar você, Regina?”

Ela tentou empurrá-lo, mas ele deslizou a mão e circulou seus dois pulsos, levantando-os acima da cabeça dela e mantendo-os imobilizados com apenas uma das mãos. A outra mão estava na cintura dela, os dedos deslizando pelo tecido, apertando, lendo, incrementando a chama que já ardia feito labaredas dentro do pequeno cubículo. “Me diga.” Sussurrou ele contra os lábios dela, afastando-se antes deles entrarem em contato. “Por que você está com ciúmes?”

“Eu não tenho ciúmes de você.” Rebateu ela.

“Nesse caso eu posso sair com quem bem entender, certo? Você não se importa. Posso levar Margot Bishop para casa e ver o que ela esconde por baixo daqueles…” Ele sorriu, percebendo a mudança sutil na fisionomia dela e baixou ainda mais o tom de voz para um sussurro quase inaudível. “Vestidinhos apertados.”

“Me solte agora.” Ordenou ela e ele sorriu, libertando seus pulsos. Sentiu as mãos pequenas e delicadas contra o seu pulso, numa tentativa de empurra-lo, mas ele fora mais rápido, capturando seus pulsos e os puxando para sua cintura, forçando um abraço. Regina estava praticamente colada ao seu tórax, os lábios próximos, a respiração pesada e contida. “Você é um idiota, Robin.” Acusou ela, puxando seus pulsos, mas sem obter nenhum resultado.

“Sim, eu sou.” Comentou ele, a visão perdida na perfeição de seus lábios. Ele queria definitivamente beija-la mas entender o que se passava na cabeça dela era muito mais importante. “Mas a pergunta aqui é: você me trouxe aqui no quartinho das vassouras para falar de Margot Bishop?”

“É só isso que você tem na cabeça? Sexo?” As sobrancelhas dela se franzem, criando uma linha tênue de irritação.

“É só isso que você me permite acesso, Regina. Acha que não me importo? Acha que não me preocupo com seus problemas de trabalho ou com o fato de estar por aí sozinha e sem segurança?” Ela tentou evitar o contato visual, mas os olhos dele a atraíam como um polo magnético, ondas azuis profundas e hipnotizantes. “Você me fecha do lado de fora mas quer que eu conquiste sua confiança, e honestamente, não sei como isso vai ser possível.”

Ela podia sentir as batidas do seu coração como tambores na margem de suas cordas vocais. Sua voz parecia estar presa na garganta, junto com uma infinidade de emoções que ela estava tentando absurdamente esconder e sufocar até que morressem. Ele soltou seus pulsos gradativamente, sem se afastar. “Eu sei que temos um acordo apenas sexual, Regina. Mas por mais que você pense isso, eu não vejo você como um pedaço de carne. Mesmo que você queira assim. Você não confia em mim, e não quer me dar acesso à mais, tudo bem. Mas não me julgue por isso. No final das contas é uma escolha sua.”

Robin afastou-se dela e abaixou a cabeça, desvencilhando-se sem tocá-la. Ele girou a maçaneta e abriu a porta, mas sentiu uma mão sobre a sua, empurrando a porta de volta e girando o trinco. Os olhos azuis procuraram pelos olhos castanhos em busca de alguma resposta. “Eu não quero que você saia. Por favor. Eu quero… Confiar em você. Eu só preciso que você me ajude.”

Ele se virou para ela, enfiando as duas mãos entre as madeixas de cabelo escuro e a puxando para um beijo urgente. A boca dele encaixou-se com a dela naturalmente, sua língua encontrando acesso desimpedido para dentro da boca dela. Ela gemeu, enfiando as unhas na carne dele por cima da camiseta verde, suas unhas marcando o caminho que ela adoraria fazer com seus lábios. Robin a segurou com firmeza pela cintura e a empurrou contra a porta, e seu corpo estremeceu ao ouvir um suave gemido por parte dela. Ela puxou as bordas do vestido para cima e ele não pensou duas vezes antes de deslizar as mãos para o quadril dela, espalmando suas nádegas e fechando o punho sobre elas, num aperto forte. “Ohhhh”. Exclamou ela, e ele sorriu, suspendendo-a do chão; Regina rapidamente encaixou as pernas ao redor da cintura dele e os braços ao redor de seu pescoço, introduzindo sua língua na boca dele e tomando para si o controle do beijo.

Ela não conseguia se fartar dele. Cada beijo parecia mais ávido do que o último, e mais distante, e ela precisa beijá-lo de novo para manter viva aquela chama viva dentro de si. Sabia que eles não deviam estar fazendo isso, mas ela não conseguia ver nada de errado. Nada que lhe causasse arrependimento. Ela o queria, e aquele desejo estava em cada célula do seu corpo, implorando, instigando, esperando. E ela queria sentir-se errônea, mas tudo que ela conseguia pensar era em quanto tempo ele levaria para tirar todas as suas roupas. Puxou a camiseta por baixo, as unhas causando arrepios na parte baixa de suas costas e ele ajudou-a, arrancando a peça de roupa em poucos segundos e arremessando-a para algum canto escuro. “Melhor?” Perguntou ele, permitindo que ela o observasse silenciosamente. Os músculos muito bem definidos vibravam a cada respiração, o contorno suplicando silenciosamente para ser tocado; ela mordeu o lábio pensando na força concentrada ali, e em como ela adoraria lamber cada centímetro daquele abdômen.

Robin riu, despertando-a de seu transe. Ele encaixou a mão sobre a sua nuca, enrolando os dedos em seus cabelos e puxando para baixo, os dentes perfeitos arranhando o pescoço dela, beliscando sua pele antes de acalentar a mesma com os lábios umedecidos pelo tesão. Ele adorava a maciez da pele dela, a suavidade com que a carne dela o recebia; e os gemidos que ela produzia — a voz fragilizada, entregue, submissa — o excitava de mais maneiras que ele era capaz de explicar. Afastou-se um pouco e ouviu-a choramingar em frustração. Ela o encarou com os lábios vermelhos e olhos abertos, os cabelos bagunçados e a respiração acelerada e ele cogitou registrar tamanha obra de arte. Ela encostou na porta, sorrindo. “Admirando a vista, baby?”

“Mais do que você possa imaginar.” Brincou ele, aproximando-se dela. Apoiou os dois braços na porta, nas laterais do seu rosto, mas não a tocou. Continuou observando enquanto a mesma silenciosamente deslizou o zíper do vestido e o soltou, empurrando o mesmo na direção das suas pernas e então o chutando para longe. Os olhos dele viajaram para a lingerie vermelha, a renda fina que desenhava seu corpo, atada às suas curvas como tinta. Aquela mulher era o próprio diabo ou o próprio anjo da salvação, de qualquer forma, ela não podia ser simplesmente humana. O corpo delineado, resultante de horas e horas, dias e dias dentro da academia nunca deixava a desejar aos olhos. Ela deslizou as pontas dos dedos pela linha central do tórax dele, cruzando a caixa torácica, deslizando pelo abdômen e passando pelo umbigo até chegar na borda da calça que ele usava.

“Por que você não para de olhar e faz alguma coisa mais… Interessante?” Desafiou, dando um passo e aproximando seus lábios. Ela roçou os lábios macios sobre os dele, mas não o beijou. Manteve-se ali, intoxicando-o com a sua presença, com o fogo incessante dos olhos castanhos contra o oceano impassível dos olhos azuis.

Robin encaixou uma das mãos na lateral do rosto delicado, o polegar acariciando sua bochecha. Com o olhar concentrado nos lábios dela, ele deixou o polegar seguir o mesmo caminho, deslizando-o sobre os lábios carnudos. “Ah Regina, eu faria muitas coisas interessantes com você…” E antes que ele terminasse, ela capturou seu polegar, cobrindo-o com os lábios e sugando sua pele, a língua fazendo círculos na ponta do mesmo, lembrando-o de quando ela fizera a mesma coisa em outra parte de seu corpo. Calor emanou da parte baixa do ventre dele, espalhando-se por todo seu corpo como um líquido denso e inflamável. Ela soltou seu polegar com os lábios fazendo um pop e sorriu maliciosamente para ele.

“Eu não quero que você fique fantasiando. Eu quero que você me coma, da maneira mais firme e forte possível, até que a única palavra que meu cérebro possa formar seja o seu nome.”

Ele mordeu o lábio. “Quanta ousadia, Sra. Delfino.”

Um sorriso malicioso brotou nos lábios dela, observando-o puxar o cordão da calça de moletom. “O que você está fazendo?”

“Elevando o nível de confiança.” Disse ele, erguendo a sobrancelha. Ergueu os pulsos juntos, sinalizando para ela e Regina balançou a cabeça afirmativamente, erguendo as mãos e virando os dois pulsos para cima. “Pulsos para baixo.” Pediu ele e ela os virou, observando-o contornar seus pulsos com o cordão. Ele cruzou o cordão em alguns pontos, mas ela não sentiu incômodo. Depois de terminado, ele checou a firmeza do nó e fitou seus olhos com curiosidade. “Você está de acordo com isso?”

“Sim.”

“Está doendo? Muito apertado?” Ela balançou a cabeça negativamente e ele continuou. “Essa amarração é para ficar firme e impedir você de fugir, mas é importante não impedir a circulação.”

“Robin, é sério. Está tudo bem.”

Ele parecia preocupado, e ela sentiu-se ligeiramente culpada por estar apenas excitada. Robin caminhou com ela até uma prateleira, encaixando seus pulsos acima de sua cabeça e tomando seus lábios em seguida. Beijou-a cheia de tesão, sua língua desbravando a boca dela, preenchendo, tomando espaço e causando sensações que faziam com que seus pulmões dilatassem. Podia sentir Regina puxando seus pulsos, lutando pela necessidade de tocá-lo. Seus dedos deslizaram contra a pele macia até que ele alcançou suas nádegas, apertando-as com vontade e a suspendendo no ar por alguns segundos. Com os lábios entreabertos seguiu caminho pelo maxilar dela, beijando-a, até chegar na altura da sua orelha, onde deslizou a ponta da língua na cartilagem e depois puxou com os dentes, causando-lhe arrepios. “Robin” Sussurrou ela, uma súplica suave e delicada.

“Sim?” Respondeu ele, tocando sua orelha com os lábios enquanto sussurrava. Seus dedos seguiram o caminho para dentro da calcinha de renda vermelha, encontrando apenas provas de que ela estava completamente de acordo com o que ele estava fazendo. Deslizou os dedos agora encharcados sobre a pele sensível, brincando com as terminações nervosas de seu sexo. “Oh fuck” Gemeu ela, tentando ondular o corpo contra a mão dele.

“Algo me diz que você gosta de ser imobilizada, Regina.”

“Sem torturas… Por favor, Robin.”

Ele retirou os dedos, atento às expressões no rosto feminino e voltou a beijá-la. Regina tombou a cabeça para trás assim que sentiu a boca quente e molhada contra o seu pescoço, lambuzando-o, a textura da língua macia deslizando sobre seu pescoço e enviando uma sobrecarga diretamente para o delicado órgão entre as suas pernas. As mãos dele não descansavam um minuto, apertando seus seios, massageando-os por cima da lingerie que ela imaginou tê-lo agradado, já que ele parecia tão relutante em se livrar da mesma.

“É injusto não torturar você…” Começou ele, mas no segundo seguinte estava com os lábios em seu abdômen, beijando-o, sua língua marcando trilhas molhadas para cima e para baixo. “Quando você apenas existir é uma tortura para mim.” Eles trocaram um olhar carregado e Robin desceu a renda do sutiã, abocanhando o mamilo com os lábios e o sugando lentamente, a língua contornando a ponta delicadamente antes de puxar o mesmo com os dentes, afligindo-lhe um pouco de dor.

“Yes!” Exclamou ela, mordendo a pele de seu braço numa tentativa de sufocar seus gemidos enquanto ele realizava o mesmo movimento no outro mamilo; apesar de ser completamente constrangedor para ela admitir, a maneira dominadora com que ele a tomava era a melhor coisa que ela já provara sexualmente e lhe causava níveis de libido exorbitantes, maiores do que ela se achava capaz de alcançar. Sentiu as pontas dos dedos dele deslizando sua calcinha, o tecido roçando sua pele até estar esquecido em seus tornozelos. Ele ergueu uma das suas pernas e colocou por cima do ombro, repetindo o mesmo movimento e ajoelhando-se sobre ela. “Robin, não…”

“Shhhhh.” Pediu ele, soltando o peso dela e permitindo que ela sentasse sobre ele, seus lábios encontrando caminho através dos lábios vaginais, a língua deslizando preguiçosamente, acariciando-a sem pressa. Regina fincou os dentes na pele do braço, abafando os gritos que se formavam na base de sua garganta. As mãos dele estavam firmes em suas coxas, segurando-a no lugar enquanto ele continuava massageando-a com seus lábios, chupando a pele sensível e tomando dela gemidos cada vez mais desesperados. Ele já a conhecia muito bem. Sabia exatamente os movimentos que faziam as pernas firmes cederem à espasmos, sabia onde tocar para fazer todo seu corpo estremecer, sabia onde deslizar a língua para fazê-la segurar a respiração. Regina era um vício e como um viciado inveterado ele já conhecia todos os atalhos que o levavam à mais doce das ruínas. Brincou com a língua sobre a entrada dela, percebendo a maneira com que o corpo reagia; voltou a lambê-la deliciado, saboreando cada centímetro do tecido sensível e quente. Forçou uma leve penetração, simulando os movimentos de entrada e saída; as pernas dela se fecharam com força ao redor do seu pescoço, os gemidos cada vez mais desconexos e perdidos. Fez força para libertar-se das pernas dela e então alinhou sua língua, e passou a lambê-la, a língua firme e aberta, deslizando pela carne com volúpia. Primeiro lenta e preguiçosamente, e percebendo a maneira com que Regina passou a rebolar contra sua face, aumentou gradativamente o movimento de sua língua até que sentiu-a apertar as coxas ao redor de si novamente e os espasmos chacoalhando todo o pequeno corpo. Continuou seus movimentos por mais alguns segundos e então lhe concedeu espaço, saindo de baixo das suas pernas e levantando-se.

Em pé, retirou seus pulsos da prateleira e a pegou no colo, sentando-se no chão. Regina deitou-se sobre ele, encaixando a cabeça entre pescoço e ombro; sua respiração ainda estava irregular, e Robin a manteve ali, acariciando suas costas e pernas enquanto a observava em silêncio. Ela adorava sentir a pele dele contra a sua. Era uma textura quente e macia, um calor que a fazia sentir-se protegida e ela odiava sentir-se assim por ele — você não pode, não é disso que se trata— mas ela não conseguia evitar. Os dedos dele tamborilavam sua pele e o olhar dela cruzou com o dele. “Tudo bem?” Perguntou ele.

“Tudo ótimo.” Respondeu ela e sorriu, e ele não pode evitar o sorriso que se formou em seus próprios lábios. Debruçou-se e encaixou sua boca sobre a dela, a mão delicadamente encaixada na lateral do rosto apenas para lhe dar base; suas línguas dançando de maneira suntuosa, deslizando uma sobre a outra. O beijo que deveria ter sido apenas momentâneo ganhou peso quando ela gemeu contra a boca dele, inebriada pelo desejo que sentia. Ele fincou os dedos nos cabelos dela, puxando sem fazer muita força e ela gemeu, mordendo o lábio inferior dele. “Regina…” Clamou ele, fazendo-a sorrir contra seus lábios. “Eu estou tentando me controlar aqui.”

“Eu não quero que você se controle.” Respondeu ela, os olhos fixos em seus lábios.

Robin respirou fundo e levantou-se, levantando-a consigo. Guiou-a na direção da porta, e ela apoiou os pulsos ainda amarrados no tórax dele, recebendo seu beijo. Suas bocas estavam alinhadas, os lábios roçando uns nos outros quando ela ficou na ponta dos pés e mordiscou a orelha dele. “Já passou da hora de você tirar essa calça.”

Ele sorriu, erguendo o pulso dela e virando-a contra a porta. Regina manteve a cabeça apoiada contra a madeira, os olhos fechados enquanto Robin se desfazia da calça e da cueca. As mãos dele se firmaram na cintura dela e ela mordeu o lábio ao senti-lo deslizar para seu interior, o gemido dele soando como música para seus ouvidos. Ele começou a movimentar-se lentamente, os olhos fixos no corpo dela, admirando o quadril redondo e empinado, observando como ela o engolia a cada estocada. Colocou suas mãos sobre as mãos dela e uniu seus corpos, a fusão das peles incendiando ainda mais o encontro de seus corpos. Robin a preenchia com tanta plenitude que o ar escapava de seus pulmões e a voz dela falhava, deixando-a apenas com grunhidos e sons indefinidos. Ele rebolou contra ela, ondulando seu quadril e proporcionando um novo ângulo que fez com que ela desejasse sair de órbita. “Meu Deus, Robin…” Murmurou ela inclinando o corpo para trás, buscando maior atrito, roçando seu corpo no dele.

Ele fincou os dedos no quadril dela, na altura do fêmur e a afastou da porta, temendo que o som das estocadas ressoasse na madeira e denunciasse o que estava acontecendo ali. A cabeça dela ainda descansava contra a porta, a respiração tenra, e Robin passou a beijar a pele sobre sua escápula, mordendo-a em seguida numa tentativa de controlar o tesão que o havia arrebatado. Mas Regina paralisou por alguns segundos, e isso chamou sua atenção; ele puxou o corpo dela, grudando-o ao seu e ela sussurrou. “Há alguém no corredor.”

Robin apagou a luz imediatamente, mas não a soltou. As vozes se tornaram mais nítidas e ele sentiu a tensão solidificando-se nela ao ouvir a voz de Frank. Ela abriu os olhos imediatamente e mesmo no escuro, podia sentir o olhar de Robin sobre ela. E não somente o olhar. Ele continuou movimentando-se para dentro e fora dela no ritmo que a estava enlouquecendo anteriormente. Uma guerra interna irrompeu-se em seu interior, entre a ideia cristalizada de interromper aquilo e o desejo ardente de continuar. “Eu… eu…” As palavras estavam embaralhadas em sua mente, a voz de Frank e as estocadas de Robin, milhares de sinapses piscando em seu cérebro.

Robin puxou seus cabelos delicadamente para trás e alcançou sua orelha. “Concentre-se apenas na voz dele e se entregue.” Pediu, beijando o pescoço dela, lambuzando sua pele; desabotoou o sutiã e esticou o mesmo, formando uma tira. “Só vamos precisar nos certificar de que você não vai nos entregar.” Ela consentiu, e ele a amordaçou usando a peça, a outra mão firme sobre o osso de seu quadril. Regina posicionou o pé sobre uma das prateleiras inferiores, dando a ele um ângulo melhor e Robin voltou a penetrá-la, dessa vez com mais força. Ela fechou os olhos, ouvindo a voz de Frank e mais alguém que ela não estava associando; seu cérebro associou a voz dele ao seu prazer e ela expirou, mas não conseguia desligar-se da maneira com que Robin a possuía, as vezes com tanta intensidade que ela achava que ele seria capaz de levanta-la do chão. Não conseguia ignorar a eletricidade crepitante entre seus corpos, a chama viva e ardente que se fazia presente no mero roçar de suas peles; não conseguia ignorar a voz máscula e que lhe causava arrepios em diversas partes do corpo do outro lado da porta.

“Shhh” Pediu Robin e ela entendeu que devia estar gemendo mais alto do que podia. Ele puxou ainda mais a mordaça improvisada, e a voz de Frank foi se afastando, a onda de prazer aumentando, crescendo enlouquecidamente e os movimentos de Robin beiravam a brutalidade, o choque de seus corpos liberando uma energia animalesca e a certeza de que ela se lembraria daquele momento por uma semana. Mas ela jamais ousaria reclamar. Havia algo que ela achava petulante demais em chamar de mágica, mas algo realmente impressionante na maneira com que o segurança a tocava; ela não sabia definir o que era. Poderia ser seu cheiro, o perfume oriental com notas de árvores rústicas, um cheiro sofisticado da floresta; podia ser o sotaque sexy combinado com a voz que fazia suas entranhas dançarem; podia ser a pele quente e macia que parecia pegar fogo toda vez que se tocavam; podia ser sua impressionante força, segurando-a, apertando-a, suspendendo-a, dominando-a; ou podia ser aquele beijo. O beijo quente, ardente e cheio de promessas; o beijo crepitante que acendia seus mais profundos anseios como um fósforo. O beijo que fazia os dedos de seu pé se encurvarem e suas órbitas oculares perderem o rumo. Ela não sabia mais o que era, mas algo a havia escravizado à aquele homem, aumentando seu anseio por ele a cada dia. Ele estava cansado, ela podia dizer; ela o estava sentindo ainda maior, e não demorou muito para ele grunhir contra a sua pele, estocando-a com força; os dedos dele viajaram para seu pescoço, alinhando sua postura e ele lambuzou o próprio polegar, levando-o ao clitóris dela e pressionando-o estrategicamente até que ela amoleceu em seus braços, fechando as pernas e sentindo seus joelhos cederem. Robin deixou-a vocalizar sua explosão através da mordaça e aos poucos foi soltando a mesma, beijando o topo da cabeça dela e a pegando no colo novamente. Eles voltaram a sentar no chão e ele soltou seus pulsos delicadamente, acariciando as marcas com devoção.

***

Ruby não estava feliz em ter que deixá-lo em casa sozinho, mas desempregada ela não seria de ajuda nenhuma. Fitou os terminais da diretoria e as pessoas trabalhando, a concentração pairando sobre a plataforma de trabalho. “Como assim só ficou nos beijos?”

A voz de Megan a trouxe de volta à realidade. Sorriu, abrindo seus e-mails e distribuindo os recém-chegados para as suas devidas pastas. “Meggie.”

“Não me venha com Meggie. Se partiu de você, e você tem uma queda por ele desde sempre, o que te impediu?”

Ruby revirou os olhos. “Sei lá. Nós somos amigos.”

“Amiguíssimos. Assim como eu e Robin.”

“Não é dessa maneira, Megan.” Murmurou a morena, abrindo a planilha compartilhada com Zelena.

Megan riu do outro lado da linha. “Se ele aparecesse na porta do seu quarto durante a noite, vestindo apenas uma cueca boxer, você recusaria? Pediria para ele ir dormir e diria que são só amigos?”

“Eu não sou obrigada a responder isso.”

“Você acabou de responder. Você não o vê apenas como amigo. E do jeito que as coisas vão, você vai ter que lidar com isso mais cedo do que imagina.”

Ruby observou Arthur em sua mesa. Ele parecia triste, o que era atípico dele. Infelizmente eles não tinham muita intimidade, e ela perguntou-se o que poderia ter acontecido. “Certo. Em vez de solucionar minha vida amorosa por que não vai dar um jeito na sua? Lockhood está à solta.”

“Talvez não tão solto.” Murmurou a amiga. Ruby voltou sua atenção para a planilha, estranhando alguns números.

“O que você quer dizer?”

“Acho que ele está vendo alguém.”

“Faça-me o favor, Megan. Você já olhou para aquele homem? É óbvio que ele está vendo alguém. Ele vai estar sempre vendo alguém. O cara é gostoso e”

“Eu já entendi e ele não faz seu tipo. Eu quis dizer envolvido.”

Ruby respirou fundo. “Ele falou a respeito?”

“Não.”

“Vocês são praticamente melhores amigos. Ele teria falado a você se fosse sério.” Concluiu a morena enquanto caminhava para a sala de Zelena. A ruiva havia saído para uma tarde no spa mais caro de Baltimore e definitivamente não retornaria naquele dia.

“Acho que sim. É que não havia nome, só um apelido. Ele me deixa louca.”

Ruby sorriu, acessando o computador da mesma e abrindo o login. “Você já pensou como será que ele é na cama? Com aqueles braços enormes…”

“Ruby Lucas! Pelo amor de Deus! Vai logo resolver esse negócio com o teu segurança porque você está insuportável.”

A morena gargalhou, sua risada ecoando pela espaçosa sala. Mas ao abrir uma das planilhas minimizadas, seu sorriso morreu. Ela conhecia aqueles documentos. Conhecia cada um daqueles números, os gráficos, as tabelas e anotações. Era tudo seu. Eram os seus dados, religiosamente redigidos por noites a fio. Como é que Zelena havia conseguido acesso a isso? À dados que ela não possuía cópia, sendo que a única cópia seria a que residia em seu notebook pessoal?

“Meggie, eu te ligo depois. Surgiu um imprevisto.”

Ela desligou antes que a amiga se despedisse. Discou alguns números e segundos depois foi atendida.

“Hey Rubbie.”

“Stuart, eu preciso de um favor. É importante.”

“O que quiser.” Respondeu ele, captando a seriedade da situação.

“Você conhece alguém que saiba hackear computadores?”

“Sim. Tem um cara.” Ele mordeu o lábio antes de perguntar. “Está precisando de ajuda?”

“Só peça para ele ir à minha casa hoje à noite. Eu te explico melhor quando eu chegar, tudo bem?”

“Sim, mommy.”

O comentário dele a fez sorrir. “Até a noite, baby boy.”

Stuart sorriu, desligando o telefone em seguida.

***

“Você finalmente voltou para casa.”

Comentou Regina ao entrar na suíte e encontrar Frank de costas para ela. Ele estava apenas com uma calça de moletom azul marinho, e ela preferiu ignorar as marcas de unha na parte inferior de suas costas.

“Essa viagem estendeu-se mais do que o esperado.” Comentou ele; ela o fitou em silêncio, perguntando-se se ele realmente acreditava que ela acreditava nessa desculpa. Optou por jogar o mesmo jogo que ele.

“O resultado ao menos foi o esperado?” Perguntou ela, caminhando até ele e beijando a bochecha dele carinhosamente. Ele a observou com curiosidade, sem esboçar emoção.

“Não. Talvez eu tenha me enganado sobre esse negócio. Não valia o investimento. Às vezes o melhor a se fazer é manter a rotatividade do que temos.”

Regina apenas concordou, balançando a cabeça. Virou-se na direção do banheiro quando sentiu-o circular seu pulso, os dedos tocando-a com delicadeza. “Me desculpe.”

Ela fitou os olhos verdes em silêncio, analisando meticulosamente a expressão dele. Não tinha ideia do que ele pretendia com aquilo e lhe custava acreditar em sua repentina inocência e arrependimento, qualquer que fosse o crime. “Depende. O que você fez?”

“Pela ausência. Eu sei que não tem sido fácil para você desde que sua irmã ficou com a presidência da Apple’s. Eu deveria ter sido mais presente. Eu…”

“Desculpas aceitas, Frank. Mas não se preocupe. Eu sobrevivi.” Ele a encarou, surpreso. Era uma reação bem diferente da que ele esperava. Regina parecia indiferente às suas palavras, quase como se não significasse nada para ela e ele percebeu também que não gostava nada dessa sensação. “Está tudo bem com você?”

“Sim, eu só queria mesmo tomar um banho.” Respondeu ela, segurando o lábio inferior em um bico quase infantil. “Posso?”

“Podemos tomar juntos…” Sugeriu ele, deslizando os dedos nos dedos dela, um sorriso malicioso nascendo em seus lábios.

“Eu vou demorar, fazer hidratação, essas coisas. Você sabe se conseguiram entrar em contato com o Stuart? Ele não veio trabalhar hoje.” Ela caminhou até a porta do banheiro, ciente de que ele estava a despindo mentalmente e sorriu lembrando que Robin já fizera aquilo. Com as mãos.

“Vou designar um dos backups para ficar no lugar dele.” Concluiu ele, irritado. Regina virou-se, encostada no batente da porta de seu closet e o olhou de cima a baixo antes de estabelecer contato visual.

“Certo. Mas um backup não é meu segurança. Stuart Grant é. E eu quero que o encontrem.”

Frank a seguiu para dentro do closet, e Regina não se sentiu nem um pouco incomodada com a presença dele. Deslizou para fora do vestido justo, enfiando-se em um robe logo em seguida e ciente do olhar lascivo que o mesmo lançara sobre o seu corpo. “O que aquele garoto tem de especial? Por que não um backup?”

“Porque você me pediu para escolher e eu escolhi ele. Eu não quero um cão farejador, que é o que esses garotos parecem. Eu quero o meu segurança. Está acontecendo algo que eu precise estar ciente?”

Frank a fitou com frieza e o semblante impassível e ela suprimiu um sorriso. Aí estava o rosto com o qual ela estava acostumada. O rosto sem máscara. “Eu vou encontrá-lo.” Foi tudo o que ele disse antes de sair. Ela balançou os ombros com indiferença e seguiu caminho para o seu banho.

***

“Você acha que Zelena Mills hackeou seu notebook?”

Ouvindo-o falar daquela maneira poderia parecer um tanto exagerado, mas ela sabia que não. Aqueles dados saíram de seu computador, de um jeito ou de outro. E ela iria descobrir. Stuart manteve os olhos nos olhos dela, raciocinando. “Stuart, eu sei o que eu vi. Eram os meus dados. Todos eles.”

“O que ela ganha com eles?”

“Ela tem controle sobre absolutamente tudo. Todos os dados da empresa, números que entram, que saem, toda a contabilidade deixada por Regina, os chamados ‘buracos negros’ onde é possível inserir ou retirar números sem adulterar o montante final, tudo.”

“Você quer dizer que ela pode desviar quanto dinheiro quiser e ainda assim conseguir ofuscar isso.”

“Exatamente.”

“Rubbie, isso é…” Ele alinhou a postura novamente e a encarou. “Por que você tinha algo assim em sua posse?”

Ela respirou fundo e bebeu um longo gole de sua taça de vinho antes de continuar. “Antes dela tomar o lugar de Regina, eu já tinha uma desconfiança. Havia muitos espaços vazios, relatórios não batiam. Muitas contas estavam em caixa baixo.” Ela brincou com a borda da taça. “Foi quando eu entrei em contato com Regina. Alertei sobre a diferença entre os relatórios e o balanço geral e que se algum investidor descobrisse recairia sobre ela.”

“Ela não fez nada?”

“Eu não sei, Stu. Eu havia passado o caso para alguém com muito mais poder que eu. Mas de qualquer forma, conversei com a Blue do jurídico e a convenci a me passar uma cópia do esqueleto financeiro, em nome da Regina. A partir daí não foi difícil compilar os dados dos livros da contabilidade. Eu sincronizei tudo, os três computadores da diretoria e pretendia entregar à Regina. Mas ela perdeu a presidência e eu não confio em Zelena. Então omiti a existência desses dados e estava convencida de que eu era a única que sabia deles.”

“Até ver a mesma planilha no computador dela.” Concluiu o loiro.

“Eu não faço ideia do que aconteceu. Eu quero saber como ela conseguiu.”

Eles permaneceram com os olhos fixos em pontos inanimados, aproveitando-se do momento de silêncio oportuno. A campainha tocou e ela sorriu, oferecendo-se para ir atender. Entregou a taça a ele e caminhou até a porta, certo de que o rapaz do computador havia chegado mais cedo. Mas o rosto do outro lado da porta era familiar.

“Você.”

“Megan me disse que eu o encontraria aqui.”

Ruby anotou mentalmente que precisava socar a melhor amiga. A última coisa que ela queria era ver pessoas do trabalho rondando Stuart, ainda mais depois do discurso assustador do oficial responsável pelo acidente. “O que você quer com ele?” Perguntou ela, posicionando-se na defensiva involuntariamente.

“Eu só quero conversar com ele.”

“Eu não acho isso uma boa ideia.”

Antes que ele pudesse responder, Stuart apareceu por trás dela. “Meu Deus Ruby deixe o pobre coitado…” As palavras morreram em seus lábios quando ele percebeu quem estava na frente dela. “Lockhood.” Cumprimentou ele, a voz fria e formal.

“Grant.” Cumprimentou Robin, guardando mentalmente cada escoriação e ferimento visível à olho nu. Seus olhos passaram rapidamente pelo braço engessado, antes de fixar seu olhar nos olhos do mais novo. “Podemos conversar um minuto?”

“Stuart.” Reclamou Ruby, nem um pouco feliz com aquele momento. Ruby passou à frente dela e virou-se para ela. “Não precisa se preocupar.”

Ela fitou Robin por cima do ombro dele e depois o encarou por alguns segundos. Resignada, deu um passo para o lado. “Usem o escritório.” Assim que Robin passou ao seu lado, ela segurou o braço dele. “Se eu ouvir vocês meramente erguendo as vozes um para o outro eu vou chamar a polícia.”

Robin concordou, colocando a mão sobre a dela. “Eu não estou aqui como inimigo, Senhorita Lucas.”

Ela observou enquanto eles adentravam sua casa e caminhavam silenciosamente para o escritório; nunca antes em toda a sua vida ela havia desejado tanto ser uma mosca.

***

Stuart fechou a porta atrás de si, e virou-se para seu tutor. “Fale.”

“Estou de atestado, caso não tenha percebido.” Zombou Stuart erguendo o braço engessado, mas Robin não sorriu.

“Você não avisou ninguém. Você tem um emprego ao qual reportar. Alguém que é seu dever proteger e que passou o dia perguntando a todos sobre você. Demonstre responsabilidade, Grant.”

A menção de Regina fez seus ânimos voltarem à ativa, mas ele tomou cuidado para não erguer a voz; não queria Ruby envolvendo a polícia na já difícil equação. “Como assim ninguém sabia onde eu estava?”

“Alguém sabia que você se acidentou?” Questionou Robin e Stuart sentiu seu coração acelerar. Era óbvio que ele não fazia ideia do que acontecera e Donovan certamente agiu como se nada jamais tivesse acontecido. Agora ele se tornara o irresponsável que se acidentou brincando com a moto. Não era à toa que Lockhood estivesse irritado.

“Eu esqueci de avisar. Ia ligar do hospital, Ruby me distraiu.”

“Aliás, o que aconteceu? Me disseram ter sido um acidente de moto, mas você é um dos melhores pilotos que já conheci. Algo nessa história não parece consistente.”

“Até os melhores pilotos do mundo se acidentam, Lockhood. Senna, Schumacher… Os exemplos são muitos.”

“Onde foi?”

“O que?”

“O acidente.” Robin o observava como uma águia, prestes a dar o voo rasante para capturar sua mentira. Sabia que ele estava analisando cada palavra em busca da verdade.

“Eu já respondi o interrogatório da polícia. Obrigada.”

Stuart não era exatamente o melhor mentiroso do mundo, ou Robin estava realmente bastante avançado na arte de ler a linguagem corporal — de qualquer forma ele sentiu que faltava uma parte daquele quebra cabeça. O jovem segurança não estava contando tudo. Mas por que? Para defender alguém? Para se defender?

“Como ela está?” Perguntou Stuart e pela primeira vez desde que haviam entrado naquele escritório Robin pôde ver sinceridade nos olhos azuis.

“Está bem. Preocupada com você. Perguntou várias vezes sobre seu paradeiro.”

Um sorriso brotou nos lábios do segurança. “Fique de olho nela por mim, Hood. E não é do jeito que você costuma ficar de olho nela. Do outro jeito.”

“Pode deixar.” Robin o encarou, sentindo uma leve angústia. Queria saber o que o outro estava tentando acobertar. “Você tem certeza de que não quer me contar?”

“Contar o que?”

Os olhos de Stuart capturaram o sorriso sarcástico do mais velho. “Stuart Grant, não me ofenda. Eu acreditei mais na história de João e Maria do que nesse conto onde você sofreu esse acidente. Você sabia que ia cair, é por isso que fraturou o braço. Geralmente em acidentes de moto repentinos, seguramos os membros e abaixamos a cabeça, jogando o impacto para o capacete. Você está com dor abdominal e quebrou o braço. Eu não sei do que ou como, mas você tentou desviar de algo.”

Stuart digeriu as informações, odiando-o por ser tão inteligente. Ele sabia que assim que Robin soubesse o que havia acontecido, ele se afastaria de Regina. E estando longe da mansão, Robin era sua única garantia de que ela estaria segura. Não podia arriscar a segurança dela, mesmo que isso fosse diminuir a confiança que Lockhood depositava nele. Era uma troca justa. “Eu disse tudo o que tinha a dizer.”

“Grant.”

“Eu agradeço muito você ter vindo até aqui, Robin. Mas é hora de ir embora.”

Robin assentiu. “Eu vou descobrir, Grant. Cedo ou tarde. E não estrague tudo com essa garota. Ela realmente se importa com você.”

Ele abriu a porta, e Stuart manteve os olhos longe, perdidos em algum ponto da parede. Quando ele decidiu sair do escritório, Robin não estava em lugar nenhum e Ruby estava ao lado de August, na mesa da cozinha. Ela parecia bastante inconformada. Levou as mãos à cabeça, os olhos vermelhos. Foi quando ele percebeu que ela estava chorando.

“O que foi?”

“Ela não foi hackeada.” Comentou August. Mas Stuart ergueu os olhos e a observou caminhar para o quarto, limpando as lágrimas.

“O que aconteceu, cara? Achei que essa era uma boa notícia.”

August abriu o notebook dele, mostrando um histórico de prompt. “Nunca houve nenhum acesso não autorizado ao aparelho dela, ou qualquer pasta ou arquivo. Mas essa planilha foi de fato copiada para um dispositivo de memória flash, junto com outros documentos. Eu mostrei o horário em que foi feito, e o rastreamento mostra que foi daqui da casa dela mesmo. Segundo ela, nesse horário ela estava trabalhando e só havia outra pessoa com acesso à casa e ao notebook.”

Foi quando um nome o atingiu. Graham. Ele tinha acesso ao notebook. Ele tinha acesso a tudo. Ele havia sugerido a viagem logo após Zelena ter sido nomeada a nova sócia majoritária. Ele não queria viajar, era um plano de fuga. Seu coração doeu, imaginando o baque que a notícia causara nela. Apesar de qualquer briga, ela o amava, havia aceitado casar com ele. Podia imaginar a decepção que ela estava sentindo.

“Eu sinto muito ter chateado ela, mas foi a informação que ela pediu.” August tentou se desculpar e Stuart sorriu abertamente, apertando seu ombro com carinho.

“Não se preocupe, Pinoch. É uma notícia ruim e eu vou conversar com ela. Você só tentou ajudar.”

“Ninguém me chama assim desde o colégio, sabia?”

Ele riu. “Não sou eu que vou contar. Seu segredo está a salvo comigo. Se você não se importar, eu preciso ir cuidar da minha garota.”

“Hmmmm, sua garota?”

As bochechas do loiro ganharam um tom rosado. “Merda. Quer dizer, dela. Da garota. Você entendeu. Fique, pegue uma cerveja, fique à vontade.”

“Eu já vou embora. Minha namorada fez reservas.” Disse o moreno abrindo um belo sorriso. “Eu salvei os prompts dos dias que sua garota pediu na área de trabalho. Avise-a por mim.”

Stuart estava com as duas mãos na cintura e um olhar de quem estava concentrando toda a sua força para não gargalhar. “Namorada? Foi isso que eu ouvi?”

“Você acha que nerds não namoram seu bostinha de academia?” Provocou August, digitando a senha do bloqueio de tela e exibindo uma foto dele ao lado de uma loira exuberante de cabelos longos e dourados.

“Fala a verdade. É a sua irmã?”

“Eu não sei porque ainda sou seu amigo.” Resmungou ele, abrindo algo e virando o celular para o amigo. Stuart fitou uma foto dos dois se beijando numa pista de dança. “Você beijaria sua irmã assim?”

“Você é nojento.” Respondeu ele, rindo. “Parabéns, é mesmo um milagre.”

“Vamos marcar um jantar. Nós e… vocês.” Sinalizou ele, apontando para o corredor e para ele, realizando a conexão.

“Fechado. Vamos, eu o acompanho até a porta.”

***

“Ruby?” Perguntou ele, abrindo uma pequena fresta da porta. “Você precisa de alguma coisa? Chá? Vinho? Conhaque? Uma arma?”

Ela riu e ele suspirou aliviado. “Entra.”

Sentada sob uma fresta da luz lunar, ela parecia ainda mais indefesa. Podia ver o rastro das lágrimas em seu rosto feminino. Podia sentir o quanto aquilo lhe havia desestruturado. Ela ergueu a cabeça e o encarou. “Ele te contou?”

“Sim.”

Stuart caminhou até ela, sentando-se ao lado dela, mas sem tocá-la; apoiou suas costas na cabeceira da cama e fitou a televisão desligada. O quarto permanecia na penumbra. “Eu estou tão decepcionada, Stu. Como é que eu não me toquei? A viagem em cima da hora. A bolada de dinheiro que ele conseguiu magicamente. Eu tinha que saber que havia algo errado.”

“Não é culpa sua.”

“É sim. Eu fui ingênua.”

Ele colocou a mão sobre a dela e entrelaçou seus dedos, mas os olhos continuaram fixos na televisão. “Não, não é. Você não foi ingênua. Você amou e foi fiel ao seu sentimento, coisa que ele deveria ter sido homem suficiente para fazer. Um homem sortudo o suficiente para ter você deveria encarar isso como um privilégio. Nenhum dinheiro no mundo pode competir com isso e se ele não fosse um ordinário sacana ele saberia disso. Então não pense que eu vou deixar você se culpar por um imbecil que te enganou. O azar foi dele, não seu.”

Ela o fitou, estupefata pela sinceridade dele, mas Stuart continuou encarando a parede, como que mentalmente isolado. “Stuart, isso…”

“Desculpe. Eu não quis ofender, é só minha opinião.”

Ruby segurou na lateral de seu rosto e puxou, obrigando-o a olhar em seus olhos. “Não se desculpe. É exatamente isso que eu precisava ouvir.” Ele engoliu em seco, seu coração disparando ao perceber o quão próximos seus rostos estavam e ao sentir a maciez das mãos dela sobre o seu rosto e pescoço. “A maior das minhas decepções não é com ele, Stu. É comigo.” Continuou ela, estendendo uma mão e empurrando os cabelos loiros para trás, brincando com os fios. “Todo esse tempo escondendo os sentimentos que desenvolvi por você, me sentindo culpada por estar sendo infiel a um homem que jamais havia me dado motivos de preocupação. Com medo. Com receio de estragar a vida perfeita que eu havia planejado ao lado dele. E onde isso me trouxe?”

Stuart parecia estar em transe. Ele estava encarando-a com uma espécie de ceticismo, como se tudo aquilo fosse uma névoa de um sonho longínquo. Ruby estava confessando ter sentimentos por ele. Ele não sabia se sorria ou perguntava algo e na dúvida, o silêncio permaneceu. “Você não vai dizer nada?” Brincou ela, sorrindo e limpando uma lágrima solitária.

“O que você quer que eu diga, Ruby?” Ele encarou-a com os olhos azuis brilhando. “Eu amo você. Eu amei você desde que você me beijou na sua festa de 15 anos.”

Ruby impulsionou-se para a frente e colou sua boca na dele, beijando-o com intensidade. Ele lhe cedeu acesso, entreabrindo os lábios e ela deslizou a língua para dentro da boca dele, incrementando a intimidade daquele momento. Segundos depois, ela pulou para cima dele, montando sobre o seu colo e cruzando os braços por trás de seu pescoço. Stuart cogitou ter morrido e chegado ao céu, mas prometeu a si mesmo não reclamar nem por um segundo.

***

Robin estava quase dormindo quando uma mensagem de Stuart fez seu celular vibrar. Ele não esperava mais nenhum contato depois do fiasco de conversa que tivera com o mesmo e considerando isso, era um chamado para lá de inesperado.

Desbloqueou a tela e abriu a pasta.

Eu continuo não confiando em você, mas você precisa saber que ele mentiu. Não foi um acidente. A polícia disse que os freios da moto foram cortados.

A menção de freios cortados fez um calafrio percorrer sua espinha. Ele sabia exatamente de quem era esse modus operandi. Alguém além de você esteve com ele no hospital? Digitou ele, apreensivo.

Acho que não.

Ele estava prestes a responder quando a segunda mensagem chegou.

Quando eu cheguei havia sim um rapaz saindo. Mas eu não faço ideia de quem seja.

Se eu enviar uma foto, você consegue identificar?

Sim.

Robin abriu sua pasta e enviou uma das fotos da graduação. Tinha todos os seguranças treinados, tanto os contratados como os dispensados. Se suas teorias estivessem certas, ela lhe daria um nome.

O telefone vibrou.

Camiseta azul, o quarto rapaz, na segunda fileira, da esquerda para a direita.

Ele abriu a foto, e conferiu a descrição.

Donovan Smith. Ele estava certo.

Obrigado. Pode deixar que eu vou cuidar desse assunto agora, Srita. Lucas.

Eu vou deletar essa conversa. Se disser algo ao Stuart sobre isso eu mato você.

Não será necessário. Digitou Robin e jogou o celular sobre o criado mudo. Fitou o teto de seu quarto, pensativo. Ele estava certo. Stuart não sofrera um acidente. Era um tiro de alerta.

E ele tinha quase certeza que o assunto era Regina Mills.